Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Samba de Rainha põe boa energia no domingo (20) dos paulistanos

Por Fabian Chacur

Que tal um programa musical de primeira para quem mora em São Paulo? Pois anote na agenda: neste domingo (20) a partir das 16h no Z-Largo da Batata (avenida Brigadeiro Faria Lima, nº 724- Pinheiros- fone 0xx11-2936-0934), com ingressos a R$ 15,00 (antecipado) e R$ 25,00 (na porta). Trata-se da Festa de Domingo, que terá como atrações uma roda de samba com clássicos do gênero e participação aberta à plateia presente e, logo após, uma apresentação do sensacional grupo paulistano Samba de Rainha.

Com mais de 15 anos de estrada, o grupo feminino de samba liderado pela carismática vocalista Nubia Maciel desenvolve um trabalho sólido que já rendeu três ótimos CDs, shows ao lado de grandes nomes da música como Jorge Aragão, Benito di Paula, Leci Brandão, Jair Rodrigues e Tia Surica e a música Não Me Amarra Não ter sido incluída na trilha sonora do remake da novela global O Astro. É som pra levantar o astral e sacudir a poeira, sem medo de ser feliz.

Leia outros textos de Mondo Pop sobre esse grupo maravilhoso aqui .

Não Me Amarra Não (ao vivo)- Samba de Rainha:

Hot Rats, de Frank Zappa, terá reedição luxuosa em dezembro

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Por Fabian Chacur

Na extensa discografia do saudoso, genial e prolífico Frank Zappa, Hot Rats (1969) é considerado um de seus itens mais concisos e preciosos. Como forma de celebrar os 50 anos de lançamento deste álbum incrível (leia a resenha de Mondo Pop para este álbum clássico aqui), o selo Zappa Records e a Universal Music prometem lançar no exterior no dia 20 de dezembro The Hot Rats Sessions.

Trata-se de uma caixa contendo seis CDs com faixas gravadas pelo roqueiro americano durante as sessões de gravação que geraram o LP original, incluindo algumas que, ou com outros títulos ou configurações alteradas, apareceriam depois em álbuns como Burnt Weeny Sandwich (1970), Weasels Ripped My Flesh (1970), Chunga’s Revenge (1970) e Studio Tan (1978).

Além dos seis discos, o fã leva de quebra um livreto com 28 páginas incluindo fotos inéditas da época (incluindo alguns out-takes das sessões para a capa) e textos informativos de Ian Underwood (que participou das gravações) e um opinativo de ninguém menos do que Matt Groening, autor dos Simpsons e fã confesso da obra de Frank Zappa. A curiosidade fica por conta de um jogo de tabuleiro no qual o fã precisa ajudar o músico a finalizar as gravações do álbum.

Os fãs de vinil também curtirão outro relançamento, que trará Hot Rats em LP cor rosa de 180 gramas trazendo como brinde um picture disc de 10 polegadas intitulado Peaches En Regalia EP que inclui mixagens em mono das faixas Peaches En Regalia e Little Umbrellas. Todo esse material (incluindo a caixa) será disponibilizado nas plataformas digitais.

Se nos EUA Hot Rats não passou da posição de nº 178, no Reino Unido se tornou o álbum de Zappa a atingir a melhor posição naquela região do mundo, chegando ao nº 9. O disco, basicamente instrumental, é um dos primeiros do que se convencionou chamar, posteriormente, de jazz rock. A única faixa com vocais, Willie The Pimp, tem como cantor Captain Beefheart.

Eis o conteúdo completo de The Hot Rat Sessions:

Disco 1: Basic Track Recording Sessions @ T.T.G. Studios, Hollywood, CA 7/18/1969 (1-2) and 7/28/1969 (3-12)

Piano Music (Section 1)
Piano Music (Section 3)
Peaches En Regalia (Prototype)
Peaches En Regalia (Section 1, In Session)
Peaches En Regalia (Section 1, Master Take)
Peaches Jam – Part 1
Peaches Jam – Part 2
Peaches En Regalia (Section 3, In Session)
Peaches En Regalia (Section 3, Master Take)
Arabesque (In Session)
Arabesque (Master Take)
Dame Margret’s Son To Be a Bride (In Session)
Portions of Disc 1, Track 2 released as “Aybe Sea” on Burnt Weeny Sandwich (Zappa Official Release #9, 1970)
Portions of Disc 1, Track 11 released as “Toads Of The Short Forest” on Weasels Ripped My Flesh (Zappa Official Release #10, 1970)

Disco 2: Basic Track Recording Sessions @ T.T.G. Studios, Hollywood, CA 7/29/1969

It Must Be a Camel (Part 1, In Session)
It Must Be a Camel (Part 1, Master Take)
It Must Be a Camel (Intercut, In Session)
It Must Be a Camel (Intercut, Master Take)
Natasha (In Session)
Natasha (Master Take)
Bognor Regis (Unedited Master)
Willie The Pimp (In Session)
Willie The Pimp (Unedited Master Take)
Willie The Pimp (Guitar OD 1)
Willie The Pimp (Guitar OD 2)
Disc 2, Track 6 released as “Little Umbrellas” on Hot Rats (Zappa Official Release #8, 1969)

Disco 3: Basic Track Recording Sessions @ T.T.G. Studios, Hollywood, CA 7/29/1969 (1-7) and 7/30/1969 (8-9)

Transition (Section 1, In Session)
Transition (Section 1, Master Take)
Transition (Section 2, Intercut, In Session)
Transition (Section 2, Intercut, Master Take)
Transition (Section 3, Intercut, In Session)
Transition (Section 3, Intercut, Master Take)
Lil’ Clanton Shuffle (Unedited Master)
Directly From My Heart To You (Unedited Master)
Another Waltz (Unedited Master)
Edit of Disc 3, Track 6 released as “Twenty Small Cigars” on Chunga’s Revenge (Zappa Official Release #11, 1970)
Remix and edit of Disc 3, Track 7 released on The Lost Episodes (Zappa Official Release #64, 1996)
Edit of Disc 3, Track 8 released on Weasels Ripped My Flesh (Zappa Official Release #10, 1970)
Edits of Disc 3, Track 9 released as “Little House I Used To Live In” on on Burnt Weeny Sandwich (Zappa Official Release #9, 1970)

Disco 4: Basic Track Recording Sessions @ T.T.G. Studios, Hollywood, CA 7/30/1969 (1-4) and overdubs recorded at Sunset Sound Studios, 8/1969 (5-7) and T.T.G. Studios 7/21/1969 (8)

Dame Margret’s Son To Be a Bride (Remake)
Son Of Mr. Green Genes (Take 1)
Son Of Mr. Green Genes (Master Take)
Big Legs (Unedited Master Take)
It Must Be a Camel (Percussion Tracks)
Arabesque (Guitar OD Mix)
Transition (Full Version)
Piano Music (Section 3, OD Version)
Disc 4, Track 1 utilized for “Lemme Take You To The Beach” on Studio Tan (Zappa Official Release #24, 1978)
Edit of Disc 4, Track 4 released as “The Gumbo Variations” on Hot Rats (Zappa Official Release #8, 1969)
Edit of Disc 4, Track 7 released on Weasels Ripped My Flesh (Zappa Official Release #10, 1970)
Portions of Disc 4, Track 8 released as “Aybe Sea” on Burnt Weeny Sandwich (Zappa Official Release #9, 1970)

Disco 5: From The Vault – Part 1

Peaches En Regalia (1987 Digital Re-Mix)
Willie The Pimp (1987 Digital Re-Mix)
Son Of Mr. Green Genes (1987 Digital Re-Mix)
Little Umbrellas (1987 Digital Re-Mix)
The Gumbo Variations (1987 Digital Re-Mix)
It Must Be a Camel (1987 Digital Re-Mix)
The Origin Of Hot Rats
Hot Rats Vintage Promotion Ad #1
Peaches En Regalia (1969 Mono Single Master)
Hot Rats Vintage Promotion Ad #2
Little Umbrellas (1969 Mono Single Master)
Lil’ Clanton Shuffle (1972 Whitney Studios Mix)
Disc 5, Tracks 1-6 remixed by Bob Stone at Utillity Muffin Research Kitchen. Released on Rykodisc CD 10066, 1987

Disco 6: From The Vault – Part 2

Little Umbrellas (Cucamonga Version)
Little Umbrellas (1969 Mix Outtake)
It Must Be a Camel (1969 Mix Outtake)
Son Of Mr. Green Genes (1969 Mix Outtake)
More Of The Story Of Willie The Pimp
Willie The Pimp (Vocal Tracks)
Willie The Pimp (1969 Quick Mix)
Dame Margret’s Son To Be a Bride (1969 Quick Mix)
Hot Rats Vintage Promotion Ad #3
Bognor Regis (1970 Record Plant Mix)
Peaches En Regalia (1969 Rhythm Track Mix)
Son Of Mr. Green Genes (1969 Rhythm Track Mix)
Little Umbrellas (1969 Rhythm Track Mix)
Arabesque (Guitar Tracks)
Hot Rats Vintage Promotion Ad #4

Ouça Hot Rats em streaming (versão original):

The Long Run (1979), o retorno que virou uma bela despedida

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Por Fabian Chacur

Há 40 anos, chegava às lojas de todo o mundo um disco com uma capa no mínimo estranha. Preta, em formato que mais parecia o de uma lápide, sombria e carrancuda, trazendo apenas os dizeres “Eagles The Long Run”. Era provavelmente o álbum de rock mais esperado pelos fãs do gênero naquele momento, e a prova disso é o resultado comercial proporcionado pelo mesmo. Nove semanas consecutivas no primeiro lugar da parada americana, três hit singles emplacados nos charts, milhões de cópias vendidas. Parecia um recomeço brilhante. Apenas parecia…

Muita coisa aconteceu no universo da banda americana durante a criação do seu 6º álbum de estúdio. O anterior, Hotel California, lançado em dezembro de 1976, rapidamente impulsionou o quinteto rumo ao primeiro time do rock mundial, com sua faixa-título tornando-se um clássico instantâneo.

A massiva turnê de divulgação os levou a estádios e mostrou-se opressiva demais para seu baixista, Randy Meisner, que deu sinais de que não estava mais aguentando o tranco ao se recusar a cantar Take It To The Minute, seu momento de holofotes nos shows, por medo de não dar conta do recado.

Don Henley (vocal e bateria) e Glenn Frey (vocal e guitarra), os líderes da banda, puseram o colega na parede por causa disso, e este pediu as contas, saindo do time em setembro de 1977. Em seu lugar, foi escalado Timothy B. Schmidt, que curiosamente também substituiu Meisner quando este saiu da banda de country rock Poco para integrar os Eagles, em 1972.

Pouco antes da confirmação do nome do novo integrante, o empresário da banda, Irving Azoff, questionou Frey, afirmando ter visto Schmidt bêbado, nos bastidores de um show recente do Poco. “Se você estivesse há muitos anos tocando em uma banda e ganhando exatamente a mesma coisa, também estaria bêbado”, respondeu Frey, confirmando o convite, que foi aceito de imediato.

Temas instrumentais, single natalino e pressão

Com o novo integrante, tão talentoso quanto o antecessor e muito mais afável e seguro, a banda se manteve na estrada e iniciou a seguir, no dia 1º de março de 1978, as gravações de um novo LP, novamente produzido por Bill Szymczyk, que trabalhava com eles desde o álbum On The Border (1974). Seria o início de um verdadeiro parto de dinossauro.

No início, Henley, Frey, Schmidt, Joe Walsh (guitarra e vocal) e Don Felder (guitarra e vocais) gravavam apenas passagens instrumentais, sem letras definidas. O quebra-cabeças foi montado aos poucos, entre uma briga e outra, um show e outro, um bloqueio de ideias e outro.

Nesse meio-tempo, lançaram um single natalino, com Please Come Home For Christmas (Charles Brown & Gene Redd) de um lado e Funky New Year (Henley/Frey) do outro. O disco atingiu o 18º posto na parada de singles no fim de 1978, algo raríssimo para um lançamento sazonal, o que dá a medida da ansiedade do público por novos produtos dos Eagles.

A explicação é simples. Naquela época, era habitual um artista-grupo de sucesso lançar ao menos um álbum de inéditas por ano. As gravadoras contavam com essas vendagens para equilibrar seus balanços fiscais. Logo, a Elektra/Asylum (parte do conglomerado Warner Music) queria para ontem um novo álbum dos Eagles. E a banda tinha de administrar tal pressão e suas crises internas.

O guitarrista Don Felder, por exemplo, queria incluir mais composições suas no repertório da banda. Pior: queria ser vocalista de algumas canções, algo que os colegas não aceitavam por o considerarem inferior aos outros nesse quesito. Joe Walsh estava cada vez mais embrenhado em drogas e bebidas, e mesmo Henley e Frey, os fundadores do grupo, já não se entendiam tão bem como antigamente.

Composições de Don Henley e Glenn Frey prevalecem

É nesse clima pesado do sucesso massivo cobrando o seu preço que The Long Run foi gestado. Nas contas do produtor, o disco foi gravado em 206 dias, durante um período de 18 meses. Para que vocês possam ter uma ideia, o elaborado Hotel California, até então o trabalho mais demorado do quinteto, tinha sido criado durante 87 dias em um período de sete meses!

No peito e na raça, como se dizia antigamente, o álbum foi concluído em 1º de setembro de 1979. Como se tornou norma a partir de um determinado momento de sua história, apenas uma das dez faixas do álbum não trouxe a assinatura de Don Henley e Glenn Frey, In The City (Joe Walsh e Barry De Vorzon). Aliás, esta é a única faixa não inédita do LP, pois Joe Walsh já a havia gravado para a trilha sonora do filme The Warriors (no Brasil, Os Selvagens da Noite), dirigido por Walter Hill, lançado em 1979 e hoje considerado cult.

The Long Run, King Of Hollywood e The Greeks Don’t Want No Freaks são assinadas apenas por Henley e Frey. Don Felder é o parceiro deles em The Disco Strangler e Those Shoes. O estreante Timothy assina com eles I Can’t Tell You Why. Alguns amigos famosos também marcam presença em outras parcerias.

Dois nomes importantes na trajetória de Glenn Frey estão nos créditos de The Long Run. O consagrado roqueiro Bob Seger, com quem Frey participou de sua primeira gravação em 1969 (o single Ramblin’ Gamblin Man), é um dos autores de Heartache Tonight. Também está na parceria deste hit certeiro J.D. Souther, companheiro de Frey na banda Longbranch Pennywhistle, que lançou um álbum em 1969 e logo se dissolveu, embora a amizade entre os dois tenha se mantido.

Souther também participou da composição de Teenage Jail e The Sad Cafe, esta última incluindo Joe Walsh como um dos parceiros. Além de uma cultuada carreira-solo, J.D. Souther teve músicas gravadas por Linda Ronstadt e canta em dueto com James Taylor o maravilhoso hit Her Town Too (de 1981, do álbum Dad Love His Work, de Taylor)

Um mergulho na Los Angeles de 1979

As dez músicas que integram The Long Run equivalem a um mergulho no espírito da Los Angeles de 1979. É um som bastante urbano, por vezes ardido, outras melancólico, e marcado por uma diversidade de levadas rítmicas e arranjos.

O início fica por conta da faixa-título, um country-rock bem no estilo deles com direito a uma slide guitar preciosa de Joe Walsh e uma letra irônica em relação aos críticos da banda, que diz algo do tipo “vamos ver quem vai conseguir realizar os seus objetivos, no final das contas, nessa longa estrada”. E eles venceram essa batalha com louvor, pois continuam relevantes e populares até hoje. No formato single, essa faixa atingiu o 8º lugar nos EUA.

A delicada e introspectiva balada soul I Can’t Tell You Why mostra a beleza e a doçura da voz de Timothy B. Schmidt. O clima da letra é o de um cara de madrugada, deitado ao lado da mulher amada (que dorme), pensando em não discutir a relação para manter um relacionamento que o faz feliz. Chegou ao 8º posto entre os singles, nos EUA.

In The City é um hard rock matador, com Joe Walsh brilhando tanto no vocal como na slide guitar, em uma canção na qual a barra pesada do dia-a-dia nas grandes cidades é o tema, bem no clima de The Warriors.

The Disco Strangler equivale a um fantástico e irônico flerte da banda com a então efervescente disco music, e cuja letra traz como personagem uma garota que sai pras noitadas nas boates e que pode acabar caindo nos braços de um serial killer, no caso o tal do “estrangulador da disco”. Como ninguém pensou em uma versão estendida ou mesmo um remix dessa verdadeira orgia rítmica?

O lado A do vinil é encerrado com a soturna e bluesy King Of Hollywood, relato de um solitário produtor de cinema pensando em pedir um “acompanhante de vida fácil” oriundo de sua agenda, e refletindo sobre os artistas que ele já ajudou a se tornarem astros e estrelas com o seu poder influenciador. O clima decadente do personagem é evidente, e de certa forma comovente.

O início do lado B do vinil vem com aquela música lapidada com capricho e inspiração para se tornar o primeiro single de sucesso do álbum, a contagiante Heartache Tonight, com sua batida marcada e uma letra do tipo “tá todo mundo indo pra noite, pode ter certeza de que vai ter gente se magoando nesta noite”. Com dois refrãos e muito bem construída, atingiu o topo da parada de singles nos EUA, abrindo a porteira para o estouro do álbum.

A hard-funkeada Those Shoes traz como personagem uma garota daquelas de fechar o comércio, e cuja marca registrada é uma daquelas sandálias lindas, com detalhes luxuosos e tudo o mais. Walsh e Felder usam efeito talk box em suas guitarras, aquele que marca o grande hit Show Me The Way, de Peter Frampton.

Dá para imaginar uma faixa dos Eagles com influência de Black Sabbath, a música que deu nome à banda de Ozzy Osbourne? Pois ouça Teenage Jail, com sua levada lenta, na melhor linha “trilha de filme de terror”, com letra que pode ser uma ironia em meio ao mundos dos adolescentes querendo ir para o mundo, mas restritos a seus quartinhos de solteiros.

Como forma de homenagear o frat rock, subgênero do rock de tom festeiro, dançante e desencanado exemplificado por músicas como Louie Louie, Mony Mony, 96 Tears e Wooly Bully, Henley e Frey compuseram The Greks Don’t Want No Freaks, que conta em seus backing vocals com o astro do country-pop Jimmy Buffett, conhecido pelo hit Margaritaville.

Encerra o álbum a belíssima balada jazzística The Sad Cafe, com direito a um delicioso solo de sax do brilhante musico de jazz David Sanborn e cuja letra evoca com ar melancólico e saudosista lembranças dos tempos iniciais da banda, com todos os seus sonhos e dificuldades.

São evocados nas entrelinhas dois locais em especial, o bar Troubadour, onde os Eagles praticamente surgiram, quando Henley e Frey acompanhavam a cantora Linda Ronstadt, e o bar de Dan Tana, ali pertinho, onde eles iam após os shows, nesses anos iniciais. Hoje, percebe-se que era um belo indicativo de que os dias da banda estavam chegando ao fim. Uma canção de despedida.

* O Troubadour é aquele mesmo clube no qual Elton John fez o seu primeiro show nos EUA, e que aparece no recente filme Rocket Man. James Taylor, Carole King e Linda Ronstadt, entre outros, viram suas carreiras serem alavancadas após terem tocado por lá.

Um álbum que merece ser reavaliado

Bill Szymczyk considera The Long Run o melhor dos trabalhos que produziu para os Eagles. Os integrantes da banda não costumam se referir a este álbum de forma muito entusiástica, mas provavelmente isso ocorre pela forma dolorosa e demorada com que este disco foi realizado. As dores do parto…

Analisado dentro da discografia dos Eagles, trata-se de seu LP com mais nuances, mais experimentações e tentativas, e praticamente todas deram certo. O projeto inicial deles era fazer um álbum duplo, e duas amostras das sobras foram incluídas na caixa retrospectiva Selected Works 1972-1999 (2000).

Uma é Born to Boogie, um blues elétrico, agitado e bastante cru. Outra, intitulada Long Run Leftovers, é uma colagem de trechos dessas tentativas de novas faixas. Vale lembrar que várias das músicas dos Eagles surgiam assim, especialmente as parcerias de Henley e Frey com Felder, sendo que este último normalmente enviava aos colegas fitas com diversas passagens instrumentais gravadas por ele que os caras desenvolviam posteriormente.

Hotel California surgiu assim, por exemplo, desenvolvida a partir daquela sequência harmônica inicial criada e dedilhada por Felder em sua guitarra.

O álbum mostra Don Henley assumindo de vez o vocal principal, com Glenn Frey, Timothy B. Schmidt e Joe Walsh aparecendo com solos eventuais e principalmente nas vocalizações, uma das marcas registradas da banda. Isso, além da alta qualidade dos músicos, que em um contexto tão abrangente como o de The Long Run, mostram sua categoria.

Ficam como legado alguns dos belos versos de The Sad Cafe: “we though we could chance the world with words like’love’ and ‘freedom’, some of your dreams came true, some just passed away” (“pensávamos que poderíamos mudar o mundo com palavras como amor e liberdade, alguns de seus sonhos se realizaram, outros se foram”, em tradução livre).

Teria sido uma bela despedida, pois a banda saiu de cena em 1980. E foi por durante 14 longos anos. Mas aí, veio a reunião e o CD Hell Freezes Over (1994), e o resto é história. Outra história, que a gente conta por aqui em outra ocasião.

I Can’t Tell You Why (clipe)- Eagles:

Massonettos lança seu álbum de estreia com show em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Massonettos é ao mesmo tempo um duo iniciante, com pouco mais de um ano de existência, e veterano, pela experiência dos seus integrantes. Ricardo Massonetto (vocal, violão, bandolim, gaita, kazoo e percussão) integra há 13 anos a banda Doutor Jupter, uma das melhores do folk-rock brasileiro (leia mais sobre eles aqui), enquanto sua esposa Mariana Massonetto (vocal, percussão e efeitos sonoros) é sua parceira em inúmeras composições gravadas pelo grupo.

A dupla lançará seu autointitulado disco de estreia, disponível em CD e nas plataformas digitais, com show em São Paulo nesta sexta (11) às 21h no Teatro Bruta Flor (rua Augusta, nº 912- Cerqueira Cesar), com ingressos a R$ 15,00 (antecipado) e R$ 30,00 (no dia, saiba mais aqui).

Com uma sonoridade centrada no acústico mas com tempero elétrico proporcionado pelo integrante honorário do time, Brenno Rubem (guitarra, banjo e vocais), o duo investe em vocalizações deliciosas (com direito a intervenções solo também) e canções delicadas que no entanto volta e meia esbarram em temas pesados do difícil dia-a-dia desse país maluco chamado Brasil. O casal com quase 18 anos de vida conjunta agora também vai aos palcos graças ao desabrochar de Mariana nessa tarefa.

O repertório de Massonettos (o álbum) conta com dez canções autorais, sendo oito inéditas e duas gravadas anteriormente pelo Doutor Jupter e agora relidas à moda da dupla. O disco conta com participações especiais pontuais e bacanas, entre as quais a do consagrado Sizão Machado (contrabaixo) e de Brenno Rubem.

No show, além de todas as músicas do álbum de estreia, a dupla também promete algumas releituras de material alheio, entre as quais Sobradinho (Sá & Guarabyra, com direito a algumas atualizações na letra) e Balada do Louco (Mutantes). Boa chance de se ouvir, ao vivo, um dos melhores lançamentos de 2019 da música brasileira, especialmente no setor folk-country.

Milésima Vez (clipe)- Massonettos:

Ginger Baker, um dos maiores bateristas da história do rock

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Por Fabian Chacur

De todas as músicas do Cream, a que mais me impressiona é provavelmente seu maior hit, Sunshine Of Your Love. Seu ponto alto é uma levada de bateria simplesmente impossível de ser reproduzida por outro baterista que não seja aquele que a gravou originalmente, Ginger Baker. Pois esse grande músico britânico nos deixou neste domingo (6), aos 80 anos, “em paz”, segundo informação de seus familiares. Algo raro durante sua atribulada trajetória de vida.

Nascido em 19 de agosto de 1939, Baker tornou-se conhecido no cenário musical britânico ao integrar as bandas Blues Incorporated e Graham Bond Organization. Em ambas, tocava com outro músico emergente, o baixista Jack Bruce. Eles se estranhavam com frequência, mas apostando em suas imensas afinidades musicais, resolveram montar sua própria banda ao lado do guitarrista Eric Clapton, mais novo do que eles e também muito badalado naquele 1966.

Nascia o Cream, que desde o berço dava a impressão de que não estava surgindo só para passar o tempo. Durante seus menos de três anos de vida, lançou álbuns marcantes como Disraely Gears (1967) e emplacou hits como Sunshine Of Your Love, Strange Brew e Badge. Ao vivo, faziam um show repleto de improvisos e energia, nos quais a inventividade dos três gerava duelos musicais impressionantes e históricos.

Com o fim do grupo, Baker montou com Clapton, Steve Winwood e Rick Grech, o super grupo Blind Faith, que em 1969 lançou seu único álbum, autointitulado, e também entrou para a história do rock, durando apenas aquele ano.

A partir daí, o cara teve inúmeras experiências. Montou outros grupos, entre os quais o Ginger Baker’s Air Force e o trio Baker Gurvitz Army, este último ao lado dos irmãos Paul e Adrian Gurvitz (este último fez sucesso em carreira-solo com a balada Classic, que foi tema de novela global Sétimo Sentido em 1982).

Montou um estúdio de gravação em Lagos, na Nigéria, e gravou com o genial músico africano Fela Kuti. Em 1986, participou de Album, do grupo Public Image Ltd., e posteriormente montou um trio de jazz com Charlie Haden e Bill Frisell.

Em 2005, voltou a tocar com o Cream, e esse retorno gerou shows no mesmo lugar onde haviam se despedido dos palcos em 1968, o lendário Royal Albert Hall. Esses shows geraram registros em CD, DVD e Blu-ray. Como seria de se esperar, essa reunião não durou muito, novamente por causa das brigas entre Baker e o saudoso Jack Bruce (leia mais sobre Bruce aqui )

O genial e imperdível documentário Beware Of Mr.Baker (2012, leia a resenha aqui), de Jay Bulger, mostra de forma brilhante a trajetória desse músico genial e ser humano de temperamento difícil e contraditório.

Sunshine Of Your Love– Cream:

Ronnie Wood lançará álbum em homenagem ao ídolo Chuck Berry

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Por Fabian Chacur

Várias novidades boas referentes a Ronnie Wood estão em vias de serem conferidas por seus inúmeros fãs mundo afora. Nesta semana, tivemos a divulgação de mais uma faixa do álbum Mad Lad- A Live Tribute To Chuck Berry. Trata-se de Rock ‘N’ Roll Music, com participação especial da cantora irlandesa Imelda May. A primeira faixa a ser divulgada foi Talking About You (ouça aqui).

O novo álbum do guitarrista britânico está previsto para sair no dia 15 de novembro pela gravadora BMG (não confundir com a antiga, hoje parte da Sony Music) com distribuição da Warner Music e nos formatos CD, vinil, streaming, downloads remunerados e também em uma edição especial limitada contendo CD, LP de vinil, gravura 12×12, set list autografado e uma camiseta. Ainda não foi divulgado se teremos lançamento físico deste trabalho no Brasil.

Gravado ao vivo em 2018 no Tivoli Theatre, na cidade britânica de Winborne, o trabalho traz Wood acompanhado por sua banda de apoio, a Wild Five, com o acréscimo de Imelda May e Ben Waters (piano) em alguns momentos. Trata-se de uma homenagem do músico a um de seus ídolos, o saudoso Chuck Berry, de quem ele era amigo e com quem tocou em várias ocasiões.

O repertório traz 11 faixas, com direito a clássicos do rock como Johnny B Goode e Little Queenie e a composição de Wood Tribute To Chuck Berry. A faixa que dá nome ao CD, Mad Lad, é um obscuro e delicioso tema instrumental de Chuck Berry gravado originalmente por ele em 1960.

Com desenho de capa de autoria do próprio roqueiro, o álbum inicia uma trilogia de trabalhos nos quais serão homenageados os maiores ídolos do músico britânico, sendo que os outros dois nomes ainda não foram divulgados. Ele fará no dia 25 de novembro no Birmingham Symphony Hall um show no qual dará uma geral nas músicas do álbum.

Se o disco por si só já é uma bela novidade, o fato mais legal fica por conta do filme Somebody Up There Likes Me, dirigido pelo premiado Mike Figgis, com premiere mundial marcada para o dia 12 (sábado) durante o London Film Festival e lançamento no circuito comercial previsto para o início de 2020.

Trata-se de um documentário sobre a vasta e rica trajetória profissional e pessoal de Ronnie Wood, com entrevistas feitas especialmente para esta atração com o artista enfocado e também colegas ilustres como Mick Jagger, Keith Richards, Rod Stewart e outros, além de cenas de arquivo com performances dele integrando as bandas Jeff Beck Group, The Faces e, obviamente, The Rolling Stones, na qual ele entrou em 1975 e permanece firme e forte.

Um dos pontos mais interessantes fica por conta de uma lembrança de Ronnie de quando tinha 16 anos de idade e não sabia direito o que iria fazer da vida. No dia 11 de agosto de 1963 ele viu um show dos então emergentes The Rolling Stones, gostou do que viu e pensou que aquela era a carreira que gostaria de seguir. Mal sabia que, dali a 12 anos, não só seria um astro do rock como de quebra receberia o convite irrecusável para entrar naquele grupo, na vaga de Mick Taylor.

O filme também dá uma geral na carreira de Wood como pintor, área na qual ele também é bastante elogiado, com direito a exposições em vários países (incluindo o Brasil, nos anos 1990) e lançamento de catálogos bem bacanas, e de sua luta contra os vícios e um câncer. Além de integrar bandas bacanas, Ronnie também desenvolve uma competente carreira solo paralela que se iniciou em 1974 com o álbum I’ve Got My Own Solo Album To Do.

Eis a relação de músicas de Mad Lad:

-Tribute to Chuck Berry
-Talking About You
-Mad Lad
-Wee Wee Hours- Feat Imelda May
-Almost Grown- Feat Imelda May
-Back In The USA
-Blue Feeling
-Worried Life Blues
-Little Queenie
-Rock ‘N’ Roll Music- Feat Imelda May
-Johnny B Goode

Rock ‘N’ Roll Music– feat Imelda May:

Fernanda Takai regrava hit de Carmem Miranda para novela

Fernanda Takai -Ta-Hi (Pra Você Gostar de Mim)-400x

Por Fabian Chacur

Em 2007, Fernanda Takai lançou seu primeiro álbum solo, Onde Brilhem Os Olhos Seus, e incluiu nele uma regravação curta, em forma de vinheta, de Ta-Hi (Pra Você Gostar de Mim), um dos maiores hits do repertório de Carmem Miranda. Essa releitura, que também entrou no DVD Luz Negra (2010), deixou um gostinho de quero mais nos fãs, que sempre sugeriram à cantora gravá-la por completo. E essa solicitação finalmente se concretizou.

A ocasião surgiu quando a Globo fez o convite para Takai fazer uma nova gravação da canção, desta vez por inteiro e para inclusão na trilha sonora do remake da novela Éramos Seis. Convite aceito, a cantora foi para o estúdio com o marido e parceiro de Pato Fu, John Ulhoa, e juntos deram ao clássico composto por Joubert Carvalho na década de 1930 um clima ao mesmo tempo futurista e com jeitão de bolero, repleto das sutilezas que marcam o trabalho da artista.

A relação familiar aparece também na capa do single, já disponível nas plataformas digitais. Trata-se de uma foto de Weber Pádua com arte a cargo de Nina, que é ninguém menos do que a filha do casal de roqueiros, hoje com 15 anos de idade e atualmente se envolvendo com trabalhos gráficos “bem legais”, como garante sua adorável mãe coruja.

Ta-Hi (Pra Você Gostar de Mim)- Fernanda Takai:

Alexandre Arez mostra todo o seu romantismo em Sampa

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Por Fabian Chacur

Se você é daqueles românticos inveterados, que se emocionam nos primeiros acordes de uma canção melódica e com letras emotivas, Alexandre Arez é uma pedida infalível. O cantor oriundo de São Bernardo do Campo investe em um repertório no qual o romantismo dá as cartas, ao ritmo de bolero, jazz, música latina em geral, MPB e pop. Ele se apresenta em São Paulo nesta sexta (4) às 21h no Paris 6 Burlesque Music Hall & Night Bistrô (rua Augusta, nº 2809- Jardins- fone 0xx11-3086-0009), com ingressos a R$ 80,00.

O nome de Alexandre começou a ficar nacionalmente conhecido após participar com destaque de programas de TV. Em 2002, lançou o seu primeiro álbum, Vida, que vendeu muito bem e lhe abriu de vez as portas do cenário musical. Desde então, lançou três outros trabalhos, sempre dedicados à música romântica. O seu repertório sempre traz clássicos do porte de Sabor a Mi, Besame Mucho, Solamente Una Vez, All I Ask Of You e El Dia Que Me Quieras.

O set list de suas apresentações também traz canções nacionais, como Negue e Estranha Loucura, e também algumas de cunho autoral, incluindo a recente Mil Doses e também Sem Juízo e Mi Bolero Favorito, entre outras. Alexandre Arez será acompanhado por Erick Pontes (violão e guitarra), Marcelo Góis (baixo), Lucas Serra (teclados) e Lukas Felli (bateria).

Mil Doses (clipe)- Alexandre Arez:

Tom Speight e Mahmundi gravam dueto acústico em Willow Tree

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Por Fabian Chacur

Em março deste ano, o jovem cantor, compositor e músico britânico Tom Speight deu uma rápida passada pelo Brasil, participando de uma apresentação esquema pocket no Rio de Janeiro. Por lá, conheceu e fez amizade com a cantora carioca Mahmundi. Juntos, eles gravaram uma versão acústica da canção Willow Tree, que acaba de ser divulgada nas plataformas digitais. O artista não esconde a alegria pela concretização dessa parceria.

“Eu sentia que devia um grande agradecimento ao Brasil por ter sido um dos primeiros lugares a ouvirem minhas músicas… Pareceu uma boa forma de mostrar minha felicidade dedicando uma versão à eles. Era um sonho meu gravar no Rio de Janeiro e trabalhar com a Mahmundi. Mal posso esperar para voltar e explorar mais ainda!”, afirmou, em press-release enviado à imprensa.

Speight lançou no primeiro semestre o seu primeiro álbum, Collide, que inclui a versão de estúdio de Willow Tree, gravada por ele em dueto com a cantora Jessica Staveley Taylor, integrante do grupo The Staves. Com gravações realizadas no célebre Abbey Road, em Londres, e também no Jam Hut, em Devon, o trabalho mostra um delicado e melódico som folk com elementos eletrônicos, com direito a canções como Little Love, o hit consagrado pelos fãs brasileiros.

Mahmundi é o nome artístico que a promissora e talentosa cantora, compositora e mucisista carioca Marcela Vale adotou em 2012. Desde então, lançou dois EPs e os álbuns Mahmundi (2016) e Para Dias Ruins (2018). Em seu dueto com Tom Speight, ela se divide em versos em inglês e em português, mostrando bom entrosamento com o artista britânico.

Willow Tree (acoustic)- Tom Speight e Mahmundi:

Ave Sangria lança novo álbum com show em Santo André (SP)

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Por Fabian Chacur

O grupo pernambucano Ave Sangria voltou à tona em 2014, após décadas longe de cena. Impulsionado pelo renovado interesse por seu álbum de estreia, autointitulado e lançado em 1974, apreciado no mundo todo graças ao poder da internet, os caras agora lançam um novo trabalho, Vendavais, com onze canções compostas entre 1969 e 1974 e gravadas agora. Eles tocam em Santo André (SP) no dia 4 de outubro (sexta-feira) às 21h no Sesc Santo André (rua Tamarutaca, nº 302- Vila Guiomar- fone 0xx11-4469-1200), com ingressos custando de R$ 9,00 a R$ 30,00.

A atual formação do Ave Sangria traz três integrantes do time original. São eles Marco Polo (vocal), Almir de Oliveira (guitarra base, violão e vocal) e Paulo Rafael (guitarra solo e viola, conhecido por atuar há muito com Alceu Valença), hoje acompanhados por Juliano Holanda (baixo e backing vocal), Gilu Amaral (percussões) e Júnior do Jarro (bateria e backing vocal).

Além das faixas do novo disco, eles também tocarão algumas do primeiro, entre elas O Pirata, Dois Navegantes e Hey Man, todas exemplos de sua bela mistura de rock psicodélico com os ritmos nordestinos. O show integra o evento Primavera Psicodélica, que também traz no elenco bandas seminais como Casa das Máquinas, O Terço, Som Nosso de Cada Dia e Violeta de Outono.

Leia mais sobre o Ave Sangria aqui.

Ouça Vendavais em streaming:

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