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Mondo Pop

Madonna volta ao Brasil sem a mesma força de antes

Devidamente confirmado o retorno de Madonna ao Brasil. A cantora e compositora americana se apresentará por aqui nos dias 14 de dezembro, no estádio do Maracanã, no Rio, e no dia 18 de dezembro, no estádio do Morumbi, em São Paulo.

Os ingressos para os shows começarão a ser vendidos, respectivamente, a partir dos dias 1 e 3 de setembro, sendo que entre 20 a 29 de agosto haverá a necessidade de um cadastramento para os interessados, no site www.ticketsforfun.com.br . Fones para informações: 4005-1525 (São Paulo, Rio, Brasília, Belo Horizonte e Curitiba) e (11)4005-1525 (demais localidades).

Trata-se da segunda turnê da estrela pop pelo País. A primeira ocorreu em 1993, quando cantou nos mesmos locais. Na época, Madonna vivia um dos melhores momentos de sua carreira. Havia lançado há pouco o excelente álbum Erotica (1992), estava com um visual incrível, e o show que divulgava aquele trabalho, The Girlie Show, é até hoje considerado um dos momentos máximos de sua trajetória artística.

No novo século, a estrela tornou-se mais careta, investindo em dance music sem o mesmo talento e apelo de antes. Os discos ainda vendem bem, mas muito abaixo das marcas atingidas anteriormente por ela, e tem qualidade artística muito inferior. Hard Candy, que motiva os atuais shows, é bem mediano e inofensivo, assim como os recentes Confessions On a Dance Floor (2005) e American Life (2003).

Mas como o repertório reservará espaço para alguns dos sucessos mais antigos, quem sabe não valha a pena conferir mais uma vez a agora cinquentona? O DJ Paul Oakenford será o convidado especial da estrela pop. 

Madonna canta The Girl From Ipanema no Brasil em 1993: 

 

Cyndi Lauper e Boy George no Brasil em setembro

Por Fabian Chacur

Os fãs brasileiros do pop dos anos 80 tem boas razões para comemorar. Em setembro, estão confirmadas as presenças no Brasil de Boy George e Cyndi Lauper para shows ao vivo. O ex-cantor do Culture Club já tem data confirmada em São Paulo, dia 9 de setembro, enquanto a estrela americana terá essa confirmação nos próximos dias. Os dois shows rolam na Via Funchal.  Ambos chegam ao país em momentos importantes de suas trajetórias recentes. George garante que se livrou das drogas há quase um ano, e promete para breve um novo CD individual.

A música Yes We Can, primeira amostra dessa nova fase, é dedicada e inspirada em Barak Obama, candidato democrata à presidência dos EUA. Em entrevista à revista Q deste mês, ele afirmou o seguinte: “Sei que sou um bom cantor, estou mais determinado a provar isso do que quando tinha 17 anos; não quero ser conhecido por minha ficha policial; amo a música, e finalmente me dei conta de como tenho sorte de fazer o que faço”. O intérprete esteve no Brasil anteriormente em 1995, com shows ao vivo para divulgar o disco solo Cheapness And Beauty, e no ano passado, como DJ.

Por sua vez, Cyndi Lauper volta após quase 15 anos. Uma das maiores estrelas dos anos 80, lançou em 1983 um dos discos mais vendidos daquele período, o ótimo She’s So Unusual, dos hits Time After Time, Girls Just Wanna Have Fun e Money Changes Everything. Em maio deste ano, lançou um novo CD, Bring Ya To The Brink, no qual conta com a participação de Dragonette, Keerup, Peer Astrom, Scum Frog e Rich Morel, entre produção, composições e instrumentos.

Veja o clipe de Into The Nightlife, do novo CD de Cyndi Lauper:
http://br.youtube.com/watch?v=ivaXI7TIoL8 

Cida Moreira esbanja elegância ao cantar Cartola

Por Fabian Chacur

Angenor de Oliveira (1908-1980), que o fã da MPB conhece melhor pelo nome artístico Cartola, faria 100 anos em 2008. Faria, não. Faz. Afinal, quem compôs canções absolutamente maravilhosas, como As Rosas Não Falam, Autonomia, O Sol Nascerá e tantas outras, permanecerá sempre vivo nos corações e mentes de todas as pessoas com um mínimo de sensibilidade.

Vários trabalhos estão chegando ao mercado com justas homenagens a um dos fundadores da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Um dos mais sublimes é esse Angenor, disco no qual Cida Moreira relê 16 de suas composições, lançamento da Lua Music que acaba de chegar às lojas físicas e virtuais.

Cida Moreira tem bagagem suficiente para encarar o desafio de reler essa obra tão caudalosa, delicada e inspirada sem cair no lugar comum. Cartola esbanjou poesia, lirismo, sensibilidade e poder de síntese, e a intérprete há mais de 30 anos na estrada não perdeu de vista tais características.

Dona de um vozeirão que rendeu ótimos discos como Summertime (1981), Abolerado Blues (1983) e Cida Moreira Canta Chico Buarque (1993), ela optou neste Angenor por navegar pela sutileza. Seu timbre grave de voz surge delicado, classudo, doce, ressaltando com categoria cada palavra, cada nota, cada nuance.

A moldura instrumental segue o mesmo conceito, com arranjos ao mesmo tempo sofisticados e simples. Temos 16 faixas, entre as quais destaco Senões, O Mundo é um Moinho, Cordas de Aço, Autonomia e O Inverno do Meu Tempo. Merece elogios o fato de Cida não se prender apenas às canções mais conhecidas, tendo garimpado jóias esquecidas como O Silêncio de Cipreste, por exemplo. Angenor é uma homenagem a altura desse nome tão fundamental para a história da cultura brasileira como um todo.

Confira Cida Moreira e Zélia Duncan cantando Rise Up ao vivo:

Moptop é boa alternativa para bandas “emo”

Por Fabian Chacur

Nos últimos tempos, o cenário do rock brasileiro tem tido, em seu mainstream, um predomínio de grupos de inspiração emocore, ou “emo”, como ficaram rotuladas bandas do naipe de NX Zero, Fresno, CPM-22 e outras. Para quem não simpatiza muito com essa corrente e busca algo diferente por aqui, uma boa sugestão pode ser os cariocas do Moptop.

Com cinco anos de estrada, lançaram na noite de quinta-feira, em pocket show para jornalistas e convidados na sede da gravadora Universal em São Paulo, seu segundo CD, Como Se Comportar. Em cena, o quarteto integrado por Gabriel Marques (voz, guitarra e violão), Rodrigo Curi (guitarra e violão), Daniel Campos (baixo) e Mário Mamede (bateria) esbanjou coesão instrumental, pique e entrosamento, o que certamente ganharam ao fazer mais de 190 shows nos últimos dois anos e abrir para bandas do porte de Oásis, The Bravery, Placebo e The Magic Numbers.

O som do Moptop tem influências de bandas como Strokes, Smiths, Pretenders, Hojerizah e Muzak, para citar só algumas, sendo que o bom vocal de Gabriel aproxima-se do tom e atitude de Marcelo Camelo (ex e futuro Los Hermanos). Sem firulas desnecessárias e com timbres instrumentais muito bem pesquisados e definidos, tem um repertório bem consistente para divulgar.

Do novo CD, podem ser destacadas as ágeis Aonde Quer Chegar?, Contramão, Bom Par, Desapego e Beijo de Filme. A apresentação visual do disco é belíssima, inspirada em foto da Segunda Guerra Mundial, aquela dos soldados americanos em Iwo Jima. Rock and roll melódico, energético, delicado e com apelo suficiente para atingir o grande público, embora com aura indie.

My Space do Moptop:

www.myspace.com/moptopyeahrock

Universal lança página de conteúdo para celular

Por Fabian Chacur

As gravadoras multinacionais demoraram a perceber que não podem se limitar aos formatos tradicionais de mídia para vender seu produto, a música. No entanto, agora parece que as mesmas estão tentando recuperar o tempo perdido. Totalmente focada na importância que os celulares começam a tomar em termos de consumo de conteúdo musical, a Universal Music promete colocar no ar em setembro uma página de conteúdo exclusivamente para esse tipo de mídia.

A mesma oferecerá ao consumidor músicas para download legalizado, vídeos inéditos e exclusivos, promoções e diversas outras possibilidades. Fazem parte do acervo da gravadora nomes como U2, NX Zero, Amy Winehouse, Mariah Carey, César Menotti & Fabiano, Leonardo, Akon, Fresno, Rhiana e Fergie, entre inúmeros outros.

Vale a lembrança de que celulares lançados com conteúdo musical exclusivo de artistas como Skank, Jota Quest, Fergie e Simple Plan já foram lançados no Brasil com grande sucesso, conseguindo superar a marca de 50 mil aparelhos vendidos. Podem esperar muito mais nesse setor em termos de produtos exclusivos. Tudo começou com os ringtones, que hoje continuam sendo importantes, mas que são apenas uma das inúmeras possibilidades de se faturar, no setor. 

Confira o site da Universal em:
http://www.universalmusic.com.br/default.aspx  

DVD mostra interação de B.B.King com seus fãs

Nunca irei me esquecer daquele dia de 1986. Eu e meu amigo José Carlos Dopaso (por onde andará?) chegamos atrasados ao longínquo hotel Transamérica (SP), após o nosso táxi se perder umas várias vezes. A entrevista coletiva de B.B. King já havia acabado, e a assessoria de imprensa nos avisou que ele não iria falar com mais ninguém.

Teimosos, ficamos por lá, esperando que um milagre acontecesse. Bingo! Do nada, o embaixador do blues apareceu, e conseguimos não só autógrafos, como trocar idéias com ele, uma das figuras mais simpáticas que já vi em minha vida de repórter e crítico musical. Deus me proporcionou a honra não só de rever a fera, como também de assistir dois de seus shows, um deles em 2006. Se você ainda não teve essa honra, que deve se tornar mais difícil pelo fato de o músico prometer não sair tanto dos EUA em função de seus 82 anos de idade, uma boa solução é conferir esse magistral DVD, B.B.King Live, que acaba de chegar em edição nacional.

Nele, o que de melhor rolou em quatro shows realizados pelo cantor e guitarrista americano em outubro de 2006 nas duas sedes de seu aconchegante B.B.King Blues Club em Memphis e Nashville. Acompanhado de sua vibrante banda de apoio, Mister King mergulha nas várias fases de sua carreira.

Canta e toca sentado, mas com um pique do qual muito molecão metido a besta não conseguiria sequer chegar perto. Simpático, conversa o tempo todo com a platéia, arrancando sorrisos e aplausos. O repertório é matador: The Thrill Is Gone, Rock Me Baby, Key To The Highway, a hilária Just Like a Woman… A proximidade da platéia torna o show ainda melhor. Nos extras, caprichado making of e uma mensagem emocionante deste ícone, que divulga não só o blues como o que há de melhor na cultura de seu país. 

B.B. King toca Blues Boys Tune ao vivo

 

Enfim sai o primeiro DVD solo de Cazuza

Por Fabian Chacur

Quando Cazuza morreu, em 1990, ainda não era muito usual o lançamento de produtos musicais audiovisuais, até em função de o formato VHS não ser dos mais práticos. Portanto, existia uma lacuna no mercado esperando para ser preenchida. Em 2007, saiu Barão Vermelho 1985-Rock In Rio, CD e DVD com a performance da banda ainda com seu vocalista original, e cuja resenha você pode conferir aqui em Mondo Pop. Agora, enfim a carreira solo deste genial e saudoso cantor e compositor carioca estréia em DVD, quando Pra Sempre chega às lojas, via Universal. Felizmente, valeu a espera.

O material é todo oriundo dos arquivos da Rede Globo. Três músicas (Exagerado, Medieval II e Por Que a Gente é Assim?) foram gravados no verão de 1985, e flagram Cazuza no auge da forma física. Outras 14 faixas integraram o especial Cazuza Uma Prova de Amor, gravado e exibido pela emissora carioca em 1988. Neles, o roqueiro irreverente já aparece bem mais magro, e com as marcas que a doença que o acabaria levando mais cedo começava a imprimir nele.

No entanto, a energia e o talento continuavam felizmente intactos. Participam Frejat, Gilberto Gil, Simone, Sandra de Sá e Gal Costa, entre outros. O repertório é arrepiante, com direito a Vida Louca Vida, Ideologia, Só As Mães São Felizes, Um Trem Pras Estrelas e Brasil. Faz Parte do Meu Show e O Mundo É Um Moinho também aparecem em videoclipes, e temos também entrevistas com o artista e também Ney Matogrosso, Sandra de Sá e Simone. O trabalho de restauração de áudio e vídeo é impecável, conseguindo unir valor histórico a qualidade técnica e artística. Pra Sempre é a forma de se aplacar um pouco a saudade que temos desse grande poeta e rock and roller. 

Por Que A Gente É Assim?, ao vivo em 1985:

Isaac Hayes: sua alma irá nos fazer muita falta

Por Fabian Chacur

Lembro de ouvir quase até furar o compacto simples comprado por meu saudoso irmão Victor. De um lado, Theme From Shaft. Do outro, Café Regio’s . Tinha apenas dez anos de idade. Com o decorrer dos anos, descobri muito sobre o autor e intérprete das faixas acima, um certo Isaac Hayes. Nascido em 20 de agosto de 1942 nos EUA, começou a carreira como compositor e produtor, tendo escrito hits imortais como Soul Man, Hold On I’m Coming e When Something Is Wrong With My Baby.

Logo, resolveu dar seus próprios passos como artista solo, e lançou um disco até hoje cultuado, Hot Buttered Soul (1969). Mas foi a partir da trilha do filme Shaft, lançado em 1971, que esse mestre da soul music virou um astro propriamente dito, atingindo o topo da parada americana e ganhando até Oscar. Essa trilha é simplesmente sublime, e voltou às lojas brasileiras há pouco, com vários temas que foram usados como vinhetas de publicidade no Brasil nos anos 70, como quem tem mais de quarenta certamente irá lembrar, com prazer.

Mister Hayes, com sua voz grave e grande talento como músico, também criou um estilo sensual de música que acabou influenciando gente como Barry White e tantos outros. Pois ele nos deixou no domingo, dez de agosto, apenas dez dias antes de completar 66 anos. Para quem quiser ter uma idéia do tamanho dessa perda, recomendo o DVD Live At Montreux 2005, lançado no Brasil pela ST2 no ano passado.

Ele dá uma geral em hits como Don’t Let Go, Walk On By (que deveria deixar o patético Ed Motta com vergonha de ter assassinado essa mesma canção, de Burt Bacharach), Never Can Say Goodbye e a hipnótica Theme From Shaft, que foi interpretada até mesmo por Bart e Lisa Simpson. Ele também fazia a voz do Chief, do desenho para adultos South Park. E pode ser considerado o criador do visual cabeça raspada e cavanhaque. Outro filme disponível no Brasil com a participação de Hayes é o ótimo documentário sobre a soul music Only The Strong Survive

Confira Theme From Shaft:

Caetano Veloso entre nos melhores da Downbeat

Por Flavio Canuto

A revista americana de jazz “Downbeat” colocou o cantor e compositor baiano Caetano Veloso em segundo lugar entre as escolhas anuais dos críticos.

Acho que essa surpreendeu até o próprio Caetano. A Downbeat, revista norte-americana especializada em jazz, colocou o álbum “Cê”, no terceiro lugar na categoria melhor álbum, apenas três votos atrás do Radiohead.

Caetano viajou todo o planeta durante a turnê de “Cê”,e obteve ótimas críticas a respeito do álbum nos jornais e revistas mais influentes do mundo.

Clique aqui e leia a crítica de Cê.

Fresno e Chitãozinho & Xororó, Badauí e Cláudia Leite…

Por Fabian Chacur

O Brasil é um país miscigenado por natureza. A mistura de coisas diferentes sempre fez a graça de nosso povo, de nossa economia e obviamente de nossa cultura. Nada contra, pois tal vocação já gerou o Tropicalismo, o rock brasileiro, a bossa nova e inúmeros outros gêneros inovadores, só para me ater ao tema que domino, a música. Mas tem horas em que a cordialidade do brazuca enche o saco.

O projeto Estúdio Coca-Cola Zero, por exemplo, gerou dois encontros que beiram o bizarro, tanto na concepção como no resultado final. Um está indo ao ar atualmente pela MTV, que combina a dupla Chitãozinho & Xororó com o grupo emo Fresno. O outro reuniu o cantor Badauí, do também emo CPM 22, com a ex-vocalista da banda axé Babado Novo, a loiríssima Cláudia Leitte. Como diria Jack The Ripper, vamos por partes ao âmago da questão.

Quando era moleque, vi surgir uma expressão para definir algo que não faz parte de nosso universo de preferências: “não é a minha praia”. Chitãozinho & Xororó são excepcionais na sua área, enquanto o Fresno, se não é minha banda favorita, tem o mérito de possuir muitos fãs na cena do emo rock. Juntos? Ficou muito esquisito. Pior é a bandinha mandando ver uma versão “turbinada” da balada brega Brincar de Ser Feliz, e ainda se orgulhando de gostar de sertanejo e pagode. Atitude rock and roll morreu, pelo visto. Forçaram a mão.

A parceria Badauí/Cláudia Leitte foi além do projeto, englobando o CD/DVD lançado pela cantora, Ao Vivo Em Copacabana. Juntos, mandam Bola de Sabão, que tenta fundir axé e rock. O fruto de tal “experiência” equivale a misturar água e óleo. Não dá liga, não rola, não arrepia, não nada. Constrange.

Aí, fica a pergunta: nesse mundo excessivamente politicamente correto que virou a música brasileira, será que ainda existe quem tenha coragem de dizer que “respeito, mas não é minha praia e não gravaria com esse artista”? Sei não…