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Sylvia Patricia mescla Brasil e latinidade no seu belo EP Piel

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Por Fabian Chacur

Há exatos 30 anos, Sylvia Patricia lançou um disco autointitulado pela gravadora Sony Music. A partir dali, esta cantora, compositora e instrumentista baiana desenvolveu uma carreira impecável, com direito a discos de estúdio deliciosos, um DVD ao vivo retrospectivo de primeira linha e shows sempre encantadores. Como forma de celebrar essas três décadas de muita qualidade e coerência artística, ela nos oferece o EP Piel (Speciarias Musicais), outra delícia auditiva.

Quem acompanha Mondo Pop há mais tempo sabe que tenho um carinho todo especial pela obra de Sylvia Patricia (leia mais matérias sobre a artista aqui). E não é para menos. Ouvir sua voz calorosa e doce vicia, aquele tipo de vício que não tem contra-indicação. Afinal, nada melhor do que prazer auditivo intenso.

Piel (pele, em castelhano) é uma espécie de cartão de visitas do lado mais latino da sonoridade de Sylvia. Temos aqui seis faixas. Besame Mucho, grande clássico da música latina escrito pela compositora mexicana Consuelo Velásquez nos anos 1940 e regravada até, pasmem, pelos Beatles, aparece em duas releituras no melhor estilo bossa nova, uma com letra em português e outra com alguns versos em catalão escritos pelo músico dessa origem Daniel Cros.

Un Beso, de Sylvia em parceria com Paulo Rafael, também é oferecida em duas gravações diferentes, ambas em castelhano. Uma é a versão original, lançada originalmente no álbum No Rádio da Minha Cabeça (2006), e a outra se trata de um remix feito pelo baiano DJ Titoxossi. Ambas são calientes e com uma levada bem espanhola, bem flamenca.

Lançada originalmente em 2014 em outro EP, De Vuelta (Sylvia Patricia-Cecelo Froni) reaparece agora em uma versão denominada Rio-Barcelona Mix.

A faixa mais interessante é Resistiré (Carlos Toro e Manuel de La Calva), da trilha sonora do filme Ata-me (1989), de Pedro Almodóvar. Sylvia já a havia regravado em seu álbum Andante (2010), mas nesta nova versão ele teve uma bela sacada: acrescentou trechos do clássico disco I Will Survive (Dino Fekaris-Freddie Perren), estouro mundial em 1979 na voz da americana Gloria Gaynor. Como as músicas tem boas semelhanças entre si, ficou um mix dos mais encantadores.

Este novo EP funciona como um delicioso aperitivo para quem estava sedento por novas gravações de Sylvia Patricia, e também pode ser um bom cartão de apresentação ou porta de entrada para novos fãs.

Resistiré– Sylvia Patricia:

Sylvia Patricia esbanja classe em belo DVD comemorativo

sylvia patricia capa dvd-400x

Por Fabian Chacur

Sylvia Patricia surgiu no cenário musical brasileiro em 1989 graças ao lançamento de seu álbum de estreia, que chegou com o aval de nomes do porte de Cazuza e Caetano Veloso (que depois até gravaria com ela em 1992, no CD Curvas & Retas). Vinte e cinco anos depois, a cantora, compositora e musicista baiana se aprimorou ainda mais, como prova o excelente DVD/CD Sylvia, comemorativo dessa trajetória e lançado por seu selo Speciarias Musicais em parceria com o Canal Brasil. Especiaria musical de fato.

O som de Sylvia Patricia é um hibrido com tempero próprio contendo rock, pop, MPB, música latina e folk, só para citar algumas influências contidas na mistura. A cereja no bolo é sua voz, suave, envolvente e sempre bem colocada. Sua “baianidade” é muito sutil, sendo ela muito mais uma cidadã do mundo em termos musicais do que qualquer outra coisa. De quebra, sabe se acompanhar de bons músicos.

Nesses anos todos, gravou pouco (seis álbuns, sendo um ao vivo), mas sempre bem. No currículo, também temos um DVD, Sessão Extra, lançado em 2009 em parceria com o pianista Fernando Marinho e no qual sai do seu repertório habitual. Ou seja, este Sylvia é de direito seu primeiro DVD solo, e é repleto de pontos positivos.

Logo de cara, o repertório dá uma geral em sua trajetória com 13 faixas, sendo uma delas a inédita (e ótima) Quisera. A seleção traz desde clássicos do primeiro álbum como Marca de Amor Não Sai e Cenas de Violência e Tensão como canções um pouco mais recentes, do naipe de Lady Pank e Amor É…(Amor é Foda).

O time que a acompanha é de primeira linha, formado por Cesinha (bateria, bandolim e bateria eletrônica), Marcus Nabuco (guitarra, guitarra semiacústica, violões de aço, nylon e 12 cordas e sax), Fernando Nunes (baixo, programações, vocais e direção musical) e André Valle (guitarra, violão de aço e nylon), além da própria Sylvia nos violões de aço e nylon, ukulelê e guitarra. Um time entrosado e com fome de bola.

Temos algumas participações bacanas. A percussionista e cantora Lan Lan, que tocou com Cassia Eller, está em Cenas de Violência e Tensão (voz e pandeiro) e De Vuelta (bongô). Marcio Lomiranda (piano Rhodes e clarinete) e Paulo Rafael (violão aço) estão em Quero Outra Vez, Beto Saroldi briha no sax soprano solo em Outro Inverno, e Zelia Duncan se encaixa feito luva no vocal em dueto na faixa Meus Olhos.

A gravação do trabalho foi feita ao vivo em um estúdio carioca em clima descontraído no qual Sylvia mostra que sua voz se mantém cativante, assim como seu swing e suavidade. Entre as músicas, temos em vídeo breves comentários dela sobre a carreira, com algumas cenas de sua carreira enxertadas aqui e ali. Só faltou ao DVD um making of mais elaborado. De resto, um trabalho digno dessa comemoração.

Amor é… (videoclipe)- Sylvia Patricia:

Sua Mãe, Uma TV e um Gato (ao vivo)- Sylvia Patricia:

Quero Outra Vez (clipe)- Sylvia Patricia:

Cenas de Violência e Tensão (clipe original)- Sylvia Patricia:

Crendice– Sylvia Patricia e Fernando Marinho (DVD Sessão Extra):

Sylvia Patricia esbanja categoria em Andante

Por Fabian Chacur

Sylvia Patricia é presença garantida em Mondo Pop. E não é de graça. A moça está na estrada desde os anos 80, e tem entre seus fãs o saudoso Cazuza, Caetano Veloso e Nelson Motta, entre muitos outros.

A moça, que é cantora, compositora e violonista, acaba de lançar seu sexto álbum, Andante. E o alto nível habitual se manteve, para felicidade de seus fãs, que não são milhões, mas tem algo em comum: muito bom gosto.

Com sua voz macia e de timbre inconfundível, Sylvia costuma ter no folk pop com tempero brasileiro sua marca registrada. Andante ao mesmo tempo a mantém nessa linha e amplia horizontes.

O álbum soa como uma espécie de viagem musical pelo universo latino em diversos rumos. Haja Yoga, que abre o CD, equivale a uma espécie de releitura peculiar e a seu modo do estilo swingado de Jorge Ben Jor, especialmente da música Bebete Vãobora.

As Contas, que na letra faz um trocadilho impagável entre as do Senhor do Bonfim e aquelas que a gente é obrigado a pagar mensalmente, segue uma levada drum ‘n’ bossa,  e cativa logo em seus primeiros momentos.

Agua e Sal é uma versão em português de sucesso em italiano de Mina e Celentano, e curiosamente soa bastante como o estilo folk pop que sempre marcou o trabalho da talentosa baianinha. Ela reaparece como faixa bônus no final do CD, mas em remix dançante que ficou bem interessante.

Depois das Seis é um tango com direito a bandoneón. Lady Pank, apesar do título, é uma bossa pop cuja letra equivale a uma declaração de amor. Essa levada se repete em Meus Olhos, composição dela em parceria com Kal Venturi que foi gravada por Zélia Duncan em seu disco de estreia (Outra Luz), há 20 anos, quando ainda usava o nome artístico Zélia Cristina.

Samba da Janela, que tem participação especial de Armandinho Macedo no bandolim, é um sambalanço delicioso que revela a ginga de Sylvia no mais brasileiro dos ritmos.

Vibe do Bem possui fortes influências do som de Sade Adu, com aquele swing sutil, romântico e negro até a medula. Sem soar como cópia ou caricatura, que fique bem claro. Influência é influência.

Resistiré, que foi tema do filme Ata-me, de Pedro Almodóvar, é bem bacana, no melhor estilo pop castelhano, mas tem um refrão que curiosamente lembra bastante I Will Survive, eterno sucesso disco de Gloria Gaynor, até mesmo no título.

O primeiro sucesso da carreira de Sylvia Patricia foi Marca de Amor Não Sai, versão de Is It Ok I Call You Mine?, de Paul McCrane e tema do filme Fama.

Como forma de resgatar esse talento em verter músicas alheias para o português, ela desta vez pegou I Saw The Light, sucesso nos anos 70 c0m o autor, o americano Todd Rundgren, e fez a versão Eu Vi O Sol, que ficou deliciosa e também merece virar sucesso.

No geral, Andante é um álbum com sabor internacional e tempero brasileiro, no qual Sylvia Patricia prova pela milésima vez que merecia ser mais conhecida em sua terra natal. Confira, você vai me agradecer.

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