Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Curved Air e Renaissance tocam juntos no Brasil em março/2020

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Por Fabian Chacur

Se você é daqueles que perdeu a oportunidade de ver o show do grupo britânico Renaissance no Brasil em 2017 e se arrepende amargamente, uma ótima notícia. Boa mesmo. A banda da cultuada vocalista Annie Haslam não só irá voltar ao nosso pais como de quebra ainda terá como parceira uma banda também britânica que nunca se apresentou por aqui, a Curved Air, capitaneada por outra diva do canto roqueiro progressivo, Sonja Kristina (FOTO). Os shows serão realizados em março de 2020, em São Paulo (Espaço das Américas), Rio de Janeiro (Vivo Rio) e Belo Horizonte (Palácio das Artes). Veja o serviço no fim deste post.

A união dessas duas bandas em uma mesma turnê é bem pertinente, por razões de estilo e mesmo de época. A Renaissance surgiu em 1969 formada por dois ex-integrantes da célebre banda Yardbirds, o cantor Keith Relf e o baterista e compositor Jim McCarthy. A fase inicial teve como marca várias mudanças de formação, mas o time se consolidou a partir da entrada de Annie Haslam em 1971, com McCarthy se restringindo às composições por mais alguns anos.

Os dois primeiros álbuns do grupo com Haslam, Prologue (1972) e Ashes Are Burning (1973), tornaram-se clássicos do rock progressivo de pegada folk britânica, e um de seus pontos altos passou a ser o guitarrista e compositor Michael Dunford, efetivado no time a partir do álbum Turn Of The Cards (1974). Em 1978, emplacaram seu maior hit no formato single, Northern Lights, também faixa de seu oitavo álbum, A Song For All Seasons.

Em 1987, o Renaissance saiu de cena, ensaiando rápidos retornos e só voltando a ativa de vez em 2009, mantendo Haslam e Michael Dumford, que infelizmente nos deixou em novembro de 2012, na parte final das gravações do álbum Grandine Il Vento (Symphony Of Light), lançado em 2013. A cantora resolveu seguir adiante com a banda, em constantes turnês.

Por sua vez, o grupo Curved Air iniciou as suas atividades em 1970, também centrado em bem concatenada fusão de música folk britânica, rock progressivo, jazz fusion e música erudita. Seus três primeiros álbuns, respectivamente Air Conditioning (1970), Second Album (1971) e Phantasmagoria (1972) atingiram os primeiros postos da parada britânica.

Em 1975, entrou no time um jovem baterista que durante 16 anos foi o marido de Sonja Kristina: ninguém menos do que Stewart Copeland, que participou dos álbuns Midnight Wire (1975) e Airbone (1976), este último sua estreia como compositor. Com a separação da banda, em 1976, Copeland iniciou uma efêmera carreira-solo com o pseudônimo Klark Kent e a seguir entrou em uma banda com um certo Sting, uma tal de The Police…

A Curved Air ensaiou um retorno nos anos 1980, mas saiu de cena totalmente entre 1990 e 2008, com Sonja se tornando artista solo. O grupo voltou com nova formação a partir de 2008, e lançou um novo álbum, North Star (2014). Além da voz deliciosa de Sonja, que rendeu hits como Back Street Luv, a banda britânica foi uma das pioneiras no intuito de ter em sua formação o violino elétrico.

Serviço dos shows:

19 de Marco de 2020 (quinta feira)– 21h30

Local: Espaço das Américas (Rua Tagipuru, 795 – Barra Funda – São Paulo –fone 0xx11- 3868-5860

Site www.espacodasamericas.com.br

Realização Top Cat Produções Artísticas & Espaço Das Americas

PREÇOS:

Setor Platinum R$ 360,00 e R$ 180,00

Setor Azul Premium R$ 240,00 e R$ 120,00

Setor Azul R$ 200,00 e R$ 100,00

Setores A,B,C & D R$ 180,00 e R$ 90,00

Setores E,F,G & H R$ 140,00 e R$ 70,00

Setores PCD R$ 70,00

21 de Marco de 2020 (sábado)– 21h

Local Vivo Rio (Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ fone 0xx21-2272-2901

Site www.vivorio.com.br

Realização Top Cat Produções Artísticas & Vivo Rio

Atenção: para setores com mesa, a compra de um ingresso garante um assento na mesa selecionada, mas não em uma cadeira específica. Os assentos são ocupados por ordem de chegada.

Camarote A R$ 400,00

Camarote B R$ 380,00

Camarote C R$ 300,00

Frisa R$ 360,00

Setor 1 R$ 400,00

Setor 2 R$ 380,00

Setor 3 R$ 360,00

Setor 4 R$ 300,00

Setor 5 R$ 280,00

22 de Marco de 2020 (domingo)- 21h

Teatro Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537 – Centro, Belo Horizonte 0xx31- 3236.7400

Site fcs.mg.gov.br

Realização Top Cat Produções Artísticas & Malab Produções

Plateia 1 R$ 380,00

Plateia 2 R$ 340,00

Plateia 3 R$ 300,00

Back Street Luv– Curved Air:

Sunrunner estreia um vocalista brasileiro com heavy elaborado

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Por Fabian Chacur

Oriundo da cidade de Portland, situada no estado americano do Maine, a banda Sunrunner resolveu partir para uma nova experiência. Eles decidiram incorporar ao time um vocalista oriundo do Brasil. Ex-integrante das bandas brasileiras Noerya e Kromun e da Desant, da Romênia, ele conheceu os caras há uns três anos, e foi incorporado ao novo time em 2018. O álbum Ancient Arts Of Survival marca o início discográfico dessa parceria, e merece aprovação plena.

Criada em 2008, a Sunrunner traz em suas fileiras Joe Martignetti (guitarra), David Joy (baixo) e Ted MacInnes (bateria). Em sua discografia, figuram os álbuns Eyes Of The Master (2011), Time In Stone (2013) e Heliodromus (2015), tendo este último sido lançado pelo selo italiano Minotauro Records.

O som da banda americana equivale a um hard rock com influências progressivas, próximo do que se convencionou chamar de prog metal, mas sem cair no tecnicismo excessivo de algumas bandas do gênero. Eles trazem influências de folk, heavy, hard e progressivo, com direito a belas passagens instrumentais com solos de guitarra fluentes e não exibicionistas, daqueles nos quais as notas ficam espaçadas e bem encaixadas nas melodias bacanas.

A voz de Bruno Neves coube muito bem na proposta sonora do grupo, com potência suficiente para encarar os riffs pesados e as mudanças de andamento existentes. Ecos de Iron Maiden, Jethro Tull, Metallica e Uriah Heep podem ser percebidos aqui e ali, mas apenas como referências, sem soar como mera cópia ou coisa do gênero. O entrosamento entre eles se mostra impecável, assim como os timbres que escolheram para os instrumentos.

São nove faixas bem trabalhadas, entre as quais se destacam Stalking Wolf, Arrive Survive Awaken Thrive , The Scount e Distorted Reflection. Destaque para a bela capa, que ilustra muito bem o título desse álbum tão interessante (ancestrais artes da sobrevivência, em tradução livre).

Ouça Ancient Arts Of Survival em streaming:

The Doobie Brothers releem dois grandes álbuns com muita classe

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Por Fabian Chacur

Em junho deste ano, celebrei por aqui o anúncio do lançamento de Live From The Beacon Theater, álbum duplo lançado pela Warner Music no Brasil nos formatos digitais e físico (CD duplo). Você pode ler todos os detalhes em termos de informação aqui. Agora, após ter tido a oportunidade de ouvir esse trabalho de forma muito atenta, chegou a hora de uma análise geral sobre esse lançamento histórico de uma das grandes bandas do rock americano.

Comecemos pela formação que se incumbiu da gravação deste trabalho, registro de shows realizados nos dias 15 e 16 de novembro de 2018 no Beacon Theater, em Nova York. Hoje, os Doobie Brothers são um trio, composto pelos fundadores Tom Johnston (guitarra e vocal) e Patrick Simmons (guitarra e vocal, o único que nunca saiu da banda) e mais John McFee (guitarra, pedal steel, dobro, violino, cello, harmônica, banjo e vocais, ufa!), que esteve no time entre 1979 e 1982 e retornou em 1993 para não sair mais.

Para darem suporte a eles, temos um timaço liderado pelo tecladista Bill Payne, considerado um dos grandes músicos no setor. Ele integrou nos anos 1970 e 1980 a badalada banda Little Feat, e também gravou com Bryan Adams, Stevie Nicks, Bob Seger, Pink Floyd, Toto, James Taylor e Bonnie Raitt. Aliás, Payne pilotou os teclados dos Doobies nos dois álbuns de estúdio reproduzidos ao vivo aqui, ou seja, ninguém mais qualificado para essa missão do que ele.

O elenco de músicos também traz Marc Russo (saxofone), Ed Toth (bateria), John Cowan (baixo e vocais) e Marc Quinones (percussão e vocais). Foram adicionados especialmente para os shows do Beacon Theater os músicos Roger Rosenberg (saxofone) e Michael Leonhart (trompete), que aliados a Marc Russo geraram um naipe de metais afiadíssimo.

Com dez músicos em cena, o grupo americano seguiu uma diretriz das mais interessantes: manteve a estrutura básica dos arranjos originais das canções, acrescentando algumas passagens de metais inéditas e abrindo espaços para solos e improvisos. Como a qualidade dos profissionais envolvidos é imensa, o resultado se mostra delicioso, tendo tudo para satisfazer tanto os fãs mais fieis como aqueles que ainda não conheciam essas canções.

Ao contrário de algumas bandas contemporâneas deles, os Doobie Brothers sempre tiveram a capacidade de criar não só singles matadores, como Listen To The Music, Rockin’ Down The Highway, China Grove e Long Train Runnin’, mas também de gravar álbuns consistentes e nos quais você não consegue encontrar uma única faixa fraca daquelas feitas apenas para “encher linguiça”.

Dessa forma, a missão de tocar Toulouse Street (1972) e The Captain And Me (1973) mostra-se das mais deliciosas, pois além de muito boas, as músicas também formam uma amostra preciosa da amplitude da sonoridade desta banda seminal.Se os singles citados trazem como marca a energia roqueira e os riffs de guitarra (com um toque latino em Long Train Runnin’), outras facetas surgem nas faixas que fazem companhia a elas.

O blues, por exemplo, marca presença em Don’t Start Me To Talkin’ e Dark Eyed Cajun Woman. O folk com tons saudosistas e emocionais surge em Toulouse Street e Clear As The Driven Snow. O hard rock pesadão surge em Disciple, Evil Woman e Without You, a levada shuffle marca a deliciosa Ukiah, a leveza mais pop em Natural Thing e o folk progressivo na intensa The Captain And Me.

Das 23 músicas apresentadas, 11 são de Tom Johnston, 6 de Patrick Simmons, uma é assinada por cinco integrantes da banda na época (Without You) e cinco são covers, como o rock gospel Jesus Is Just Alright (de Arthur Reynolds e gravada em 1969 pelos Byrds), Don’t Start Me To Talkin’ (do bluesman Sonny Boy Williamson) e Cotton Mouth (composição da dupla Seals & Crofts, conhecida pelos hits Summer Breese e Diamond Girl)

Se o entrosamento da banda conta muito para esse resultado brilhante, os pontos altos ficam por conta de seus protagonistas. Com 70 anos de idade completados em 2018, Tom Johnston impressiona por sua vitalidade. Seu vozeirão continua intacto, assim como seus riffs e solos de guitarra e uma presença de palco confiante e cativante. A delicadeza do dedilhado na guitarra e violão de Patrick Simmons, assim como sua voz mais suave, também estão intactos, assim como a versatilidade de John McFee.

Após tocar os dois álbuns na íntegra, os Doobies nos oferecem um bis com três músicas: Take Me In Your Arms (Rock Me), cover da Motown que eles emplacaram nas paradas de sucesso em 1975, e a envolvente canção folk-country Black Water, que atingiu o primeiro lugar na parada de singles americana naquele mesmo 1975. Para finalizar a festa, tocaram novamente Listen To The Music, para levar a plateia à loucura.

Os Doobie Brothers nunca tocaram no Brasil, em seus quase 50 anos de estrada. Com o vigor e a qualidade que permanecem firmes em sua fase atual, certamente atrairiam um público bacana se enfim nos visitassem. Fica a dica.

Rockin’ Down The Highway (live)- The Doobie Brothers:

Pseudo Banda lança EP É Agora com show gratuito em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Três atores se encontraram em 2015 em uma montagem teatral da qual participavam. Em um intervalo, de forma descontraída, compuseram uma canção. Eles até podiam não saber, mas naquele momento havia sido plantada a sementinha que germinou a Pseudo Banda, grupo musical que está lançando no formato digital o seu primeiro EP, o excelente É Agora. O lançamento em São Paulo será nesta sexta (20) às 23h com um show gratuito no Imburanas Bar (rua Cardeal Arcoverde, nº 2.929- Pinheiros- fone 0xx11-98693-7055).

A Pseudo Banda traz em sua formação Bea Pereira (oriunda de Santos-SP), Julia Rosa (paulistana) e Vinícius Árabe (natural de Uberaba-MG). No EP, foram acompanhados pelos excelentes músicos Thales Sala (guitarra), André Gabbay (baixo e percussão), Derek Kindermann (bateria) e Paulo Gianini (teclados e ukulele), com o violão ficando a cargo de Vinícius Árabe.

O som autoral concebido pelo trio mergulha de cabeça em referências como Tropicalismo, Secos & Molhados, Novos Baianos, Mutantes, pop-rock em geral e até uma pitadinha da verve teatral da Blitz. Suas vocalizações são incisivas, e suas canções investem com inteligência e jogo de cintura em temas como o amor, a positividade, as dificuldades do cotidiano e mesmo a política.

Na faixa É Agora, conseguem a façanha de nos oferecer uma letra altamente militante sem cair no panfletarismo barato, com direito a uma frase no mínimo impactante: “quanto tempo vai perder odiando aquele que é igual a você?”.

Não Me Importo vai nessa mesma linha, com direito a citação do poema Intertexto, do dramaturgo alemão Bertold Brecht e uma bela abordagem da indiferença das pessoas ao horror do dia-a-dia, até que esse horror as atinge em cheio.

Sobre Fracassos, Fiascos e Fossas encara com bom-humor os problemas que nos afligem a cada minuto. Sussurros fala sobre relações amorosas não necessariamente delineadas de forma convencional. Ouvidos Ao Mistério (veja o clipe aqui) aborda de forma irônica e até sarcástica o uso que se faz do ocultimos e quetais, enquanto Todo Mundo Chora é aquela balada certeira que nos cativa.

As vocalizações de Bea, Julia e Vinícius são muito bem concatenadas, ora em harmonizações afiadas, ora em cortantes participações individuais, com um senso teatral que valoriza e muito o texto que expressam.

Em um mundo perfeito, você já teria visto os clipes e estaria ouvindo o EP a mil por hora. Mas, mesmo nesse planeta maluco que habitamos, dá para fazer isso por sua própria conta. Faça uma opção que vai te acrescentar muito: veja os clipes e ouça É Agora….agora! E que venham o CD e o LP!

Sobre Fracassos, Fiascos e Fossas (clipe)- Pseudo Banda:

Chicago Transit Authority é relançado em versão remix

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Por Fabian Chacur

Na segunda metade dos anos 1960, o rock ganhou várias ramificações, graças a uma intensa dose de criatividade presente em diversos grupos, duplas e artistas-solo nos quatro cantos do mundo. Uma dessas tendências foi trazer para o universo roqueiro naipes de metal, permitindo às bandas que fizessem tal opção investirem em fusões com jazz, soul music e pop. Um dos pioneiros e mais criativos grupos nessa praia, ao lado do também americano Blood, Sweat And Tears, foi o Chicago.

Seu álbum de estreia, Chicago Transit Authority (1969), é considerado um dos marcos dessa ramificação “rock com metais”. Como forma de celebrar os 50 anos de seu lançamento, a Warner Music está lançando no Brasil em CD simples e nas plataformas digitais uma versão comemorativa, Chicago Transit Authority (50th Anniversary Remix), que traz uma nova mixagem para este trabalho clássico, pilotada pelo consagrado engenheiro de som Tim Jessup.

Criada em Chicago em 1967, esta banda americana tinha na época como seus integrantes principais Robert Lamm (teclados e vocais), Peter Cetera (baixo e vocais), Terry Kath (guitarra e vocais) e a sessão versátil de metais composta pelos multi-instrumentistas James Pankow, Lee Louhghlane e Walter Parazaider.

O nome do grupo na época em que lançaram o álbum de estreia era Chicago Transit Authority, mas para evitar problemas legais com a empresa de mesmo nome, reduziram para Chicago a partir do segundo LP.

A fama do CTA tornou-se enorme a partir do momento em que eles abriram shows para duas das grandes estrelas do rock daquele momento, Janis Joplin e Jimi Hendrix. Este último se declarou fã deles, elogiando tanto o naipe de metais como especialmente o guitarrista Terry Kath, que “toca melhor do que eu”.

O álbum teve um excelente desempenho comercial, ainda mais se levarmos em conta que, no formato LP de vinil, era duplo, algo raro para um trabalho de estreia. Mesmo assim, vendeu mais de 2 milhões de cópias nos EUA, atingiu o 17º na parada da Billboard e rendeu singles marcantes como Beginnings, Does Anybody Really Know What Time It Is e Questions 67 And 68 e a releitura de I’m a Man, dos britânicos do Spencer Davies Group.

O disco permaneceu por aproximadamente três anos, ou mais precisamente 171 semanas consecutivas na parada americana, e rendeu a eles uma indicação para o Grammy de Banda Revelação, vencida por Crosby, Stills & Nash e que tinha como outros concorrentes Led Zeppelin, Oliver e The Neon Philharmonic.

Embora já mostre os elementos pop que nos anos 1970 e 1980 tornaram a banda uma das campeãs de vendagens em todo o mundo, Chicago Transit Authority oferece uma sonoridade bem mais experimental e jazzística, com direito a faixas com longas passagens instrumentais nas quais o saudoso guitarrista Terry Kath (1946-1978) dá mostras de seu incrível talento, como Free Form Guitar. Um álbum que faz parte do elenco de várias listas dos melhores de todos os tempos, e que entrou no Hall da Fama do Grammy em 2014.

Faixas de Chicago Transit Authority (50th Anniversary Remix):

Introduction
Does Anybody Really Know What Time It Is?
Beginnings
Questions 67 And 68
Listen
Poem 58
Free Form Guitar
South California Purples
I’m A Man
Prologue, August 29, 1968
Someday (August 29, 1968)
Liberation

Ouça Chicago Transit Authority em streaming:

Humberto Gessinger lança álbum de canções inéditas em outubro

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Por Fabian Chacur

No dia 11 de outubro, a gravadora Deck lançará, nos formatos CD, vinil, fita-cassete e digital, o álbum Não Vejo a Hora. Trata-se do primeiro trabalho de inéditas do ex-líder dos Engenheiros do Hawaii, o cantor, compositor e músico gaúcho Humberto Gessinger desde Insular (2013). Nesse meio-tempo, ele fez shows para divulgar aquele lançamento e também investiu em reler ao vivo o álbum mais famoso de sua ex-banda, A Revolta dos Dândis (1987).

Não Vejo a Hora conta com 11 faixas, compostas por Gessinger em parceria com Bebeto Alves, Duca Leindecker, Felipe Rotta, Nando Peters e Esteban Tavares, sendo que todas as letras são de sua autoria. A capa e contracapa traz desenhos do artista gaúcho Felipe Constant.

As gravações se dividem entre duas formações. Oito canções foram registradas com pegada power-elétrica, e trazem HG (vocal e baixo de seis cordas), Felipe Rotta (guitarra) e Rafa Bisogna (bateria). As três restantes tem HG (voz e viola caipira), Nando Peters (baixo acústico) e Paulinho Goulart (acordeon).

Em declaração incluída no press-release que anuncia o novo lançamento, Humberto explica a abordagem que escolheu para as novas canções: “Desde o início, saquei que o material pedia uma produção ágil, rápida, pra que a força das composições não se perdesse em firulas no estúdio… foi o que a gente fez. É um disco mais linear, mais focado na simplicidade dos trios”.

Infinita /Até o Fim (ao vivo)-Humberto Gessinger:

Abacaxepa lança Caroço com um show no Auditório Ibirapuera (SP)

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Por Fabian Chacur

Com uma estética sonora e visual bastante influenciada pela música brasileira dos anos 1970 e muito bem adaptada para os tempos atuais, a banda Abacaxepa vai aos poucos cativando um público fiel graças à consistência e energia de seu trabalho. Seu primeiro álbum, Caroço, lançado pelo selo YBmusic e disponível nas plataformas musicais, será lançado com um show em São Paulo nesta sexta (13) às 21h no Auditório Ibirapuera (avenida Pedro Álvares Cabral- Portão 2 do Parque Ibirapuera- fone 0xx11-3629-1075), com ingressos a R$ 15,00 (meia) e R$ 30,00 (inteira).

Carol Cavesso (voz), Bruna Alimonda (voz), Rodrigo Mancusi (voz), Juliano Verissimo (bateria e percussão), Ivan Santarém (guitarra e violão), Fernando Sheila (baixo), Vinícius Furquim (Rhodes, órgão Hammond e sintetizadores), integrantes do grupo radicado em São Paulo, criaram o Abacaxepa em 2016, durante as aulas de música que tiveram na Escola Superior de Artes Célia Helena. Portanto, a abordagem teatral de seu trabalho tem uma origem nobre.

Os ótimos singles Pimenta e O Dia Que Maria Levantou e o lançamento de um EP em 2018 ajudaram a impulsionar o Abacaxepa, além de shows costumeiramente lotados nos quais suas vocalizações bacanas e uma mistura afiada de rock, reggae, ritmos nordestinos, MPB, psicodelia, experimentalismos mil e muito mais encontram o local mais adequado.

Duas das músicas de Caroço (ouça o álbum em streaming aqui) já possuem videoclipes. São elas o reggae-xote Piracema e a roqueira Remédio Pra Gente Grande (veja o clipe aqui), duas belas amostras de um trabalho caudaloso e dos mais expressivos da novíssima geração da música brasileira.

Piracema (clipe)- Abacaxepa:

Os Caras e Carol mostram a força do novo pop-rock feito no Brasil

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Por Fabian Chacur

Para aqueles que insistem em dizer que o rock morreu, e que o rock brasileiro morreu ainda mais, vale conferir o trabalho de várias bandas da nova geração. Entre elas, certamente deve ser incluída Os Caras e Carol, quarteto carioca com quatro anos de estrada e cujo primeiro álbum, Coisas da Vida, já está disponível nas plataformas digitais pela Universal Music. Formatos físicos devem vir na sequência, para felicidade de quem prefere ouvir música assim.

Formada por Carolina Coutinho (vocal), Leonardo Maciel (baixo), João Loroza (guitarra) e Ruvício Santos (bateria), o grupo investe em um pop-rock vigoroso, com direito a letras incisivas e poéticas e uma sonoridade que remete a influências das décadas de 1970 e 1980. Além de consistente repertório próprio, também releem canções alheias em seus shows. Uma delas, You Don’t Know Me, de Caetano Veloso, integra o álbum Coisas da Vida.

Em entrevista feita por telefone no esquema viva-voz, Mondo Pop buscou saber um pouco mais sobre essa promissora formação do pop-rock brazuca do século XXI, mais uma prova de que, sim habemus rock do bom de novas safras. O grupo se prepara para tocar em um novo espaço, a Highway Stage, no Rock in Rio, nos dias 27, 28 e 29 deste mês e 3,4 e 5 de outubro.

MONDO POP- Como surgiu o grupo, e como se deu o seu direcionamento em termos musicais?
CAROLINA COUTINHO
– A gente se conheceu na Escola de Atores Wolf Maya, no Rio, em 2015. No início, queríamos montar um musical, mas logo percebemos que seria mais lógico montar uma banda. Cada um de nós tem influências próprias, mas quando começamos a tocar juntos, o pop-rock surgiu como um idioma comum a ser explorado.
LEONARDO MACIEL– Nossas referências musicais tem a ver com os anos 1970 e 1980, e até um pouco dos anos 1960, de bandas como Fleetwood Mac, Beatles, Paralamas do Sucesso, Frejat, Queen e o rock clássico. O rock surgiu para nós durante os ensaios, e vimos que o pop-rock é a nossa cara enquanto banda.

MONDO POP- Porque vocês assinaram com uma grande gravadora, em um momento no qual muitos artistas tem optado pela via independente, e o que acham dessa coisa de “o rock morreu” que alguns tentam impor ao público?
CAROLINA COUTINHO
– Nossa história com a Universal Music começou há um ano e meio, quando começamos a nos estruturar, após um início independente com a música Cabelo (veja o clipe aqui). É uma experiência diferente, a Universal Music está nos dando um apoio muito bom. Dizem que o rock morreu, mas tem muita gente boa fazendo pop-rock no Brasil, é um segmento que está crescendo. A música é cíclica, a cena musical é cíclica, as coisas vão e voltam.

MONDO POP- A música O Que Será de Nós? tem uma letra muito afinada com o que vivemos atualmente no Brasil e no mundo, um tempo de dúvidas e de muita insegurança. Falem um pouco de como surgiu essa canção tão forte.
CAROLINA COUTINHO
– O que me assusta em relação a O Que Será de Nós? é que naquele instante de 2016, quando a compusemos, eu sentia aquilo, mas era o registro de um momento particular. Desde então, parece que toda hora acontece algo novo que nos leva a reforçar essa questão de como será o nosso futuro, de como será o futuro de todas as pessoas.
JOÃO LOROZA– Tem a ver com falar de angústias de um país recente, tipo Que País É Esse, da Legião Urbana.

MONDO POP- Existe uma diferença de aproximadamente sete anos entre Carolina, Leonardo e Ruvício e João, diferença bastante grande se levarmos em conta a faixa etária de vocês, entre 19 e 25 anos. Como rolou essa parceria?
CAROLINA COUTINHO
– Idade é apenas um rótulo, nossa amizade vai além disso. O João entrou na banda quando tinha apenas 15 anos, e isso nunca atrapalhou nada, pelo contrário. Essas diferenças de idade nos completam, pois cada um tem as suas referências.

MONDO POP- Como surgiu a ideia de regravar You Don’t Know Me, do Caetano Veloso (faixa do álbum Transa, de 1972)? Vocês cantam outras composições alheias em shows?
CAROLINA COUTINHO
– Essa música entrou em nosso repertório logo em nossos primeiros shows. Cada um de nós se identificou com uma parte específica da música. O legal é que o Caetano aprovou essa nossa releitura. Em nossos shows normais, também tocamos Kiwi, do Harry Stiles (do grupo One Direction) e Old Town Road, do rapper Lil Nas X.

MONDO POP- Como surgiu o convite para tocar no Rock In Rio, e como serão essas suas apresentações?
CAROLINA COUTINHO
– A confirmação da nossa entrada no festival foi quando eu já tinha até comprado ingresso para o festival! Será em um espaço novo no evento, que ficará logo na entrada. Tocaremos músicas dos anos 1960,1970 e 1980, além das nossas. Será um set list criado especialmente para esse evento, que estamos ensaiando há meses, com músicas de Pink Floyd, Creedence Clearwater Revival, Rita Lee, Paralamas do Sucesso e outros, em quatro sets de 30 a 40 minutos cada, por dia.

MONDO POP- João, qual o seu parentesco com o consagrado ator,cantor, compositor e humorista Serjão Loroza? Perdoe a minha ignorância, mas não encontrei a resposta para essa dúvida nas pesquisas que fiz.
JOÃO LOROZA
– Eu sou filho do cara! (risos)

MONDO POP- Coisas da Vida está sendo lançado inicialmente apenas no formato digital. Como vocês encaram essa questão dos formatos físicos e digitais? Acham importante lançar também em CD e LP de vinil esse álbum?
LEONARDO MACIEL
– Achamos importante ter o formato físico também, pois nem todos tem acesso ao digital. Tocar nossas músicas em rádio também é importante, é legal ter esse diálogo entre os diversos formatos, pois dessa forma você consegue atingir públicos diferentes. Pretendemos lançar em CD promocional e possivelmente em vinil.

MONDO POP- Como foi a concepção do álbum, que traz sete faixas próprias, a releitura do Caetano e um remix (de Cabelo)?
LEONARDO MACIEL
– Gravamos essas músicas em etapas. Inicialmente, nossa ideia era fazer um EP, mas o projeto se expandiu até chegar ao formato definitivo, com essas nove faixas.

MONDO POP- Em shows, vocês tem músicos adicionais?
CAROLINA COUTINHO
– Sim. Tocam conosco o Mauricio Pacheco (guitarra) e o Rodrigo Braga (teclados).

MONDO POP- Quais seus próximos projetos?
LEONARDO MACIEL
– Estamos lançando um novo clipe de outra faixa do álbum, a música Até Amanhã (veja aqui). Depois do Rock in Rio, continuaremos a divulgar o álbum, com shows próprios.

O Que Será de Nós? (clipe)- Os Caras e Carol:

Documento Inédito, de Cartola, volta às lojas no formato vinil

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Por Fabian Chacur

Sempre é tempo de se ouvir o genial Cartola (1908-1980). Com poucos registros lançados em sua carreira, o saudoso cantor, compositor e músico carioca nos deixou uma obra absolutamente fundamental para os fãs da melhor música brasileira. Um desses discos, o mais informal deles, Documento Inédito, está sendo relançado pela Polysom como parte de sua coleção Clássicos Em Vinil, no formato vinil 180 gramas. Inúmeros grandes intérpretes regravaram suas canções, mas ouvi-las em sua própria voz proporciona um grande deleite a quem assim o fizer.

O álbum nos traz gravações feitas em São Paulo para um programa da rádio Eldorado, nas quais Cartola responde a perguntas sobre sua carreira e também canta com a categoria habitual oito clássicos de seu repertório, como Acontece, O Inverno do Meu Tempo e Que Sejas Bem Feliz. Documento Inédito foi lançado originalmente em 1982, pela Gravadora Eldorado.

Cartola fez parte de uma geração de compositores refinados e inspirados que deram à nossa música popular um toque de classe que se eternizou. Sabia como poucos falar sobre as agruras do amor, com versos muito bem concatenados e dotados de uma inspiração sempre à flor da pele, escritas ou sozinho ou com outros parceiros. Deixou uma marca profunda em nossa cultura popular.

Ouça Documento Inédito, de Cartola, em streaming:

Bruno Gouveia relata com classe a trajetória do Biquini Cavadão

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Por Fabian Chacur

Em 1985, quando tinha apenas 19 anos, Bruno Gouveia se tornou conhecido nacionalmente como vocalista do Biquini Cavadão, graças ao estouro das músicas Tédio e No Mundo da Lua. Desde então, conseguiu consolidar uma carreira com vários altos e baixos em termos profissionais, mas sempre mantida com muita dignidade e qualidade artística. Essa belíssima trajetória profissional e pessoal é o mote de É Impossível Esquecer o Que Vivi (Chiado Publishers), belíssimo autobiografia na qual o artista nascido em Ituiutaba (MG) e radicado há muito no Rio de Janeiro dá uma geral no que realizou nesses anos todos, de forma franca e sem rodeios.

A trajetória de Bruno se mostra das mais interessantes pelo fato de ter se desenvolvido em um período de muitas mudanças na história da indústria fonográfica no Brasil. Seu grande mérito é relatar com riqueza de detalhes e muitas informações preciosas de bastidores como se deram essas alterações todas, desde o auge do rock brasileiro dos anos 1980 e dos discos de vinil até a atual fase do streaming, passando por CD, mp3, redes sociais, plataformas digitais, internet e muito, mas muito mais mesmo.

O artista se mostra um observador astuto de tudo o que vivenciou, e proporciona um grande volume de material que surpreenderá até mesmo seus contemporâneos de geração ou mesmo mais velhos do que ele, além de servir como um testemunho dos mais importantes para o pessoal que tenha de 30 anos para menos. Garanto que alguns ficarão não só estupefatos com algumas passagens como também possivelmente duvidarão de sua realidade. Como vivi esses anos todos, posso lhes afiançar: é tudo verdade…

Nome atrapalhou um pouco a trajetória do grupo

Devido a seu nome desencanado, batismo feito pelo amigo e incentivador Herbert Vianna, o grupo nem sempre mereceu o devido respeito por parte da crítica e de segmentos do público. Mas basta analisar de forma isenta sua obra para se verificar que o Biquini Cavadão faz parte daquele seleto grupo de bandas que se firmaram e permanecem ativas e relevantes graças ao talento e à perseverança de seus quatro integrantes: Bruno e os fiéis parceiros Carlos Coelho, Miguel Flores e Álvaro Birita.

E olha que Bruno e sua turma passaram por muitas e não tão boas nesses quase 35 anos de trajetória discográfica. As idas e vindas com as gravadoras trazem momentos dignos de tortura chinesa, daqueles de desanimar o mais otimista dos seres humanos. No entanto, os rapazes sempre souberam dar a volta por cima, mesmo em momentos absurdamente difíceis como o da demissão do único integrante da formação clássica que não permaneceu, o baixista Sheik.

Pra rir, chorar, se indignar…

Com um texto fluente e muito bom de se ler, Bruno ainda teve uma ideia das melhores: acrescentou em momentos importantes do livro depoimentos entre aspas de alguns dos envolvidos nas questões, proporcionando ao leitor uma visão mais abrangente de cada situação e permitindo-nos tirar conclusões mais precisas de cada situação. Apenas Sheik não aceitou dar depoimentos, mas ainda assim sua importância para a banda não é rejeitada ou posta de lado.

O gostoso de É Impossível Esquecer o Que Vivi é o fato de que lê-lo nos proporciona as mais diversas emoções. Rir das trapalhadas de Carlos Coelho, por exemplo, ou das histórias de estrada da banda. Indignação com algumas rasteiras que as gravadoras (suas diretorias em cada época, para ser mais preciso) deram neles, muitas vezes geradas por jogos de ego absolutamente odiosos. Alegria ao ver a banda superar grandes obstáculos.

E tem também a delicadeza com que Bruno nos revela o momento mais difícil de sua vida até o momento, que foi perder seu primeiro filho, Gabriel, que ainda nem havia completado três anos e se foi em um trágico acidente de helicóptero de repercussão nacional. Difícil não verter lágrimas ao tomar conhecimento dessa situação, e de ver como Coelho se portou para dar o devido apoio ao amigo nessa hora tão inesperada e tão terrível.

Franqueza e capacidade de adaptação

A honestidade com que Bruno analisa cada um dos trabalhos lançados pelo Biquini Cavadão também é de se tirar o chapéu, além da franqueza de admitir que, embora todos os integrantes do grupo assinem todas as suas composições, em alguns momentos ele não participou de praticamente nada. No entanto, o fato de, desde o início, eles terem tomado essa atitude, ajudou a banda a se manter unida e coesa mesmo em seus momentos mais difíceis.

Uma das razões pela qual o Biquini Cavadão se mantém até hoje foi ter tido sensibilidade suficiente para interpretar as mudanças de rumo da indústria fonográfica e se adaptar da melhor forma possível a elas, além de ter mergulhado de cabeça nas opções de divulgação e aproximação com os fãs proporcionadas pela internet, isso mesmo antes do surgimento das redes sociais, além de investirem na qualidade de seus shows, quentes e artisticamente atraentes.

Dicas para iniciantes e novidades tecnológicas

Recomendo com entusiasmo aos músicos iniciantes e que sonham em desenvolver uma carreira no mundo da música lerem atentamente os conselhos que Bruno dá, na parte final de seu livro. Todos pertinentes, ponderados e que equivalem a um bom norte a todos.

Como mostra dessa eterna busca por novidades, Bruno incluiu no livro vários QR Codes que proporcionam a quem tem smartfones a possibilidade de acessar uma infinidade de conteúdos extras, do tipo depoimentos em vídeo, clipes, versões alternativas de músicas etc, que também podem ser acessados aqui.

No geral, o mais legal é chegar à conclusão que, aos 52 anos de idade, Bruno Gouveia está mais ativo do que nunca, em trabalhos paralelos e também com sua banda, vide seus excelentes lançamentos mais recentes, os álbuns As Voltas Que o Mundo Dá (leia a resenha de Mondo Pop aqui) e Ilustre Guerreiro (saiba mais sobre ele aqui), ambos produzidos pelo lendário Liminha.

Ouça As Voltas Que o Mundo Dá, do Biquini Cavadão, em streaming:

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