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A-ha reforça o lirismo de suas músicas em formato acústico

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Por Fabian Chacur

Quem acompanha atentamente a carreira do A-ha sabe que, em meio aos teclados proeminentes e elementos eletrônicos presentes em seus trabalhos, sempre existiram canções altamente melódicas, e com um teor lírico/melancólico, ambientação tipicamente nórdica. Para quem os encara como “apenas mais uma bandinha pop”, recomendo a audição atenta de MTV Unplugged Summer Solstice, álbum duplo gravado ao vivo na sua Noruega natal, em formato acústico.

A ligação A-ha/MTV foi marcante, especialmente pelo fato de seu primeiro grande hit, Take on Me, ter sido divulgado por um dos videoclipes mais populares de todos os tempos. Curiosamente, só agora a banda se propôs a gravar um álbum acústico com o apoio da emissora, quando o formato tão popular nos anos 1990 e 2000 já nem tem mais toda essa força comercial. Ou, quem sabe, seja exatamente por isso que o trio resolveu encarar o desafio apenas agora.

Morten Harket (vocal), Magne Furuholmen (teclados) e Paul Waaktaar-Savoy (guitarra), ao contrário de outros contemporâneos do synth-pop/tecnopop dos anos 80, sempre souberam cuidar bem de suas composições, investindo em boas melodias e soluções harmônicas e de arranjos que iam além de simplesmente se valer dos timbres e batidas eletrônicas para invadir as paradas de sucesso. Quem sabe isso justifique a maior durabilidade de seu repertório.

Com bastante inteligência, o trio selecionou suas canções que mais se adaptassem não só ao formato acústico, mas também a um clima mais intimista que pretendiam imprimir neste trabalho. Isso explica a ausência de hits mais “solares”, digamos assim, como Cry Wolf, You Are The One e Touchy. No entanto, boa parte de suas canções mais conhecidas está aqui, como I’ve Been Losing You, Take on Me, Living Daylights, The Sun Always Shine On TV, Scoundrel Days e Memorial Beach.

O álbum duplo traz 21 faixas. Temos 17, entre hits e outras menos conhecidas (mas também muito boas), extraídas de praticamente todos os álbuns da banda (só dois- East Of The Sun West Of The Moon, de 1990, e o recente Cast In Steel, de 2015, ficaram de fora). Entre as restantes, duas são inéditas, as ótimas This Is Our Home e A Break In The Clouds, e duas são regravações.

Uma das releituras resgata o passado de dois integrantes, Paul e Magne, pois é uma música da banda Brigdes (Sox Of The Fox), projeto deles anterior ao A-ha. A outra é The Killing Moon, um dos maiores sucessos do grupo britânico Echo & The Bunnymen, que conta com a participação especialíssima de seu cantor e líder, Ian McCulloch, também presente na ótima releitura de Scoundrel Days.

Três cantoras também estão neste MTV Unplugged ao lado do grupo norueguês. São elas Lissie (em I’ve Been Losing You), Ingrid Helene Hávik (em The Sun Always Shine On TV) e Alison Moyet (ex-integrante do duo oitentista Yazoo, em Summer Moved On). O grupo também conta com a presença de uma sessão de cordas e de quatro músicos de apoio. O resultado é uma sonoridade delicada, envolvente e que dá ótima moldura às belas melodias de cada música.

Gravado em dois shows realizados em 22 e 23 de junho de 2017 no Giske Harbour Hall, espaço intimista que abrigou apenas 250 pessoas em cada apresentação, o show como um todo demonstra que Morten Harket continua com a mesma potência de voz dos bons tempos, enquanto os colegas de time permanecem com a mesma categoria e postura discreta que sempre os marcou.

MTV Unplugged Summers Solstice equivale a um verdadeiro atestado de relevância artística de uma banda que sempre ofereceu ao seu público um som pop ao mesmo tempo acessível e com o requinte artístico típico de quem gosta do que faz e não o faz apenas para encher suas contas bancárias. Não reinventaram a roda nem revolucionaram a música, mas ofereceram biscoitos finos para as massas. E esse álbum duplo (também disponível em DVD) é mais um deles.

This Is Our Home(video)- A-ha:

Cast In Steel flagra o A-ha em momento inspirado e estável

a-ha capa cd 400x

Por Fabian Chacur

Quando o A-ha anunciou que voltaria à ativa e faria shows no Brasil em setembro e outubro de 2015, ninguém estranhou. Afinal, se o trio norueguês tivesse de retornar, nada mais adequado do que fazer isso em um dos países onde tem maior popularidade. Como marca dessa volta, lançaram o CD Cast In Steel (Universal Music), primeiro de inéditas em seis anos e prova de que os caras não estão nessa só pelo dinheiro. O som novo é muito bom!

Desde que deu início à sua carreira, lá pelos idos de 1982, o A-ha nunca escondeu de ninguém sua vocação para o pop, sempre se valendo de sintetizadores e elementos eletrônicos mas nunca deixando de lado valores importantes para a música, como boas melodias e vocalizações. Com isso, tornaram-se uma verdadeira fábrica de hits mundo afora, especialmente nos anos 1980, exceto (sabe-se lá o porque) nos EUA, onde emplacaram um único sucesso, Take on Me.

As armas utilizadas pela banda: a ótima voz do carismático vocalista Morten Harket, os teclados predominantes de Magne Mags Furuholmen e a guitarra elegante e sempre precisa de Paul Waaktaar-Savoy. De quebra, composições bacanas, arranjos inteligentes e nenhuma outra pretensão além de tentar atingir o pop perfeito, aquele que as pessoas ouvem, ouvem e ouvem sem cansar. Tipo Cry Wolf, Hunting High And Low, You Are The One, I’ve Been Losing You

Após essa segunda parada na carreira (a primeira ocorreu entre 1994 e 1998), a banda voltou com fome de bola, se levarmos em conta o ótimo conteúdo de Cast In Steel. Os três vieram com 12 novas boas composições, e os arranjos vocais e instrumentais exibidos nos trazem de volta aquele apelo synthpop grandioso e ao mesmo tempo classudo que marca seus melhores momentos.

O vigor de Door Ajar, a reflexiva Objects In The Mirror (prova de que o Coldplay certamente ouviu muito A-ha em seus anos formativos), a quase psicodélica Goodbye Thompson, o pop rock Mythomania e a sacudida She’s Humming a Tune são provas de que uma banda pode perfeitamente mergulhar em seu passado e nos proporcionar boas e novas canções sem necessariamente apelar para inovações nem sempre bem concatenadas.

Cast In Steel mostra novamente que devemos ter orgulho de proporcionar tanta popularidade ao A-ha. Afinal de contas, é uma banda honesta, talentosa e oriunda de um país sem tradição em termos de música pop. A turnê deste álbum deve durar pelo menos até maio deste ano, e vale a torcida para que eles possam nos proporcionar novos trabalhos tão bacanas como esse aqui.

Door Ajar– A-ha:

Mythomania– A-ha:

Goodbye Thompson– A-ha:

Reedição turbina Scoundrel Days, do A-ha

Por Fabian Chacur

Com sua saída de cena no final de 2010, o A-ha agora faz parte da história do pop-rock mundial. Em seus 26 anos de estrada, o grupo norueguês nos deixou como legado bons álbuns, milhões de cópias vendidas e uma obra elogiável.

Morten Harket (vocal), Magne Mags Furuholmen (teclados) e Paul Waaktaar-Savoy (guitarra) surgiram no auge do tecno pop, e misturaram esse estilo musical com fortes elementos do rock sessentista dos Beatles e do rock progressivo dos anos 70, especialmente no que se refere ao uso dos teclados.

O resultado gerou um pop-rock melódico, bem estruturado e com direito à voz potente e quase operística de Harket. Dos álbuns lançados pelo trio, o melhor foi Scoundrel Days, que agora volta às lojas em reedição luxuosa com direito a encarte luxuoso, faixas-bônus e um CD adicional com gravações demo, lados B de singles e faixas ao vivo.

Lançado em outubro de 1986, Scoundrel Days é o segundo álbum do A-ha, e tinha como missão manter o sucesso atingido pelo trabalho de estreia deles, Hunting High And Low (1985). Missão cumprida com louvor.

Trata-se de um trabalho consistente e com material diversificado. A faixa-título representa bem o arquétipo do tecno pop, enquanto I’ve Been Losing You equivale ao lado mais rocker do grupo, e Cry Wolf, o pop dançante energético que muitos copiaram, mas poucos igualaram.

As influências progressivas aparecem de forma mais evidente nas belas October e Manhattan Skyline, enquanto a pegada pop progressiva a la Supertramp aflora na deliciosa Maybe Maybe.

Scoundrel Days é um daqueles álbuns deliciosos de se ouvir, pois soa pop, elaborado e diversificado, além de não parecer datado, como alguns álbuns clássicos daqueles anos soam atualmente em audições mais atentas.

O encarte que acompanha o CD é perfeito, pois inclui texto contando a história do álbum, todas as letras e ficha técnica completa, além de algumas fotos bacanas.

As 10 faixas do álbum original estão no primeiro CD em versão remasterizada, acrescidas de três versões extendidas da época bastante difíceis de serem encontradas.

O segundo CD, com mais de 70 minutos de duração, traz versões demo de todas as faixas do álbum, cinco gravações ao vivo e dois raros lados B de singles. A audição dessas demos permite ao fã observar o quanto cada faixa cresceu/mudou em suas versões definitivas.

Algumas soam bem parecidas com as oficiais, como Scoundrel Days e Cry Wolf, enquanto uma ficou muito diferente: I’ve Been Losing You, que na demo não tem o riff roqueiro que se tornou sua marca registrada.

Atrevo-me a colocar Scoundrel Days como um dos melhores álbuns do pop-rock oitentista, prova de que a música pop mais acessível também pode ser consistente, ousada e soar atual, após 25 anos. O A-ha é muito mais do que apenas Take On Me.

Veja o clipe de I’ve Been Losing You, do A-ha:

Veja o clipe de Cry Wolf, do A-ha:

Morten Harket mostra força sem o A-ha

Por Fabian Chacur

No fim de 2010, o A-ha fez o último show do que denominaram sua turnê de despedida. Com milhões de cópias vendidas de seus álbuns e shows lotados pelo mundo afora, o grupo encerrou a carreira em alta, após quase 30 anos de estrada.

O vocalista do consagrado trio norueguês, Morten Harket, já havia lançado trabalhos solo em inglês anteriormente, respectivamente Wild Seed (1995) e Letter From Egypt (2008). Agora, chega a vez de Out Of My Hands, que a Universal Music acaba de lançar por aqui.

O repertório de 10 músicas certamente agradará ao fã de sua ex-banda, pois Morten investe de forma bastante competente no pop eletrônico repleto de teclados e boas melodias que marcou o A-ha. Além disso, sua voz continua ótima, algo que se torna bem claro durante cada nova canção, quando procurou explorar novos nuances e linhas melódicas.

O álbum inclui vários momentos elogiáveis. When I Reached The Moon, por exemplo, é um pop rock energético que soa como inevitável hit, com vigor e ótimo refrão daqueles que te cativam logo de cara. O single Lightning também equivale a um bom exemplo de como se fazer pop eletrõnico acessível sem cair na vala comum da música descartável.

A sacudida Scared Of Heights, do cantor e compositor norueguês Espen Lind e a ótima faixa título também agradam em cheio. A surpresa fica por conta de Listening, canção assinada por Neil Tennant e Chris Lowe, dos Pet Shop Boys, contemporâneos de anos 80. Essa bela balada conta com Tennant nos backing vocals e também tem cara de sucesso.

Honesto, bem gravado e com ótima seleção de músicas, Out Of My Hands é a prova concreta de que Morten Harket tem tudo para sobreviver com categoria em termos artísticos e comerciais ao fim do A-ha. Ele, por sinal, fará shows no Brasil em setembro, com datas agendadas para o Rio (22), São Paulo (26) e Belo Horizonte (23).

Ouça Listening, de Morten Harket:

DVD mostra A-ha se despedindo com classe

Por Fabian Chacur

O A-ha foi certamente a banda pop norueguesa mais bem-sucedida de todos os tempos. O trio conseguiu emplacar hits e mais hits no Reino Unido, Europa, Ásia e América Latina, especialmente por aqui, onde cansaram de lotar shows e vender discos.

Em 2010, o trio integrado por Morten Harket (vocal), Magne Furuholmen (teclados) e Pal Waaktaar-Savoy (guitarra) resolveu colocar um ponto final em sua trajetória, que então passava dos 25 anos de estrada.

E os caras resolveram nivelar a coisa por cima. Após uma turnê que passou por vários países, Brasil incluso, eles fizeram seu último show no dia 4 de dezembro de 2010 no Spektrum, em Oslo, sua cidade natal.

O registro desse show chega agora às lojas brasileiras nos formatos DVD, Blu-ray e CD, com o título Ending On a High Note- The Final Concert, pela Universal Music. Que despedida digna!

A qualidade técnica do espetáculo é sensacional, com direito a megatelão, som com mixagem impecável, efeitos visuais bem bacanas e captação de áudio e vídeo com direito a requintes cinematográficos.

O repertório inclui 20 músicas extraídas das várias fases da banda e pode ser considerado perfeito. Sucessos como Touchy! e You Are The One ficaram de fora, mas dificilmente alguma das músicas que estão no set list poderiam dar lugar a elas.

Com a participação de dois ótimos músicos de apoio no show, o trio investiu em versões fiéis às gravações de estúdio, mas com uma garra impressionante incorporada.

A bela voz de Morten Harket continua impecável, com direito àqueles agudos certeiros aqui e ali, enquanto os parceiros Mags e Pal lhe dão total apoio o tempo todo.

O público cantando junto os refrãos de Hunting High And Low e The Living Daylights arrepiam, assim como as obras-primas pop Cry Wolf, I’ve Been Losing You, Take On Me, The Swing Of Things e The Sun Always Shine On TV, só para citar algumas.

Alguns flagrantes no público mostram pessoas com faixas e bandeiras de países como Alemanha, França e Brasil, que denotam fãs que tiveram a manha de viajar até a distante Noruega para ver o show derradeiro de sua banda favorita.

Ending On a High Note equivale ao registro de uma despedida com classe do A-ha. E fica a curiosidade: porque será que nos EUA eles só conseguiram emplacar um único sucesso, Take On Me, sendo conhecidos por lá como one-hit-wonder? Será que faltou divulgação por lá?

Pois com tantas músicas boas no repertório do A-ha que estouraram em tantos outros países, só isso poderia explicar resultado tão ínfimo no maior mercado do mundo. Azar deles!

Veja documentário sobre o show final do A-ha em Oslo:

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