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Don Letts assina com a Cooking Vinyl e prepara seu 1º disco solo

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Por Fabian Chacur

Don Letts é um daqueles nomes seminais para a música britânica, e em várias frentes. Como músico, criou ao lado de Mick Jones (ex-The Clash) em 1984 o Big Audio Dynamite, um dos grupos mais criativos dos anos 1980. Ele dirigiu clipes para o The Clash (This is Radio Clash, Rock The Casbah, Should I Stay Or Should I Go) e Bob Marley (Waiting In Vain e One Love) e foi o diretor do icônico documentário The Punk Rock Movie (1978). Pois ele não tinha lançado ainda um álbum solo. Isso virá em 2023.

Para esse intuito, ele acaba de assinar contrato com o selo britânico Cooking Vinyl, e nesse momento está preparando sua estréia como artista solo. Em comunicado enviado à imprensa, ele dá uma prévia do que virá:

“Demorou um pouco de tempo para criar esta trilha sonora, mas com a ajuda de alguns amigos, algumas linhas de baixo pesado e uma boa gravadora, o bom gosto permanece firme”

Com 66 anos de idade, Don Letts é uma cara extremamente simpático, como tive a oportunidade de conferir ao vivo, tanto no show que o Big Audio Dynamite (também conhecido como B.A.D.) realizou em São Paulo em 1987 como em entrevista coletiva concedida à imprensa na sede da produtora que trouxe a banda para cá, a Poladian. Nunca vou me esquecer de ele apontando uma tarja (escrita New Rock Colletion) incluída na capa da versão brasileira do álbum de estreia do B.A.D. e me perguntando: “o que é isso?”.

Como diretor e roteirista, Letts também tem em seu currículo documentários sobre artistas importantes como Gil Scott-Heron, Sun Ra e George Clinton. Rebel Dread, documentário lançado no exterior há pouco e sobre ele próprio e sua trajetória, foi bastante elogiado em resenha no jornal britânico The Guardian e está disponível nas plataformas de streaming.

E=MC2 (clipe)- Big Audio Dynamite:

Como reconciliar os irreconciliáveis? Como?

Por Fabian Chacur

A resenha específica sobre Do It Again, o documentário que mostra no que deu o projeto maluco do jornalista americano Geoff Edgers de reunir novamente os Kinks, você já leu.

Agora, é a vez de um pouco de filosofia de vida barata, levando-se em conta momentos desse filme maravilhoso.

Os Kinks não voltam por causa do relacionamento complicado entre os irmãos Ray e Dave Davies.

Em entrevista emocionada, Dave explica no documentário que tentou várias vezes se submeter novamente à “ditadura” do irmão mais velho, mas que, graças às recusas, desencanou.

Aí, em um momento chave do filme, ele solta uma frase bombástica:

“Sabe quando o Ray foi feliz? Durante uns três anos, o período em que ele viveu e eu ainda não havia nascido”.

Depois, quase às lágrimas, disse ao entrevistador Edgers que explicaria o porque a banda nunca voltaria, mas sem ser filmado.

Não é difícil entender. Todos nós temos as nossas diferenças com outras pessoas, quer sejam parentes, amigos, colegas de trabalho ou coisa que o valha.

Tente lembrar de quantas vezes você tentou resolver algumas dessas brigas, e não teve sucesso. Quantas e quantas…

Quando essas pessoas por acaso integram bandas musicais de sucesso, essa situação geramente piora de forma exponencial.

Sting comenta sobre o caso do The Police em sua reveladora entrevista em Do It Again.

Ele afirma que uma das razões que os fizeram voltar para uma última turnê foi a emoção que perceberam que tomava conta das pessoas quanto esse assunto entrava em cena.

A reação entusiástica do público os alimentou nessa direção.

No caso dos irmãos Davies, isso infelizmente não ocorre.

Quer saber? Em seus mais de 30 anos de carreira, eles produziram muita coisa boa. Vamos ouvir esse acervo magnífico, e deixá-los em paz.

No entanto, adoraria que, mesmo que nunca mais toquem um único acorde de dó maior juntos, eles ao menos pudessem colocar as diferenças para lá e se reconciliar. Isso sim, seria lindo.

Mas, como bem sei por experiências pessoais, nem sempre isso é possível. Então, já dizia o poeta: let it be! Live and let live!

Veja o clipe de Sunny Afternoon, dos Kinks:

Veja o clipe de Tired Of Waiting For You, dos Kinks:

London Calling: nova edição por uma pechincha

Por Fabian Chacur

Em meio a trilhões de promoções natalinas que nem sempre valem a pena, ando fazendo a festa ao escolher as realmente bacanas.

Um bom exemplo está nas ofertas da maravilhosa Livraria Cultura do Conjunto Nacional, um dos paraísos paulistanos para os fãs de livros, CDs, DVDs e demais ítens culturais, como este que vos tecla.

Vou me deter em uma dessas molezas que caíram no meu colo.

Em 2009, saiu uma edição comemorativa dos 30 anos de um dos melhores álbuns da história do rock, o emblemático, sensacional, genial etc (e tome etc!) London Calling, do The Clash.

O pacote traz o álbum original remasterizado, um DVD, livreto com 20 páginas repletas de informações e embalagem digipack que reproduz a do vinil duplo original.

Dá para acreditar que eu comprei essa maravilha na Cultura por ridículos R$ 13,90? É isso mesmo que você leu, R$ 13,90!

Dá menos de R$ 7 reais por cada disco.

A embalagem é sensacional. O encarte está repleto de fotos raras e informações bacanas sobre as gravações do álbum que tornou o The Clash uma das bandas mais importantes de todos os tempos.

Do início no punk rock de combate, o quarteto britânico evoluiu para um som multifacetado e sem fronteiras, incluindo em sua química rockabilly, jazz, reggae, soul, funk e o que mais pintasse.

Isso, sem nunca perder a energia punk de seus primórdios.

O DVD é maravilhoso, e tem três conteúdos diferentes.

Um, com 32 minutos de duração aproximada, é um ótimo documentário sobre o making of de London Calling, incluindo entrevistas com os integrantes da banda e da equipe que trabalhava com eles na época, entre os quais seu assessor de imprensa, o impagável Kosmo Vinyl.

Só as cenas com o produtor do álbum, Guy Stevens (1943-1981) já valem o filme.

Conhecido como DJ e grande conhecedor de rock nos anos 60 (foi consultor dos Rolling Stones, por exemplo), ele posteriormente produziu trabalhos importantes de bandas como Procol Harum e Mott The Hoople (batizada por ele, por sinal).

A segunda parte apresenta cenas das gravações do álbum feitas de forma tosca e nas quais você entra na intimidade de Joe Strummer (vocal e guitarra), Mick Jones (vocal e guitarra), Paul Simonon (baixo e vocal) e Topper Headon (bateria).

A terceira parte traz três vídeos promocionais, feitos para divulgar as músicas London Calling, Train In Vain e Working For The Clampdown.

Essa edição de London Calling valeria até cinco vezes mais o que paguei por ela. É a embalagem definitiva para um álbum definitivo.

Que fique aqui a lembrança do saudoso Joe Strummer, que em um triste 22 de dezembro de 2002 nos deixou, com apenas 50 anos de idade.

Que perda prematura! Sorte que a música gravada por ele com ou sem o The Clash esteja aí, registrada e viva para sempre. Especialmente o icônico London Calling!

Ouça Train In Vain, um dos momentos máximos de London Calling:

Coletânea resume trajetória do Big Audio Dynamite

Big+Audio+DynamitePor Fabian Chacur

Após ter sido demitido em 1984 do grupo que ajudou a fundar, o lendário The Clash, o cantor, compositor e guitarrista inglês Mick Jones resolveu ir fundo em novas experiências musicais. Unindo-se ao diretor de documentários de rock e DJ Don Letts, e com um elenco de músicos, montou um novo projeto, o Big Audio Dynamite (o BAD). A banda durou dez anos, e foi uma das pioneiras na mistura de rock, música eletrônica, samplers de áudios de trechos de filmes e dance music. Acaba de sair no Brasil, e a preço bem acessível, a coletânea The Best Of Big Audio Dynamite, que faz um resumo bem competente do que de melhor os caras gravaram, com 15 músicas.

Do disco de estreia, o excelente This Is Big Audio Dynamite (1985), foram selecionados quatro clássicos. E=MC2 inclui falas de Mick Jagger extraídas do filme Performance, e tem uma batida rapidinha deliciosa. Medicine Show inclui falas de Clint Eastwood no célebre faroeste A Fistful Of Dollars, e possui um clima hipnótico. The Bottom Line é empolgante e bem eletrônica, enquanto Bad é funkeada. Em todas, temos o vocal maneiro e a guitarra sempre personalizada e minimalista de Mick Jones.

Das três faixas extraídas de No. 10 Upping Street (1986), a melhor é V Thirteen, bem rocker e improvável parceria de Jones com Joe Strummer, ex-colega do Clash que há apenas dois anos o havia expulso de lá. Coisas da vida. Aliás, a dupla também assinou, no mesmo CD, a boa e pesada Sightsee MC!, incluída nesta compilação. Vale lembrar que o BAD tocou no Brasil em 1987, com ótima repercussão de público e crítica. Eu estava lá! Eles tocaram no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo.

Dos medianos Tighten Up-Vol.88 (1988) e Megatop Phoenix (1989), foram escolhidas cinco faixas. A melhor é James Brown, homenagem ao rei do funk repleta de citações de músicas do saudoso mestre.

Em 1990, Don Letts e os outros músicos saíram do BAD, e Mick Jones seguiu em frente. O álbum The Globe (1991), que inaugura esse novo período, é bem legal, e traz dois petardos, ambos incluídos nesta compilação. Rush, fusão perfeita de rock básico, latinidade, funk e eletrônica (inclui sampler de Baba O’Riley, do The Who), estourou nos EUA, enquanto The Globe tem como base rítmica sampler de Should I Stay Or Should I Go, do Clash.

High Power (1994) e F-Punk (1995) foram os dois últimos lançamentos do BAD, e apenas uma música do primeiro entrou na compilação, a bem bacana Looking For a Song. Depois, Mick Jones resolveu partir para a carreira solo, e em 2002, montou o grupo Carbon/Silicon ao lado do ex-Sigue Sigue Sputnik/Generation X/Sisters Of Mercy (ufa!) Tony James, com quem já lançou alguns CDs. The Best Of Big Audio Dynamite é indispensável para fãs do pop/rock dos anos 80, e certamente ajudará a agitar sua festa temática.

Confira o videoclipe de Medicine Show:

http://www.youtube.com/watch?v=crjgjKp7Eao

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