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Hot Rats, de Frank Zappa, terá reedição luxuosa em dezembro

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Por Fabian Chacur

Na extensa discografia do saudoso, genial e prolífico Frank Zappa, Hot Rats (1969) é considerado um de seus itens mais concisos e preciosos. Como forma de celebrar os 50 anos de lançamento deste álbum incrível (leia a resenha de Mondo Pop para este álbum clássico aqui), o selo Zappa Records e a Universal Music prometem lançar no exterior no dia 20 de dezembro The Hot Rats Sessions.

Trata-se de uma caixa contendo seis CDs com faixas gravadas pelo roqueiro americano durante as sessões de gravação que geraram o LP original, incluindo algumas que, ou com outros títulos ou configurações alteradas, apareceriam depois em álbuns como Burnt Weeny Sandwich (1970), Weasels Ripped My Flesh (1970), Chunga’s Revenge (1970) e Studio Tan (1978).

Além dos seis discos, o fã leva de quebra um livreto com 28 páginas incluindo fotos inéditas da época (incluindo alguns out-takes das sessões para a capa) e textos informativos de Ian Underwood (que participou das gravações) e um opinativo de ninguém menos do que Matt Groening, autor dos Simpsons e fã confesso da obra de Frank Zappa. A curiosidade fica por conta de um jogo de tabuleiro no qual o fã precisa ajudar o músico a finalizar as gravações do álbum.

Os fãs de vinil também curtirão outro relançamento, que trará Hot Rats em LP cor rosa de 180 gramas trazendo como brinde um picture disc de 10 polegadas intitulado Peaches En Regalia EP que inclui mixagens em mono das faixas Peaches En Regalia e Little Umbrellas. Todo esse material (incluindo a caixa) será disponibilizado nas plataformas digitais.

Se nos EUA Hot Rats não passou da posição de nº 178, no Reino Unido se tornou o álbum de Zappa a atingir a melhor posição naquela região do mundo, chegando ao nº 9. O disco, basicamente instrumental, é um dos primeiros do que se convencionou chamar, posteriormente, de jazz rock. A única faixa com vocais, Willie The Pimp, tem como cantor Captain Beefheart.

Eis o conteúdo completo de The Hot Rat Sessions:

Disco 1: Basic Track Recording Sessions @ T.T.G. Studios, Hollywood, CA 7/18/1969 (1-2) and 7/28/1969 (3-12)

Piano Music (Section 1)
Piano Music (Section 3)
Peaches En Regalia (Prototype)
Peaches En Regalia (Section 1, In Session)
Peaches En Regalia (Section 1, Master Take)
Peaches Jam – Part 1
Peaches Jam – Part 2
Peaches En Regalia (Section 3, In Session)
Peaches En Regalia (Section 3, Master Take)
Arabesque (In Session)
Arabesque (Master Take)
Dame Margret’s Son To Be a Bride (In Session)
Portions of Disc 1, Track 2 released as “Aybe Sea” on Burnt Weeny Sandwich (Zappa Official Release #9, 1970)
Portions of Disc 1, Track 11 released as “Toads Of The Short Forest” on Weasels Ripped My Flesh (Zappa Official Release #10, 1970)

Disco 2: Basic Track Recording Sessions @ T.T.G. Studios, Hollywood, CA 7/29/1969

It Must Be a Camel (Part 1, In Session)
It Must Be a Camel (Part 1, Master Take)
It Must Be a Camel (Intercut, In Session)
It Must Be a Camel (Intercut, Master Take)
Natasha (In Session)
Natasha (Master Take)
Bognor Regis (Unedited Master)
Willie The Pimp (In Session)
Willie The Pimp (Unedited Master Take)
Willie The Pimp (Guitar OD 1)
Willie The Pimp (Guitar OD 2)
Disc 2, Track 6 released as “Little Umbrellas” on Hot Rats (Zappa Official Release #8, 1969)

Disco 3: Basic Track Recording Sessions @ T.T.G. Studios, Hollywood, CA 7/29/1969 (1-7) and 7/30/1969 (8-9)

Transition (Section 1, In Session)
Transition (Section 1, Master Take)
Transition (Section 2, Intercut, In Session)
Transition (Section 2, Intercut, Master Take)
Transition (Section 3, Intercut, In Session)
Transition (Section 3, Intercut, Master Take)
Lil’ Clanton Shuffle (Unedited Master)
Directly From My Heart To You (Unedited Master)
Another Waltz (Unedited Master)
Edit of Disc 3, Track 6 released as “Twenty Small Cigars” on Chunga’s Revenge (Zappa Official Release #11, 1970)
Remix and edit of Disc 3, Track 7 released on The Lost Episodes (Zappa Official Release #64, 1996)
Edit of Disc 3, Track 8 released on Weasels Ripped My Flesh (Zappa Official Release #10, 1970)
Edits of Disc 3, Track 9 released as “Little House I Used To Live In” on on Burnt Weeny Sandwich (Zappa Official Release #9, 1970)

Disco 4: Basic Track Recording Sessions @ T.T.G. Studios, Hollywood, CA 7/30/1969 (1-4) and overdubs recorded at Sunset Sound Studios, 8/1969 (5-7) and T.T.G. Studios 7/21/1969 (8)

Dame Margret’s Son To Be a Bride (Remake)
Son Of Mr. Green Genes (Take 1)
Son Of Mr. Green Genes (Master Take)
Big Legs (Unedited Master Take)
It Must Be a Camel (Percussion Tracks)
Arabesque (Guitar OD Mix)
Transition (Full Version)
Piano Music (Section 3, OD Version)
Disc 4, Track 1 utilized for “Lemme Take You To The Beach” on Studio Tan (Zappa Official Release #24, 1978)
Edit of Disc 4, Track 4 released as “The Gumbo Variations” on Hot Rats (Zappa Official Release #8, 1969)
Edit of Disc 4, Track 7 released on Weasels Ripped My Flesh (Zappa Official Release #10, 1970)
Portions of Disc 4, Track 8 released as “Aybe Sea” on Burnt Weeny Sandwich (Zappa Official Release #9, 1970)

Disco 5: From The Vault – Part 1

Peaches En Regalia (1987 Digital Re-Mix)
Willie The Pimp (1987 Digital Re-Mix)
Son Of Mr. Green Genes (1987 Digital Re-Mix)
Little Umbrellas (1987 Digital Re-Mix)
The Gumbo Variations (1987 Digital Re-Mix)
It Must Be a Camel (1987 Digital Re-Mix)
The Origin Of Hot Rats
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Peaches En Regalia (1969 Mono Single Master)
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Little Umbrellas (1969 Mono Single Master)
Lil’ Clanton Shuffle (1972 Whitney Studios Mix)
Disc 5, Tracks 1-6 remixed by Bob Stone at Utillity Muffin Research Kitchen. Released on Rykodisc CD 10066, 1987

Disco 6: From The Vault – Part 2

Little Umbrellas (Cucamonga Version)
Little Umbrellas (1969 Mix Outtake)
It Must Be a Camel (1969 Mix Outtake)
Son Of Mr. Green Genes (1969 Mix Outtake)
More Of The Story Of Willie The Pimp
Willie The Pimp (Vocal Tracks)
Willie The Pimp (1969 Quick Mix)
Dame Margret’s Son To Be a Bride (1969 Quick Mix)
Hot Rats Vintage Promotion Ad #3
Bognor Regis (1970 Record Plant Mix)
Peaches En Regalia (1969 Rhythm Track Mix)
Son Of Mr. Green Genes (1969 Rhythm Track Mix)
Little Umbrellas (1969 Rhythm Track Mix)
Arabesque (Guitar Tracks)
Hot Rats Vintage Promotion Ad #4

Ouça Hot Rats em streaming (versão original):

Walter Becker, do Steely Dan, sai do cenário pop aos 67 anos

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Por Fabian Chacur

No dia 28/8, o grande Tony Babalu me mandou por e-mail uma música de um dos guitarristas que citou em sua lista de favoritos, o americano Walter Becker. Somebody’s Saturday Night simplesmente me fascinou, ainda mais por ser de um disco que eu desconhecia, Circus Power (2008), o único dele ou da banda que o tornou famoso, a Steely Dan, que eu não tenho. Na tarde deste domingo (3), sem ter entrado na internet, resolvi ver o DVD Classic Albums que conta a história do delicioso álbum Aja (1977). Só aí, no finalzinho da noite, é que conferi as notícias. E tomei essa paulada na fuça!

Na manhã deste domingo, foi anunciada a morte deste espetacular guitarrista, baixista, compositor, produtor e eventual vocalista, por razões não divulgadas. O cara tinha apenas 67 anos. Nem é preciso dizer que diversos músicos manifestaram o seu enorme pesar por essa grande perda, especialmente o seu parceiro de Steely Dan, o cantor, compositor, músico e produtor Donald Fagen, que promete preservar a obra do grupo e do amigo.

Walter Becker nasceu em Queens, Nova York, em 20 de fevereiro de 1950, e conheceu Donald Fagen no Bard College, quando ambos eram ainda adolescentes. A amizade logo virou parceria musical, e em 1969 eles foram morar juntos no Brooklin para iniciar uma carreira como compositores. Eles até tiveram um belo êxito, que foi ver sua canção I Mean To Shine gravada pela estrela Barbra Streisand em seu álbum Barbra Joan Streisand (1971), que atingiu o 11º posto na parada americana. Mas as coisas não foram muito além disso.

Convidados pelo produtor Gary Katz para integrar o elenco de compositores da gravadora ABC, eles gravaram muitas demos, como já haviam feito antes, mas ninguém topava gravar. Inteligente, Katz percebeu que o material era ótimo, mas muito sofisticado, e resolveu incentivá-los a gravar por conta própria. Nascia o Steely Dan, que estreou em 1972 com o álbum Can’t Buy a Thrill, trabalho no qual misturam rock, pop, música latina e jazz de forma brilhante.

Graças a hits como Do It Again e Reeling In The Years, o álbum levou o grupo para a estrada, mas desde o início ficou claro que Fagen e Becker não era fãs de turnês. Tanto que, em 5 de julho de 1974, quando faziam a turnê de seu terceiro álbum, Pretzel Logic, resolveram largar os palcos e se concentrar apenas na gravação de seus discos. Isso os tornou posteriormente um duo de fato e de direito.

Até o fim dos anos 1970, os amigos mergulharam em uma sonoridade mais sofisticada, com direito a soul, funk e jazz e moldada com o apoio dos melhores músicos de estúdio que o dinheiro podia contratar. Entre outros, gravaram com eles Michael McDonald (que depois iria para os Doobie Brothers e posteriormente viraria artista solo), Jeff Skunk Baxter (também foi para os Doobie Brothers), integrantes que criariam o Toto e muitos outros.

O perfeccionismo de Becker e Fagen chegou ao ponto de, no álbum Aja (1977), que alguns consideram sua obra prima, eles montarem uma banda para cada música. Embora sofisticado, seu som conseguiu ótimo resultado comercial, e pode ser considerado uma das principais influências para o som que dominou as FMs dos EUA e de boa parte do mundo nos anos 1980, música consistente e apelo popular suficiente para torna-la viável comercialmente.

Após passar por vários problemas pessoais, como a morte de uma namorada em seu apartamento em 1978 e ser atropelado por um taxi logo depois, além do consumo de drogas e a pressão pelo sucesso, Becker sentiu o baque. O Steely Dan lançou em 1980 o álbum Gaucho, e em junho de 1981, anunciou sua separação. Donald Fagen mergulhou na carreira solo, enquanto Becker foi morar com a família em Maui, Havaí, e desacelerou sua vida musical, produzindo alguns trabalhos para Ricky Lee Jones, China Crisis, Fra Lippo Liipi e Michel Franks.

A partir de 1986, os amigos voltaram a manter eventuais contatos. Em 1991, Becker participou de shows do projeto New York Rock And Soul Revue, liderado por Fagen e que se dedicava a reler clássicos da soul music. O entusiasmo dos dois foi tão grande que em 1993, 19 anos após seu último show, o Steely Dan voltava à tona para uma turnê que gerou em 1995 um ótimo álbum ao vivo, intitulado Alive In América.

Um pouco antes disso, Fagen lançou o disco solo Kamakiriad (1993), produzido por Becker, que por sua vez veio em 1994 com seu primeiro trabalho individual, 11 Tracks Of Whack, com produção do parceiro.

Em 2000, enfim os fãs puderam comemorar um novo álbum de material do grupo, Two Against Nature. E valeu a espera. Além de vender bem e atingir o sexto posto na parada americana, o CD ainda proporcionou a eles quatro troféus Grammy, incluindo o de álbum do ano. Everything Must Go (2003) veio a seguir, e seria o último trabalho de estúdio da banda, outro sucesso de vendas e de crítica.

Em 2008, Walter Becker lançou seu segundo álbum solo, o ótimo Circus Power, no qual tocou baixo e guitarra e também cantou. Na parceria, Fagen se incumbia mais dos vocais e dos teclados, enquanto Becker esbanjava categoria na guitarra e no baixo. Vale lembrar que o Steely Dan conseguiu conquistar desde fãs de rock até os do jazz, sendo uma daquelas bandas que os melhores músicos costumam citar frequentemente entre suas preferência.

Só pra variar, eu conheci o Steely Dan graças ao meu saudoso irmão mais velho, Victor, que em 1972 comprou o compacto com Do It Again de um lado e Fire In The Hole do outro. A levada meio latina e bem hipnótica da primeira me cativou rapidamente, e até hoje é uma de minhas músicas favoritas deles. Duro saber que não teremos novos discos nem da banda, nem de Becker. Que jeito besta de começar setembro!

Somebody’s Saturday Night– Walter Becker:

Jean Luc Ponty fará show em São Paulo no Bourbon Street

Por Fabian Chacur

Jean Luc Ponty, provavelmente o melhor e mais influente violinista da história do jazz rock, vai tocar em São Paulo na próxima terça-feira (10). O local será o Bourbon Street (rua dos Chanés, 127- Moema- fone (0xx11) 5095-6100 www.bourbonstreet.com.br ), com couvert artístico a R$170,00 (primeiro lote). Serão duas entradas, uma às 21h e outra às 23h. Boa chance de se ver uma lenda viva da música mundial, e ainda em plena forma.

Nascido em 29 de setembro de 1942 na França, Jean Luc Ponty estudou violino clássico em Paris, mas desde o início de sua trajetória sempre mostrou uma mente aberta às mais diversas influências. Fã de Miles Davis e John Coltrane, ele viveu um de seus primeiros momentos de repercussão internacional ao participar da faixa It Must Be a Camel, do seminal álbum Hot Rats (1969), de Frank Zappa.

Ele se destacou nos anos 70 como um dos integrantes da Mahavishnu Orchestra, grupo fundamental na história do jazz rock que tinha como líder o guitarrista John McLaughlin. Depois, partiu para uma carreira solo que rendeu álbuns muito elogiados e influentes, entre os quais Enigmatic Ocean (1977) e Cosmic Messenger (1978). Ele é pioneiro na utilização de violinos de cinco e seis cordas, adaptados ao seu estilo único e próprio de tocar.

Em sua performance no Bourbon Street, Jean Luc Ponty terá a seu lado William Lecomte (teclados), Baron Browne (baixo) e Rayford Griffin (bateria), além dele próprio se desdobrando nos violinos. O repertório não foi divulgado, mas tudo leva a crer que ele fará uma viagem pelos trabalhos que realizou nesses seus mais de 40 anos de estrada pelo mundo.

Ouça Cosmic Messenger (1978), de Jean Luc Ponty, na íntegra, em streaming:

Hot Rats, de Frank Zappa, volta às lojas

Por Fabian Chacur

A família de Frank Zappa (1940-1993), através de seu selo Zappa Records, está iniciando uma série de relançamentos oriundos da extensa discografia desse genial e polêmico cantor, compositor e guitarrista americano. Com distribuição a cargo da Universal Music, os títulos também sairão no Brasil. O primeiro a cair nas mãos de Mondo Pop é Hot Rats.

Lançado originalmente em 1969, este álbum é o primeiro trabalho lançado por Zappa como artista solo após o fim da primeira formação dos Mothers Of Invention, grupo que o tornou conhecido especialmente no cenário underground do rock americano.

Além dele na guitarra, baixo octavado e percussão, temos o ex-colega de Mothers of Invention Ian Underwood nos teclados e sopros. O álbum inclui participações especiais de Captain Beefheart (vocais na única faixa não totalmente instrumental do álbum, Willie The Pimp), Jean-Luc Ponty (violino), Sugar Cane Harris (violino) e John Guerin (bateria).

Hot Rats pode ser considerado um dos primeiros (se não for o primeiro mesmo!) trabalhos do gênero musical posteriormente rotulado como jazz-rock, que neste caso específico significa uma mistura do vigor e da eletricidade do rock (beirando o hard rock e o blues rock em vários momentos) com a liberdade de improvisação do jazz.

Os seis temas incluídos no álbum cativam o ouvinte logo em seus instantes iniciais, e servem como belíssimo cartão de apresentação para o virtuosismo de Frank Zappa como guitarrista, especialmente nas fantásticas Peaches En Regalia (a faixa mais famosa deste CD), Son Of Mr. Green Genes e The Gumbo Variations, essa última uma espécie de heavy metal sofisticado.

Duas faixas possuem menos de quatro minutos, outra pouco mais do que cinco e três vão além dos oito minutos, mas não temos aqui aquela praga que por vezes assola a música instrumental e o jazz, que é o músico tocando para si e se lixando para os ouvintes e até seus colegas de banda, aquilo que pode ser determinado como masturbation music.

Em Hot Rats, Zappa e seus asseclas improvisam em cima de temas instrumentais bem construídos e atrativos, e certamente cativam os ouvintes pela fluência e musicalidade de seus solos, repleta de passagens criativas e mesclando elementos musicais oriundos das mais variadas fontes, como música latina, erudita e folk/country, por exemplo.

Não vou dar uma de espertinho: só tive a oportunidade de ouvir esse álbum agora, 43 anos após o seu lançamento. Mas isso me possibilitou perceber o quanto se trata de um trabalho que soa coeso, instigante e moderno, mesmo tantas décadas após chegar às lojas.

É como se tivesse sido lançado agora, e certamente influenciou (e influenciará) muita gente boa por aí. Mais indiscutível do que isso, está difícil!

Ouça The Gumbo Variations, com Frank Zappa:

Ouça Peaches En Regalia, com Frank Zappa:

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