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Uganga ousa e consolida a sua sonoridade com o álbum Servus

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Por Fabian Chacur

Não é fácil desenvolver uma sonoridade original e consistente na seara do rock pesado. Um dos problemas é o fato de esse gênero exigir virulência e massa sonora, o que às vezes leva algumas bandas a caírem em uma armadilha que as prendem a clichês que sempre dão certo em termos gerais, em detrimento de uma personalidade mais apurada. O grupo mineiro Uganga, em seus mais de 25 anos de trajetória, nunca despencou nesse perigoso alçapão, e dessa forma cresce a cada ano. Servus, o seu novo álbum, mostra mais uma vez o poder criativo e energético dessa turma do barulho, no melhor sentido do termo.

A história do Uganga (leia mais sobre eles aqui) teve início no Triângulo Mineiro, mais precisamente na bela cidade de Uberlândia (MG). Possuem no currículo cinco álbuns de estúdio, um ao vivo gravado na Alemanha, um DVD incluindo documentário sobre sua trajetória e show ao vivo e turnês por Brasil e Europa.

A maturidade adquirida nessa trajetória se mostra muito evidente em Servus, a partir dos apoios obtidos para a sua realização. A Waken Foundation, por exemplo, é uma organização alemã sem fins lucrativos criada em 2008 pelos produtores do festival Waken Open Air, considerado o maior de heavy metal do planeta, e que apoia projetos consistentes de hard e heavy metal de todo o mundo. Outro parceiro importante para a realização deste álbum é o Programa Municipal de Incentivo À Cultura (PMIC) de Uberlândia, que soube reconhecer o quanto a banda divulga e eleva o nome da cidade pelo mundo afora.

O retorno desses investimentos você percebe logo ao manusear o CD físico, com direito a capa digipack dupla e um encarte luxuoso com letras, fotos e ficha técnica completa. As impactantes artes de capa e contracapa ficaram a cargo do artista pernambucano Wendell Araújo, que já trabalhou com grupos como Ratos de Porão e Cólera. A qualidade técnica de gravação, mixagem e masterização tem padrão internacional, e foi feita em nosso país, basicamente no estúdio Rock Lab, em Goiânia (GO), com produção a cargo do vocalista da banda, Manu Joker, em parceria com Gustavo Vazquez.

Se tudo isso relatado até aqui já seria suficiente para ficar bem impressionado com o Uganga, o que de fato os torna dignos de muitos elogios é o conteúdo musical de Servus. Mesmo com tanto tempo de estrada, o time continua com aquela fúria energética típica de bandas iniciantes. No entanto, essa adrenalina toda é filtrada de modo a gerar um resultado tecnicamente impecável, fugindo da mera barulheira insana rumo a uma estrutura na qual você consegue ouvir cada detalhe, incluindo as tramas das guitarra, a sólida cozinha rítmica e os penduricalhos adicionais incluídos em cada uma das 13 faixas.

Capitaneando essa estrutura bem azeitada, Manu Joker se mostra um dos melhores cantores de rock pesado do Brasil. Sua voz tonitroante é controlada de forma quase cirúrgica, e com uma dicção impecável (algo não tão frequente em vocalistas dessa praia), que nos permite entender e mergulhar nas letras em português, o que valoriza ainda mais as conquistas deles no exterior, onde o inglês é quase obrigatório para quem quiser ver sua música valorizada.

O conteúdo poético contido nas letras do álbum traz um forte protesto contra o sofrimento da maior parte da população nas mãos dos poderosos de plantão, sem cair em panfletarismos ou ideologias restritivas. O refrão da alucinada faixa título exemplifica bem essa linha de pensamento: “escravos somos nós, escravos coniventes de loucos genocidas insanos, errados somos nós, massa de manobra, não mais do que servos”. A esperança de tempos melhores, no entanto, sempre aparece, com elementos espiritualistas sendo utilizados.

Manu tem a seu lado neste álbum Christian Franco (guitarra), Thiago Soraggi (guitarra), Maurício “Murcego” Pergentino (guitarra), Raphael “Ras” Franco (baixo e vocais) e Marcelo Henriques (bateria e vocal). Pergentino saiu do time após a gravação do álbum, substituído por Lucas “Carcaça”. Um time coeso, vibrante e tecnicamente impecável, que viabiliza a sonoridade thrascore, uma mistura de thrash metal com o punk hardcore, de forma plena e muito criativa.

Também temos as participações especiais da cantora e dançarina pernambucana Flaira Ferro, que com Manu e Luiz Salgado divide os vocais da incrível faixa E.L.A., do grupo chileno de rap Lexico na vigorosa Hienas, e também de Renato BT (do John No Arms), DJ Eremita, Marco Melo (sax), Fábio Marreco (do Totem) e o espiritualista Sr. Waldir, este último na enigmática Depois de Hoje…, que traz sampler de um discurso do líder pacifista indiano Mahatma Ghandi.

Servus nos mostra uma inquietude e inconformismo com os rumos atuais vividos pela humanidade, mas sempre com um olho no futuro que pode ser melhor, se as pessoas do bem se unirem para modificar essa situação. Com este álbum, o Uganga mostra que quem considera o heavy metal um antro de gente que só sabe fazer barulho insano e abordar temas satânicos precisa urgentemente atualizar os seus conceitos. Aqui, estamos diante de rockers do melhor calibre, lutando por um mundo melhor em todos os sentidos, tanto musicais como de convivência entre os seres humanos.

Servus (videoclipe)- Uganga:

Manifesto Cerrado traz a bela trajetória do grupo Uganga

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Por Fabian Chacur

Criada no Triângulo Mineiro em meados dos anos 1990 pelo ex-integrante da seminal banda Sarcófago Manu Joker, a Uganga hoje pode ser incluída sem nenhum exagero no hall das melhores formações do rock brasileiro, independente de estilo (o deles é o thrashcore, só para constar). Uma boa forma de se entender o porque Mondo Pop dá tanta moral para esses caras é conferir Manifesto Cerrado, DVD financiado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PMIC) da cidade de Araguari (MG) e também disponível no Youtube.

Fazer rock no Brasil não é tarefa para qualquer um, exigindo dos dispostos a encarar tal desafio muita garra, resistência e talento. E a trajetória percorrida por Manu Joker e seus parceiros representa bem isso. Manifesto Cerrado é dividido em duas parte. A primeira, com 75 minutos de duração, é um documentário que dá uma geral em sua história, sendo que a segunda traz o registro de um show ao vivo.

O documentário detalha a caminhada dessa banda, que passou por diversas mudanças em sua formação até o lançamento de seu primeiro CD, Atitude Lótus (2003). Com depoimentos de seus integrantes e cenas de arquivo, incluindo uma histórica aparição na MTV em 1999, a narrativa chega até 2013, quando o grupo fez sua segunda turnê europeia, que passou por países como Itália, Alemanha, Polônia, França, Suíça, Eslováquia, Hungria, Eslovênia e Áustria.

Nessa época, a formação do Uganga estava consolidada em torno de Joker (vocal), seu irmão Marco Henriques (bateria), Christian Franco (guitarra) e seu irmão Raphael Ras Franco (baixo e vocais) e Thiago Soraggi (guitarra). Aí, em pleno processo da pré-produção do que viria a ser o seu quinto álbum, Opressor (2014- leia a resenha de Mondo Pop aqui), diversos problemas de saúde infernizaram a vida dos rapazes.

Mesmo assim, eles não só conseguiram dar conta da gravação como nos ofereceram o até o momento melhor trabalho de sua carreira, um disco sólido e vigoroso. O amigo e guitarrista Maurício Murcego Pergentino (do grupo Canábicos) foi convocado para ajudar nos shows e acabou incorporado ao time. Nos depoimentos e cenas de estrada, fica clara a irmandade entre os integrantes do Uganga, o que explica onde eles arrumaram forças para superar os problemas.

O final do documentário mostra o agora sexteto em vias de iniciar a pré-produção de seu próximo álbum, em um astral dos melhores. Com direção e produção a cargo do cineasta Eddie Shumway, o trabalho também demonstra a importância dos amigos e da produtora Som do Darma e do selo Sapólio Rádio para que o grupo atingisse o estágio atual, digno de participar de festivais de grande porte, do tipo Rock in Rio e Lollapalooza, o que ainda não ocorreu, mas irá ocorrer, se depender da qualidade artística deles.

A segunda parte do DVD é um show realizado em julho de 2014 na histórica Estação Stevenson, parada de trens situada às margens da rodovia que liga as cidades mineiras de Uberlândia e Araguari. Com 47 minutos, o espetáculo é realizado em um palco no qual a banda fica circundada pela plateia, em um formato intimista no qual o grupo se mostrou repleto de energia, mostrando músicas de Opressor e de outros momentos de sua carreira até então, incluindo um cover da histórica banda paulista Vulcano, Who Are The True?, a única em inglês do repertório de 11 músicas.

Se conseguiu superar tantos desafios e realizar tantas coisas bacanas nesses seus mais de 20 anos de estrada, Manu Joker, seu vozeirão de trovão e sua afiadíssima turma do barulho tem tudo para nos oferecer, em um futuro não muito distante, mais doses maciças de seu vigoroso e inteligente rock pesado, no qual as letras trazem mensagens positivas e poderosas. Vale ficar ligado neles e em outros representantes do rock do Triângulo Mineiro.

Veja o show do DVD Manifesto Cerrado, do Uganga:

Uganga lança videoclipe com sua releitura de Motorhead

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Por Fabian Chacur

Às vésperas do início das gravações de seu novo álbum, a banda Uganga lança um videoclipe para ilustrar sua ótima releitura de Damage Case, clássico lançado pelo Motorhead em 1979 em seu segundo álbum, Overkill. A gravação faz parte do tributo Going To Brazil- The Brazilian Tribute To Motorhead, álbum duplo lançado pela gravadora britânica Secret Service Records que também traz bandas como Ratos de Porão, Distraught, Claustrofobia e Torture Squade, entre outras.

Gravado em Goiânia (GO) no estúdio Rocklab, a gravação mostra a banda integrada por Manu Joker (vocal), Rafael “Ras” Franco (baixo), Christian Franco (guitarra), Maurício “Murcego” Pergentino (guitarra), Thiago Soraggi (guitarra) e Marco Henrique (bateria) mais entrosada do que nunca. A edição do clipe ficou a cargo de Ras, que fez a montagem com cenas registradas durante as sessões.

Na estrada desde 1993 e oriunda de Uberlândia (MG), a Uganga se consolidou no Brasil e no cenário mundial do heavy metal. Boa prova disso é o fato de que seu próximo álbum terá como patrocinadora a Wacken Foundation, organização alemã sem fins lucrativos criada em 2008 pelos organizadores do Waken Open Air, um dos maiores e mais tradicionais festivais de heavy e hard rock do mundo, cujo objetivo é incentivar bandas de rock pesado do mundo todo.

Com um trabalho consistente e vigoroso, o grupo traz como destaque o vocalista Manu Joker, que foi baterista da histórica banda Sarcófago, pioneira do heavy rock mineiro ao lado do Sepultura. Sua discografia traz itens bacanas como Eurocaos Ao Vivo (2013), gravado ao vivo na Europa, e Opressor (2015, leia a resenha de Mondo Pop aqui).

Damage Case (clipe)- Uganga:

Uganga esbanja competência em seu ótimo CD Opressor

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Por Fabian Chacur

O cenário do rock pesado brasileiro é um dos mais bem estruturados da música brasileira como um todo. É repleto de talentos, independe da grande mídia para sobreviver e construiu um circuito de selos, shows e estúdios que lhe permite evoluir e ampliar seus horizontes. Isso explica o porque uma banda como a Uganga consegue lançar um álbum tão bom como Opressor, lançamento da gravadora Sapólio Rádio com distribuição de Voice Music e Hellion Records. Coisa fina!

Com 20 anos na ativa, o grupo mineiro tem em seu currículo quatro álbuns de estúdio (incluindo o mais recente) e um ao vivo, o impressionante Eurocaos Ao Vivo (2013), gravado ao vivo durante a primeira turnê europeia do quinteto e uma espécie de atestado de bons antecedentes em relação à alta qualidade de seus músicos em cena.

Lançar algo com a mesma ou ainda mais qualidade depois desse live album seria um grande desafio, e o Uganga conseguiu seu intuito. Gravado no estúdio Rocklab, em Goiânia (GO), conta com a produção de Gustavo Vazques (que já trabalhou com Macaco Bong, Black Drawning Chalks e outras bandas bacanas), que deu um show de bola/som.

A mixagem de Opressor é do tipo “na cara”, bem poderosa, mas cada instrumento pode ser apreciado separadamente, sem confusões, sendo que a massa sonora transpira energia, agressividade e eficiência. Os duelos entre as guitarras (de Christian Franco e Thiago Soraggi), sempre concisos e cirúrgicos, e o entrosamento perfeito da cozinha rítmica (Raphael Ras Franco no baixo e Marco Henriques na bateria) dão ao trabalho padrão internacional.

A cereja do bolo fica por conta do vocalista Manu Joker, ex-integrante da Sarcófago, uma das pioneiras do heavy mineiro ao lado do Sepultura. O cara tem uma voz potente e uma qualidade rara na cena: sua dicção perfeita permite ao ouvinte entender cada letra de cada canção de forma cristalina e sem margem a dúvidas. Um cantor completo.

Outra marca do quinteto é o fato de se valer de ótimas letras em português, provando que é possível usar nosso idioma em estilos mais radicais do rock and roll sem perder a força. O tema opressão permeia as canções, falando de problemas atuais como violência policial, corrupção dos políticos, drogas, guerras e tudo o que inferniza o século XXI.

O estilo do Uganga pode ser definido como thrashcore (fusão de thrash metal com hardcore), mas se trata de um rótulo totalmente dispensável. Como toda grande banda, eles se valem de elementos sonoros de várias origens, e o resultado final é, na verdade, o mais puro rock and roll pesado. Sem amarras nem frescuras ou limitações estilísticas.

Opressor ganha o ouvinte com faixas fortes como Guerra, O Campo (com letra inspirada no campo de concentração de Auschwitz, por onde eles passaram durante a tour europeia), Moleque de Pedra, Casa, Modus Vivendi e Aos Pés da Grande Árvore. O lado melódico aparece na balada Guerreiro, que tem direito a uma inesperada coda que se inicia alguns segundos após o seu final e que acaba com os versos “santa caminhada”.

Uma banda como a Uganga deveria ser considerada logo de cara na hora da escalação de um festival do tipo Rock in Rio ou Monsters Of Rock, pois representa como poucas a qualidade e a excelência do rock pesado que se faz por aqui. Opressor é discografia básica para os fãs do rock brazuca, e explica o porque eles tem tanto prestígio no exterior.

Casa (videoclipe)- Uganga:

Opressor- Uganga (ouça o CD inteiro em streaming):

Eurocaos Ao Vivo- Documentário Uganga:

Banda Uganga lança um clipe para divulgar a música Casa

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Por Fabian Chacur

Em coquetel realizado em casa noturna na zona oeste de São Paulo que contou com a presença de inúmeros jornalistas, músicos e críticos musicais, o Uganga lançou seu novo CD, Opressor. Como forma de marcar o início da divulgação do álbum, o quinto de sua discografia, o quinteto mineiro lançou também um clipe para ilustrar a música Casa.

Com direção a cargo de Eddie Shumway, conhecido por seus trabalhos anteriores com a banda, Casa é um faixa potente e conta com cenas gravadas durante turnê europeia realizada por eles que passou por oito países. A estreia do clipe ocorreu durante a edição de número 62 do Programa Arte Extrema, e já está disponível no canal exclusivo da banda no Youtube, que traz outros registros dos caras.

Com 20 anos de estrada, a banda mineira Uganga conta atualmente com Manu Joker (vocal), Christian Franco (guitarra), Thiago Soraggi (guitarra), Raphael Ras Franco (baixo e vocal) e Marcos Henriques (bateria e vocal). Opressor, seu novo álbum, é o sucessor do impressionante Eurocaos Ao Vivo (2013), álbum gravado ao vivo durante turnê europeia da banda e com direito a embalagem contendo encarte luxuoso repleto de fotos e com texto contando a aventura do time de thrashcore pelos palcos do Velho Mundo.

Veja o clipe oficial de Casa, do Uganga:

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