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Hanna lança CD em homenagem a João Gilberto com show no RJ

hanna_0045sa- creditos Antonio Guerreiro - 400x

Por Fabian Chacur

Há quatro anos, a cantora Hanna, uma alagoana radicada no Rio, lançou um álbum em homenagem a João Gilberto. A repercussão do trabalho foi tão boa que ela resolveu mergulhar mais uma vez no universo musical do consagrado cantor, compositor e violonista baiano, e assim surgiu O Amor É Bossa-Nova- Homenagem a João Gilberto Volume 2, cujo show de lançamento no Rio de Janeiro será nesta sexta (7) às 21h na Casa Julieta de Serpa (praia do Flamengo, nº 340- Flamengo- fone 0xx21-2551-1278), com ingressos a R$ 30,00 (meia) e R$ 60,00 (inteira).

Com 23 faixas, o disco duplo traz como trunfos duas composições de João Gilberto, Bim Bom e Hó-Ba-La-Lá, cujas regravações foram devidamente autorizadas pelo autor, algo não muito frequente. Ela também escolheu composições de outros autores que o Papa da Bossa Nova consagrou em seu repertório, entre elas Eu Vim da Bahia, Fotografia, O Samba da Minha Terra, Pra Que Discutir Com Madame, Águas de Março, Insensatez e Retrato Em Preto e Branco.

No show, Hanna será acompanhada por Lulu Martin (piano), Jorge Pescara (contrabaixo), Tinho Martins (sax e flauta) e Fabio Cezanne (bateria). Com mais de 30 anos de carreira, a cantora teve músicas em trilhas de filmes e novelas, além de shows pelo Brasil e em países como Itália, Suíça, Grécia e França. Sentimentos foi gravada por ela e entrou na trilha da novela global Partido Alto (1984), tendo sido tema da personagem vivida pela atriz Cristiane Torloni.

Eu Vim da Bahia (clipe)- Hanna:

João Gilberto faz 80 anos mais chato do que nunca

Por Fabian Chacur

Nesta sexta-feira (10), João Gilberto completou 80 anos de idade e pelo menos uns 40 ou 50 de auto-indulgência total e completa.

Sim, meus caros, você não irá ler aqui mais um dos inúmeros textos laudatórios e repletos de adjetivos dizendo que é Deus no céu e Mr. Gilberto na terra.

Para mim, John Gilbert sempre foi o esteótipo do mala, do chato, daquele cara que fez coisas realmente importantes, mas que preferiu se manter namorando o umbigo ao invés de crescer como artista.

A criação e popularização da célebre batida do violão da bossa nova, além de algumas das mais importantes gravações da fase inicial desse estilo musical, fazem dele um nome realmente respeitável.

Lógico que gosto de suas gravações de Chega de Saudade, Desafinado, Wave, S’ Wonderful, e que sua voz sempre se manteve agradável e bem colocada.

Mas, ao contrário de Tom Jobim, por exemplo, ele estacionou no tempo, tal qual um Chuck Berry da música brasileira, deitando em cima dos louros do que ajudou a criar e não fazendo rigorosamente mais nada de criativo.

Tom, sim, merece ser chamado de Papa da Bossa Nova. Ele compôs vários dos maiores clássicos do gênero, sempre evoluiu como músico, sempre se abriu a belas e produtivas parcerias…

Mesmo às vésperas da morte, que infelizmente ocorreu em um triste novembro de 1994, Jobim lançou um álbum fantástico, Antonio Brasileiro. Ou seja, criou até o último instante, praticamente.

Enquanto isso, o JG se manteve repetindo até a exaustão a fórmula criada por ele, com sutilezas que nunca justificaram a baba dos fãs, sempre com a maldita frase “ele se reinventa a cada ano”. O cacete!

Shows dele são sempre a mesma coisa, com pedidos neuróticos de silêncio e a repetição daquelas músicas de sempre (belas, sem dúvida, mas que a gente já ouviu milhares de vezes, sempre do mesmo jeito).

Em termos de discos a partir dos anos 60, para cada Amoroso (que, embora bom, acho superestimado pela crítica), temos inúmeros daqueles ao vivo inócuos e repletos de mais do mesmo.

As excentricidades ajudam a mantê-lo na mídia, mas não são audíveis, ou pelo menos não resultam em coisas positivas no aspecto criativo.

A mais recente, revelada por Ruy Castro, me deixou de queixo caído. Sabem que ele não troca as cordas do próprio violão, delegando essa tarefa a amigos? Vai ser preguiçoso no inferno…

E tem outra coisa: o que esse cara compôs? Não que para ser considerado gênio o músico tenha necessariamente também ser autor, mas o caso dele é absurdo. Oba-la-lá? Dim-dom? Undiú? Socorro!

Não tenho a menor dúvida de que, quando ele fizer os tais shows comemorativos e gravar o tal DVD/CD ao vivo, que certamente terá o apoio das “leis de incentivo do governo” de sempre, todos irão babar ovo.

Genial, reinvenção da reinvenção, um gênio eterno, lenda viva, podem anotar, que essas palavras estarão nos textos a caminho. E inúmeros outros adjetivos. E também as culionésimas versões de Chega de Saudade, Garota de Ipanema etc.

Para mim, Johannes Gillbertus é um pioneiro de inegável valor que, no entanto, foi atropelado por seus seguidores, gente como Caetano Veloso, Edu Lobo, Gilberto Gil, Roberto Carlos, João Bosco, Toquinho etc (e tome etc), músicos que aprenderam suas lições e que souberam ir bem além delas.

Enquanto isso, o pato continuou cantando alegremente, quém-quém…

Comer Rezar Amar recicla outras trilhas

Por Fabian Chacur

As trilhas dos filmes de Quentin Tarantino criaram uma espécie de moda: a reciclagem de músicas já utilizadas em outras atrações cinematográficas.

Um bom exemplo recente é o de Bastardos Inglórios, que usa a música Cat People, de David Bowie, tema do filme de mesmo título, de 1981.

Quem se vale novamente desse artifício é o blockbuster hollyoodiano Comer Rezar Amar.

A atração estrelada por Julia Roberts tem trilha com 14 faixas (lançada no Brasil pela Universal Music) que inclui apenas dois temas feitos sob encomenda. O resto do repertório foi montado com pura reciclagem.

As inéditas são bacanas. Uma é a instrumental Attraversiamo, de Dario Marianelli, único exemplar da trilha incidental a entrar no álbum.

A outra é Better Days, composta e gravada por Eddie Vedder, do Pearl Jam, que se incumbiu de todos os instrumentos, também.

De resto, temos desde Last Tango In Paris (Suite Pt.2), de Gato Barbieri, feita para o filme O Último Tango Em Paris, clássico dos anos 70, até várias músicas que entraram em mais de uma trilha, tipo Thank You (Fallettin Me Be Mice Elf Agin), de Sly & The Family Stone e Got To Give It Up, de Marvin Gaye.

O álbum inclui mais duas vertentes interessantes.

Neil Young comparece com dois clássicos de seu lado mais acústico e bittersweet, as belíssimas Heart Of Gold (de 1972, foi número um nos EUA naquele ano) e Harvest Moon (do álbum homônimo de 1992).

A velha e boa bossa nova marca presença com a família Gilberto.

Papai João entrou no álbum com duas de suas melhores interpretações, Wave e ‘S Wonderful (curiosamente usadas em trilhas de telenovelas brasileiras), e a filhota Bebel com Samba da Bênção.

O álbum também traz outra de trilha anterior, The Long Road, gravada pelo mesmo Eddie Vedder e por Nusrat Fateh Ali Khan em 1996 para a trilha de Dead Man Walking.

Apesar desse aspecto “colcha de retalhos”, o CD Comer Rezar Amar – Trilha Sonora Original do Filme é muito bom de se ouvir, e pode ser ótimo para quem não tem essas músicas em outros discos.

Uma última curiosidade: Der Holle Rache Kocht In Meinem Herzen, na verdade trecho da ópera A Flauta Mágica, que já foi utilizada em um comercial aqui no Brasil e que entrou em pot pourry com (I Can’t Get No) Satisfaction, dos Rolling Stones, em célebre dueto de Cássia Eller e Edson Cordeiro.

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