Mondo Pop

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Bela mostra um single acústico, a envolvente canção Sol Em Touro

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Por Fabian Chacur

A cantora e compositora Bela, que em fevereiro deu uma ótima entrevista a Mondo Pop (leia aqui), não deixa a peteca ir ao chão. Ela acaba de lançar um novo videoclipe no qual divulga uma nova canção de sua autoria, a envolvente balada Sol Em Touro.

Nas imagens, temos três Belas, dividindo a tela em montagem muito bem feita. Interpretada no melhor estilo voz e violão, com o instrumento a cargo de Léo Rodrigues (no áudio, não no clipe), a moça aparece em um local próximo à natureza, curtindo emoções românticas. Ela explica o título da canção:

“Meu signo é touro, usei a minha intuição para escrever a canção. Me baseei em experiências pessoais e também pedi ajuda na criação para meus seguidores nas redes sociais. Foi ótimo para me dar um outro olhar sobre os aspectos do signo, pois estou muito inserida no universo taurino – foi uma troca super positiva. Na canção, quis focar no lado amoroso, decidido e faminto dos taurinos”.

Sol em Touro (clipe)- Bela:

Bela, um novo talento que surge na cena folk-pop do Brasil

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Por Fabian Chacur

Após trabalhar durante três anos em uma agência de publicidade, Isabela Zaremba foi para Londres, onde estudou por um ano na BIMM (The British And Irish Modern Music Institute). Formada em Comunicação pela PUC-RJ e em balé clássico, ela já estava decidida a se dedicar em tempo integral à musica. Desta forma, surgia Bela, cantora, compositora e musicista que toca banjo, banjolele e violão, hoje novamente no Brasil.

Com 26 anos de idade e dois singles autorais já lançados nas plataformas digitais, Desandar (ouça aqui) e The Wolf (em versões acústica e elétrica), ela prepara material para seu primeiro EP. Saiba mais sobre essa jovem talentosa e promissora em entrevista feita por e-mail a Mondo Pop.

MONDO POP- Fale um pouco como teve início o seu interesse pela música: o que ouvia inicialmente (estilos musicais, artistas etc) e em que momento esse interesse teve como foco a criação- cantar, compor, tocar.
BELA
– Eu sempre fui uma criança/adolescente que gostava de escutar música. Não ligava muito para TV. Com o passar do tempo, o folk foi ganhando mais destaque nas minhas playlists, além do pop, trap, clássico, indie e MPB. A descoberta do “cantar” veio quando eu era muito nova, no coral da escola. Mas foi só aos 25 anos que comecei a sentir necessidade de transformar meus sentimentos em som. Passei por mudanças de vida marcantes e vi no ato de compor uma forma de escoar meus sentimentos pro mundo – sempre fui muito mais de escrever do que falar.

MONDO POP- Você trabalhou durante três anos em uma agência de publicidade. Como avalia essa experiência, e o que você traz dessa experiência para o seu trabalho na área musical?
BELA
– Trabalhar no mercado publicitário me deu as ferramentas necessárias para empreender no mercado musical. Me ensinou a ter organização, consistência, profissionalismo e paciência. Também aprendi muito sobre estratégia de marketing, aspecto primordial para um artista alavancar a carreira. Cresci muito como pessoa, e a maturidade que ganhei ao trabalhar em agência foi decisiva para a minha mudança de carreira.

MONDO POP- Além dos nomes mais recentes do folk, como Mumford And Sons e Of Monsters And Men, quais outros você citaria, nacionais e internacionais, como possíveis influências em sua sonoridade?
BELA
– Algumas das minhas influências internacionais são Joni Mitchell, Bon Iver, Sufjan Stevens, Of Monsters and Men e Mogli. Já as nacionais SÃO Tiago Iorc, Silva e Anavitória.

MONDO POP- Você compõe em inglês e em português. A ideia é mesclar canções nesses dois idiomas no seu repertório ou pensa em se dedicar a algumas delas de forma mais constante?
BELA
– Eu tenho escrito mais em português por querer entrar com mais força no mercado brasileiro. Me sinto mais confortável por ser minha língua materna, fora que o vocabulário é riquíssimo. Mas não descarto lançar mais músicas em outro idioma – gosto muito da minha voz ao cantar em inglês. As duas línguas permitem explorar significados e fonéticas completamente diferentes, há muito o que explorar dentro desses dois mundos.

MONDO POP- Como você avalia sua passagem por Londres, onde gravou The Wolf? Se a pandemia do novo coronavírus não tivesse ocorrido, teria ficado por lá ou você já pretendia retornar ao Brasil? Pensa em voltar a Londres?
BELA
– Abriu demais meu horizonte. Vi tantas referências artísticas diferentes, principalmente dentro do folk, do rock, do pop. Fiz shows, fiz busking (n.da r.: cantou na rua e em locais públicos), gravei The Wolf com meus amigos da faculdade… Além disso, pude beber na fonte de outros tipos de arte, como museus, teatros, ballet. Mas, desde sempre, eu já tinha planos de voltar pois quero muito conduzir a minha carreira musical aqui no Brasil. Aqui é o meu lugar no mundo. Mas voltaria, sim, menos no inverno cinza e chuvoso hehehe.

MONDO POP- The Wolf e Desandar, as duas canções autorais já divulgadas por você, são bem diferentes entre si, e não só por causa da língua. Elas são boas representantes de duas vertentes distintas de sua obra enquanto compositora?
BELA
– Acredito que as duas canções mostram dois momentos diferentes da minha vivência artística. Desandar foi a primeira música que eu escrevi, representa o início da minha descoberta criativa. Mas vejo a sua beleza justamente por conta disso: é orgânica, sem fortes influências de técnicas de songwriting. É reflexo da sonoridade folk-pop que eu amava ouvir naquele momento, mais “americanizada”. The Wolf já é mais amadurecida e carrega uma bagagem sonora mais ampla. É a soma de referências que vi ao morar em Londres. Por conta disso, tem uma sonoridade mais permissiva dentro do folk-pop, com mais camadas de vozes e uma atmosfera mais orquestral, por exemplo. O timbre da minha voz também é diferente ao comparar com Desandar por conta do trabalho vocal que desenvolvi na faculdade de música.

MONDO POP- Fale um pouco sobre o que te inspira a compor, o que você tenta transmitir nas suas canções.
BELA
– Acredito que o produto artístico de qualquer artista é o resultado de suas vivências e pela sua busca constante por sua identidade. Este fragmento do livro “Creative Inspiration” diz muito sobre essa busca: “I’m an artist. Those words naturally imply always seeking without ever fully finding. It’s the exact opposite of saying I know it already, I’ve already found it. To the best of my knowledge, those words mean “I seek, I pursue, my heart is in it”.”

MONDO POP- Quais são os seus planos para 2021? Pensa em lançar um EP? E como será o repertório?
BELA
– Vou lançar o meu primeiro EP para mostrar mais da minha identidade musical. Estou planejando lançar 5 músicas nesse novo trabalho, que irão transitar entre o folk, pop e nova MPB.

MONDO POP- Você divulgou há pouco uma releitura de Feliz e Ponto, do cantor e compositor Silva. Já tem projetos para fazer outras releituras? De que artistas especificamente?
BELA
– Sim, estou fazendo um projeto em parceria com uma marca para lançarmos outras quatro releituras no formato digital. As gravações já estão em andamento, e teremos canções bem diversificadas entre si, que vão desde o axé e MPB até o rock.

MONDO POP- Com a pandemia atual, a possibilidade de shows presenciais para divulgar seu trabalho parece um pouco distante, no momento. Você pensa em fazer lives ou algo no gênero para preencher essa lacuna? Algo na linha da versão acústica e ao vivo de The Wolf?
BELA
– Sim, a live é uma ótima saída para manter um contato próximo com o público enquanto o presencial não acontece. Fiz lives para promover o lançamento de The Wolf e fortalecer a conexão com a minha rede. Venho aproveitando esse momento para melhorar a qualidade da interação com meu público e para alcançar novos ouvintes por meio das redes sociais.Como parte da estratégia de lançamento, lancei a versão de estúdio de The Wolf e, poucas semanas depois, fiz a versão acústica especialmente para o meu canal do Youtube. Mas, claro, espero ansiosamente para poder cantá-la ao vivo em um show presencial.

MONDO POP- Você pensa em lançar sua música exclusivamente pela via digital ou pretende investir em formatos físicos (CD, LP de vinil etc)?
BELA
– No momento, estou focando em disponibilizar minhas músicas por via digital, pois estou investindo em outras frentes atualmente. Mas penso em diversificar para a mídia física futuramente.

MONDO POP- Para fechar: cite cinco álbuns de que você mais gosta, e faça um pequeno comentário sobre cada um deles.
BELA
– Aí vão eles:
My head is an animal – Of Monsters and Men
O que há de melhor no folk/pop alternativo. É um convite para mergulhar numa sonoridade grandiosa embalada por uma percussão marcante e letras inspiradas na natureza misteriosa da Islândia.

Carrie & Lowell – Sufjan Stevens
Um álbum extremamente sensível mas que, apesar da melancolia, traz leveza à tona através dos dedilhados agudos e da voz sussurrante do Sufjan. É perfeito pra ouvir numa tarde chuvosa.

Wanderer – Mogli
Wanderer tem o poder de transportar o ouvinte para uma atmosfera etérea indie/pop através dos vocais angelicais de Mogli. O álbum foi criado durante uma expedição da artista alemã pela América, o que explica a sua principal inspiração ao compor as canções: a natureza.

Bon Iver – Bon Iver
Bon Iver é um álbum de indie/folk experimental que foge da estrutura convencional de verso/pré-refrão/refrão. Aliás, nada é convencional neste álbum. A sonoridade eletrônica encontra as cordas do violão e as infinitas camadas vocais de Vernon, culminando num resultado incomum e memorável.

Brasileiro – Silva
Silva afina sua brasilidade em Brasileiro, álbum com influência da bossa-nova, pop e samba. As canções trazem calmaria e reforçam a conexão do artista com o mar. É de sentir areia nos pés ao ouvir Duas da Tarde, minha faixa favorita do álbum.

Veja o clipe de The Wolf – Bela:

Roberta Campos lança clipe para a bela canção Cada Acorde é Seu

Roberta Campos - crédito Victor La Côrte 9

Por Fabian Chacur

Uma das marcas da obra da cantora, compositora e musicista Roberta Campos é a delicadeza de suas canções. Essa assinatura própria se mostra presente mais uma vez em um novo lançamento, o EP Só Conheço o Mar (lançado pela gravadora Deck nas plataformas digitais), que traz cinco composições inéditas da moça escritas durante a pandemia do novo coronavírus. E já temos um novo clipe disponível também, preparado para divulgar a faixa Cada Acorde é Seu.

Com direção a cargo de André Albuquerque e gravado em um estúdio em São Paulo, o clipe tem como pano de fundo um estúdio, no qual a cantora interpreta a canção acompanhada com seu violão. Tudo muito simples. A música segue seu estilo folk-MPB e traz também intervenções de metais, órgão Hammond e flugelhorn, que trazem um tempero diferente para o que essencialmente é o desenvolvimento lógico de seu trabalho. Muito bom de se ouvir.

Todo Acorde é Seu (clipe)- Roberta Campos:

Aline Calixto divulga outra faixa do DVD gravado ao vivo em BH

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Por Fabian Chacur

Em 2009, Aline Calixto lançou o seu primeiro e autointitulado álbum. Desde então, a carioca radicada há muito em Belo Horizonte (MG) se consolidou como uma das grandes sambistas deste país, com o lançamento de mais três álbuns- Flor Morena (2011), Meu Ziriguidum (2015) e Serpente (2017). Para celebrar essa década na estrada, ela em breve lançará um DVD gravado ao vivo, cuja primeira amostra foi Dona do Pedaço (ouça aqui).

Agora, chega a vez de Flor Morena, seu maior sucesso, faixa-título de seu segundo CD e parte integrante da trilha sonora da novela global Fina Estampa. Mais uma vez, o carisma de Aline, acompanhada por uma banda liderada pelo craque Thiago Delegado, cativa, com participação ativa da plateia presente à rua Sapucaí, no Centro de BH, onde o show foi gravado, em 2018.

O repertório do DVD traz 16 músicas, que se dividem entre faixas de seus álbuns anteriores, uma inédita e releituras. Temos as participações especiais da saudosa Beth Carvalho e também do brilhante Monarco ao lado da Velha Guarda da Portela. Pela qualidade das amostras, tem tudo para ser um dos grandes lançamentos dos últimos tempos da música popular brasileira.

Leia mais sobre Aline Calixto aqui.

Flor Morena (ao vivo)- Aline Calixto:

Alexia Bomtempo mostra em Suspiro sua versão da bossa nova

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Por Fabian Chacur

A cantora Alexia Bomtempo nasceu em Washington D.C. (EUA), filha de pai brasileiro e mãe americana. Foi criada no Brasil, mas com várias passagens por seu país de origem. Isso criou uma espécie de dualidade cultural em sua formação pessoal que se refletiu em uma trajetória musical com mais de 10 anos.

Há quase oito anos radicada em Nova York, Alexia está lançando Suspiro (que saiu no Brasil pela Lab344, ouça aqui), seu quarto álbum, no qual mergulha em uma visão própria da bossa nova, com direito a canções autorais, inéditas de outros compositores e clássicos nada óbvios daquele movimento musical, de autores como Jorge Ben Jor, João Donato e Edu Lobo.

Em entrevista feita por email a MONDO POP, ela conta tudo sobre o novo trabalho e também nos dá uma geral em sua interessante e bastante consistente trajetória como cantora e compositora.

MONDO POP- Suspiro, seu novo álbum, é um trabalho bem diferente do seu álbum anterior, mais voltado para o pop-rock. Este novo tem um espírito bem de bossa moderna. Como surgiu a ideia de fazer um CD com essa sonoridade?
ALEXIA BOMTEMPO
– Eu passei uns meses em Tokyo fazendo uma residência de jazz e tive uma espécie de “reencontro” com a bossa nova. Fiz um mergulho naqueles discos que foram a base da minha formação musical, comecei a compor músicas novas e convivi muito com amigos e fãs japoneses completamente apaixonados por bossa nova. Voltei pra Nova York com a ideia de fazer um album que explorasse esse universo.

MONDO POP – O repertório de Suspiro mescla faixas inéditas e releituras nada óbvias. Que critérios você seguiu para fazer a seleção? Desde o início a ideia era mesclar idiomas (português, francês e inglês)?
ALEXIA BOMTEMPO
– A gente já tinha o conceito do álbum, que era saudar esse movimento samba-bossa-jazz dos anos 60 e 70, mas com um pensamento moderno. Apesar de fazer minhas próprias músicas, sempre gostei de cantar canções de outros compositores. Adoro pesquisar repertório e encontrar pérolas, relembrar músicas que foram lançadas lá atrás com roupagem diferente. Eu, o Jake e o Stéphane fomos trocando ideias e selecionando o repertório de forma colaborativa. Sou naturalmente bilíngue, sempre cantei em inglês e português e com esse álbum não poderia ser diferente. A bossa nova tem ligação forte com a cultura francesa e achamos bacana explorar esse idioma também.

MONDO POP- Como ocorreu a seleção das faixas inéditas? O objetivo era misturar canções de sua autoria com as de outros compositores ou isso acabou ocorrendo naturalmente?
ALEXIA BOMTEMPO
– O objetivo era esse, mas tudo aconteceu naturalmente. Eu já tinha algumas músicas prontas, depois fiz outras com o Jake pensando mais no conceito do álbum. O Stéphane estava passando uns dias no Rio nessa fase de pré-produção do disco e pediu canções inéditas ao Alberto Continentino e ao Domenico Lancellotti – dois compositores que eu adoro.

MONDO POP- A sonoridade do álbum é muito coesa, delicada e elegante, e soa como um trabalho de banda. Essa era a sua ideia inicial? Escolheu os músicos pensando nisso?
ALEXIA BOMTEMPO
– Sim, a ideia era fazer um disco com essa sonoridade de banda. Chamamos o pianista Vitor Gonçalves e o baixista Eduardo Belo (ambos brasileiros radicados em Nova York), que já vinham tocando com o Stéphane num outro projeto de samba-jazz. Foi bacana, porque já existia todo um entrosamento. O Jake, apesar de ter muita experiência com música brasileira, vem de uma formação mais jazz e blues que somou muito pra chegarmos nesse lugar delicado, elegante e internacional.

MONDO POP- Qual a importância dos produtores Jake Owen e Stéphane San Juan na concretização do álbum Suspiro, e como rolou o dueto com Stéphane em Les Chansons D’Amour?
ALEXIA BOMTEMPO
– O Jake e o Stéphane foram fundamentais. Eles são produtores fantásticos, pessoas lindas e profissionais incríveis. Todo o processo de feitura do disco se deu de uma forma muito leve, divertida e colaborativa – desde a escolha do repertório. Achamos que seria interessante ter uma música em francês, pela bossa nova ter um elo tão vivo com a cultura francesa e o Stéphane fez a letra pra música do Alberto Continentino, que resultou em Les Chansons D’Amour. O dueto também é uma referência aos duetos clássicos de bossa nova. A voz grave do Stéphane combinou muito com a minha e acho que a gravação transporta o ouvinte para outra atmosfera. Ah, e o Stéphane é francês!

MONDO POP- Fale um pouco sobre o clima das gravações, se você gravou com os músicos ao mesmo tempo ou naquele esquema de ir criando aos poucos a base instrumental para depois colocar a voz.
ALEXIA BOMTEMPO
– Gravamos no SuperLegal Studio (do Jake e do percussionista Mauro Refosco) que fica no Brooklyn, tudo ao vivo, com os músicos tocando ao mesmo tempo, “como se fazia antigamente” – inclusive a voz. Os arranjos foram feitos na hora, sem muito ensaio. Eu, o Jake e o Stéphane já tínhamos escolhido o repertório e conhecíamos as músicas, mas o Eduardo e o Vitor foram ouvindo as ideias na hora, deixando a criatividade fluir, e contribuíram imensamente na elaboração de cada faixa. Foi muito leve e divertido, gravamos as bases em dois dias e depois convidamos o trompetista Michael Leonhart para participar. Ele é um músico fantástico e apaixonado por bossa nova. Também chamamos o guitarrista Guilherme Monteiro para participar da faixa “Les Chansons D’Amour” e ele fez o arranjo no violão rapidamente, de uma forma muito natural. Eu amei fazer um disco assim, livre (e em pouco tempo).

MONDO POP- Gostaria de que você me lembrasse um pouco de suas origens, sendo filha de um brasileiro e de uma americana e tendo nascido em Washington. Foi criada lá ou aqui? E como foi essa criação em termos musicais, o que seus pais ouviam, o que você ouvia na infância e adolescência?
ALEXIA BOMTEMPO
– Eu fui criada nos Estados Unidos e no Brasil. Minha vida foi meio partida entre os dois países, foram muitas idas e vindas ao longo dos anos. Sempre me senti dividida, e as influências das duas culturas se misturam muito dentro de mim. A minha formação musical também foi assim, misturada. Em casa a gente ouvia os clássicos do Brasil (Caetano, Gil, Djavan, Tom Jobim, Gal, Rita Lee, João Gilberto) e da América do Norte (Bob Dylan, Billie Holiday, Joni Mitchell, Janis Joplin, Leonard Cohen). Meu pai era produtor cultural em Petrópolis, então tive a sorte de crescer na coxia, assistindo de perto os shows dos grandes nomes da música brasileira. Foi uma infância muito estimulante e eu sempre soube que queria fazer parte daquele mundo algum dia.

MONDO POP- Relembre um pouco suas primeiras experiências musicais, e em que momento você decidiu que esse seria o seu projeto profissional, ser uma cantora e compositora.
ALEXIA BOMTEMPO
– Durante a minha infância e pré-adolescência no Brasil, estudei teatro no Tablado. Já gostava de cantar, mas comecei no teatro. Já com 17 anos e morando nos Estados Unidos, entrei para o coral da escola e comecei a me destacar. E então resolvi abraçar a música de vez. Voltei pro Brasil, montei uma banda e toquei na noite durante um tempo. Depois, resolvi estudar canto lírico nos Estados Unidos e fiquei na faculdade por dois anos antes de voltar novamente ao Brasil. Conheci o produtor Sérgio Carvalho, que produziu minha primeira demo e depois me apresentou seu irmão Dadi – que se tornou um grande amigo, um padrinho musical e produziu meu primeiro disco, Astrolábio.

MONDO POP- O que te levou a se mudar para Nova York há quase oito anos?
ALEXIA BOMTEMPO
– Eu estava lançando o meu segundo disco I Just Happen to Be Here com canções em inglês do Caetano Veloso que me abriu algumas portas fora do Brasil. Já vinha passando umas temporadas em Nova York, sempre fui fascinada pela energia da cidade, pelo aspecto internacional da arte feita aqui e estava cultivando colaborações musicais – queria fazer parte disso. Fui convidada para tocar no Brasil Summerfest e resolvi vir com uma passagem só de ida – se a coisa fluísse, eu ficava. E assim fiquei de vez.

MONDO POP- Astrolábio foi o seu álbum de estreia, como você o encara com os olhos e ouvidos de hoje?
ALEXIA BOMTEMPO
– Acho que o Astrolábio (n.da r.: lançado em 2008 pela EMI) é um disco de descobrimento, que representa o meu encontro musical com o Dadi, um retrato da minha vida naquela época. É um disco carioca, “feito à mão”, sem pressa, com amizade e doçura.

MONDO POP- I Just Happen To Be Here foi uma bela ideia, um recorte provavelmente inédito da produção do Caetano Veloso de 1969 a 1972 em inglês em um período conturbado e criativo da vida dele. Fale um pouco sobre esse projeto e como encara a sua repercussão.
ALEXIA BOMTEMPO
– A ideia foi do Felipe Abreu, um dos produtores do disco, junto com o Dé Palmeira. O Felipe foi meu preparador vocal e se tornou um grande amigo e conselheiro. Um dia, durante uma aula, cantei London, London e ele teve a ideia de fazermos um disco com o repertório em inglês do Caetano. O conceito era buscar “despir” as canções da carga política e emocional da época em que foram feitas e trazê-las pra perto de mim, da minha história partida entre dois países, duas culturas, duas línguas. Foi um desafio muito interessante, tenho muito orgulho desse disco. E Caetano gostou da homenagem.

MONDO POP- Suspiro saiu primeiro no Japão, país que tem um público muito grande para a bossa nova. Você já tocou lá, tem bons contatos lá? E como foi a reação do público japonês para este álbum?
ALEXIA BOMTEMPO
– Tenho muito amor pelo Japão. O público me acompanha desde o início, já fiz várias turnês e residências e tenho muitos amigos queridos por lá. A ideia do Suspiro surgiu justamente quando eu estava passando uma temporada no Japão e achei muito significativo o fato de o disco ter sido lançado lá primeiro. Eles adoraram.

MONDO POP- O lançamento de Suspiro será só no formato digital ou teremos versões físicas (CD, vinil etc)?
ALEXIA BOMTEMPO
– Temos o CD nos Estados Unidos e no Japão. A ideia é fazer vinil também, mas agora as fábricas estão paradas por causa da pandemia. Então futuramente, espero que sim.

MONDO POP- Como tem sido para você esse período da quarentena? Muitos artistas tem feito lives, você pensa em fazer algo assim (se é que já não fez…)?
ALEXIA BOMTEMPO
– Tem dias que são melhores do que outros. Eu gosto de ficar em casa e tenho aproveitado o tempo pra descansar, compor, ouvir discos, cozinhar, ler… Mas a sensação de não saber como serão os próximos meses é desconcertante e causa muita ansiedade. Estar lançando um álbum novo nesse período tem sido interessante. Muita gente tem me falado que o disco acalma e traz paz de espírito, que é a trilha sonora ideal para esses tempos difíceis – isso é muito gratificante. Tenho feito lives, sim, mas aos poucos e com cuidado, pois também acho que a internet está ficando saturada de conteúdo superficial. É uma maneira bacana de se manter conectado com o público, mas sinto muita saudade da troca que acontece ao vivo, no palco.

Eles Querem Amar (clipe)- Alexia Bomtempo:

Tiê celebra dez anos de carreira com 1º DVD e show em São Paulo

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Por Fabian Chacur

A cantora e compositora paulistana Tiê comemora dez anos de carreira. Nesse período, ela computa o lançamento de quatro álbuns, a realização de várias turnês por Brasil e exterior e a inclusão de dez músicas em trilhas de novelas. Agora, chega a vez do primeiro DVD, Dix (Warner Music), cujo repertório ela apresenta em São Paulo nesta sexta-feira (28) às 21h no Sesc Pinheiros- Teatro Paulo Autran (rua Paes Leme, nº 195- Pinheiros- fone 0xx11-3095-9400), com ingressos de R$ 12,00 a R$ 40,00.

Dix reúne 17 faixas extraídas de várias fases da carreira desta talentosa artista, e foi gravado ao vivo no Rio de Janeiro em 25 de junho de 2019 no Youtube Space. Ela define as intenções e o direcionamento básico deste lançamento:

“Tem um olhar de maturidade diferente nesse trabalho. Estou mais leve, porém ainda muita intensa. O número dez representa a ausência e a completude ao mesmo tempo. Ou seja, a falta de um repertório só de inéditas, como estou acostumada a lançar, mas a totalidade de revisitar o caminho até aqui”.

Acompanhada por André Whoong (guitarra e teclados), Gianni Salles (baixo) e Matheus Souza (bateria), Tiê mostrará no show músicas como Mínimo Maravilhoso, Mexeu Comigo, Chá Verde, Amuleto e A Noite, com a sutileza, elegância e sensibilidade pop que a marcam.

Veja o DVD Dix, de Tiê, em streaming:

Ana Cañas celebra 12 anos de carreira com show em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Em 2007, Ana Cañas lançou seu álbum de estreia, Amor e Caos, e rapidamente viu seu nome ser comentado como uma das grandes revelações da música brasileira naquele período. Desde então, a cantora e compositora conseguiu se firmar, com direito a um público fiel e muito respeito por parte dos colegas. Ela celebra 12 anos desse lançamento (que logo serão 13, por sinal) com shows nos dias 10 e 11 (sexta e sábado) às 21h na Comedoria (antiga Chopperia) do Sesc Pompeia (rua Clélia, nª 93- Pompéia- fone 0xx11-3871-7700), com ingressos de R$ 9,00 a R$ 30,00.

A ideia é dar uma geral no repertório de seus seis álbuns de estúdio, incluindo algumas do mais recente, intitulado Todxs (2018). Entre outras canções, teremos Pra Você Guardei o Amor (que ela gravou em parceria com seu autor, Nando Reis), Esconderijo, Será Que Você Me Ama?, Tô na Vida e Luz Antiga.

“Também cantarei músicas da militância que fizeram parte da história do país, celebrando a resistência nesse momento difícil que vivemos para arte e cultura. É um show pra todo mundo cantar junto, com muita emoção e canções especiais que marcaram a minha vida”, garante a intérprete.

Ana Cañas terá a seu lado nesses dois shows em São Paulo uma banda composta por Monica Agena (guitarra), Dj Nato PK (beats), Estevan Sinkovitz (baixo), Marco da Costa (bateria) e André Lima (teclados).

Pra Você Guardei o Amor– Ana Cañas e Nando Reis:

Tom Speight e Mahmundi gravam dueto acústico em Willow Tree

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Por Fabian Chacur

Em março deste ano, o jovem cantor, compositor e músico britânico Tom Speight deu uma rápida passada pelo Brasil, participando de uma apresentação esquema pocket no Rio de Janeiro. Por lá, conheceu e fez amizade com a cantora carioca Mahmundi. Juntos, eles gravaram uma versão acústica da canção Willow Tree, que acaba de ser divulgada nas plataformas digitais. O artista não esconde a alegria pela concretização dessa parceria.

“Eu sentia que devia um grande agradecimento ao Brasil por ter sido um dos primeiros lugares a ouvirem minhas músicas… Pareceu uma boa forma de mostrar minha felicidade dedicando uma versão à eles. Era um sonho meu gravar no Rio de Janeiro e trabalhar com a Mahmundi. Mal posso esperar para voltar e explorar mais ainda!”, afirmou, em press-release enviado à imprensa.

Speight lançou no primeiro semestre o seu primeiro álbum, Collide, que inclui a versão de estúdio de Willow Tree, gravada por ele em dueto com a cantora Jessica Staveley Taylor, integrante do grupo The Staves. Com gravações realizadas no célebre Abbey Road, em Londres, e também no Jam Hut, em Devon, o trabalho mostra um delicado e melódico som folk com elementos eletrônicos, com direito a canções como Little Love, o hit consagrado pelos fãs brasileiros.

Mahmundi é o nome artístico que a promissora e talentosa cantora, compositora e mucisista carioca Marcela Vale adotou em 2012. Desde então, lançou dois EPs e os álbuns Mahmundi (2016) e Para Dias Ruins (2018). Em seu dueto com Tom Speight, ela se divide em versos em inglês e em português, mostrando bom entrosamento com o artista britânico.

Willow Tree (acoustic)- Tom Speight e Mahmundi:

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