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Gregg Diamond (1949-1999), um dos grandes da disco music

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Por Fabian Chacur

Em março de 1999, a música Steal My Sunshine era lançada, e em pouco tempo se tornaria um dos maiores sucessos pop daquele ano. Gravada pelo grupo canadense Len, trazia como coautor um nome importante da era da disco music, o compositor, músico e produtor Gregg Diamond. Esse hit poderia ter ajudado o artista americano a sair de um ostracismo de quase duas décadas. No entanto, por uma dessas ironias do destino, ele se foi no dia 14 daquele mesmo março de 1999, sem nem ao menos desfrutar desse retorno triunfal.

Vítima de um sangramento gastrointestinal aos 49 anos de idade, Gregg nos deixou um belo legado que, infelizmente, não tem sido celebrado à altura. Procure um texto um pouco mais extenso e detalhado sobre ele e sinta o drama. É por isso que resolvi arregaçar as mangas e colher o máximo de informações possíveis para fazer este tributo. Sem mais delongas, eis a sua vida e obra, saudoso Gregg Diamond!

Gregory Oliver Diamond nasceu em 4 de maio de 1949 em Bryn Mawr, Pensilvania (EUA). Ele estudou percussão e teoria musical na Berklee School Of Music, e começou a carreira musical como baterista, tocando em bandas como a Five Dollar Shoes, que chegou a se apresentar no seminal clube CBGB’s, em Nova York.

O grupo lançou um álbum autointitulado em 1972 (Five Dollar Shoes) pela Neighborhood Records, e um single em 1973, sem grande repercussão. Em seus ensaios, uma figura constante era o irmão mais novo de Gregg, Godfrey Diamond, com seis anos a menos.

Como gostava muito de música, Godfrey não saía dos ensaios, e era convidado a dar opiniões sobre o que estava rolando. Dessa forma, ele começou a tomar gosto por esta área de trabalho, e aos 19 anos de idade, foi contratado pelo Media Sound Studios, em Nova York, inicialmente como auxiliar e aos poucos mergulhando na área técnica, participando de gravações e mixagens. Ele também tocava bateria.

Enquanto isso, Gregg continuava embrenhado no cenário do rock and roll, e passou a integrar a banda de apoio do cantor e compositor Jobriath (1946-1983), a The Creators, que nos idos de 1973 e 1974 era considerada uma das grandes apostas do glitter rock. Jobriath, inclusive, foi um dos primeiros astros de rock a assumir a homossexualidade, e também um dos primeiros nomes conhecidos da cena musical a ser vítima do vírus HIV.

Godfrey também era apaixonado por rock, mas trabalhava no estúdio com artistas de outros gêneros musicais, entre eles a banda de funk e soul Kool & The Gang, mais especificamente nos álbuns Light Of Worlds (1974) e Spirit Of The Boogie (1975), e do cantor de soul Ben E. King (o seminal álbum Supernatural, de 1975, do hit Supernatural Thing).

O mais novo dos Diamond tinha o costume de levar para casa cópias das mixagens que estava ajudando a fazer no Media Sound, e mostrava a Gregg, que aos poucos começou a curtir muito aquela sonoridade funk dançante e pra cima. Não demorou a surgir a ideia de fazer alguma coisa naquela linha, e ele (agora nos teclados) convidou Steve Love, guitarrista do The Creators, e também Jim Gregory (baixo, do Five Dollar Shoes) e o irmão para gravar uma base instrumental, em um estúdio naquela mesma Nova York.

Aí, o imponderável entrou em cena. Andrea True, uma atriz iniciante que atuava em filmes pornôs de segunda categoria, entre eles Deep Throat II (Garganta Profunda, no Brasil), pensava em investir em uma carreira como cantora. Ao ir à Jamaica para participar de uma campanha institucional, viu-se em uma situação inusitada. Por problemas ocorridos entre os governos dos EUA e o local naquele exato momento, ela não poderia levar para o seu país o pagamento que recebeu pelo seu trabalho.

Para não sair totalmente no prejuízo, ela teve a ideia de gastar a grana na própria Jamaica pagando horas de estúdio para gravar uma faixa como cantora. Amiga de Gregg, ela ligou pra ele e perguntou se o músico não tinha alguma gravação que eles pudessem completar na pátria do reggae. Os Diamonds toparam, e viajaram com precisamente aquela gravação que haviam feito pouco tempo antes.

Foi dessa forma que nasceu More, More More, pensada inicialmente como possível tema de um filme pornô. Os Diamonds tentaram emplacar a gravação nas gravadoras de maior porte, mas só ouviram o tão sonhado sim do pequeno selo Buddah Records. Creditado a Andrea True Connection, o single rapidamente se tornou um estouro, atingindo a 4ª posição na parada pop dos single nos EUA e o 5º lugar no Reino Unido.

More, More, More, o álbum, saiu logo a seguir, chegando ao 47º lugar na parada pop e emplacando mais dois hits medianos, Call Me (ouça aqui) e Party Line (ouça aqui). Neles, destaque para a voz pequena e sensual de Andrea, os timbres deliciosos de teclado de Gregg e, especificamente na faixa-título, a levada de bateria de Godfrey, que deu show na mixagem e produção.

Foi nesse momento que Gregg e Godfrey abriram a sua própria empresa de produção, a Diamond Touch, na qual dividiam funções. Basicamente, o mais velho assinava as composições, fazia os arranjos de base e tocava os teclados, cabendo ao mais novo a parte técnica das gravações. More, More, More virou uma espécie de molde para o que viria a seguir.

Curiosamente, mesmo com tanto sucesso, os irmãos Diamond só participaram de uma faixa do segundo álbum de Andrea True Connection, White Witch (1977). Coincidência ou não, foi justo a música mais marcante do LP, N.Y. You Got Me Dancing (ouça aqui), que como single atingiu o nº 27 na parada pop e integrou a trilha da novela global Loco-Motivas.

Vale registrar que as outras faixas de White Witch foram produzidas por Michael Zager, outro produtor e compositor importante da era disco, que estourou com os hits Let’s All Chant e Life’s a Party, esta última a 1ª gravação de Whitney Houston, na época ainda uma adolescente. A única das músicas produzidas por ele neste álbum a estourar foi What’s Your Name What’s Your Number (de Roger Cook e Bobby Woods), nº 56 nos EUA.

Lógico que o sucesso de More More More atraiu a atenção de outros artistas para o trabalho dos irmãos Diamond. O 1º foi George McCrae, que em 1975 estourou mundialmente com Rock Your Baby, um dos primeiros hits massivos da disco music, com autoria e produção a cargo dos líderes do KC & The Sunshine Band, Harry Wayne Casey e Richard Finch.

Curiosamente intitulado Diamond Touch (1976), o álbum inclui quatro músicas de autoria de Gregg Diamond, incluindo o excelente single Love In Motion (ouça aqui). O álbum saiu pela TK Records, a mesma dos trabalhos do KC & The Sunshine Band, e não fez o sucesso que se esperava, mas rendeu um contato bacana que valeria um bom fruto não muito tempo depois.

Em 1977, foi a vez de Gloria Gaynor, a 1ª rainha da disco music graças ao estouro de Never Can Say Goodbye em 1975, valer-se dos serviços de Gregg e Godfrey. O álbum Glorious inclui quatro músicas de Gregg, entre elas a sensual Most Of All (ouça aqui). E, mais uma vez, o trabalho não teve a boa repercussão que merecia. E os Diamond devem ter parado pra pensar.

Nos LPs de George McCrae e Gloria Gaynor, Gregg e Godfrey não tiveram o controle total sobre a produção, compartilhando o trabalho com outros músicos, compositores e produtores. Ele certamente sentiram que uma chance de dar mais certo seria montar um projeto próprio no qual pudessem se incumbir de todas as etapas, desde a seleção de músicas até a mixagem.

Nascia, dessa forma, a Bionic Boogie, também conhecida como Gregg Diamond Bionic Boogie. Era uma banda de estúdio, que trazia como pilares Gregg como produtor, compositor e se desdobrando em teclados como o Yamaha Electric Grand Piano, Fender Rhodes, D-6 Clavinet, Steinway Acústico, Harpsichord e Hammond B-3, Steve Love (guitarra), Jim Gregory (baixo) e Richard Crooks (bateria).

Além desses músicos, outros eram acrescentados de acordo com as necessidades de cada álbum, assim como os vocalistas. No 1º álbum (Bionic Boogie, 1977), temos os vocais a cargo de Yolanda, Zach Sanders e a consagrada cantora e compositora Gwen Guthrie, além de Alan Schwartsburg (bateria) e Lance Quinn (guitarra).

Lançado pela gravadora Polydor, Bionic Boogie não emplacou na parada pop americana, mas cravou dois hits em outros charts. A sensacional Dance Little Dreamer (ouça aqui), com seus vocais em uníssono e levada contagiante de teclados, chegou ao 1º lugar na parada de dance music nos EUA, e ao 77º lugar no Reino Unido.

Por sua vez, Risky Changes (ouça aqui), outro petardo disco, marcou presença na parada americana de r&b, onde chegou ao posto de número 79. Melhor ainda: o disco teve alta rotação nas pistas das discotecas, especialmente da mais badalada da época, o Studio 54.

Como aquela incensada casa noturna ficava a poucos quarteirões do estúdio onde os Diamond gravavam seus discos, era um costume eles levarem versões prévias do que gravavam e pedir para os DJs as testarem nas pistas de dança, sentindo o que dava certo e o que não rolava, aperfeiçoando até chegar ao resultado desejado. E, dessa forma, se tornaram queridinhos de lá.

O bom desempenho do álbum de estreia fez com que a Polydor se entusiasmasse, e logo surgiu o seu sucessor, Hot Butterfly (1978), creditado a Gregg Diamond Bionic Boogie. A grande novidade ficou a cargo da entrada no time do vocalista e compositor Luther Vandross, que participou com destaque do álbum Young Americans (1975), de David Bowie, e dos dois primeiros álbuns do Chic, Chic (1977) e C’Est Chic (1978).

Com sua voz maravilhosa, personalizada e de timbre inconfundível, Vandross marca presença em todos os vocais de apoio e ainda assume o vocal principal em Hot Butterfly (ouça aqui), canção mezzo r&b mezzo disco de andamento midtempo que atingiu o nº 8 na parada dance dos EUA e o nº 77 na parada britânica. Essa deliciosa canção foi relida com muita categoria em 1980 por Chaka Khan, rebatizada como Papillon (ouça aqui).

Excelente, o álbum traz outro petardo, Fess Up To The Boogie (ouça aqui), uma fantástica mistura de rock ardido e disco que sempre agitava as pistas de dança no momento em que entrava em cena, com direito a belos riffs de guitarra e vocais vigorosos. Curiosidade: tem um trecho que lembra muito o de It Don’t Come Easy, de Ringo Starr (ouça aqui).

Além de Luther Vandross, marcam presença nos vocais no álbum Hot Butterfly a cantora Cissy Houston, mãe de Whitney Houston e na época estourada nas paradas disco com Think It Over (de Michael Zager, com quem ela trabalhava) e David Lasley (1947-2021- que atuou com Chic, Sister Sledge e James Taylor, entre outros). Cream (Always Rises To The Top) (ouça aqui), com levada hipnótica, chegou ao nº 61 na parada do Reino Unido.

Em função do trabalho que haviam feito anteriormente na T.K. Records, Gregg e Godfrey receberam o convite para gravar um álbum por aquela gravadora. Como eles eram contratados da Polydor como Bionic Boogie, eles aceitaram a proposta com um novo nome, embora com uma escalação de integrantes bem próxima, Nascia o Gregg Diamond’s Star Cruiser, que no final de 1978 lançaria o LP Gregg Diamond’s Star Cruiser.

As principais novidades estavam no elenco de vocalistas. Gordon Grody (que atuou com Phillys Hyman, Gene Simmons e Vicki Sue Robinson) ficou com o vocal principal de Island Boogie. Por sua vez, Diva Gray (que participou de álbuns do Chic e Change, entre outros) comandou os vocais em This Side Of Midnight. Outra presença importante é a de Jocelyn Brown, que em 1984 estouraria com o hit Somebody Else’s Guy.

Com um repertório particularmente inspirado, Gregg Diamond’s Star Cruiser teve dois hits marcantes nas pistas de dança. Starcruisin’, com belo arranjo de metais e balanço com pitada roqueira (ouça aqui), chegou ao nº 7 na parada dance e o nº 57 na parada de r&b americanas.

Por sua vez, This Side Of Midnight, com um arranjo grandioso e envolvente e o vocal sedutor de Diva Gray, pode ser considerada um dos grandes clássicos da disco music (ouça aqui).

Infelizmente, esse álbum marcou o fim da parceria dos irmãos Diamond. Em entrevista concedida em 2014 para Abby Garnett para o site redbullmusicacademy.com, Godfrey deu a seguinte declaração:

“Ele era uma pessoa muito criativa e brilhante, o meu irmão, eu o amava. Mas ele também tinha um lado muito destrutivo. Eu trabalhava quase 18 horas por dia, não aguentava mais aquilo”.

Desta forma, Godfrey resolveu sair da Diamond Touch. Ele, que em 1976 produziu o álbum Coney Island Baby, de Lou Reed, saiu da cena da dance music e trabalhou com artistas como Billy Squier e Aerosmith, até abrir o seu próprio estúdio, o Perfect Mixes Studio, na ativa há mais de 20 anos.

Sem o irmão, Gregg prosseguiu o seu contrato com a Polydor, e em meados de 1979 lançou o álbum Tiger Tiger. A parte técnica de gravar e mixar ficou a cargo do engenheiro de som John Pace, conhecido por seus trabalhos com John McLaughlin, Kenny Loggins e Anne Murray, entre outros

A grande marca fica por conta da manutenção da parceria com Luther Vandross, que se incumbiu dos arranjos vocais, backing vocals e vocal principal em três faixas muito boas, das quais ele foi também o coautor.

São elas Lay It On The Line (ouça aqui), Crazy Lady Luck (ouça aqui) e Take The Boogie Home (ouça aqui). Embora excelentes, nenhuma delas emplacou nos charts de dance music, r&b e pop.

O único semihit do álbum foi exatamente a faixa-título, Tiger Tiger (Feel Good For a While) (ouça aqui), assinada apenas por Gregg e que chegou ao 33º lugar na parada dance dos EUA. Seria o último hit do Bionic Boogie. Jocelyn Brown, Lani Groves e Janet Wright também participaram dos vocais.

Já sem Luther Vandross, Gregg Diamond lançou um último álbum, desta vez creditado só a ele, por um outro selo do conglomerado Polygram, o Mercury. Trata-se de Hardware, que chegou às lojas no finalzinho de 1979, no exato momento em que a disco music sofria com o abjeto movimento Disco Sucks, que procurou tirar a disco de cena por razões preconceituosas e infelizmente atingiu os seus objetivos.

O time de músicos neste álbum se manteve, com participações especiais luxuosas como as de David Sanborn (sax alto) e Randy Brecker (trompete). Nos vocais, Zack Saunders, Jocelyn Brown, Diva Gray e Gordon Grody, entre outros. Embora com faixas bem interessantes como 1/8th Of Your Love (ouça aqui) e War Paint (Love Line) (ouça aqui), o disco passou batido.

Com o fim da era disco, Gregg Diamond simplesmente sumiu de cena. Uma rara aparição ocorreu em 1983, e ainda assim por tabela, quando a cantora Jackie Moore (que em 1979 estourou com o hit disco This Time Baby, escrito por Bell & James) regravou com categoria Holding Back (ouça aqui), que o Bionic Boogie lançou no álbum Gregg Diamond’s Star Cruiser (1978, ouça a versão original aqui).

Lembra do início dessa matéria? Pois chegou a hora de contar a história de Steal My Sunshine, a música que trouxe Gregg Diamond de volta às paradas de sucesso, mesmo que de maneira meio torta. Tudo começou quando o músico canadense Marc Costanzo ouviu More, More, More, de Andrea True Connection, em uma festa retrô, e ficou com ela na cabeça.

Costanzo era o cantor, músico e líder da banda de rock alternativo canadense Len, que havia até então lançado dois álbuns sem grande repercussão. Valendo-se de um pequeno (porém marcante) trecho de More, More, More, no melhor estilo do rap/hip hop, ele compôs uma nova música, que interpretou em dupla com a irmã, Sharon Costanzo.

Intitulada Steal My Sunshine (ouça e veja o clipe aqui), a canção foi lançada em março de 1999, incluída na trilha sonora do filme Go (exibido no Brasil como Vamos Nessa), dirigido por Doug Liman, no 3º álbum da banda, You Can’t Stop The Bum Rush e depois também saiu no formato single.

A divulgação adicional obtida graças ao filme impulsionou a música nas paradas de sucesso, e a levou a atingir a posição de nº 9 na parada americana de singles. O álbum chegou ao 46º posto na parada pop, e Steal My Sunshine entrou no Top 40 de oito países pelo mundo afora.

O sucesso do Len, no entanto, ficou por aí, com a banda de Marc Constanzo lançando outros dois álbuns que passaram batido. Eles se tornaram o que a literatura pop definiu como one hit wonder (maravilha de um sucesso só, em tradução livre), e até hoje são lembradas por essa canção, que se tornou uma espécie de hino do verão americano daquele mesmo 1999 em que seu coautor, Gregg Diamond, nos deixou. Fina ironia…

More More More (clipe)- Andrea True Connection:

Kylie Minogue lança álbum e um clipe com Gloria Gaynor

foto: Charlie Gray

foto: Charlie Gray

Por Fabian Chacur

Em 7 de novembro de 2020, Kylie Minogue estrelou uma live pré-gravada com músicas de seu então recém-lançado álbum, Disco, acrescidas de novas versões de alguns de seus grandes hits. Após ter sido lançado no exterior em meio a uma edição especial e exclusiva com cinco CDs, o registro desse show acaba de sair de forma individual, com o título Infinite Disco, nas plataformas digitais e também no formato físico (LP de vinil e CD).

Paralelamente a este álbum, lançado pela gravadora BMG, a cantora e compositora australiana também nos oferece um novo clipe, que ilustra Can’t Stop Writing Songs About You, deliciosa faixa de Disco que traz como atrativo a participação especial de Gloria Gaynor, um dos grandes ícones da disco music dos anos 1970. Uma consistente homenagem a esse marcante estilo musical, que se mantém relevante e popular em pleno século XXI.

Can’t Stop Writing Songs About You (clipe)- Kylie Minogue & Gloria Gaynor:

Caixa de DVDs mergulha na Disco Music

Por Fabian Chacur

A Disco Music é um dos estilos musicais mais marcantes da história da música pop. Amada por muitos e odiada por muitos, também, surgiu e viveu seu auge em termos de popularidade nos anos 70, permanecendo até hoje como garantia de trilha sonora animada em festas e influenciando novos trabalhos musicais.

Como forma de dar uma geral nos anos de ouro da disco, chegou às lojas a caixa The Best Of Disco Music, que traz três DVDs com videoclipes e um contendo um documentário sobre o mais popular estilo jamais surgido no amplo universo da dance music de todos os tempos.

Os três DVDs de clipes nos trazem 58 registros feitos nos anos 70 (alguns, nos anos 80) de nomes importantes da disco, como Donna Summer, Village People, Gloria Gaynor, Silver Convention, Penny McLean, Tina Charles e LaBelle, junto a outros perdidos na lata de lixo da história, como Aneka, Peter Kent e Cherry Laine.

Grande parte desse material foi extraído de apresentações em programas de TV da época, nos quais os artistas habitualmente apenas dublavam suas gravações. Mesmo assim, é legal ver esses astros da época, as roupas, as coreografias, o público presente (alguns visivelmente contrariados) e as músicas, em versões originais.

A qualidade de áudio e vídeo, se não é perfeita, pode ser considerada bastante satisfatória, com a trinca de DVDs podendo servir como uma espécie de trilha sonora para uma festa temática, mesmo sem incluir nomes chave dessa era como Chic, Kool & The Gang, Bee Gees, Voyage e Patrick Juvet, só para citar alguns.

Mas o grande destaque dessa coleção fica por conta do DVD que inclui um documentário com mais de uma hora de duração sobre a Disco Music. Com ótima narração a cargo de Gloria Gaynor, o filme dá uma bela geral na história do movimento, indo desde as raízes do mesmo até sua decadência, no início dos anos 80.

Além da utilização de ótimo material de arquivo, temos entrevistados de alto gabarito, como Tom Moulton, Nile Rodgers (do Chic), Giorgio Moroder, Telma Houston, Randy Jones (do Village People), George Clinton (Funkadelic/Parliament) e Mike Chapman. Até Peter Frampton, que admite odiar a disco music, dá suas opiniões (furadas, por sinal).

Trata-se de um dos melhores documentários que já vi sobre o tema, altamente indicado tanto para novatos como para conhecedores de disco music, pois é repleto de informações pertinentes. Para a caixa merecer nota máxima, só faltou mesmo um encarte colorido com mais fotos e informações. Mesmo assim, recomendo com entusiasmo.

Veja compilação de clipes de Disco Music (não estão na caixa):

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