Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Adam Schlesinger, do sucesso That Thing You Do! e muito mais

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Por Fabian Chacur

A composição That Thing You Do!, tema principal do filme That Thing You Do! O Sonho Não Acabou (1996), é um belo cartão de apresentação para o produtor, músico e compositor americano Adam Schlesinger. Ele, infelizmente, nos deixou nesta quarta-feira (1º), mais uma vítima do meio musical deste terrível covid-19, conforme divulgado pelo New York Times em comunicado do advogado do músico, Josh Grier. Mas o currículo do agora saudoso artista americano vai muito além dessa música deliciosa.

Ironicamente, o filme conta a história de uma banda fictícia que acaba quando ainda curtia o estouro de seu único hit. Schlesinger concorreu ao Oscar pela canção, e não o venceu. No entanto, conseguiu faturar três EMIs, o Oscar da TV americana, e um Grammy, prêmio máximo da indústria fonográfica mundial. E ele também fez música para espetáculos teatrais badalados. Menos mal.

Adam Lyons Schlesinger nasceu em 31 de outubro de 1967 em Manhattan. Sua carreira musical começou a engrenar na primeira metade dos anos 1990, quando, por falta de uma, criou logo duas bandas. A primeira foi a Ivy, ao lado de Andy Chase e Dominique Durand, em 1994. A segunda veio logo a seguir, a Fountains of Wayne, que tinha como núcleo ele e Chris Collingwood. Ambas tiveram trajetórias bem bacanas em termos musicais.

A Ivy lançou o seu álbum de estreia, Realistic, em 1995. Apostando em um pop-rock melódico com influências como The Smiths, Burt Bacharach, The Go-Betweens e The Beatles, conseguiram emplacar diversas músicas em trilhas de filmes, entre os quais There’s Something About Mary (1998), Me, Myself & Irene (2000) e Shallow Hall (2001).

Dessas canções, This Is The Day (ouça aqui), de There’s Something About Mary, é uma das mais legais. Seu álbum Apartment Life (1997) teve como coprodutor ninguém menos do que o britânico Lloyd Cole (ex-líder dos Commotions). Seu 6º e último álbum, All Hours, saiu em 2011.

Em termos de popularidade, o Fountains Of Wayne foi um pouco além da Ivy. Embora muito bons e merecedores de elogios por parte dos críticos, seus dois primeiros álbuns, Fountains Of Wayne (1996) e Utopia Parkway (1999), ambos lançados pela Warner, não tiveram bom retorno em termos comerciais, tanto que eles acabaram levando o cartão vermelho da gravadora.

Sem baixar a guarda, Schlesinger e Collingwood foram à luta e conseguiram assinar com o selo indie S-Curve. Com o álbum de estreia nesta gravadora, Welcome Interstate Managers (2003), eles emplacaram o hit Stacy’s Mon (seu maior hit, chegou ao 21º lugar nos EUA, ouça aqui). Com pegada power pop, a canção os impulsionou a uma façanha meio curiosa. Bem curiosa, por sinal.

Na edição de número 46 do Grammy, cuja cerimônia de premiação ocorreu em fevereiro de 2004, a banda concorreu na categoria….banda revelação! Isso, mesmo com três álbuns e oito anos de estrada no currículo. Perderam para o grupo Evanescence. A banda lançaria mais três álbuns, sendo que o último deles, Sky Full Of Holes (2011) acabou sendo o mais bem-sucedido em termos comerciais, atingindo o 37º na parada pop americana.

Schlesinger também integrou uma “superbanda”, formações que trazem músicos já famosos por trabalhos anteriores. No caso, foi a Tinted Windows, que reuniu, além do líder do Ivy e Fountains Of Wayne, James Iha (ex-Smashing Pumpkins), Taylor Hanson (do grupo Hanson) e Bun E. Carlos (baterista do Cheap Trick). A banda fez alguns shows e lançou um álbum, Tinted Windows (2009).

E respire mais um pouco, pois o currículo de Adam ainda não acabou. Ele compôs muita coisa para teatro e TV nesses anos todos. Um desses trabalhos gerou um álbum, A Colbert Christmas: The Greatest Gift Of All (2010), gravado por Stephen Colbert e com músicas de Schlesinger em parceria com David Javerbaum. Pois foi graças a esse trabalho que ele finalmente ganhou um Grammy, após duas derrotas com o Fountains Of Wayne.

Vários artistas famosos gravaram composições de Adam. Os Monkees, por exemplo, incluíram canções dele (que também atua como músico) em seus álbuns mais recentes, os ótimos Good Times! (2016) e Christmas Party (2018). Katy Perry, Jonas Brother, America, Elvis Costello e Willie Nelson também gravaram músicas do artista, que produziu discos de The Verve Pipe, David Mead e They Might Be Giants. Além da música-tema de That Thing You Do!, ele também escreveu várias das canções do filme Josie And The Pussycats.

A parceria com David Javerbaum rendeu músicas para musicais de teatro de bastante sucesso, entre os quais vale citar Cry-Baby (2008) e An Act Of God (2015). Com outros parceiros, também fez coisas bem legais.

A atriz e comediante Sarah Silverman escolheu Adam para escrever com ela as canções de seu espetáculo The Bedwetter, que deveria ter estreado há pouco, mas cuja exibição foi adiada pela pandemia do novo coronavírus. No momento, Schlesinger estava escrevendo com Rachel Bloom músicas para uma adaptação teatral da série de TV The Nanny. Ou seja, ele nos deixou em momento dos mais produtivos de sua intensa carreira. Uma pena!

That Thing You Do! (clipe)- The Wonders:

Earl Slick e Bernard Fowler em documentário sobre os sidemen

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Por Fabian Chacur

Sideman é o termo criado para designar os músicos de apoio, profissionais cuja função básica é dar a base artística suficiente para que seus patrões, sejam eles quem forem (cantores solo, duplas, grupos etc) brilhem. Até por isso mesmo, frequentemente são pouco conhecidos do grande público. O documentário Rock ‘N’ Roll Guns For Hire- The Story Of Sidemen (2017), de Francis Whately (o mesmo diretor de The Last Five Years, de David Bowie), que está sendo exibido pelo Canal Bis e disponível em sua plataforma de streaming (bisplay), enfoca alguns dos grandes craques dessa área.

Com o selo de qualidade da BBC, o documentário tem como narrador e principal personagem o guitarrista americano Earl Slick, que atuou ao lado de David Bowie de 1974 a 2016, entre idas e vindas, e também gravou com John Lennon e com o trio Phantom, Rocker & Slick. Carismático, ele interage com outro craque do setor, o cantor americano Bernard Fowler, que há 30 anos faz parte com destaque da banda de apoio dos Rolling Stones.

Durante os 90 minutos de duração do filme, temos a oportunidade de conhecer as experiências dos dois protagonistas e também de músicos de currículos importantes do porte de Wendy Melvoin & Lisa Coleman (da banda Revolution, que acompanhou Prince em Purple Rain e outros discos de sucesso), Steve Cropper (lendário compositor e guitarrista que trabalhou com Otis Redding) e Crystal Taliefero (tocou com Billy Joel).

O termo sideman é mais usado para o músico que integra bandas de shows, mas em diversos casos esses profissionais também atuam como músicos de estúdio também, e a razão é simples: sobrevivência. Afinal de contas, eles são realmente “pistoleiros de aluguel” (tradução do título do documentário), que só ganham enquanto estão em uma turnê ou em uma sessão de gravação. E sempre dependem do humor ou da mudança de rota de seus patrões.

Um dos diversos pontos positivos do filme fica por conta de vários depoimentos de alguns desses chefões famosos, entre eles Mick Jagger, Keith Richards e Billy Joel. Fica claro que os sidemen (e sidewomen) vivem o tempo todo na corda bamba, pois não podem aparecer mais do que os astros para os quais trabalham, mas ao mesmo tempo precisam acrescentar o suficiente nos shows e gravações para serem considerados úteis.

Vários episódios interessantes ocorridos nessa área são revividos por eles. Slick, por exemplo, lembra que em algumas ocasiões era demitido por Bowie e, não muito tempo depois, readmitido para entrar no lugar de quem o havia substituído. “E é assim que as coisas funcionam, não tem jeito”, relembra o músico, que mostra no filme uma tentativa que fez para ganhar algum dinheiro fora da música, customizando jaquetas de couro.

Rock ‘N’ Roll Guns For Hire é uma bela amostra da difícil vida fácil de pessoas extremamente talentosas que, no entanto, não tiveram cacife suficiente para atingir o estrelato por conta própria. Uns se frustram um pouco com isso, como admite Wendy Melvoin. Outros, pelo contrário, como garante Steve Cropper, satisfeito em deixar os holofotes para os patrões e se divertindo ao tocar, produzir e compor para eles.

No final do doc, Slick e Fowler se unem, montam uma banda e fazem um show no qual tocam basicamente hits de Bowie, fechando com chave de ouro um belo retrato desses caras geniais sem os quais muitos pop stars não passariam de meros vagalumes no meio do mato. É como no futebol: o que seria dos artilheiros e meio-campistas se não tivessem os zagueiros, volantes e goleiros para garantir as coisas para eles?

Veja o documentário sem legendas:

Michael Stipe lança versão demo de uma nova e belíssima canção

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Por Fabian Chacur

Neste domingo (29), Michael Stipe colocou no ar uma versão demo de uma nova canção. E que canção! No Time For Love Like Now é daquelas faixas que, mesmo assim, aparentemente inacabada, já soa como clássica logo em seus primeiros acordes. Gravada com uma câmera caseira no que parece ser um cômodo de sua residência, o ex-cantor do R.E.M. nos emociona com uma balada linda cuja letra registra tudo o que precisamos nesses tempos cinzentos.

No Time For Love Like Now foi composta em parceria com o cantor, compositor, produtor e multi-instrumentista americano Aaron Dessner, conhecido por integrar as bandas The National e Big Red Machine.

Essa maravilha é a terceira faixa que o astro nos proporciona desde outubro de 2019. Após o anunciado fim do R.E.M. em 2011, as expectativas em torno de como a carreira de Stipe seguiria adiante eram enormes.

Foram anos e anos de expectativa. A primeira amostra conpleta foi a deliciosa Your Capricious Soul (ouça aqui), disponibilizada no dia 5 de outubro de 2019 e com os direitos doados ao grupo de ativistas ambientais Extinction Rebellion.

Como forma de celebrar seus 60 anos de idade, ele lançou no dia 4 de janeiro um segundo single, Drive To The Ocean (ouça aqui), uma canção envolvente de clima árabe e com belos vocais de apoio. Seus direitos foram doados pelo prazo de 365 dias para a Pathway To Paris, organização sem fins lucrativos que apoia iniciativas inovadoras relativas ao meio ambiente.

Em entrevista concedida em 2019, Stipe afirmou ter 18 canções prontas, mas não deu detalhes de como serão lançadas, se em um álbum em formato convencional ou apenas em singles.

Para mim, a lógica deve ser o lançamento de um ou outro single a seguir e, depois, um álbum completo. Seja como for, é ótimo ver um artista do seu calibre novamente na ativa, e com três músicas tão boas. Que venham logo as outras!

No Time For Love Like Now (demo)- Michael Stipe:

Alan Merrill e Joe Diffie, duas vítimas musicais do covid-19

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Por Fabian Chacur

Alan Merril (foto) e Joe Diffie provavelmente não se conheciam, pelo fato de atuarem em áreas bem distintas da música. No entanto, agora eles tem duas coisas em comum, e não das mais agradáveis: nos deixaram neste domingo (29), e ambos foram vítimas do novo coronavírus, o temível covid-19. Eles tiveram trajetórias artísticas das mais significativas respectivamente no glam rock e na música country, e se mantinham na ativa, com longas e vitoriosas carreiras.

Nascido em 19 de fevereiro de 1951 nos EUA, Alan Merrill se aproximou da cena musical no final dos anos 1960 ao ser aprovado para integrar a banda The Left Banke, que havia estourado com os singles Walk Away Renee e Pretty Ballerina. No entanto, não chegou nem a estrear, pois o grupo encerrou suas atividades logo a seguir, para sua frustração. Ele, então, resolveu se mudar para o Japão.

Naquele país, uniu-se a três músicos locais e criou em 1971 a banda Vodka Collins, que em pouco tempo se tornou a grande expressão do glam rock local. Seu álbum Tokyo-New York (1973- ouça um hit deles aqui ). Ele era o baixista e vocalista do grupo. No auge de seu sucesso, naquele mesmo 1973, Merrill descobriu que eles estavam sendo surrupiados por seus empresários, e resolveu fugir dali, rumo à Inglaterra, tentar nova sorte.

No Reino Unido, conheceu Paul Varley (baterista-1952-2008) e Jake Hooker (guitarrista-1953-2014) e montou com eles a banda The Arrows, que lançou em 1974 o seu single de estreia e seu maior hit, Touch Too Much (ouça aqui).

Até 1976, a banda lançaria um álbum e seis singles, e atraiu as atenções da britânica TV Granada, que ofereceu a eles a apresentação de um programa semanal. A atração rendeu 28 episódios entre 1976 e 1977, mas curiosamente eles não conseguiram capitalizar o sucesso televisivo em vendas de discos, pois uma briga entre seu empresário Ian Wright e o produtor musical Mickie Most os impediu de lançar novos trabalhos naquele período.

O resgate de I Love Rock ‘n Roll por Joan Jett

Em 1975, os Arrows lançaram um compacto com a música Broken Down Heart no lado A e outra no lado B, uma tal de I Love Rock ‘n’ Roll. Mesmo sendo muito boa, esta última não conseguiu bons resultados em termos de vendas, mas a composição de Merrill em parceria com Jake Hooker ganharia outro destino quando a banda a tocou na TV em 1976, e uma espectadora especial a ouviu.

Joan Jett, então integrante do grupo The Runaways, estava em turnê pela Inglaterra, e ao ver os Arrows tocando aquele rockão na TV viu na hora que aquilo tinha potencial para hit. Seu grupo não concordou, mas ela manteve a ideia de regravá-la, e isso ocorreu pela primeira vez após sua separação, em 1979, quando a roqueira fez um registro em estúdio ao lado de Steve Jones e Paul Cook, dos Sex Pistols, que só saiu em 1993 (ouça aqui).

Persistente, Joan resolveu gravar novamente I Love Rock ‘n’ Roll, desta vez com sua nova banda, The Blackhearts, e aí, tirou a sorte grande. O single com esta música (ouça aqui) atingiu o topo da parada americana em 1982, ficando lá por sete semanas e elevando de vez a roqueira ao estrelato. E isso também ajudou e muito Alan Merrill a ser relembrado na cena rocker.

A separação dos Arrows e o que veio depois

Após o fim dos Arrows, Merrill integrou brevemente uma nova banda, a Runner, que lançou um álbum autointitulado em 1977 e logo saiu de cena. Em 1980, integrou como cantor e baixista a banda do guitarrista Rick Derringer, conhecido como autor de hits como Hang On Sloopy e Rock And Roll Hoochie Koo, e gravou com ele três álbuns.

Em 1983, o célebre cantor de r&b e jazz Lou Rawls gostou tanto de uma composição da dupla Alan Merrill-Jake Hooker, When The Night Comes (ouça aqui) que não só a gravou como ainda a tornou a faixa-título do álbum que lançou naquele mesmo ano.

A essa altura dos acontecimentos, parecia estranho Merrill ainda não ter lançado um trabalho solo, e isso ocorreu finalmente em 1985. Autointitulado, o álbum trouxe participações especiais de Steve Winwood, Mick Taylor e Dallas Taylor. Ele lançaria dezenas de outros trabalhos individuais nos anos que se seguiriam.

Além de integrar a banda do roqueiro Meat Loaf de 1986 até o fim daquela década, Merrill também participou de uma reunião da sua banda japonesa, a Vodka Collins, que voltou a ser badalada após o relançamento no formato CD de seu álbum Tokyo-New York, o que ocorreu em 1990. O sucesso no Japão foi tanto que eles lançariam mais quatro álbuns até o final dos anos 1990.

Na carreira-solo, o disco mais recente de Alan Merrill foi Radio Zero (2019). Ele estava preparando um novo trabalho quando foi acometido do novo coronavírus. Sua morte foi anunciada pela filha, Laura, em um comovente post no qual relata a inicial indiferença com que ela e o pai encararam a doença, e como ela se arrepende disso, além de aconselhar as pessoas a se resguardarem nesse momento tão difícil.

A bela carreira country de Joe Diffie

Nascido em Tulsa, Oklahoma (EUA) em 28 de dezembro de 1958, Joe Diffie penou durante alguns anos para se firmar no cenário musical, tendo inclusive de encarar a falência de seu estúdio de gravação. As coisas mudaram de rumo em 1990 quando lançou seu álbum de estreia, A Thousand Winding Roads, álbum que inclui a faixa Home (ouça aqui), seu primeiro single a atingir o topo da parada country americana.

Embora não tenha conseguido fazer o crossover para a parada pop, como contemporâneos do porte de Garth Brooks e Billie Ray Cyrus fizeram, ele marcou presença com muita força nos charts country até 1995.

Outros quatro de seus singles conseguiriam liderar a parada da música rural americana: Pickup Man, Third Rock From The Sun, If The Devil Dances (In Empty Pockets) e a peculiar Bigger Than The Beatles (ouça aqui), na qual brincava que seu amor era maior do que o sucesso da célebre banda britânica.

Seu álbum mais bem-sucedido nas paradas country foi Third Rock From The Sun (1994), que atingiu o 6º lugar naquela parada de sucessos e de quebra vendeu mais de um milhão de cópias. Ele compôs canções de sucesso em parceria com nomes bacanas do cenário country como Tim McGraw, Holly Dunn e Joe Dee Messina, e gravou com outros do mesmo gabarito, entre os quais George Jones, Mary Chapin Carpenter e Marty Stewart.

Se a partir de 1996 suas vendas de discos não repetiram as mesmas performances, ele se manteve lançando novos trabalhos e fazendo shows concorridos. Em 2012, o ídolo country Jason Aldean celebrou o seu legado gravando a canção 1994, escrita em homenagem a Diffie e na qual é citado seu nome e trechos de alguns de seus maiores hits. Ele se preparava para lançar em breve I Got This, seu primeiro álbum em sete anos.

I Love Rock ‘n’ Roll– The Arrows:

Titãs lançam um novo clipe de Sonífera Ilha com celebridades

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Por Fabian Chacur

Com nove integrantes logo no seu início e oito em sua fase clássica, os Titãs foram diminuindo até chegarem ao formato atual, com Sergio Britto, Branco Mello e Toni Bellotto. Após uma turnê bem-sucedida com essa formação, eles anunciam que lançarão em breve o álbum Titãs Trio Acústico, relendo seus hits. A primeira amostra saiu hoje. Trata-se de Sonífera Ilha, seu primeiro hit, que está sendo divulgada com um clipe ótimo e repleto de convidados especiais.

Cenas da banda feitas em estúdio são intercaladas com registros de Rita Lee e Roberto de Carvalho, Fernanda Montenegro, Lulu Santos, Elza Soares, Os Paralamas do Sucesso, Casagrande, Andreas Kisser, Edi Rock, Fábio Assunção, Cyz Mendes, Alice Fromer e Érika Martins, que dublam os versos da canção.

Embora intitulado Trio Acústico, vemos no clipe o grupo se valendo de instrumentos elétricos como guitarra e baixo, além de piano, este, sim, acústico de fato. Cantada por Paulo Miklos na versão original de 1984, desta vez Sonífera Ilha contou com o vocal principal de Branco Mello.

Sonífera Ilha (clipe)- Titãs:

Leila Pinheiro e Antonio Adolfo lançam videoclipe de Teletema

Foto: Leo Aversa

Foto: Leo Aversa

Por Fabian Chacur

Há parcerias que se mostram clássicas logo ao serem anunciadas, e a que reúne em um mesmo trabalho o pianista, compositor, arranjador e produtor Antonio Adolfo e a cantora Leila Pinheiro se encaixa feito luva nessa definição. O legal é que eles se unem para reverenciar o trabalho de outra dupla que marcou história na música popular brasileira, a formada pelo próprio Adolfo e o saudoso Tibério Gaspar (1943-2017). O primeiro videoclipe para divulgar este álbum, com a música Teletema, foi lançado nesta quinta-feira (26).

Gravada originalmente por Regininha e incluída na trilha sonora da novela global Véu de Noiva em 1970, essa belíssima canção ganhou um novo arranjo que se encaixou feito luva na voz de Leila. Participam da gravação Roberto Menescal (guitarra), Jessé Sadoc (trompete), Marcio Bahia (bateria) e Jorge Helder (contrabaixo), além do próprio Antonio Adolfo, que foi o diretor musical e arranjador do álbum, nos teclados.

Já disponibilizado pela gravadora Deck nas plataformas digitais e em breve também em CD físico, Vamos Pro Mundo- A Música de Antonio Adolfo traz 13 das mais de 50 músicas escritas pelos dois parceiros, clássicos da música brasileira, entre as quais Cláudia e Sá Marina, esta última grande sucesso na voz de Wilson Simonal e décadas depois na de Ivete Sangalo.

Teletema (clipe)- Leila Pinheiro e Antonio Adolfo:

Chico Lobo mostra novidades e hits em show ao vivo via internet

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Por Fabian Chacur

Há 35 anos na estrada, Chico Lobo é um dos grandes nomes da viola no Brasil. Este talentoso cantor, compositor e músico oriundo de São João Del Rei (MG) se engajou nesse movimento para levar a música ao vivo às pessoas em um período no qual os shows presenciais estão suspensos devido à pandemia do covid-19. Ele se apresentará através de seu canal do youtube (o link está aqui) neste sábado (28) às 17h o show Quarentena Ao Vivo.

No melhor estilo viola e voz, sozinho em cena, Chico se apresentará durante 35 minutos, alternando-se entre clássicos de seu repertório e algumas inéditas que estarão em seu novo álbum, atualmente em fase de gestação. Seus filhos Mateus, Luisa e Tomás se incumbirão da transmissão, enquanto o músico e amigo Tatá Symba se responsabilizará pela parte técnica.

Com mais de 25 CDs e também dois DVDs em seu currículo, Chico Lobo já teve músicas gravadas por artistas do calibre de Maria Bethânia, Mauricio Pereira e a Banda de Pau e Corda, além de dividir o palco com Renato Teixeira, Zé Geraldo, Zé Alexandre e Quinteto Violado. Ele explica o início dessa nova forma de divulgar seu trabalho:

“Nesse momento tão dramático que o meio artístico vive, temos de usar a nossa criatividade, as nossas relações e levar ao público a nossa música, a nossa esperança. Usar dessa modernidade em nosso favor. E assim chegar na casa das pessoas; criar vínculos maiores – de parceria dos artistas com o seu público. Acho isto importante e decidi ir à luta”.

Após essa apresentação solo, Lobo irá participar do Homestage Festival de Portugal, no dia 31 de março às 17h, festival virtual comandado a partir de Portugal que será realizado de 27 de março a 1º de abril com a participação de 86 artistas oriundos de 11 países.

Outra boa notícia fica por conta de ele estar organizando o Festival Quarentena Violada, que nos dias 11 e 12 de abril trará performances de 12 violeiros do primeiro escalão. Vale lembrar que os músicos tem nos shows uma parte muito importante de arrecadar fundos para a sua subsistência. Então, doações dos fãs (equivalentes ao valor de ingressos) serão bem-vindas.

CHICO LOBO apresenta: QUARENTENA AO VIVO — Show Lá em Casa
DIA: 28 de Março (sábado)
HORÁRIO: 17h
CENSURA: Livre
INGRESSO: Contribuição livre, a produção sugere o valor de R$15,00
DEPÓSITO EM CONTA: Viola Brasil Produções (CNPJ 05.725.977/0001-90) | Banco Itaú (nº 341) – Agência:3076 | Conta: 14.525-3

Chico Lobo e Maria Bethânia ao vivo:

The Pretenders liberam 2ª faixa de seu futuro álbum de inéditas

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Por Fabian Chacur

Os fãs dos Pretenders tem boas razões para sorrir. Acaba de ser disponibilizada nas plataformas digitais a faixa-título de seu novo álbum, Hate For Sale, previsto para sair no dia 17 de julho pela gravadora BMG Brasil (não confundir com o selo criado nos anos 1980 e cujo conteúdo hoje é parte do conglomerado Sony Music). Trata-se de um punk rock áspero e curto, com menos de três minutos de duração, embora nele a voz da líder da banda, Chrissie Hynde, soe melódica e suave. Trata-se da segunda música divulgada deste trabalho, que será o 11º da discografia da banda criada em 1978 e com uma carreira bastante relevante.

A outra faixa conhecida do álbum é The Buzz (ouça aqui), um rock balada com ecos dos anos 1960 e com aquela assinatura típica que levou a banda a vender milhões de álbuns e a lotar seus shows nos quatro cantos do mundo.

A produção do disco ficou a cargo do bem-sucedido produtor Stephen Street, conhecido por seus trabalhos com The Smiths, Morrisey na carreira-solo, Kaiser Chiefs e The Cranberries e que que atuou com os Pretenders nos álbuns Last Of The Independents (1994) e !Viva El Amor! (1999).

Será o 1º álbum desde Alone (2016), creditado aos Pretenders mas a rigor um trabalho solo de Chrissie. Desta vez, ela se dedica aos vocais e guitarra-base e tem a seu lado o baterista Martin Chambers (o outro integrante da formação original da banda a se manter em cena), Nick Wilkinson (baixo) e James Walbourne (guitarra), este último seu parceiro nas novas composições.

Sobre a inspiração que a motivou a escrever a letra da faixa que deu nome ao novo CD, ela deu uma declaração bem-humorada:

“Juro que essa música não é sobre Donald Trump, Boris Johnson ou Bolsonaro. Nenhuma das minhas músicas fala diretamente de política, em geral elas falam sobre ex-relacionamentos mesmo”, garante. A inspiração punk ela garante vir de uma de suas bandas favoritas, os britânicos do The Dammed.

Hate For Sale– The Pretenders:

Kenny Rogers, embaixador da country music e um astro pop

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strong>Por Fabian Chacur

Um verdadeiro embaixador mundial da country music. Eis uma definição possível para o cantor, músico e eventual compositor Kenny Rogers, que nos deixou na noite desta sexta-feira (20) por causas naturais, conforme comunicado de sua família. Em uma carreira que teve início na segunda metade dos anos 1950 e se manteve até 2018, o astro americano nos deixou uma obra repleta de hits e na qual sempre demonstrou uma inquietude, acrescentando elementos sonoros diversos à música country.

Kenneth Ray Rogers nasceu em Houston, Texas, no dia 21 de agosto de 1938, e demonstrou interesse pela música logo aos quatro anos de idade, quando cantava em troca de moedas. Seu primeiro single solo, That Crazy Feeling, saiu em 1958, mas foi como integrante do grupo de jazz Bobby Doyle Three, no qual cantava e tocava baixo, que ele se destacou inicialmente. Em 1966, entrou no grupo folk New Christy Minstrels, também como baixista e vocalista, e não demorou para ver que, ali, não conseguiria dar vasão à sua criatividade.

Junto com outros integrantes do NCM, ele em 1967 lançou sua própria banda, The First Edition (depois renomeada como Kenny Rogers & The First Edition). E o primeiro hit veio em 1968 com o contundente single Just Dropped In (To See What Condition My Condition Is), um belo rock com pitadas psicodélicas que atingiu o posto de nº 5 na parada americana. Outro rock na mesma linha, Something’s Burning, ajudou a impulsioná-los.

Embora o grupo fizesse boas vocalizações e tivesse muita competência, era Rogers quem ficava com os holofotes, tocando baixo e cantando os principais hits, que também incluem canções de acento country como Ruby (Don’t Take Your Love To Town) e Reuben James. Nessa época, o cantor foi generoso a ponto de ter sido o mentor de um certo cantor, compositor e baterista de nome Don Henley, então um jovem desconhecido em busca de reconhecimento, que viria a partir de 1972 como integrante dos Eagles.

No final de 1975, para tristeza de Kenny, o The First Edition decidiu encerrar sua trajetória, tornando inevitável para ele encarar de uma vez por todas o desafio de uma carreira-solo. Desta vez mais próximo da música country, estourou em 1977 nesse mercado com a canção Lucille, e até o fim daquela década emplacou diversos outros hits, entre os quais The Gambler (que inspirou uma série de filmes de TV estrelados por ele) e Coward Of The Country.

Foram as baladas românticas que o levaram a conquistar o público do mainstream, como She Believes In Me e You Decorated My Life. Em 1980, ele se sentiu repetitivo, e resolveu tentar uma nova experiência. “Nos anos 1960, Ray Charles gravou álbuns nos quais releu canções country com um acento soul; pensei, então, que seria uma boa ideia fazer o contrário, e convidei Lionel Richie para compor algo para mim”, relembrou o astro em entrevista contida no documentário The Journey, de 2006.

A parceria rendeu Lady, canção que atingiu o número 1 da parada americana no formato single e impulsionou o álbum na qual foi incluída, Greatest Hits (1980), a conseguir a mesma façanha. O ex-líder dos Commodores também produziria um álbum completo para o cantor americano, Share Your Love (1981), que atingiu o sexto posto na parada ianque.

Outra parceria bacana fora do universo country ocorreu com os Bee Gees. Barry Gibb foi o produtor de seu álbum Eyes That Seen In The Dark (1983), com direito à participação da banda. O disco gerou hits bacanas como You And I, This Woman e Islands Is The Stream, e atingiu o sexto posto nos EUA. Esta última, dueto com Dolly Parton, o levou de novo ao número 1 em sua terra natal.

Aliás, vale destacar a capacidade dele em gravar belos duetos com cantoras. A escocesa Sheena Easton, por exemplo, marca presença em We’ve Got Tonight (1983), matadora releitura de balada do roqueiro Bob Seger que atingiu o 6º posto nos EUA. Kim Carnes, que como ele também integrou os New Christ Minstrels, gravou com ele Don’t Fall In Love With a Dreamer (1980) e What About Me (1984, também inclui o cantor de r&b James Ingram).

Com a cantora country Dottie West a coisa foi ainda além, pois eles gravaram dois álbuns juntos, Every Time Two Fools Collide (1978) e Classics (1979). Ele repetiria a dose com Dolly Parton em Love Is Strange (1990, hit original de Mickey & Sylvia e regravado por Wings e muitos outros) e You Can’t Make Old Friends (2013). E ele gravou com a maravilhosa Gladys Knight em 1990 a música If I Knew Then What I Know Now.

Sempre inquieto, Kenny tem outros encontros bacanas em seu currículo. Seu álbum The Heart Of The Matter (1985), o último que emplacou no topo da parada country americana, teve produção do lendário George Martin, que produziu uma certa banda de Liverpool. Timepiece (1984) traz a releitura de standards da música americana e acompanhamento orquestral, com produção a cargo do consagrado David Foster.

Kenny Rogers se apresentou no Brasil em janeiro de 1991, no mesmo período em que estava sendo realizado o Rock in Rio, e por estar cobrindo o festival eu não tive a oportunidade de entrevistá-lo, nem de ver seu show em São Paulo.

Em 2006, ele lançou o álbum Waters & Bridges, que o colocou novamente nos primeiros postos da parada americana com hits como The Last Ten Years, I Can’t Unlove You e Calling Me, esta última um dueto com o discípulo Don Henley.

E já que falamos em Brasil há pouco, vale lembrar que I Can’t Unlove You (que o trouxe de volta ao top 20 americano) teve versão em português, Eu Não Sei Dizer Que Eu Não Te Amo, na qual a dupla Edson & Hudson conta com a participação (cantando em inglês) do próprio Kenny.

Os dois últimos álbuns de estúdio de Kenny foram You Can’t Make Old Friends (2013, de material inédito) e Once Again It’s Christmas (2015, álbum natalino, um dos vários que gravou em sua carreira). Em 2016, ele deu início à sua última turnê, intitulada The Gambler’s Last Deal, cujas última datas foram canceladas em abril de 2018 devido a problemas com sua saúde.

O último show dele em Nashville ocorreu em 25 de outubro de 2017, e não poderia ter sido melhor, pois contou com inúmeras participações especiais, incluindo as de Lionel Richie, Travis Tritt, The Judds, Kris Kristofferson, Alison Krauss, Lady Antebelum, Crystal Gayle, Reba McEntire e Dolly Parton.

A voz de Kenny Rogers é uma das mais facilmente reconhecíveis no universo da música pop, e a forma como ele interpretou as músicas que gravou sempre foi de forma muito personalizada e emotiva.

De quebra, seu carisma nos palcos explica o porque ele conseguiu se tornar um astro de proporções mundiais, vendendo milhões de discos e lotando ginásios e casas de shows pelos quatro cantos do planeta.

No já citado documentário The Journey (que saiu em DVD no Brasil via Coqueiro Verde Records), Kenny fez uma espécie de definição de como encarou sua incrível e bem-sucedida trajetória artística:

“Minha mãe me deixou como herança vários pensamentos simples, mas muito interessantes. Um deles fala sobre como é importante você curtir cada momento que vive, mas sem nunca se conformar ou se acomodar. Seria a receita da felicidade, para ela. E posso dizer que, durante a minha carreira, curti cada momento que vivi, mas nunca me conformei ou me acomodei, sempre buscando novos rumos”.

We’ve Got Tonight (live)- Kenny Rogers & Sheena Easton (uma das musicas favoritas da minha saudosa mãe Victoria, a quem dedico este post):

Ney Matogrosso continua um craque da música brasileira

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Por Fabian Chacur

Se há um artista que personifica com perfeição o pop à brasileira, ele sem sombra de quaisquer dúvidas é Ney Matogrosso. Em seus quase 50 anos de trajetória musical, ele nos oferece uma mistura dos mais diversos elementos sonoros, propondo-nos, dessa forma, um som ao mesmo tempo universal, pelo acréscimo de fortes elementos da música originada no exterior, e essencialmente brasileiro, pela forma como tempera essa obra. Eis o que podemos conferir em Bloco na Rua, seu mais recente trabalho, disponível desde o fim do anos passado no formato digital e agora também em CD duplo e, em breve, em DVD físico.

Bloco na Rua é o registro do show que estreou no Rio de Janeiro em 11 de janeiro de 2019 e que, desde então, passou por diversos palcos brasileiros. A gravação ocorreu em julho do ano passado, no palco do Teatro Bradesco (SP), totalmente ao vivo, mas sem a presença de público. Chega a ser irônico se pensarmos na atual situação do show business mundial, uma atitude quase premonitória do que viria adiante.

O repertório nos oferece 20 músicas, sendo nove já gravadas anteriormente pelo artista na carreira-solo e com os Secos & Molhados, e 11 estreando em seu set list e discografia. Uma única dessas músicas é totalmente inédita, a sensacional Inominável, do compositor paulistano Dan Nakagawa. No entanto, a forma como Ney abordou cada canção dá a elas um molho de ineditismo que só quem é muito do ramo consegue fazer.

Para isso, ele contou com uma banda de apoio incrível que o acompanha há cinco anos, liderada pelo diretor musical, arranjador e tecladista Sacha Amback e que traz também os excelentes Marcos Suzano e Felipe Roseno (percussão), Maurício Negão (guitarra e violão), Dunga (baixo), Everson Moraes (trombone) e Aquiles Moraes (trompete e flugelhorn). Na faixa Postal de Amor, foi acrescentada a participação da Orquestra de Cordas de São Petesburgo.

O entrosamento entre o cantor e os músicos é impecável, fruto das diversas apresentações anteriores à gravação, e o registro da performance é padrão Ney Matogrosso, com iluminação esplêndida e detalhes cênicos que variam de canção a canção, sempre com o bom gosto e a ousadia habituais. Ney entra no palco usando uma máscara meio assustadora, que acabou sendo registrada na capa do CD duplo e que ele tira durante a primeira música.

Aliás, a apresentação visual do disco é maravilhosa, com direita a capa digipack luxuosa trazendo encarte com todas as letras das canções, fichas técnicas e fotos, além de dez deliciosos depoimentos de fãs referentes às performances do artista selecionados nas redes sociais.

Pode parecer redundante dizer isso, mas nada dessa produção toda valeria alguma coisa se a estrela da companhia não tivesse um desempenho à altura, e o ex-vocalista dos Secos & Molhados brilha com muita, mas muita intensidade mesmo. Aos 78 anos, ele se mostra mais apaixonado do que nunca por seu ofício, e mergulha com paixão e rigor técnico no repertório, tornando-o seu, mesmo que não tenha escrito nenhuma dessas músicas.

O set list de Bloco na Rua traz composições lançadas desde os tempos dos Secos & Molhados até esta década, mas elas soam com uma unidade, repletas de odes à liberdade, à coragem, à irreverência e ao lirismo (aqui e ali). O título, extraído da clássica Eu Quero é Botar Meu Bloco da Rua, de Sérgio Sampaio, reflete mesmo essa atitude de ir à luta, mesmo em tempos tão cinzas como os atuais.

Embora o show seja bom como um todo, vale destacar alguns de seus pontos altos, como a psicodélica Álcool (Bolero Filosófico), lançada em 2003 pelo autor, o DJ Dolores, a já citada Inominável, a sempre contundente Pavão Mysteriozo, hit máximo do cearense Ednardo, os clássicos de Tia Rita Lee Jardins da Babilônia e Corista de Rock, a tocante A Maçã, de Raul Seixas, e a envolvente Já Sei, de Itamar Assumpção. Sangue Latino e Mulher Barriguda, hits dos Secos & Molhados, surgem com novos e vibrantes arranjos roqueiros.

Bloco na Rua é a prova contundente de que Ney Matogrosso continua mais relevante do que nunca, mostrando que, como poucos, pode cantar os versos do grande Ednardo “não tenha minha donzela nossa sorte nessa guerra, eles são muitos mas não podem voar” sem medo de ser retrucado. Ele, pode, pelo menos em termos musicais e artísticos em geral.

Álcool (Bolero Filosófico)– Ney Matogrosso:

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