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CD exibe alma musical de George Harrison

Por Fabian Chacur

O maravilhoso documentário George Harrison: Living In The Material World foi recentemente exibido por aqui (e comentado por Mondo Pop), e já está disponível em luxuoso pacote importado incluindo DVD duplo, Blu-ray, livro e CD.

Felizmente, o CD é o primeiro desses ítens já disponível individualmente em nossas lojas e a um preço acessível. Trata-se de Early Takes Volume 1. Em formato digipack, o álbum traz 10 faixas, com pouco mais de 30 minutos de duração, e é bem diferente da maior parte desse tipo de compilação.

Para começo de conversa, todas as gravações tem excelente qualidade de áudio, e seguem uma sequência que torna a audição tão deliciosa como a de um álbum normal, o que nem sempre ocorre em reuniões de outtakes e sobras de estúdio do gênero.

A voz do ex-beatle está particularmente bela, podendo ser apreciada em todos os seus nuances e suavidades. O mesmo pode ser dito do acompanhamento instrumental, que em alguns casos se resume a um violão tocado com maestria pelo astro.

Belíssimo trabalho de Giles Martin (filho do lendário George Martin, produtor dos Beatles), a quem coube a tarefa de ajudar na seleção das gravações e dar a elas o arremate sonoro final.

Temos aqui seis músicas que entrariam em suas versões finais no álbum All Things Must Pass(1970; uma é de Living In The Material World(1973), outra, de Thirty Three & 1/3 (1976), e dois covers entram pela primeira vez em um álbum do autor de Something.

O único ponto realmente negativo em Early Takes Volume 1 é o fato de não termos nenhuma informação acerca de quando as gravações foram feitas, e quem toca nelas, com apenas dois textos curtos assinados por Giles Martins e o Dr. Warren Zanes na capa interna.

Quanto à duração, convenhamos: melhor 30 minutos excelentes do que duas horas de material mal editado e com qualidade discutível de áudio. E que venham os próximos volumes!

Vamos a uma análise individual de cada uma delas:

1My Sweet Lord (demo) – A melodia e os versos estão praticamente terminados, mas a levada rítmica segue um encaminhamento mais funkeado do que a da versão final, mais básica e contagiante. É a faixa que soa mais inacabada, entre todas. De All Things Must Pass .

2Run Of The Mill (demo)- George se acompanha ao violão, e a música soa pronta, precisando apenas dos penduricalhos proporcionados pelos arranjos da versão conhecida. Soa até melhor do que a versão lançada originalmente. De All Things Must Pass.

3I’d Have You Any Time (early take)- Versão muito próxima da original, com direito a slide guitar, violão, bateria e uma interpretação vocal belíssima. Acho que muita gente a achará ainda melhor do que a gravação lançada oficialmente. Estupenda parceria de George e Bob Dylan. De All Things Must Pass.

4Mama You’ve Been On My Mind (demo) – A canção que Bob Dylan deixou de fora de Another Side Of Bob Dylan (1964) foi gravada por Joan Baez, Johnny Cash e Rod Stewart, entre outros. George a interpreta no melhor estilo voz e violão, arrancando arrepios do ouvinte tanto nos vocais como no instrumento. Ele nunca havia a lançado antes em um de seus álbuns.

5Let It Be Me (demo) – Essa canção de Gilbert Becaud fez sucesso em inglês com os Everly Brothers em 1960 e é simplesmente belíssima. George a interpretou com rara inspiração, em versão que conta com slide guitar e poderia perfeitamente ter sido lançada de forma oficial. É a outra inédita em discos do ex-beatle contida aqui.

6Woman Don’t You Cry For Me (early take) – Lançada em versão funkeada e faixa de abertura de Thirty Three & 1/3, essa música aparece aqui de forma completamente diferente, só voz e violão e em arranjo folk/blues simplesmente arrasador. Prova de que uma mesma música pode ganhar roupagens totalmente distintas e continuar ótima. Na verdade, essa música começou a ser composta em 1968 e poderia ter entrado em All Things Must Pass, conforme o próprio George revelou anos depois. De Thirty Three & 1/3.

7Awaiting On You All (early take) – Gravação com banda e ênfase em guitarras levemente distorcidas, sem os metais da versão definitiva e gravada de forma descompromissada. No entanto, temos aqui os dois versos polêmicos que ficaram de fora da versão final, incluindo o célebre “O Papa tem 51% das ações da General Motors”. De All Things Must Pass.

8 Behind That Locked Door (demo) – Embora despida de vocais de apoio e outros penduricalhos (mas já com a slide guitar), esta versão demo de Behind That Locked Door soa tão boa como a lançada em 1970. A voz de George está mais cristalina do que nunca, capaz de emocionar até o mais cético com sua doçura. De All Things Must Pass.

9All Things Must Pass (demo) – Embora sem o arranjo definitivo que incluia slide guitar, esta versão da faixa título do álbum lançado por George Harrison em 1970 já traz o andamento e a letra que conheceríamos na versão definitiva, além da levada rítmica de bateria. Despida, ressalta a belíssima letra. De All Things Must Pass.

10The Light That Has Lighted The World (demo) – A delicada balada lançada originalmente em 1973 aparece aqui em um tom abaixo do da gravação original, o que a faz soar mais intimista, sem perder nada da maravilhosa melodia da versão que todos conhecemos. Um belo encerramento para este CD. De Living In The Material World.

Ouça a nova versão de Awaiting On You All, com George Harrison:

2 Comments

  1. Daniel Mendes Domingues

    June 22, 2012 at 2:25 am

    Opaaaa, esse album eu já comprei logo que chegou aqui hehehe

    É realmente fantastico!! As que eu mais gostei foram Run Of The Mill, Mama You’ve Been On My Mind, Let It Be Me, Awaiting On You All e Behind That Locked Door , ok , todas hahahaha. Eu não consigo explicar a otima sensação que é escutar o george cantando, espero que saia mais e mais lançamentos de demos e canções ineditas.

    Só senti falta de uma caixinha melhor, com as informações do ano que essas canções foram gravadas, se alguma delas foi gravada no estudio da sua casa no friar park e sobre quem participou nos outros instrumentos.

    Grande George!!!

  2. admin

    June 22, 2012 at 2:30 am

    A voz do George está realmente arrepiante nesse álbum, Daniel. E concordo contigo em relação à falta das informações básicas sobre cada gravação. Nós, fãs, amamos esses detalhes. Grande abraço e obrigado pela visita qualificada!!!

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