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Biquini Cavadão e Péricles gravam um single em parceria

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Por Fabian Chacur

Em 2019, entre outras atividades, o Biquini Cavadão inaugurou um novo projeto. Trata-se de Vou Te Levar Comigo, cuja intenção é lançar singles nos quais o grupo carioca juntará forças com artistas de outros segmentos musicais. O início foi com Quanto Tempo Demora Um Mês, com a dupla sertaneja Matheus & Kauan (ouça aqui). A segunda colaboração traz como atração o cantor Péricles, ex-integrante do grupo Exaltasamba.

“O rock do Biquini nunca se prendeu a fronteiras do nosso próprio estilo. Por isso, nossas parcerias sempre foram inusitadas, abrindo as portas para que novos fãs conheçam nosso trabalho”, explica o guitarrista e produtor Coelho, que ao lado de Bruno (vocal), Miguel (teclados) e Álvaro Birita (bateria) integra a banda.

Desta vez, eles optaram por unir outro grande hit do quarteto, Janaína, com uma composição icônica de Chico Buarque, Cotidiano. “Considero Construção (1971) um dos melhores discos que já ouvi. E os versos de Chico Buarque casam muito bem com a Janaina que acorda todo dia às 4:30 e que, nesta versão, tira o marido da cama às seis horas para ele trabalhar”, finaliza Bruno.

Janaína/Cotidiano (clipe)- Biquini Cavadão e Péricles:

Isso É Amor, do Ira!, é relançado em vinil 180 gramas e fita cassete

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Por Fabian Chacur

Uma quantidade significativa dos recentes relançamentos em vinil se concentra em trabalhos já anteriormente lançados nesse formato. Isto É Amor, do Ira!, que a Polysom estará disponibilizando em LP de 180 gramas e também em fita cassete, foge desse perfil, pois saiu em 1999, quando os discos chegavam ao mercado brasileiro exclusivamente em CD, que atualmente vive uma espécie de ostracismo temporário em alguns desses projetos de resgate de grandes álbuns. Uma pena.

Como foi concebido para a duração bem maior de tempo proporcionada pelos compact discs, Isso É Amor contém quase 50 minutos de conteúdo musical. Como forma de viabilizar uma edição em vinil sem prejudicar a qualidade técnica, a Polysom optou por oferecer o LP com 12 faixas, sendo que as duas faixas restantes do formato original aparecem em um compacto simples de vinil que será vendido junto com o “bolachão”.

Isso É Amor flagra o grupo então integrado por Nasi (vocal), Edgard Scandurra (guitarra e vocal), Ricardo Gaspa (baixo) e André Jung (bateria) relendo canções alheias. As faixas que tiveram maior repercussão do CD, na época lançado pela hoje extinta Abril Music, foram Telefone (hit da Gang 90), com participação de Fernanda Takai, e Bebendo Vinho (de Wander Wildner).

Outros momentos bacanas deste trabalho do grupo paulistano são Jorge Maravilha, rock bissexto de Chico Buarque, Teorema (da Legião Urbana de Renato Russo) e Um Girassol da Cor do Seu Cabelo (Lô e Márcio Borges), esta última com participação especial de Samuel Rosa, do Skank. O título do álbum foi extraído do refrão da música Telefone, o maior hit da Gang 90 do saudoso Julio Barroso.

Ouça Isto É Amor em streaming:

O fim do Skank e a ditadura dos eternos fiscais de carreira alheia

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Por Fabian Chacur

A notícia mais bombástica do último fim de semana não teve relação com a política, como na maior parte do tempo no Brasil e no mundo atual. Trata-se da divulgação da futura separação de uma banda. Em comunicado oficial publicado em seu site (leia aqui), o Skank anunciou que sairá de cena, após a realização, em 2020, de uma turnê de despedida, intitulada 30 Anos. Será, portanto, o ponto final em uma das mais bem-sucedidas trajetórias do pop-rock brasileiro.

O anúncio, seguido por extensa entrevista publicada neste fim de semana do vocalista e guitarrista do grupo mineiro, Samuel Rosa, à coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, causou rebuliço nos “tribunais de feicebuque” da vida. Claro que cada um tem o direito de opinar da forma que achar melhor. Mas fica difícil encarar aqueles que exprimem frases como “já deveriam ter acabado há muito tempo” ou mesmo “já deram o que tinham que dar”.

Cada dia fica mais claro para mim que o tempo de duração de uma carreira, seja lá qual for, deve ser definido única e exclusivamente por quem está envolvido com ela. Se é relevante, se tem público, se tem boa repercussão, se é decadente, cada um que pague o preço por suas decisões. Não há um único caminho para te levar à felicidade. Por que esse desejo de impor uma regra rígida para todos os casos? Que cada um trabalhe naquilo que quiser pelo tempo que quiser. Quem somos nós para definir isso?

E esse pito vale até para o próprio Samuel Rosa, que durante a entrevista à Folha sugeriu que diria aos cantores Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial, e Rogério Flausino, do Jota Quest, para fazerem o mesmo, deixando suas bandas para se dedicar a outros projetos. Se esse é o desejo dele, que vá em frente, mas sem querer dar uma de fiscal de carreira alheia.

O anúncio logicamente tem um ar oportunista, pois não se concretizará de imediato. Antes, teremos uma turnê celebrando os 30 anos de carreira do quarteto. Normalmente, esse tipo de tour costuma render uma baita de uma grana, atraindo fãs de todos os cantos devidamente atraídos pelo teor de “um dia, um adeus” criado nessas situações. Ainda mais se levarmos em conta que o repertório terá 30 hits e uma canção inédita, reunidas em um álbum que servirá como uma espécie de souvenir.

Pelas declarações dadas pelos outros integrantes do time a ser desfeito- Henrique Portugal (teclados), Lelo Zaneti (baixo) e Haroldo Ferretti (bateria), a coisa está sendo feita de comum acordo, e ninguém pensa em dar continuidade ao Skank sem seu vocalista e guitarrista, obviamente o detonador desse processo de separação.

Eles decidiram o que era melhor para eles. Nada mais legítimo. Isso não precisa ser modelo para outros grupos ou artistas. Uns duram pouco, outros tem carreiras longas. Uns estouram e ficam trilionários, outras catam moedinhas nas ruas. Uns concebem obras inesquecíveis e indispensáveis, outros vomitam porcarias inomináveis. É assim que a vida é.

E tem também aqueles que se despedem com toda a pompa e que, depois de alguns anos, acabam voltando à ativa. Como será, no caso específico do Skank, só saberemos com o tempo. Mas que também ninguém os avacalhe se por ventura tivermos futuramente uma turnê com o título Te Ver de Novo ou coisa que o valha. Afinal, nada como ter algum trabalho que te permita pagar as contas. Quem me dera que eu tivesse um desse mesmo tipo…

Te Ver (clipe original)- Skank:

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