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Daryl Hall fala com franqueza sobre carreira em Rock Icons

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Por Fabian Chacur

O trabalho do cantor, compositor e músico americano Daryl Hall nunca foi levado muito a sério pela crítica especializada. Um lamentável erro de julgamento, pois o cara é um verdadeiro gênio. Sua extensa e consistente obra em dupla com o cantor, compositor e músico americano John Oates rendeu belíssimos frutos em seus mais de 40 anos de atividade. Ele é o tema de Rock Icons 8, que o Canal Bis exibe nesta 2ª (16) às 12h30, 3ª (17) às 3h e 8h05 e 4ª (18) às 16h30. Saiba mais aqui.

Normalmente voltado a nomes do heavy/hard rock, desta vez este ótimo programa, dirigido por Sam Dunn e Scott McFadyen, prefere se render a um desses artistas capazes de superar barreiras e criar um trabalho ao mesmo tempo consistente em termos artísticos e bem-sucedido comercialmente. São apenas 22 minutos, mas absurdamente bem aproveitados, com direito a entrevistas feitas especialmente para a atração com o artista enfocado, o parceiro Oates e Kathy Phillips, irmã de Hall, além de excelente material de arquivo.

Neles, o autor de Maneater, I Can’t Go For That (No Can Do), Rich Girl, Kiss On My List e tantos outros hits fala sobre o início de sua carreira, na mitológica cidade da Filadélfia, quanto montou um grupo vocal, os Temptones, influenciado pelos Temptations. Uma foto reunindo os dois grupos é uma das surpresas que o expectador terá durante o programa.

Ele comenta sobre não admitir barreiras entre estilos musicais, dizendo-se à vontade ao fazer música influenciada pelos negros artistas e repelindo acusações do tipo “apropriação cultural” que alguns radicais desferem a brancos que fazem “black music”.

Com muita franqueza e sem papas na língua, ele lembra de suas experiências no meio musical, que o levaram a “odiar o negócio da música, pois eles não são amigos dos músicos, nunca foram meus amigos”, e de como descobriu ser a autoprodução o melhor caminho para viabilizar a sonoridade que sonhava em criar, após trabalhar com inúmeros produtores nos anos 1970.

As experiências com os videoclipes são lamentadas pelos dois parceiros, que detonam os diretores com os quais trabalharam e também a utilização de um visual nos clipes que nada tinha a ver com as letras das canções que as ilustravam. Oates, em um momento particularmente divertido, reflete que seus clipes equivalem a aqueles álbuns de fotos com visuais constrangedores que as pessoas tem nas gavetas de suas casas. Só que, no caso deles, totalmente acessíveis a todos e sempre os assombrando, com seu mal gosto.

Durante as entrevistas, temos cenas de ótimas apresentações ao vivo nos anos 1970 e 1980, trechos de clipes como Out Of Touch (o que eles mais detonam, de forma detalhada). Hall explica o seu processo de criação, sobre a mistura de soul music e folk que ele e Oates fizeram, e de como conseguiram se consolidar no cenário musical mundial.

Ele também fala de seu incrível programa Live From Daryl’s House, criado em 2007 inicialmente para exibições apenas via internet e que depois também entrou na programação de uma emissora de TV americana. A ideia era mostra-lo de forma mais informal e honesta, ao lado de músicos que admira, como forma de divulgar uma imagem sua mais próxima do real. O curioso é que em nenhum momento ele aborda os bons trabalhos que lançou como artista solo. Mas isso não tira a alta qualidade desta atração, que faz jus a esse craque da música pop.

Rock Icons 8- Daryl Hall (veja em streaming, sem legendas):

Old is Cool é programa para o fã dos videoclipes clássicos

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Por Fabian Chacur

Quando o canal a cabo VH1 finalmente iniciou suas atividades no Brasil, fiquei com grande expectativa. O canal, espécie de MTV para adultos, possui provavelmente o melhor acervo de clipes e documentários musicais, com ênfase no rock e pop clássicos. Em pouco tempo, fiquei muito decepcionado, pois a opção de programação adotada aqui não foi das melhores.

A ênfase ficou em reality shows insuportáveis, programas feitos no Brasil sem grande consistência e forte presença de artistas que fariam muito mais sentido na MTV. A sorte é que, embora em pequeno número, existem atrações na grade desta emissora que atendem ao gosto de quem curte o que há de melhor na música, tipo That Metal Show. Ou o Old is Cool, alvo desta resenha.

Old is Cool é ótimo a partir de seu título, trocadilho (intencional ou não) com o termo old school, que no rap denomina a primeira geração daquele estilo e que é usada em geral para os clássicos dos diversos estilos musicais. Aqui, o alvo são videoclipes, especialmente os dos anos 80, mas com boa abertura para os anos 60, 70 e 90 também.

Nada de VJs chatos, nada de comentários, nada de programas temáticos, nada de nada. Apenas uma sequência de clipes girando de forma totalmente aleatória. Uma banda de hair metal dos anos 80 pode ser sucedida por acid jazz dos 90, pop dos 70 e rock britânico dos 60 em uma mesma sequência. Uma verdadeira montanha russa musical.

O critério “só sucessos” também não predomina. Você pode ver Money For Nothing, do Dire Straits, e logo a seguir uma faixa obscura do grupo Tommy Tutone, aquele do único (e fantástico) hit 867-5309 (Jenny). Ou Uptown Girl, megassucesso de Billy Joel, seguida pela hoje obscura pérola hard rock oitentista The Warrior, do extinto grupo Scandal.

Onde mais, na TV, você conseguirá ver um vídeo da seminal banda britânica XTC (no caso, o belíssimo Dear God), por exemplo? Já sei, no Youtube. Mas lá não dá para se ver em tela grande e com ótima qualidade de áudio e vídeo. Old Is Cool é exibido pela VH1 Brasil de segunda a sexta às 20h e também em horários alternativos. Vale a pena conferir, pois é uma forma de se recuperar o prazer em ver os velhos e bons videoclipes de forma deliciosa.

Earn Enough For Us– XTC:

867-5309 (Jenny)– Tommy Tutone:

The Warrior– Scandal:

That Metal Show é o melhor programa sobre heavy metal e hard rock do momento

Por Fabian Chacur

Devido a um desses milagres, a gloriosa Net libera vez por outra o sinal do canal VH1 para esse assinante que vos tecla, e que paga uma fortuna para isso. Gostaria de ter o canal na minha programação, mas sem tirar um único centavo adicional do bolso. Bem,  mas isso não é o que interessa aqui, e sim um programa sensacional que eles exibem em sua grade.

Trata-se de That Metal Show. Trata-se do melhor programa que já vi com foco em heavy metal e hard rock. A atração estreou no VH1 americano em 15 de novembro de 2008, e se encontra na quinta temporada. Aqui, estamos tendo a oportunidade de ver a segunda, que estreou em março de 2009.

O apresentador Eddie Trunk e seus companheiros Jim Florentine e Don Jamieson dão um banho de carisma, conseguindo uma coisa muito difícil, que é dosar com perfeição bom-humor, opiniões sempre bem embasadas e muita informação, dando às duas vertentes mais populares do velho e bom rock and roll o tratamento que elas merecem.

Tive a oportunidade de ver duas edições. Eles sempre levam convidados, como Vinnie Paul (ex-Pantera) e Frank Bello (do Anthrax). As entrevistas são muito legais, pois quem vai lá sabe que terá especialistas a sua frente, perguntando coisas inteligentes e sem cair no folclore bobo.

A plateia pergunta coisas difíceis, que Trunk tenta responder da melhor forma possível. Uma das partes interessantes é quando eles fazem um debate de alguns minutos sobre algum importante tema metálico.

Nos programas que vi, tivemos: qual Metallica é melhor, o dos anos 80 ou o do álbum preto para a frente? E qual o melhor álbum de estreia do rock pesado, o primeiro do Van Halen ou o primeiro do Guns N’ Roses? E a opinião da plateia também é solicitada, e sempre dada de forma entusiástica.

Para mim, outro elemento que torna That Metal Show imperdível é o fato de se concentrar em música, deixando em segundo plano essa praga que infelizmente predomina em programas musicais no Brasil, o aspecto “comportamento”, ou seja, dar mais ênfase ao Ozzy por morder um raio de um morcego do que por ser um dos gênios do heavy metal.

Cabe, também, a pergunta: quando teremos um programa parecido com esse por aqui, com essa categoria, bom-humor e forte embasamento? Com a palavra, as MTVs da vida. Sorte que, pelo menos em termos de MPB, isso já existe no Canal Brasil, como já escrevi aqui antes. Mas o rock continua jogado às baratas…

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