Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Caio Nunez lança Só Que Não, com participação de Tássia Reis

caio nunez e tássia reis 2

Por Fabian Chacur

Desde o lançamento em 2016 de seu primeiro EP, intitulado Akinauê, o cantor e compositor carioca Caio Nunez vem se firmando como um dos nomes mais promissores do r&b brasileiro. Uma nova prova desse potencial acaba de chegar às plataformas digitais, e também com um clipe. Trata-se de Só Que Não, envolvente canção no melhor estilo charm no qual ele conta com a participação mais do que especial da cantora e rapper paulista Tássia Reis.

Apresentados por amigos em comum, eles rapidamente perceberam afinidades musicais que abriram o caminho para que esse dueto se concretizasse, como explica Tássia: “penso que o som traz uma atmosfera leve, que apesar de abordar um relacionamento, faz isso de uma maneira tranquila e divertida. Caio é um artista incrível e talentoso e eu amei colaborar com ele”.

A produção do single, lançado pela Crivo e distribuído pela Warner Music Brasil, ficou a cargo de Theo Zagrae, com Caio se incumbindo de vocais e também do violão acústico. Por sua vez, o clipe teve direção a cargo de Edvaldu Neto. Caio Nunez é irmão da cantora Gabz, outro nome bacana da nova safra carioca, e teve o clipe de Madureira a Bagdá com boa rotação na MTV, Multishow e Canal Bis.

Só Que Não (clipe)- Caio Nunez e Tássia Reis:

Bela, um novo talento que surge na cena folk-pop do Brasil

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Por Fabian Chacur

Após trabalhar durante três anos em uma agência de publicidade, Isabela Zaremba foi para Londres, onde estudou por um ano na BIMM (The British And Irish Modern Music Institute). Formada em Comunicação pela PUC-RJ e em balé clássico, ela já estava decidida a se dedicar em tempo integral à musica. Desta forma, surgia Bela, cantora, compositora e musicista que toca banjo, banjolele e violão, hoje novamente no Brasil.

Com 26 anos de idade e dois singles autorais já lançados nas plataformas digitais, Desandar (ouça aqui) e The Wolf (em versões acústica e elétrica), ela prepara material para seu primeiro EP. Saiba mais sobre essa jovem talentosa e promissora em entrevista feita por e-mail a Mondo Pop.

MONDO POP- Fale um pouco como teve início o seu interesse pela música: o que ouvia inicialmente (estilos musicais, artistas etc) e em que momento esse interesse teve como foco a criação- cantar, compor, tocar.
BELA
– Eu sempre fui uma criança/adolescente que gostava de escutar música. Não ligava muito para TV. Com o passar do tempo, o folk foi ganhando mais destaque nas minhas playlists, além do pop, trap, clássico, indie e MPB. A descoberta do “cantar” veio quando eu era muito nova, no coral da escola. Mas foi só aos 25 anos que comecei a sentir necessidade de transformar meus sentimentos em som. Passei por mudanças de vida marcantes e vi no ato de compor uma forma de escoar meus sentimentos pro mundo – sempre fui muito mais de escrever do que falar.

MONDO POP- Você trabalhou durante três anos em uma agência de publicidade. Como avalia essa experiência, e o que você traz dessa experiência para o seu trabalho na área musical?
BELA
– Trabalhar no mercado publicitário me deu as ferramentas necessárias para empreender no mercado musical. Me ensinou a ter organização, consistência, profissionalismo e paciência. Também aprendi muito sobre estratégia de marketing, aspecto primordial para um artista alavancar a carreira. Cresci muito como pessoa, e a maturidade que ganhei ao trabalhar em agência foi decisiva para a minha mudança de carreira.

MONDO POP- Além dos nomes mais recentes do folk, como Mumford And Sons e Of Monsters And Men, quais outros você citaria, nacionais e internacionais, como possíveis influências em sua sonoridade?
BELA
– Algumas das minhas influências internacionais são Joni Mitchell, Bon Iver, Sufjan Stevens, Of Monsters and Men e Mogli. Já as nacionais SÃO Tiago Iorc, Silva e Anavitória.

MONDO POP- Você compõe em inglês e em português. A ideia é mesclar canções nesses dois idiomas no seu repertório ou pensa em se dedicar a algumas delas de forma mais constante?
BELA
– Eu tenho escrito mais em português por querer entrar com mais força no mercado brasileiro. Me sinto mais confortável por ser minha língua materna, fora que o vocabulário é riquíssimo. Mas não descarto lançar mais músicas em outro idioma – gosto muito da minha voz ao cantar em inglês. As duas línguas permitem explorar significados e fonéticas completamente diferentes, há muito o que explorar dentro desses dois mundos.

MONDO POP- Como você avalia sua passagem por Londres, onde gravou The Wolf? Se a pandemia do novo coronavírus não tivesse ocorrido, teria ficado por lá ou você já pretendia retornar ao Brasil? Pensa em voltar a Londres?
BELA
– Abriu demais meu horizonte. Vi tantas referências artísticas diferentes, principalmente dentro do folk, do rock, do pop. Fiz shows, fiz busking (n.da r.: cantou na rua e em locais públicos), gravei The Wolf com meus amigos da faculdade… Além disso, pude beber na fonte de outros tipos de arte, como museus, teatros, ballet. Mas, desde sempre, eu já tinha planos de voltar pois quero muito conduzir a minha carreira musical aqui no Brasil. Aqui é o meu lugar no mundo. Mas voltaria, sim, menos no inverno cinza e chuvoso hehehe.

MONDO POP- The Wolf e Desandar, as duas canções autorais já divulgadas por você, são bem diferentes entre si, e não só por causa da língua. Elas são boas representantes de duas vertentes distintas de sua obra enquanto compositora?
BELA
– Acredito que as duas canções mostram dois momentos diferentes da minha vivência artística. Desandar foi a primeira música que eu escrevi, representa o início da minha descoberta criativa. Mas vejo a sua beleza justamente por conta disso: é orgânica, sem fortes influências de técnicas de songwriting. É reflexo da sonoridade folk-pop que eu amava ouvir naquele momento, mais “americanizada”. The Wolf já é mais amadurecida e carrega uma bagagem sonora mais ampla. É a soma de referências que vi ao morar em Londres. Por conta disso, tem uma sonoridade mais permissiva dentro do folk-pop, com mais camadas de vozes e uma atmosfera mais orquestral, por exemplo. O timbre da minha voz também é diferente ao comparar com Desandar por conta do trabalho vocal que desenvolvi na faculdade de música.

MONDO POP- Fale um pouco sobre o que te inspira a compor, o que você tenta transmitir nas suas canções.
BELA
– Acredito que o produto artístico de qualquer artista é o resultado de suas vivências e pela sua busca constante por sua identidade. Este fragmento do livro “Creative Inspiration” diz muito sobre essa busca: “I’m an artist. Those words naturally imply always seeking without ever fully finding. It’s the exact opposite of saying I know it already, I’ve already found it. To the best of my knowledge, those words mean “I seek, I pursue, my heart is in it”.”

MONDO POP- Quais são os seus planos para 2021? Pensa em lançar um EP? E como será o repertório?
BELA
– Vou lançar o meu primeiro EP para mostrar mais da minha identidade musical. Estou planejando lançar 5 músicas nesse novo trabalho, que irão transitar entre o folk, pop e nova MPB.

MONDO POP- Você divulgou há pouco uma releitura de Feliz e Ponto, do cantor e compositor Silva. Já tem projetos para fazer outras releituras? De que artistas especificamente?
BELA
– Sim, estou fazendo um projeto em parceria com uma marca para lançarmos outras quatro releituras no formato digital. As gravações já estão em andamento, e teremos canções bem diversificadas entre si, que vão desde o axé e MPB até o rock.

MONDO POP- Com a pandemia atual, a possibilidade de shows presenciais para divulgar seu trabalho parece um pouco distante, no momento. Você pensa em fazer lives ou algo no gênero para preencher essa lacuna? Algo na linha da versão acústica e ao vivo de The Wolf?
BELA
– Sim, a live é uma ótima saída para manter um contato próximo com o público enquanto o presencial não acontece. Fiz lives para promover o lançamento de The Wolf e fortalecer a conexão com a minha rede. Venho aproveitando esse momento para melhorar a qualidade da interação com meu público e para alcançar novos ouvintes por meio das redes sociais.Como parte da estratégia de lançamento, lancei a versão de estúdio de The Wolf e, poucas semanas depois, fiz a versão acústica especialmente para o meu canal do Youtube. Mas, claro, espero ansiosamente para poder cantá-la ao vivo em um show presencial.

MONDO POP- Você pensa em lançar sua música exclusivamente pela via digital ou pretende investir em formatos físicos (CD, LP de vinil etc)?
BELA
– No momento, estou focando em disponibilizar minhas músicas por via digital, pois estou investindo em outras frentes atualmente. Mas penso em diversificar para a mídia física futuramente.

MONDO POP- Para fechar: cite cinco álbuns de que você mais gosta, e faça um pequeno comentário sobre cada um deles.
BELA
– Aí vão eles:
My head is an animal – Of Monsters and Men
O que há de melhor no folk/pop alternativo. É um convite para mergulhar numa sonoridade grandiosa embalada por uma percussão marcante e letras inspiradas na natureza misteriosa da Islândia.

Carrie & Lowell – Sufjan Stevens
Um álbum extremamente sensível mas que, apesar da melancolia, traz leveza à tona através dos dedilhados agudos e da voz sussurrante do Sufjan. É perfeito pra ouvir numa tarde chuvosa.

Wanderer – Mogli
Wanderer tem o poder de transportar o ouvinte para uma atmosfera etérea indie/pop através dos vocais angelicais de Mogli. O álbum foi criado durante uma expedição da artista alemã pela América, o que explica a sua principal inspiração ao compor as canções: a natureza.

Bon Iver – Bon Iver
Bon Iver é um álbum de indie/folk experimental que foge da estrutura convencional de verso/pré-refrão/refrão. Aliás, nada é convencional neste álbum. A sonoridade eletrônica encontra as cordas do violão e as infinitas camadas vocais de Vernon, culminando num resultado incomum e memorável.

Brasileiro – Silva
Silva afina sua brasilidade em Brasileiro, álbum com influência da bossa-nova, pop e samba. As canções trazem calmaria e reforçam a conexão do artista com o mar. É de sentir areia nos pés ao ouvir Duas da Tarde, minha faixa favorita do álbum.

Veja o clipe de The Wolf – Bela:

Daft Punk, 28 anos, o grupo que levou a música eletrônica ao topo

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Por Fabian Chacur

Em 2013, a música eletrônica viveu provavelmente o seu momento mais bem sucedido em termos comerciais graças ao Daft Punk. O duo francês lançou, naquele ano, o álbum Random Access Memories, que chegou ao topo das paradas de sucesso de todo o mundo, incluindo as dos EUA e Reino Unido, além de emplacar vários de seus singles em alta rotação nas rádios. Oito anos depois, neste 22 de fevereiro de 2021, eles infelizmente nos anunciam sua separação, sem detalhar as razões que os levaram a tal atitude.

Random Access Memories, que também faturou cinco troféus Grammy, o Oscar da música, ficará sem um sucessor, pois, desde então, o grupo não lançou mais nada próprio. Eles apenas participaram de várias faixas do álbum Yeezus (2013), do rapper americano Kanye West, e do single Starboy (2016), do astro canadense The Weeknd, sendo que este último atingiu o primeiro posto na parada americana. A informação sobre a separação foi confirmada por Kathryn Frazier, da assessoria da banda, e com o enigmático vídeo Epilogue.

Criado em 1993 em Paris, França, por Guy Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter, e usando como nome o título de uma ácida crítica sobre um trabalho anterior dos dois amigos, o Daft Punk lançou seu primeiro álbum, Homework, em 1997. O segundo, Discovery (2001), estourou graças ao hit One More Time , e os mostrava com as roupas de robô que passariam a usar desde então.

Desde o início, o duo francês mostrava sua intenção de não se restringir aos parâmetros habituais da música eletrônica, mergulhando em elementos de r&b, rock, pop, funk e disco music como forma de criar uma sonoridade própria, com pegada pop e dando valor a coisas como melodia e letras.

Em 2005, lançaram Humam After All, sem a mesma repercussão do CD anterior, mas chacoalharam o mundo do show business em 2006 com um mega-show no festival Coachella, nos EUA, revolucionando a forma de apresentar música eletrônica nos palcos e ajudando a criar uma jurisprudência de grandes espetáculos do gênero, até então confinado a clubes e salas mais restritas em termos de lotação.

A trilha do filme Tron: Legacy (2010) ajudou a dar uma ainda maior respeitabilidade a Homem-Christo e Balgalter, mas o que os tornaria uma dupla cultuada nos quatro cantos do mundo era, na verdade, um projeto que teve início em 2008, embora só tenha sido concretizado em 2013.

Random Access Memories marcou o desejo da dupla de misturar os sons eletrônicos com músicos de carne e osso, e traz inúmeras participações especiais marcantes, entre as quais as de Nile Rodgers, Giorgio Moroder, Paul Williams, Pharrell Williams e Nathan East. O disco vendeu milhões de cópias e emplacou dois dos maiores hits da década, as incríveis Move Yourself To Dance e Get Lucky.

Fica no ar a pergunta: o que os hoje ex-integrantes do Daft Punk farão a partir de agora? Será que irão se aposentar, quando se aproximam de completar 50 anos de idade? Farão trabalhos individuais como produtores ou artistas-solo? Montarão novos grupos? O futuro, e apenas ele, nos dirá. Enquanto isso, vale nos divertimos com as ótimas músicas deixadas por esses criativos robôs como maravilhosas heranças.

Veja o vídeo de despedida, Epilogue:

If I Could Only Remember My Name…- David Crosby (1971)

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Por Fabian Chacur

Quando o álbum If I Could Only Remember My Name… chegou às lojas de discos, mais precisamente no dia 22 de fevereiro de 1971, David Crosby já era um nome consagrado no cenário do rock. Primeiro, integrando de 1965 a 1968 os Byrds, banda que não só consolidou o folk rock como foi muito além, psicodelia e country rock afora. Em seguida, fazendo parte do supergrupo Crosby, Stills & Nash, que ganharia um Young adicional pouco após lançar o seu disco de estreia, em 1969.

A semente deste trabalho surgiu em julho de 1970, após o fim da turnê que o Crosby, Stills, Nash & Young realizou para divulgar seu álbum Déja Vú. O clima beligerante entre ele, Stephen Stills, Graham Nash e Neil Young colocou a banda no freezer por tempo indeterminado, com cada um deles tentando capitalizar para si próprios o imenso sucesso que a banda havia feito naqueles poucos, porém intensos e produtivos meses de existência.

Se o sucesso de sua banda certamente alimentava seu ego e sua alma, Crosby também administrava a imensa tristeza de ter perdido, no dia 30 de setembro de 1969, sua namorada, Christine Gail Hinton (1948-1969), em um fatal acidente automobilístico. Essa dor o levou a intensificar seu contato com o mar, a ponto de morar em seu barco, ancorado no porto de Sausalito, em Marin County.

Uma forma informal de definir o DNA do primeiro álbum individual do cantor, compositor e músico norte-americano nascido em 14 de agosto de 1941 é “solo, porém bem acompanhado”. E a explicação para tal definição vem do local onde o trabalho foi gravado e o clima reinante por aquelas plagas. Estamos falando do Wally Heider Studios, situado em San Francisco, Califórnia, um dos grandes polos do rock americano naquele período.

Com três salas de gravação disponíveis, o local era frequentado pelos mais badalados roqueiros da época. Naquele mesmo período, além do disco de Crosby, estavam sendo registrados outros dois trabalhos, o 1º disco solo de Paul Kantner, do Jefferson Airplane (Blows Against The Empire-1970), e um LP da genial banda psicodélica Grateful Dead (American Beauty-1970).

A informalidade e o bom relacionamento entre os músicos geravam colaborações espontâneas. Quando uma das sessões de gravação era interrompida para algum procedimento técnico, por exemplo, os músicos envolvidos nela de repente se viam no estúdio ao lado, e sem que nada fosse previamente combinado, surgia uma vocalização ali, uma slide guitar acolá, e, pronto, uma faixa clássica tomava forma de um jeito imprevisível.

Stephen Barncard, que se incumbiu da gravação e da mixagem de If I Could Only Remember My Name…, conta que vinha para cada dia de trabalho preparado para tudo o que pudesse rolar, pois os formatos variavam desde Crosby sozinho até um time com dez craques do rock ali, do nada, lado a lado. O legal é que, mesmo com esse clima de improviso constante, o resultado final conseguiu concisão suficiente para gerar um resultado antológico.

O braço direito de Crosby acabou sendo Jerry Garcia, o líder do Grateful Dead, que deu a várias faixas do LP um tempero todo especial com sua guitarra e especialmente com sua slide guitar. Além de integrantes do Dead, do Airplane, do Santana e do Quicksilver Messenger Service, o disco também trouxe os parceiros Graham Nash e Neil Young. Apenas Stephen Stills não marcou presença, dos craques do CSN&Y.

O repertório, selecionado entre canções compostas de 1968 a 1970, vai do clima hard rock da potente Cowboy Movie e da ardida What Are Their Names até a espiritualidade envolvente de Song With No Words (Tree With No Leaves). O álbum conseguiu bom resultado comercial, atingindo o posto de nº 12 na parada americana e vendendo mais de 500 mil cópias por lá, e a mesma posição na parada britânica.

As canções são tão boas que merecem serem detalhadas uma a uma, incluindo a escalação de músicos e cada uma delas, algo que você não encontra nos créditos do álbum, por sinal. Essas informações foram garimpadas de várias fontes, entre as quais os livretos das caixas Voyage– David Crosby (2006) e CSN– Crosby Stills & Nash (1991) e do livro Crosby Stills & Nash- The Biography (2000- Dave Zinner e Henry Diltz).

Music Is Love (David Crosby)- Vocais: David Crosby, Graham Nash e Neil Young. Violões: David Crosby e Neil Young. Congas: Graham Nash.
Esta foi a única faixa do disco gravada no A&M Studios em Los Angeles, California, e também a única produzida por Nash e Young. A gravação foi feita de improviso, e Crosby não pensava em incluí-la no disco, mas seus amigos gostaram tanto do resultado que levaram a fita, acrescentaram outros elementos e a devolveram a Crosby, que, ao conferir o resultado, viu que não poderia deixá-la de fora. O clima é de mantra, envolvendo o ouvinte logo nos primeiros acordes. Um belo pontapé inicial para o LP.

Cowboy Movie (David Crosby)-David Crosby (vocal, guitarra e palmas)- Jerry Garcia (guitarra)- Neil Young (guitarra), Phil Lesh (baixo)- Mickey Hart (bateria, percussão, palmas).
Neste rockão, belo sucessor de Almost Cut My Hair (do álbum Dèja Vú), Crosby conta de forma bem humorada, como se fosse o enredo de um faroeste, a história da separação do CSN&Y. Cada integrante mereceu um codinome. Crosby é o Old Weird Harold, Neil Young, o Young Billy, Stephen Stills, o Eli, Graham Nash, The Dynamiter, e a cantora Rita Coolidge, que gerou uma briga amorosa entre Stills e Nash (ganha por este último) é a Indian Girl. O clima de bangue-bangue também remete à capa de Dèja Vú, na qual os integrantes do CSN&Y aparecem trajados com roupas daquela época. O vocal vibrante de Crosby e o duelo de guitarras entre Young e Garcia são marcantes.

Tamalpais Hight (At About 3) (David Crosby)- David Crosby (guitarra, vocal)- Jerry Garcia (guitarra)- Jorma Kaukonen (guitarra)- Phil Lesh (baixo)- Bill Kreutzmann (bateria).
Sem letra, esta faixa se vale das envolventes vocalizações de Crosby para te levar a um clima contemplativo. A guitarra de timbre e inspiração jazzística é de Kaukonen, do Jefferson Airplane, em uma combinação de músicos que poderíamos apelidar de Jefferson Dead ou Grateful Airplane.

Laughing (David Crosby)- David Crosby (vocal, violão 12 cordas e guitarra)- Jerry Garcia (guitarra e pedal steel)- Phil Lesh (baixo)- Bill Kreutzmann (bateria)- Joni Mitchell (vocais).
Foi Crosby quem apresentou George Harrison ao trabalho de Ravi Shankar, e por tabela, à cultura oriental. Ele de certa forma se preocupava com a obcessão do amigo em descobrir a “verdade sobre a vida”, o que levou o músico britânico a se envolver com o célebre Maharishi. Daí surgiu a inspiração para a letra desta belíssima balada swingada, na qual podemos ouvir uma das grandes performances de steel guitar da história, pilotada pelo saudoso Jerry Garcia. Nos versos, Crosby diz ao amigo que, na verdade, a resposta que ele tanto procurava podia estar no sorriso inocente de uma criança tomando sol.

What Are Their Names (David Crosby-Neil Young-Jerry Garcia-Phil Lesh-Michael Shrieve)- David Crosby (violão e guitarra, vocais)- Jerry Garcia (guitarra)- Neil Young (guitarra)- Michael Shrieve (bateria)- David Frieberg, Jerry Garcia, Paul Kantner, Phil Lesh, Joni Mitchell, Graham Nash, Grace Slick (vocais).
Uma espécie de “quem é quem” no universo do rock americano de então, especialmente o de San Francisco. Balada climática, ardida, com letra cutucando a hipocrisia dos políticos, sempre tentando ocultar seus nomes na execução de fatos escusos e com objetivos corruptos e asquerosos.

Traction In The Rain (David Crosby)- David Crosby (vocal e violão)- Laura Allen (autoharp). Graham Nash (violão e vocais).
Canção acústica e doce, nas quais os acordes jazzísticos típicos da obra de Crosby prevalecem de forma cristalina, além da sutileza das intervenções de Laura Allen. Encantadora é pouco!

Song With No Words (Tree With No Leaves) (David Crosby)- David Crosby (guitarra, violão de 12 cordas e vocal)- Jerry Garcia (guitarra)- Jorma Kaukonen (guitarra)- Gregg Rolie (piano)- Jack Casady (baixo)- Michael Shrieve (bateria).
Em uma combinação que poderia ser apelidada de Jefferson Santana por mesclar músicos de duas bandas seminais do rock americano, Crosby nos encanta com outra faixa sem palavras, na qual a melodia melancólica e introspectiva é ressaltada por vocalizações simplesmente arrepiantes por parte do dono da festa.

Orleans (tradicional, adaptação David Crosby)- David Crosby (violões e vocais).
Doce canção folclórica bem adaptada pelo ex-integrante dos Byrds, na qual ele mais uma vez mostra sua incrível capacidade de fazer arranjos vocais com assinatura própria.

I’d Swear There Was Somebody Here (David Crosby)- David Crosby (vocais).
O título que esta peça com seis partes vocais, todas executadas pelo próprio artista, acabou ganhando (eu juro que tinha alguém aqui, em tradução livre) tem a ver com a impressão que Crosby afirma ter tido na hora em que a gravação estava sendo feita de que o espírito da amada Christine estava no estúdio. O resultado final reflete essa descrição, arrancando arrepios do ouvinte.

Obs.: em 2006, uma edição especial deste álbum trouxe uma faixa-bônus inédita, feita durante as gravações do álbum.
Kids And Dogs (David Crosby)- David Crosby (violão e voz)
Outro desses momentos maravilhosos de que Crosby é capaz se valendo apenas de violão e vocais.

A capa do álbum é uma foto de Robert Hammer registrando um frame de um filme de 16 mm que mescla de forma mágica o rosto de David Crosby e um pôr do sol em pleno mar, captando de forma lírica o espírito de navegador do roqueiro americano. Vale lembrar que David é filho de um cineasta premiado, Floyd Crosby, que ganhou o Oscar de melhor direção de fotografia em 1931 pelo filme Tabu: A History Of The South Seas.

Ouça If I Could Only Remember My Name em streaming:

Tuia lança single Flores da Manhã com Guarabyra e Zeca Baleiro

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Por Fabian Chacur

No segundo semestre deste ano, Tuia promete lançar um novo álbum, cujo título será Horizonte em Queda Vertical. A primeira amostra deste trabalho chega nesta sexta-feira (19) às plataformas digitais via Kuarup. Trata-se de Flores da Manhã, primeira canção composta pelo cantor, compositor e músico paulista em parceria com Guttemberg Guarabyra. Além do novo parceiro, também marca presença nesta gravação o cantor, compositor e músico maranhense Zeca Baleiro.

Flores da Manhã é uma bela balada folk que mostra o bom entrosamento entre Tuia e Guarabyra, que já trabalharam juntos na regravação da canção de Tuia Flor e também no projeto Nós do Rock Rural, que gerou diversos shows e um marcante álbum gravado ao vivo lançado pela Kuarup com as participações deles e também de Zé Geraldo e do saudoso Tavito. A gravação foi feita no estúdio Space Blues, de Alexandre Fontanetti.

Horizonte Em Queda Vertical marcará a volta de Tuia ao universo das composições inéditas autorais, e conta com a produção a cargo de Matheus Reis, músico de sua banda de apoio, e de Alberto Vaz. Este último é um engenheiro de áudio e produtor brasileiro formado na Berklee e radicado há dez anos em Nashville (EUA) que ficou conhecido por seu trabalho com a cantora, compositora e musicista americana Sheryl Crow, entre outros.

Flores da Manhã– Tuia, Guarabyra e Zeca Baleiro:

Trovadores Urbanos celebram 30 anos com uma série de seis lives

trovadores urbanos Foto marco aurelio olimpio

Por Fabian Chacur

Em um país no qual as iniciativas culturais infelizmente não costumam durar muito, é se estourar fogos o fato de os Trovadores Urbanos comemorarem 30 anos de existência. Nessas três décadas, o grupo se consolidou como um projeto cultural de fôlego, resgatando o costume das serenatas de antigamente com requinte, bom gosto e muita emoção. Para marcar essa efeméride bacana, eles iniciam nesta segunda-feira (22) uma série de seis lives temáticas nas quais mostram um pouco da abrangência de seu trabalho musical. A transmissão será a partir das páginas deles no Youtube (o link está aqui) e do Facebook.

A primeira live da série, nesta segunda (22) às 20h, terá como mote o tema Serenata. As próximas ocorrerão sempre às segundas, e sempre às 20h, nos dias 1º, 8, 15, 22 e 29 de março, com os temas Canções Paulistas, Copabacana, Amor Até o Fim e Serenata Para Silvio Caldas e Afeto. Formado por Maida Novaes, Juca Novaes, Valeria Caram e Eduardo Santana, o grupo paulistano contou nesse projeto com o apoio da Lei Aldir Blanc.

Veja o show Canções Paulistas, dos Trovadores Urbanos:

Khalil estreia em disco com um álbum vibrante e consistente

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Por Fabian Chacur

E há quem renegue a internet como um todo… Lógico que a rede mundial digital tem seus problemas, mas ela proporciona ao ser humano belas possibilidades. Sem essa ferramenta, por exemplo, o cantor, compositor e músico Khalil Magno Menegolo certamente não teria sido descoberto pelo fotógrafo e produtor brasileiro radicado em Portugal Sergio Guerra, ao postar de forma despretensiosa um vídeo de sua canção Quem é Deus. E, hoje, não teríamos à nossa disposição seu belo álbum de estreia, De Cara Pro Vento (Maianga Discos-Dubas).

Nascido em Sorocaba (SP), onde mora até hoje, Khalil começou a tocar violão aos 13 anos de idade em Belém do Pará, cidade originária da família materna. A paterna tem suas raízes em Garanhuns (PE). Após tocar em bares e mesmo em ônibus e nas ruas da sua cidade natal, ele começou a fazer vídeos caseiros de suas canções. E foi assim que ele foi descoberto e recebeu o convite de Sergio Guerra para gravar um disco em Portugal, em 2019.

Com produção, arranjos e programações a cargo de Alê Siqueira, o cantor que hoje beira os 25 anos de idade fez uma seleção de suas composições desses anos todos, e chegou ao repertório de 13 faixas que integra De Cara Pro Vento. Logo de início, chamam a atenção as suas letras, extensas e repletas de mergulhos certeiros nos vários aspectos da vida, indo do amor e relações humanas até a política, algo quase inevitável nos tempos atuais.

Tudo gira em torno de seu violão incisivo e da sua voz assertiva, forte, ora áspera, ora mais doce, refletindo influências de Caetano Veloso, Chico Cesar e de outros artistas capazes de fazer com categoria essa mistura dos ritmos brasileiros de raiz com uma urbanidade mais próxima dos sons universais. Mas essa brasilidade prevalece o tempo todo, com uma variação de levadas rítmicas e soluções melódicas muito bem concatenadas por ele.

Khalil mostra muita personalidade e desenvoltura em canções como Força, Seja Feliz, Quem é Deus? e Revolução dos Bichos. E vale destacar a belíssima edição física em CD de De Cara Pro Vento, no formato de um pequeno livro com capa dupla e encarte com as letras. De Sorocaba para o mundo, um artista que tem tudo para se firmar no cenário da música. Valeu, Dona Internet!

Ouça De Cara Pro Vento em streaming:

Wolfgang Van Halen anuncia data de lançamento de seu novo álbum

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Por Fabian Chacur

Em novembro de 2020, Wolfgang Van Halen lançou o emocionante vídeo de Distance, em homenagem a seu saudoso pai, o genial guitarrista Eddie Van Halen (veja o clipe e saiba mais aqui). Agora, ele anuncia a data de lançamento do primeiro álbum de seu projeto solo, o Mammoth WVH. Autointitulado, ele chegará às plataformas digitais e também será disponibilizado em diversos formatos físicos no exterior no dia 11 de junho via Explore1 Music Group-EX1 Records.

Além de Distance, mais uma faixa do álbum já está disponibilizada. Trata-se do consistente hard rock You’re To Blame. O trabalho traz 14 músicas e flagra o ex-baixista do Van Halen entre 2006 e 2020 se desdobrando em todos os instrumentos. Mammoth é um nome usado previamente pela banda do pai de Wolfgang antes de se definir por Van Halen como batismo certeiro e definitivo.

Para divulgar o futuro álbum em programas na TV americana como Jimmy Kimmel Live! e NBC News Today, Wolfgang reuniu um time de músicos que inclui, além dele próprio nos vocais e guitarra, os seguintes músicos: Ronnie Ficarro (baixo e vocais), Jon Jourdan (guitarra e vocais), Frank Sidoris (guitarra) e Garret Whitlock (bateria).

Eis as faixas de Mammoth WVH:
1. Mr. Ed
2. Horribly Right
3. Epiphany
4. Don’t Back Down
5. Resolve
6. You’ll Be The One
7. Mammoth
8. Circles
9. The Big Picture
10. Think It Over
11. You’re To Blame
12. Feel
13. Stone
14. Distance (Bonus Track)

You’re To Blame– Mammoth WVH:

Phil Collins lança série de podcasts falando sobre sua carreira

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Por Fabian Chacur

Se você é fã de Phil Collins e consegue se virar bem no idioma inglês, este lançamento é especialmente para você. Já está disponível nas plataformas digitais o episódio inicial de uma série de seis podcasts protagonizado pelo cantor, compositor e músico britânico intitulado The A-Z Of Phil Collins. O projeto surge para celebrar os 40 anos do lançamento de seu 1º álbum solo, Face Value, que saiu em 13 de fevereiro de 1981 e atingiu o 1º posto na parada britânica e o 7º nos EUA.

O programa inicial tem aproximadamente 22 minutos de duração, e sua concepção é simples. Trata-se de uma entrevista conduzida pelo jornalista britânico Matt Everitt, da produtora de conteúdo Cup & Nuzzle, que aborda fatos importantes na carreira do astro pop sempre partindo de uma letra do alfabeto. Tipo D, de Disney, que nos leva à trilha de Tarzan (1999), cuja canção You’ll Be In My Heart rendeu um Oscar ao ex-integrante do Genesis.

Ouça o primeiro episódio de The AZ Of Phil Collins:

Fleetwood Mac relança LP ao vivo de 1980 com faixas-bônus

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Por Fabian Chacur

Está prevista para o dia 9 de abril o lançamento pela Warner Music da Super Deluxe Edition referente ao álbum Fleetwood Mac Live (1980). Trata-se de um relançamento luxuoso que no Brasil chegará apenas nas plataformas digitais. No exterior, teremos um CD triplo, um LP duplo de vinil e um single bônus de 7 polegadas com demos das faixas Fireflies e One More Night.

Lançado originalmente em dezembro de 1980, o álbum ao vivo flagra a seminal banda no auge de sua popularidade. Além de energéticas versões de canções de sucesso, o disco original também trazia como novidades três faixas até então inéditas na interpretação do quinteto. São elas One More Night (Christine McVie), Fireflies (Stevie Nicks) e The Farmer’s Daughter (Brian Wilson e Mike Love), esta última gravada originalmente pelos Beach Boys em 1963 no álbum Surfin’ USA.

O grande atrativo para os colecionadores é o terceiro CD, que conta com gravações ao vivo realizadas entre os anos de 1977 e 1982. Uma dessas faixas, The Chain, já está disponível nas plataformas digitais, e foi gravada em um show realizado em Cleveland no dia 20 de maio de 1980. O álbum original atingiu o 14º posto na parada dos EUA.

Disco 1: Album Original Remasterizado

Monday Morning
Say You Love Me
Dreams
Oh Well
Over & Over
Sara
Not That Funny
Never Going Back Again
Landslide

Disco 2: Álbum Original Remasterizado

Fireflies
Over My Head
Rhiannon
Don’t Let Me Down Again
One More Night
Go Your Own Way
Don’t Stop
I’m So Afraid
The Farmer’s Daughter

Disco 3 (gravações inéditas)

Second Hand News
The Chain
Think About Me
What Makes You Think You’re The One
Gold Dust Woman
Brown Eyes
The Green Manalishi (With The Two-Pronged Crown)
Angel
Hold Me
Tusk
You Make Loving Fun
Sisters Of The Moon
Songbird
Blue Letter
Fireflies – Remix – Long Version

Ouça The Chain (live 1980- Cleveland)- Fleetwood Mac:

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