Morreu nesta quinta-feira (17) na Flórida, EUA, a cantora Donna Summer. A estrela americana tinha 63 anos de idade e lutava contra um câncer, batalha essa que procurou manter longe da mídia.
Nascida no dia 31 de dezembro de 1948, LaDonna Gaines começou a tomar gosto pela música ao participar de corais gospel em igrejas. Ao integrar o elenco de uma das encenações da peça teatral Hair, conheceu a Alemanha, onde os horizontes para a sua carreira se ampliaram bastante.
Em 1973, na cidade alemã de Munique, conheceu os produtores e compositores Giorgio Moroder e Pete Bellotte, com os quais passou a trabalhar. Já com o nome artístico Donna Summer, ela estourou mundialmente com Love To Love You Baby, na qual se valia de gemidos sensuais, tendo como trilha uma base eletrônica que se tornaria extremamente influente.
A partir dalí, Donna começou a se tornar uma das mais importantes intérpretes da então emergente disco music, além de ganhar espaço para mostrar seu talento. Com uma voz potente e versátil, além de muito carisma em shows, ela incorporou influências de rock, soul, funk, pop e até jazz à sua sonoridade, o que a ajudou a se tornar ainda mais popular.
Com a produção e as canções dos geniais Moroder e Bellotte, ela emplacou até o fim dos anos 70 hits inesquecíveis como I Love You, Bad Girls, Hot Stuff, MacArthur Park (releitura de um hit dos anos 60), On The Radio e No More Tears (Enough Is Enough, esta um dueto com Barbra Streisand), entre muitos outros. Muitos mesmo!
A popularidade de Donna Summer nessa fase era tão grande que a moça conseguiu a façanha, nunca igualada, de emplacar três álbuns duplos consecutivos no primeiro lugar da parada da Billboard. São eles os excelentes Live And More (1978), Bad Girls (1979) e On The Radio-Greatest Hits Vols 1 e 2 (1979).
Nos anos 80, a parceria entre ela e a dupla Moroder/Bellotte acabou, mas a cantora conseguiu permanecer nas paradas de sucesso, emplacando hits como State Of Independene, Unconditional Love, Breakaway e She Works Hard For The Money entre outros.
Nos anos 90 e na primeira década deste século, manteve-se ativa e participando de projetos próprios e alheios, como um CD/DVD gravado ao vivo em 1999 em parceria com o canal musical VH1 no qual dava uma geral em seus maiores hits.
Donna Summer fez shows no Brasil em 1989, 1994 e 2009, sendo que nesta última vez divulgava seu então recém-lançado álbum Crayons.
Ela atualmente tentava finalizar um novo disco, mas aparentemente deixou o trabalho inacabado, o que só saberemos de fato nos próximos meses.
Carrie Underwood conseguiu vencer Adele, que pretendia comemorar sua 24ª semana no topo da parada americana. Com seu mais recente álbum, Blown Away, a vencedora do reality show American Idol em 2005 conseguiu emplacar a segunda semana consecutiva no primeiro lugar na parada da Billboard, com 120 mil cópias vendidas na última semana.
Adele até que tentou, mas seu álbum 21 atingiu a marca de 101 mil cópias vendidas durante o mesmo período, o que lhe proporcionou um honroso segundo lugar. Vale lembrar que o disco de Adele já saiu há mais de um ano, o que torna o seu desempenho realmente impressionante.
Por sua vez, a simpática loirinha Carrie Underwood consegue pela primeira vez ter um álbum por mais de uma semana no primeiro lugar em seu país. Sua mistura de country, rock e pop se mostra mais eficiente do que nunca. E ela tem um vozeirão.
O álbum de Adele teve um aumento de vendas em função do Dia das Mães. Outro álbum beneficiado pela efeméride foi Tuskegee, de Lionel Richie, que vendeu na última semana 71 mil cópias e voltou a subir na parada, ocupando o terceiro lugar.
A quarta posição nas listas ianques ficou nas mãos da coletânea de sucessos atuais Now 42, que teve 65 mil exemplares adquiridos no mesmo período.
O bloco dos cinco primeiros é completado por Little Broken Hearts, mais recente trabalho da cantora, compositora e tecladista americana Norah Jones, que vendeu 60 mil cópias em sua segunda semana nos charts. O álbum da gata do jazz/country/pop estreou nos charts ianques no segundo posto.
Ouça Good Girl, novo single de Carrie Underwood e faixa do álbum Blown Away:
Morreu nesta quarta-feira (16) na cidade de Baltimore, nos EUA, o cantor, compositor e guitarrista Chuck Brown. Segundo seu empresário, em declaração ao jornal The Washington Post, o músico foi vítima de pneumonia. Ele tinha 75 anos.
Nascido em Washington DC em 22 de agosto de 1936, Brown é considerado o avô do go-go, subdivisão da funk music surgida nos anos 1970 que tem na percussão acentuada e sincopada sua marca registrada.
Ele iniciou sua carreira como guitarrista, atuando ao lado do cantor de soul music Jerry Butler e do grupo The Earls Of Rhythm nos anos 60. Seu primeiro álbum solo, ao lado do grupo The Soul Searchers, chegou às lojas em 1972.
Sou um dos felizes proprietários de uma cópia em vinil de Bustin’ Loose (1979), terceiro álbum de Chuck Brown And The Soul Searchers. Este álbum, um ítem sensacional que todo fã de funk music de verdade deve/merece ter, saiu no Brasil em 1980 pelo selo K-Tel, tendo saído originalmente pela Source Records.
Bustin’ Loose tem em sua faixa título o momento máximo, um funk swingado e contagiante que fez sucesso nos bailes black brasileiros. Musicão! O álbum também inclui outras faixas bem bacanas, entre as quais If It Ain’t Funky, Game Seven e Berro e Sombaro.
Em 1984, Brown teve outro grande hit nos bailes, We Need Some Money (Bout Money). Em 2002, o astro do rhythm and blues Nelly fez muito sucesso com Hot In Herre, que se vale de samples de Bustin’ Loose.
Embora não tenha emplacado mais hits no mercado pop, Chuck Brown se manteve na ativa esses anos todos, conseguindo bom público em shows especialmente na região de Washington. Seu trabalho influenciou inúmeros outros artistas, entre os quais o célebre grupo Trouble Funk, bem popular nos anos 80.
Ouça Bustin’ Loose, com Chuck Brown And The Soul Searchers:
Dando continuidade à série Mix Ao Vivo – Álbuns Clássicos, na qual são enfocados álbuns fundamentais da história do rock brasileiro, será gravado no dia 24/5 (quinta-feira) às 21h no Teatro da Mix (rua Vergueiro, 1.211-São Paulo) um show exclusivo dos Paralamas do Sucesso.
Nessa apresentação, a banda integrada por Herbert Vianna (vocal e guitarra), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone (bateria) irá tocar na íntegra o repertório do CD Selvagem?, um de seus trabalhos mais importantes.
O show poderá ser conferido ao vivo no site da emissora (www.mixtv.com.br), e irá ao ar na Mix TV no dia 14 de junho, às 21h30, com apresentação a cargo de Paulo Miklos, dos Titãs.
Lançado em 1986, Selvagem? é o terceiro álbum dos Paralamas, e marca o momento em que o grupo ampliou ainda mais seus horizontes musicais, incorporando ritmos brasileiros e africanos ao rock e ska que os haviam tornado uma das bandas mais promissoras do rock brasileiro naquela época.
O disco conseguiu conciliar ótimas vendagens e críticas altamente positivas da imprensa em geral, e possui em seu repertório músicas que rapidamente se tornaram clássicos do rock brazuca, entre as quais Alagados, A Novidade (feita em parceria com Gilberto Gil), Melô do Marinheiro, Selvagem, Teerâ e uma releitura de Você, de Tim Maia.
O grupo Sopro Brasileiro será a atração desta sexta-feira (18) do projeto Música Para Todos, que tem como palco o Teatro Coletivo (rua da Consolação, 1.623 – fone 3255-5922). A entrada é gratuita, sendo que os ingressos devem ser retirados no local meia hora antes do espetáculo.
Música Para Todos nasceu a partir de uma parceria entre o Teatro Coletivo e a Cooperativa de Música de São Paulo, e já teve em sua programação artistas como Arrigo Barnabé, Vânia Bastos e o grupo Nhocuné Soul, em 2011, e Maurício Pereira, Izabel Padovani e Nô Stopa, em 2012.
A proposta musical do Sopro Brasileiro é abordar um repertório eclético e de alta qualidade de forma inovadora, o que fica claro a partir de sua formação, que inclui oito músicos experientes e talentosos. Temos três trompetes (Roberto Gastaldi, Jean Pierre Ryckebusch e Mauro Boim), dois trombones (Silvio Giannetti Jr e Ricardo Ferreira dos Santos), uma tuba (Popó) e dois percussionistas (Adriano Busco e Nado Garcia).
Canções como Isn’t She Lovely (Stevie Wonder), O Xote das Meninas (Luiz Gonzaga e Zé Dantas), Retalhos de Cetim (Benito Di Paula), Mambo Nº5 (Perez Prado), Sossego (Tim Maia) e Nego Dito (Itamar Assunção) receberam arranjos criativos e bem dançantes, que tornam seus shows uma verdadeira festa.
O documentário Raul O Início, O Fim e o Meio, de Walter Carvalho, serve como uma belíssima apresentação para quem não tem a menor ideia de quem tenha sido Raul Seixas, ou uma bela forma de se matar saudades do Maluco Beleza.
Essa acaba também sendo a função da sua trilha sonora, lançada no formato álbum duplo pela Universal Music. São 28 faixas que mapeiam a carreira de Raul desde 1972, quando teve seu primeiro grande contato com o público ao participar de um festival da Globo com Let Me Sing, Let Me Sing, até 1989, quando lançou Panela do Diabo com Marcelo Nova.
Já foram lançadas dezenas (centenas?) de coletâneas com canções do autor de Ouro de Tolo. O mérito desta aqui é ser abrangente, trazendo canções de todas as fases de sua carreira.
O foco são os maiores sucessos, como Al Capone, Mosca na Sopa, Maluco Beleza, Rock das “Aranha”, Cowboy Fora da Lei e Eu Também Vou Reclamar, com espaços para alguns dos chamados lados B, entre os quais Canto Para Minha Morte, A Verdade Sobre a Nostalgia e os pot-pourrys Lucille/Corrine, Corrina e Blue Moon Of Kentucky/Asa Branca.
Ouvir essas 28 músicas de uma vez é uma boa oportunidade para reavaliarmos a qualidade e a importância da obra de Raul Seixas.Às vezes, o fato de ele ter tantos fãs folclóricos e até mesmo malas entre seus inúmeros seguidores leva algumas pessoas a ficarem com uma certa implicância com o seu trabalho, mas isso é errado. Muito errado.
Raul misturou rock, country, baião, forró, brega e o que mais surgisse à sua frente, gerando uma obra que é o rock brasileiro em seu estágio mais miscigenado e original. Ótimo cantor e compositor, ele nos deixou como legado uma obra com altos e baixos, sim, mas com altos absolutamente indispensáveis, entre eles o fenomenal álbum Krig-há Bandolo (1973).
A trilha de Raul O Início, O Fim e o Meio só não é mais recomendável pelo fato de não incluir encarte com letras e textos informativos. De resto, uma verdadeira delícia ouvir de novo Let Me Sing, Let Me Sing, Metamorfose Ambulante, Tente Outra Vez, Aluga-se e outros clássicos do rock brazuca, com sua rebeldia, energia e originalidade.
E duvido que a molecada que conhecer Raul Seixas através dessa trilha não se sinta incentivado a buscar mais canções do eterno roqueiro número um do Brasil.
O show de Crosby, Stills & Nash realizado em São Paulo na noite desta quinta-feira (10) marcou tanto as pessoas que o viram que achei interessante acrescentar coisas e fatos ao que escrevi na minha resenha.
Farei de forma desorganizada e sem me prender a uma ordem específica. Trata-se apenas de uma desculpa para escrever mais sobre um show que realmente marcou a sensibilidade de muita gente boa.
De cara, vamos a uma análise mais pormenorizada do repertório apresentado por eles. Do álbum Crosby, Stills & Nash (1969), que marcou a estreia do trio, tivemos Marrakesh Express, Long Time Comin’, Wooden Ships, Helplessy Hoping, Guinevere e Suite: Judy Blue Eyes.
De Dèja Vu (1970), primeiro álbum creditado a Crosby, Stills, Nash & Young, marcaram presença no show Carry On/Questions, Dèja Vu, Our House, Almost Cut My Hair e Teach Your Children.
The Lee Shore e Love The One You’re With podem ser encontrados em Four Way Street (1971), álbum duplo ao vivo do Crosby, Stills, Nash & Young, sendo que a segunda teve sua versão de estúdio registrada no primeiro álbum solo do Stills, intitulado Stephen Stills (1970).
Bluebird e For What’s Worth foram gravadas em suas versões originais de estúdio pelo grupo Buffalo Springfield, respectivamente Buffalo Springfield Again (1967) e Buffalo Springfield (1966). So Begins The Task é do álbum Manassas (1972), do grupo liderado por Stills e Chris Hillman (dos Byrds), e As I Come To Age é do álbum solo Stills (1975).
Crosby Nash (2004), belíssimo álbum duplo da dupla que não foi muito badalado na época de seu lançamento (uma injustiça, pois o disco é ótimo!!!), contribuiu com duas músicas, Lay Me Down e Jesus Of Rio.
Military Madness, que o trio e o quarteto tocaram em diversos shows, é do disco solo de Graham Nash Songs From Beginners (1971). Já a bela e quase progressiva Cathedral vem de CSN (1977).
Girl From The North Country é de Bob Dylan e foi lançada originalmente no álbum The Freewheelin’ Bob Dylan (1963).
E duas canções interpretadas no show são inéditas em disco: Radio, de David Crosby, e Almost Gone (The Ballad Of Bradley Manning), de Graham Nash e James Raymond. Esta última possui até clipe.
Durante o show, David Crosby aprsentou duas músicas com especial deferência: Girl Of The North Country e As I Come Of Age, que ele definiu como suas canções favoritas de, respectivamente, Bob Dylan e Stephen Stills.
Dos três, Stills foi de longe o que mais vezes saiu do palco. No entanto, foi ele quem demonstrou certa insatisfação quando David Crosby, aparentemente de forma inesperada, saiu do palco pelo lado esquerdo. “Where’s the fucking Crosby?”, disse ele, ao não ver o colega no palco. Sorte que o ex-Byrds logo voltou e ficou tudo por isso mesmo.
Graham Nash, por sua vez, é aparentemente o mais simpático, e sem dúvida quem está em melhor forma física, fato ressaltado por seu visual (camiseta preta básica e jeans) e pelo fato de cantar descalço, o que não o impediu de dar umas corridas pelo palco bem elogiáveis.
Se estava meio rouco, Stills deu um banho de categoria em seu desempenho como músico. Dos vários violões e guitarras que tocou durante o show, minha favorita foi a guitarra modelo strato na cor verde limão. Linda, e da qual ele tirou sons simplesmente arrepiantes e virulentos, especialmente em Bluebird.
Veja o clipe de Almost Gone (The Ballada Of Bradley Manning):
Às 22h05 da noite de 10 de maio de 2012, um bela quinta-feira, o meu sonho de ver ao vivo um show de Crosby, Stills & Nash começava a se tornar realidade. Às 00h57 desta sexta (11), tudo estava consumado. Valeu a pena esperar tantos anos para enfim apreciar essa lendária banda em cena.
Desde o princípio, com Carry On/Questions (faixa de abertura do sublime álbum Dèja Vú, de 1970), ficou claro que a noitada no palco da Via Funchal em São Paulo seria mesmo inesquecível. Razões não faltaram para isso.
A banda de cinco músicos que acompanha o trio que encantou Woodstock em 1969, por exemplo, provou estar à altura da missão. James Raymond (teclados e vocais) é filho de Crosby e parceiro do pai e do guitarrista Jeff Pevar no grupo CPR, do qual, por sinal, o baterista Steve Distanislao também participou. Alias, ele é o batera que tocou com David Gilmour (ex-Pink Floyd) no álbum On An Island e na sua respectiva tour, nos idos de 2005/2006.
Shane Fontayne (guitarra) já tocou com Bruce Springsteen e outros cobras da música, enquanto Kevin McCormick (baixo) trabalhou durante anos com Jackson Browne, grande nome do folk-country rock americano. O tecladista Todd Caldwell, que gravou e fez shows com Stephen Stills em sua carreira solo, completa bem o time.
Já passando dos 70 anos, David Crosby e Graham Nash impressionaram pela qualidade de suas vozes, que continuam tão boas como nos velhos e bons anos 60, 70 e 80. O desempenho deles individualmente em Almost Cut My Hair (Crosby) e Cathedral (Nash) e em dupla em Guinevere comprovou esta afirmação de forma contundente.
O “fraldinha” do trio, Stills (aod 67 anos), estava com níticos problemas na garganta, o que o impediu de ter um desempenho perfeito nos vocais, mas o respaldo e o apoio dos colegas o ajudou a segurar a onda. Como guitarrista, no entanto, o ex-integrante do Buffalo Springfield se mostrou encapetado, extraindo solos vigorosos de suas várias guitarra e violões. Ele provou que ninguém recebe o apelido Captain Manyhands por acaso.
O repertório do show, que foi dividido em duas partes de aproximadamente 1h15 cada, mesclou grandes sucessos como Marrakesh Express, Wooden Ships, Teach Your Children e Love The One You’re With a canções inéditas como as belíssimas In Your Name (da Nash) e Radio (de Crosby), além de pérolas resgatadas do repertório deles como Lay Me Down e um cover certeiro de Girl Of The North Country, de Bob Dylan.
A interpretação fantástica de Dèja Vú, com direito a solos inspirados de todos os músicos, o desempenho impactante de Stills solando em Bluebird (do Buffalo Sprinfield), a delicadeza arrepiante de Guinevere (na qual Nash e Crosby tinham apenas o violão de Crosby no acompanhamento ibstrumental) e o trio no esquema violão (Stills) e vozes (o trio) mergulhando na épica Suite: Judy Blue Eyes nunca mais sairão da minha lembrança.
Set List do show de Crosby, Stills & Nash na Via Funchal em 10 de maio de 2012:
A cantora Carrie Underwood desbancou o ex-White Stripes Jack White do topo da parada americana. Blown Away, seu quarto álbum, estreou nos charts ianques direto no primeiro lugar, vendendo 267 mil cópias na última semana.
Carrie venceu a quinta edição do reality show American Idol, realizada em 2005, e rapidamente se consolidou como uma das grandes estrelas da música country americana.
Esta é a terceira vez que a louríssima intérprete abocanha a liderança da parada do seu país. Os trabalhos anteriores que conseguiram essa façanha foram Carnival Ride (2007) e Play On (2009). A moça completou 29 anos no dia 10 de março.
O segundo posto da parada da Billboard ficou nas mãos de Little Broken Hearts, da cantora e compositora Norah Jones, com 110 mil cópias comercializadas. A coletânea Now 42, que inclui hits atuais dos principais nomes da música pop, estreou em terceiro lugar, com 95 mil cópias vendidas.
Adele, com seu álbum 21, ocupa agora a quarta posição, com 77 mil cópias. No entanto, os analistas da Billboard preveem que a estrelinha britânica pode voltar ao número 1 na próxima semana, devido ao fato de não estar previsto o lançamento de nenhum álbum novo de campeões de vendas.
Se isso ocorrer, será a semana de número 24 da intérprete de Someone Like You no comando da parada da terra de Barack Obama.
Completam o top 10 dos EUA nesta semana: 5- Strange Clouds - B.o.B (76 mil cópias), 6- Tuskegee – Lionel Richie (64 mil cópias), 7- Blunderbluss - Jack White (56 mil cópias), 8- - Up All Night - One Direction (45 mil cópias), 9- Smash - Original Soundtrack (39 mil cópias) e 10- Born Villain - Marilyn Manson (38 mil cópias).
Arthur Verocai tem um daqueles currículos invejáveis. O cantor, compositor, músico, maestro e arranjador carioca já trabalhou com nomes do naipe de Ivan Lins, Jorge Ben Jor, Erasmo Carlos, Gal Costa, Célia, MPB-4, Marcos Valle, Marlene e inúmeros outros.
Nascido no Rio em 17 de junho de 1945, Verocai iniciou sua trajetória musical em meados dos anos 1960, e teve a honra de ver uma de suas composições, Um Novo Rumo, defendida em um festival universitário por ninguém menos do que Elis Regina no ano de 1968.
Em 1972, ele lançou seu primeiro álbum solo, autointitulado. Na época, o disco, que oferecia uma belíssima e original fusão de MPB, soul, jazz e muito mais, obteve pouquíssima repercussão, o que levou Verocai a aos poucos deixar o cenário da música popular, dedicando-se aos jingles publicitários.
No início dos anos 90, no entanto, o público internacional, especialmente o europeu e o japonês, descobriu essa verdadeira relíquia, que não só virou um dos discos mais valiosos da MPB como também foi sampleado por artistas como o astro do rhythm and blues americano Ludacris em seu hit Do The Right Thang, de 2006.
A repercussão de Arthur Verocai, o álbum, também lhe valeu o convite para um concerto realizado nos EUA em 2009 no qual apresentou as faixas do disco e outras, em esquema luxuoso com direito a 30 músicos e gravação em DVD.
Graças à iniciativa do ex-titã Charles Gavin, enfim esse trabalho mitológico volta ao mercado fonográfico, nos formatos CD e vinil e disponível apenas nas lojas da Livraria Cultura, que bancou o projeto com exclusividade.
Nesta entrevista feita por e-mail por Mondo Pop, Verocai nos fala um pouco sobre sua carreira, projetos etc.
Mondo Pop – Como foi que a música entrou na sua vida? Sua família tem tradição musical? E quais artistas você ouvia em sua infância/adolescência? Qual a origem do seu sobrenome? Arthur Verocai - Meu bisavô, Aniceto Verocai, imigrou da Itália(mais precisamente de Cortina d’Ampezo) para o Brasil em 1881. Minha casa sempre tinha música e instrumentos como violão, gaita cavaco e flautas caseiras. Ouvia muitos discos de vários estilos e também a Rádio Nacional, sendo que depois veio a TV.
Mondo Pop- Você teve a música Um Novo Rumo defendida por Elis Regina em um festival no Rio em 1968. Como foi esse contato com ela, e como você avalia a importância da Pimentinha, que nos deixou há 30 anos? Arthur Verocai - Elis foi “apenas” a maior intérprete da música brasileira de todos os tempos. Foi uma honra e muita felicidade ter uma canção interpretada por ela. O festival foi realizado pela TV Tupi, que na época tinha Elis como sua contratada. Deram as quatro músicas mais votadas na fase de seleção para ela escolher e tive a sorte de ela ter optado por Um Novo Rumo.
Mondo Pop – Você participou de forma decisiva dos primeiros discos de Ivan Lins, tendo feito arranjos, tocado e até composto em parceria com ele. Como e quando você conheceu o Ivan, e qual a importância dessa parceria para a sua carreira? Arthur Verocai - Naquele tempo havia um encontro da galera musical, gerando um intercâmbio muito bom. Já estava fazendo arranjos na gravadora Philips do Brasil (n.da r.:hoje, Universal Music) quando eu e o produtor e meu parceiro musical Paulinho Tapajós chamamos o Ivan para fazer seu primeiro disco, o Agora (1970).
Mondo Pop – Quando surgiu o convite para a gravação do seu primeiro disco solo, você já era uma espécie de jovem veterano aos 27 anos, pois já havia trabalhado com muita gente do primeiríssimo escalão da MPB. Já havia ocorrido algum convite anterior para gravar um trabalho seu ou esse foi o primeiro? Arthur Verocai: A gravadora Continental (n.da.r: hoje seu acervo faz parte da gravadora Warner Music) foi quem fez o primeiro convite.
Mondo Pop – Oito das dez músicas de Arthur Verocai (o disco) foram escritas por você em parceria com Vitor Martins. A Célia já havia gravado músicas de vocês. Como e quando vocês se conheceram, quantas músicas vocês escreveram juntos e qual a importância dessa parceria para a sua carreira? É verdade que você apresentou o Vitor ao Ivan Lins? Arthur Verocai - A Minha parceria com o Vitor Martins é anterior à dele com o Ivan. Quando fomos gravar o disco Modo Livre (1974), que marcou a estreia do Ivan na RCA (n.da r.: cujo acervo hoje pertence à Sony Music), o Vitor era diretor artístico daquela gravadora e dei a maior força para a nova parceria, que começou justamente naquele disco com a música Abre Alas.
Mondo Pop – O LP Arthur Verocai contou com a participação de inúmeros músicos do primeiro escalão. Deve ter sido um disco caro em termos de produção. A gravadora topou essa estrutura para gravar o álbum logo de cara? E como foi a seleção desses músicos? Pergunto isso pelo fato de você ter dado espaços generosos para os músicos que participaram do seu trabalho, sem apontar todos os holofotes para si próprio. Arthur Verocai - Quando recebi o convite da Continental, minha única exigência foi a de ter liberdade total para gravar o meu disco do jeito que eu quisesse. Eles toparam logo de cara, e aí escolhi os músicos que poderiam se encaixar naquele trabalho.
Mondo Pop – Quando o disco saiu, como foi o esforço da então Continental para divulgar o trabalho? Você fez shows para divulga-lo, deu entrevistas, saiu alguma crítica em jornais e revistas? Arthur Verocai – A gravadora não fez nenhum esforço e não fiz nenhum show para divulgá-lo. Houve uma crítica publicada no JB (Jornal do Brasil) assinada pelo Júlio Hungria.
Mondo Pop – Como você ficou visto no meio musical após o lançamento deste álbum? Diminuiram os convites para participar de outros trabalhos como músico, arranjador etc? Rolou algum tipo de preconceito por não ter sido um disco campeão de vendagens? Arthur Verocai - Fiquei um pouco de mãos atadas para escrever novas canções e arranjos, uma vez que o que gostava de fazer não se enquadrava no mercado fonográfico da época.
Mondo Pop – Gostaria que você falasse um pouco de como foi o seu trabalho no mercado de jingles publicitários e de como foi que você entrou nessa área. Como avalia essa experiência, quais foram os mais conhecidos, se esse trabalho te proporcionou sobreviver dignamente. Arthur Verocai - Cofrinho da Delfim (divulgando a caderneta de poupança da hoje instinta instituição bancária Delfim), Fanta Laranja, dois jingles para a Petrobrás das copas do mundo de futebol de 1990 e 1994 etc. Criei meus filhos com a música que fiz para a publicidade muito bem, obrigado.
Mondo Pop – Quando e como você descobriu pela primeira vez que o seu primeiro disco solo estava sendo alvo de um culto no exterior? Isso te surpreendeu? Arthur Verocai - Foi na década de 1990, e fiquei surpreso.
Mondo Pop – Quando foi lançado, o álbum Clube da Esquina também foi inicialmente rejeitado por público e crítica. Alguns anos depois, o próprio Milton Nascimento afirmou que esse disco tinha ido “de porcaria a antológico” (palavras dele) na opinião da crítica, sem negar o seu ressentimento em relação a essa reação negativa inicial. Como você encarou a pouca repercussão de seu primeiro disco? Imaginava que um dia esse quadro se alteraria, como de fato se alterou? Arthur Verocai - Não poderia imaginar.
Mondo Pop – Antes de ser relançado no Brasil, seu disco de estreia foi lançado no exterior, e trechos de suas músicas foram sampleados por artistas como Ludacris. Você recebe royalties por isso? Arthur Verocai - ——- (n.da.r: uma forma delicada de dizer que certamente ele não recebeu nada…)
Mondo Pop – Onde foi feita a foto da belíssima capa de seu disco de estreia, em 1972? Arthur Verocai - Esta casa ficava pertinho da minha casa aqui no Humaitá, no Rio. Era uma gráfica do tempo do Império, e estava abandonada naquela época. Foi o fotógrafo Fernando Bergamaschi quem me levou até lá e fez a foto.
Mondo Pop -Fale sobre os seus próximos projetos-shows, discos, DVDs etc Arthur Verocai - Pretendo realizar um concerto para violão e orquestra já escrito por mim, além de gravar um novo album DVD.