Mondo Pop

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Toquinho comemora 50 anos de bela carreira com DVD/CD

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Por Fabian Chacur

Toquinho é um desses nomes tão grandes da nossa música popular que às vezes pode parecer que é menos louvado do que deveria. Mas há uma explicação para isso: sua elegância. Cantor, compositor, violonista, ele mantém desde o início de sua carreira, na década de 1960, uma postura humilde, sóbria e sem cair em excessos ou estrelismo. Para comemorar meio século de trajetória artística, ele acaba de lança o DVD/CD 50 Anos de Carreira (Deck), um trabalho enxuto, bem feito e à altura da trajetória desse craque da canção popular brasileira.

Antonio Pecci Filho, nascido em São Paulo em 6 de julho de 1942 e apelidado Toquinho pela mãe, tornou-se conhecido ao lançar parcerias com Jorge Ben como Carolina Carol Bela e Que Maravilha. A seguir, tornou-se parceiro de palcos, discos e composições de ninguém menos do que Vinícius de Moraes. A dupla, com enorme sucesso de público e critica, durou uma década, encerrando-se apenas devido à morte prematura do grande Poetinha em 1980.

Como artista solo, consagrou-se de vez com o estouro de Aquarela, em 1983, e não só lançou trabalhos individuais bem bacanas como também manteve parcerias com craques como Paulinho da Viola, Chico Buarque, MPB-4, Sadao Watanabe e vários outros. Nos últimos anos, mostrou-se aberto ao intercâmbio com as novas gerações, atuando ao lado de Paulo Ricardo, Tiê, Veronica Ferriani e Anna Setton, por exemplo.

O DVD/CD equivale a uma pequena amostra dessa trajetória, gravado ao vivo em duas sessões no dia 25 de março de 2016 no Teatro WTC, Hotel Sheraton, em São Paulo. A seu lado, uma banda composta por Guga Machado (percussão), Ivâni Sabino (baixo), Nailor Proveta Azevedo (clarinete e sax alto) e Pepa D’Elia (bateria), um time afiado que se mostra muito adequado e ensaiado para acompanhar um dos melhores violonistas brasileiros de todos os tempos.

O repertório dos 55 minutos de show traz 24 músicas acomodadas em 14 faixas, sendo apenas uma delas de fora do repertório do artista, A Noite, sucesso da cantora Tiê que ela interpreta ao lado de seu padrinho artístico. De resto, temos desde o primeiro sucesso, Que Maravilha, até a recente Quem Viver Verá, de 2011. Além de Tiê, participam Anna Setton, Verônica Ferriani, Mutinho e Paulo Ricardo.

Com efeitos cênicos simples e bem concatenados, entre os quais três telões com imagens ilustrando cada canção, o show traz Toquinho à vontade, cantando com sua voz agradável e doce e contando pequenos ‘causos’ entre uma música e outra, entre os quais uma deliciosa recordação de episódio envolvendo sua assumida hipocondria. Da ótima banda, o destaque é o lendário Proveta, que dá um colorido especial às canções com seus belos e inspirados solos.

Da fase com Vinícius, temos representadas A Tonga da Mironga do Kabuletê, Tarde em Itapoã (dueto com Paulo Ricardo), Samba de Orly e O Velho e a Flor/Veja Você (dueto com Verônica Ferriani), entre outras. As canções dedicadas ao público infantil aparecem em um pot-pourry que traz A Casa, O Pato, O Ar (O Vento), A Bicicleta e O Caderno.

Os megahits Que Maravilha, Turbilhão (dueto com o parceiro Mutinho) e Aquarela não poderiam ficar de fora, e não ficaram. Nos extras do DVD, temos pequenos depoimentos de amigos como Galvão Bueno, Roberto Menescal, Zico, Eliane Elias e Ivan Lins, e 10 minutos deliciosos nos quais Toquinho mostra seu talento como solista de violão, tocando sozinho e em estúdio maravilhas como Abismo de Rosas, Bachianinha nº 1 (do seu mestre Paulinho Nogueira) e Gente Humilde, entre outras.

Toquinho 50 Anos de Carreira equivale a uma deliciosa viagem por uma carreira repleta de boas músicas, feitas e interpretadas por um artista que nunca se valeu de recursos reprováveis para fazer sucesso e conseguiu sua popularidade de forma justa e mais do que merecida. Usando versos de seu eterno parceiro naquela célebre canção com a grife Tom & Vinícius: “se todos fossem iguais a você, que alegria viver”…

obs.: e falar o que dessa bela capa, do sempre genial Elifas Andreato?

Tarde em Itapoã– Toquinho e Paulo Ricardo:

Joe Jackson lança um single e anuncia novo CD para 2019

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Por Fabian Chacur

Boas novas para os fãs de Joe Jackson. O cantor, compositor e músico britânico lançou um novo single, o estonteante e contagiante rock Fabulously Absolute, primeira amostra do conteúdo do que será o seu 20º álbum de estúdio. Fool (foto), que será disponibilizado nos formatos CD, vinil e digital pela gravadora EarMusic, já tem data para chegar ao mercado discográfico internacional (mas não no Brasil): 18 de janeiro de 2019.

Será o primeiro álbum de estúdio de Jackson desde o excelente Fast Forward (2015). O trabalho começou a ser gravado no dia seguinte ao fim da turnê de divulgação de FF, que durou três anos e abrangeu 103 apresentações. O time que o acompanha no álbum é o mesmo da turnê, com o inseparável baixista Graham Maby, que toca com ele há 40 anos, e também Teddy Kumpell (guitarra) e Doug Yowell (bateria).

A produção do CD ficou a cargo do próprio artista, em parceria com Pat Dillett, conhecido por seus trabalhos com David Byrne, Sufjan Stevens e Glen Hansard, entre outros. O álbum será divulgado por uma nova turnê que terá início em fevereiro e passará inicialmente por Europa e EUA. Intitulada Four Decade Tour, a série de shows celebrará os 40 anos de lançamento do primeiro álbum de Joe Jackson, Look Sharp! (1979).

O set list dos shows incluirá músicas do LP de estreia e também de Night And Day (1982), Laughter And Lust (1991) e Rain (2008), além de algumas canções de seus outros CDs e covers nunca antes feitos por ele. Aos 64 anos, Joe Jackson tem como marca a consistente mistura de rock, jazz, soul, música erudita e pop, com direito a uma sonoridade original e que viveu seu auge comercial nos anos 1980 com o megahit Steppin’ Out. Sua discografia é sensacional, para dizer o mínimo.

Leia mais textos sobre Joe Jackson aqui.

Fabulously Absolute– Joe Jackson:

Callas in Concert adiado para 2019 por razões logísticas

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Por Fabian Chacur

Duas notícias para os fãs brasileiros da saudosa cantora lírica Maria Callas (1923-1977). Primeiro, a má: o show tributo Callas in Concert- The Hologram Tour (saiba mais sobre esse espetáculo aqui), que seria realizado em São Paulo na próxima quarta-feira (16) foi adiado por razões logísticas.

A boa nova fica por conta de que o espetáculo já tem uma nova data confirmada. Será no dia 27 e março de 2017, no mesmo Espaço das Américas. Saiba mais no comunicado oficial sobre o adiamento enviado pelos organizadores do evento e reproduzido abaixo:

Adiamento do espetáculo Callas in Concert – The Hologram Tour

O espetáculo Callas in Concert – The Hologram Tour, que aconteceria no próximo dia 16 de outubro, no Espaço das Américas, em São Paulo, foi adiado por questões logísticas.

A apresentação foi remarcada para o dia 27 de março de 2019 (quarta-feira) e o local e horário do evento permanecem inalterados.

Os ingressos adquiridos para a data anterior serão válidos para a nova data, não sendo necessária a troca dos mesmos.

Caso não possa comparecer ao evento no dia 27/03/2019 (quarta-feira), será possível solicitar o cancelamento através do nosso atendimento até 01/12/2018 (sábado).

Sobre o reembolso
Caso opte pelo cancelamento, o procedimento de estorno seguirá conforme descrito abaixo:
Os valores estornados incluirão: Valor de face do ingresso, taxa de conveniência e taxa de entrega (se houve a cobrança). Esclarecemos que ingressos cortesia não serão restituídos.
As compras realizadas via Site, Aplicativo e Contact Center da Ingresso Rápido serão estornadas através do cartão de crédito utilizado e constarão na próxima fatura ou subsequente do mesmo cartão. O prazo passará a contar a partir do recebimento do e-mail de confirmação do cancelamento.
As compras parceladas no cartão de crédito (com ou sem juros) serão estornadas em única vez e se houver parcelas a vencer serão antecipadas na mesma fatura em que ocorrer a devolução.
Se você adquiriu ingressos nos Pontos de Vendas Oficiais da Ingresso Rápido utilizando cartão de débito, o valor será estornado diretamente na conta vinculada ao cartão utilizado e o valor ficará disponível na conta em até 15 (quinze) dias úteis após a data do cancelamento em sistema. Este prazo poderá ser alterado de acordo com o banco emissor e tem validade a partir da data de confirmação do cancelamento, através do canal oficial de atendimento, callas@ingressorapido.com.br.
Para as compras realizadas em dinheiro nos Pontos de Vendas Oficiais da Ingresso Rápido, será necessário enviar um e-mail para callas@ingressorapido.com.br, contendo todas as informações abaixo:
· Nome Completo;

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· CPF do Titular da Compra;

· Senha de compra (sequência de 7 números que estão no canhoto do ingresso);

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· Agência (com digito);

· Conta Corrente (com digito) – se for conta poupança, especificar na mensagem;

· Foto do Ingresso (OBRIGATÓRIO)

O crédito na conta especificada será realizado em até 15 (quinze) dias úteis a contar do envio do e-mail de confirmação de cancelamento.
ATENÇÃO: Não nos responsabilizamos por ingressos adquiridos fora dos canais de venda citados neste comunicado.
Em caso de dúvidas envie um e-mail para callas@ingressorapido.com.br. O atendimento será realizado exclusivamente por este canal.

Bixiga 70 destila grooves com categoria em Quebra-Cabeça

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Por Fabian Chacur

Durante algum tempo no Brasil, especialmente nas décadas de 1970 e 1980, música instrumental era quase que sinônimo de sonoridades intrincadas e melhor entendidas por estudiosos do que pelo público em geral. Nada contra, mas fazia falta quem se dedicasse a investir em um som sofisticado, mas sem perder o groove jamais. E é exatamente esta a marca registrada do excepcional grupo paulistano Bixiga 70, que nos oferece outro petardo, o CD Quebra-Cabeça, lançado pela gravadora Deck em parceria com o selo Traquitana.

O Bixiga 70 surgiu lá pelos idos de 2010, quando o tecladista Maurício Fleury reuniu uma turma de músicos que frequentavam e atuavam no estúdio Traquitana, situado na rua 13 de Maio, nº 70, no tradicional bairro paulistano do Bixiga, para gravar a música Grito de Paz. Como ele me disse em entrevista, “íamos gravar apenas uma música, e acabamos criando uma banda”. Melhor para eles e melhor para nós.

O time é integrado por Décio 7 (bateria), Marcelo Dworecki (baixo), Cris Scabello (guitarra), Mauricio Fleury (teclado e guitarra), Rômulo Nardes e Gustávo Cék (percussão), Cuca Ferreira (sax barítono), Daniel Nogueira (sax tenor), Douglas Antunes (trombone) e Daniel Gralha (trompete). Embora todos sejam craques em seus respectivos instrumentos, eles jogam sempre em função do grupo, sem exibicionismos tolos. O resultado final sempre fala mais alto.

Quebra-Cabeça é o quarto álbum dessa intrépida trupe, e mostra que o entrosamento e a criatividade deles continua com forte viés de alta em termos qualitativos. Aqui, o que manda é o groove, o balanço, o diálogo democrático entre os instrumentos, resultando em uma massa sonora deliciosa de se ouvir e deliciosa de se ter como trilha sonora para dançar até a sola do sapato, sapatilha, tênis etc se desgastar por completo.

Os elementos utilizados na mistura são diversos, especialmente afrobeat, rock, soul, funk de verdade, latinidade a la Carlos Santana, jazz, música brasileira em geral e temperos que a gente nem consegue definir, de tão refinados. Não é de se estranhar que eles tenham no currículo shows pelos quatro cantos do mundo, incluindo participações marcantes em festivais de música como Glastonbury (Inglaterra) Roskilde (Dinamarca) e Womad Austrália/Nova Zelândia.

O álbum traz 11 faixas, todas muito boas, a começar da hipnótica faixa título, divulgada com um clipe que se vale como cenário do estúdio Traquitana e de pontos bacanas do Bixiga. Psicodelia, latinidade, afro-jazz, chame como quiser. Ilha Vizinha, Primeiramente, Camelo, Areia, Pedra de Raio, é uma faixa melhor do que a outra. Do Brasil para o mundo, um som capaz de energizar até zumbis. Ouça sem moderação.

Quebra-Cabeça (clipe)- Bixiga 70:

Tony Babalu vai tocar no Sesc Belenzinho neste sábado (13)

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Por Fabian Chacur

Quem acompanha Mondo Pop certamente já leu algo sobre Tony Babalu por aqui. E começa a ler de novo, pois esse incrível guitarrista, compositor e produtor fará um show em São Paulo neste sábado (13) às 21h no teatro do Sesc Belenzinho (rua Padre Adelino, nº1.000- Belenzinho- fone 0xx11-2076-9700), com ingressos de R$ 6,00 a R$ 20,00. Boa chance para se conferir ao vivo um músicos diferenciado.

Com mais de 40 anos de carreira, Tony Babalu integrou bandas como Made In Brazil, Artigo de Luxo, Quarto Crescente e Bem Nascidos e Mal Criados, entre outras, além de produzir outros artistas. Na carreira solo, concentrou-se no som instrumental, com forte acento roqueiro mas aberto a influências como blues, funk de verdade e jazz. Seu estilo é diversificado e criativo, com direito a belos riffs e solos elegantes e energéticos com assinatura própria.

No Sesc Belenzinho, ele será acompanhado por Adriano Augusto (teclados), Leandro Gusman (baixo) e Percio Sapia (bateria). No repertório, músicas de seu mais recente álbum, o incrível Live Sessions II (2017), que rendeu a Babalu o Troféu Cata-Vento na categoria rock, e também faixas do anterior, o não menos do que ótimo Live Sessions At Mosh (2014). Tipo do show para sair de alma lavada.

Leia mais sobre Tony Babalu aqui.

Tony Babalu ao vivo no Sesc-2017:

ClaudetteSoares-AlaídeCosta são realmente o fino da bossa

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Por Fabian Chacur

Muitas homenagens aos 60 anos da Bossa Nova estão sendo feitas neste ano, e uma das mais louváveis e bem realizadas acaba de chegar às lojas e às plataformas digitais. Trata-se do estupendo álbum 60 Anos de Bossa Nova, lançado pela gravadora Kuarup e que reúne duas expoentes do gênero, as cantoras Claudette Soares e Alaíde Costa. O show de lançamento no Rio ocorre nesta terça (9) às 21h o Theatro Net Rio (rua Siqueira Campos, nº 143- 2º piso- fone 0xx21-2147-8060), com ingressos de R$ 50,00 a R$ 100,00.

As cariocas Claudette e Alaíde estavam na área quando João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes e outros mestres desse naipe deram o pontapé inicial no gênero musical que somou o swing do samba com a elaboração do jazz. Foram participantes desde o começo, e ajudaram a divulgar essa “batida diferente” no Rio e principalmente em São Paulo, onde elas se radicaram ainda na década de 1960. Ou seja, as moças possuem conhecimento suficiente para encarar a tarefa.

Com produção musical a cargo de Thiago Marques Luiz, que há muito já virou uma verdadeira grife desses projetos envolvendo craques da nossa música com muita estrada nas costas, as duas intérpretes foram acompanhadas no show que deu origem ao álbum e gravado em 23 de março de 2018 em São Paulo no Teatro Itália por Giba Estebez (produção musical, arranjos e piano), Renato Loyola (baixo acústico) e Nahame Casseb (bateria, o célebre Naminha, que integrou o grupo Língua de Trapo na década de 1980).

Com arranjos classudos e despojados a acompanha-las, as cantoras deram conta do recado diante de um repertório composto por 18 faixas, sendo algumas delas pot-pourris. Em alguns momentos elas atuam juntas, mas na maior parte se incumbem de blocos solo. A seleção traz canções integrantes do songbook máximo da bossa, entre as quais Insensatez, Dindi, Caminhos Cruzados, Chega de Saudade, O Barquinho, Os Grilos, Oba-la-la e Vem Balançar, só para citar algumas.

Os estilos das protagonistas se mostram bem claros. Alaíde é mais contida, discreta e doce, brilhando muito nos momentos intimistas. Por sua vez, Claudette é serelepe, sabendo alternar partes introspectivas com momentos de puro swing, encantando e sendo capaz de conquistar até o ouvinte mais distante e cético em relação ao gênero musical homenageado. A interação entre as duas é ótima e cordial, proporcionando momentos de raro prazer ao ouvinte.

60 Anos de Bossa Nova flui deliciosamente em sua viagem encantadora pelas preciosidades bossa novísticas, e demonstra que Claudette e Alaíde se mantém em plena forma, capazes ainda de oferecer a seus inúmeros fãs shows maravilhosos e discos com este altíssimo padrão artístico e técnico. Prova mais do que concreta de que elas continuam o fino da bossa, 60 anos depois, e que esse repertório é para sempre.

60 Anos de Bossa Nova- ouça em streaming:

Lô Borges faz 2 shows em SP e lança o seu novo DVD ao vivo

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Por Fabian Chacur

Considerado um dos mais importantes integrantes do movimento musical chamado de Clube da Esquina, Lô Borges resolveu reler músicas de seus dois discos de estreia no incrível DVD Tênis + Clube (leia a resenha de Mondo Pop aqui). Ele mostra esse trabalho com shows em São Paulo nesta sexta (5) e sábado (6) às 21h no Sesc Pinheiros- Teatro Paulo Autran (rua Paes Leme, nº 195- Pinheiros- fone 0xx11-3095-9400), com ingressos de R$ 15,00 a R$ 40,00.

A direção musical (do DVD e do show) é de Pablo Castro (voz, violões, piano, guitarra e vocais), que lidera a banda composta por Gui de Marco (violões, guitarras, percussão e vocais), Paulim Sartori (contrabaixo, bandolim, percussão e vocais), D’Artagnan Oliveira (bateria, percussão e vocais), Dan Oliveira (guitarras, violões, percussão e vocais) e Alê Fonseca (teclados e programações), um timaço capaz de muitas e boas.

O repertório do show traz todas as faixas do primeiro álbum solo de Lô, autointitulado e mais conhecido como “Disco do Tênis”, e todas as canções de sua autoria do LP Clube da Esquina (1972), creditado a ele e a um certo Milton Nascimento. De quebra, também temos Para Lennon e McCartney, sua composição gravada brilhantemente pelo Bituca em 1970. Tipo do show feito sob medida para receber o adjetivo de imperdível, ainda mais no delicioso Sesc Pinheiros.

Veja trechos do DVD Tênis+Clube, de Lô Borges:

Gerson Conrad canta músicas do novo álbum em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Foram precisos apenas dois álbuns, lançados em 1973 e 1974, para que os Secos & Molhados se tornassem um dos grupos de maior impacto da história da música brasileira. Gerson Conrad, um de seus integrantes ao lado de Ney Matogrosso e João Ricardo, seguiu em frente após a separação da formação clássica da banda com uma carreira solo discreta e bacana. Ele lança o CD Lago Azul com show em São Paulo nesta sexta (5) às 21h, no Teatro UMC (Avenida Imperatriz Leopoldina, nº 550- Vila Leopoldina- fone 0xx11-3476-6403), com ingressos a R$ 25,00 (meia) e R$ 50,00 (inteira).

Nos Secos & Molhados, Gerson cantava e tocava violão. Compôs apenas duas músicas nos dois discos de estúdio que consagram a banda, Delírio (parceria com Paulinho Mendonça) e antológica Rosa de Hiroshima (poema de Vinícius de Moraes musicado por ele). Em 1975, logo após o fim do trio original, lançou o LP Gerson Conrad e Zezé Motta, em parceria com a cantora e atriz e com letras de Paulinho Mendonça.

O primeiro disco totalmente solo, Rosto Marcado, viria em 1981. Desde então, ficou longe dos estúdios, embora sempre fazendo shows, até chegar a Lago Azul, lançado em CD e em formato digital pela gravadora Deck. O álbum traz 12 composições autorais, escritas por ele em parceria com o fiel parceiro Paulinho Mendonça e também com Alessandro Uccello, Pedro Levitch e Aru Jr.

Além das músicas do novo trabalho, entre as quais Teias, que está sendo divulgada com um clipe muito bacana com cenas registradas durante as gravações do CD e também no centro de São Paulo, Gerson também trará músicas dos S&M. Sua banda, a Trupi, é integrada por Aru Jr. (guitarra e vocal), Chico Weiss (teclados), Fernando Faustino (bateria), Gustavo Aldab (baixo e cello), Kyra Cherry (voz e percussão) e Walter Mourão (guitarra e voz), além dele no vocal principal e violão.

Teias (clipe)- Gerson Conrad:

Maestrick mostra como fazer prog metal bom de se ouvir

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Por Fabian Chacur

Das várias ramificações do heavy metal, o prog metal é certamente uma das mais fadadas aos excessos. Bandas desse gênero às vezes se entusiasmam com suas qualidades técnicas e extrapolam, deixando a música de lado em prol do ego e do tecnicismo exagerado. E é exatamente o fato de não cair nessa armadilha que torna a banda Maestrick uma das melhores do gênero. A prova é seu novo CD, o impecável Espresso Della Vita-Solare.

Criada em São José do Rio Preto (SP) em 2006, esta banda tem como núcleo Fabio Caldeira (vocal e piano), Renato “Montanha” Somera (baixo e vocal) e Heitor Matos (bateria e percussão). No currículo, o elogiado CD de estreia Unpuzzle! (2011) e o ótimo EP de releituras de clássicos alheios The Trick Side Of Some Songs (2016). Suas principais influências são o Queen dos anos 1970, Iron Maiden, Rush e Yes.

Misturando essas e outras influências, a banda também se mostra muito atenta no quesito canções, respeitando esse importante formato e acrescentando a ele espaços para solos instrumentais sempre muito bem concatenados. Não por acaso, as bandas citadas e outras bacanas da área progressiva também tem em comum esse culto às canções, mesmo expandido seus horizontes instrumentais e vocais sem amarras nem restrições prévias limitadoras.

O conceito em torno do projeto é o de comparar a vida humana a uma viagem de trem, com suas idas e vindas, seus momentos inesperados, alegrias e tristezas e, inevitavelmente, o fim do trajeto. O álbum Espresso Della Vita- Solare é a primeira parte, com 12 faixas dedicadas a cada hora do dia, sendo que em um futuro não muito distante teremos sua conclusão, um novo CD com o título de Expresso Della Vita-Lunare, trazendo 12 faixas “noturnas”, digamos assim.

A qualidade artística deste álbum é impecável em todos os aspectos-artísticos, concepção, técnicos, de execução etc. A produção, mixagem e masterização ficaram a cargo do experiente produtor catarinense Adair Daufembach, que já trabalhou com Tony MacAlpine, Hangar, Project46 e outros e, de quebra, ainda se incumbiu de gravar todas as passagens e solos de guitarra do álbum, de forma brilhante, por sinal.

Espresso Della Vita-Solare é uma profissão de fé no formato álbum, pois você começa a ouvir a primeira faixa e só consegue parar após o último acorde da faixa 12, tal a capacidade de envolvimento que esse material possui. As variações musicais são constantes, mas sempre realizadas de forma organizada e coerente, surpreendendo pelo bom gosto.

O clima quase messiânico de Across The River, a levada repleta de brasilidade de Penitência (única faixa em português), as canções melódicas Daily View e Water Birds, a intrincada e deliciosa The Seed e a impregnada de sonoridades latinas Hijos de La Tierra trazem vocais impecáveis, instrumental vibrante e sonoridades que nos permitem imaginar a viagem proposta pelo conceito, com letras profundas.

Além dos músicos da banda e de seu produtor, o álbum também traz diversos vocalistas e músicos convidados, num total de 23 deles, dando ao trabalho um clima beirando o sinfônico no qual os teclados são a base de tudo. Banjo, dobro e ukulelê, instrumentos nem sempre utilizados no rock, aparecem em algumas das canções, caprichando no tempero sonoro. E, como a cereja do bolo, temos a belíssima capa e encarte do CD físico, em embalagem digipack e qualidade compatível com a do conteúdo artístico que ela contém.

Para aqueles que insistem em ignorar a qualidade do heavy metal brasileiro, vale uma audição urgente deste Espresso Della Vita-Solare, um trabalho que esbanja ambição, criatividade e um resultado final digno de ser chamado de arte. A banda, cujos CDs saem no exterior e mereceram muitos elogios por parte da crítica especializada de lá, inicia nos próximos dias uma turnê europeia que tem tudo para ser impecável.

Espresso Della Vita- Solare- ouça em streaming:

Charles Aznavour, estilista da canção, nos deixa aos 94 anos

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Por Fabian Chacur

Ouvi uma música de Charles Aznavour pela primeira vez aos 11 anos de idade, quando meu irmão Victor comprou um compacto simples com a belíssima canção L’amour C’est Comme Un Jour como presente para a nossa mãe, Victoria. Nos anos 1990, tive a honra de participar de uma entrevista coletiva com ele. E, agora, lamento profundamente a sua morte, aos 94 anos, ocorrida na madrugada desta segunda (1ª) em sua casa, situada no sul da França.

Aznavour se mantinha ativo, e nos visitou pela última vez em março de 2017. Tive a honra de redigir o press release que ajudou a divulgar seus shows no Brasil na época, e tomo a liberdade de republicar abaixo esse texto, que dá uma geral na trajetória desse incrivelmente simpático cantor, compositor e ator francês, um verdadeiro estilista da canção que nos proporcionou muito prazer auditivo.

Na entrevista coletiva, entre outras, tive a oportunidade de perguntar a ele como foi contracenar com os personagens do Muppet Show, nos anos 1970, divertido programa estrelado por bonecos carismáticos como a Miss Pigg e o Caco (Kermit). “Era esquisito contracenar com bonecos, mas foi muito divertido gravar esse programa”, relembrou-se.

Aí vai o texto do meu release, em homenagem a ele:

Se há um artista que conseguiu atravessar gerações com suas canções inesquecíveis, ele atende pelo nome de Charles Aznavour. Aos 92 anos, ele permanece mais ativo do que nunca, fazendo shows pelo mundo todo. Ele volta ao Brasil em março de 2017, com apresentações em São Paulo e no Rio de Janeiro. Imperdível.

Na verdade, este memorável cantor, compositor e ator francês anunciou em 2006 sua “Farewell Tour”, ou seja, uma turnê de despedida. O sucesso dessa turnê foi tamanho que o artista resolveu permanecer na estrada, ele que já se apresentou em mais de 90 países pelo mundo afora e continua saudável e vivaz.

São mais de 100 milhões de discos vendidos, mais de 1.200 músicas gravadas, quase 300 álbuns lançados, participação em mais de 80 filmes e o respeito por parte de público e crítica, algo muito difícil de se obter de forma simultânea.

Charles Aznavour nasceu em Paris em 22 de maio de 1924, filho de um cantor e uma atriz oriundos da Armênia. Sua carreira no cenário musical se iniciou na década de 1940, como intérprete e compositor. Aí, um encontro marcou sua vida para sempre.

Após ver uma apresentação do cantor em uma emissora de rádio, no final dos anos 1940, ninguém menos do que Edith Piaf, a grande diva da canção francesa, o levou para abrir seus shows em uma turnê pela França e EUA. O cantor, inclusive, morou durante um período com ela, que gravou algumas de suas composições, assim como outros importantes cantores franceses.

O sucesso também como intérprete ganhou força a partir da década de 1960. Sua capacidade de entreter as plateias nos shows o ajudou nesse sentido, além do talento para escrever canções em francês, inglês, italiano, espanhol e alemão.

Com o tempo, seus hits se espalharam pelo mundo afora, entre os quais maravilhas do porte de She, The Old Fashioned Way, La Bohème, Yesterday When I Was Young, Que C’Est Triste Venise e L’Amour C’est Comme Un Jour, só para citar algumas.

Nos últimos 40 anos, o artista se apresentou pelo mundo afora, sempre com casa cheia, e teve suas músicas gravadas por nomes como Elton John, Sting, Bob Dylan, Placido Domingo, Céline Dion, Julio Iglesias, Liza Minnelli, Ray Charles e Elvis Costello.

Não é de se estranhar que, em 1988 ele tenha sido eleito o entertainer do século XX pela CNN e Time. Nada mais justo, para um artista que supera as barreiras culturais e linguísticas, além de sempre estar engajado em causas humanitárias e culturais.

L’amour C’est Comme Un Jour– Charles Aznavour:

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