Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Breno Miranda faz versão EDM de um clássico de Phil Collins

Breno Miranda - Another Day In Paradise (single)

Por Fabian Chacur

Em 1989, Phil Collins lançou um de seus melhores álbuns, o maravilhoso …But Seriously. Entre outras faixas bacanas, destaca-se a belíssima Another Day In Paradise, vencedora de um Grammy e com participação especial do lendário David Crosby. Pois 31 anos após seu lançamento, o brasileiro Breno Miranda nos oferece uma interessante releitura deste hit, já disponível nas plataformas digitais via Deck e também com um lyric video pontuado por animações das mais simpáticas.

O cantor, compositor e DJ é adepto da EDM (electronic dance music), uma das mais populares vertentes da música dançante atual, e buscou uma roupagem sonora que ao mesmo tempo renovasse a canção e não lhe tirasse a essência original. Essa intenção se mostra presente na mistura de violão com batidas dignas das mais descoladas pistas de dança, com o artista assoviando a parte melódica que marca a música do ex-integrante do Genesis.

Another Day In Paradise é mais um lançamento de Breno Miranda neste ano confuso. Anteriormente, ele nos disponibilizou os singles Mais Um Dia (com Ona Beat) e Mad (com Monkeyz e Eternal Soul), além do EP Origens, no qual investe em elementos de folk e reggae.

Another Day In Paradise (lyric video)- Breno Miranda:

Miguel Vaccaro Netto, um pioneiro do pop brasileiro

miguel vaccaro netto anos 2000-400x

Por Fabian Chacur

A cena musical brasileira perdeu um grande nome nesta terça-feira (22). Trata-se de Miguel Vaccaro Netto. Ele nos deixou aos 87 anos de causa não revelada. Talento versátil, ele foi jornalista, apresentador de programas de rádio e TV e também criador do célebre programa Não Diga Não, espécie de game show que fez sucesso por onde foi exibido. Ele também criou no final dos anos 1950 o primeiro selo dedicado à música jovem no Brasil, o Young.

Fora da esfera musical, foi ele quem negociou a transmissão via TV para o Brasil do jogo de despedida de Pelé do futebol, partida na qual o New York Cosmos, time que o maior craque de todos os tempos defendeu nos EUA, jogou em Nova York contra o Santos em 1º de setembro de 1977. Ele atuou como repórter de campo naquela partida, vencida pela equipe americana pelo placar de 2 a 1 com um gol do Rei do Futebol.

Em 2003, tive a honra de entrevistar o Miguel para o site da extinta revista Audio Plus. Sóbrio, generoso e com uma memória impressionante, ele me contou algumas de suas muitas histórias, envolvendo artistas como Chico Buarque e João Gilberto. Como homenagem a esta figura fantástica, segue abaixo o texto deste importante encontro que tive com o agora saudoso Vaccaro. R.I.P.

Entrevista
Miguel Vaccaro Netto

Ele revelou Chico Buarque, João Gilberto, Celly Campello….

Por Fabian Chacur

O Repórter Esso, espécie de Jornal Nacional dos anos 60, valia-se do bordão “testemunha ocular da história” como marca registrada. O jornalista, radialista e produtor Miguel Vaccaro Netto poderia perfeitamente valer-se de tal frase como mote de sua trajetória profissional. Só que não teríamos uma definição precisa, pois ele não só presenciou, como também atuou diretamente no surgimento de inúmeros artistas e movimentos musicais no Brasil, especialmente durante as décadas de 50, 60 e 70.

Entre outros, revelou e lançou na mídia Chico Buarque de Hollanda, João Gilberto, Celly Campello, Demétrius, Gilbert e dezenas (centenas, na verdade) de outros nomes. Apresentou programas de rádio e televisão campeões de audiência, além de criar o divertido game show Não Diga Não, no qual a pessoa precisa ficar dois minutos sem falar as palavras não ou né, algo muito mais difícil do que parece.

Às vésperas de completar 70 anos de idade (n. da r.: o que ocorreu no dia 7 de setembro de 2003), com ótima saúde e memória invejável, ele continua mais ativo do que nunca, com vários programas na televisão e capitaneando o serviço Discos Impossíveis, que se propõe a localizar aquele disco raro (seja CD, vinil ou DVD) que você tanto deseja, entregando-o em sua casa. Em entrevista exclusiva a Audioplus, Miguel nos conta deliciosas histórias de sua vitoriosa carreira.

Audioplus- Você iniciou sua carreira ainda muito jovem, como jornalista. Conte como acabou se envolvendo com a música.
Miguel Vaccaro Netto
– Comecei meu trabalho como jornalista aos 17 anos, e aprendi na melhor escola da época, que era a redação do jornal Última Hora, comandado por Samuel Wainer. Dali, passei para o rádio, embora continuasse fazendo colunas para jornal. Na segunda metade dos anos 50, tinha três programas em emissoras de rádio, um na Record, outro na Panamericana (hoje, Jovem Pan) e o terceiro na Rádio América. O da Record era o Disc Disco, apresentado ao vivo da meia noite às duas, que, de repente, tornou-se uma coisa louca, de tanta repercussão. O crédito desse programa entre os jovens tornou-se muito forte, a ponto de muitos irem ao estúdio, no bairro do Aeroporto, para ver sua transmissão. Muitos dos jovens que iam lá me levavam acetatos ou fitas, perguntando se eu não queria ouvi-los. Isso me incentivou a selecionar o que havia de melhor entre aqueles novos valores, e a colocá-los no ar, especialmente no programa da Jovem Pan, que era apresentado à tarde.

Audioplus- No final dos anos 1950, você criou um selo próprio, o Young. A motivação ocorreu por causa dessa efervescência toda?
Miguel Vaccaro Netto
– Na época, eu já fazia um trabalho com o Henrique Lebendiger, presidente da Fermata, editora musical, indicando novidades da Europa que poderiam ser lançadas por aqui. Naquela época, havia iniciado a transmissão do Festival de San Remo, da Itália, para o Brasil. Aí, sugeri a ele que criasse uma gravadora, e fizemos uma sociedade na palavra, no “fio da barba”, como se dizia na época, sem contrato assinado. Foi criada, então, a gravadora Fermata, e no início eu indicava artistas da Europa e dos EUA, lançamos por aqui gente como Chubby Checker, o rei do Twist, por exemplo. Sabendo que existia muita gente nova de valor, também sugeri a criação de um selo voltado especialmente para eles. O Lebendiger só concordava se eu assumisse a coisa como um todo, da seleção dos artistas às gravações e à divulgação, e eu aceitei. Passei a ser praticamente o “factótum” (faz tudo) de lá. O novo selo foi batizado de Young, e ganhou o slogan “O Disco da Juventude”. Além do pessoal que me mandava material, eu também ia a colégios em busca de revelações.

Audioplus- Muita gente boa foi revelada dessa forma, não é?
Miguel Vaccaro Neto
– Sem dúvida. Lembro que, uma vez, fui em um festival realizado no Colégio Santa Cruz, e conheci um garoto muito tímido, que tinha 17, 18 anos, mas muito bom, com potencial enorme. Ele cantava e se acompanhava ao violão. Como na Young eu só gravava músicas em inglês, vi que o tal garoto não se encaixaria lá, mas, mesmo assim, tinha um outro destino para ele em mente. Esse garoto começou a frequentar a casa da então minha noiva, com a qual posteriormente me casei e de quem depois me separei. Começamos a nos reunir lá, que era bem grande, e eu não o ensinei, pois essas coisas você já tem por si próprio, mas fiz uma lapidação do talento natural dele, investindo em postura de palco, entrada em cena, posição de violão, postura física e até mesmo na maneira de se expressar, de pôr a voz para fora da maneira correta. O trabalho durou seis meses. Quando vi que ele estava preparado, e não serviria mesmo para a Young, eu o levei para a Fermata. Esse tal jovem gravou a música A Banda, e se tornou Chico Buarque de Hollanda. Você não tem idéia de como ele era tímido, era terrivelmente tímido.

Audioplus- E na Young, quem surgiu por lá, e como era o espírito do selo, em termos de repertório?
Miguel Vaccaro Netto
– A Young lançava canções em inglês, interpretadas por brasileiros. Lancei na Young muita gente, como Demétrius, que descobri em um colégio, Marcos Roberto, Dori Edson, Hamilton Di Giorgio, Regiane, Nick Savoia, Gato (que depois foi músico do Roberto Carlos) e também grupos vocais e/ou instrumentais como Teenagers, Avalons (o primeiro grupo instrumental brasileiro de rock a gravar discos), The Rebels etc. A Young existiu sob o meu comando entre 1959 e 1963, mais ou menos. Quando o Lebendiger vendeu a Fermata e a RGE para a Som Livre, pensei que a Young tivesse ido junto, fiquei até chateado com ele. Nos anos 70, usavam o selo Young para lançamentos nacionais e internacionais voltados para o público jovem, mas eu não tinha mais nada a ver com ele.

Audioplus- Existe uma procura, por parte dos colecionadores, pelas gravações da Young da sua época. Você tem planos de relançá-las? Legalmente, existe algum tipo de impedimento em relação a isso?
Miguel Vaccaro Netto
– Com o passar dos anos, o material lançado pela Young se tornou cult, os colecionadores de fato procuram muito esses discos. No final de 2003, conversando com o Hélio Costa Manso, diretor da Som Livre e líder do grupo Sunday, que fez sucesso nos anos 70, perguntei sobre os direitos referentes à Young. Ele falou com o João Araújo, presidente da gravadora global, e me informou posteriormente que a Young continua sendo minha, que posso fazer o que quiser com o seu acervo. Então, penso em fazer no futuro um CD duplo com as principais músicas do selo.

Audioplus- Como radialista, você faz parte de uma linhagem de DJs que de fato entendiam de música, que tinham prazer em descobrir novos talentos, e que eram ouvidos pelas gravadoras. É verdade que foi você quem tocou músicas do João Gilberto em rádio pela primeira vez? Como é o seu relacionamento com esse artista tão importante e ao mesmo tempo tão folclórico?
Miguel Vaccaro Netto
– Sem falsa modéstia, eu, nos anos 50 e 60, era o DJ de mais prestígio por aqui, além de ter as minhas colunas em jornais lidas com interesse pelo pessoal das gravadoras. O João Gilberto foi de fato lançado por mim, em meu programa. A Odeon na época me chamou para ouvir o primeiro disco dele, o 78 rotações com Chega de Saudade. Ouvi, e afirmei para o Oswaldo Gurzoni, diretor da gravadora na época, que seria um grande sucesso, e que eu queria lançá-lo em primeira mão. O Gurzoni gostava mesmo de música, vibrava com cada novo lançamento, e me autorizou a fazer o lançamento. Criei toda uma expectativa em torno disso, durante quase um mês, no meu programa. Aí, Chega de Saudade foi pro ar, e o resultado é o que todos sabem, um clássico da MPB. Eu e o João nos tornamos muito amigos. A última vez que eu o vi foi em 1970, quando ele morava no México e fui ser o presidente de honra do júri de um festival de música por lá. Após o final do evento, ele nos convidou (fui com os cantores Claudya e Marcos Roberto) para jantar, e também para nos mostrar a Cidade do México. Sei que eram três da madrugada, e ele ainda estava mostrando a cidade para nós, a pé! (risos). Ele é uma pessoa muito culta, e fala muito. Às cinco da madrugada, estávamos despencando de sono, e ele nos levou para a sua casa. A Claudya se acomodou e dormiu de qualquer maneira. Eu e o Marcos Roberto não tivemos a mesma sorte, pois o João queria jogar pingue-pongue, o que, mesmo com todo aquele sono, tivemos de fazer, sendo que ele ainda estava com uma disposição incrível. (risos).

Audioplus- Nos últimos anos, você tem apresentado o Programa Miguel Vaccaro Netto na TVCom (exibida pela Net, Sky e outras emissoras pelo Brasil), no qual o mote é a participação de artistas dos anos 50, 60 e 70. Como tem sido essa experiência?
Miguel Vaccaro Neto
– Muito boa. No formato atual, estamos no ar há três anos, e já fomos até imitados, e mal, diga-se de passagem, pelo Ratinho. Tive a oportunidade de entrevistar os grandes nomes desse período. Inclusive, um momento que me marcou foi a última entrevista feita com Celly Campello, que, ao lado do irmão Tony, tive a oportunidade de lançar em meu programa de rádio, nos anos 50. Gravamos essa entrevista meses antes de sua morte, e a Rede Bandeirantes chegou a exibi-la na íntegra, como homenagem. Ela morreu em março de 2003. Passaram pelo programa artistas como Benito Di Paula, Os Vips, Os Incríveis, Eduardo Araújo, Tony Campello, Marcos Roberto, Silvinha Araújo e inúmeros outros daquela época áurea da música jovem no Brasil. Nele, também faço o game show Não Diga Não, que em breve deve também ir para a tevê aberta. E estrearei na Alltv, de Alberto Lucchetti Neto, o programa Discos Impossíveis, no qual entrevistarei pessoas que possuem discos raríssimos, mostrando-os, contando como os obtiveram e tocando trechos dos mesmos.

Audioplus- Aliás, aproveitando o gancho, fale-nos sobre esse serviço criado por você, o Discos Impossíveis. Como surgiu a idéia, e do que se trata?
Miguel Vaccaro Netto
– Bem, tudo começou quando muita gente me ligava, pedindo para informar onde poderiam encontrar discos dos artistas que participavam do meu programa. No início, não pensava em mexer com isso, apenas fazia a ligação entre as pessoas e os artistas, para que elas pudessem ser atendidas. Até que percebi existir um grande filão aí, e me propus a encontrar esses discos para as pessoas. O nome Discos Impossíveis, cuja marca inclusive registrei, dá bem a medida. Não importa o que for, se vinil, CD ou mesmo DVD, é só ligar e encomendar que a minha equipe sai à caça. Após uma matéria publicada na revista Veja São Paulo, a procura tornou-se ainda maior, cheguei a receber entre 800 a 900 pedidos em apenas 15 dias. Até agora, não houve item que a gente não tivesse encontrado, sendo que a demora vai de alguns dias a um mês e meio, dependendo da raridade do que se procura.

Audioplus- Você ajudou na consolidação do chamado mercado de música jovem no Brasil. Como encara isso?
Miguel Vaccaro Netto
– Tenho uma convicção bem consolidada de que nada acontece fora de hora. Na ocasião (final dos anos 50), havia uma demanda muito grande pela música americana por aqui, era o auge do Dick Clark (American Bandstand) nos EUA, e meu, por aqui. Senti que havia um vácuo, gente muito boa que não tinha espaço, e criei a Young, era o momento. Isso desencadeou muita coisa, propiciando o clima para a pré-Jovem Guarda, a própria Jovem Guarda, quando se criou esse rótulo (música para a jovem guarda, para o jovem) e a pós-jovem guarda. Hoje, não sinto mais esse clima propício. Existe um mix tão grande de hits de qualidade duvidosa que não há um perfil definido de música brasileira ou americana. Outro dia conversava com um amigo, o cantor e ator Gilbert, e comentávamos que nada mais dura na área musical. Hoje, as coisas surgem e vão embora como um cometa, não deixam marca. Na época, o comunicador tinha por obrigação direcionar o público para o que houvesse de qualidade, e era mais fácil, pois qualidade artística era o que não faltava. Atualmente, um fenômeno como os Tribalistas de Marisa Monte, que conciliaram apelo comercial e qualidade artística, é muito raro. Há um excesso de informação via internet, rádio e televisão, as pessoas não tem tempo de assimilar tudo isso, e passam a ter um gosto descartável. A oferta maior do que a procura tornou o mercado sem sabor, tanto os radialistas quanto as pessoas das gravadoras infelizmente caem lá de para-quedas, não entendem nada.

Veja especial do programa do Miguel sobre a gravadora Young:

Conexão Latina, um podcast para se deliciar com os ritmos latinos

conexao latina belinha almendra

Por Fabian Chacur

Um lado positivo da quarentena imposta pelo combate ao novo coronavírus é o fato de que inúmeras pessoas aproveitaram a situação para investir seu tempo em projetos bacanas há muito deixados em segundo plano por razões distintas. É o caso da jornalista Belinha Almendra, que resolveu reviver seu belo Conexão Latina, um programa de rádio iniciado nos anos 1990 que passou pela programação de duas emissoras de FM cariocas. Agora no formato podcast, a salerosa atração está de volta, e com força total (ouça aqui).

Apaixonada pela música de origem latina, Belinha se incumbe da apresentação e da seleção do repertório. Sua concepção é bem aberta, indo desde os ritmos mais tradicionais, como mambo, rumba, merengue, cha cha cha e salsa, até as novidades da cena pop e do jazz latino, sem se restringir a uma determinada tendência ou país. Entre uma música e outra, ela nos oferece informações precisas de forma impecável, fluente e extremamente simpática.

Lógico que alguém fazendo um trabalho com essa consistência não demoraria a receber apoio de público e dos próprios artistas. Dessa forma, Belinha já conseguiu que vários nomes importantes ligados à música latina gravassem rápidos depoimentos para o programa, entre os quais as cubanas Aymé Nubiola e Haydée Milanés, o espanhol El Kanka, as cantoras Leila Maria, Fabiana Cozza e o percussionista Marcelo Costa.

Conexão Latina tem novos episódios postados sempre às sextas-feiras. O próximo, que será o de número 20, estará disponível nesta sexta (25). A abertura será com a dobradinha da chilena Mon Laferte com o português António Zambujo em Madera de Deriva,milonga composta pelo uruguaio Jorge Drexler. Daymé Arocena, premiada cantora de jazz afro-cubano da nova geração, mostra El 456. O pianista e maestro Chucho Valdés e o grupo Irakere, patrimônios da música cubana, fecham a edição com Pare Cochero.

Madeira de Deriva (clipe)- Antonio Zambujo e Mon Laferte:

Ricardo Bacelar e Delia Fischer releem Nada Será Como Antes

ricardo bacelar delia fischer

Por Fabian Chacur

Graças à qualidade de seu trabalho, Ricardo Bacelar é presença constante em Mondo Pop (leia mais sobre ele aqui). Desta vez, a motivação é o lançamento do clipe de Nada Será Como Antes, clássico de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos que o tecladista, arranjador, compositor e eventual cantor releu ao lado da consagrada cantora, compositora e musicista Delia Fischer.

A belíssima canção lançada por Milton em 1972 no seu antológico álbum Clube da Esquina traz uma letra que se mantém mais atual do que nunca. O dueto de Bacelar e Delia é delicioso, com eles se alternando nos vocais e, em um determinado momento, tocando o piano a quatro mãos. A releitura traz um tempero jazzístico à música, sem no entanto tirar dela a sua essência pop.

A faixa traz, além da dupla, os músicos João Castilho (guitarra), Danilo Sina (sax e flauta), Renato Endrigo (bateria), Alexandre Katatau (baixo) e André Siqueira (percussão). A gravação foi feita durante show que Ricardo realizou em maio de 2018 no Blue Note Rio, no Rio de Janeiro.

Nada Será Como Antes integra o álbum Ricardo Bacelar- Ao Vivo No Rio, já disponível nas plataformas digitais e com boa repercussão nos EUA, Europa e Japão, onde o público fã de jazz e fusion está ouvindo de forma intensa essa geral que o artista brasileiro deu em seu repertório.

Nada Será Como Antes (ao vivo)– Ricardo Bacelar e Delia Fischer:

Tom Zé reúne gravações pouco conhecidas no álbum Raridades

tom ze raridades 400x

Por Fabian Chacur

Boa notícia para os colecionadores do trabalho de Tom Zé. Já está disponível nas plataformas digitais a coletânea Raridades, que a gravadora Warner promete lançar também em formato físico no dia 16 de outubro. Trata-se da reunião de 14 gravações do grande cantor, compositor e músico baiano anteriormente disponíveis apenas em raros e disputados compactos e trilhas, lançadas originalmente entre 1969 e 1976 pelas gravadoras RGE e Continental.

Temos aqui gravações alternativas de canções conhecidas do repertório do mais célebre nativo da cidade de Irará, como Senhor Cidadão e Augusta, Angélica e Consolação, e a gravação ao vivo de Jeitinho Dela incluída no álbum oficial do V Festival da Música Popular Brasileira, promovido pela TV Record, e na qual temos a participação especial dos então estreantes Novos Baianos.

Outra canção legal é A Dama de Vermelho, que Tom Zé gravou para a trilha sonora da novela Xeque-Mate (1976), exibida pela TV Tupi e estrelada por Ênio Gonçalves, Maria Isabel de Lizandra, Raul Cortez e Edney Giovenazzi. Curiosamente, a outra faixa gravada por ele para a mesma trilha, Nancy (Olhos Azuis), ficou de fora de Raridades, por alguma razão não revelada.

Eis as faixas de Raridades:

Você Gosta 2m23
Feitiço 2m45
Jeitinho Dela (Participação Especial De Novos Baianos (Ao Vivo) 4m03
Bola Pra Frente (Ao Vivo) 2m50
Irene 2m53
Silêncio De Nós Dois 3m10
Senhor Cidadão 3m26
A Babá 3m20
Augusta, Angélica E Consolação 4m06
Quem Não Pode Se Tchaikowsky 3m56
Contos De Fraldas 3m59
A Dama De Vermelho 2m30
Dói 3m29
O Anfitrião 3m46

Jeitinho Dela (ao vivo)- Tom Zé e Os Novos Baianos:

Jimi Hendrix, o cara que ajudou o rock a expandir seus horizontes

jimi hendrix

Por Fabian Chacur

Durante seus primeiros anos de existência, nos anos 1950, o rock and roll era tido pelos “críticos” como nada além de mais uma modinha que, em pouco tempo, daria lugar a outra. Nem mesmo a existência de vários gênios na chamada primeira geração roqueira levava tais analistas a admitirem uma possível vida longa para tal estilo musical. Pois foi o saudoso Jimi Hendrix, que nos deixou há exatos 50 anos, um dos maiores responsáveis pelo rock ganhar um merecido reconhecimento e respeito por parte de mídia e público.

A trajetória desse cantor, compositor e guitarrista norte-americano nascido em Seattle, Washington em 27 de novembro de 1942 é surpreendente por quaisquer ângulos que você as analise. Fruto do relacionamento de uma índia com um negro, teve na miscigenação sonora sua marca registrada. Barreiras nunca lhe interessaram. A música que criou traz elementos de rock, blues, jazz, soul, pop, latinidade e o que mais pintasse à sua frente. A forma como misturava isso tudo era simplesmente única e original.

Ele esteve em estúdios de gravação de 1964 a 1970, inicialmente participando de gravações dos Isley Brothers e Little Richard e a partir de 1966 se dedicando à própria carreira. Portanto, um curto período de tempo. No entanto, sua produção durante esse período foi suficiente não só para firmá-lo como um dos maiores nomes do rock do seu tempo, como também para gerar inúmeros lançamentos póstumos, possivelmente o artista como maior números de álbuns post mortem de todos os tempos. E material de alta qualidade, vale ressaltar.

A predisposição de Hendrix a novas experiências pode ser medida por vários detalhes em sua carreira. Americano, só se tornou um nome conhecido mundialmente ao se mudar para a Inglaterra no final de 1966, levado para lá pelo ex-baixista dos Animals, Chass Chandler, que resolveu se tornar seu produtor, manager e o que mais pintasse. Os EUA a rigor só deram a ele o devido valor após sua avassaladora performance no Festival de Monterey, em 1967.

Ao chegar em Londres, nosso herói se mostrou ousado ao convidar dois músicos brancos e ingleses, o baixista Noel Redding (1945-2003) e o baterista Mitch Mitchell (1946-2008) para integrarem o seu grupo, o The Jimi Hendrix Experience. Se até hoje há quem se espante (sabe-se lá porque…) ao ver negros tocando rock, imaginem um músico com essa cor liderando uma banda ao lado de dois branquelos. Mas ele encarou esse desafio sem medo, e se deu bem.

Depois, de certa forma pressionado pelo crescimento do movimento negro nos EUA, e também por problemas de relacionamento com Noel Redding, ele montou um grupo só de negros, a Band Of Gypsys, ao lado do colega de exército Billy Cox (baixo) e de Buddy Miles (bateria), com quem gravou um disco ao vivo em 1969. Mas Mitchell voltaria a ser seu baterista, miscigenando tudo de novo.

Hendrix pode ser considerado o cara que tornou o formato de trio guitarra-baixo-bateria como clássica opção na cena do rock, ao lado do contemporâneo Cream. Desde então, não foram poucos os que abraçaram esse conceito, uns investindo no virtuosismo, outros no minimalismo básico. The Police, Rush, Motorhead, Stray Cats, a lista vai longe.

Sempre inquieto, Hendrix buscou expandir os limites da guitarra enquanto instrumento musical, valendo-se de pedais de efeito e amplificadores que ajudou a aperfeiçoar e e levar a Fender Stratocaster a se tornar um dos modelos mais icônicos de guitarra de todos os tempos. Ele literalmente vestia o instrumento, fazia amor com ele no palco e, sem dó nem piedade, ateou fogo nele em diversas ocasiões. No palco, o sujeito era um monstro.

Sua versatilidade também se mostrou importante em relação ao material que gravava e tocava nos shows. Ele se mostrava brilhante tanto ao interpretar composições próprias fantásticas como Little Wing, Wait Until Tomorrow, Purple Haze e Voodo Child (Slight Return) como ao reler com assinatura absolutamente original material alheio como All Along The Watchtower (Bob Dylan), Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band (The Beatles) e Hey Joe (Billy Roberts).

Mesmo a voz, que alguns colocam em segundo plano diante de sua imensa qualidade como guitarrista e compositor, sempre se mostrou outro ponto forte a seu favor. Hendrix sabia encarar cada canção com um timbre vocal poderoso, próprio e original, sem nunca se deixar levar por virtuosismos.

Enquanto esteve entre nós, o astro americano só lançou três álbuns de estúdio- Are You Experienced(1967), Axis: Bold As Love (1967) e o álbum-duplo Electric Ladyland (1968), além do ao vivo com composições inéditas Band Of Gypsys (1969) e a coletânea Smash Hits (1967, reunindo algumas músicas só lançadas antes em compactos simples de vinil).

São trabalhos excelentes, e é melhor optar por eles em um primeiro momento. Se quiser escolher um para começar sua imersão em Jimi Hendrix, minha dica é o maravilhoso Axis: Bold As Love, que traz sua canção mais icônica, Little Wing e muito mais. Do material póstumo de estúdio, muita coisa foi lançada em vinil e posteriormente em CD, com diversas sequências de faixas. Nunca saberemos como ele teria as agrupado ou mesmo quais teriam sido lançadas ou não, mas vale a curiosidade, pois tem muita coisa boa nesse meio.

Das gravações ao vivo, as mais recomendáveis são as que registram suas performances avassaladoras nos festivais de Monterey e Woodstock, sendo que você encontra esses shows registrados em álbuns de áudio e também em DVDs.

Há pessoas que parecem saber que não irão viver por muito tempo, e, por isso, vivem de forma intensa. Hendrix se encaixa feito luva nessa definição. Se nos deixou com apenas 27 anos de idade, produziu nesse curtíssimo período de vida um legado artístico que continuará relevante enquanto houver vida inteligente.

Hendrix morreu de forma acidental, tendo sido, como certa vez definiu para mim o amigo Ayrton Mugnaini Jr., “um artista profissional e um ser humano amador”. Ele não deu conta de tanta badalação, tanto sucesso, tantas tentações que não soube controlar. Uma pena.

Ouça alguns dos grandes clássicos de Jimi Hendrix:

Gorillaz e Robert Smith unidos em um divertido clipe musical

gorillaz capa song machine 400x

Por Fabian Chacur

Robert Smith marca presença no novo single e clipe do Gorillaz. O grupo virtual criado por Damon Albarn, do Blur, e pelo cartunista Jamie Hewlett, nos proporciona mais uma faixa deliciosa, Strange Timez (a grafia é essa mesma), na qual apenas a cabeça do cantor e líder do The Cure aparece contracenando com integrantes da “banda” em suas estrepolias rumo à Lua. A faixa integrará o seu sétimo álbum de estúdio, Song Machine: Season One- Strange Timez, previsto para chegar ao mercado internacional no dia 23 de outubro.

Ainda sem previsão de lançamento em formato físico no Brasil, o sétimo álbum de Noodles, 2D, Murdoc e Russel terá versões digitais e em CD, LP de vinil e fita-cassete, sendo que a versão deluxe trará 17 faixas, seis a mais do que a standard. De quebra, também estará à venda Almanac, livro com 210 páginas.

Como de praxe nos trabalhos dos Gorillaz, teremos diversas participações especiais de nomes importantes e bacanas da cena pop mundialo. Além do já citado Robert Smith, também estarão presentes no álbum Elton John, Beck e Peter Hook (ex-New Order), só para citar alguns deles.

Também está agendado para os dias 12 e 13 de dezembro performances globais ao vivo intituladas Song Machine Live, nas quais as músicas do álbum serão apresentadas mesclando músicos tocando e cenas gravadas. Os ingressos para este evento já estão sendo vendidos em pontos virtuais de venda.

Eis as faixas da versão Deluxe de Song Machine:

1. Strange Timez (ft. Robert Smith)
2. The Valley of The Pagans (ft. Beck)
3. The Lost Chord (ft. Leee John)
4. Pac-Man (ft. ScHoolboy Q)
5. Chalk Tablet Towers (ft. St Vincent)
6. The Pink Phantom (ft. Elton John and 6LACK)
7. Aries (feat. Peter Hook and Georgia)
8. Friday 13th (ft. Octavian)
9. Dead Butterflies (ft. Kano and Roxani Arias)
10. Désolé (ft. Fatoumata Diawara) (Extended Version)
11. Momentary Bliss (ft. slowthai and Slaves)
12. Opium (ft. EARTHGANG)
13. Simplicity (ft. Joan As Police Woman)
14. Severed Head (ft. Goldlink and Unknown Mortal Orchestra)
15. With Love To An Ex (ft. Moonchild Sanelly)
16. MLS (feat. JPEGMAFIA and CHAI)
17. How Far? (ft. Tony Allen and Skepta)

Strange Timez (clipe)- Gorillaz + Robert Smith:

Bruno Gouveia e Carlos Coelho em uma live com papo e música

BRUNO GOUVEIA E CARLOS COELHO - BIQUINI CAVADAO

Por Fabian Chacur

Trinta e cinco anos de estrada no conturbado e disputado cenário musical brasileiro não é para qualquer um, ainda mais se estivermos falando de uma trajetória consistente e com boa repercussão perante o público. Este é o caso do Biquini Cavadão, que desde sua estreia em 1985 se mantém firme e forte, resistindo às intempéries. Como forma de celebrar essa longevidade, dois de seus integrantes farão uma live streaming neste sábado (19) às 16h30, que poderá ser conferida em seu canal oficial no Youtube.

Bruno Gouveia (vocal) e Carlos Coelho (guitarra, violão e vocal) se apresentarão no alto de uma cobertura situada na região da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, cujo cenário é dos mais belos e marcantes daquela cidade. Durante a live, os dois amigos aproveitarão para contar algumas histórias bacanas da carreira do Biquini Cavadão, além de recordarem alguns de seus maiores sucessos nesses anos todos.

Além disso, eles também irão falar sobre alguns dos grupos que mais os influenciaram em sua obra autoral, entre os quais Beatles, Queen, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e também Roberto Carlos, aproveitando para interpretar alguns dos sucessos desses artistas.

Múmias (clipe)- Biquini Cavadão:

Janelle Monáe faz música-tema para filme sobre o voto nos EUA

janele monae single 400x

Por Fabian Chacur

Mesmo na maior democracia do mundo, há inúmeras questões nebulosas e polêmicas acerca dos direitos ao voto e aos processos eleitorais. Esse é o tema do documentário All In: The Fight For Democracy, dirigido por Liz Garbus e Lisa Cortés e coproduzido por Stacey Abrams (veja o trailler aqui), exibido em algumas salas de cinema nos EUA e que a Amazon Prime Video promete disponibilizar em streaming no próximo dia 18 (sexta-feira).

Stacey Abrams foi líder da minoria da câmara dos representantes da Georgia (EUA), além de fundadora do grupo Fair Right Action, que defende as pessoas que são excluídas do direito ao voto por algumas barreiras legais. O documentário mostra todo o histórico eleitoral dos EUA, e traz seu foco exatamente nessas dificuldades impostas às minorias que tentam apenas desfrutar de seus direitos mais essenciais.

A música-tema do filme, Turntables, é interpretada pela excelente cantora e compositora Janele Monáe, de 34 anos, que a escreveu em parceria com Nathaniel Irvin III e George A. Peters e cuja produção ficou nas mãos de Nate “Rocket” Wonder e Roman GianArthur. Trata-se de uma canção incisiva, vibrante, que em seu clipe traz a cantora em ação e também cenas do documentário, com um resultado potente e envolvente.

Com mais de dez anos de carreira, Janele veio ao Brasil em duas ocasiões no ano de 2011, a primeira abrindo shows da saudosa Amy Winehouse e a outra para apresentação no Rock in Rio. Seu mais recente álbum, Dirty Computer (o terceiro de sua carreira), chegou ao 6º posto na parada americana, e sua mistura de soul, hip-hop, funk, pop e jazz é de primeiríssima linha.

Turntables (clipe)- Janene Monáe:

Chico Cesar faz show em evento virtual no centro de São Paulo

chico cesar

Por Fabian Chacur

Para quem prefere se resguardar e não sair feito um alucinado rumo ao “antigo normal”, uma belíssima opção online para o próximo final de semana para quem curte cultura será a 2ª edição do Festival A Vida No Centro. Desta vez realizada pela via virtual, o evento terá como destaques um show acústico ao vivo de Chico César e peças também encenadas ao vivo pelo badalado grupo teatral Os Satyros, em uma programação idealizada pela plataforma A Vida no Centro e pela Agência CoPlayers.

As apresentações serão realizadas em locais icônicos do centro de São Paulo, como os edifícios Martinelli (local do show de Chico César, mais precisamente no mirante deste prédio), Edifício Matarazzo, Minhocão e Praça Roosevelt, e desta vez poderão ser apreciadas pelo público de fora da cidade pela via virtual.

“Neste momento em que as pessoas não podem visitar seus lugares preferidos, queremos levar um pouco do Centro para a casa das pessoas, mostrando locais que são parte da história e da cultura de São Paulo”, explica Clayton Melo, cofundador de A Vida no Centro, a respeito do novo formato do evento.

Com o apoio da Secretaria Municipal de Turismo, da Plataforma Fitness Channel e da SP Escola de Teatro, o Festival a Vida no Centro também tem como intuito arrecadar de fundos para a Associação Franciscana de Solidariedade (Sefras), cujo objetivo é dar assistência a pessoas em situação de rua nas imediações de outro ícone da região central de São Paulo, o Largo São Francisco.

Festival A Vida no Centro 2020

19 e 20 de setembro – sábado e domingo

Onde – Online pelas plataformas @avidanocentro.sp, facebook/avidanocentro, youtube/avidanocentro

Programação

Sábado (19)

11h – Aula Ballet para Todos no Pátio do Colégio – Fitness Channel

12h – Tour online no Edifício Matarazzo, com destaque para o jardim do terraço

13h – Tour virtual A História do Anhangabaú – Zeca Nunes

15h-16h30 – Diálogos A Vida no Centro – Apresentação do report de tendências A Casa e a Cidade – Impactos da pandemia na vida urbana, tendências e insights, seguido de debate sobre o futuro das cidades e do modo de vida urbano pós-pandemia

17h – Aula de yoga no terraço do Martinelli com Isaias Vieira – Fitness Channel

19h – Pocket show Chico César acústico no terraço do Martinelli

21h – Espetáculo de teatro digital A Arte de Encarar o Medo – Os Satyros – seguido de papo com o elenco

Domingo (20)

9h – Aula funcional cadeirante – Fitness Channel

10h – Aula de HIIT na Praça Roosevelt – Fitness Channel

10h – Tour Centro Histórico com Olavo Medeiros @omelhordesampa

11h – Aula de gastronomia online – Paribar

12h – Aula de drinques online – Drosophyla

15h – Tour virtual ao terraço do Martinelli

16h-17h30 – Infantil – Teatro Esparrama na Janela – seguido de um bate-papo ao vivo nas redes sociais

20h – Todos os Sonhos do Mundo, monólogo com o ator Ivam Cabral – Os Satyros – seguido de papo com o ator e autor da peça e os organizadores do festival

À Primeira Vista (ao vivo)- Chico César:

« Older posts

© 2020 Mondo Pop

Theme by Anders NorenUp ↑