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Morre Richie Havens, destaque de Woodstock

Por Fabian Chacur

Morreu nesta segunda-feira (22) em sua casa em Jersey City (New Jersey, EUA) o cantor, compositor e músico Richie Havens, um mestre da música folk. Destaque no festival de Woodstock em agosto de 1969, no qual fez o show de abertura, o artista americano foi vítima de um ataque cardíaco, e tinha 72 anos de idade.

Richie nasceu em 21 de janeiro de 1941, e começou sua trajetória artística atuando em dois segmentos seminais da música negra norte-americana, o doo-wop e o gospel. Posteriormente, mergulharia de cabeça na música folk, mas nunca deixando de lado o delicioso tempero fornecido por suas opções iniciais na música.

Sua atuação no festival de Woodstock, em 1969, ajudou a lhe abrir as portas em termos de popularidade, especialmente após o lançamento do documentário sobre o evento, no qual aparece em apaixonada e vibrante atuação interpretando a canção Freedom, que virou sua marca registrada. Ele a regravaria (muito bem, por sinal) em 2009 para a trilha do delicioso filme Aconteceu Em Woodstock (Taking Woodstock, 1969), de Ang Lee.

Além de compor músicas, Havens também se mostrou em sua carreira um brilhante releitor de composições alheias, especialmente de Bob Dylan e dos Beatles. Um de seus maiores sucessos foi Here Comes The Sun, de George Harrison, assim como Eleanor Ribgy (Lennon-McCartney) e Just Like a Woman (Dylan), entre outros covers inspirados.

Dessas releituras, uma de minhas favoritas é Arrow Through Me, que Paul McCartney escreveu e lançou no último álbum dos Wings, Back To The Egg (1979). A versão de Richie Havens está no álbum Simple Things (1987), que se não me falha a memória me foi apresentada pelo amigo Giovanni Dell’Isola Neto.

O astro americano lançou uma autobiografia, They Can’t Hide Us Anymore, em 2000. O último álbum de inéditas de Havens, Nobody Left To Crown, saiu em 2008. Ele também participou do filme Não Estou Lá (I’m Not There, 2007) interpretando a canção Tombstone Blues, de Bob Dylan, em cuja vida o filme foi inspirado.

Em março deste ano, Richie Havens anunciou o fim de sua carreira em termos de turnês e shows, alegando problemas de saúde. Infelizmente, o temor em torno de sua morte acabou se concretizando de forma mais rápida do que o esperado. Fica a saudade de mais um grande nome revelado no mais icônico festival de rock de todos os tempos que nos deixa.

Ouça Arrow Through Me, com Richie Havens:

Freedom, com Richie Havens, do filme Woodstock:

Aconteceu em Woodstock, uma viagem a 1969

por Fabian Chacur

Quando li uma crítica sobre o filme Aconteceu Em Woodstock (Taking Woodstock), de Ang Lee, me chamou a atenção o fato de o analista ter ressaltado o fato de o mesmo incluir pouca música.

Em um primeiro momento, achei a colocação pertinente, e pensei que o filme realmente não deveria ser exatamente uma maravilha. Até que a curiosidade me levou a entrar na sala de cinema. E me dei bem!

Logo de cara, afirmo que o filme tem, sim, música suficiente. O que ele não é, de fato, é um novo documentário sobre o evento em seu lado musical. Afinal de contas, já existe um, e perfeito. Para que dois?

Taking Woodstock aborda um dos grandes eventos da história do rock em seu aspecto social e humano. Ele é inspirado no livro Taking Woodstock: A True Story Of a Riot, A Concert And A Life, de Elliot Tiber.

Nele, Tiber, um jovem decorador de interiores em 1969, tenta achar a solução para o Hotel El Monaco, mantido pelos pais e à beira da falência. Até saber que o festival de Woodstock precisava de um local para ser realizado.

Mexendo seus pauzinhos, Tiber consegue fazer com que o vilarejo de Bethel aprovasse a vinda de Michael Lang e os outros organizadores do grande show para lá.

Afinal, Woodstock era só o nome do festival, que não conseguiu usar como sede aquele lugar que na época tinha moradores como Bob Dylan.

Taking Woodstock, o filme, mostra exatamente os confrontos entre alguns moradores do lugar contra aquela montoeira de cabeludos que invadiram a região, e também os que se adaptaram rapidinho ao espírito de mudanças.

De careta e nerd, Elliot Tiber assume a homossexualidade, revoluciona a vida dos pais e testemunha de pertinho as mudanças comportamentais proporcionadas pelos anos 60. Para o bem ou para o mal? Para sempre!

O filme é divertido, emociona e também traz uma belíssima representação do que seria uma experiência com o LSD, a droga da moda naquele 1969.

A trilha de Taking Woodstock é sublime, e não se prende às músicas tocadas pelas bandas e artistas solo no evento, nem se restringe apenas a gravações de quem participou do mesmo.

Isso explica a entrada de músicas dos Doors (Maggie M’Gill, que nem havia sido lançada em 1969) e do Love (The Red Telephone, fantástica, usada na trip de ácido).

Os quatro temas incidentais e instrumentais de Danny Elfman, que também conhecemos como cantor, compositor e líder do extinto grupo pop Oingo Boingo, são belíssimos.

Richie Havens regravou a sua célebre Freedom especialmente para o filme, mantendo a sonoridade acústica e o pique da versão original. E hoje ele tem dentes, ao contrário de em 1969…

China Cat Sunflower, do Grateful Dead, é outro belo momento. Curiosidade: o genial Bruce Hornsby, que nos anos 90 tocou teclados em shows da banda, aproveitou trechos da mesma para compor a fantástica Sunflower Cat (Some Dour Cat-Down With That) em 1998, faixa de seu CD Spirit Trail.

Aconteceu Em Woodstock é isso, o registro de alguém que estava lá, no olho do furacão, e que compartilha conosco suas impressões sobre aquele momento em que o rock parecia transcender os limites de apenas música popular, rumo ao pedestal das coisas que de fato importam na vida. De onde nunca mais saiu, diga-se de passagem.

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