Main menu:

Site search

Categorias

Arquivos


Mondo Pop

Boa amostra da genialidade rítmica e melódica de Lenine

por Fabian Chacur

Agora cinquentão, Lenine pode se gabar de não ter sido um desses artistas para os quais o sucesso sorriu logo de cara. Ele está na estrada desde o finalzinho dos anos 70, e foi só na década de 90 que conseguiu o reconhecimento de crítica e público. Seu primeiro álbum solo saiu em 1997, o seminal O Dia Em Que Faremos Contato. Antes, nos idos de 1993, nos proporcionou o também marcante Olho de Peixe, gravado em dupla com o percussionista Marcos Suzano. Para felicidade geral de quem gosta de música criativa e de qualidade, a carreira desse cantor, compositor e músico pernambucano radicado há décadas no Rio de Janeiro conseguiu atingir um patamar à altura de seu poder de criação. Para quem por ventura não tem seus ótimos discos e pretende se iniciar em seu universo musical, a Som Livre acaba de lançar a coletânea Perfil. O CD vem envolto em embalagem luxuosa, com direito a capa digipack, encarte com letras e sintético texto sobre sua carreira. O repertório inclui 14 músicas, todas oriundas dos discos que gravou a partir de 1997, o que deixou de fora pelo menos uma de suas obras primas, a sensacional Acredite Ou Não, lançada no disco em parceria com Marcos Suzano e regravada por inúmeros outros artistas. Outra música que ficou de fora é a ótima balada O Silêncio das Estrelas, que integrou até trilha de novela. Mas, mesmo com essas lacunas, Perfil equivale a uma bela amostra da obra de Lenine. Sua música funde ritmos regionais, rock, soul, pop, reggae e muito mais, com direito a boas melodias, letras interessantes escritas por vários parceiros e um violão percussivo que é sua assinatura. E tem a voz do cara, que é ótima. Jack Soul Brasileiro, A Rede, Hoje Eu Quero Sair Só (psicodélica até a medula), O Homem dos Olhos de Raio XRelampiano, Tubi TupyLavadeira do Rio, Rosebud ( O Verbo e a Verba) , Paciência , é uma canção boa atrás da outra. Não se assuste se, após ouvir essa compilação, você tiver vontade de ir atrás dos outros discos de Lenine. O cara é bom, mesmo!

Confira o videoclipe de O Home Dos Olhos de Raio X:

http://www.youtube.com/watch?v=dqmVd-Y9_H4

Dê uma chance ao novo disco dos Titãs!

por Fabian Chacur

Se há algo de que gosto de fazer, é ouvir disco que foi detonado por tudo quanto é crítico. Este é o caso de Sacos Plásticos, mais recente CD dos Titãs, o primeiro só de inéditas desde 2004. Como se trata de uma banda que acompanho de forma isenta desde o seu início, ouvi suas 14 faixas por várias e várias vezes. E, para minha alegria, cheguei a uma conclusão bem diferente do resto dos colegas. Sacos Plásticos é bastante recomendável a partir da produção, a cargo de Rick Bonadio, o mesmo de Charlie Brown Jr., Mamonas Assassinas, CPM22 e tantos outros. Bonadio sempre disse que seu sonho era um dia produzir um disco do hoje quinteto paulistano, e o concretizou com muita categoria. Ele procurou servir à banda, sem querer inventar, e os ajudou a formatar um trabalho que é bem na linha que caracteriza os Titãs desde que eles conseguiram sintetizar três fortes tendências em sua sonoridade: o rock de acento punk, as baladas pop com tempero rocker e o swing de funk e reggae. Sacos Plásticos consegue ser pop sem cair no banal, soar como Titãs sem cair na mera cópia, e apresentar novidades sutis sem apelações. Quem gosta da banda certamente curtirá muito, enquanto os detratores de Paulo Miklos, Charles Gavin, Sérgio Britto, Branco Mello e Toni Bellotto continuarão de cara amarrada e narizes torcidos. Uma novidade deste CD é o fato de as bases terem sido quase que totalmente gravadas apenas pelos integrantes do time, com apoio aqui e ali de Rick Bonadio e uma participação especial de Andreas “Sepultura” Kisser no rockão Deixa Eu Entrar. Não faltam músicas legais, como o rock “punkeado” Amor Por Dinheiro, as românticas Antes de Você, Deixa Eu Sangrar e Porque Eu Sei Que É Amor, a funkeada e divertida Problema, a sarcástica Múmias….. Não, meus caros, Sacos Plásticos não é um novo Cabeça Dinossauro (1986), ou Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas (1987), ou Domingo (1995), ou mesmo Ô, Blesq Blom (1989). Não é tão marcante como esses discos que citei. E daí? Garanto que se você ouvi-lo sem preconceitos, provavelmente gostará. Uma bela prova de vitalidade para uma banda que caminha para 30 anos de estrada. E pronto, desafinei o coro dos contentes de forma convicta!

Confira a música Antes de Você, do álbum Sacos Plásticos:

http://www.youtube.com/watch?v=oHoOv5zyVwA

1993, um ano de shows inesquecíveis no Brasil

por Fabian Chacur

A parte final de 1993 foi inesquecível para o Brasil, em termos de grandes shows. Entre outubro e dezembro daquele ano, tivemos por aqui, na sequência, Michael Jackson, Madonna (com The Girlie Show) e Paul McCartney (divulgando o excelente álbum Off The Ground). Em função do que ocorreu na semana passada, vou me deter ao Rei do Pop. Ele fez duas apresentações no Estádio do Morumbi, uma em um sexta-feira, a outra em um domingo, divulgando o álbum Dangerous. Na época, eu era crítico musical e repórter do Diário Popular, e lembro o quanto tive de trabalhar, naqueles loucos dias. Entrevistei o garoto que foi atropelado pela comitiva que acompanhou Jackson na fábrica de brinquedos Estrela. Tive de dar plantão em frente ao hotel Sheraton Mofarrej (onde o astro estava hospedado), situado na Alameda Santos, quase ao lado do Parque Trianon, em São Paulo, com direito a ver um travesti tirando sarro de um repórter. E, finalmente, vi os dois shows. O primeiro foi melhor, mas o segundo estava bem mais lotado. No primeiro, como já disse antes, os highlights foram o show de dança em Billie Jean e o pot-pourry I Want You Back/I’ll Be There, o segundo homenageando os bons tempos do Jackson 5. No domingo, Michael estava tão cansado que só cantou Billie Jean, sem dança, e as canções da Motown ficaram para uma próxima. O espaço entre uma cançâo e outra era bem longo, como se fossem videoclipes exibidos ao vivo e com intervalos. O público foi muito afetuoso, mas saiu de lá como se tivesse ido para conferir uma goleada do seu time do coração, mas presenciado apenas um daqueles um a zero magrinhos, magrinhos. Seja como for, quem viu, jamais esquecerá. E tem um amigo meu, o glorioso João Mateus Filho, que teve a sorte de ver o Jackson 5 em 1974, no Ginásio do Ibirapuera. Um dia, irei entrevistá-lo só para ter detalhes de tal show. Ô, inveja…..rsrsrsrs

Confira o videoclipe de Black Or White, maior hit de Dangerous:

http://www.youtube.com/watch?v=ZI9OYMRwN1Q&feature=fvst

Destiny, um CD que precisa ser ouvido

por Fabian Chacur

Deixemos os sensacionalismos de lado e vamos falar do que importa, que é a música. Uma questão tem sido constantemente repetida, em relação a Michael Jackson: ele já era genial antes de ter começado a trabalhar com Quincy Jones, ou foi só a partir de sua parceria com o mítico produtor americano que ele passou a merecer tal adjetivo qualificativo? Na minha opinião, Jones ajudou-o a delinear ainda melhor a sua obra, mas Michael já merecia ser chamado de gênio antes. E uma boa prova é Destiny, o terceiro álbum dos Jacksons para a Epic Records. Lançado em 1978, portanto um ano antes de Off The Wall (que deu início à carreira solo adulta do Rei do Pop), esse disco dos irmãos foi o primeiro produzido por eles próprios, e traz embutido em suas oito ótimas faixas boa parte do que viria logo a seguir, com a trilogia mágica Off The Wall/Thriller/Bad. A presença de excepcionais músicos de estúdio como Greg Phillinganes, Nathan East e os brasileiros Laudir de Oliveira e Paulinho da Costa, por exemplo. A produção e os arranjos criativos de músicas absolutamente contagiantes e geniais como Blame It On The Boogie e Shake Your Body (Down To The Ground), a suavidade das belíssimas baladas Push Me Away e Destiny, o balanço pop de Things I Do For You….. Destiny, o CD, chegou ao número 11 na parada americana, emplacando o single Shake Your Body (Down To The Ground) no top 10, e equivale à prova de que Quincy Jones também ganhou muito com a parceria, pois o coquetel sonoro proposto por Michael aqui já era efervescente e genial. Em plena efervescência da disco music, alguém propunha uma sonoridade igualmente dançante, mas bem diferente, e que, na década seguinte, seria imitada por inúmeros.

Confira o videoclipe de Blame It On The Boogie:

http://www.youtube.com/watch?v=amN8UynV5pA

Memórias sobre o lançamento de Bad em 1987

Por Fabian Chacur

 

Thriller (1982) se manteve durante mais de três anos nas paradas de sucesso de todo o planeta. A partir do final de 1985, passou-se a especular sobre quando teríamos o sucessor desse blockbuster. Na era pré-internet, cada boato era saboreado com ansiedade pelos fãs, via rádios, televisões, jornais e revistas especializadas. No início de 1987, o novo disco parecia iminente, mas a data foi sendo adiada, até que, em agosto, o anúncio oficial: Bad iria enfim ver a luz do dia. A gravadora Sony soltou, inicialmente, um single com a balada I Just Can’t Stop Loving You, dueto de Michael com a então desconhecida (e boa) cantora Siedah Garrett (co-autora, ao lado do então desconhecido Glenn Ballard, de Man In The Mirror). Ou seja, a divulgação do disco começava igual à de Thriller, cuja primeira faixa de trabalho também foi uma canção leve e romântica, The Girl Is Mine (com Paul McCartney). A faixa saiu no formato single de vinil.

O álbum de fato saiu tendo o videoclipe da faixa título como ponta de lança promocional. Em São Paulo, a gravadora Sony Music promoveu na extinta discoteca Up & Down, situada na Rua Pamplona, no nobre bairro dos Jardins, uma megafesta de lançamento. Os mais de mil convidados tiveram a oportunidade de ouvir, em primeira mão, as dez músicas do álbum, além de beber e comer à vontade, em uma boca livre histórica. Lembro que me entupi de keep cooler, a sensação daqueles tempos, uma espécie de cidra vagabunda embalada de forma mais chique que, por sinal, adoro até hoje.

O melhor ficou para o final. Todo convidado, na hora da saída, recebeu uma sacola personalizada, que continha o cobiçado álbum Bad em vinil, um single do tamanho de um LP convencional incluindo versões remix da faixa Bad, adesivos, uma camiseta linda e a biografia Michael Jackson By Gordon Matthews. Tremo só de pensar em quanto custou aquela festa de arromba para a gravadora. Mas não era um lançamento qualquer……

 

Veja o videoclipe de Bad:

 

http://www.youtube.com/watch?v=uG5NhkxQJQc

 

A maravilhosa trilogia Off The Wall/Thriller/Bad

Por Fabian Chacur

 

Como o “maravilhoso” speedy me deixou fora de ação ontem, sinto-me no dever de ir além do post anterior. Vamos, então, a um dos momentos de excelência na história da música pop: a parceria entre Michael Jackson e Quincy Jones, iniciada em meados de 1978. O primeiro, um músico pop que chegava aos 20 anos lançando Destiny com The Jacksons, disco que inclui hits matadores como Shake Your Body (Down To The Ground) e Blame In On The Boogie e que indicava novos rumos para a sua carreira. O segundo, um experiente produtor de jazz e pop a procura de um desafio maior. Não poderia ter dado mais certo. A primeira obra da dobradinha, Off The Wall, trouxe de cara os parâmetros que norteariam essa trilogia iluminada. Com o apoio de alguns dos melhores músicos de estúdio do mundo, incluindo integrantes dos grupos Toto e Brothers Johnson e o percussionista brasileiro Paulinho da Costa, Michael desenvolveu suas idéias, criando um som mestiço em sua essência. O petardo dançante Don’t Stop ‘Till You Get Enough exemplifica bem essa direção, com muita percussão, refrão poderoso e vocais em falsete. A faixa título e Working Day And Night são certeiras variações do mesmo tema, enquanto Rock With You concilia suavidade, romantismo, apelo pop e sensualidade. E tinha a releitura de Girlfriend, de Paul McCartney, feita sob medida para ele. O disco vendeu muito e proporcionou respeitabilidade enorme à dupla. Como superar tamanho êxito? “Fácil”: fazendo um disco ainda melhor. Thriller (1982) chega a ser covardia. Os melhores músicos de estúdio, participações marcantes de Paul McCartney (na divertida e pop The Girl Is Mine) e Edward Van Halen (no solo rascante de Beat It) e faixas absurdamente boas como Wanna Be Startin’ Something, Baby Be Mine, Billie Jean, Human Nature e a faixa título. De quebra, o auxílio luxuoso de videoclipes absolutamente geniais, que ajudaram a dar ao formato a importância que a então emergente MTV tornou essencial.

Na época em que chegou às lojas (1987), Bad foi detonado por alguns. Injustamente. É um disco que segue a trilha dos anteriores, e que nos proporciona momentos marcantes como a cativante faixa título, a sacudida The Way You Make Me Feel, a delicada Liberian Girl, a power ballad Man In The Mirror, a doce I Just Can’t Stop Loving You e a matadora Smooth Criminal. E a versão em CD ainda trazia a antológica Leave Me Alone, feita para o filme Moonwalker. Depois desses três álbuns, a parceria Jackson/Jones acabou, e Michael Jackson só nos ofereceu trabalhos inferiores, como o irregular Dangerous e o fraquíssimo Invincible (2001). No entanto, Off The Wall/Thriller/Bad sempre serão lembrados como momentos de excelência total na história da música pop.

 

Confira o videoclipe de Beat It:

 

http://www.youtube.com/watch?v=ZkGOiS75Lwk

 

Esse cara só foi Bad consigo mesmo

Por Fabian Chacur

 

Confesso que ainda não acredito que isso ocorreu de fato. Sinto-me como em dezembro de 1980, quando acordei e li um bilhete, escrito pelo meu saudoso irmão Victor, com a frase “John Lennon was dead”. Ou em abril de 1994, em plena redação do finado Diário Popular, quando foi confirmada a morte prematura de Kurt Cobain, e tive de escrever um texto sobre ele na raça. A verdade é que Michael Jackson, que nos deixou ontem aos 50 anos de idade, só foi “bad” consigo mesmo. Ninguém me tira da cabeça de que toda essa preocupação com seu lado estético é o que tornou sua saúde tão frágil, deixando-o há muitos anos com o aspecto de um morto-vivo. Mesmo em seus shows no Brasil em 1993 essa aparência ruim já era nítida, e estou falando de dezesseis anos atrás. Mesmo assim, sempre existia aquela esperança de que, no final das contas, tudo desse certo. Nova turnê programada. Um novo disco teoricamente a caminho. Todo verdadeiro fã da música torcia pela volta por cima de Michael. Não era para ser. Ficam as recordações.

Daquele moleque que, em 1970, tornou-se a figura de ponta do Jackson 5, um fenômeno mundial da música pop. Aquela criança prodígio cantava com a emotividade de um adulto. No meio dos anos 70, fora da mítica Motown, já ensaiava rumos novos, com seu grupo agora intitulado The Jacksons. Destiny (1978) equivale a uma declaração de intenções do que ocorreria a partir do momento em que, em 1979, passou a se dedicar com mais afinco à carreira solo. A grande ironia é pensar que, quando foi lançado, no finalzinho de 1982, existia uma dúvida de se Thriller conseguiria ao menos igualar o impacto causado por Off The Wall (1979)…….. Com mais de 40 milhões de cópias vendidas no mundo todo, é até hoje o álbum mais vendido em todo o planeta. Bad (1987) completou a trilogia perfeita. Michael fez uma criativa mistura de rock, funk, soul, pop,jazz etc, sem medo de derrubar fronteiras e unindo etnias e tendências, fugindo do banal e tornando-se hiper influente. Ao seu lado, o super produtor Quincy Jones.

Michael foi sugado pela indústria fonográfica e pela mídia, ou se deixou sugar, ou os dois (o mais provável). Turnês mundiais. Em 1991, o irregular Dangerous inicia sua longa e triste decadência. Ele havia nos visitado em 1974/5 com o Jackson 5, e voltou em 1993 para megashows. Vi os dois no estádio do Morumbi, e o primeiro foi particularmente ótimo, com direito a grande performance de dança em Billie Jean e a um pot-pourry dos tempos da Motown com I Want You Back e I’ll Be There. O segundo show foi mais frio, em função de sua condição física.

Vou poupá-los e a mim dos longos anos finais: acusações de pedofilia, discos fracos, casamentos esquisitos, aspecto físico cada vez mais deplorável…… Morre o ser humano, ficará para sempre um gênio da música, eternizado em seus discos, DVDs, videoclipes brilhantes. Obrigado por tudo, Michael. Desde já, saudades eternas!

 

Confira Billie Jean no show em homenagem à Motown, 1983:

 

http://www.yoooutube.com/watch?v=C-blEgMyJ

 

Information Society irá rever fãs brazucas

Por Fabian Chacur

 

O Information Society rapidamente se transformou em uma grande mania no Brasil, no final dos anos 80. Quem viveu a época sabe disso. Entre 1989 e 1992, o trio formado por Paul Robb, James Cassidy e Kurt Valaquen (também conhecido como Kurt Harland) se tornou especialista em lotar grandes espaços. O pontapé inicial desse estouro foi o explosivo single What’s On Your Mind (Pure Energy), com direito a refrão inesquecível, bela mistura de eletrônica e rock e sampler de uma fala de Leonard Nimoy (o Mr. Spock!) em Jornada Nas Estrelas. Para mim, a melhor música a la Duran Duran não feita pelo próprio grupo inglês…. O trio volta ao Brasil em agosto, e no dia 12 daquele mês tocará em Sampa City na Via Funchal.

Surgido em Minneapolis (EUA) em 1981, o grupo demorou a pegar no breu. A coisa esquentou para eles a partir do momento em que foram contratados pelo Tommy Boy, selo até então especializado em rap/hip hop. O single What’s On Your Mind (Pure Energy) bateu no número três da parada americana, e arrebentou por aqui. O primeiro álbum, auto-intitulado, emplacou mais hits: as balançadas Walking Away e Running, a balada Repetition e de quebra Lay All Your Love On Me, do Abba, banda que na época ainda era considerada brega por uns cabeças de pau. Em 1990, Hack manteve os caras em alta, o que eu conferi, surpreso, no Rock In Rio 2. O Insoc foi uma das sensações daquele festival, ocorrido em janeiro de 1991, e sacudiu uma platéia de por volta de cem mil fãs. No mesmo ano, outra turnê nacional extensa e bem sucedida. A partir do álbum Peace & Love Inc (1992), cuja faixa título tocou bem por aqui, a maionese desandou. Chegaram a ter um CD lançado com apenas um dos integrantes originais, Kurt Valaquen (Don’t Be Afraid, de 1997). Mas em 2007 voltaram com a formação original, e o CD Synthesizer, lançado por um selo indie. Seja como for, duvido que alguém faça questão de ouvir música desse disco no show…… Os hits serão certamente a base do set list.

 

What’s On Your Mind ao vivo no Rock In Rio 2:

 

http://www.youtube.com/watch?v=ienIsuf1TRM

 

Rei maluco da guitarra volta ao Brasil em agosto

Por Fabian Chacur

 

Se Chuck Berry como músico criou alguns dos riffs de guitarra mais brilhantes e mais copiados da história do rock, por outro lado sempre teve como característica pessoal a imprevisibilidade. Há décadas não tem banda própria, sendo sempre acompanhado pelos músicos que o contratante oferecer a ele. Só leva a sua guitarra. Às vezes, nem isso. Reza a lenda que em 1992, quando tocou pela primeira vez no Brasil, ele usou um instrumento emprestado por Marcelo Nova. De quebra, ainda arrumou uma confusão nas bilheterias do Pacaembu, onde se apresentou ao lado de Little Richard, e quase não entra para tocar. Pois bem. O velhinho maluco voltará ao Brasil para tocar no dia 19 de agosto na Via Funchal, em São Paulo. Na sua visita anterior, ele até trouxe alguns músicos, incluindo um de seus filhos. Vamos ver como será dessa vez. Tudo é possível, mesmo! Mas não dá para não ver uma das raras lendas vivas do rock original ao vivo.

Nascido em Saint Louis em 18 de outubro de 1926, Chuck Berry foi até cabeleireiro, antes da fama. A partir de 1955, com o sucesso de Maybellene, sua sorte mudou. Até o final da década de 50, ele criou um dos mais importantes songbooks do rock and roll, com direito a Rock And Roll Music, Johnny B Goode, Roll Over Beethoven, Around And Around, Little Queenie, Carol, Sweet Little Sixteen e outros. Além de verdadeira máquina de criar riffs nessa época, também escreveu algumas das letras que melhor traduziram os anseios dos jovens daquela e de inúmeras outras épocas, sem nunca apelar para linguagem rasteira. Falava de carros, paixões, o amor pela música e pela vida descompromissada. De quebra, ótimas melodias, pique dançante e o célebre duck walk.

Problemas com a justiça e falta de inspiração levaram o velho Chuck a criar pouca coisa, a partir dos anos 60. Hits, apenas mais três: Nadine, No Particular Place To Go e My Ding-a-ling (nos 70, infame hino ao órgão sexual masculino que se tornou seu único single número um nos EUA). O último álbum de inéditas saiu em 1979, Rock It! . Mesmo assim, ele continuou firme e forte na estrada, cantando e tocando com a maestria habitual. Em 1987, Keith Richards, dos Rolling Stones, capitaneou o show/tributo Hail! Hail! Rock And Roll, com participação de Berry e lançado em CD e DVD. Ah, eu estive no show de 1992: sensacional, mesmo com o baterista brasileiro Carlinhos Bala, um grande músico, provando na prática que não é tão fácil, assim, tocar rock and roll básico….. E outra boa: antes da fama, o grupo de Bruce Springsteen foi banda de apoio de Berry em uma ocasião.

 

Chuck Berry e Bruce Springsteen ao vivo tocam Johnny B Goode (1995):

 

http://www.youtube.com/watch?v=epHPXZBsp8M

 

Trilha sonora de filme é fiel à era de Noel Rosa

Por Fabian Chacur

 

Noel Rosa (1910-1937) se mantém, 72 anos após a sua morte prematura, como um dos nomes mais importantes e influentes da história da música popular brasileira. Chico Buarque, Paulinho da Viola, Caetano Veloso, Edu Lobo, na verdade todos os grandes nomes da MPB devem tributo a ele, fato que sempre reconhecem. O filme Noel - Poeta Da Vila, de Ricardo Van Steen, foi lançado em 2007 e teve como objetivo resgatar não só esse mito, como também o espírito da época em que ele concebeu a sua obra. Lançada agora pela Lua Music, a trilha sonora, com produção de Arto Lindsay e direção musical de Luis Filipe de Lima, reúne 29 faixas, sendo 18 assinadas por Noel, 5 de contemporâneos como Cartola, Almirante e Wilson Batista e 6 ótimos temas instrumentais, compostos por Luis Filipe de Lima e respeitando a sonoridade dos anos 30, repleta de violões, percussão, bandolins, flautas e outros instrumentos delicados e compatíveis com esse espírito acústico. O elenco de músicos e cantores inclui gente do naipe de Wilson das Neves (mestre do samba, excelente cantor e eterno baterista de Chico Buarque), Zé da Velha, Jorge Helder, Henrique Cazes, Beto Cazes, Oscar Bolão, Paulão Sete Cordas, Nicolas Krassik, Silvério Pontes, Carol Bezerra, Otto e o próprio produtor Arto Lindsay, que interpreta Mais Um Samba Popular. Alguns dos maiores clássicos de Noel estão aqui, como Pra Que Mentir, Feitio de Oração, Filosofia, O Orvalho Vem Caindo, Feitiço da Vila e Último Desejo. Se a música de Noel Rosa na verdade nunca saiu de cena, todo e qualquer tributo que se faça a ele, com o alto nível da trilha sonora de Noel - Poeta da Vila, é sempre bem-vindo.

 

Confira Último Desejo, de Noel Rosa, com Wilson das Neves:

 

http://www.youtube.com/watch?v=LY08poPk7mU