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John Fogerty fará tour com os seus clássicos de 1969 do CCR

U.S. rock singer John Fogerty performs d

Por Fabian Chacur

John Fogerty iniciará no dia 2 de maio uma nova turnê, na qual terá como grande atração o fato de investir em uma parte importante de seu ótimo repertório musical. Trata-se de músicas lançadas por ele em 1969 nos álbuns Bayou Country, Green River e Willy And The Poor Boys, todos do Creedence Clearwater Revival, que ele liderou com muita categoria.

Durante a sua existência em termos fonográficos (de 1968 a 1972), pode-se dizer que 1969 foi o ano mais produtivo do quarteto (trio em sua fase final) liderado por John Fogerty nos vocais, guitarra e composições, seu irmão Tom Fogerty na guitarra base (foi ele quem saiu na fase final), Stu Cook no baixo e Doug Cosmo Clifford na bateria.

Além de lançar três de seus sete álbuns de estúdio nesse período de 12 meses, eles também participaram do festival de Woodstock e marcaram seu lugar na história do rock and roll. Integram esses álbuns hits como Proud Mary, Born On The Bayou, Bootleg, Green River, Commotion, Bad Moon Rising, Down On The Corner e The Midnight Special.

Embora vá centrar fogo nos clássicos que gravou em 1969, Fogerty promete também abrir espaços nos shows da nova turnê para hits de outras épocas de sua carreira, com o CCR e também como artista solo. A primeira leva de shows será na América do Norte, e irá de maio a agosto. Fogerty esteve no Brasil em 2011, com direito a shows memoráveis (leia a resenha de um dos shows aqui).

De quebra, o roqueiro anunciou (tudo em seu site oficial) que no dia 6 de outubro sairá sua autobiografia, intitulada Fortunate Son: My Life, My Music, pela editora Little Brown. O livro promete. “Estou sendo brutalmente honesto. Não quero chocar ou surpreender ninguém. É o único jeito que eu acho válido, não quero esconder nada do que fiz”.

Bootleg– Creedence Clearwater Revival:

Keep On Choglin’ – Creedence Clearwater Revival

Wrote a Song For Everyone– Creedence Clearwater Revival

Ronnie Von terá 3 álbuns relançados em vinil

Por Fabian Chacur

A Polysom, fábrica brasileira de discos de vinil que foi reaberta em 2010, após alguns anos fora de ação, anunciou mais três títulos para a coleção Clássicos Em Vinil, na qual relançou no clássico formato bolachão álbuns importantes da música brasileira, como Cabeça Dinossauro (Titãs), A Tábua de Esmeraldas (Jorge Ben) e a discografia completa do grupo carioca Los Hermanos.

Desta vez, foram selecionados três títulos seminais da discografia do cantor e apresentador televisivo Ronnie Von. Os álbuns são Ronnie Von (1969), A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Império de Nuncamais (1969) e A Máquina Voadora (1970), todos lançados na época pela Polydor (hoje Universal Music).

Os três discos fazem parte da fase psicodélica da carreira de Ronnie, e eram disputados a tapa nos sebos da vida a preços proibitivos. Embora não tenham feito sucesso comercial na época, com o passar dos anos foram reavaliados e hoje são considerados clássicos do rock brasileiro.

Ronnie Von e A Máquina Voadora voltaram ao mercado nacional em 2007 no formato CD, junto com Ronnie Von (1966, que inclui Meu Bem, versão de Girl, dos Beatles), enquanto A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Império de Nuncamais estava fora de catálogo há mais de 40 anos.

Os relançamentos são no padrão de vinil de 180 gramas (o melhor, segundo os especialistas) e com capas luxuosas, ao custo médio de R$ 70 por cada exemplar, disponíveis nas melhores lojas do país (as que sobraram, evidentemente) e também pelo site da própria Polysom e outros sites que comercializam títulos em vinil.

Segundo a assessoria de imprensa da Polysom, em 2012 a fábrica produziu 24.120 exemplares no formato LP e 12 mil no formato compacto, números bem significativos na atual fase do mercado fonográfico brasileiro. Além dos nomes citados, artistas como Pitty, Maria Rita, Nação Zumbi e Fernanda Takai tiveram títulos lançados em vinil, nos últimos tempos.

Ouça Silvia: 20 Horas, Domingo, com Ronnie Von, do álbum Ronnie Von (1969):

CD de 1969 de Gilberto Gil volta remasterizado

Por Fabian Chacur

A Universal Music acaba de selecionar mais um título importante da nobre discografia de Gilberto Gil e dar nele um banho de loja em termos visuais e tecnológicos. Desta vez, trata-se de Gilberto Gil, lançado originalmente em 1969 e gravado em um período particularmente terrível na vida do cantor, compositor e músico baiano.

As gravações foram realizadas nos meses de abril e maio daquele ano, período no qual Gil estava confinado na Bahia, após ter sido preso ao lado do Mano Caetano em dezembro de 1968 e ficado no Rio longe de seus familiares, amigos e dos inúmeros fãs Brasil afora. A Ditadura Militar os encarcerou de forma arbitrária. Felizmente eles saíram vivos para contar a história.

Sem poder sair de Salvador depois de ser solto e antes do exílio posterior em Londres, Gil gravou voz e violão por lá, nos estúdios J.S., com o acompanhamento instrumental sendo registrado nos estúdios Scatena, em São Paulo, e Phillips, no Rio. Os arranjos e orquestrações ficaram a cargo do genial maestro Rogério Duprat. Felizmente, essa separação geográfica não transmitiu frieza aos registros. Pelo contrário.

O time que participou do CD é conciso e excepcional. No baixo elétrico, o ótimo Sérgio Barroso. Na guitarra, Lanny Gordin, que deu um tempero hendrixiano ao álbum. O também maestro Chiquinho de Moraes arrasou nos teclados, enquanto o lendário Wilson das Neves, hoje conhecido como o “baterista do Chico Buarque”, deu um banho de swing com as baquetas.

No geral, o álbum traz letras que falam muito de futuro, de ficção científica e da relação homem-máquina, com direito a uma sonoridade pontuada pelo rock and roll a la Jimi Hendrix, mas também com muito forró, samba, jazz, experimentalismo e o que pintasse.

O momento máximo é a contagiante Aquele Abraço, samba exaltação no qual Gil bota pra fora, com muita garra e um pouco de raiva, a energia negativa acumulada durante a prisão, com direito aos versos “o meu caminho eu mesmo traço”. Um dos melhores sambas de todos os tempos, possivelmente o maior sucesso da brilhante trajetória de Gil Black Gil.

Mas o CD tem muito mais, como a empolgante Cérebro Eletrônico, a deliciosa Volks-Volksvagen Blue, a releitura roqueira do baião 17 Légua e Meia (de Humberto Teixeira e Carlos Barroso), a gostosa 2011 (de Tom Zé e Rita Lee), a misteriosa Futurível, a irônica A Voz do Vivo (de Caetano) e a filosófica Vitrines.

Gil reservou para o final Objeto Semi-identificado, feita em parceria com Rogério Duarte e Rogério Duprat e, guardadas as devidas proporções, sua faixa equivalente a Revolution Nº9, dos Beatles, com direito a jeitão de música concreta, trechos musicais de várias origens e a leitura de textos filosóficos e intrincados.

O encarte traz as letras, ficha técnica e reprodução do material incluído na edição original em vinil. A capa não inclui foto do artista, cuja cabeleira afro havia sido raspada pelos militares que o aprisionaram. O desenho e os textos que estão nessa capa tornam a aura do álbum ainda mais enigmática e experimental.

O conteúdo musical criativo e original, no entanto, não perde nada em fluência e capacidade de ser compreendido pelo ouvinte médio. Gilberto Gil (1969) é seguramente um dos melhores discos do autor de Expresso 2222, e soa tão instigante nesse sofrido 2013 como soava naquele também sofrido (por outras razões, obviamente) 1969.

Aquele Abraço, Gilberto Gil:

Cérebro Eletrônico, Gilberto Gil:

17 Légua e Meia, Giberto Gil:

Hot Hats, de Frank Zappa, volta às lojas

Por Fabian Chacur

A família de Frank Zappa (1940-1993), através de seu selo Zappa Records, está iniciando uma série de relançamentos oriundos da extensa discografia desse genial e polêmico cantor, compositor e guitarrista americano. Com distribuição a cargo da Universal Music, os títulos também sairão no Brasil. O primeiro a cair nas mãos de Mondo Pop é Hot Hats.

Lançado originalmente em 1969, este álbum é o primeiro trabalho lançado por Zappa como artista solo após o fim da primeira formação dos Mothers Of Invention, grupo que o tornou conhecido especialmente no cenário underground do rock americano.

Além dele na guitarra, baixo octavado e percussão, temos o ex-colega de Mothers of Invention Ian Underwood nos teclados e sopros. O álbum inclui participações especiais de Captain Beefheart (vocais na única faixa não totalmente instrumental do álbum, Willie The Pimp), Jean-Luc Ponty (violino), Sugar Cane Harris (violino) e John Guerin (bateria).

Hot Hats pode ser considerado um dos primeiros (se não for o primeiro mesmo!) trabalhos do gênero musical posteriormente rotulado como jazz-rock, que neste caso específico significa uma mistura do vigor e da eletricidade do rock (beirando o hard rock e o blues rock em vários momentos) com a liberdade de improvisação do jazz.

Os seis temas incluídos no álbum cativam o ouvinte logo em seus instantes iniciais, e servem como belíssimo cartão de apresentação para o virtuosismo de Frank Zappa como guitarrista, especialmente nas fantásticas Peaches En Regalia (a faixa mais famosa deste CD), Son Of Mr. Green Genes e The Gumbo Variations, essa última uma espécie de heavy metal sofisticado.

Duas faixas possuem menos de quatro minutos, outra pouco mais do que cinco e três vão além dos oito minutos, mas não temos aqui aquela praga que por vezes assola a música instrumental e o jazz, que é o músico tocando para si e se lixando para os ouvintes e até seus colegas de banda, aquilo que pode ser determinado como masturbation music.

Em Hot Hats, Zappa e seus asseclas improvisam em cima de temas instrumentais bem construídos e atrativos, e certamente cativam os ouvintes pela fluência e musicalidade de seus solos, repleta de passagens criativas e mesclando elementos musicais oriundos das mais variadas fontes, como música latina, erudita e folk/country, por exemplo.

Não vou dar uma de espertinho: só tive a oportunidade de ouvir esse álbum agora, 43 anos após o seu lançamento. Mas isso me possibilitou perceber o quanto se trata de um trabalho que soa coeso, instigante e moderno, mesmo tantas décadas após chegar às lojas.

É como se tivesse sido lançado agora, e certamente influenciou (e influenciará) muita gente boa por aí. Mais indiscutível do que isso, está difícil!

Ouça The Gumbo Variations, com Frank Zappa:

Ouça Peaches En Regalia, com Frank Zappa:

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