Mondo Pop

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Pedro Batistélla capricha bem no formato físico em 1º álbum

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Por Fabian Chacur

Em uma época na qual muita gente opta por não lançar seus trabalhos no formato físico, Pedro Batistélla navega na contramão e nos oferece Lúcido, seu primeiro álbum, no formato CD. Com direito a embalagem digipack, encarte com letras e informações sobre as gravações e tudo o que o fã mais minucioso tem direito. “Amo o formato físico, sou muito ligado a essa parte visual do CD, das fichas técnicas, era importante nesse momento da minha carreira fazer um disco físico”, justifica.

Com distribuição a cargo da Tratore e também disponível nas plataformas digitais, o trabalho de estreia deste cantor e compositor nascido em Bebedouro (SP) e desde 2010 radicado em São Paulo (SP) selecionou as 8 faixas do disco em um universo de 40 composições. “É um disco mais orgânico e muito pessoal, o meu cartão de visitas; é muito sentimental, com melancolia, mas com um pouco de esperança, uma espécie de pop orquestral”, define o artista.

Um dos destaques do álbum, extremamente bem produzido e com uma sonoridade consistente que reporta à chamada nova MPB, pop internacional, r&b e até jazz, fica por conta da parceria com Roberta Campos na faixa Recomeçar de Vez, na qual ela também marca presença cantando. “Demoramos um oito meses para finalizar essa parceria. Ela adorou a melodia que eu mandei e fizemos essa parceria; ela tem uma emoção muito verdadeira em sua voz e trabalho”.

O disco poderia ter tido uma participação mais do que especial, a da estrela americana de r&b Macy Gray, mas isso não teve como ser concretizado por questões burocráticas e financeiras, segundo Pedro. “Conheci ela em 2014 no backstage de um show aqui no Brasil, e em agosto de 2015, fiquei dois dias no estúdio com a Macy, durante as gravações do CD The Way-Deluxe Version; ela me mandou depois uma carta com três páginas me incentivando”.

No momento, Batistélla prepara o show de divulgação do disco, adaptando-o para os palcos. “O estúdio é um ambiente controlado, enquanto o ao vivo é novidade para mim, pois já fiz shows, mas não com o meu trabalho autoral”, explica. Além da canção gravada com Roberta Campos, ele também está divulgando Todo Dia nessa fase inicial de lançamento do CD. “Acho que é uma canção mais solar, mas adequada para abrir a divulgação do álbum”, justifica.

Recomeçar de Vez– Pedro Batistélla e Roberta Campos:

Bronca do pai no filhinho gera bruxinha totalmente do bem

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Por Fabian Chacur

Pode uma bronca descabida de um pai em seu filho por causa de uma brincadeira gerar, posteriormente. um projeto que começa a encantar crianças e adultos em todo o Brasil? Pois foi essa a sementinha que permitiu a criação de Bruxinha Catarina, lançado em DVD com distribuição da Universal Music.

Criado pelo advogado Paulo Roberto Maluna com o apoio do Cafundó Estúdio Criativo e da Elephant Produções, o DVD traz 14 músicas ilustradas por clipes com um divertido elenco de personagens liderados pela Bruxinha Catarina, uma bruxinha bonita e do bem que só anda de patinete e que curte brincar com todos.

Saiba tudo sobre essa promissora criação em entrevista concedida a Mondo Pop por Paulo Roberto Maluna via e-mail:

Mondo Pop- O projeto de Bruxinha Catarina era inicialmente ser apenas um DVD para os seus filhos. Como surgiu essa ideia, de suas brincadeiras com eles? E o personagem Bruxinha Catarina, como foi criado?
Paulo Roberto Maluna
– Num certo dia, estressado com algumas situações da minha profissão de advogado, retornava do trabalho com meu filho mais velho, Matheus, que vinha brincando de Harry Potter no banco de trás do carro. Incomodado com o barulho de sua brincadeira, dei-lhe uma bronca dizendo-lhe que parasse com aquilo,já que ele já tinha 8 anos e que sabia que mágica não existia. Ele me olhou pelo retrovisor e disse que mesmo sabendo que aquilo tudo não existia de verdade, ele gostava porque era criança e brincar de faz-de-conta lhe deixava feliz.
Na mesma hora eu voltei à razão e pedi perdão a ele tentando convencê-lo que eu só havia feito aquilo pois estava estressado com o trabalho e que não tinha nada a ver com ele.
Chegando em casa, pensando naquela bronca descabida do carro, sentei em frente ao computador e comecei a tentar me desculpar de uma forma mais jeitosa, ou seja, com coisas que ele gostava. Foi ai que criei a primeira música. No dia seguinte, fui logo tratando de contar pra ele e para os irmãos a novidade. Para minha surpresa todos gostaram da canção. Na noite seguinte, mais uma vez à frente do computador, escrevi outras músicas e criei a história de três irmãos (meus três filhos, Matheus, Lucas e Natália), que descobriram, juntamente com seu cachorro Pinguinho, que no fundo do quintal da casa onde moram há um portal mágico que leva para um lugar chamado Vale Encantado. Nesse vale existe uma linda bruxinha de nome Catarina, que não usa vassourinha, só voa de patinete, tem um chapéu pontudo e uma varinha de confete. Usa vestidinho colorido e suas palavrinhas encantadas são: com licença, por favor e muito obrigada.
Foi dessa forma que surgiu a ideia da Bruxinha Catarina. Sem pretensão de torna-la um produto comercial, mas sim uma singela forma de um pedido de desculpas de um pai arrependido para um filho amado.

Mondo Pop- Quando você apresentou o projeto à produtora Cafundó, ele já tinha esse formato de 14 músicas ou essa cara foi se desenvolvendo a partir do envolvimento entre vocês, criador e produtoras (Cafundó e Elephant)?
Paulo Roberto Maluna
– Quando procurei o estúdio Cafundó já tinha muito mais de 14 músicas, porém cheguei meio envergonhado em mostrar o que havia feito. Mas como meus filhos gostaram das músicas e da história, tomei coragem e contei o que eu queria. Inicialmente meu objetivo era produzir um DVD de animação para eles. De repente, quem sabe lá na frente, em um de seus aniversários, passar num telão como forma de homenageá-los e deixa-los orgulhosos do pai que fez um DVD deles, para eles. O estúdio viu potencial e começamos a amadurecer juntos o projeto. Então, criei o meu próprio estúdio (MALUNA Produções, que é a junção das iniciais dos meus três filhos) e comecei a estudar um pouco mais sobre o que estava propondo como meta pessoal, parei de advogar inclusive para me dedicar ao projeto. A chegada do Junior Rios (Elephant Produções) no projeto foi um presente de Deus. Além de nos tornarmos grandes parceiros de trabalho, viramos grandes amigos. Tenho a honra de ter um amigo tão especial quanto esse cara.

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Mondo Pop- O estilo dos desenhos de Bruxinha Catarina tem um estilo meio retrô e vintage. Isso foi proposital?
Paulo Roberto Maluna
– Quando decidi por em prática o projeto tinha uma ideia bem delineada de como queria as personagens, mas não sabia se cairia no gosto da criançada.
Foi então que me ocorreu uma ideia simples, porém pontual para resolver essa situação. Pedi autorização na escola dos meus filhos para que as crianças na faixa etária de até 8 anos fizessem alguns desenhos de como eles imaginavam que seria uma bruxinha do bem que voasse de patinete. Afinal, o projeto é para criança e nada mais justo de deixa-los no comando. Os elementos que eles trouxeram foram ao encontro do meu pensamento. Ocorre, entretanto, que não sou desenhista e explicar para os profissionais a forma que eu imaginava, mesmo com todos aqueles elementos materializados foi desafiador. A partir dos primeiros desenhos, a equipe encaixou o trabalho e o que eu pedia, era como se entrassem em meu pensamento e visualizassem minhas ideias.

Mondo Pop- A utilização das expressões “com licença”, “por favor” e “muito obrigado” como mágicas foi uma sacada bem interessante. Quando você pensou nisso? Trata-se de inspiração da cultura oriental? De onde veio a ideia?
Paulo Roberto Maluna
– Quando criei a primeira música e a história, as palavras “mágicas” já foram incorporadas nos encantos da Catarina, uma bruxinha do bem cuja maior vocação é ajudar a todos que precisem de auxilio.
Tais palavras mágicas, também, sempre fizeram parte de forma lúdica do vocabulário dos meus filhos. Sempre tive como objetivo para eles uma educação pautada no respeito e valores, um legado que recebi da minha mãe, avó e tias e sempre passei a diante como norte a ser seguido em suas vidas.

Mondo Pop- Atualmente, as crianças estão cada vez mais envolvidas com videogames, internet e alta tecnologia. O seu projeto é bem mais lúdico e educacional. Como as crianças tem reagido a Bruxinha Catarina?
Paulo Roberto Maluna
– Tivemos uma experiência maravilhosa de um parque itinerante em uma rede de shoppings com bases/atividades pensadas exclusivamente com brincadeiras lúdicas. Não que eu não ache importante a tecnologia. Muito pelo contrário. Uma atividade que temos é uma caixa holográfica, onde a pessoa entra (criança ou adulto), e através de um programa de computador é confeccionado o seu próprio holograma para celular ou tablet. Porém, quando idealizei o parque, e fiquei algumas madrugadas acordado pensando em sua dinâmica, tentei buscar algo que foi a essência do nascimento do projeto, ou seja, um momento de pai/mãe e filho. Olho no olho, rir com a alegria dos pequenos, um momento de descontração no qual os adultos voltam a ser criança para brincar com seus filhos. Então no parque tem bases que retratam a personalidade das personagens do projeto no qual, por exemplo, no centro esportivo do Lucas, o pai/mãe joga minigolfe com a criança. Torce quando eles conseguem, pedalando em uma bicicleta, acender a varinha de confete da bruxinha. Plantam a sementinha mágica no ateliê da Natália e após aprenderem o ciclo de germinação da planta e falar as palavrinhas mágicas da bruxinha, brota de dentro do vaso uma linda flor. Brincam de experimentos científicos no laboratório do Matheus. Confeccionam juntos instrumentos musicais com materiais reciclados no palco da banda da Dona Cigarra. Assistem um vídeo na autoescola do Vale encantado onde aprendem regras básicas de transito, saem em um percurso dentro do Vale com um jipe elétrico e, ao final, ganham a carteirinha de habilitação do Vale Encantado. Além de outras atividades onde os pais participam com seus filhos. Para minha grata surpresa, presenciei algumas vezes crianças de até 12 anos curtindo o parque e as personagens. Inclusive muitos adultos paravam para tirar fotos com a Bruxinha Catarina, Matheus, Lucas, Natália, Ratinho Encrenqueiro, e o cachorro Pinguinho. Emocionei-me quando vi uma senhora de mais de 80 anos sentada em uma cadeira de rodas chamando as personagens e perguntando se podia tirar uma foto com eles também.

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Mondo Pop- Em termos musicais, Bruxinha Catarina é bem eclético, com música pop, rock, reggae, forró e baladas. Essa versatilidade era buscada desde o início ou acabou ficando assim?
Paulo Roberto Maluna
– Isso foi a nossa meta para contemplar um maior número de crianças, pais, mães, avós, padrinhos, madrinhas, tios, tias, enfim, deixar agradável para os ouvidos e gostos de crianças de todas as idades, desde as de 0 até as de 100 anos.

Mondo Pop- Como foi que surgiu a Universal Music nesse projeto, e como essa parceria está sendo realizada? Distribuição, divulgação? Dê-me mais detalhes, por favor.
Paulo Roberto Maluna
– Mandei o material para a Universal pelo sac da empresa e após 30 dias entraram em contato com o estúdio Cafundó. Então eles me ligaram avisando. Confesso que fiquei meio desconfiado, não acreditando muito, vez que a forma que utilizei para apresentar meu produto não foi a mais convencional. Porém foi a única que apareceu na oportunidade. Hoje a Universal Músic tem os direitos de distribuição e divulgação dos clipes do DVD vol. I, por um período contratual de 8 anos, além dos próximos trabalhos a serem desenvolvidos nesse formato.

Mondo Pop- Como se trata de um projeto um pouco diferente do habitual, como você está fazendo a divulgação deste DVD? Usam “faixas de trabalho”? Tentam participação em programas de TV?
Paulo Roberto Maluna
– Sem sombra de dúvidas a parceria com a Universal está dando mais visibilidade à marca. Estamos elaborando, juntamente com a Universal e escritórios especializados em marketing, algumas estratégias e ações de divulgação que serão lançadas em breve nas redes sociais e em pontos estratégicos tais como lojas, escolas, shoppings, e programas de TV. Por ser um DVD com músicas bem ecléticas, não pensamos em uma música específica de trabalho. O que tenho em mente é a alegria de cada um com a música que mais goste. Isso me deixa extremamente lisonjeado. Saber que em algum lugar tem uma criança cantando uma música que fiz para meus filhos e, imaginar que essa canção possa se perpetuar para outras gerações, é algo extremamente gratificante.

Mondo Pop- Vários desses projetos destinados ao público infantil acabam ganhando desdobramentos, do tipo show ao vivo, produtos para licenciamento (brinquedos, camisetas etc). Como está Bruxinha Catarina nesse sentido?
Paulo Roberto Maluna
– Atualmente a Bruxinha Catarina tem o DVD, e o parque itinerante, que voltará a circular pelo Brasil a partir do segundo trimestre de 2017.
Estamos formalizando algumas parcerias para fortalecer a marca e expandi-la. Nossa meta é tornar a marca Bruxinha Catarina um referencial no mercado infantil, não apenas com o objetivo de entreter, mas também de divertir e ensinar, além de proporcionar momentos de felicidades nas famílias.
Obviamente que as coisas, com a visibilidade que a marca está ganhando, começam a acontecer e o resultado financeiro será uma consequência natural do processo. Mas chegar em casa e partilhar com meus filhos um momento especial de nosso sonho, seja uma entrevista, uma nota em um jornal, site ou qualquer outro tipo de veiculação, e ver os olhos deles brilhando é algo que dá uma satisfação inenarrável.

Mondo Pop- A Bruxinha Catarina é uma bruxa que subverte o conceito que normalmente gira em torno desse tipo de criatura. Como surgiu essa ideia?
Paulo Roberto Maluna
– Hoje, com o fenômeno de vendas chamado Harry Potter, esse “conceito” já não é tão arraigado no pensamento das pessoas. Não bastasse isso, as feições da personagem, suas características psicológicas e suas palavrinhas mágicas, aliadas a sua roupa colorida e divertida, bem como a novidade que ela não voa de vassourinha só de patinete, é um convite lúdico para toda família conhecer a história dessa pequena bruxinha.
Quando pensei em me desculpar com meu filho mais velho da bronca do carro, não hesitei em contextualizar a bronca com o que ele me falou: “Eu sei que não existe de verdade, mas brincar de faz-de-conta me deixa feliz”. Foi aí que surgiu a ideia da pequena bruxinha. Hoje, quando paro pra criar alguma coisa, eles estão sempre perto de mim e são as primeiras pessoas a me darem o parecer.
Tenho uma peça escrita que começará a circular nos teatros de todo o Brasil, e quando terminei de escrever o texto, fiz uma noite de colchão na sala. Coloquei os três deitados, rezamos como todas as noites, e ao invés de ler uma história, tratei de ler o texto. Tinha hora que chorávamos de tanto rir com as piadinhas da peça.
Poder ter sido agraciado por Deus com a dádiva de ter esses três professores (Matheus, Lucas e Natália) em minha vida é algo que vou agradecer para toda a eternidade. Ter a oportunidade de passar mais tempo com eles, acompanhando seus respectivos desenvolvimentos, criando com eles e para eles histórias do nosso cotidiano dentro do Vale Encantado da nossa pequena bruxinha é algo que extrapola o termo trabalho tornando-o realmente uma brincadeira. Só posso agradecer sempre por eles terem resgatado a criança que existia adormecida dentro de mim e terem me inspirado na criação dessa história divertida.

Mondo Pop- Qual faixa etária é o alvo principal de Bruxinha Catarina

Paulo Roberto Maluna-Crianças de até 6 anos.

Bruxinha Catarina– Bruxinha Catarina (clipe):

Danilo Caymmi relê com pura classe a obra de Tom Jobim

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Por Fabian Chacur

A carreira discográfica de Danilo Caymmi começou em um disco do seu pai, Dorival Caymmi, o antológico Caymmi Visita Tom (1964). Nele, teve a primeira oportunidade de trabalhar com Tom Jobim. Era o início de uma parceria que se estreitaria a partir de 1983, quando o flautista e cantor passou a integrar a Banda Nova, que acompanhou o Maestro Soberano em discos e em inúmeros shows pelo Brasil e pelo mundo.

Tom foi decisivo na carreira de Danilo, ao incentivá-lo não só a cantar, mas como a assumir a tonalidade natural de sua voz. O artista carioca que completará 69 anos no próximo dia 7 de março faz uma bela viagem no universo de seu mentor no CD Danilo Caymmi Canta Tom Jobim, que acaba de ser lançado pela Universal Music.

A capa do CD possui uma diagramação que lembra a dos álbuns Tide e Wave, do homenageado. A faixa Estrada do Sol traz uma belíssima participação especial da cantora americana Stacey Kent. Em deliciosa entrevista exclusiva concedida por telefone a Mondo Pop, ele fala do disco, do seu relacionamento com Tom e muito mais.

Mondo Pop- A primeira gravação da sua vida foi no álbum Caymmi Visita Tom, gravado por seu pai com a participação de Tom Jobim. Quais as recordações que você tem dessa experiência?
Danilo Caymmi– Meu pai era muito amigo do Tom. A ideia desse disco surgiu do produtor Aloysio de Oliveira. Lembro que eu estava mais preocupado com a prova de Química que faria (risos). Tocava flauta há poucos meses, era muita responsabilidade, o Dori e a Nana (seus irmãos, que também participaram do álbum) também eram muito novos. A gravação de Saudade da Bahia tem um contracanto do Tom incrível. Ele respeitava muito o meu pai. Esse disco contou com grandes músicos, é um trabalho maravilhoso.

Mondo Pop- Como surgiu a oportunidade de você entrar na Banda Nova, que se tornou o grupo de apoio do Tom a partir de 1983?
Danilo Caymmi
– O Tom estava meio parado no Rio, e foi chamado para fazer um show na Áustria, na cidade de Viena. O Paulo Jobim, seu filho e meu amigo, me chamou para participar da banda que iria acompanha-lo nessa apresentação. Durante os ensaios, o Tom me convidou para cantar A Felicidade e Samba do Avião, como solista. Fui até estudar canto.Já havia lançado um LP solo (Cheiro Verde, em 1977), mas usava falsete. Foi com a Banda Nova que assumi o meu verdadeiro tom de voz.

Mondo Pop- Qual o critério que você seguiu na seleção das 11 músicas que estão em Danilo Caymmi Canta Tom Jobim?
Danilo Caymmi
– Acho que esse é provavelmente o melhor disco que gravei em minha carreira, é o mais trabalhado, um mergulho profundo na obra do Tom. O critério de escolha das canções foi puramente afetivo. Ele gostava muito de vocais. Fiz de uma forma que ele gostasse. Por Causa de Você eu ouço desde garoto. Eu participei da gravação original de Chora Coração. Querida eu vi ele fazer, ele não terminava nunca. Quando a finalizou, eu mostrei para o produtor Mariozinho Rocha no viva voz, e acabou entrando na abertura da novela O Dono do Mundo (1991). E Tema Para Gabriela tem a citação da música do Papai, Modinha Para Gabriela.

Mondo Pop-Fale um pouco sobre a concepção sonora do seu CD.
Danilo Caymmi
– O Flávio Mendes se incumbiu dos arranjos. Não é um repertório fácil, são canções minimalistas e complexas. E não tem nem bateria e nem piano, o disco traz eu na voz e flautas, o Flávio no violão e o Hugo Pilger no violoncelo. Inclusive, penso em fazer o show de divulgação com esse mesmo formato, espero concretizar ainda esse ano.

Mondo Pop- Era impressionante a simplicidade do Tom Jobim. Quem teve a chance de conhece-lo não imaginaria o tamanho de sua importância, se levarmos em conta esse desapego à frescura. Como você avalia isso?
Danilo Caymmi
– Essas pessoas mais geniais, como o meu pai, o Tom, o Vinícius de Moraes, eram muito simples. Eles sabiam que não precisavam provar nada a ninguém. A arrogância não passava por esse povo. Aprendi isso com eles. A gente sabe que tem de ser acessível, de respeitar o caminho, é importante saber que são as pessoas que nos possibilitam uma carreira.

Mondo Pop- Os formatos musicais mudaram muito desde o começo de sua carreira. Vinil, fita cassete, CD, agora streaming. Como você lida com isso?
Danilo Caymmi
– Eu vejo que os formatos musicais vão e voltam. No fim das contas, tudo se ajeita. Sempre foi muito ligado à tecnologia. Hoje é o streaming, não é nada linear. Estamos em meio a uma revolução, e é importante saber se adaptar aos novos formatos.

Mondo Pop- Você usa as redes sociais para divulgar seu trabalho e dialogar com os fãs?
Danilo Caymmi
– Uso muito o Facebook. Até criei por lá umas aparições eventuais ao vivo que apelidei de TV Dendê que sempre dão um ótimo retorno. Isso me aproximou mais do público. Gosto muito do bom humor, de uma relação mais próxima com os fãs.

Mondo Pop- Você deve ter centenas de histórias legais para contar das suas viagens com o Tom. Conte uma delas.
Danilo Caymmi
– Uma coisa muito engraçada ocorria nas entrevistas no exterior. Sempre perguntavam a ele o que era a bossa nova, e toda vez ele vinha com uma resposta diferente. Duas delas são bem divertidas: bossa nova é “euforia controlada” e “Guerra de guerrilhas”. (risos)

Ouça a gravação de Querida, com Danilo Caymmi:

Marcelo Archetti e a parceria digital com a Universal Music

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Por Fabian Chacur

Com 25 anos de idade e natural de Pato Branco (PR), Marcelo Archetti acaba de inaugurar uma parceria com a Universal Music com o lançamento do single digital Sei Lá. O cantor, compositor e músico teve passagem de destaque na 4ª edição do programa The Voice Brasil. Com sua mistura de rock, pop e MPB, ele surge como uma das boas promessas da música brasileira atual. Leia entrevista feita por Mondo Pop via e-mail com Archetti.

MONDO POP- O que te levou a relançar o single Sei Lá, que já havia sido lançada em 2015? Sentiu que a canção tinha potencial para uma divulgação maior, ou poderia mesmo ser um bom cartão de apresentação nessa sua nova parceria com a Universal Music?
MARCELO ARCHETTI
– Sua pergunta já explicou toda a minha resposta. Foram exatamente esses dois fatores que me levaram a relançar Sei Lá. Primeiro, porque ela funcionou bem num micro espaço onde eu já divulgava minhas músicas: na minha região, na cidade onde nasci, Pato Branco, no Paraná e também em todo o estado do Paraná e na região sul do país.Senti que faltava um pouco mais de divulgação no resto do Brasil para que ela conseguisse alcançar mais publico. A música ainda não havia sido apresentada para o grande publico e ela, como você falou, é um ótimo cartão de visita: Por ela ser alegre, fácil de se conectar com as pessoas, letra fácil, e um apelo brincalhão.

MONDO POP- Você integrou duas bandas (Stereotapes e Clappers) antes de optar pela carreira-solo. Fale um pouco de como foram essas duas experiências, e o que te levou a seguir carreira individual.
MARCELO ARCHETTI
– Sim, participei de duas bandas que foram basicamente a mesma banda, só que uma em Pato Branco, onde comecei minha carreira musical, e a outra em Curitiba. Mudamos apenas um integrante: Em Pato Branco, tinha um baixista e em Curitiba, outro. Foram experiências ótimas, mas para mim a dinâmica entre ter uma banda e ter uma carreira solo é bastante diferente porque lá existe uma divisão de tarefas muito maior, e também muitas facilidades de você se lançar como uma banda. Não é o seu nome que está em jogo. Por mais que você seja o front man, todo mundo ali é protagonista. Então, existe uma diferença muito grande nesse sentido, inclusive para fazer show.

MONDO POP- Então, partir para a carreira-solo tinha mais a ver com o seu projeto musical?
MARCELO ARCHETTI
– Quando se tem uma carreira-solo e você opta por músicas produzidas que tenham bateria, baixo e guitarra, você acaba tendo que montar uma estrutura de show para te acompanhar. A dinâmica entre as duas experiências é bastante diferente. Optei pela carreira-solo principalmente pela liberdade de poder fazer o trabalho da forma como eu gostaria, como eu idealizava, e de poder moldar as musicas para a melhor forma de cantar. Com a banda, você acaba se tornando um pouco refém do estilo de cada um dos integrantes. Lá, sentia que estava começando a desgastar a minha voz, a fazer coisas que eu sentia que não eram minha identidade. Pensei: poxa, tenho meu estilo muito mais bem definido para estar numa banda. Então, optei em seguir carreira-solo para trazer um universo Marcelo Archetti para as pessoas.

MONDO POP- O clipe de Sei Lá é bastante criativo e simples, ao mesmo tempo. Como surgiu a ideia de homenagear com ele o Dia do Sorriso e como foram arregimentadas todas as pessoas que participaram dele? Quanto tempo demorou para serem captadas todas essas imagens e para finalizar o vídeo?
MARCELO ARCHETTI
– Essa ideia surgiu por acaso, numa produtora de Curitiba chamada Arquiteto e Cinema. O pessoal da Arquiteto tinha dois vídeos para teste e um deles era intitulado “Familiares”. Todos eles estavam sérios. Tinha outro vídeo que todos sorriam e isso provocava outra reação em quem assistia. Quando vi esses vídeos pensei logo: Poxa, que ótima ideia! E se aproveitássemos as duas no mesmo clipe?”. A Sei Lá tem uma virada, tem uma parte que entra a bateria, o baixo, depois um solo de piano em que muda mais ainda o humor dela dentro da própria música. O pessoal da produtora se apaixonou pela ideia. Na época, a faixa de trabalho não seria essa, mas eles me propuseram a gravar esse clipe e foi tudo muito rápido e divertido. Fizemos tudo em quatro dias (concepção, edição, chamar voluntários, amigos e familiares, músicos etc) e começamos a divulgar na internet. Passamos dois dias incríveis captando risos, e acho que isso ficou impresso no clipe.

MONDO POP- Você lançou três EPs solo, e agora está lançando um single. Como encara atualmente a forma de se lançar música? Pensa em lançar um álbum no formato tradicional? Esses EPs saíram de forma independente? Você tem algum lançamento em formato físico? Pretende explorar esse rumo também (CDs, LPs etc)?
MARCELO ARCHETTI
– Como costumo falar nas entrevistas, é um caminho sem volta hoje em dia. Porque facilitou muito o acesso das pessoas, você não ter mais a obrigação de carregar um CD, vinil ou fita para ouvir um trabalho. Acho que o lançamento digital tem um alcance muito grande. A internet é muito democrática, então favorece todo o artista que tenha um material de qualidade, que tenha uma carreira na música, que possa postar coisas e o publico receber, como antes não podia. Acho muito interessante priorizar esse tipo de lançamento. A grande questão, ao meu ver, é saber trabalhar: Ao mesmo tempo que todo mundo posta, também a concorrência é grande. Tenho planos, sim de fazer um lançamento físico no futuro. Também quero sentir como é comprar um CD, ter na sua casa uma capa, uma arte. Preocupo-me muito com a capa. Acho que é uma apresentação muito bonita e gostaria de sentir isso, mas é um plano lá pra frente. O foco agora é o digital. Coloquei uns trabalhos na internet. Tenho outras músicas prontas.

MONDO POP- Você gravou um EP em inglês e dois em português, com produtores diferentes. Existe uma diferença nas duas abordagens, em termos musicais? O que te levou a fazer essa escolha?
MARCELO ARCHETTI-
Existe, sim, uma diferença: a própria forma de compor em inglês é diferente de se compor em português, bem como a forma de se expressar cantando. E a opção por dois profissionais acontece por eu gostar muito de me reinventar. Às vezes, corro riscos por ter medo de parecer obvio ou de não conseguir me transformar ao longo da minha carreira. Apesar de estar só começando, acho legal me impor esse desafio de querer me reinventar musicalmente.

MONDO POP- Fale um pouco sobre como foi trabalhar com Alexy Viegas e com Maycon Ananias.
MARCELO ARCHETTI
– Para o EP em inglês, contei com o produtor Alex Viegas. Ele trabalhou com bandas bem legais, mais atuais, mais pop. E ele trouxe um “quê” mais comercial, muito interessante para essas músicas. Para o EP em português, contei com o Michel Ananias, que é um baita produtor. Ele trabalhou com Tiago Iorc e Maria Gadú, e tem outra abordagem completamente diferente, mais refinada, mais elegante. Claro que os dois discos, apesar da abordagem diferente, tem o fio condutor que é a minha voz, a minha forma de cantar e compor.

MONDO POP- Quais são as suas principais influências em termos musicais, e como você define, de forma geral, o som que faz?
MARCELO ARCHETTI
– O meu som passeia por alguns estilos como pop-rock, MPB, folk, e existe até um pouco de pitadas indie. Gosto bastante de acompanhar as bandas atuais. Minhas grandes referências são as bandas britânicas, principalmente da década de 1960, porque acho que elas têm um refinamento, uma elegância muito grande na forma de composição, na forma de cantar, nos arranjos. Sinto que ainda existe um pouco de espaço para fazer isso no Brasil. Misturar isso com a brasilidade. Procuro fazer isso nos meus trabalhos. Como referências específicas: o grande compositor, que mais admiro na musica pop, é o Paul McCartney. Pra mim, ele é uma lenda viva. Eric Clapton também me inspira bastante. Noel Gallagher, ex-Oasis. Aqui no Brasil: Caetano Veloso, Chico Buarque, Los Hermanos, Skank…São minhas influencias

MONDO POP- Como foi participar do The Voice Brasil?
MARCELO ARCHETTI-
A experiência foi fantástica do inicio ao fim. Todo esse processo de participar, de enviar material, de ser chamado até conseguir cantar, mesmo, trouxe um enorme aprendizado para a minha carreira. Foram lições diárias de como se tornar um artista melhor. Porque ali você está em contato com músicos do Brasil inteiro, de diversas áreas musicais, de estilos diferentes, e conhece produtores que fazem a música de hoje e ouvir deles o que você tem de bom, de ruim, o que pode melhorar… Todo esse processo foi de grande valia para mim. Procuro não me ater ao fato de ter ficado pouco tempo no programa, porque eu acho que não é isso que iria definir se eu fui bem ou mal. Foi ótimo para as pessoas me conhecerem, se identificarem com o meu estilo; E abriu portas para que eu tocasse minha carreira a partir de agora com as músicas autorais.

MONDO POP- Fale sobre seus próximos projetos. Pretende divulgar sua música com shows? Tem uma banda de apoio formada?
MARCELO ARCHETTI-
Os próximos passos são, primeiro, continuar trabalhando muito forte na divulgação das minhas músicas. Acabei de lançar o EP. Estou muito feliz com tudo que está acontecendo. Na sequência, partirei para a rotina de shows, e também continuar gravando novos materiais. Já tenho nove músicas prontas para serem trabalhadas, e com certeza teremos lançamentos no futuro. Enfim, munir as pessoas com novas músicas através da internet ou shows.

Veja o clipe de Sei Lá, com Marcelo Archetti:

Bruna Viola lança seu 1º DVD e se firma na música sertaneja

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Por Fabian Chacur

Em 2009, Bruna Viola apareceu em cena da novela global Paraíso. Desde então, a carreira dessa cantora e violeira de Cuiabá (MT) só tem progredido. Após o sucesso de seu primeiro álbum pela Universal Music, Sem Fronteiras (2015) (leia mais sobre ele aqui ), a garota de 23 anos nos apresenta o seu primeiro DVD, Melodias do Sertão, também lançado em CD (com diferente sequência de faixas, sendo cinco a menos do que no DVD, que tem 20, contra 14 do CD). Simpática e articulada, ela falou com Mondo Pop sobre a fase atual da carreira, seus show nos EUA em maio etc.

MONDO POP- Como você avalia essa sua primeira turnê pelos EUA, com shows por cidades como Orlando, Everett e Newark? E como foi a reação do público em relação à sua música?
Bruna Viola
– Foi uma experiência única, maravilhosa, do público ao contratante. Tanto que querem me levar de novo para lá no ano que vem. Confesso que tive medo, mas vi que o público de lá sente falta dos “modão”, tinham sede para ouvir esse tipo de música. Foram seis shows, um mais emocionante do que o outro, teve muito choro de saudade. E fui muito bem recebida, eles são bem rígidos com horários por lá, mas gostei muito, teve muita emoção.

MONDO POP- Você gravou o DVD no Villa Country, em São Paulo. Fale um pouco sobre o porque da escolha desse espaço para o registro, e também de como foi essa experiência.
Bruna Viola
– A recepção do público no Villa Country foi acima do esperado. Estava todo mundo “traiado”, de chapéu. É uma mega casa sertanejona, o lugar ideal para gravar um DVD, e São Paulo é central para tudo. Vieram fãs do Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais… E todos tiveram toda a paciência do mundo durante as gravações.

MONDO POP- Qual era a sua ideia em termos musicais, quando planejou a gravação deste DVD?
Bruna Viola
– Minha ideia é que o DVD tivesse a mesma pegada do CD Sem Fronteiras, com músicas de raiz e também o meu lado romântico aparecendo. Gosto de outros estilos musicais, mas o sertanejo de raiz está sempre em primeiro lugar para mim.

MONDO POP- Como surgiu a ideia de regravar Tô Fazendo Falta, que fez muito sucesso com a cantora Joanna nos anos 1990?
Bruna Viola
– Eu queria regravar uma música marcante que não fosse sertaneja, e o Cesar Menotti me sugeriu Tô Fazendo Falta. Essa música marcou uma época, e procurei dar a minha cara a ela.

MONDO POP- E já que você falou no Cesar Menotti, ele e seu parceiro Fabiano participaram do DVD, eles que já haviam marcado presença no Sem Fronteiras. Como surgiu essa parceria entre vocês?
Bruna Viola
– Conheço o Cesar Menotti desde que eu tinha 13 anos de idade e fui ver um show dele. A amizade nasceu ali mesmo. Ele fez Se Você Voltar para o CD Sem Fronteiras. No DVD, a gente canta ao vivo essa música e também Rio de Lágrimas (Rio de Piracicaba) (n.da r.: esta última incluída só no DVD).

MONDO POP- No seu site oficial, você cita como suas cantoras favoritas Shakira, Paula Toller e Sandy, todas fora do universo sertanejo. Você sente influências delas no seu trabalho?
Bruna Viola
– Essas três cantoras me influenciaram e me influenciam muito, pois minha viola caipira é toda modernizada. Sou bem eclética, quero criar uma digital diferente, só minha. E elas são influência para mim também como pessoas, por suas posturas de vida.

MONDO POP- Dois de seus ídolos na música de raiz foram homenageados no DVD, não é mesmo?
Bruna Viola
– Sim. Gravei um pot-pourry com as músicas Pagode em Brasília, Moradia e Chora Viola, do Tião Carreiro, que é meu ídolo. A música Moradia é a minha favorita de todas, eu a cantei na novela Paraíso e já a havia regravado duas vezes. E também homenageei a Inezita Barroso ao regravar a música Moda da Pinga (Marvada Pinga).

MONDO POP- Como você encara o atual cenário da música sertaneja em relação às mulheres?
Bruna Viola
– O momento está muito bom para a mulherada no sertanejo, cada uma com o seu estilo. Quem começou isso lá atrás foi a Inezita Barroso, pois antes dela só tinham homens. A presença feminina foi crescendo aos poucos, com as Galvão e tantas outras. Pode ter tido um pouco de preconceito antes, mas hoje a mulherada está dominando.

Você Não Sabe (Quero Ver) (ao vivo)- Bruna Viola:

Flor Matogrossense (ao vivo)- Bruna Viola:

Se Você Voltar (clipe)- Bruna Viola c/Cesar Menotti & Fabiano:

Baterista Fabinho Reis mostra o seu lado front man em Selfie

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Por Fabian Chacur

Durante anos, Fabinho Reis mostrou ao público seu talento e versatilidade como baterista, tocando com bandas e artistas de vários estilos musicais. Agora, chegou a vez de ele revelar seu lado cantor e compositor. Acaba de ser lançado pela via independente seu primeiro CD solo, Selfie, no qual ele solta a voz e mostra talento como autor de canções.

Divulgado por um belo clipe, Praça Bandeira, que já teve mais de 28 mil acessos no Youtube, Fabinho concilia a carreira solo como baterista free lancer e também integra a banda Aculia e o grupo de apoio do cantor e compositor mineiro Gabriel Guerra. Saiba mais sobre o disco e também sobre a carreira deste artista promissor em entrevista concedida a Mondo Pop via e-mail.

Mondo Pop- Gostaria que você falasse um pouco de sua atuação como baterista antes deste trabalho solo: com quem você tocou, gravou etc. Você estudou bateria, fale sobre a importância disso para a sua trajetória como músico.
Fabinho Reis– Meu interesse pela música foi por volta dos meus doze anos de idade, eu estudava violão, aos quinze comecei a me interessar pelos tambores. De lá pra cá eu tive contato com diversas bandas de garagem, todas com um repertório grande de músicas cover, o que muito me ajudou, pois passei pelo metal, rock, pagode, axé, até conhecer a MPB: foi aí que resolvi encarar o instrumento como minha profissão. Ficava completamente envolvido com a bateria quando ouvia Djavan, Gil, Marisa Monte, Milton Nascimento, queria tocar bateria igual aos bateristas deles, Carlos Bala, Jorginho Gomes, Neném e Lincoln Cheib, referências para nossa música brasileira.

Mondo Pop- E como foram esses anos iniciais?
Fabinho Reis
– Fui fazendo shows em bailes de formatura, casamentos, bares e aniversários de cidades como Poços de Caldas, na qual passei o maior tempo de minha vida, e por toda a região do sul de Minas. Em 2004, mudei-me para São Paulo continuando o mesmo trajeto, shows em pubs, formaturas… Como nos grandes centros as oportunidades são maiores, conheci muitos músicos que sempre me indicavam para outros trabalhos – foi assim que surgiu a oportunidade de trabalhar ao lado de Tico Santa Cruz (Detonautas), Egypcio (Tihuana), Eriberto Leão (ator da rede Globo), Digão (Raimundos), Borguetinho…

Mondo Pop- Com quem você está tocando atualmente?
Fabinho Reis
– Hoje eu sou baterista da Acullía, banda de rock com dois discos lançados e uma agenda de fazer inveja a muita banda de sucesso, com média de 15 a 18 shows mensais, a grande maioria em pubs de São Paulo, e também do Gabriel Guerra, músico também de Minas que vem despontando no cenário pop. Com Gabriel, tive a oportunidade de abrir shows do Capital Inicial, Roupa Nova, Jota Quest, Biquíni Cavadão, Nando Reis, Titãs etc.

Mondo Pop- No que o aprendizado formal te ajudou na música?
Fabinho Reis
– Bom, com relação ao estudo, desde os meus 18 anos comecei com professores em Poços de Caldas e me aperfeiçoei na faculdade, sou bacharel em música, e com professores de São Paulo. Na minha opinião, todos os músicos deveriam estudar instrumentos rítmicos, porque ajuda muito em um processo de criação, complementa as ideias; aliás, a música é um conjunto cujo estudo precisa caminhar junto: harmonia, melodia e ritmo.

Mondo Pop- Desde o seu início no meio musical a ideia era mesmo investir em uma carreira-solo como cantor, compositor e músico ou isso surgiu posteriormente, quando você já atuava como baterista?
Fabinho Reis
– Decidi que seria músico aos 15 anos quando comecei a tocar bateria, junto com a bateria, sempre toquei violão e escrevi músicas. A ideia sempre foi ter uma banda de músicas próprias, não imaginava que poderia eu mesmo lançar um disco de músicas inéditas e ainda mais como vocalista. O CD Selfie foi uma oportunidade que agarrei, mas que não imaginava.

Mondo Pop- Onde você nasceu e onde você foi criado? Qual a influência de sua cidade natal em sua vocação musical?
Fabinho Reis
– Sou natural de uma pequena cidade de Minas Gerais, Muzambinho, e morei uma boa parte da vida em Poços de Caldas. Minha influência maior vem do meu pai, José Maria Reis. Foi vendo ele tocar nas festinhas familiares que tudo começou, eu cantava com ele, fazíamos uma dupla, eu, muito menino de voz aguda, fazia a primeira voz e ele, a segunda… época muito boa! Não só a minha cidade natal, mas estar no estado de Minas contribuiu muito com a minha musicalidade. Acho que o músico mineiro tem uma sensibilidade diferente, aprendi muito ouvindo Milton Nascimento, Beto Guedes, 14 bis, Toninho Horta, todo o pessoal do movimento clube da esquina. Acho que foram estes os pilares para o que venho desenvolvendo musicalmente…

Mondo Pop- Fale um pouco de como foram as gravações do CD Selfie, e como foram escolhidos os músicos que tocam com você nele. E você, tocou outros instrumentos além da bateria e de cantar?
Fabinho Reis
– Olha, foi a primeira vez que entrei em um estúdio para gravar voz, uma experiência diferente e um pouco complicada, repeti a mesma música algumas vezes. Participei também das gravações de bateria e dos arranjos. O disco Selfie foi produzido pelo Leonardo Ramos (Supercombo), o que facilitou em vários aspectos, os músicos que participaram no disco foram convidados por ele, mas foram poucos, porque o próprio Léo foi o músico que mais gravou no disco! Foi um processo bem tranquilo.

Mondo Pop- Temos alguns exemplos bem bacanas de caras que começaram no meio musical como bateristas e depois se tornaram famosos também como cantores e compositores, tipo Phil Collins, Don Henley e Dave Grohl. Diga um pouco o tamanho da influência desses caras na sua trajetória.
Fabinho Reis
– Não diria influência, me inspirei na coragem e na atitude deles, temos músicos brasileiros que fazem isso muito bem também, Serginho Herval (Roupa Nova), Dom Paulinho… O contato com os músicos paulistanos e principalmente a Banda Acullía me ajudaram muito com isso, foi com o incentivo dos meus colegas de trabalho que resolvi cantar algumas músicas. O baterista é o cara que sempre fica escondido atrás de tambores, pratos e sair deste “escudo” e encarar o público como um front man requer muita coragem e atitude.

Mondo Pop- Como você define o seu estilo musical? Qual o caminho musical que você procurou desenvolver em Selfie?
Fabinho Reis
– Passei por muitas bandas, cada uma com um estilo diferente e, mesmo que elas não tivessem como um primeiro plano a música própria, eu compunha para elas, muitas vezes nem chegava a mostrar a composição para ninguém. Não elaborei e nem arquitetei o CD Selfie, ele emergiu com uma seleção que fiz de minhas músicas, sem rotular estilos, ritmos… Processo livre!

Mondo Pop- Em termos de letras, quais são os temas que mais te interessam, e que você desenvolveu neste disco?
Fabinho Reis
– Tenho uma queda por relações e por falar sobre o cotidiano.

Mondo Pop- Uma curiosidade: vários artistas, como você no caso do CD Selfie, costumam gravar os discos em estúdios brasileiros e fazer a masterização no exterior, especialmente nos EUA. Por quê? Ainda não seria possível fazer masterização no Brasil com grande qualidade, ou seria outra questão que envolve essa opção?
Fabinho Reis
– Acho que temos tecnologia e bons profissionais no ramo, não foi por falta de profissionais brasileiros ou de qualidade. Quando terminamos as gravações, um amigo me falou sobre o trabalho do Chris Hanzsek, que é americano. Pesquisei um pouco sobre ele e achei que seria muito válido deixar a master por conta de Chris. Trocamos alguns e-mails e ele foi muito atencioso e extremamente rápido, não tinha por que procurar outro.

Mondo Pop-O clipe de Praça Bandeira ficou muito legal. Como surgiu a ideia de gravar na região da Avenida Paulista com a cara pintada e distribuindo as rosas, e como foi essa experiência para você? A reação das pessoas te surpreendeu?
Fabinho Reis
– Eu queria um clipe sem atores ou algo programado, queria trabalhar com a reação das pessoas, sem ter nada combinado – foi aí que veio a ideia das rosas. A pintura no rosto foi uma intenção de existir um personagem, mas também uma forma de me esconder, de me sentir um pouco mais à vontade para sair pela paulista distribuindo rosas. Escolhi o coração de São Paulo para tocar o coração das pessoas. A região do Masp na Paulista é um local muito conhecido, por onde trafega todo tipo de pessoa.

Mondo Pop-Ainda sobre Praça Bandeira: temos nela a participação do rapper Mb2 Uclanos. Conte como surgiu a ideia de convidá-lo, de onde você o conhece, de onde ele é e como você avalia que ficou essa mistura entre o seu som e o dele.
Fabinho Reis
– Conheço o Mb2 Uclanos (Bebeto) de quando morava em Poços de Caldas. Quando fechamos o arranjo da música Praça Bandeira eu comentei com o Léo que ficaria muito bom se colocássemos um rap, mas eu não queria algo que falasse sobre política ou qualquer outro problema de que já estamos cansados de saber e de ver. Queria uma mensagem positiva, e foi assim que surgiu o Bebeto, ele entendeu direitinho, deu o recado muito bem dado. Comento com o Bebeto, “cara você salvou a minha música!” *risos*

Mondo Pop-Como serão os shows de divulgação do CD Selfie? Você irá tocar bateria neles, ou irá se dedicar mais aos vocais?
Fabinho Reis
– Nos shows eu tocarei violão, a bateria ficará a cargo de outro músico. Ainda não formatei tudo, não sei quem fará parte desta “festa”, talvez monte uma banda só de garotas. Estou trabalhando na divulgação do CD físico e mídias digitais e, para minha surpresa, está sendo bem aceito. Os shows que tenho feito atualmente são todos como baterista.

Veja o clipe de Praça Bandeira, de Fabinho Reis:

Bruna Viola renova o cenário dos violeiros com um novo CD

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Por Fabian Chacur

Para que um gênero ou instrumento musical possam continuar relevantes, é preciso que tenham novos seguidores. Senão, acabam sumindo na poeira dos séculos. E a viola caipira, felizmente, continua por aí, firme e forte, conquistando novos corações. A nova revelação do gênero atende pelo nome de Bruna Viola, uma bela mato-grossense de 22 anos que acaba de estrear na Universal Music com o CD Sem Fronteiras.

A música entrou na vida de Bruna ainda na infância, ouvindo música com o bisavô. Começou a tocar violão aos 9 anos, e aos 11, encarou a viola, instrumento não muito comum entre as mulheres. E não demorou a ganhar um ídolo, Tião Carreiro, que inspirou a tatuagem que fez em seu braço. “O Tião era amigão do meu bisavô, e era completo como compositor músico, violeiro, arranjador e cantor, meu ídolo máximo”.

Outra artista que ela admira muito é a saudosa Inezita Barroso, que também tocava viola como poucos. “Ela foi a primeira violeira. Tive a oportunidade de conhece-la, e participei oito vezes do programa dela na TV, o Viola Minha Viola, sendo que a primeira vez foi quando eu tinha apenas 13 anos de idade”. Helena Meirelles também é citada por ela.

O início da trajetória discográfica ocorreu de forma independente. “Tivemos muita dificuldade para gravar dois CDs, que distribuíamos nos shows. O primeiro resgata as raízes da música caipira e é o melhor, sendo que o segundo é mais romântico”. Aí, graças à repercussão obtida na internet, atraiu as atenções da Universal Music, que conferiu um show dela em Belo Horizonte (MG) e resolveu contratá-la.

Com o apoio da multinacional do disco, Bruna lança Sem Fronteiras e pretende ampliar os seus horizontes em termos de público. “A ideia era mesclar o repertório com clássicos da música de raiz, inéditas de raiz e também inéditas românticas, acho que o nome do CD já diz tudo, não quero me limitar a um único rumo musical”, explica. São 15 faixas sendo que cinco foram relidas de seus trabalhos anteriores.

A faixa Se Você Voltar conta com a participação de Cesar Menotti & Fabiano. As canções Se Você Voltar e Flor Matogrossense também estão sendo divulgadas através de videoclipes. Em shows ela conta com uma equipe de 12 pessoas. “Meu show é bem completo”, afirma ela, que já tocou para 37 mil pessoas em Ji-Paraná e 25 mil em Rondonópolis.

Flor Matogrossense– Bruna Viola:

Se Você Voltar– Bruna Viola e Cesar Menotti & Fabiano:

No Ponteio da Viola– Bruna Viola:

Noturnall lança novo CD e se prepara para o Rock in Rio

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Por Fabian Chacur

Com menos de dois anos na ativa, a banda brasileira Noturnall já possui em seu currículo três turnês internacionais, dois discos de estúdio, um DVD e diversos clipes. Isso, graças ao talento e à experiência de seus integrantes, todos veteranos do cenário do rock brasileiro e com muita história a contar.
Thiago Bianchi (vocal), Fernando Quesada (baixo, violão e guitarra de sete cordas), Junior Carelli (teclados), Leo Mancini (guitarra) e Aquiles Priester (bateria e percussão) irão participar da edição 2015 do Rock in Rio no dia 19 de setembro. Eles prometem surpresas para os fãs.
Em entrevista exclusiva via e-mail para Mondo Pop, o vocalista Thiago Bianchi fala sobre o novo álbum, o ótimo Back To F*** You All, e tudo sobre essa belo quinteto de heavy metal.

Mondo Pop- Qual a expectativa de vocês para a participação no Rock in Rio, um dos festivais de música mais importantes do mundo? Revelem o que puder ser revelado sobre o que irá rolar no show.
Thiago Bianchi
– Cara, o senso de “responsabilidade” de um show dessa magnitude, principalmente para uma banda de menos de dois anos de debut na praça, é descomunal. Uma vez identificado esse sentimento, a Noturnall preparou um show totalmente inédito, acima de qualquer outra apresentação da história de todos os nossos integrantes. Não posso revelar muito, apenas que a Noturnall vai honrar mais uma vez os “camisas pretas” com toda sua força. Será um dia inesquecível, podem ter certeza.

Mondo Pop- Quais as diferenças básicas entre o novo CD e o álbum de estreia da banda, na visão de vocês?
Thiago Bianchi
– Hum… A palavra “evolução” aparece em minha mente toda vez que ouço essa pergunta. Com certeza hoje somos uma banda em outro “patamar” sob todos os pontos de vista. Claro que não digo isso de forma arrogante, comparando a outras bandas ou algo do tipo, mas sim comparando a nós mesmos meses atrás. Se antes não tínhamos medo de errar na “dose” em nosso debut, aparentemente essa máxima se transformou em nosso “guia espiritual”, por assim dizer. Quanto mais estranho, pesado, alienígena, melhor.

Mondo Pop- Em pouco tempo de carreira como Noturnall, vocês já possuem um belo currículo, com três turnês internacionais, dois discos de estúdio e um DVD. A experiência em projetos anteriores ajudou nessa grande produtividade do grupo?
Thiago Bianchi
– Com certeza! Claro que não podemos nunca deixar o fator “experiência” de fora ao falar da Noturnall. Não seria nem justo. Todos aqui têm uma história tão bonita… tão relevante… Na verdade, me sinto tão sortudo por ter amigos tão profundamente marcados pelo “metal” que de fato fica até difícil às vezes dizer que essa é uma banda nova, já que a sensação é de ter Noturnall em minha vida há séculos… (risos)

Mondo Pop- O Aquiles Priester também participa de outros projetos importantes no meio do rock. Como vocês fazem para conciliar essa agenda agitada dele com a do Noturnall? Ocorre de precisarem ter um eventual substituto em algumas ocasiões ou não?
Thiago Bianchi
– Essa é uma dúvida frequente também de nossos fãs, então já adianto o seguinte: a Noturnall é movida, antes de mais nada, por respeito a todos seus integrantes. Todos aqui vivem da música e em nenhum momento nos sentimos no direito de dizer o que “fulano” ou “beltrano” pode ou não fazer. Não só Aquiles, mas Quesada é coordenador de áudio na maior escola de música da America Latina, o EMT. Mancini tem uma sólida carreira Acústica. Carelli é dono de uma prolífera produtora e eu sou produtor, dono de estúdio, com mais de 170 álbuns lançados…Ou seja, o importante, a base de tudo na vida, principalmente num “casamento” de 5 pessoas, fora a equipe, é respeito.Se essa palavra for o carro chefe, tudo estará sempre em ordem.

Mondo Pop- A capa e o encarte do CD Back to F*** You Up! mostra literalmente os principais símbolos de Brasília pegando fogo. Como surgiu a ideia de criar essa forte imagem e como está sendo a repercussão perante o público e a mídia?
Thiago Bianchi
– Acreditamos fortemente que esse é um sentimento recorrente no brasileiro, o de “renovação”. E o que é mais purificador que o fogo? Claro que não no sentido literário, afinal nossa intenção em momento algum é fazer apologia ao crime… deixe isso com os “black blocks”. (risos). A nossa função enquanto artistas é “conectar” as pessoas que se sentem sozinhas com seus pensamentos e intenções. Queremos semear o que já existe dentro dos corações dos brasileiros, o sentimento de mudança. O Brasil precisa “zerar” sua política, começando por Brasília. Aquilo se transformou num antro de corruptos e vagabundos que não merecem ver a luz do dia nunca mais. Quanto à resposta sobre a capa… Claro que fomos censurados em muitos lugares, e até países.. mas isso é matéria pra outra entrevista. (risos)

Mondo Pop- Como vocês encaram o atual cenário brasileiro para o heavy metal e o rock pesado em geral? A melhor saída para as bandas daqui sobreviverem continua sendo mesmo uma dedicação maior ao mercado internacional? E como está o cenário internacional para esse estilo musical?
Thiago Bianchi
– Não, muito pelo contrario. Claro que não está fácil pra ninguém e em se tratando de Brasil, nunca estará…Mas uma coisa é fato, se você colocar no papel a história do Metal em nosso pais, na ponta do lápis, vai perceber, que ok, não vivemos naquele ápice dos anos 90, mas com certeza a cena é muito maior do que foi nos anos 80 e até em alguns momentos dos anos 2000. Quanto mais tocamos aqui e recebemos o carinho dos brasileiros, mais fica claro que nosso lugar de fato, é no Brasil.

Mondo Pop- A presença de um palavrão em inglês no título do álbum está eventualmente prejudicando a divulgação dele? Vocês temem algum tipo de represália por causa disso em termos de mídia ou de alas mais conservadoras da sociedade brasileira e do exterior?
Thiago Bianchi
– Não. Até agora está tudo bem… Infelizmente.. (risos)

Mondo Pop- Onde vocês possuem melhor público no Brasil, e em que países o Noturnall possui uma base mais fiel de fãs?
Thiago Bianchi
– Brasil, sem sombra de dúvidas.

Mondo Pop- Quais os próximos passos da banda, especialmente após a participação no Rock in Rio?
Thiago Bianchi
– Temos duas “bombas” incríveis, mas realmente não posso contar nada agora… fiquem ligados!

Fight The System- Lyric Video- Noturnall:

Back to F*** You Up- Lyric Video- Noturnall:

Zombies (The Holy Trinity)- Noturnall:

João Capdeville estreia com EP de som elaborado e doce

joao capdeville foto-400x

Por Fabian Chacur

O cantor, compositor e multi-instrumentista carioca João Capdeville estreia em disco com um formato que voltou a ser utilizado por muitos artistas, o EP. Trata-se de um CD com no máximo cinco músicas, no qual o artista pode apresentar uma amostra de seu trabalho de um jeito mais conciso. Uma espécie de cartão de apresentação chique.

Com 21 anos de idade, o artista carioca nos apresenta canções elaboradas, melódicas e doces, mas com um tempero ardido que lhe dão um diferencial em relação ao que anda sendo feito por seus contemporâneos. É MPB, sim, mas também tem raízes no rock, na música pop e até mesmo no jazz e música erudita. Som sem amarras, com vocalizações concisas.

Em entrevista exclusiva a Mondo Pop, Capdeville nos fala do primeiro EP, intitulado Pausa e lançado pela via independente, e também sobre as influências musicais que permeiam sua obra, seus planos, projetos e muito mais. É um artista promissor que mostra bastante poder de fogo logo na estreia. Vale a pena ficar de olho nele.

Mondo Pop- O que te levou a estrear em termos fonográficos com um EP? O que acha da atual tendência de vários artistas lançarem músicas novas nesse formato? E como você faz as vendas dele? Em shows, na internet etc?
João Capdeville– Então. Gravar primeiro um EP foi na verdade uma espécie de teste, uma experiência. Escolhemos as músicas que achamos que se destacavam e, se desse certo e as pessoas gostassem, gravaríamos o resto das músicas para lançar, posteriormente, um CD cheio. Felizmente o Pausa tem dado um bom retorno e rendido boas críticas, o que facilita a continuidade do projeto. Acho o EP uma forma muito legal de se trabalhar. É claro que depende de cada artista. Mas acho bem bacana porque não é necessário esperar você ter um monte de músicas pra gravar. Tudo pode ser feito aos poucos. De 3 em 3, de 4 em 4 músicas etc. Isso diminui o tempo total de criação e faz com que o público tenha alguma novidade por parte do artista em um período menor. A espera por novidades fica menos demorada. Acho muito bacana.
Eu tenho o EP inteiro disponível para compra online através de algumas plataformas como o iTunes, por exemplo, mas pra quem quiser ter o álbum físico, eles sempre estão à venda em meus shows. Interessados em comprar o disco físico podem entrar em contato pelo meu email também para mais informações (joaocapdevillecontato@gmail.com).

Mondo Pop- Como foi selecionar o repertório para Pausa? Que tipo de critérios você seguiu? Todas as músicas foram compostas em uma mesma época ou vem de períodos diferentes?
João Capdeville– Pra mim foi um pouco difícil escolher apenas cinco músicas. Tenho um carinho muito grande por todas as canções que escrevo e não queria deixar nenhuma de fora. Essa escolha veio junto ao Diogo, que foi quem produziu o disco. Ele ia escutando e me dizendo as que mais o agradavam e, estando enfim de acordo, depois de um tempo tínhamos as cinco faixas determinadas. Quanto ao processo de criação, há músicas de períodos distintos da minha vida. A Lembra?, por exemplo, é uma das que compus há mais tempo e tinha guardado na gaveta. Por outro lado, escrevi O Mundo Vai Girar pouco antes de entrar no estúdio pra gravar o disco.

Mondo Pop- Você tem 21 anos, mas suas referências musicais (que constam do release do seu disco) são de nomes bem anteriores à sua geração. Isso ocorreu de forma não intencional ou denota uma insatisfação com a música feita dos anos 80 para cá?
João Capdeville– Engraçado. Sabe que eu não tinha percebido isso? (Risos) De forma alguma. Não tenho insatisfação nenhuma com a música feita dos anos 80 pra cá. Pelo contrário, tenho admiração por um monte de artistas dessa época. Acho que foi só coincidência mesmo.

Mondo Pop- Ainda na mesma pegada da pergunta anterior: quais são os artistas da nova geração que você mais gosta, e por quê?
João Capdeville– Ah! Eu gosto de muitos. Adoro o trabalho do Silva, do Lucas Santtana, do Cícero. Acho que são capazes de fazer algo magnífico, cada um com suas características, e sem fugir das raízes.

Mondo Pop- As suas canções mesclam elementos de MPB, rock e mesmo música erudita de forma bem aberta, sem amarras. Essa era a sua intenção desde o início?
João Capdeville– Acho que essa mistura é algo inevitável, não é só questão de ter ou não a intenção. Isso vem das coisas que gosto de ouvir e tocar, de todas as minhas influências, e estas estão presentes em todas as minhas composições. De forma intencional ou não, penso que todas as minhas músicas tem e terão essa característica de misturar minhas influências.

Mondo Pop- Qual o seu objetivo básico enquanto artista? Gostaria de fazer sucesso em termos comerciais ou prefere concentrar seu poder de fogo na parte artística, sem levar isso em conta?
João Capdeville– Meu objetivo é conseguir chegar no maior número possível de pessoas e vê-las se identificando com minhas letras e melodias. Pra mim isso é tudo! Dinheiro e sucesso seriam consequências. O mais importante é poder me expressar de forma sincera, através das minhas canções, e fazer com que as pessoas se sintam, ao ouvir, do mesmo jeito que eu me sinto ao cantá-las.

Mondo Pop- Nos seus shows você mescla músicas próprias e releituras de músicas de outros artistas. Como foram escolhidas essas canções alheias, e como você as relê, mais próximas dos arranjos originais ou tentando partir para um rumo diferente em termos estilísticos?
João Capdeville– A prioridade nos meus shows é, obviamente, das minhas músicas mas, sobrando espaço, é um prazer poder cantar alguma composição de artistas de quem eu gosto. No último show, toquei algumas versões de músicas de outros compositores, mas a tendência é que, conforme eu vá lançando mais material, diminua um pouco esse número. Quando toco uma música de outra pessoa, tento colocar o máximo de João Capdeville nela. Tento tratar a canção como se eu mesmo a tivesse escrito. Por isso, escolho somente músicas com as quais me identifico muito. Caso contrário, não veria razão em cantá-las.

Mondo Pop- Como funciona o trabalho com os músicos de sua banda de apoio? É como se fosse um grupo, com abertura para que eles opinem, ou você dá as coordenadas e eles as seguem?
João Capdeville– É 100% aberto para que opinem. Somos um grupo. É claro que eu tenho que dar a palavra final pra que tudo tenha o meu jeito e minha cara, mas eu fico muito contente em receber sugestões dos meus parceiros.

Mondo Pop- Como você encara o atual cenário da indústria fonográfica no Brasil, e como é o seu relacionamento com os fãs via redes sociais?
João Capdeville– Ao meu ver, nossa cena é extremamente rica! Não canso de dizer que há artistas sensacionais espalhados pelo Brasil, independente do gênero. Escuto muito da nova cena e fico muito orgulhoso da nossa música.Quanto aos fãs, procuro responder todas as mensagens que recebo e busco sempre retribuir o carinho dessas pessoas. Minha maior alegria é abrir minha conta em alguma rede social e encontrar uma mensagem nova de alguém dizendo que gostou e se identificou com minhas canções.

Mondo Pop- Quais são seus próximos projetos (CD “cheio”, DVD etc)?
João Capdeville– Meu próximo projeto é gravar um CD cheio. Essa seria, ao meu ver, a minha verdadeira estreia na indústria fonográfica. Ainda não tenho uma previsão muito precisa sobre a data do lançamento mas, daqui a uns meses, terei mais informações. Fora isso, meu objetivo é estar sempre fazendo show e levando meu trabalho pra mais lugares.

Mondo Pop- Se você tivesse de escolher um CD de outro artista para tocar na íntegra ao vivo, qual seria, e por quê?
João Capdeville– Hoje eu estava escutando o CD do Tom junto ao Sinatra. Acho que essa seria uma boa pedida. (n.da r.: Antonio Carlos Jobim & Francis Albert Sinatra, lançado em 1967 pela Reprise Records).

Ouça Lembra?, com João Capdeville:

Banda Hai Kai mostra seu som roqueiro em No Seu Jardim

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Por Fabian Chacur

A banda Hai Kai é integrada pelas irmãs Tetê Braga (vocal), Renata Braga (baixo) e Cacau Braga (bateria) e por Lucas Iessi (guitarra). Há alguns anos na estrada, vai se consolidando como uma das boas novidades do rock brasileiro da atualidade.

Tendo como base a cidade paulista de Sorocaba, o quarteto aposta em um rock ágil, bom de se ouvir e que não abre mão de letras bacanas, melodias interessantes e ritmos sacudidos.

Com o seu novo CD, No Seu Jardim, lançado pela via independente, a Hai Kai tem tudo para ampliar ainda mais seus horizontes em termos de reconhecimento perante fãs e imprensa. Em entrevista exclusiva concedida ao Mondo Pop via e-mail, seus integrantes nos dão detalhes sobre carreira, CD etc.

Mondo Pop- A banda Hai Kai foi criada em Sorocaba (SP). Como foi que o Lucas entrou no time? Ele é de lá? Ou conheceu a Renata na Unicamp e depois entrou no time?
Tetê Braga– A banda se formou em 2000 aqui em Sorocaba, e o Lucas estudava na minha classe de ensino médio. Nós começamos a tocar primeiramente somente as irmãs, e depois ele entrou e fechou o time. A Unicamp foi mesmo uma consequência da banda para o Lucas e para a Renata, foi um aprimoramento para ambos.

O CD do Hai Kai é bastante centrado nas canções, uma espécie de “rock and roll de canções”, pois todos os integrantes colocam suas energias em torno delas, sem estrelismos. Essa foi a minha impressão ao ouvir o disco. Bate com o conceito de vocês?
Tetê Braga– Sim, todos participam ativamente da composição e arranjo das músicas, cada um contribuindo com o que faz de melhor. Eu adoro criar melodias, a Rê também, a Cacau faz muitas das letras, sozinha e comigo também. Os textos dela renderam até uma comenda! O Lucas é o cara dos arranjos e produção musical.

Como foi selecionado o repertório do CD? As músicas são todas recentes ou tem origem mais antiga? E como funciona o processo de composição de vocês, já que todas as músicas são assinadas de forma coletiva?
Cacau Braga– O CD tem algumas músicas mais antigas que ganharam arranjos novos e a produção do Lucas, mas a maioria é nova. Realmente assinamos todas as músicas, pois nenhuma delas foi feita exclusivamente por um integrante só. Entendemos que, sem a contribuição dos outros, as músicas não seriam as mesmas.

O som da banda é uma mistura do rock dos anos 70 com elementos do rock atual. Quais são as principais influências que vocês sentem existir em seu som?
Cacau Braga– Não sabemos se isso acabou existindo no nosso som, mas nossas influências pessoais são muitos artistas dos anos 70 mesmo. Nós gostamos dos solos de guitarra do Led Zeppelin, Pink Floyd e também gostamos dos arranjos dos Beatles e das melodias de todos eles. Também escutamos muitos artistas que estão na ativa hoje, mas não muito guiados pelas rádios. Estamos sempre em busca de novos sons.

Vocês realizaram há pouco uma turnê pelo Canadá. Como foi essa experiência? Quantos shows, onde tocaram e que tipo de intercâmbio rolou por lá? E como surgiu o convite?
Renata Braga– Fomos convidados por tocarmos aqui no Brasil em um evento de uma agência de intercâmbios, em que os responsáveis canadenses nos assistiram e se interessaram por nosso trabalho. A partir daí, começamos a combinar uma ida para aquele país, para apresentarmos show e workshops nas high schools da província da Nova Scotia. Em outubro de 2012, ficamos um mês excursionando por toda a província, totalizando aproximadamente 30 workshops e mais de 20 shows, todos lotados e com uma receptividade maravilhosa! A experiência foi ainda mais interessante, por ficarmos hospedados em “host families”, tendo a oportunidade de conhecer a cultura canadense de forma bastante intensa, fazendo grandes amigos e muito som. Um grande amigo nosso, o cineasta, Giuliano Rossi, nos acompanhou nessa viagem, registrando nossos shows, workshops, passeios turísticos, as reações e depoimentos do público e amigos que fizemos por lá. Toda essa experiência resultou no videoclipe da música No Seu Jardim, que pode ser encontrada no disco homônimo.

As letras das canções do grupo são em sua maioria da Cacau, algo não muito comum e que aproxima a Hai Kai, nesse quesito, do Rush. Isso rolou desde o começo? Vocês encaram isso como outro diferencial interessante da banda?
Cacau Braga– No começo nós escrevíamos as letras juntos. Com o tempo, eu comecei a me aproximar mais desse meio literário e fazer mais materiais sozinha. Nunca tínhamos pensado nessa comparação com o Rush, mas é algo bem interessante sim, e acho que pode ser considerado um diferencial. A proposta da Hai Kai foi sempre ser muito ligada à literatura e cada vez mais nós estamos conseguindo isso. Tenho vários textos em mais de 20 coletâneas pelo país, além de ser membro fundador da Academia de Letras, Música e Artes de Salvador. Também em 2014 tive a honra de ganhar a Comenda Luis Vaz de Camões, reconhecida pelo Real Gabinete de Lisboa.

Como surgiu a ideia de nomear a banda como Hai Kai? Tem a ver com o estilo compacto e conciso do som e das letras feitas por vocês?
Cacau Braga– Conhecemos o estilo poético Haicai por meio da nossa mãe, que é professora de língua portuguesa. Para nós, abriu-se um universo novo, que trazia grande musicalidade poética em poucos versos e muitos significados. Achamos que isso tinha tudo a ver com o rock, com a música em si e com a nossa proposta de som. Queríamos uma música com letras mais poéticas, sem nada mastigado, que levasse o público à reflexão sobre o mundo.

Vocês já dividiram o palco com artistas como Pitty, Capital Inicial, Ira!, Kiko Zambianchi e outros. Falem um pouco sobre a importância desse tipo de intercâmbio para vocês.
Tetê Braga– É muito legal poder dividir palco com esses nomes que são referências musicais para nós. Aprendemos muito com a experiência deles e formamos boas amizades como com o Kiko Zambianchi e com o Yves Passarel.

Temos poucos grupos de rock com três ou mais garotas no Brasil. Isso tem funcionado como um bom diferencial para o Hai Kai? E porque, na opinião de vocês, a maioria das mulheres no Brasil acaba enveredando pela MPB ao invés do rock?
Tetê Braga– Não acho que ter mulheres na banda seja um diferencial, esperamos que o diferencial esteja no som, mas acredito que possamos incentivar que mais garotas toquem rock. Tem muita mulher na MPB, mas também tem muita mulher no rock and roll! Sem contar com a Pitty, posso citar várias bandas de rock de mulheres brasileiras incríveis! Acho que todas as pessoas tem que começar a ouvir mais as vozes femininas escondidas pelo Brasil!

Nos shows vocês só tocam músicas próprias ou também rolam alguns covers? Se rolam covers, de quais artistas?
Tetê Braga– Tocamos prioritariamente nossas músicas, mas fazemos sons de artistas que nos influenciam, como por exemplo Beatles, Janis Joplin, Led Zeppelin etc

A apresentação visual do CD de vocês é muito legal, tanto a capa como o encarte. Gostaria que vocês falassem um pouco da importância do visual no trabalho de vocês, em termos de identidade artística nos shows e em seus produtos/shows.
Tetê Braga– Pensamos muito em como fazer a capa do disco. Conhecemos muitos artistas plásticos daqui da nossa região, e queríamos chamar alguém que representasse a poesia delicada e também o a energia do nosso rock. Convidamos a Lia Fenix, grafiteira e artista plástica da cidade de Salto. Mostramos as músicas e destacamos uma parede da nossa casa em que ela fez o desenho da capa. Ficou lindo, e é exatamente o que pensamos. Depois, um outro grafiteiro, o Marco Aurélio, fez um outro grafite em outra parede de casa. Nesse, inclusive, fizemos pintura corporal numa performance super legal! Usamos o grafitti dele como textura da parte interna e eu mesma junto com o design Titto Rosseto fizemos a diagramação de tudo. É tudo artesanal, mas de qualidade ímpar e totalmente dentro do conceito do CD. É uma poesia de cores!

Ouça Casa da Lua, com a Banda Hai Kai:

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