Jeff Beck volta a São Paulo em novembro

Por Fabian Chacur

Jeff Beck, um dos maiores guitarristas da história do rock e da música em geral, voltará ao Brasil em breve. O brilhante músico britânico tocará em São Paulo no dia 25 de novembro, na Via Funchal. Será a segunda passagem dele por aqui, e espero estar por lá para colocar essa fera em meu currículo de shows vistos.

Nascido em 24 de junho de 1944, Jeff Beck tornou-se conhecido inicialmente ao substituir Eric Clapton nos Yardbirds em 1965, tarefa que cumpriu com maestria. Ele acrescentou elementos psicodélicos à sonoridade blues e rhythm and blues da banda, em clássicos como The Train Kept-a Rollin’.

Em 1968, saiu para montar o Jeff Beck Group ao lado de Rod Stewart e Ronnie Wood. A banda lançou um dos melhores álbuns da história do rock, Truth (1968), um dos marcos iniciais do hard rock. Beck-Ola (1969) finalizou esse momento chave de sua carreira.

Nos anos 70, investiu em nova formação do Jeff Beck Group e também no Beck Bogert & Appice, power trio a la Cream montado com dois ex-integrantes do Vanilla Fudge.

Mas seu melhor momento naquela década foi como artista solo, lançando os irrepreensíveis Blow By Blow (1975) e Wired (1976), nos quais mergulhou com categoria no jazz fusion funkeado.

A partir dos anos 80, passou a não se preocupar mais com fronteiras musicais, gravando o que lhe desse na telha na hora que quisesse. Nessas, gravou funk, jazz fusion, pop, rockabilly, blues, hard rock etc. Um bom exemplo é a arrepiante releitura do clássico do rock instrumental Sleepwalk para a trilha do seminal filme La Bamba, em 1987.

Para quem deseja ter uma ideia da excepcional forma atual de Jeff Beck, recomendo o DVD Performing This Week Live At Ronnie Scott’s, gravado em Londres com participações especiais de Eric Clapton, Joss Stone e Imogen Heap e lançado em 2008 no Brasil pela ST2. Se a performance por aqui for nesse mesmo nível, teremos garantia de show histórico a vista.

Último show de Roy Orbison é lançado em CD

Por Fabian Chacur

Acho que a melhor definição para Roy Orbison eu ouvi de Sérgio Reis, o roqueiro, sertanejo e palmeirense: “ele tinha lágrima na voz”. Poucos cantores interpretaram suas canções de forma tão emotiva e bela como esse americano nascido em 23 de abril de 1936 no Texas.

Um dos pioneiros do nosso amado rock and roll, ele nos deixou como legado maravilhas do naipe de Oh Pretty Woman, Only The Lonely, In Dreams, Crying, Ooby Dooby e Lana, só para citar algumas.

A tal tristeza no timbre vocal tem lá suas razões. Em 1966, perdeu a mulher amada, Claudette, vítima de um acidente automobilístico. Em 1968, foi a vez de seus dois filhos mais velhos perecerem em um incêndio. Não por coincidência, sua carreira viveu momentos de baixa, durante alguns anos.

Na década de 80, quando alguns poderiam pensar que Orbison já era, o apoio de fãs ilustres como Jeff Lynne, Bob Dylan, Tom Petty e George Harrison o ajudaram a voltar ao topo, como integrante da superbanda Travelling Wylburys, montada com os astros citados.

Com a musica Handle With Care estourada, ele havia finalizado as gravações do que seria um grande disco de retorno, o excepcional Mystery Girl. Só que a vida resolveu pregar mais uma peça nele. No dia 6 de dezembro de 1988, o astro sofreu um ataque do coração e se foi, com apenas 52 anos.

Trazendo You Got It como grande hit, Mystery Girl só chegou às lojas em 1989, já como lançamento póstumo. No mesmo ano, saiu o ao vivo A Black & White Night, registro de um show realizado em setembro de 1987 no qual fãs como Elvis Costello e Bruce Springsteen cantaram com o mestre.

Para quem tem saudades desse grande mestre do rock and roll ou gostaria de ter uma ideia de seu poder de fogo, a ST2 acaba de lançar no Brasil o inédito The Last Concert December 4, 1988.

O nome do álbum não deixa margem a dúvidas. Trata-se do registro do último show feito por Orbison, no Highland Heights, na cidade de Akron, situada no estado americano de Ohio. Felizmente, a qualidade de gravação é excelente, com vocais e instrumentos devidamente equalizados.

Ouvir as 14 faixas é um deleite, e fica difícil acreditar que, apenas dois dias depois dessa performance, o mestre se despediria de nós. Ele canta com pique e a bela voz que sempre o caracterizou, acompanhado por ótima banda.

Vez por outra os teclados exageram um pouco, mas nada de ofensivo, pois no geral a banda que o acompanha é muito boa, e entende dessa coisa chamada rock and roll. Vide seu desempenho excepcional nos alucinantes 5m57 de Ooby Dooby, que muita gente (inclusive eu) conheceu em releitura do Creedence Clearwater Revival.

O repertório é uma festa só, começando com um tema instrumental seguido de Only The Lonely e terminando com uma versão turbinada da empolgante Oh Pretty Woman, provavelmente seu maior sucesso e sua canção mais rapidamente reconhecível.

Ooby Dooby, Go Go Go (Down The Line), Working For The Man, Dream Baby, é um petardo atrás do outro, misturando com bom gosto rock dançante e baladas românticas daquelas de cortar os pulsos, tipo Crying.

The Last Concert December 4 1988 é qualquer coisa, menos um macabro souvenir para os mais fanáticos. Trata-se de uma aula refinada do melhor rock and roll, aquele cantado com alma, carisma e a tal lágrima na voz. Mas duvido que você fique triste ao ouvir essa maravilha…

Não gostar de um gênero musical é preconceito?

Por Fabian Chacur

Lendo matéria publicada na nova encarnação do jornal paulistano Shopping News, que fez seu nome nos anos 70 e 80 quando era distribuído gratuitamente aos domingos, fiquei com uma questão importante na cabeça.

A análise em questão falava sobre o atual momento positivo da música sertaneja, com diversos artistas estourados nas paradas de sucesso. Em determinado ponto,  era citado um possível preconceito que impediu durante anos esse estilo musical de ter destaque nos grandes centros urbanos.

Aí, fica a pergunta que me levou a escrever esse post: será que o fato de a gente gostar ou não de um determinado estilo musical implica necessariamente em preconceito?

Não seria esse argumento usado por alguns de forma excessiva e até leviana por aí? Afinal de contas, ninguém chamará alguém que afirme não gostar de rock de preconceituoso. Ou de quem não curte MPB. Ou ainda aqueles que não se liguem em jazz ou música erudita.

No caso da música de cunho popular, sempre fica essa razão no ar. Não seria uma espécie de “complexo de vira-lata” por parte de quem sempre toca nesse ponto para justificar o porque alguém com formação intelectual mais elaborada não curte estilos como sertanejo, axé ou música romântica?

Dou o meu exemplo pessoal. Não tenho o menor preconceito contra a música sertaneja. Minha mãe nasceu na gloriosa Buri (SP) e tenho inúmeros parentes no interior deste e de outros estados.

Respeito muito esse estilo musical, e existem artista nele que considero excelentes, como Chitãozinho & Xororó, por exemplo. Mas sabem quantos discos desse estilo eu comprei para mim? Nenhum. E provavelmente nunca comprarei. Por preconceito? Não! A razão é simples: não me agrada, não me cativa, não me envolve e não me identifico com ele. Simples assim.

Essa coisa de sempre colocar o preconceito com explicação para certas coisas é um princípio meio perigoso. Lógico que tem gente que possui essa característica de rotular as coisas antes de conhecê-las, ou que associa uma opinião imediatamente com a posição social ou cultural de quem a emite.

Mas não dá para generalizar. Pois se fosse dessa forma, todos teríamos de obrigatoriamente gostar dos gêneros musicais populares, sob pena de sermos considerados discriminatórios, preconceituosos, metidos a besta. E não é por aí. Viva a liberdade de escolha, sempre!

Mudcrutch: que raio de banda de rock é essa?

Por Fabian Chacur

O rock and roll está cheio de bandas que, embora promissoras, tiveram seu fim antes de atingir o grande público. Ou, como diria de forma extremamente inteligente meu amigo e mestre Ayrton Mugnaini Jr., “chegaram ao Let It Be antes de conseguirem chegar ao She Loves You“.

O quinteto americano Mudcrutch viveu essa mesma triste situação. Criado em 1970 em Gainesville, na Flórida, chegou ao seu final em 1975 com apenas dois compactos simples lançados, Upon Mississipi Tonight/ Cause Is Understood (1971) e Depot Street/ Wild Eyes (1975). Durante décadas, só um fato levou alguns roqueiros mais detalhistas a se lembrar de tal banda.

Quando o Mudcrutch se separou, no final de 1975, três de seus integrantes resolveram se unir a outros músicos e tentar novamente com outra banda. Sabem qual? Tom Petty & The Heartbreakers. Nem preciso dizer a vocês que desta vez os rapazes se deram muito bem.

No entanto, alguns dizem por aí que do primeiro amor a gente nunca esquece. Então, em 2008, Tom Petty (vocal e baixo), Mike Campbell (guitarra) e Bemmont Tench (teclados) resolveram convidar Tom Leadon (guitarra e vocal) e Randall Marsh (bateria) para matar as saudades do Mudcrutch.

E em 29 de abril de 2008, enfim chegou às lojas o primeiro álbum do quinteto, que só agora esta besta que vos tecla conseguiu ouvir. Mesmo com atraso, resolvi escrever sobre o mesmo, que é ótimo.

Misturando músicas compostas nos anos 70 com outras feitas mais recentemente, Mutcrutch (o álbum) nos apresenta um excelente grupo de country rock a la Flying Burrito Brothers, Poco, Byrds segunda fase e mesmo Eagles do comecinho.

O som é ao mesmo tempo básico e elaborado, também com ecos do que Bob Dylan fazia naqueles anos. Um pouco de rock and roll a la anos 50 também marca presença.

Para quem não sabe, Tom Leadon é irmão de Bernie Leadon, guitarrista que fez parte da primeira formação dos Eagles. Ele canta algumas músicas, mas Tom Petty é o cantor principal. As vocalizações feitas por eles são ótimas.

Quem é fã de Tom Petty & The Heartbreakers dificilmente não gostará do Mudcrutch, embora a segunda banda tenha uma personalidade própria diferente da do grupo que acabou originando. Ambos são ótimos.

Se o Mudcrutch lançará um novo álbum, sabe Deus. Mas se ficar só nesse, ao menos eles deixam uma bela herança para as próximas gerações e um registro de o como eram bons. Valeu!

obs.: o grupo também lançou um EP gravado ao vivo em tiragem limitada, em 2008. As músicas Upon Mississipi Tonight e Depot Street em suas gravações originais com o Mudcrutch podem ser encontradas na caixa Playback, de Tom Petty & The Heartbreakers

Norah Jones lançará coletânea de raridades

Por Fabian Chacur

Há artistas que são inquietos e megaprodutivos por excelência. Alguns exemplos que me vem de cara à mente são Paul McCartney, Zélia Duncan e Neil Young. Gente que grava muito e faz colaborações diversas com outros artistas, tornando a vida do colecionador um inferno.

Em sua uma década de carreira, Norah Jones segue exatamente a mesma linha. Além de gravar seus próprios álbuns sempre com muita categoria e estilo, a cantora, compositora e tecladista americana participa com frequência de trabalhos alheios.

E aí, o cara que se mete a colecionar a sua obra é obrigado a comprar discos de Deus e o mundo para se manter em dia. Para felicidade geral de seus admiradores, Norah lançará no dia 2 de novembro a coletânea …Featuring, que reúne 18 dessas gravações que fez e que só eram encontráveis em discos alheios. Quem lançará será a EMI.

A compilação dá provas da versatilidade da estrela, pois inclui canções de vários estilos, indo do jazz ao hip-hop, passando por rock, pop, country, folk e experimentalismo. Tudo com alta qualidade artística.

Entre outros, temos em …Featuring gente do naipe de Ray Charles, Foo Fighters, Outkast, Belle & Sebastian, Herbie Hancock e Dolly Parton. Vou ficar por aqui para a crítica do CD, quando o mesmo chegar às minhas mãos. Mas conhecendo várias dessas músicas, não vejo a hora de ouvir o álbum como um todo.

Relançamento comemora 30 anos de Feminina, um dos clássicos da carreira de Joyce

Por Fabian Chacur

Na vida, tudo vem na hora certa. Não adianta a gente espernear. É assim que as coisas acontecem. Quem sabe bem disso é a cantora, compositora e violonista Joyce. Aos 19 anos, participou de um célebre festival, em 1967, e recebeu sonoras vaias. Ela não desanimou, seguindo adiante.

Após gravar um disco em parceria com Nelson Angelo e outro para o mercado internacional que só chegaria aqui anos depois, casou, teve filhas e resolveu dar um tempo com a carreira. Viveu seu momento mãe em tempo integral.

Mas é lógico que alguém com o seu talento não ficaria nessa para sempre. De certa forma, a parada foi parecida com a de John Lennon, que também saiu de cena para criar o filho Sean. Curiosamente, ambos voltaram à tona no mesmo 1980. Pena que Lennon tenha ficado por aí, naquele doloroso 8 de dezembro que completará 30 anos em 2010.

Mas voltemos a Joyce. Aproveitando o bom momento como compositora que havia sido gravada por Elis Regina (Essa Mulher), Maria Bethânia (Da Cor Brasileira) e Boca Livre (Mistérios), seu lado cantora e violonista resolveu retomar a trajetória solo. E que retomada!

Feminina, o álbum que marcou esse momento chave em sua carreira, volta às lojas em uma edição comemorativa fantástica, com direito a digipack, encarte com belíssimo texto escrito pela própria artista, ficha técnica completa, letras e fotos das gravações.

Fica difícil ouvir as 10 faixas desse clássico perene da MPB e acreditar que o mesmo foi registrado há três décadas. O trabalho soa moderno, conciso, elaborado e simples ao mesmo tempo, aquele tipo de simplicidade que só uns poucos conseguem concretizar. Joyce conseguiu.

Com seu violão swingado e brasileiro até a medula como âncora, ela teve a sapiência de conceber um grupo sólido e sem excesso de instrumentos para acompanhá-la. O samba, a bossa nova e as baladas típicas da MPB servem como base.

As melodias nunca são menos do que maravilhosas. A voz de Joyce é uma verdadeira bênção tão preciosa como sua habilidade rítmica no violão. De quebra, temos as letras, que abordam de forma até então inédita o universo feminino e da relação homem/mulher, assim como o das amizades e da vida como um todo.

Alguns trechos das letras explicam melhor do que eu poderia: “esse coração de menino grande vive fora do trilho e é duro cuidar de um filho do seu tamanho” (Coração de Criança). “No entanto, cadê meus amigos, vai ver que a poeira do tempo levou, a barra da vida tem muitos perigos, e a gente se afasta sem querer, se perde dos velhos amigos” (Revendo Amigos).

Mais um pouco. “Ô mãe, me explica, me ensina, me diz, o que é feminina? Não é no cabelo ou no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar” (Feminina). “Preciso aprender os mistérios do rio pra te navegar” (Mistérios). Não são versos de arrepiar?

E o disco tem provavelmente o maior sucesso da carreira de Joyce, Clareana, canção fofinha feita para as filhas Clara e Ana que se popularizou ao ser apresentada no Festival MPB 80, da Globo. Essa, ninguém teve a coragem de vaiar.

Além das canções citadas e de suas próprias leituras para os sucessos que deu para os outros artistas que citei lá em cima, o álbum também inclui um tema instrumental irresistivelmente dançante, Aldeia de Ogum, na qual Joyce só faz vocalizações.

Graças à descoberta de Aldeia de Ogum por DJs britânicos nos anos 90, o trabalho de Joyce atravessou fronteiras e a levou a ser considerada, lá fora, como uma artista de acid jazz. Pode? Claro que sim!

Feminina é para se ouvir de ponta a ponta uma, duas, três, um quaquilhão de vezes. Difícil não querer ter todos os discos de Joyce após se deliciar com este aqui. E pode acreditar: vale a pena.

Cantora, compositora e atriz Mandy Moore consolida evolução no álbum Amanda Leigh

Por Fabian Chacur

Em 1993, tomei um belo de um susto ao ouvir o quarto CD de uma moça que alguns conhecem melhor como atriz, a americana Mandy Moore. Coverage, dedicado apenas a releituras de sucessos de outros artistas, surpreendeu pela qualidade e consistência do repertório.

A moça, que então tinha apenas 19 anos, teve a manha de escolher canções fantásticas e não tão massificadas como The Whole Of The Moon (dos Waterboys), Can We Still Be Friends (de Todd Rundgren), Moonshadow (de Cat Stevens), Breaking Us In Two (de Joe Jackson) e Help Me (de Joni Mitchell), só para citar algumas.

Mais: interpretou com categoria e arranjos personalizados que não desvirtuaram as 12 músicas, gravadas basicamente nos anos 70 e 80. Ou seja, bem longe do que se poderia esperar que fosse o gosto de uma ainda adolescente.

Pois bem. Sete anos depois, a gata chega aos 26 anos concretizando, agora com um trabalho autoral, tudo o que prometera naquele belo disco de 2003. Não por acaso, o título do álbum é Amanda Leigh, nada mais do que seu nome de batismo. O CD sai no Brasil pelo selo Lab344.

Mostrando que soube assimilar as lições dos artistas de que gosta, Mandy nos oferece um álbum impregnado do sabor das canções do rock agridoce dos anos 70, com ênfase nos estilos de Joni Mitchell, James Taylor, Carole King, Carly Simon e Karla Bonoff.

Sua voz doce e afinada se encaixa feito luva no estilo, e o fato de contar com os ótimos arranjos e produção do músico Mike Viola só torna as coisas ainda melhores. Exibindo agora cabelos curtos e um visual mais adulto, a moça ainda exala inspiração, garra e ingenuidade idealista.

Não faltam canções bacanas a citar. Fern Dell, que aparece em duas versões (normal e acústica) é uma delícia folk-pop, enquanto o primeiro single, I Could Break Your Heart Any Day Of The Week tem aquele clima dançante quase bubblegun que nos remete aos anos iniciais da década de 70.

A sublime Song About Home é uma mistura do James Taylor de Mud Slide Slim And The Blue Horizon (1971) com Court And Spark (1974), de Joni Mitchell, sem soar em acorde algum como cópia.

Amanda Leigh é aquele disco típico para se mostrar para quem adora meter o pau na garotada da nova geração. Sim, meus caros, tem gente bem talentosa no meio de tanta porcariada. Basta ter paciência para descobrir.

O CD morreu? Viva o CD e a liberdade de escolha!

Por Fabian Chacur

A década de 90 do século passado foi a era do CD, em termos de mercado fonográfico. O formato de disco de áudio, lançado no início dos anos 80, passou a dominar o mundo da música e rendeu milhões de cópias vendidas e cofres cheios para gravadoras. Esse paraíso sucumbiu no início deste século.

A pirataria, os arquivos MP3 e o advento das redes de compartilhamento de arquivos musicais fez com que as vendas dos discos físicos despencasse, e que os afoitos previssem a extinção total dos CDs. Isso, também, devido à incompetência inicial das gravadoras para encarar a nova realidade.

Pois bem. Estamos em 2010, e a previsão alarmista da caducagem dos formatos físicos para a música não se realizou. E, tudo leva a crer, nunca irá se realizar. E a explicação é simples: quem tinha essa opinião não levou em conta a mudança dos tempos.

Durante muito tempo, o consumidor de música tinha poucas alternativas para ouvir suas canções e artistas favoritos. Primeiro, eram os discos de 78 rotações. Depois, os compactos e posteriormente os LPs de vinil, com as fitas-cassete como alternativa. Aí, o mítico CD.

Na cabeça de muita gente, o formato digital tomaria o lugar do CD da mesma forma que o CD tomou o do vinil. Mas o que de fato ocorreu é que o público, em uma espécie de revolução silenciosa, percebeu que não precisava se prender a uma única forma de curtir sua paixão musical, e colocou em campo o seu direito de optar.

Resultado: as vendas dos CDs de fato caíram absurdamente, mas tem nos últimos anos se mantido em um patamar que ainda dá muitos lucros à indústria. Muitos não tem intimidade com os computadores e as novas formas de se ouvir música, ou mesmo prefere ter os discos.

A oferta de álbuns com extras atraentes, do tipo encartes recheados de fotos e textos informativos, capas sofisticadas e mesmo DVDs brinde com bastidores das gravações conquistam um público fiel, que não se contenta em apenas ouvir, mas que curte a experiência de conviver com a música de forma mais ampla, desejando imagens e informação.

Por sua vez, as lojas especializadas em venda de música digital também se firmaram, sendo alternativa para quem gosta de ouvir música nos Ipods, Iphones e mesmo em seus computadores e laptops.

Lógico que tem aqueles que não tiram um único centavo do bolso para curtir música, preferindo a pirataria física ou digital. Mas lembremos que essa também era a postura de muitos nos tempos das fitas cassete nas décadas de 70, 80 e início dos 90. Ou seja, um antigo costume só mudou de formato.

A frase que define essa história é liberdade de opção. Até mesmo os discos de vinil, dados como mortos na metade dos anos 90, voltam a ser objeto de desejo para uma parcela dos consumidores, que também merecem um tratamento especial, com edições caprichadas e de melhor qualidade técnica.

Quem deseja ganhar dinheiro com música atualmente precisa ter isso em mente. Apostar todas as suas fichas em apenas um formato de comercialização de música é assinar atestado de óbito.

CDs, DVDs, faixas vendidas virtualmente, vender desde uma faixa a um álbum inteiro, comercialização de discos físicos em pontos de vendas nos shows, site do artista repleto de informações, presença maciça nas redes sociais, tudo isso precisa ser explorado.

Não, o CD não vai morrer, assim como também não morrerá o DVD, o recém-lançado Blu-ray, os LPs de vinil etc. A convivência pacífica de formatos não é o futuro, e sim o presente já sendo posto em prática no mundo todo. Tudo funcionando para que a música, esse bem máximo da cultura humana, possa continuar circulando e nos dando tanto prazer e felicidade.

Symphonicities traz releituras sinfônicas de Sting

Por Fabian Chacur

Durante seus quase 35 anos de carreira fonográfica, Sting tem mostrado uma inquietude eterna. Além de sempre apresentar trabalhos novos, na carreira solo ou com o The Police, também costuma oferecer releituras de suas músicas nos mais diversos formatos. Seu novo CD segue essa última linha, e não decepciona.

O título Symphonicities faz um trocadilho com o do quinto e mais-bem sucedido em termos comerciais álbum do The Police, Syncronicity (1983), e entregando a natureza sinfônica da obra. Curiosamente, nenhuma das 12 faixas resgatadas pelo cantor, compositor e músico britânico para o CD vem de lá. Só mesmo o título.

O repertório traz quatro canções lançadas pelo The Police e oito pelo astro em sua carreira solo, e traz desde sucessos como Every Little Thing She Does Is Magic, Roxanne e Englishman In New York a momentos mais obscuros, mas não menos bacanas.

You Will Be My Ain’ True Love, por exemplo, foi gravada originalmente pela cantora country Alison Kraus para a trilha do filme Could Mountain, em 2003, e estava inédita em sua voz.

The Pirate’s Bride era faixa bônus de um single lançado em 1996. When We Dance foi uma das inéditas da coletânea Fields Of Gold 1984-1994. A sensacional She’s Too Good To Me veio de Ten Summoner’s Tales (1993).

Next To You, um rock básico e energético, é a faixa de abertura do primeiro álbum do The Police, Outlandos D’Amour (1978), e continuou tão contundente e dançante como antes com o novo arranjo de cordas.

Os arranjos orquestrais e a atuação dos músicos eruditos americanos e ingleses deu ao material um tratamento impecável, indo desde a manutenção da estrutura básica da canção em Englishman In New York à total reestruturação obtida em Roxanne.

Symphonicities consegue dosar faixas mais sacudidas a momentos reflexivos, permitindo uma sequência bem bacana ao ouvinte. E proximo dos 60 anos que completará em 2011, Sting continua cantando muito bem. Mais uma vez, o astro se reinventa com categoria e sem cair na monotonia.

EMI vai relançar as clássicas coletâneas 1962-66 e 1967-70 dos Beatles em outubro

Por Fabian Chacur

A gravadora EMI, dona do acervo dos Beatles, promete para os dias 18 e 19 de outubro versões remasterizadas das célebres coletâneas The Beatles 1962-1966 (a vermelha) e The Beatles 1967-1970 (a azul).

Lançadas em 1973 em dois álbuns duplos de vinil, essas compilações foram a porta de acesso para a obra dos Beatles para a minha geração. The Beatles 1962-1966 foi o primeiro álbum duplo que comprei na vida (tinha 12 anos na época), e me tornou um beatlemaníaco para o resto da vida.

O outro eu só comprei em 1993, quando a EMI disponibilizou os dois pela primeira vez no formato CD, com encarte contendo letras e seguindo os padrões dos lançamentos originais em vinil.

Desta vez, a gravadora promete remasterizações feitas pela equipe de engenheiros dos estúdios Abbey Road e uma versão expandida do encarte, com texto do premiado jornalista Bill Flanaghan e fotos raras.

Quanto à tal remasterização, vou esperar o lançamento e a opinião da única pessoa em que confio 100% para dar um parecer sobre isso, que é o produtor, músico e amigo Raul Bianchi.

Ele não viu melhoras significativas nas novas versões dos discos de carreira dos Beatles, lançadas em 2009. É aguardar para ver o que ele vai achar do trabalho nas coletâneas. Mas que esses discos são um fetiche, ah, lá isso são.

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