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Prince, o gênio, o criador, nos deixa com apenas 57 anos

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Por Fabian Chacur

O ponto alto da segunda edição do Rock in Rio, a única que cobri e realizada no estádio do Maracanã em 1991, foi ter realizado o meu sonho de ver Prince ao vivo. Dois shows marcantes e inesquecíveis, especialmente o primeiro. Um dos meus ídolos desde que ouvi I Wanna Be Your Lover, seu primeiro hit, em 1979. Infelizmente, ele não pertence mais a esse mundo. O genial astro americano foi encontrado morto nesta quinta(21). Ele tinha 57 anos.

O cantor, compositor, produtor e multi-instrumentista americano estava em sua casa e estúdio, o Paisley Park, situado em sua cidade natal, Minneapolis, onde viveu todo o seu período de vida. A causa da morte ainda não foi divulgada. O anúncio oficial foi feito por sua assessora de imprensa, Yvette Noel-Schure. Ele havia sido internado na semana passada devido a uma gripe, mas anunciou que estava bem e que não precisavam se preocupar. Ledo engano…

No que seria sua última comunicação com o público, ele também afirmou que em breve lançaria um álbum gravado ao vivo extraído do show Piano and a Microfone, que fez no melhor esquema voz e piano, sem outros músicos. O tecladista brasileiro Renato Neto, que tocou durante mais de dez anos com Prince, participando de turnês e de discos como Musicology (2004), afirmou em entrevista que o artista tinha ao menos 200 músicas inéditas gravadas e guardadas.

Prince Rogers Nelson nasceu em 7 de junho de 1958. Desde o início, esbanjava autoconfiança, ao ponto de exigir liberdade total de criação para assinar com a gravadora Warner em 1978. O sucesso começou com seu segundo álbum, autointitulado, do qual fazem parte hits como I Wanna Be Your Lover e Sexy Dancer. O som era um funk com elementos de soul, disco music e rock. Este último elemento aparecia de forma escancarada em Bambi, faixa puramente hendrixiana na qual ele brilha com riffs e solos de guitarra demenciais.

Lembro que um dos momentos que mais me marcaram no primeiro show que vi de Prince no Rock in Rio de 1991 foi exatamente ver o astro interpretando Bambi de uma forma simplesmente demencial, solando como se não houvesse amanhã. Puro Hendrix, puro hard rock. Aliás, essa é uma das marcas desse artista: o total desrespeito aos limites e barreiras, indo do funk ao rock ao soul ao jazz ao pop e ao que pintasse, sempre com personalidade e criatividade.

For You, o primeiro álbum (de 1978) daria início a um procedimento que Prince repetiria em diversos momentos de sua carreira: a autossuficiência, com direito a gravar todos os instrumentos e vocais e a produzir os álbuns. Reza a lenda que ele era o terror dos técnicos de estúdio, pois sempre varava noites gravando, sem se preocupar com coisas básicas como refeições, dormir e outras rotinas habituais.

Prince era ousado em termos musicais e também nos aspectos visuais de seus discos e shows, sempre flertando com a pornografia. Ele teve a coragem de aparecer na capa de seu álbum Dirty Mind (1980) usando uma calcinha. Sua postura andrógina podia dar margem a falatórios, mas a verdade é que o baixinho de Minneapolis sempre namorou e trabalhou com mulheres lindas, como Apolônia, Sheena Easton, Sheila E, Carmen Electra…A lista é longa e interminável.

Com 1999 (1982), o artista cria uma sonoridade minimalista que influenciaria toda a música pop dos anos 1980, emplacando hits como a faixa título e Little Red Corvette. E o grande estouro viria em 1984 com o álbum Purple Rain, trilha do filme homônimo e que invadiu as paradas mundiais com os hits Purple Rain, Let’s Go Crazy e When Doves Cry. Michael Jackson ganhava um rival de peso nas paradas de sucesso.

A criatividade desse grande astro nunca encontrou amarras que o contivessem. Psicodelismo em Around The World in a Day (1985), funk eletrônico pesado em Sign O’ The Times (1987), pop puro na trilha do filme Batman (1989), a lista vai longe. Sozinho ou acompanhado por belas bandas, como a The Time, a Revolution e a New Power Generation. Belos parceiros para um artista sempre inquieto.

Além da própria carreira, ele também forneceu hits para vários artistas, como Sinead O’Connor (Nothing Compares 2 U), The Bangles (Manic Monday, que ele assinou com o pseudônimo Christophe), Madonna (com quem gravou o dueto Love Song, incluída no disco Like a Prayer-1989, da diva pop) e até mesmo o saudoso violonista e cantor americano Michael Hedges (uma releitura ao vivo simplesmente brilhante de A Love Bizarre).

Aí, o temperamento difícil começou a dar as cartas. Na primeira metade dos anos 1990, comprou uma briga com a Warner e resolveu trocar o nome por um símbolo estranho, mistura de feminino e masculino, que o levou a ser apelidado de Symbol. Saiu da gravadora nos idos de 1995, lançando em 1996 o álbum triplo Emancipation. A partir dali, seu sucesso comercial teria uma queda, mas não a sua produção artística.

Neste século, Prince (o “símbolo” já havia ficado no passado) se manteve relevante e bastante ativo, mas seus trabalhos se tornaram menos badalados do que nos bons tempos. Isso, aliado a sua aversão às redes sociais e ao veto de suas músicas no Youtube e outros pontos virtuais de divulgação o tornaram menos visível.

Os bons trabalhos, no entanto, continuaram saindo, como o ótimo Musicology (2004). De setembro de 2014 até aqui, por exemplo, lançou quatro álbuns de inéditas, entre os quais o recente HITNRUN Phase Two (2015), disponível apenas no site de streaming Tidal, de Jay-Z.

O trabalho de Prince misturou Sly Stone, James Brown, Michael Jackson, Beatles, Jimi Hendrix, Joni Mitchell e muito mais de uma forma absolutamente original, gerando dessa forma uma assinatura própria das mais influentes. Perder David Bowie e Prince em um mesmo ano é simplesmente lamentável para quem é fã de música pop de qualidade.

Ainda bem que pude ver aqueles shows em 1991. Um retorno dele ao Brasil foi cogitado há não muito tempo, mas acabou sendo cancelado. Agora, curtir a sua música, só mesmo nos DVDs, CDs, Blu-rays, streamings…Rest in Peace, Purple King!

Love Song– Madonna e Prince:

Nothing Compares 2 U– Sinead O’Connor:

Manic Monday– The Bangles:

A Love Bizarre– Michael Hedges:

Morre Nicholas Caldwell, um dos integrantes dos Whispers

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Por Fabian Chacur

Morreu nesta terça-feira (5) aos 71 anos Nicholas Caldwell, um dos criadores da banda americana The Whispers, há mais de 50 anos na estrada e uma das mais bem-sucedidas da história da black music mundial. Ele lutava com problemas cardíacos há algum tempo, e fez sua última performance com o grupo no dia 19 de dezembro de 2015 no Microsoft Theater, Los Angeles, em programa que também incluía a cantora Stephanie Mills e o The Temptations Revue Featuring Dennis Edwards.

O talento de Nicholas era diversificado. Além de importante nas vocalizações da banda, ele também era responsável por suas coreografias em shows, além de assinar ao menos dois hits românticos da banda, as belas Lady e Say Yes. Simpático e gentil, ele foi apelidado pelos amigos de “gentle giant” (gigante gentil), apelido também em função de sua estatura. A barba era sua marca visual.

Nicholas (o primeiro, da esquerda para a direita, na foto acima) nasceu em 5 de abril de 1944 na cidade de Laurinda, na Califórnia, mudando-se depois para Los Angeles. E foi lá que ele conheceu os irmãos gêmeos Walter e Wallace Scotty Scott, por sua vez oriundos do Texas. O grupo vocal foi complementado logo a seguir, ainda em 1964, por Marcus Hutson (de Kansas City) e Gordy Harmon.

Com seu estilo musical investindo na soul music e em outras vertentes da música negra americana, os Whispers não estouraram do dia para a noite. Seu primeiro sucesso na parada de música negra nos EUA rolou em 1970 com Seems Like I Gotta Do Wrong. No período, eles gravaram discos pelos selos Dore, Clock e Janus. Em 1973, mudança: sai Gordy Harmon, substituído por Leaveil Degree.

Outra alteração no rumo do quinteto se mostrou decisivo em termos comerciais. No mesmo 1973, eles assinaram com a gravadora Soul Train Records, do empresário Dick Griffey. Foi lá, e posteriormente no outro selo criado por Griffey em 1978, o Solar Records (sigla para Sound Of Los Angeles Records), que os Whispers conheceram seus maiores sucessos em termos comerciais.

Sempre se renovando e atento às mudanças musicais que ocorriam no cenário pop, os Whispers incorporaram elementos de funk e especialmente de disco music à sua sonoridade, e isso os tornou reis das pistas de danças, graças a hits matadores como And The Beat Goes On, It’s a Love Thing, In The Raw, Tonight e This Kind Of Lovin’, entre outros. A parceria com o produtor Leon Silvers III, do grupo The Silvers, foi decisiva nesse sentido.

Em 1987, eles conseguiram seu maior sucesso em termos de paradas de sucesso com a irresistível Rock Steady, primeiro megahit assinado por uma dupla que rapidamente se tornaria um verdadeiro pote de ouro pop: LA Reid e Babyface. A partir daí, o grupo se distancia dos primeiros postos dos charts, mas se mantém forte em termos de shows.

No início dos anos 1990, Marcus Hutson saiu do grupo, sem ser substituído, já sofrendo com problemas de saúde que o vitimaram em 2000. Não se sabe como o grupo agirá em relação à perda de Nicholas Caldwell, pois ainda não tivemos um comunicado oficial por parte da banda, que tem diversos shows agendados para 2016. Ao vivo, contam com uma banda de apoio composta por oito músicos de primeira linha.

Uma boa amostra do poder de fogo dos Whispers ao vivo está contido no excepciona DVD Live From Vegas (2007), que saiu no Brasil pela Norfolk Filmes-NFK. O show é um banho de qualidade musical e de cena, com direito a cantores carismáticos como os irmãos Scott, as coreografias e belas vozes de Degree e Caldwell e uma banda impecável, liderada por Grady Wilkins. Tudo leva a crer que o grupo continuará na ativa, mas vamos aguardar.

Rock Steady– The Whispers (1987):

And The Beat Goes On– The Whispers (1980):

In The Raw– The Whispers (1982):

Emergency– The Whispers (1982):

Make It With You– The Whispers (1987):

Lady – The Whispers (1979):

Autobiografia mostra a louca vida do genial Nile Rodgers

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Por Fabian Chacur

Após ler as quase 300 páginas de Le Freak, autobiografia de Nile Rodgers, que saiu no exterior em 2011 e só agora chega ao mercado brasileiro em versão em português, a impressão que fica é de que esse genial guitarrista, compositor e produtor americano é protagonista de um verdadeiro milagre.

Afinal de contas, como um garoto, fruto de um relacionamento entre uma mãe totalmente destrambelhada e viciada com um pai ainda mais drogado e ausente, que cresceu entre as ruas, lares de avós, tias e eventualmente da mãe biológica e que esteve sempre cercado de viciados, traficantes, ladrões, assassinos e quetais conseguiu não só sobreviver como se tornar um dos grandes nomes da história da música pop? Como? Só por milagre de Deus mesmo…

A autobiografia do coautor de Le Freak, Good Times, Everybody Dance e tantos outros clássicos da música pop possui um tom bem franco e bem-humorado, no qual em nenhum momento ele procura julgar as pessoas que o criaram da pior forma possível. Felizmente, ele soube achar um caminho próprio, a música, e se deu bem nele.

A vida pessoal e seus dramas tem prioridade no livro. Lógico que temos relatos do trabalho de Nile com o grupo que o tornou famoso, o Chic, sua incrível parceria com o genial baixista e compositor Bernard Edwards, os discos que produziu para Diana Ross, Madonna e David Bowie e participações em shows e outros eventos. Mas o lado escuro prevalece.

Noitadas de bebidas, drogas e mulheres, as amizades nem sempre muito saudáveis, a proximidade da morte, as eventuais internações, está tudo lá. Para quem gostaria de ler mais sobre o Nile Rodgers músico e produtor, recomendo outro livro que serve como complemento indispensável para Le Freak, o ótimo Everybody Dance- Chic And The Politics Of Disco (2004- Helter Skelter Publishing), de Daryl Easlea, que conta com a colaboração de Rodgers e mergulha fundo nessa área da atuação do músico. Pena que não tenha ainda uma edição em português.

Mesmo assim, Le Freak é obrigatório para quem quer descobrir um pouco mais sobre o cara por trás dessa guitarra irresistível e influente, e suas incríveis composições e produções. Pena que o enredo se encerre no momento em que Rodgers descobre ser portador de um tipo agressivo de câncer, em 2011, deixando um ponto de interrogação no ar.

Para felicidade geral de todos os seus milhões de fãs, ele está vencendo essa batalha, e conseguiu nesses quatro anos voltar às paradas de sucesso com suas participações nos hits Move Yourself To Dance e Get Lucky, do Daft Punk, e gravar um novo álbum do Chic, no qual aproveita gravações inéditas de arquivo e novos takes. Ele também continua fazendo shows. Que possa ir bem além dos 63 anos que viveu até agora!

E fica uma frase do astro, que mostra bem sua perspicácia: “Não é bom viver no passado, mas é um bom lugar para se visitar, e se você for lá, eu estarei lá”. O mote do novo álbum do Chic é tempo, e Rodgers tem vivido cada dia como se fosse ser o seu último, porque um dia, será o último mesmo, como ele diz em seu livro. Repito: que demore bastante!

I’ll Be There – Chic:

I’ll Be There– pequeno making of do CD:

My Forbidden Lover– Chic:

Everybody Dance– Chic:

The Land Of The Good Groove– Nile Rodgers:

Yum Yum– Nile Rodgers:

O versátil Marcus Miller volta para dois shows em São Paulo

Marcus Miller

Por Fabian Chacur

Marcus Miller é um daqueles talentos multifacetados não muito frequentes no mundo da música. Baixista, tecladista, compositor, produtor, arranjador, o cara é bom em todas essas áreas. De quebra, navega por vários estilos musicais. Ele será a atração no dia 6 de agosto (quarta-feira) no Bourbon Street (rua dos Chanés, 127- Moema- fone 0xx11-5095-6100).

Ao lado de Lee Hogans (trompete), Alex Han (saxofone), Brett Williams (teclados), Adam Agati (guitarra) e Louis Cato (bateria), Miller dará uma geral no seu repertório como artista solo, em show instrumental com ênfase em jazz e funk no qual tocará baixo elétrico e baixo clarinete. O show terá duas sessões no mesmo dia, uma às 21h e outra às 23h30, com ingressos entre R$120,00 a R$ 230,00 para cada uma delas.

Nascido em 1959, Marcus Miller é filho de músico e já tocava aos 13 anos de idade. Identificado com a música negra, ele no entanto nunca se restringiu a ela. Em seu extenso currículo, conta com trabalhos ao lado de astros tão diversificados como Donald Fagen, Eric Clapton, George Benson, Wayne Shorter, Dizzy Gillespie, Miles Davis, Roberta Flack, Billy Idol, Jay-Z, Paul Simon, Mariah Carey etc. E tome etc!

Além de atuar como baixista, produtor e arranjador, ele também é compositor dos bons e dono de uma carreira solo repleta de bons trabalhos, entre os quais podemos destacar os álbuns The Sun Don’t Lie (1993) e Tales (1995). Ele também fez trilhas para filmes e séries de TV, entre os quais a da divertida série Todo Mundo Odeia o Cris, sempre reprisada na TV Record e em canais a cabo.

Sempre aberto a novas parcerias, ele integrou dois supergrupos: o S.M.V. ao lado de Stanley Clarke e Victor Wooten e o DMS com George Duke e David Sanborn, formações com as quais fez shows e gravou discos. Calcula-se que ele tenha participado de mais de 500 álbuns, sempre acrescentando muito a cada trabalho ao qual se dedicou.

Power (live)- Marcus Miller:

Show de Marcus Miller realizado em 2012, na íntegra:

Márcio Werneck toca EP no Central das Artes

Por Fabian Chacur

O experiente cantor, compositor e guitarrista Márcio Werneck mostra nesta quinta-feira (17) em São Paulo a partir das 22h o repertório de seu novo trabalho, o EP intitulado Márcio Werneck e Chegados. A apresentação será realizada no bar e restaurante Central das Artes (rua Apinajés, 1.081- Sumaré- fone 3670-4040 www.centraldasartes.com.br), com couvert artístico a R$ 20.

Com mais de 25 anos de carreira, o talentoso Márcio Werneck integrou bandas bacanas como Fábrica Fagus (1987 a 994) e Caboclada (1997). Atualmente, investe em uma mistura de funk de verdade, soul e samba/samba rock, com influências nítidas e elogiáveis de gente do alto gabarito de Tim Maia, Jorge Ben Jor, Carlos Dafé, Cassiano e Hyldon, entre outros.

Márcio Werneck e Chegados, o EP (extended play, espécie de compacto duplo dos tempos do vinil), inclui cinco músicas que enveredam por esse universo musical dedicado à dança e ao swing: Moderno/Medieval, Kendanza, Embaço, Joana e Dos Outros. O repertório do show no Central das Artes trará essas músicas e também homenagens a Jorge Ben Jor e Tim Maia.

Além de Márcio Werneck nos vocais e guitarra, o show trará Carlos Strobing (baixo), Marinho Lemes (bateria), Márcio Fortes (percussão) e Theo Werneck (guitarra e vocais), este último irmão de Marcio e conhecido por ter integrado os grupos Luni (ao lado de Marisa Orth) e Caboclada (com Márcio), além de ter sido badalado DJ em programas de TV ao lado de Luciano Huck, Adriane Galisteu e Tiazinha.

A apresentação também aproveitará a deixa para lançar o videoclipe de Moderno/Medieval, que conta com a participação do músico de Moçambique Bhaka Yafole e cujas cenas foram gravadas na África, continente que Márcio adora e no qual tive diversas experiências em termos musicais que o influenciaram em todos os aspectos de sua trajetória artística e pessoal.

Veja o vídeo de Kendanza, com Márcio Werneck e os Chegados:

Jamie Cullum cativa o ouvinte em Momentum

Por Fabian Chacur

Tornei-me fã de Jamie Cullum em 5 de setembro de 2006, quando tive a chance de ver seu impecável show na extinta Via Funchal, em São Paulo (leia a crítica aqui). Desde então, minha admiração por esse cantor, compositor e músico britânico só aumentou.

Quatro anos após o excelente álbum The Pursuit (leia a crítica aqui), o astro britânico que fará 34 anos no próximo dia 20 de agosto está de volta com Momentum, lançamento da Universal Music que já pode ser incluído entre os melhores trabalhos do ano na área pop.

De formação jazzística, Cullum traz como norte em seus trabalhos o aspecto mais importante desse estilo musical: uma inesgotável capacidade de ampliar seus horizontes musicais, sem se restringir a um único caminho sonoro. Seu objetivo parece ser sempre o de entreter seus fãs com material consistente, criativo e bom de se ouvir. Popular, sim, mas nunca de forma apelativa ou se rendendo a modismos efêmeros.

Nas 12 faixas de Momentum (15 na edição Deluxe, ainda não disponível no Brasil), ele vai do jazz percussivo de The Same Things ao balanço de Everything You Didn’t Do, passando pelo romantismo intimista de Get a Hold Of Yourself, o swing de When I Get Famous, o clima Motown de Anyway e o pop sacudido a la Billy Joel de You’re Not The Only One.

Além das ótimas composições próprias, ele mais uma vez se mostra um habilidoso releitor de material alheio. Aqui, temos uma inusitada e ótima versão funk/hip hop do standard Love For Sale (de Cole Porter e Rodney Smith), com participação de Roots Manuva, e uma bela interpretação de Pure Imagination (Leslie Bricusse e Anthony Newley), da trilha sonora da primeira versão do filme A Fantástica Fábrica de Chocolate (1971). De arrepiar.

Momentum é aquele tipo de disco ideal para quem curte música pop elaborada e fluente, interpretada por um cantor sedutor e pianista swingado e de técnica apurada. Jamie Cullum prova que sofisticação, classe e bom gosto nem sempre levam a um rumo intrincado demais.

Love For Sale- Jamie Cullum e Roots Manuva:

Everything You Didn’t Do- Jamie Cullum:

Herbie Hancock voltará ao Brasil em agosto

Por Fabian Chacur

Herbie Hancock, um dos nomes mais importantes da história do jazz, voltará ao Brasil em breve. O tecladista, maestro e arranjador americano vai tocar no Credicard Hall (SP) no dia 22/8 e no dia 24/8 no Citibank Hall (RJ). Também está prevista uma apresentação do artista no Festival MIMO, em Paraty (RJ).

Nascido em 12 de abril de 1940 nos EUA, Herbie Hancock traz como marca registrada a amplitude de sua visão musical, nunca se restringindo a um único estilo musical, embora sempre tenha tido como embasamento o jazz e a música erudita. Ele se tornou conhecido do grande público em meados dos anos 60.

De um lado, gravou discos solo que tornaram conhecidas na época músicas como Cantaloupe Island (relida com muito sucesso em 1993 com o título Cantaloup-Flip Fantasia pelo grupo US3) e Watermelon Man (sucesso também na gravação de Mongo Santamaria). Do outro, integrou o segundo quinteto de Miles Davis, que também incluía gênios como Ron Carter (baixo), Tony Williams (bateria) e Wayne Shorter (sax).

Nos anos 70, investiu com categoria em uma fusão de jazz e funk music no álbum The Headhunters (1973), que fez sucesso comercial e influenciou inúmeros músicos dos quatro cantos do mundo. Em 1983, lançou o álbum Future Shock, cuja faixa Rockit estourou nas paradas e marcou uma pioneira fusão de jazz, funk e rap, divulgada por um clipe sensacional.

Em sua estante de premiações, o músico americano ostenta 14 troféus Grammy, sendo um deles vencido na categoria álbum do ano com River: The Joni Letters, gravado em homenagem à cantora, compositora e musicista canadense Joni Mitchell. Seu álbum The Imagine Project (2010) contou com participações especiais de Jeff Beck, Seal, Dave Matthews, Chaka Khan e a brasileira Céu.

Hancock nos visitou várias vezes e sempre teceu grandes elogios à música brasileira, tendo tocado com Milton Nascimento e Céu, entre outros. Os ingressos para os shows em São Paulo custam de R$ 30a R$ 450, enquanto no Rio os preços variam de R$ 70 a R$ 400. Mais informações: 4003-5588 e www.ticketsforfun.com.br .

Veja o inovador clipe de Rockit, com Herbie Hancock:

Ben Harper e Charlie Musselwhite: que dupla!

Por Fabian Chacur

De um lado, Charlie Musselwhite, gaitista de blues nascido em 31 de janeiro de 1944 e conhecido por sua carreira solo e parcerias com outros artistas. Do outro, Ben Harper, cantor, compositor e músico americano vindo ao mundo em 28 de outubro de 1969 e nome badalado do cenário do blues rock. Juntos após dez anos de tentativas, eles lançam um explosivo álbum em dupla, Get Up!, que sai no Brasil agora com o mítico selo Stax, hoje propriedade da Universal Music.

Musselwhite lançou seu primeiro álbum solo em 1966, e além de uma trajetória individual intensa, colaborou com artistas do alto calibre de Bonnie Raitt, Tom Waits, Cyndi Lauper e o grupo australiano Inxs. Com este último, gravou a sacudida Suicide Blonde, por sinal um dos maiores hits da banda do saudoso cantor Michael Hutchence.

Lógico que seria de se esperar que Get Up! fosse um disco centrado no universo do blues, pois desde que se tornou conhecido do grande público, a partir de 1997 com o álbum Will To Live, Ben Harper sempre usou boas doses desse seminal gênero musical na sua obra. E a expectativa se confirmou, mas de forma bastante positiva.

Get Up!, em suas dez ótimas faixas, viaja por várias vertentes blueseiras, como o blues rural, o country blues e o hard blues, além de mergulhar também em derivações como o blues rock, o hard rock, a soul music e o funk. A harmônica swingada e com assinatura própria de Musselwhite pontua o vozeirão de Harper, com acompanhamento instrumental ora minimalista, ora mais encorpado, mas sempre exato.

A faixa-título e as ótimas You Found Another Lover (I Lost Another Friend), I Don’t Believe a Word You Say e Don’t Look Twice podem ser destacadas, mas o álbum é daqueles para se ouvir na íntegra, especialmente por não cair em repetições e não deixar o ouvinte cair no tédio.

Ben Harper é aquele tipo de artista que investe em vertentes musicais tradicionais de forma competente e consistente, sem criar nada de realmente novo mas proporcionando a seus fãs um som forte, intenso e no qual ele imprime sua alma sem medo de ser feliz. Já vi esse cara ao vivo, e ele é do ramo, sendo ótimo músico e um cantor dos bons.

Get Up! é daquele tipo de trabalho que já nasce clássico, e que certamente trará ótimos frutos aos dois músicos envolvidos, prova de que quando artistas de gerações distintas possuem evidentes afinidades e resolvem juntar suas sonoridades para ver no que dá, a chance de render coisa boa é sempre grande. Aqui, não deu outra!

I Don’t Believe a Word You Say:

You Found Another Lover (I Lost Another Friend):

Get Up! (live):

Sly Stone lançará novo álbum após 29 anos

Por Fabian Chacur

No dia 16 de agosto, uma espera de 29 anos deverá ter fim, segundo informações do site da revista britânica New Musical Express.

Nessa data, deverá sair em vinil e CD I’m Back! Family & Friends, novo álbum do lendário Sly Stone.

Stone, que se notabilizou como líder da seminal banda Sly & The Family Stone nos anos 60 e 70, lançou seu álbum anterior, Ain’t But The One Way, em 1982.

Desde então, fez esparsas participações em discos alheios e sumiu até o meio da década passada, quando começou a fazer um ou outro show, como mostra bem o sensacional documentário Coming Back For More, comentado aqui em Mondo Pop.

O novo álbum contará com participações especiais de nomes importantes da música, entre os quais Jeff Beck, Ann Wilson (do grupo Heart) e Johnny Winter.

Além de releituras de clássicos de seu repertório, o álbum trará três músicas inéditas: Plain Jane, Get Away e His Eye On The Sparrow, sendo que na versão CD, a última faixa também será incluída em três versões remixadas.

Eis a relação de faixas:

Dance To The Music – com Ray Manzarek (ex-The Doors)

Everyday People -com Ann Wilson (do grupo Heart)

Family Affair

Stand! com o baterista Carmine Appice (ex-Vanila Fudge) e o saxofonista Ernie Watts (tocou com os Rolling Stones)

Thank You – com Johnny Winter

I Want to Take You Higher – com Jeff Beck

Hot Fun In The Summertime – com Bootsy Collins (ex-Funkadelic/Parliament)

Plain Jane

His Eye On The Sparrow

Get Away .

Participação de Sly Stone no festival Coachella 2010:

Ouça a versão original de Family Affair:

Sly Stone é entrevistado em documentário

Por Fabian Chacur

Sly Stone é uma espécie de mago da música pop.

Sua capacidade de misturar elementos musicais em sua obra, além de não obedecer limites ou preconceitos, o tornou um dos grandes gênios dessa nem sempre muito maravilhosa pop music.

Como cantor, compositor, músico e líder da seminal banda Sly & The Family Stone, ele revolucionou ao misturar soul, rock, jazz, pop, psicodelismo e o que mais lhe viesse à cabeça.

Comandante de uma banda multirracial, ignorou rascismos, fascismos e outros ismos do mal.

Resultado: grooves maravilhosos, músicas fantásticas e performances ao vivo marcantes, entre as quais uma no festival de Woodstock, em agosto de 1969, um dos grandes registros da história do rock e do pop.

Da segunda metade dos anos 60 ao final dos 70, lançou músicas essenciais como Dance To The Music, Stand!, The Family Affair, Thank You, Everybody Is a Star e inúmeros outros.

No entanto, a partir do finalzinho dos anos 70, Stone começou a sumir de cena, até que, nos anos 90, ninguém tinha a mínima ideia de onde o cidadão havia parado, ou se ainda fazia algo.

No início dos anos 2000, o cineasta holandês Willem Alkema resolveu ir atrás dessas respostas, com um objetivo firme: entrevistar o astro sumido.

Coming Back For More (2010 – 74 minutos), que está sendo exibido neste mês de maio no Brasil como parte do festival In-Edit~Brasil em São Paulo e Rio, é o registro dessa experiência única.

Durante mais de cinco anos, Alkema correu atrás de todas as pistas possíveis, além de entrevistar músicos que tocaram na Family Stone, produtores, fãs ilustres etc. Todos duvidavam que ele conseguiria atingir o seu intuito.

Com a ajuda de dois gêmeos holandeses megafãs do mestre da black music, ele tanto tentou que enfim conseguiu não só realizar o seu intento, como praticamente ficar amigo de Sly Stone.

Além da entrevista, na qual o músico revela os problemas que teve com contadores, produtores etc e que o levaram a sumir por tanto tempo, o documentário também inclui registros dos anos áureos de Sly & The Family Stone.

O jeito malucão de Stone, que visivelmente passou por sérios problemas de saúde que lhe deixaram algumas sequelas (embora sua voz continue maravilhosa), cativa, assim como os gêmeos, que sabem mais sobre a carreira do gênio do que ele próprio.

Coming Back For More é a realização de um verdadeiro sonho maluco, que Willem Alkema agora compartilha com o público;

Veja o trailer de Coming Back For More:

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