Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

João Marcello Bôscoli realiza um talk show baseado em Elis e Eu

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Por Fabian Chacur

Em 2019, João Marcello Bôscoli lançou o livro Elis e Eu, baseado nos 11 anos, seis meses e 19 dias em que conviveu com a sua mãe, ninguém menos do que Elis Regina. Com boa repercussão, a publicação agora gera um novo projeto. Trata-se de um talk show, no qual o produtor, músico e executivo de gravadora nos mostra de forma audiovisual o conteúdo de sua obra. Ele estará em São Paulo no palco do Bourbon Street Music Club (rua dos Chanés, nº 127- Moema- fone 0xx11-5095-6100) neste domingo (25) às 20h30, com ingressos custando de R$ 90,00 a R$ 100,00.

Embora tenha perdido a mãe quando ainda era criança, João Marcello guarda memórias bem interessantes do convívio com ela, o que ele mostrará em seu talk show com pouco mais de uma hora de duração valendo-se de trechos de vídeos, fotografias e objetos como forma de ilustrar essas recordações sobre uma das maiores cantoras não só da história da nossa música popular, como certamente do mundo como um todo. Inesquecível.

Em sua carreira, João Marcello Bôscoli foi o principal dirigente da gravadora Trama, da qual foi um dos fundadores, além de ter atuado em diversos projetos culturais relevantes. Ele também lançou o que definiu na época como um “disco de produtor”, o ótimo João Marcello Bôscoli (1995-Sony Music), que emplacou o swingado hit Flor do Futuro e contou com participações de Cláudio Zoli, Wilson Simoninha, Max de Castro e outros.

Flor do Futuro– João Marcello Bôscoli & Cia:

Kleiton & Kledir e MPB-4 gravam juntos a bela canção Paz e Amor

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Por Fabian Chacur

Kleiton & Kledir e o MPB-4 mantém há quatro longas décadas uma amizade que se mostra mais do que consolidada. Os irmãos gaúchos receberam grande apoio do consagrado grupo vocal no início de sua trajetória como dupla, fazendo shows com eles e inclusive compondo a canção que deu título a um dos álbuns de maior sucesso do quarteto, o inesquecível Vira Virou (1980). Essa parceria ganha um novo item, Paz e Amor, faixa distribuída nas plataformas digitais pela Biscoito Fino.

A composição dos irmãos Ramil traz como tema a esperança de que logo possamos viver tempos mais esperançosos e menos sombrios. Com acompanhamento basicamente acústico, traz arranjo de Kleiton para uma bela performance das seis vozes envolvidas. O clipe conta com direção de Tiago Arakilian, que vive atualmente em Paris e em cujo currículo figuram o filme Antes Que Eu Me Esqueça e a série internacional Kids And Glory.

Todas as imagens foram captadas por celulares, e mesclam imagens dos músicos participantes com imagens de fachadas, horizontes e do céu, com um resultado dos mais eficientes para ilustrar essa verdadeira profissão de fé na crença de que ainda vale a pena acreditar e pregar paz e amor.

Paz e Amor (videoclipe)- Kleiton & Kledir e MPB-4:

Pearl Jam lança música inédita em single e álbum beneficente

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Por Fabian Chacur

Sete meses após lançar Gigaton, seu primeiro álbum de inéditas em sete anos, o Pearl Jam se mostra com a inquietude habitual e nos oferece uma nova canção. Trata-se de Get It Back, um rock dos mais competentes, como é a praxe da banda americana liderada por Eddie Vedder. A música já está disponível nas plataformas digitais em geral, e sua origem é das mais nobres.

A faixa foi incluída na coletânea Good Music To Avert The Collapse Of American Democracy Volume 2, lançada no dia 2 de outubro, disponível por apenas 24 horas e com o objetivo de arrecadar fundos para o projeto Voting Rights Lab, cujo objetivo é garantir o direito de voto a todos os cidadãos dos EUA. O álbum também incluiu faixas inéditas de David Byrne, Mark Ronson, Feist, Arcade Fire e Yoko Ono Plastic Ono Band.

Get It Back– Pearl Jam:

Edna Wright, do Honey Cone, feminista sem perder o swing

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Por Fabian Chacur

Edna Wright nos deixou no último dia 12 de setembro, aos 76 anos. Em uma época na qual as mulheres lutam cada vez mais por seus direitos em um mundo ainda predominantemente machista, é sempre bem-vindo relembrar o trabalho de uma cantora e compositora que figura entre as pioneiras nessa direção, em termos musicais. A integrante do grupo Honey Cone e intérprete de poderosos libelos feministas como Want Ads não merece ser esquecida. Então, lá vamos nós, em uma viagem aos anos de ouro desta importante artista negra norte-americana.

Nascida em 1944, Edna é a irmã mais nova de outra cantora do primeiro escalão, Darlene Love, conhecida por seus trabalhos ao lado do produtor Phil Spector. Filha de um pastor evangélico, ela deu seus primeiros passos como cantora atuando em corais de igreja. Nessa área, fez parte do grupo gospel The COGIC (Church Of God In Christ). Com o apoio de Darlene, participou de trabalhos com Spector, e em 1964 foi a vocalista principal do single pop Yes Sir That’s My Baby, creditado a Haze And The Hushabyes, projeto que incluía Brian Wilson, Sonny & Cher e Jackie DeShannon.

Com o pseudônimo Sandy Wynns, a cantora lançou alguns singles entre 1965 e 1967, entre os quais um pequeno hit, A Touch Of Venus. Além disso, participou de gravações de Ray Charles, The Righteous Brothers e Johnny Rivers. Ela também eventualmente marcava presença no grupo vocal de sua irmã, The Blossoms, e fez amizade com outras duas cantoras, Shelly Clark, que foi uma das Ikettes de Ike & Tina Turner, e Carolyn Willis.

Em meados de 1968, Darlene Love não tinha como cumprir o compromisso de se apresentar no programa de TV do cantor Andy Williams, e pediu para que Edna a substituísse. Ela não só aceitou o convite como resolveu levar Shelly e Carolyn junto com ela. Um amigo de Edna, o famoso compositor Eddie Holland, conhecido pelas canções que escreveu ao lado do irmão Brian Holland e de Lamont Dozier para grupos como The Four Tops e The Supremes, viu a performance das meninas, e ficou entusiasmado.

Naquele momento, Holland-Dozier-Holland estavam saindo da Motown Records, onde trabalhavam, para montar seu próprio negócio, os selos Hot Wax e Invictus, e perceberam que as três garotas insinuantes e boas de voz poderiam ser as Supremes ou Martha And The Vandellas de seu novo empreendimento. Convite feito, convite aceito, mesmo que as meninas não tenham ficado muito contentes com o nome com que H-D-H batizaram o grupo: Honey Cone.

Como não podiam assinar novas músicas com seus nomes por causa de uma batalha jurídica com sua antiga empregadora, H-D-H passaram a usar como “laranja” o nome de um de seus colaboradores, Ronald Dunbar, em uma parceria de fachada com uma certa Edyth Wayne que na verdade não existia. Mas, embora o Honey Cone tenha gravado várias músicas de “Dunbar-Wayne”, foram outros os compositores que criaram os hits para o trio.

Um deles deles foi General Johnson, cantor de outro grupo da Hot Was-Invictus, o Chairman Of The Board, de hits como Give Me Just a Little More Time. Seu parceiro nessas canções, o músico Greg Perry, acabou virando o parceiro de vida de Edna, casando-se com ela. Absorvendo o clima feminista da época, eles criaram canções sacudidas com letras nas quais as meninas não se submetiam à tirania masculina, propondo relações afetivas mais justas.

O primeiro single do trio, While You’re Out Looking For Sugar, saiu em 1969, seguido pouco depois pelo álbum de estreia, Take Me With You (1970). A repercussão foi apenas mediana, mas a semente parecia promissora, e H-D-H sacaram que deviam continuar investindo nas meninas. Valeu a pena, e como!

Em 1971, o feminismo empoderado entrou com força total nas paradas de sucesso, e um dos precursores dessa nova vertente musical foi o single Want Ads (ouça aqui), do Honey Cone. Com seu balanço contagiante e uma letra que propunha colocar um anúncio nos classificados de jornal para encontrar substituto para um namorado vacilão, o single com essa faixa chegou ao número 1 na parada pop americana e também na de r&b, destronando nada menos do que Brown Sugar, dos Rolling Stones (simbólico demais!) e vendendo mais de um milhão de cópias.

Sweet Replies (1971), o álbum que traz Want Ads, atingiu o nº 137 entre os álbuns pop e nº 15 nos de r&b. Uma curiosidade: a marcante guitarra-base de Wants Ads foi gravada por um então adolescente Ray Parker Jr., que depois faria fama com o grupo Raydio e em carreira-solo (Ghostbusters e muito mais). Animada com o sucesso, a gravadora Hot Wax resolveu não perder tempo, partindo rapidamente para o lançamento de um novo LP.

Naquele mesmo 1971, Soulful Tapestry chegava às lojas, com faixas inéditas e trazendo os dois hits do trabalho anterior como faixas-bônus, Want Ads e The Day I Found Myself (chegou ao 23º lugar na parada pop, ouça aqui). O álbum chegou ao nº 72 na parada pop e ao 15º no chart de r&b.

Uma das inéditas bateu forte por lá e também aqui no Brasil. Trata-se de Stick Up, petardo dançante que liderou a parada de r&b e atingiu o 15º posto na parada pop, também ultrapassando a marca de um milhão de singles vendidos. Essa faixa e outra de Soulful Tapestry, Don’t Count Your Chickens (ouça aqui) foram incluídas na trilhas sonora internacional da novela global O Primeiro Amor (1972). Outro hit foi One Monkey Don’t Stop No Show Parts 1 & 2 (ouça aqui)

O céu era o limite para essas garotas incríveis? Infelizmente, não. Por problemas de administração, as gravadoras de H-D-H tiveram sérias dificuldades para repetir o sucesso dos lançamentos anteriores, e isso explica o fracasso do 4º álbum do Honey Cone, Love, Peace & Soul (1972), que não passou do nº 189 na parada pop e do nº 41 na de r&b, com o ótimo single Innocent ‘Til Proven Guilty (ouça aqui) fracassando nas paradas.

Aí, Carolyn Willis, insatisfeita com os rumos com o trio estava percorrendo naquele momento, preferiu sair fora. E, logo a seguir, Edna e Shelly decidiram dar um fim ao grupo, em 1973. Em 1976, a Hot Wax tentou reviver a marca Honey Cone com outras cantoras, entre elas Shanon Cash, mas o single lançado, Somebody Is Always Messing Up A Good Thing, foi ignorado pelo público, e essa tentativa ficou por aí.

Willis, que era a arranjadora vocal do grupo, participou do hit Get Closer, da dupla Seals & Crofts, participou das bandas de apoio de artistas do porte de Neil Diamond, Carly Simon e Boz Scaggs e gravou jingles para empresas de grande porte. Por sua vez, Shelly se casou em 1980 com Verdine White, baixista do Earth, Wind & Fire, e passou a trabalhar em produção de programas de TV e em empresas de assessoria de celebridades.

Em 1977, Edna Wright foi contratada pela gravadora RCA, e lançou seu primeiro (e, infelizmente, único) álbum solo, Oops! Here I Go Again (ouça aqui ). Nele, ela mostrou o seu lado compositora, escrevendo as sete canções em parcerias com o marido Greg e também com Angelo Bond e Terrance Harrison. O disco é bem legal, mas fracassou em termos comerciais. Sua espetacular faixa título é cultuada pelos fãs de r&b dançante, e foi resgatada em 2009 na maravilhosa coletânea Rare Groove- The Master Series, lançada pela Sony Music inclusive no Brasil. Ray Parker Jr. também participa deste álbum.

A partir dali, Edna largou mão da carreira individual e passou a trabalhar como vocalista de apoio, trabalhando com nomes do porte de U2, Whitney Houston, Aaron Neville, Kim Carnes, Cher, Mike Love (dos Beach Boys) e Annie Lennox, entre outros. Em 2014, Edna e Shelly Clark reviveram o Honey Cone, com Melody Perry (filha de Edna) na vaga de Carolyn, para dois shows durante o cruzeiro marítimo Soul Train Cruise.

A música do Honey Cone continuou e continua cultuada pelos fãs de r&b e soul, e foi sampleada por outros artistas em algumas ocasiões. Kanye West, por exemplo, sampleou Innocent ‘Til Proven Guilty para criar a sua composição Testify, que ele produziu para o astro do r&b Common em 2005. Edna faz uma rápida aparição no clipe que divulgou Testify.

Por sua vez, o grupo de hip hop De La Soul sampleou Oop! Here I Go Again, do único disco solo de Edna Wright, na sua música Pass The Plugs, faixa incluída no segundo álbum do trio, De La Soul Is Dead (1991).

Ao lado de Jean Knight, Betty Wright (que infelizmente também nos deixou este ano) e Freda Payne, Edna figura entre as pioneiras do som feminino “empoderado”, e não pode ser esquecida nem pelas feministas, nem por quem gosta de dançar e menos ainda pelos fãs de soul music.

Stick Up– Honey Cone:

Stevie Nicks lança single e clipe incentivando o americano a votar

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Por Fabian Chacur

A eleição presidencial americana de novembro poderá definir os rumos do mundo nos próximos quatro anos, sendo uma das mais importantes dos últimos tempos. Como por lá o voto é facultativo, uma das questões que se impõem é incentivar as pessoas a exercerem seu direito democrático. Esse é o objetivo de Show Them The Way, canção composta por Stevie Nicks em parceria com o produtor Greg Kurstin (trabalhou com Adele, Paul McCartney, Beck e inúmeros outros) que a cantora do Fleetwood Mac acaba de lançar.

O clipe, dirigido pelo consagrado diretor Cameron Crowe (Quase Famosos), traz uma reunião de imagens de líderes progressistas americanos desde a década de 1960, entre os quais Martin Luther King, Barack Obama e John F. Kennedy, com direito a registros dos protestos realizados este ano, além de algumas aparições de Stevie e cartazes com os dizeres “November Is Coming” e “Vote”.

A canção é um rock típico dessa grande cantora e compositora americana, e conta com as participações na parte instrumental do produtor Kurstin (baixo, teclados, guitarra e percussão), Dave Grohl (bateria, do Foo Fighters e Nirvana) e Dave Stewart (guitarra, ex-Eurythmics). Todos os lucros obtidos com o single serão doados à associação MusiCares, conhecida pelos shows beneficentes que promove homenageando grandes nomes da música.

Show Them The Way (clipe)- Stevie Nicks:

John Cale lança seu primeiro single inédito em quatro anos

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Por Fabian Chacur

Em meio a tantos obituários e notícias ruins, é de se comemorar o fato de John Cale, ex-Velvet Underground e um dos nomes mais importantes da história do rock, lançar o seu primeiro single em quatro anos. Aos 78 anos, o cantor, compositor e músico galês radicado desde os anos 1960 nos EUA nos oferece a densa Lazy Day, uma canção hipnótica divulgada por um envolvente videoclipe dirigido por Abby Portner.

Como muitos outros artistas, Cale foi pego de surpresa quando estava finalizando um novo álbum, ainda sem previsão de lançamento. Em comunicado enviado à imprensa, o artista explica a situação e fala sobre sua nova canção, desde já um dos lançamentos mais interessantes desse sombrio 2020:

“Eu estava tão pronto para finalmente lançar meu novo álbum; trancos e barrancos e então o maldito 2020 aconteceu! Muito a dizer nestes tempos ”, diz Cale. “O contexto é tudo e 140 caracteres não vão bastar! Como compositor, minha verdade está toda ligada a essas canções que devem esperar um pouco mais. E então me ocorreu que eu tenho algo para o momento, uma música que eu terminei recentemente… Com o mundo saindo de sua órbita, eu queria parar a guinada e desfrutar de um período em que podemos tomar nosso tempo e respirar nosso caminho de volta para um mundo mais calmo.”

Lazy Day (clipe)- John Cale:

Johnny Nash, o americano que ajudou a popularizar o reggae

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Por Fabian Chacur

Chega a ser irônico o fato de que, em um ano tão duro e cinza como este sofrido 2020, o autor de um dos hinos mais solares referentes à esperança de se ver um tempo melhor enfim chegar nos deixe. Trata-se do cantor, compositor, produtor e ator americano Johnny Nash, que se foi nesta terça (6) aos 80 anos de idade. Sua canção mais conhecida, I Can See Clearly Now, é uma dessas injeções de ânimo musicais que nunca sairão de moda.

John Lester Nash Jr. nasceu em Houston, Texas, no dia 19 de agosto de 1940, e deu início ao seu envolvimento com a música cantando em igrejas. Ainda adolescente, aos 17 anos, lançou o seu primeiro single, A Teenager Sings The Blues (1957). Sua gravação de A Very Special Love, em 1958, valeu um respeitável 23º lugar na parada americana. Em 1959, gravou ao lado de Paul Anka e George Hamilton IV The Teen Commandments, que proporcionou ao trio um 29º lugar entre os singles mais vendidos na época.

Nash estrelou como ator o filme Take a Giant Step (1959), que lhe valeu muitos elogios e até mesmo uma premiação. Embora tenha atuado outras vezes nos anos seguintes, ele preferiu se dedicar com mais afinco à música. Em 1965, criou com o manager Danny Sims o selo Joda. Pouco depois, foi à Jamaica e ficou apaixonado pela música local, especialmente pelo rocksteady, ritmo pop que resolveu tentar divulgar nos EUA.

Lá pelos idos de 1967, montou uma nova gravadora, a JAD, e nessa época começou uma parceria artística com o então iniciante grupo The Wailers, que gravou alguns discos com ele. O líder dessa banda, um certo Bob Marley, de quebra comporia várias músicas que Nash registraria ele próprio.

Em 1972, Johnny Nash assinou com a gravadora Epic, e se deu bem ao lançar o single I Can See Clearly Now (ouça aqui). Acompanhado pela banda jamaicana The Fabulous Five Inc, ele captou o espírito do então emergente reggae e o misturou com elementos de soul e pop. Acertou na mosca, chegando ao topo da parada americana de singles e vendendo mais de um milhão de cópias desse compacto.

O álbum que lançou a seguir, intitulado I Can See Clearly Now, trouxe quatro composições de Bob Marley: Guava Jelly, Comma Comma, You Poured Sugar On Me e Stir It Up. Esta última também saiu em single e foi o seu segundo maior sucesso, chegando ao 12º posto nos EUA e se tornando o primeiro hit internacional escrito pelo mestre do reggae, que a regravaria e a incluiria em seu primeiro álbum pela Island Records, Catch a Fire (1973).

A partir daí, Nash teria dificuldades em replicar hits tão significativos, e passou a gravar de forma muito mais esparsa, praticamente sumindo de cena depois de lançar o álbum Here Again (1986). I Can See Clearly Now, no entanto, continuou lhe rendendo frutos. Jimmy Cliff a regravou em 1993 para a trilha do filme Jamaica Abaixo de Zero (Cool Runnings, 1993) e chegou ao 18º posto nos EUA.

Outras releituras de I Can See Clearly Now foram feitas por Ray Charles, The Hothouse Flowers, Lee Towers e até mesmo a nossa Marisa Monte. Essa música volta e meia é usada em comerciais de TV, incluindo uma campanha televisiva recente no Brasil. Que sua mensagem positiva se torne realidade em breve.

Stir It Up– Johnny Nash:

Eddie Van Hallen, 65, o mago da guitarra e do sorriso contagiante

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Por Fabian Chacur

50 anos após a sua morte, ocorrida em 18 de setembro de 1970, a obra de Jimi Hendrix continua sendo celebrada e se mantém relevante. Boa parte de nós não estará por aqui para confirmar esta minha previsão (eu, certamente, não), mas posso garantir que em 2070 o trabalho de um certo Edward Van Halen merecerá o mesmo tratamento, e se manterá tão influente e necessária como agora. Portanto, nada mais triste do que dar adeus a esse grande músico e compositor, que nos deixou nesta terça-feira (6), vítima de um câncer contra o qual lutou durante muito tempo.

A despedida do guitarrista e líder do Van Halen, um dos mais importantes e bem-sucedidos grupos de rock de todos os tempos, foi confirmada em uma rede social de alcance mundial por seu filho, Wolfgang, que há algum tempo ocupava a vaga de baixista ao lado do pai.

Nascido em 26 de janeiro de 1955 na Holanda, ele e o irmão mais velho, Alex, vieram com os pais para os EUA quando ainda eram crianças, para a cidade de Pasadena, California. E foi por lá que eles criaram sua própria banda de rock, nomeada com o seu sobrenome, e cuja primeira formação clássica incluía Eddie na guitarra, o sólido Alex na bateria, o eficiente Michael Anthony no baixo e o carismático vocalista David Lee Roth no vocal.

Logo em seu disco de estreia, autointitulado, lançado em 1978, o quarteto mostrou que não estava para brincadeiras. A faixa de abertura, Running With The Devil, um rockão ardido e poderoso, já mostrava a força de seu som, com direito a um refrão matador, vocais vibrantes e a intervenções de guitarra de Eddie absurdamente personalizadas e com uma técnica absurda. A instrumental Eruption rapidamente se tornou clássica para os aprendizes de guitarra rock.

Embora com muito peso e rebeldia, o Van Halen trazia também em seu DNA um apelo pop, traduzido em refrãos fortes, boas melodias e releituras bem selecionadas de clássicos de outras eras do rock. O resultado: cada novo disco vendia mais do que os anteriores, e cada nova turnê levava mais público. O Van Halen conseguia atrair as atenções não só dos headbangers, mas também dos roqueiros mais tradicionalistas e de fãs de pop.

De quebra, a presença de palco do quarteto os ajudou a cativar o público, especialmente a irreverência do vocalista David Lee Roth e o eterno sorriso de Eddie, que tocava os solos mais difíceis e intrincados como se estivesse tocando as passagens mais banais de guitarra.

A aproximação do grupo com o público pop se intensificou por tabela quando Eddie participou do álbum Thriller (1982), fazendo o espetacular solo de guitarra do rockão Beat It. No início de 1983, a banda tocou no Brasil, durante a turnê de seu quinto álbum, Diver Down. Os sortudos que puderam conferir esse show, entre os quais infelizmente não me incluo, não se esquecerão jamais.

O álbum 1984, que saiu em janeiro de 1984, marcou o primeiro auge do grupo, com o estouro dos singles Jump (atingiu o topo da parada americana nesse formato) e Panama e atingindo o segundo posto da parada pop ianque. Aí, pouco depois, David Lee Roth resolveu sair fora.

Sem baixar a cabeça, a banda apostou no já veterano Sammy Hagar para assumir a vaga de Roth, e logo na estreia da nova formação em disco, 5150 (1986), chegou ao topo da parada americana de álbuns, a primeira das cinco vezes em que conseguiu atingir essa cobiçada posição.

Sempre sob o comando de Eddie, o grupo soube como poucos mesclar o poder do rock pesado com o apelo pop de boas melodias e canções mais comerciais. Há quem prefira a banda com Hagar nos vocais. Outros curtem mais David Lee Roth. No entanto, ninguém discute o fato de o guitarrista-solo ser o cara que ajudou a banda a ganhar uma cara própria e a desafiar os limites da criatividade.

Durante seus 65 anos de vida, Eddie teve de lutar contra o alcoolismo e o excessivo consumo de drogas, mas ainda assim conseguiu viver mais do que o dobro do que Hendrix, um de seus ídolos e evidente influência no seu som. Eles nos deixa uma discografia repleta de grandes momentos, e hits como Jump, Panama, You Really Got Me, Dance The Night Away, Why Can’t This Be Love, When It’s Love e Finish What Ya Started, só para citar alguns.

Running With The Devil– Van Halen:

Janis Joplin, 27 anos, a bela voz que não era mesmo desse mundo

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Por Fabian Chacur

Pearl foi um dos grandes álbuns lançados no ano de 1971. Manteve-se por longas nove semanas no topo da parada americana, e conquistou o público do mundo todo. Era o atestado pleno da maturidade de uma grande intérprete, que havia conseguido dosar toda a sua garra sem no entanto perder a emoção, jamais. Pena que a protagonista desse trabalho exemplar já não estivesse mais entre nós. Janis Joplin nos deixou em 4 de outubro de 1970, mas seu legado, 50 anos depois, permanece aí, firme e forte. A mais preciosa das pérolas.

A incrível cantora e compositora nascida em Port Arthur, Texas, no dia 19 de janeiro de 1943, saiu de cena no exato dia em que iria colocar a voz na última faixa do álbum que estava gravando na época. O título dessa canção não poderia ser mais sinistro, levando-se em conta o que acabou acontecendo: Buried Alive In The Blues (enterrada no blues, em tradução livre). A gravação instrumental feita por sua banda acabou sendo escolhida para encerrar o lado 1 de Pearl.

Uma overdose de heroína a levou com apenas 27 anos. Só nos cabe especular sobre o que aconteceu naquele dia fatídico, mas tudo leva a crer que se tratou de uma triste fatalidade, e não de um suicídio. Parafraseando a maravilhosa letra de Bernie Taupin para a melodia de Elton John, Candle In The Wind, “parece para mim que ela viveu a sua vida como uma vela ao vento”. E, para tristeza de seus inúmeros fãs, o vento venceu a vela cedo demais.

Uma evidente razão pela qual Janis teve muita dificuldade para encontrar um equilíbrio que no fim das contas não conseguiu descobrir era uma contradição inerente a seu modo de ser. Uma espécie de bipolaridade, digamos assim. De um lado, tínhamos uma tímida e recatada garota caipira, cujo sonho era ter um marido que a amasse e que lhe proporcionasse filhos, um lar, felizes almoços e jantares…. Uma família nos moldes mais tradicionais.

Do outro, tínhamos uma garota irreverente, rebelde, carismática, fã de rock, blues e soul e com o nítido desejo de conquistar o mundo com uma voz incandescente e uma presença de palco cativante, disposta a superar e a vencer as rejeições e o machismo para ser “mais um dos rapazes”. Uma estrela incandescente, para iluminar a tudo e a todos com seu imenso talento.

Mas não existiram e ainda existem vários artistas que conseguiram conciliar esses dois extremos? Sim, mas não podemos nos esquecer de que estamos falando dos anos 1960, quando as mulheres ainda lutavam contra um posicionamento conservador que só admitia a elas um lugar secundário na sociedade. E algumas, entre elas Janis, lutavam contra uma espécie de “sentimento de culpa” por buscar fugir dos padrões tradicionalistas.

Seja como for, Janis, em seu curto tempo de vida, soube criar uma obra que se mantém relevante e deliciosa de se ouvir. E que, certamente, continuará atraindo novos fãs. Eu, por exemplo, a descobri no finalzinho da minha adolescência. Inicialmente, pensava se tratar de uma cantora “gritona” e folclórica no mau sentido, e não me animava a ir atrás de seus trabalhos.

Após ler sobre ela em várias revistas, especialmente a seminal Rock a História e a Glória, resolvi, entre 1980 e 1981, arriscar-me. Na extinta loja Sears do bairro paulistano do Paraíso (onde hoje temos um shopping), fiquei fascinado pela capa de Pearl e o comprei no escuro. Ao chegar em casa, pus a bolacha para tocar. E logo em sua primeira faixa, Move Over, já estava devidamente conquistado por ela. Ao chegar ao final do LP, queria mais, e mais, e mais doses daquela voz.

Em seu curto período de vida, a cantora texana passou por três fases distintas. A primeira ao lado do Big Brother And The Holding Company, grupo cujo vigor superava possíveis deficiências técnicas. Com eles, gravou o promissor Big Brother And The Holding Company (1967) e o empolgante Cheap Thrils (1968), este último com as avassaladoras Summertime, Ball And Chain e Piece Of My Heart.

Suas apresentações ao vivo deram a ela a chance de ampliar e muito o seu público, e ganhar fãs também entre seus colegas de profissão. Um dos momentos mais marcantes nesse sentido, flagrado no documentário sobre o Festival Monterey Pop em 1967, mostra Mama Cass, integtrante dos The Mamas & The Papas, boquiaberta na plateia e soltando um “uau!” ao vê-la interpretar de forma visceral Ball And Chain.

Influenciada pelo empresário Albert Grossman, resolveu sair do Big Brother junto com o guitarrista da banda, Sam Andrew, para montar uma banda com músicos mais tarimbados e com direito a sessão de metais. Nascia a Kozmic Blues Band, que a acompanhou no álbum I Got Dem Ol’ Kozmic Blues Again Mama! (1969), um bom trabalho, mas possivelmente um pouco contido demais, trazendo os hits Try (Just a Little Bit Harder), Maybe e One Good Man.

O segredo do que viria a ser Pearl foi exatamente o poder de síntese, mesclando a energia contagiante dos discos iniciais com a técnica mais apurada de Kozmic Blues. Um álbum nota 10 que parece coletânea, com direito a Me And Bobby McGee (que chegou ao número 1 nos EUA no formato single), Cry Baby, A Woman Left Lonely e My Baby, por exemplo.

A rigor, nenhum disco de Janis Joplin, incluindo aí os gravados ao vivo e os póstumos, pode ser descartado ou considerado inferior. Farewell Song (1982), por exemplo, com nove faixas registradas entre 1965 e 1970, encanta com maravilhas como Tell Mama e a fantástica One Night Stand, esta última uma balada daquelas de cortar os pulsos.

O fato é que Janis não deu conta de encarar o preço que o sucesso cobra de grandes talentos como ela. Em comum com a Pérola do Texas, Amy Winehouse também nos deixou aos 27 anos e também esteve no Brasil no início do ano em que nos deixou, 2011. Joplin nos visitou no início de 1970, causando furor no Rio de Janeiro e dando uma canja ao lado do hoje também saudoso Serguei.

Janis Joplin é audição essencial para qualquer fã de rock, e foi uma das responsáveis pela introdução do blues e da soul music para o público branco jovem daqueles anos 1960. Continua sendo referência e matéria obrigatória para quem deseja conhecer o melhor da música popular do século XX. Que tal ouvir Pearl agora mesmo?

Ouça Pearl, de Janis Joplin, em streaming:

Roxette lança clipe para divulgar o primeiro single de Bag Of Trix

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Por Fabian Chacur

Marie Fredriksson nos deixou no dia 9 de dezembro de 2019 com apenas 61 anos. Como forma de homenagear a cantora e compositora do Roxette, sairá até o final deste ano via Warner Music Bag Of Trix, uma reunião de material inédito do duo sueco que ela integrava ao lado do cantor, compositor e guitarrista Per Gessle. Trata-se de Let Your Heart Dance With Me, faixa inicialmente cogitada para o último álbum de estúdio deles, Good Karma (2016), mas que no fim das contas ficou de fora daquele trabalho.

“Eu queria escrever uma música clássica e simples do tipo ‘bata palmas e bata os pés’, e Let Your Heart Dance With Me saiu dessa vontade. Já gostei dela no estúdio, mas como de costume já tínhamos tantos concorrentes fortes que tive que esperar por uma segunda chance. E quando surgiu a ideia para este projeto foi um presente”, disse Gessie acerca da faixa.

Como forma de divulgar a canção inédita, foi criado um clipe a partir de uma montagem de gravações feitas durante as turnês da banda pelo mundo nos anos 1980 e 1990, com flagrantes em estúdios, bastidores, entrevistas e shows, com um resultado que certamente irá emocionar os milhões de fãs da banda.

Let Your Heart Dance With Me (clipe)- Roxette:

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