Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

The Monkees lançarão seu 1º álbum de natal em outubro

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Por Fabian Chacur

Para quem curtiu o ótimo Good Times! (2016), que marcou o retorno dos Monkees, uma ótima notícia. O grupo anunciou um novo trabalho, que será lançado em termos mundiais no dia 12 de outubro. Trata-se de Christmas Party, primeiro álbum dos americanos dedicado às festas natalinas, costume tradicional dos artistas de lá. Para nossa tristeza, o lançamento da Rhino/Warner só chegará aos inúmeros fãs brasileiros no formato digital, embora vá ser lançado em CD nos EUA.

A produção ficou novamente a cargo de Adam Schlesinger, do grupo Fountains Of Wayne, e trará duas canções- Silver Bells e Kalikimaka – com vocais do saudoso Davy Jones (1945-2012), extraídos de gravações antigas e com novo instrumental adicionado. Os outros três integrantes, Micky Dolenz, Michael Nesmith e Peter Tork, marcam presença.

O set list do álbum, composto por 13 faixas, se divide entre canções inéditas e clássicos natalinos. Na segunda categoria se incluem Wonderfull Christmastime (1979), de Paul McCartney, e I Wish It Could Be Christmas Every Day (1973), do grupo Wizzard.

As inéditas trazem assinaturas nobres. Peter Buck, ex-guitarrista do R.E.M., é o coautor da faixa que dá nome ao álbum (em parceria com Scott McCaughey, do grupo The Minus 5), além de toca nessa canção e em Jesus Christ (do grupo Big Star). What Would Santa Do é de Rivers Cuomo (Weezer), enquanto Unwrap You At Christmas tem como autor Andy Partridge, do extinto grupo britânico XTC.

Eis as músicas do álbum Christmas Party:

1.“Unwrap You At Christmas”
2.“What Would Santa Do”
3.“Mele Kalikimaka”
4.“House Of Broken Gingerbread”
5.“The Christmas Song”
6.“Christmas Party”
7.“Jesus Christ”
8.“I Wish It Could Be Christmas Every Day”
9.“Silver Bells”
10.“Wonderful Christmastime”
11. “Snowfall”
12.“Angels We Have Heard On High”
13.“Merry Christmas, Baby”

Christmas Medley 1986– The Monkees:

Lô Borges resgata um de seus álbuns clássicos em belo DVD

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Por Fabian Chacur

Em 1972, com apenas 20 anos de idade, Lô Borges surpreendeu aos fãs de música brasileira ao lançar dois trabalhos que com o tempo seriam consagrados como antológicos. Um é Clube da Esquina, álbum duplo que gravou em parceria com o amigo e mentor Milton Nascimento. Outro, um álbum solo autointitulado hoje mais conhecido como “Disco do Tênis”. Hoje curtindo a maturidade de seus 66 anos, ele resgata o repertório desses dois trabalhos seminais no DVD Tênis+Clube- Ao Vivo No Circo Voador, lançado pela gravadora Deck. Desde já, um dos grandes lançamentos deste 2018. Sublime é pouco!

Lô Borges marcou sua trajetória musical como autor de algumas das mais belas e enigmáticas canções do repertório pop brasileiro. Misturando com maestria folk, rock, country, MPB e experimentalismo, ele rapidamente se firmou como um dos grandes nomes a despontar do time de craques capitaneados por Milton Nascimento que recebeu o nome geral de Clube da Esquina. Se não fez tanto sucesso como o Bituca ou mesmo Beto Guedes, ele possui porte artístico compatível.

Em sua belíssima discografia, repleta de grandes momentos, o “Disco do Tênis” (ouça aqui) é certamente um dos mais badalados. O repertório do novo DVD do cantor, compositor e músico mineiro traz as 15 faixas daquele álbum (tocadas em ordem diferente da do LP original), as oito assinadas por Borges em Clube da Esquina e Para Lennon e McCartney, uma das primeiras composições dele a serem gravadas, mais precisamente por seu mestre e amigo, no LP Milton (1970).

Gravado ao vivo no Circo Voador (RJ) no dia 23 de março, o DVD nos traz um show sóbrio e elegante em termos visuais, sem grandes efeitos ou elementos cenográficos. O foco é todo na parte musical do espetáculo, e aí estamos diante da total e completa excelência, a começar pelos seis músicos selecionados por Lô, que toca guitarra, violão e caxixi, além de cantar com uma voz deliciosamente madura.

O capitão do time é Pablo Castro (vocal, piano, violão, guitarra), que além de ser o diretor musical da coisa toda ainda dá um banho de sensibilidade e talento ao reproduzir com rara competência os vocalizes feitos por Milton Nascimento na gravação original de Clube da Esquina Nº 2. Aliás, o projeto foi levar ao palco os arranjos originais gravados nos álbuns de 1972, e a missão não poderia ter sido melhor cumprida.

Além de Pablo, integram a banda os excelentes Gui de Marco (guitarra, violão, percussão e vocais), Paulim Sartori (baixo, bandolim, percussão e vocais), D’Artagnan Oliveira (bateria, percussão e vocais), Dan Oliveira (guitarra, violão, percussão e vocais) e Alê Fonseca (teclados e programações), um elenco que não se preocupou apenas em “tocar igualzinho”, mas sim de trazer para o palco a emoção contida em cada uma dessas canções admiráveis.

Tocando perante um Circo Voador lotado e com plateia gritando “Lô, eu te amo” desde o início, o mestre mineiro da canção esbanja simpatia, evidente timidez e emoção em músicas divinas como Você Fica Melhor Assim, Pensa Você, Aos Barões, Canção Postal, Tudo Que Você Podia Ser, Nuvem Cigana, Paisagem da Janela… São 78 minutos de puro prazer, um belo culto a canções que equivalem a um verdadeiro bálsamo sonoro em tempos tão difíceis como os atuais.

Clube da Esquina Nº2 (ao vivo)- Lô Borges:

Antonio Adolfo grava CD com a ótima Orquestra Atlântica

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Por Fabian Chacur

Antonio Adolfo serve como bom exemplo de como a atividade profissional constante e bem planejada ajuda o ser humano a se manter eternamente jovem e inquieto. Aos 71 anos de idade, este pianista, compositor, arranjador e produtor carioca recusa-se a deitar nos muitos louros de uma carreira impecável, trabalhando bastante e nos proporcionando novos lançamentos. O mais recente é o CD Encontros, que inicia sua parceria com a ótima Orquestra Atlântica.

Habitualmente, o autor do seminal álbum Feito em Casa (1977), marco da produção independente brasileira, costuma ser acompanhado por formações musicais mais compactas. Ele desejava investir em uma parceria corm um grupo maior, e ao ver um show da Orquestra Atlântica, percebeu que ali estava o time capaz de realizar seu desejo.

Na ativa desde 2012 e com um CD no currículo, a Orquestra Atlântica reúne onze músicos do primeiro time, entre os quais Jessé Sadoc (trompete e flugelhorn), Marcos Nimrichter (piano e acordeon), Marcelo Martins (sax tenor e flauta) e Jorge Helder (baixo). Sua mistura de música brasileira, sons latinos e jazz se encaixa feito luva nas preferências musicais de Antonio Adolfo, e a parceria se mostrou certeira, levando-se em conta a qualidade deste álbum.

O repertório incluído traz 10 faixas, sendo nove delas composições recentes e antigas de Adolfo (duas delas em parceria com Tiberio Gaspar) e uma, Milestones, um clássico do repertório do mestre do jazz Miles Davis. Além dos músicos da Orquestra Tropical, temos participações especiais de feras do porte de Nelson Faria (violão), Zé Renato (vocalizações) e Leo Amuedo (guitarra), entre outros.

O som criado por eles é uma delícia de se ouvir, conciliando solos divididos generosamente entre os músicos envolvidos, belas melodias e variações rítmicas muito bem concatenadas. A sofisticação se mostra presente, mas sem deixar de lado aquele elemento que nos livra ao mesmo tempo do tecnicismo excessivo e da acessibilidade sem sal e digna do som de elevador. Temos aqui música elaborada e com raro requinte, mas para todos curtirem sem dificuldades.

A rigor, todas as faixas são dignas de serem citadas, mas pegarei apenas algumas como bons exemplos. Partido Samba-Funk, que abre o CD, tem ecos da Banda Black Rio, e energiza o ouvinte logo nos seus primeiros instantes. Capoeira Yá parte do som básico da trilha da capoeira rumo a algo mais consistente em termos musicais, enquanto África Bahia Brasil mergulha com classe e bom gosto em uma fusão afro-brasileira.

Sá Marina, uma das composições de maior sucesso de Antonio Adolfo, é relida com uma verve jazzística/bossa-novista que é um luxo, enquanto Milestones recebe um tempero brazuca, sem no entanto perder a sua essência. Novamente, esse mestre da música brasileira nos mostra como fazer música instrumental boa de se curtir e bem elaborada. Que essa inquietude continue nos proporcionando novos e ótimos trabalhos.

E vale ressaltar um último, porém muito importante, detalhe. As versões físicas em CD dos álbuns de Antonio Adolfo primam pelo bom gosto, com embalagem digipack sempre com capas lindas (a deste novo traz bela ilustração de Bruno Liberati) e com textos nos quais o artista explica sua abordagem musical. Capricho total!

leia mais textos de Mondo Pop sobre Antonio Adolfo aqui.

Encontros- Antonio Adolfo- Orquestra Atlântica (ouça em streaming):

Matuto Moderno comemora 20 anos de estrada com shows

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Por Fabian Chacur

Nada mais legal do que a miscigenação que marca o Brasil como país, especialmente em termos culturais. Na música, essa liberdade de misturar o tempo todo gerou frutos bem bacanas. O grupo Matuto Moderno exemplifica bem tal tendência, com sua fusão de música rural brasileira com a rebeldia e a energia crua do rock. Eles celebram 20 anos de carreira com shows em São Paulo de quinta a domingo (20 a 23), sempre ás 19h15, na Caixa Cultural São Paulo (Praça da Sé, nº 111- Centro- fone 0xx11-3321-4400), com entrada gratuita.

O Matuto Moderno tem como integrantes Ricardo Vignini (viola caipira), Zé Helder (viola caipira e vocal), Edson Fontes (vocal e catira), Marcelo Berzotti (baixo e vocal), André Rass (percussão) e Carlinhos Ferreira (percussão). Com cinco CDs lançados, eles provaram que viola caipira, catira e congado podem perfeitamente ser temperados com poderosos riffs roqueiros sem desvirtuar nenhuma dessas vertentes sonoras. O público conquistado, dos maiores, prova o acerto.

Nos shows em São Paulo, o grupo contará com as participações especiais do percussionista Carlinhos Ferreira e de um dos nomes mais criativos da música paulista. Trata-se do cantor, compositor, produtor e multi-instrumentista André Abujamra, conhecidos por seus trabalhos com os grupos Os Mulheres Negras e Karnak. Ele, inclusive, tem uma música sua, em parceria com Ricardo Vignini, gravada pelo Matuto, a ótima Topada, do CD Matuto Moderno 5 (2013).

No repertório das apresentações, serão incluídas faixas extraídas de todos os álbuns da banda, entre elas Manacá, Curva de Rio, Topada e Ecologia Brasileira, além de algumas de André Abujamra, entre as quais Juvenar e Milho. Também serão realizadas homenagens aos saudosos Índio Cachoeira, Inezita Barroso e Pena Branca.

Curva de Rio (ao vivo)- Matuto Moderno:

Solano Ribeiro relembra MPB e belas histórias dos festivais

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Por Fabian Chacur

Quem começa a pesquisar sobre a era dos festivais chegará infalivelmente no nome de Solano Ribeiro. E não é para menos. Esse produtor de TV, rádio e publicidade teve participação fundamental nos principais eventos ligados ao tema no Brasil, dos anos 1960 aos dias de hoje. Em 2003, lançou Prepare Seu Coração- Histórias da MPB, livro relançado agora em edição revista e atualizada pela Kuarup. A noite de autógrafos em São Paulo será nesta terça (18) a partir das 19h na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (avenida Paulista, 2.073- fone 3170-4033). No Rio de Janeiro, vai rolar no dia 2 de outubro (terça) na Livraria da Travessa do Leblon (avenida Afrânio de Melo Franco, nº 290- loja 205- fone 0xx21-3138-9600).

Solano Ribeiro nasceu em 1939, e começou sua trajetória no meio artístico na segunda metade da década de 1950, estudando e atuando em teatro e também integrando o grupo The Avalons, um dos pioneiros do rock paulistano. Logo se envolveu na produção de shows musicais e também de programas de TV e festivais televisivos. O seu trabalho nos festivais das TVs Excelsior, Record e Globo foi decisivo, especialmente nos aspectos criativos e organizacionais.

Com um texto na primeira pessoa bastante fluente, franco e direto, ele narra suas experiências nessa era de enorme criatividade na música brasileira. Do namoro com Elis Regina aos bastidores dos eventos, histórias que envolvem nomes que ajudou a impulsionar, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Geraldo Vandré, Edu Lobo e tantos outros. Ficamos sabendo também dos arranjos políticos, das lutas de egos, dos altos e baixos, das idas e vindas.

Dono de um temperamento forte que se evidencia em cada página de seu livro de memórias, Solano certamente deve ter desagradado alguns colegas com certas opiniões, mas demonstrou coragem ao colocar no papel as suas ideias e visões sobre cada evento no qual se envolveu. Nem mesmo nomes incensados por alguns, como o radialista e jornalista Zuza Homem de Mello e o empresário Paulinho Machado de Carvalho, da TV Record, escaparam da sua pena afiada.

Lógico que temos também momentos muito bem-humorados, incluindo até mesmo uma longa descrição de um affair amoroso de Solano com direito a detalhes eróticos. Suas lembranças gastronômicas também ocupam diversas páginas, assim como viagens e trabalhos não só em festivais, mas também em especiais feitos para TV no Brasil e na Alemanha, atuação em rádio, publicidade etc. Um profissional sempre inquieto, criativo e combativo em sua longa e produtiva trajetória.

Nas páginas de Prepare Seu Coração- Histórias da MPB, viajamos por um tempo incrível repleto de realizações, criatividade e também com direito a frustrações e fracassos. O legal é saber que Solano nunca desistiu de lutar pela criação de espaços para a MPB, sigla que, por sinal, ele afirma ter criado. Mais na ativa do que nunca, ele apresenta o programa de rádio Solano Ribeiro e a Nova Música do Brasil, criou o prêmio Cata-Vento, que premia os melhores da produção independente musical, além de criar o portal www.solanoribeiro.com.br . Sua história ainda irá longe, pelo andar da carruagem!

Solano Ribeiro fala sobre Festival de 1968:

Ira! relê ao vivo em São Paulo seu LP Psicoacústica (1988)

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Por Fabian Chacur

Em 1988, o Ira! lançou o seu álbum mais experimental. Após dois trabalhos de muito sucesso, o grupo paulistano mostrou no LP Psicoacústica uma disposição de explorar novos rumos sonoros que a capa em 3-D (com direito a um óculos especial de brinde) já indicava. A banda comemora os 30 anos desse trabalho com dois show em São Paulo, nesta sexta (14) e sábado (15), sempre às 21h30, no Sesc Belenzinho- Comedoria (rua Padre Adelino, nº 1.000- Belenzinho- fone 0xx11-2076-9700), com ingressos custando de R$ 9,00 a R$ 30,00.

O set list dos shows do grupo paulistano trará na íntegra o repertório de seu terceiro álbum, do qual fazem parte músicas marcantes como Rubro Zorro, Poder, Sorriso, Fama, Receita Para Se Fazer Um Herói, Pegue Essa Arma e Farto de Rock ‘N’ Roll, que nem sempre costumam ser tocados ao vivo nos seus shows. Essa mistura de psicodelia, hard rock e até elementos de rap não vendeu muito na época, mas lhes proporcionou um CD influente e relembrado com carinho em sua discografia.

De volta à ativa desde 2014, após alguns anos fora de cena, o Ira! mantém de sua formação clássica Nasi (vocal) e Edgard Scandurra (guitarra e vocal), que hoje tem a seu lado Evaristo Pádua (bateria), Johnny Boy (teclados e violão) e Daniel Rocha (baixo). Além das músicas de Psicoacústica, haverá espaço para hits como Flores Em Você, Dias de Luta, Núcleo Base, Envelheço Na Cidade e Tarde Vazia.

Psicoacústica- Ira! (ouça em streaming):

Ricardo Bacelar lança o single com a parceria com Belchior

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Por Fabian Chacur

Em 1996, Ricardo Bacelar se incumbiu dos arranjos e direção musical do álbum Vício Elegante, de Belchior, do qual já era amigo e com o qual já havia dividido o palco em algumas ocasiões. No CD, dedicado a releitura de composições alheias, só tínhamos uma composição inédita, a faixa-título, parceria do autor de Paralelas com Bacelar, belo pop-rock com letra refinada e melodia precisa (ouça aqui).

Como forma de ao mesmo tempo homenagear o grande mestre cearense, que nos deixou em 2017 aos 70 anos, e também resgatar uma bela canção, Bacelar acaba de lançar um single com a sua releitura de Vício Elegante. Além de sua voz e piano, temos um envolvente arranjo de cordas assinado pela produtora da gravação, a consagrada Delia Fischer. Desta vez, a canção surge com um arranjo mais introspectivo e denso, com bela interpretação de Bacelar.

Vale lembrar que Belchior participou da faixa Tempos de Liberdade, incluída no primeiro disco solo de Ricardo Bacelar, In Natura (2001), após seus cerca de dez anos como integrante do grupo Hanói Hanói ao lado de Arnaldo Brandão. Ele lançou recentemente o excelente CD Sebastiana (leia a resenha de Mondo Pop aqui).

Vicio Elegante– Ricardo Bacelar:

Culture Club lança o seu novo single e anuncia o álbum Life

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Por Fabian Chacur

Já está nas plataformas digitais Let Somebody Love You, single escolhido para anteceder o lançamento de Life, primeiro álbum de inéditas do Culture Club desde o ótimo (e injustamente ignorado) Don’t Mind If I Do (1999). O álbum será lançado no exterior em 26 de outubro deste ano no exterior nos formatos CD, vinil amarelo, digital e fita cassete, e ainda não tem previsão de chegar ao nosso mercado fonográfico/musical.

Let Somebody Love You é um reggae pop descompromissado e gostoso de se ouvir, e também já tem um videoclipe disponível. Esse lançamento concretiza o retorno da formação original da banda britânica, que conta com Boy George (vocal), Roy Hay (guitarra e teclados), Mikey Craig (baixo e teclados) e Jon Moss (bateria). Se bem que, em 2014, eles já haviam lançado outro single, o rock-balada More Than Silence (ouça aqui ), como prévia de um futuro álbum, na época intitulado Tribe e abortado alguns meses depois de seu anúncio.

Life traz Let Somebody Love You, More Than Silence e outras nove faixas, e é curiosamente creditado a “Boy George And Culture Club”, ao invés de apenas ao grupo, como de praxe. Eles viveram o seu auge entre 1981 e 1986, quando lançaram quatro álbuns e invadiram os charts de todo o mundo com hits contagiantes como Do You Really Want To Hurt Me, Miss Me Blind, Karma Chameleon e outros, marcados pela bela voz e visual andrógino do polêmico Boy George.

Após a primeira separação, Boy George investiu em uma carreira solo com altos e baixos, enquanto seus três colegas saíram de cena. O grupo teve alguns retornos, sendo o mais bacana o ocorrido entre 1998 e 2000, que gerou dois álbuns, o ao vivo Greatest Moments- VH1 Storytellers (1998) e o já citado Don’t Mind If I Do (1999).

Conheça os títulos das músicas de Life:

1. God & Love
2. Bad Blood
3. Human Zoo
4. Let Somebody Love You
5. What Does Sorry Mean
6. Runaway Train
7. Resting Bitch Face
8. Different Man
9. Oil & Water
10. More Than Silence
11. Life

Let Somebody Love You (clipe)- Culture Club:

Dzi Bando inicia a temporada em SP neste fim de semana

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Por Fabian Chacur

Como forma de celebrar os 45 anos da criação dos Dzi Croquettes, um dos grupos teatrais mais revolucionários da história da cultura brasileira, e também de quebra comemorar seus 50 anos de carreira, Ciro Barcelos concebeu o espetáculo Dzi Bando, que inicia sua temporada em São Paulo neste fim de semana. As apresentações começam neste sábado (8) às 21h30 e domingo (9) às 20h30 no Teatro Augusta (rua Augusta, nº 943- Cerqueira César- fone 0xx11-3231-2042), com ingressos custando R$ 40,00 (meia) e R$ 80,00. Eles ficam em cartaz até outubro.

Ciro integrou a formação clássica dos Dzi Croquettes ao lado de seu criador, Lennie Dale (1934-1994), Claudio Tovar, Claudio Gaya e Paulette, entre outros. O grupo atuou entre 1972 e 1976 no Brasil e na França, e se tornou famoso por sua criatividade e também por desafiar os preconceitos e a caretice em plena ditadura militar brasileira. Sua história foi apresentada no excelente documentário Dzi Croquettes (2009), de Tatiana Issa e Raphael Álvarez.

Dzi Bando é um show cênico que traz Barcelos ao lado de uma banda composta por cinco músicos que cantam, dançam e representam. São eles Toi Medeiros (violão, cavaquinho, pad , vocais), Vitor Toledo (percussão, guitarra, baixo, vocais), Rafael Diniz (piano, guitarra, percussão, vocais), Vittor Deamo (baixo, violão, saxofone, percussão, vocais) e Fabricio Bertrami (bateria). Em meio a rock, samba, chorinho, bossa nova, cyber funk e afro punk, Ciro relembra histórias do grupo.

As histórias tem como personagens integrantes do grupo e também amigos e parceiros ilustres, como Elis Regina, Gal Costa e Caetano Veloso. Vale recordar que os Dzi Croquettes contaram com um grande apoio por parte da consagrada atriz e cantora Liza Minelli, e tiveram entre seus fãs astros do porte dos roqueiros Mick Jagger e David Bowie, fascinados com suas coreografias ousadas e criativas.

Dzi Croquettes (documentário em streaming):

Fred Falcão mostra o seu lado regional no CD Ser Tão Brasil

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Por Fabian Chacur

Após lançar o antológico álbum Leny Andrade Canta Fred Falcão-Bossa Nossa (leia a resenha aqui), o cantor, compositor e músico Fred Falcão volta com outro trabalho digno de ser devidamente apreciado. Trata-se de Ser Tão Brasil- Canções de Fred Falcão (Fina Flor), no qual traz como mote o lado mais regional de sua inspiração, ele que é pernambucano de Recife e radicado há décadas no Rio de Janeiro. Mais brasileiro, impossível.

Compositor inspirado e versátil, Fred foi gravado por artistas de áreas bem distintas, como Clara Nunes, Boca Livre, Nelson Gonçalves, Luiz Gonzaga e Os Cariocas, entre outros. É exatamente essa capacidade de enveredar por vários estilos musicais com jogo de cintura que ele nos apresenta neste novo CD, no qual também dá vasão ao seu lado cantor e se mostra muito competente nessa área, dando conta do recado.

Inteligente, deu um espaço significativo no álbum para um bom valor da nova geração, a cantora Mariana Brant, sobrinha do grande e saudoso poeta mineiro Fernando Brant, um dos melhores parceiros de Milton Nascimento. Ela marca presença em cinco das doze faixas do álbum, emprestando a elas seu tom doce e bem utilizado, com destaque para as envolventes Valsa Sertaneja, Ser Tão Brasil e Faca de Ponta. A moça prova ter um ótimo potencial que tem tudo para gerar belos frutos.

Além de Mariana, o álbum traz outras presenças importantes. Entre outros, temos aqui Rildo Hora (harmônica), Elias Muniz (vocal), Manno Góes (vocal), Dirceu Leite (flauta e clarinete), Jaime Alem (viola caipira e viola 12 cordas), Lula Galvão (violão e guitarra), Jorge Helder (baixo), Jurim Moreira (bateria) e Marcelo Costa (percussão). Os arranjos e regências foram divididos por João Carlos Coutinho e Geraldo Vianna, com resultado expressivo e classudo.

O repertório passa por bolero, baião, xote, toada, canções e bossa nova, esta última a especialidade de Fred, que assina todas as músicas. Entre seus parceiros, temos aqui Antônio Cícero, Manno Góes, Elias Muiz, Aluizio Reis, Carlos Henrique Costa e Ronaldo Monteiro de Souza.

As envolventes melodias foram aliadas a letras impecáveis, versando sobre as várias vertentes do amor, memórias bacanas e impressões sobre o Brasil, com direito à citação de ícones da nossa música como Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Altamiro Carrilho e Ademilde Fonseca.

Ser Tão Brasil equivale a uma deliciosa viagem por um universo musical oriundo da abençoada mestiçagem brasileira, fundindo ritmos e estilos e dando origem a uma sonoridade própria, típica da nossa terra e rica por natureza. E fica o registro: intérpretes talentosos/talentosas e de bom gosto em busca de músicas de qualidade deveriam procurar Fred Falcão urgente, pois o seu songbook não só é repleto de coisas boas, como também se renova e se amplia a olhos vistos.

Ser Tão Brasil– Fred Falcão e Mariana Brant:

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