Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Marina de La Riva e Bruna Caram são parceiras de baile em Sampa

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Por Fabian Chacur

Em um momento no Brasil e no mundo repleto de tristeza, dor, confusão, intolerância e insegurança, que tal ir a um show em São Paulo que promete ser anticrise, anti-deprê, brasileiro, passional e necessário? Pois o convite é especificamente para o feriadão de primeiro de maio, que vai rolar este ano na próxima quarta-feira. As parceiras nesta apresentação, intitulada Baile da Revanche, são as ótimas cantoras Marina de La Riva e Bruna Caram, o início será às 16h, e a entrada, gratuita. O local escolhido é o Sesc Parque Dom Pedro II (Praça São Vito, s-nº- Brás- fone-0xx11-3111-7400).

Com participações especiais de Zé Ed (do Tarado Ni Você), Diego Moraes (do Não Recomendados) e Fabio Brazza (da Alana), além de outros músicos bacanas, Marina e Bruna selecionaram um repertório que se divide entre músicas de seus repertórios habituais e também do de gente como Roberto Carlos, Ara Ketu, Martinho da Vila, Nelson Cavaquinho, Tim Maia e Chitãozinho & Xororó. A ideia é homenagear a dor de cotovelo e a volta por cima de um jeito bem humorado.

Embora o Baile da Revanche seja o primeiro show das meninas em dupla, elas são amigas há um bom tempo, e possuem um registro fonográfico como cartão de apresentações dessa parceria. Trata-se de Segredo, composição clássica de Herivelto Martins e Marino Pinto que elas registraram no CD Será Bem Vindo Qualquer Sorriso (2012), de Bruna Caram.

Nascida no Rio de Janeiro e de origem cubana, Marina de La Riva tornou-se conhecida no meio musical com seu álbum de estreia, lançado em 2007 e autointitulado, um dos trabalhos mais elogiados no cenário da música brasileira naquele período. Depois, nos proporcionou o DVD Marina de La Riva Ao Vivo Em São Paulo (2010) e os CDs Idílio (2012) e Rainha do Mar- Marina de La Riva Canta Dorival Caymmi (2017). A moça já gravou com Chico Buarque, Ney Matogrosso., Danilo Caymmi e João Donato, nesses projetos individuais.

Por sua vez, Bruna Caram acumula experiências em diversas áreas. Em seus mais de dez anos atuando como cantora, tem no currículo os álbuns Essa Menina (2006), Feriado Pessoal (2009), Será Bem Vindo Qualquer Sorriso (2012) e Multi Alma (2017). Ela lançou o livro Pequena Poesia Passional e atuou como atriz na minissérie global Dois Irmãos. Bruna também compôs músicas em parceria com Zeca Baleiro, Roberta Sá, Chico Cesar e Pedro Luis.

Segredo– Bruna Caram e Marina de La Riva:

Griswolds toca em São Paulo pela primeira vez: será nesta sexta-26

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Por Fabian Chacur

Com oito anos de estrada, o grupo Griswolds conseguiu cativar um público fiel em sua cidade natal, Jaú (SP). Eles também já fizeram diversos shows em cidades do estado de São Paulo e lançaram alguns CDs, sendo Punkidz (2018) o mais recente. A fórmula própria de tocar músicas de filmes de sucesso com novos e energéticos arranjos roqueiros continua lhes proporcionando bons frutos, e o mais recente será seu primeiro show em São Paulo. Vai ser nesta sexta (26) às 19h na Praça Coberta do Sesc Santo Amaro (rua Amador Bueno, nª 505- Santo Amaro- fone 0xx11-5541-4000), com entrada gratuita.

Os irmãos Fernando (guitarra e vocal) e Alexandre Lazzari (bateria) e o cunhado Eduardo “Naka” Nakagawa (baixo) irão apresentar ao público paulistano seu show Griswolds na Sessão da Tarde. Trata-se de uma reunião de temas clássicos de filmes costumeiramente exibidos naquela tradicional programação de filmes da Rede Globo, entre os quais De volta Pro Futuro, Top Gun, Clube dos Cinco, Footloose, O Rei Leão, La Bamba e Os Saltimbancos Trapalhões.

Durante a execução das músicas, o trio tem ao fundo vídeos especialmente produzidos por eles com cenas dos filmes, como forma de dar um clima ainda mais quente à exibição. A pegada do trio jauense guarda semelhança com o de bandas punk dos anos 1990 como o Green Day, e seus arranjos para algumas canções são surpreendentes. Leia mais sobre o Griswolds, cujo nome foi tirado da família que protagoniza o filme Férias Frustradas, aqui.

Take My Breath Away (clipe)- Griswolds:

Zélia Duncan lança novo single e vem com álbum inédito em maio

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Por Fabian Chacur

Zélia Duncan retoma em 2019 duas marcas de sua trajetória artística mais conhecida do grande público. Uma é o retorno ao som pop folk autoral que marcou os seus maiores hits, como Catedral e Enquanto Durmo, após dez anos dedicados a composições alheias e a ritmos como o samba. A outra é reiniciar a parceria musical e de trabalho com o compositor, músico e produtor Christiaan Oyens. O álbum que marca esses novos rumos é Tudo É Um, que a cantora lançará dia 17 de maio pelo selo Duncan Discos, em parceria com a gravadora Biscoito Fino.

Como forma de dar ao público pistas de como soará esse trabalho, Zélia lançou dois singles. O primeiro, O Que Mereço, conta inclusive com um clipe para divulgá-lo (veja aqui). O outro acaba de ser disponibilizado para o público. Trata-se de Breve Canção de Sonho, composição dela em parceria com Dimitri BR lançada originalmente em 2012 na trilha da novela global Cheias de Charme, e agora relida em versão mais encorpada, nas palavras da própria intérprete.

Tudo É Um trará parcerias da cantora e compositora com nomes do porte de Chico Cesar, Zeca Baleiro, Paulinho Moska e Dani Black, além do próprio Christiaan, que se incumbe da direção geral do álbum, com direção artística a cargo da própria artista. Seu álbum imediatamente anterior a este é o delicado e ótimo Invento+ (2017), gravado em parceria com o consagrado músico carioca Jaques Moreleubam (leia a resenha de Mondo Pop aqui).

Breve Canção de Sonho– Zélia Duncan:

Manifesto (1979), o álbum que iniciou nova fase do Roxy Music

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Por Fabian Chacur

Em 1979, o Roxy Music completava três anos longe de cena. Seu último álbum de estúdio até então, Siren (1975), foi divulgado por uma turnê que rendeu o esplêndido álbum ao vivo Viva! (1976). Depois, o silêncio. Portanto, não faltou alegria aos inúmeros fãs da banda britânica quando Manifesto chegou às lojas em março daquele ano. Um retorno à altura de um grupo que já havia feito muita coisa boa em seu produtivo primeiro período na ativa.

Concebido pelo estudante de artes Bryan Ferry, seu cantor e principal compositor, o Roxy Music trouxe em seu DNA o espírito da experimentação pop. Ou seja, a criação de um som aberto a fusões e misturas com várias tendências do rock, como o básico, o progressivo, o psicodélico, o hard etc e também o rhythm and blues, o soul, o funk, a música eletrônica, o jazz e os standards americanos. Tudo com uma classe e um refinamento extremo, mas sem fugir exageradamente do perfil pop. O famoso conceito dos “biscoitos finos para as massas” do brasileiro Oswald de Andrade se encaixa feito luva para definir o resultado dessa simbiose roqueira.

O núcleo básico do grupo traz, além de Ferry, Andy Mackay (sax e oboé) e Phil Manzanera (guitarra), com Paul Thompson (bateria) completando o time fixo. Brian Eno (teclados e efeitos sonoros) participou dos dois primeiros álbuns, mas acabou trombando com o líder da banda, e saiu fora rumo a uma carreira solo incrível e também para se tornar um consagrado produtores musical.

Com o então jovem tecladista Eddie Jobson no posto de Eno, o Roxy Music gravou mais três álbuns de estúdio e um ao vivo entre 1973 e 1976, firmando-se no cenário rocker, especialmente o britânico e o europeu. Além de uma musicalidade própria inovadora e cativante, o Roxy trazia como marcas o visual fashion de seus integrantes e a classe de Bryan Ferry como cantor, influenciado pelos crooners de jazz e pelos intérpretes da ala mais soft do soul.

Durante os três anos que o Roxy ficou fora de cena, Bryan Ferry lançou mais três álbuns solo (ele já tinha gravado outros dois paralelamente ao trabalho com a banda). Quando ele resolveu se reunir novamente com Manzanera, Mackay e Thompson, trouxe como ponto de partida a sonoridade de duas músicas de Siren (1975), as sacudidas Love Is The Drug e Both Ends Burning. Vivíamos o auge da era da disco music, e o grupo inglês soube se valer de sua influência sem cair em oportunismo ou mero pastiche. Deu super certo.

Nessa linha pra cima, Angel Eyes e Dance Away foram as faixas que impulsionaram o álbum rumo às primeiras posições das paradas de sucesso internacionais. Também dançante, mas com uma batida mais sensual, Ain’t That Soul ajuda a manter o baile animado, assim como os pop-rocks Cry Cry Cry e My Little Girl.

Com uma introdução instrumental hipnótica de influência oriental de 2,5 minutos, Manifesto é uma faixa título absurda de boa em seus mais de 5 minutos de duração total, uma espécie de carta de intenções do que seria o álbum, uma escolha perfeita para abrir um disco tão icônico.

Trash, um rock nervoso com leve pegada punk, mostra a capacidade da banda de pegar um som que estava em voga naquele momento e transformá-lo em algo totalmente diferente. Com belos riffs de guitarra, a rock-soul Still Falls The Rain tem um clima que lembra o do álbum Siren. O clima introspectivo e levemente progressivo marca Stronger Through The Years , com direito a belos solos dos músicos. E o LP é encerrado por uma balada delicada e viajante, Spin Me Round. O início perfeito de um período mágico na carreira dessa banda.

Mais curiosidades e considerações sobre Manifesto:

*** Manifesto foi o álbum do Roxy Music a atingir o posto mais alto na parada americana, o número 23, mas não o mais bem vendido. Avalon (1982), embora só tenha chegado ao número 53, com o decorrer dos anos acabou ultrapassando a marca de um milhão de cópias vendidas por lá, recebendo o prêmio de disco de platina por isso.

*** A versão inicial de Angel Eyes tinha uma levada de power pop. Na hora de lançar o single, o grupo e a gravadora optaram por investir em uma regravação com levada disco, que ganhou rapidamente o público. Dessa forma, apenas a tiragem inicial de Manifesto traz Angel Eyes no estilo rocker, sendo substituída nas tiragens posteriores pela disco version. Isso também ocorreu com Dance Away, embora neste caso as diferenças entre as gravações sejam mais sutis.

*** Vocês devem ter notado que não citei o nome de baixistas nesta matéria até o presente instante. É que o Roxy Music teve como marca, em sua carreira, o fato de ter tido inúmeros músicos entrando e saindo, nesse posto. Em Manifesto, cuidaram dessa função Gary Tibbs e Alan Spenner. Outros baixistas que tocaram com o Roxy, durante sua carreira: Rick Willis, John Wetton (depois, famoso com o grupo Asia), Sal Maida, John Gustafson, John Porter, Rick Kenton e Graham Simpson (ufa!).

*** Manifesto foi gravado em estúdios ingleses e americanos. A parte ianque do álbum conta com a participação de músicos bem legais, entre os quais Rick Marotta (bateria), Steve Ferrone (bateria), Richard Tee (piano), Melissa Manchester (vocais) e Luther Vandross (vocais). A participação dos dois outros bateristas não foi por acaso: Paul Thompson não curtia a parte mais dançante dessa fase do Roxy, e saiu do grupo após a turnê de divulgação deste álbum.

*** Quem marca presença no álbum, tocando teclados, é o cantor, compositor e multi-instrumentista britânico Paul Carrack. Então ainda desconhecido, ele faria muito sucesso nas décadas de 1980 e 1990 integrando como vocalista os grupos Squeeze e Mike+The Mechanics. É dele a voz principal de hits incríveis desses grupos como Tempted e Over My Shoulders, só para citar dois deles.

*** As capas dos discos do Roxy sempre foram comparáveis às de revistas de moda, por serem muito sofisticadas e incluírem modelos famosas. A de Siren, por exemplo, trouxe no papel de uma sereia ninguém menos do que Jerry Hall, que depois seria durante anos a esposa de Mick Jagger. Quem ajudava na criação era um amigo de Ferry, o fashion designer Antony Price. No caso de Manifesto, temos uma festa com direito a muitos modelos, serpentina e confetes.

*** Saiu em 2008, inclusive no Brasil (pela extinta ST2) Live In America, CD gravado ao vivo durante a turnê de lançamento de Manifesto. O registro ocorreu em um show realizado no dia 12 de abril de 1979 no Rainbow Music Hall, em Denver, Colorado (EUA). São 13 faixas, sendo 6 delas do álbum que estavam divulgando. Muito, mas muito bom mesmo, com os quatro (Ferry, Manzanera, Mackay e Thompson) apoiados por Gary Tibbs (baixo) e David Skinner (teclados).

Ouça Manifesto na integra, em streaming:

Paulo Miklos mostra as suas canções em show voz e violão

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Por Fabian Chacur

Durante 34 anos, Paulo Miklos foi um dos Titãs. Nesse período, aproveitou uma ou outra brecha para se dedicar a uma esparsa carreira solo. No entanto, o tempo tornou essa atividade paralela, assim como outras do tipo atuar como ator, apresentador etc, mais atraentes do que ficar no consagrado grupo. Atualmente, ele segue longe dos antigos colegas, e nenhum tipo de show seria melhor para mostrar essa nova fase do que um do tipo voz e violão. É o que vai rolar em São Paulo no dia 29 (segunda-feira) às 19h30 no Sesc Carmo (rua do Carmo, nª 147- Sé- fone 0xx11-3111-7000), com ingressos custando de R$ 6,00 a R$ 20,00.

O título do novo espetáculo do cantor, compositor, músico, ator etc é o mesmo de seu terceiro e mais recente álbum solo, A Gente Mora no Agora, lançado em 2017. O repertório terá músicas desse CD, mas também incluirá uma viagem pelo repertório dos Titãs, com pérolas do porte de Pra Dizer Adeus, Flores, Comida, É Preciso Saber Viver e Sonífera Ilha, esta última o hit que colocou o grupo paulistano pela primeira vez nas paradas de sucesso.

Com ótima voz e presença de palco elogiável, Paulo Miklos sempre se destacou nos Titãs. Ele completou 60 anos em janeiro, e seu primeiro trabalho solo, autointitulado, saiu em 1994. O segundo, Vou Ser Feliz e Já Volto, veio em 2001. Seu trabalho como ator já lhe rendeu muitos elogios e ótima repercussão perante o público, especialmente nos filmes O Invasor (2001, sua estreia no cinema), Boleiros 2- Vencidos e Vencedores (2006) e É Proibido Fumar (2009).

Vou Te Encontrar (clipe)- Paulo Miklos:

Leela lança clipe para divulgar o seu novo single, Cada Vez Mais

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Por Fabian Chacur

Em novembro de 2018, o grupo Leela começou a soltar as músicas que farão parte de um novo álbum, sempre com clipes hiper bacanas, como por sinal é a marca registrada deles. A quarta canção de uma leva que terá 10, no total, acaba de chegar ao universo das plataformas digitais. Trata-se de Cada Vez Mais, um envolvente electro-rock em tons menores com clima misterioso e refrão daqueles que te pega e não quer soltar mais.

Cada Vez Mais conta com a participação especial da cantora Bárbara Eugênia, e seu clipe conta com cenas registradas do bairro da Liberdade, em São Paulo, tradicional por ser um dos redutos da colônia oriental na cidade. O casal Bianca Jhordão e Rodrigo O’Reilly Brandão contaram com o apoio na parte instrumental de Eduardo Barretto (baixo) e Rafael Garga (bateria). A mixagem e masterização ficaram a cargo de Katia Dotto, que foi a primeira baixista do Leela e hoje trabalha nos EUA com engenharia de som e produção musical.

A nova canção do grupo carioca há alguns anos radicado em São Paulo é uma parceria de seus integrantes com o norueguês Kjell Sandvik, com letra em português devidamente escrita por um tradicional parceiro do duo, o brilhante Fausto Fawcett. O estúdio utilizado foi o de Bianca e Rodrigo, o Music Bunker.

Leia mais sobre o Leela aqui.

Cada Vez Mais (clipe)- Leela:

Ofenbach lança clipe para divulgar a música Rock It

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Por Fabian Chacur

Com apenas 24 anos de idade e dois anos de estrada como profissionais da música, os franceses Dorian Lo e César de Rummell celebram a grande repercussão de seu trabalho. Batizado com o nome Ofenbach, o projeto dos músicos e compositores oriundos de Paris já lhes valeu até o momento números impressionantes, como 575 milhões de streams e 260 milhões de visualizações no youtube, segundo dados divulgados pela gravadora que lança e divulga seus trabalhos no Brasil, a Warner Music.

Agora, após o sucesso dos singles Be Mine e Katchi, o duo disponibiliza nas plataformas digitais um mini-álbum que traz como destaque a contagiante Rock It, faixa dançante no melhor estilo electro pop-rock e divulgada por um clipe simples e bem feito. Além dessa faixa, o novo trabalho dos jovens franceses também traz parcerias deles com The Bamboos, Portugal The Man, Alexandre Joseph, Benjamin Ingrosso e Tyler Sjostrom.

“Esta faixa é para nós uma continuação direta de Be Mine, com as notas do contrabaixo. É um cruzamento entre rock e dance, entre uma levada mais orgânica e o eletrônico. Nosso desejo era ter a energia de uma track orientada para a pista, mantendo a alma da música rock”, dizem, sobre Rock It.

Eis as faixas do mini-álbum do Ofenbach:

Ofenbach – Rock It
Ofenbach VS. The Bamboos – I Got Burned (feat. Tim Rogers)
Ofenbach & Portugal. The Man – We Can Hide Out
Ofenbach – Feeling Good (feat. Alexandre Joseph)
Ofenbach – Paradise (feat. Benjamin Ingrosso)
Ofenbach – Terrified (feat. Tyler Sjöström)

Rock It (clipe)- Ofenbach:

Brian Setzer, dos Stray Cats, um dos grandes estilistas do rock

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Por Fabian Chacur

No dia 3 de fevereiro de 1959, Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper nos deixaram, vítimas de um acidente de avião que seria definido como “o dia em que a música morreu” em 1971 pelo cantor e compositor Dave McLean (leia mais sobre esse tema aqui). Mas a vida é mesmo feita de Encontros e Despedidas, como diriam Milton Nascimento e Fernando Brant. Pois no dia 10 de abril daquele mesmo 1959, nasceu um cara que, anos depois, ajudou a resgatar com brilho esse rock and roll inicial, o incrível cantor, compositor e musico americano Brian Setzer. Ele completa 60 anos nesta quarta (10).

Setzer vira sessentão a mil por hora. Aliás, é irônico pensar que ele chega a uma idade que seus principais ídolos nem sequer chegaram perto de atingir, vide Elvis Presley (morto aos 42), Eddie Cochran (morto aos 21 anos), Gene Vincent (morto aos 36 anos) e o próprio Buddy Holly (morto aos 22 anos). Para felicidade dos fãs, chegará às lojas físicas e virtuais no dia 24 de maio 40, primeiro álbum inédito de estúdio dos Stray Cats (que celebram 40 anos do início de sua carreira) desde 1992, quando saiu Choo Choo Hot Fish.

Com produção a cargo de Peter Collins (que já trabalhou com Rush, Bon Jovi e a Brian Setzer Orchestra) e gravado no fim de 2018 em Nashville, 40 traz faixas como Cat Fight (Over a Dog Like Me), Rock It Off e Cry Danger. O álbum será divulgado como uma turnê comemorativa das quatro décadas do trio roqueiro cujo início está marcado para o dia 21 de junho na Espanha e previsto para acabar (pelo menos, inicialmente) em 31 de agosto nos EUA, passando por vários países europeus e estados americanos. Tipo do show imperdível.

E qual seria a razão para Mondo Pop dar tanta moral para esse cara, diria você? Pois vamos lá. Logo de cara, vale dizer que no início dos anos 1980, quando predominavam a new wave, o tecnopop, o heavy metal e outros estilos do gênero, Brian Setzer, ao lado dos amigos Lee Rocker (baixo) e Slim Jim Phantom (bateria) ousaram investir no mais puro rockabilly, unindo releituras de clássicos da era inicial do rock a composições próprias, com uma energia absurda.

Não foi fácil, no início, pois o público americano não aceitou logo de cara o estilo retrô do trio. Eles se mudaram para a Inglaterra, e foi por lá que conseguiram dar o pontapé inicial na conquista do planeta rock com os ótimos álbuns Stray Cats e Gonna Ball, ambos lançados em 1981. O sucesso chegaria aos EUA e ao resto do mundo em 1982 com o lançamento de Build For Speed, coletânea com faixas extraídas dos dois discos anteriores e que chegou aos primeiros lugares das paradas, impulsionado pelos petardos Stray Cat Strut, Rock This Town e Runaway Boys, só para citar três delas.

Qual o diferencial dos Stray Cats para outros grupos e artistas que tentaram reler o rock cinquentista sem o mesmo êxito? Simples: o imenso talento de Brian Setzer, que além de ser um cantor excepcional é um guitarrista que soube não só incorporar as convenções do rockabilly como elevou-as a um patamar de arte, colocando ali a sua assinatura própria. Atrevo-me a dizer que suas performances em discos e shows são comparáveis, se não até melhores, do que a dos artistas que o inspiraram, uma façanha absurda.

Além do trabalho com os Stray Cats, que se mantiveram entre separações e retornos nesses anos todos, Setzer lançou discos solo nos quais ampliou seus horizontes estéticos, indo do rock instrumental ao rock a la Bruce Springsteen. De quebra, ainda montou a Brian Setzer Orchestra, mesclando rock and roll e jazz estilo big bands de forma primorosa.

Tive a graça divina de ver um show dos Stray Cats no Brasil, mais precisamente no extinto Projeto SP, que ficava em sua segunda fase no bairro da Barra Funda, em 1990. Foram três shows em São Paulo, nos dias 9,10 e 11 de março, e um no Rio, no dia 13 de março. Quem viu, certamente não se esquecerá jamais!

Classifico a performance do grupo naquele dia 9 de março como selvagem, bárbara, adrenalina pura, proporcionada por apenas três músicos, sendo que Slim Jim Phantom tocou de pé e com um kit básico de bateria. O carisma de Brian Setzer é algo absurdo, e o repertório de quebra ainda trouxe a demencial releitura de Summertime Blues, de Eddie Cochran, que considero melhor do que a já maravilhosa versão original de Eddie Cochran. Sinta o drama ao ver o set list:

Rumble in Brighton

Let’s Go Faster

Too Hip, Gotta Go

(She’s) Sexy + 17

That Someone Just Like You

Something’s Wrong With My Radio

Stray Cat Strut

Foggy Mountain Breakdown (Lester Flatt & Earl Scruggs & The Foggy Mountain Boys cover)

Runaway Boys

Summertime Blues(Eddie Cochran cover)

Rock This Town

Bis 1:

Gina

Bring It Back Again

Fishnet Stockings

I Fought the Law (The Crickets cover)

bis 2:

Oh, Boy!(Sonny West cover)

Be-Bop-A-Lula (Gene Vincent & His Blue Caps cover)

Somethin’ Else (Eddie Cochran cover)

Se em 1959 tivemos as tristes despedidas de Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper, o mesmo ano nos ofereceu o nascimento desse magnífico Brian Setzer, que ajudou a manter a tocha olímpica do rock and roll acesa, firme e forte. Tomara que essa turnê dos Stray Cats possa abrir uma brecha para o Brasil. Que tal, heim, Rock in Rio?

How Long You Wanna Live Anyway?– The Stray Cats:

Pedro Luís faz show em Sampa com músicas de Luis Melodia

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Por Fabian Chacur

Com quase 40 anos de carreira, Pedro Luís se firmou, com o grupo A Parede ou em carreira solo, como um dos artistas mais instigantes da música brasileira. Como todo criador, ele teve suas influências, e uma das mais fortes é a de Luiz Melodia, seja pela origem carioca, seja pela mistura swingada de samba com outros ritmos e também pelas letras caprichadas. Como forma de celebrar a obra do saudoso autor de Juventude Transviada e tantos outros clássicos, Pedro lançou o álbum Vale Quanto Pesa- Pérolas de Luiz Melodia (Deck), cujo repertório ele mostra ao vivo em São Paulo nesta sexta (12) às 22h na Casa de Francisca (rua Quintino Bocaiúva, nª 22- Sé- fone 0xx11-3052-0547), com ingressos a R$ 53,00.

O repertório do álbum, lançado no finalzinho de 2018, traz 14 músicas extraídas do set list do maravilhoso artista carioca, sendo oito oriundas do álbum Pérola Negra (1973), duas de Maravilhas Contemporâneas (1976), duas de Mico de Circo (1978), uma de Nós (1980) e uma de Pintando o Sete (1991). São clássicos do porte de Juventude Transviada, Pérola Negra, Estácio Holly Estácio, Congênito, Vale Quanto Pesa e A Voz do Morro, esta última de autoria do lendário Zé Keti e tão bem relida por Melodia que há quem pense ser essa canção de sua autoria.

Pedro Luís explica a intenção que teve ao abordar repertório tão rico:

“Quis fazer reverência e referência aos detalhes dos arranjos originais tão marcantes, mas sem que isso soasse como cover; por isso, convoquei uma banda com formação eficiente, criativa, mas diferente das que foram usadas nas versões originais”, diz. E deu super certo! O álbum é muito bom, com o intérprete fugindo da roubada que seria tentar imitar o inimitável Melodia e imprimindo sua personalidade a essas canções tão legais e eternas.

Ouça Vale Quanto Pesa- Pérolas de Luiz Melodia em streaming:

Duca Belintani mescla blues e folclore e grava CD espetacular

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Por Fabian Chacur

Com mais de 35 anos de carreira, Duca Belintani é cantor, compositor, guitarrista, educador, produtor e escritor. No currículo, seis CDs, participação no grupo Verminose e coautoria (ao lado de Ricardo Gozzi) do livro Kid Vinil Um Herói do Brasil, biografia do saudoso vocalista do Magazine e do Verminose. Agora, chegou a vez do sétimo álbum, e o mote para o mesmo não podia ter sido mais interessante: uma fusão entre as várias vertentes do blues, seu estilo musical de coração, e o folclore brasileiro. Desta forma, nasceu Blues Na Floresta, sem exageros um dos grandes lançamentos de 2019 até o momento.

Como forma de viabilizar o seu projeto, Duca se associou ao letrista Osmar Santos Jr. . Juntos, escolheram personagens icônicos do folclore brasileiro, adaptando para a nossa cultura uma das características mais peculiares das origens do blues americano. O resultado não poderia ter ficado melhor, trazendo para a brincadeira o lobisomem, o saci pererê, o bicho papão, o boitatá, o curupira e outros. O bacana é que as letras conseguem ao mesmo tempo dialogar com o público infantil e o adulto, sem cair em abordagens infantilistas que por vezes tornam esse tipo de trabalho um desrespeito à inteligência dos petizes.

Duca, que canta bem e toca uma guitarra incisiva e personalizada, conta com o apoio de Benigno Sobral (baixo), Ulisses da Hora (bateria), Ricardo Scaff (gaita), Vinas Peixoto (percussão), Adriano Grineberg (teclados) e Mateus Schanoski (teclados). Esse time dá uma consistência musical impecável às 11 gravações, com direito a muita energia, qualidade técnica e tesão, elementos sem os quais o blues não tem como se tornar relevante, em face de sua aparente simplicidade estilística. Tocar blues é simples, mas tocar blues BEM não é para qualquer um, e Duca e sua gang dão um show nesse requisito.

Além desse timaço, o disco também traz convidados especiais de primeira: Andreas Kisser, Graça Cunha, Paulo Freire, Suzana Salles, Theo Werneck e Vange Milliet, que ajudam a dar aquele retoque final e perfeito a algumas das faixas. A musicalidade mergulha em diversas variações do blues, com direito a elementos de jazz, rockabilly e rhythm and blues.

O lado mais pesado, próximo do hard rock, aparece nas faixas Cuca e Blues Na Floresta. O divertido rockabilly Assombrou a Festa traz os vocais irreverentes de Suzana Salles e Vange Milliet, enquanto o clima rhythm and blues suave permeia a bela Iara, com vocal de Graça Cunha. Matita Pereira tem uma deliciosa levada jazzy com uma pitada de Moondance, de Van Morrison, enquanto Lobisomem vai na linha do blues rock compassado. Um álbum espetacular!

Blues Na Floresta mostra que um dos ritmos mais influentes e seminais da música pode ser explorado com uma abordagem brasileira sem sair de seus cânones tradicionais. E vale ressaltar a belíssima apresentação do CD, com direito a capa digipack, encarte colorido e belíssimas ilustrações individualizadas para cada personagem (incluindo o próprio Duca) feito por feras como Tim Ernani, Marco China, Ennio Nascimento, Kel Cerruti, Thiago Martins, Gabi Barbosa, Edison Vieira Pinto, Marcos Madalena, Luiz Gabriel, Nando Sobral e Milton de Souza (o Trinkão Watts, baterista do Magazine e do Verminose).

Ouça trechos das canções do álbum Blues Na Floresta:

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