Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Suzanne Vega relê um clássico de Lou Reed em novo álbum ao vivo

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Por Fabian Chacur

Já tem data marcada o lançamento do novo álbum de Suzanne Vega. A gravadora Cooking Vinyl promete para o dia 1º de maio a chegada ao mercado discográfico de An Evening Of New York Songs And Stories. Só pra variar, o trabalho deve chegar no Brasil apenas pela via digital, embora com versões físicas no mercado internacional. E a primeira faixa já está disponível nas gloriosas plataformas digitais.

Trata-se de uma releitura elegante e classuda de Walk On The Wild Side, maior sucesso da carreira do saudoso Lou Reed, de quem Suzanne era amiga. O álbum foi gravado ao vivo no início de 2019 no café Carlyle, um local badalado e aconchegante situado em (adivinhem?) Nova York. No show, a estrela folk teve a seu lado Gerry Leonard (guitarra), Jeff Allen (baixo) e Jamie Edwards (teclados).

O repertório mescla hits de miss Vega como Luka e Tom’s Dinner com faixas menos conhecidas de seu songbook, entre as quais Frank And Ava (do CD Beauty And Crime, de 2007) e Ludlow Street (do CD Close-Up Vol.4 Songs Of Family, de 2012). Tem também New York Is My Family, de seu mais recente trabalho de estúdio, Lover, Beloved: Songs From An Evening With Carson McCullers (2016).

Walk On The Wild Side (live)- Suzanne Vega:

Smokey Robinson, 80 anos, um dos grandes gênios da música pop

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Por Fabian Chacur

Smokey Robinson completou 80 anos de idade nesta quarta-feira (19). É o tipo da efeméride que os fãs da boa música devem celebrar com muita alegria e gratidão. Afinal de contas, poucos caras nessa área possuem um currículo desse naipe. Cantor, compositor, produtor e executivo de gravadora, ele construiu uma obra repleta de grandes momentos, com uma excelência poucas vezes vista. É gênio que se fala? Este cara é!

Nascido em Detroit (EUA) em 19 de fevereiro de 1940, William Robinson Jr. iniciou sua trajetória na música em 1955 ao criar um grupo vocal com os amigos Ronnie White, Pete Moore, Bobby Rogers e Claudette Rogers, contando depois com o guitarrista Marv Taplin como músico de apoio. Depois de alguns anos na estrada, eles conseguiram uma audição com o manager de Jackie Wilson, um grande cantor de r&b e soul na época na crista da onda.

Para decepção dos amigos, o empresário não viu muito valor no trabalho deles, encarando-os como uma mera cópia dos Platters. No entanto, alguém que participou desta mesma reunião teve outro pensamento em relação ao que ouviu. Era Berry Gordy, um jovem compositor que tentava se firmar na cena musical, escrevendo hits para Jack Wilson como Reet Petite e Lonely Teardrops.

Gordy adorou o grupo, e se propôs a buscar uma gravadora para lançar seus trabalhos. Conseguiu que eles lançassem singles para alguns selos em 1958 e 1959, mas os resultados comerciais eram sempre abaixo do esperado. É nesse momento que Smokey incentiva seu manager a montar uma gravadora própria. Dessa forma, nasceu a Tamla-Motown. E o líder dos Miracles se mostrou decisivo para o sucesso daquela nova empresa discográfica.

Versátil, Smokey Robinson ia além de ter um dos falsetes mais envolventes da história da música pop e de liderar um grupo matador em termos artísticos e comerciais. Ele também era um compositor talentosíssimo, tanto sozinho como com diversos parceiros. Boa parte dos primeiros grandes êxitos da Motown ocorreram com músicas de sua autoria, abrindo caminho para que outros autores também contribuíssem.

Até o fim dos anos 1960, Smokey simplesmente não saiu das paradas de sucesso. Capaz de compor canções românticas e dançantes com várias levadas diferentes, ele de quebra foi considerado o maior poeta da música pop. Sabem por quem? Apenas e tão somente Bob Dylan! De quebra, ainda tinha fãs como os Beatles, por exemplo, que regravaram com muita categorias You Really Got a Hold On Me em seu álbum With The Beatles (1963).

Com os Miracles, ele emplacou hits eternos do porte de The Track Of My Tears, I Second That Emotion, Going To a Go-Go, Shop Around, Ooo Baby Baby, The Tears Of a Clown e More Love, só para citar algumas das faixas mais marcantes.

Como autor, arranjador e produtor, a lista se amplia com clássicos registrados originalmente pelos Temptations (The Way You Do The Things You Do, My Girl, Get Ready), Mary Wells (My Guy) e Marvin Gaye (I’ll Be Doggone e Ain’t That Peculiar). E ele ainda acumulava a função de vice-presidente da Motown, cargo para o qual foi nomeado por Berry Gordy por seu jogo de cintura com os artistas.

Lógico que seria complicado manter esse pique, e em 1972, Smokey anunciou sua saída dos Miracles, com o intuito de se dedicar exclusivamente ao seu lado executivo de gravadora. Isso não teria como dar certo, se levarmos em conta a paixão dele pela música, e em 1973 ele dá início a sua carreira-solo.

No início, ele teve menos sucesso comercial do que seu ex-grupo, que seguiu em frente com Billy Griffin em sua vaga. Mas isso não significa queda de qualidade artística. Um bom exemplo é Quiet Storm (1975), cuja faixa-título teve tanto sucesso nas rádios black que logo denominou um novo estilo de programação radiofônica, incluindo aquelas canções que misturam o romantismo sensual com o swing, uma “tempestade quieta” mesmo.

Em 1979, a má fase acabou quando a maravilhosa Cruisin’, escrita em parceria com o velho amigo Marv Tarplin, invadiu a parada pop e o trouxe com força de novo às paradas pop. Essa balada estilo “quiet storm” também estourou no Brasil, integrando com destaque a trilha da novela global Água Viva em 1980.

Logo a seguir, em 1981, Being With You mostrou que a década de 1980 não passaria em branco para Smokey Robinson. Na voz dele e também na de outros, vide a excelente repercussão da regravação feita pelos Rolling Stones de Going To a Go-Go, incluída no álbum ao vivo Still Life (1981).

Em sua trajetória, Smokey gravou com vários artistas bacanas, como Tammy Wynette, The Manhattan Transfer e Dolly Parton. Um dos maiores hits oriundos deste tipo de parceria veio em 1983 com Ebony Eyes, dueto com o mestre da funk music Rick James e daquelas baladas que se recusam a sair das programações das rádios especializadas em programação de flash back.

Após um período de quatro anos durante os quais teve de superar problemas pessoais, nosso herói voltou ao mercado discográfico de forma vigorosa. Seu álbum One Heartbeat (1987) emplacou duas de suas faixas no Top 10 da parada americana, a deliciosa balada One Heartbeat e a swingada, com influência até de bossa nova, Just To See Her, ambas de outros autores, prova de que Smokey também sabe transformar composições alheias em ouro puro. De quebra, ganhou um disco de ouro e também seu primeiro Grammy.

O reconhecimento a essa trajetória brilhante veio nos anos seguintes. O astro entrou para o Rock And Roll Hall Of Fame em 1987 e no Songwriters Hall Of Fame em 1990, e ainda foi laureado em 2016 com o Gershwin Prize, premiação oferecida pela Biblioteca do Congresso Norte-Americano. E ainda participou do projeto USA For Africa, em 1985, cuja música We Are The World é uma das maiores reuniões de lendas da música jamais realizada. Ele está lá, merecidamente.

As canções de Smokey Robinson foram regravadas por inúmeros artistas, entre os quais Linda Ronstadt, Johnny Rivers, Michael Jackson e Kim Carnes. Ele também teve canções feitas em sua homenagem. Ninguém menos do que George Harrison compôs a belíssima Pure Smokey, lançada por ele em 1976 em seu álbum 33 1/3, enquanto o grupo pop britânico ABC estourou em 1987 com a incrível When Smokey Sings, do álbum Alphabet City (1987).

Na última década, o cantor permaneceu na ativa, fazendo shows e gravando. Ele lançou em 2014 o álbum Smokey & Friends, no qual relê 11 de seus clássicos em parceria com artistas do porte de Elton John, Steven Tyler (do Aerosmith), John Legend, James Taylor e Sheryl Crow. O álbum foi o mais bem-sucedido do artista em muitos anos, atingindo o 12º lugar na parada americana. E em 2019 ele participou do álbum Ventura, do talentoso astro do r&b Anderson.Paak, mais precisamente da faixa Make It Better.

Se você conseguiu chegar até aqui e desconhecia boa parte ou alguns dos momentos dessa trajetória fantástica, duvido que seus ouvidos não estejam coçando para conhecer melhor o trabalho de Smokey Robinson. Para quem gosta de música pop de alta qualidade, é quase obrigatório ouvi-lo. Se isso ocorrer, minha missão está cumprida!

The Track Of My Tears– Smokey Robinson And The Miracles:

Pearl Jam lança Superblood Wolfmoon, 2º single de Gigaton

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Por Fabian Chacur

Já está disponível nas plataformas digitais o segundo single a ser extraído de Gigaton, primeiro álbum de inéditas do Pearl Jam desde Lightning Bolt (2013). Trata-se de Superblood Wolfmoon, que chega após a boa repercussão da faixa que abriu a divulgação deste trabalho, Dance Of The Clayrvoyants (ouça aqui ), com bem trabalhadas referências da extinta banda americana Talking Heads.

Superblood Wolfmoon, por sua vez, nos oferece muita energia e um pique que pode ser situado entre o power pop e a new wave do fim dos anos 1970. Gigaton tem previsão de lançamento para o dia 27 de março, trará 12 faixas inéditas e conta com produção da própria banda em parceria com Josh Evans.

Ouça Superblood Wolfmoon, do Pearl Jam:

Rec-Beat celebra 25 anos de festival com edição no carnaval

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Por Fabian Chacur

Se para realizar uma única edição de um festival no Brasil já costuma ser um parto de dinossauro, imaginem fazer isso anualmente, e por um quarto de século. Pois é esse o mote da edição de 2020 do Rec-Beat, que celebrará 25 anos de existência em pleno carnaval, de 22 (sábado) a 25 (terça) deste mês no Cais da Alfândega, em Recife (PE), com entrada gratuita e um elenco que mantém as principais características dessa verdadeira celebração cultural e musical.

O conceito por trás do evento idealizado e criado em 1995 por Antonio Gutierrez, o Gutie, envolve a abertura para os mais diversos estilos musicais, sempre com as portas escancaradas para novidades quentes e não limitando seus horizontes. Dessa forma, conseguiu fazer um belo panorama de tudo o que ocorreu no cenário musical nesses anos todos, fugindo de preconceitos, restrições ou posturas engessadas.

A edição 2020 traz atrações nacionais do primeiro escalão na cena indie, como Karina Buhr, Emicida, Flaira Ferro e Liniker e os Caramelows. Como de praxe, também teremos atrações internacionais, desta vez oriundas da Bélgica, Alemanha, França, Marrocos e Ilha da Providência, com artistas como Guts, Black Flower e Guts. Teremos também o RecBitinho, especialmente para as crianças, com programação especial.

Saiba mais sobre o festival aqui.

PROGRAMAÇÃO – FESTIVAL REC-BEAT 2020 – 25ª EDIÇÃO

Sábado, dia 22/02/2020
19h00 – Estesia part. MC Draak (PE)
20h00 – Elkin Robinson (Ilha de Providência)
21h00 – Martins (PE)
22h00 – Rayssa Dias (PE)
23H10 – Hot & Oreia (MG)
00h30 – Karina Buhr (PE)
* DJ Punny (PE) nos intervalos

Domingo, dia 23/02/2020
19h30 – DJ Nadejda (PE)
20h00 – Nina Oliveira (SP)
21h00 – Josyara (BA)
22h00 – BAD DO BAIRRO (SP)
23h10 – N3rdistan (Marrocos)
00h30 – Omulu (RJ)

Segunda, dia 24/02/2020
19h30 – DJ Libra (PE)
20h00 – Ana Frango Elétrico (RJ)
21h00 – Flaira Ferro (PE)
22h00 – DJ Dolores & Recife 19 (PE)
23h10 – Guts (França)
00h30 – Emicida (SP)

Terça, dia 25/02/2020
19h00 – DJ Milena Cinismo (PE)
19h45 – Cafurnas Fulni-Ô (PE)
20h30 – Black Flower (Bélgica)
21h30 – Johnny Hooker (PE)
23h00 – Liniker e os Caramelows (SP)
00h30 – Festa Balbúrdia com Daniel Haaksman (Alemanha)

Ouça o álbum Desmanche, de Karina Buhr, em streaming:

Ira! apresenta uma amostra do conteúdo de seu novo trabalho

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Por Fabian Chacur

Já está disponível nas plataformas digitais, com distribuição a cargo da Ditto Music, o novo single do Ira!, intitulado O Amor Também Faz Errar. A faixa é a primeira prévia de Ira (isso mesmo, sem ponto de exclamação), primeiro álbum de inéditas da consagrada banda paulistana desde Invisível DJ (2007) e com previsão de lançamento para maio, ainda sem a divulgação dos formatos em que estará disponível. A produção ficou a cargo do badalado Apollo 9, e foi registrado no estúdio A9, em São Paulo, eterna sede desse grupo criado nos idos de 1981 na Vila Mariana.

O grupo voltou à cena em maio de 2014 após anos de brigas na justiça e muitas desavenças. O retorno ocorreu mantendo a penas a essência do time, com os fundadores Nasi (vocal) e Edgard Scandurra (guitarra e vocal). Ricardo Gaspa e André Jung, os outros parceiros da formação clássica, deram suas vagas a, respectivamente, Johnny Boy (baixo) e Evaristo Pádua, que, no entanto, não aparecem nas fotos de divulgação da nova fase dos caras.

O single, com mais de quatro minutos de duração, flagra Nasi e Edgard (este, o autor da canção) em ótima forma, com uma levada clássica da banda e aquele sabor de rock balada com temática afetiva e existencial que sempre marcou seus trabalhos de maior sucesso. Ira será o 15º álbum do Ira!, englobando gravações ao vivo, e vem após o projeto Ira! Folk (2016-2017), no qual o grupo releu seus hits em formato centrado em vozes e violões.

O Amor Também Faz Errar– Ira!:

Sweet Baby James (1970) tirou James Taylor do anonimato

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Por Fabian Chacur

Entre os 20 álbuns de estúdio gravados por James Taylor, Sweet Baby James, lançado em fevereiro de 1970, possui uma importância imensa. Trata-se do trabalho que o tirou do anonimato e o impulsionou rumo ao estrelato em termos mundiais, graças especialmente à faixa Fire And Rain, seu primeiro grande hit. De quebra, ainda abriu as portas para o sucesso comercial de uma vertente importante da musica, o bittersweet rock, pontuado por melodias doces e envolventes abrigando letras sobre duras e amargas experiências da vida real de seus autores.

Este álbum atingiu o 3º lugar na parada de sucessos americana, onde se manteve por dois longos anos, e vendeu até hoje naquelas plagas em torno de três milhões de cópias. Também foi bem no Reino Unido, onde ocupou o 6º posto, e no resto do mundo, Brasil incluso. O single Fire And Rain obteve o mesmo nº 3 nos EUA. São números expressivos, que o artista repetiria nos anos seguintes.

O legal é saber que, se levarmos em conta toda a estrada percorrida por Taylor até lançar esse disco, chega a ser um milagre não só esse resultado incrível ter sido obtido em termos comerciais e artísticos, mas o simples fato de o seu autor ter conseguido se manter vivo para gravá-lo.

Aí vai um relato no melhor estilo textão de como foi essa incrível trajetória, repleta de idas e vindas e, felizmente, com um final mais do que feliz.

Um cowboy suave e solitário

James Vernon Taylor nasceu em 12 de março de 1948 em Boston, mas passou boa parte da infância e adolescência no estado da Carolina do Norte, curtindo as férias de verão na Martha’s Vineyard, uma ilha na costa nordeste dos EUA. E foi ali que conheceu um garoto dois anos mais velho do que ele, Danny Kortchmar, morador de Nova York e que se mostraria decisivo em sua vida profissional.

Desde cedo, o interesse pela música levou o segundo de uma família de cinco irmãos a aprender a tocar instrumentos musicais, sendo que o violão se tornou o seu favorito. Ouvindo Woody Guthrie, rock and roll, country, rhythm and blues e folk, aos poucos moldou uma sonoridade própria no violão, marcada por seu dedilhado característico e fluente.

Em 1965, no entanto, obstáculos surgem à sua frente. Logo de cara, uma forte depressão o leva a optar por um tratamento psiquiátrico que durou longos nove meses. Quando esse difícil processo teve fim, ele foi encorajado por Danny Kortchmar a não só se mudar para a efervescente Nova York, como a criarem uma banda. Isso se concretizou em 1966, com o nome The Flying Machine.

O novo grupo, que também incluía Joel O’Brien (bateria) e Zachary Wiesner (baixo), gravou um single para o selo Jubillee com as músicas Night Owl e Brighten Your Night With My Day. Eles registraram outras faixas, mas o insucesso comercial do single levou a gravadora a abdicar de lançá-las, o que precipitou o fim do grupo, algo acelerado por novos problemas de Taylor, agora ligados ao vício em heroína, contraído naquela megalópole.

Como sempre costuma ocorrer nesses casos, as faixas arquivadas pela Jubilee acabaram sendo lançadas em 1971, quando Taylor havia se tornando uma estrela pop, no álbum James Taylor And The Original Flying Machine, que o artista não só repudia como fez questão de escrever “bootleg” (pirata) no autógrafo que me deu em 1994 em sua versão em vinil. Ele não autorizou esse lançamento.

Curiosamente, uma banda britânica também chamada The Flying Machine fez bastante sucesso em 1969, inclusive no Brasil, com a deliciosa balada Smile a Little Smile For Me, o que ainda hoje leva algumas pessoas a pensarem se tratar do mesmo grupo, o que não é verdade.

Nova internação, operação na garganta e Londres

A passagem de James Taylor por Nova York rendeu ao artista não só o vício em heroína como também danos em suas cordas vocais devido à forma inadequada como as usava em shows e gravações. Além do tratamento para tentar se livrar das drogas, ele de quebra teve de operar a garganta para resolver esse problema.

No final de 1967, sentindo-se pronto para continuar a investir na carreira musical, resolveu tentar a sorte em Londres, naquele momento a verdadeira meca do novo rock, graças especialmente aos Beatles. Com um contato feito através do amigo Danny Kortchmar, ele teve a oportunidade de conhecer Peter Asher, que surgiu no meio artístico como integrante da dupla Peter & Gordon, conhecida pelo sucesso com canções compostas por Lennon & McCartney como A World Without Love e Nobody I Know.

Com o fim da dupla, Asher iniciava na época a carreira como produtor, e foi um dos escolhidos para trabalhar na gravadora que os Beatles criaram em 1968, a Apple. Ao ouvir as canções de Taylor, ele se apaixonou de imediato e conseguiu convencer seus patrões a contratá-lo.

Gravado de julho a outubro de 1968, James Taylor (o álbum) recebeu elogios por parte da crítica e possui boas canções e alguns momentos bem interessantes, mas padece dos pomposos arranjos de cordas a cargo de Richard Hewson, com direito a pequenos interlúdios entre uma canção e outra. Os arranjos também não ajudaram, assim como os vocais do artista ainda pareciam buscar seu melhor caminho. Nem a participação de Paul McCartney tocando baixo em Carolina In My Mind deu força significativa ao álbum.

Para piorar ainda mais as coisas, dois fatores adicionais foram decisivos para que o disco de estreia do artista americano fosse um fracasso comercial: a falta de organização da Apple, que só conseguia divulgar bem os trabalhos dos próprios Beatles, pecando em relação a seus contratados, e a novos problemas de saúde de Taylor.

Sim, acredite se quiser. Outra vez as drogas entraram no caminho do cantor e compositor, desta vez aparentemente para tirá-lo de cena de uma vez por todas. Como teve de voltar para os EUA, ele estava internado quando o álbum foi lançado, e isso obviamente também prejudicou e muito seu lançamento, sem shows ou divulgação em rádios e TVs. Pelo visto, era mais um caso perdido na cena musical.

Volta aos EUA, Warner e enfim o sucesso

Se muita gente jogou a toalha para aquele jovem então com 21 anos de idade, dois caras se mostraram decisivos para que a vaca não atolasse de vez no brejo. Um foi Peter Gordon. Mesmo diante de tanta encrenca, ele continuou acreditando no potencial artístico de Taylor, a ponto de pedir as contas na Apple e se mudar para os EUA junto com o artista, tornando-se seu produtor e empresário.

O outro, como você provavelmente já deve ter deduzido, foi Danny Kortchmar, que não só o auxiliou nesse momento tão difícil como de quebra se tornou o guitarrista de sua banda de apoio. Após alguns meses de internação, Taylor volta com o objetivo de dar de vez a volta por cima. E ele consegue uma temporada de seis shows em julho de 1969 no Troubadour, badalada casa de shows em Los Angeles e verdadeiro celeiro da nova geração do rock americano.

Lá, ele conheceu Carole King, uma consagrada compositora que naquele momento iniciava sua trajetória como artista solo, cantando e se acompanhando ao piano. A amizade entre os dois a levou a também ingressar em sua banda de apoio como pianista. A ótima repercussão dos shows no Troubador e também no festival folk de Newport naquele mesmo julho criaram a expectativa de que, enfim, as coisas iriam adiante.

Só que mais um último obstáculo surgiria à frente desse destemido cowboy musical. Um acidente de moto lhe rendeu fraturas nos braços e nas pernas, mais uma vez o tirando de cena. Felizmente, ele não demorou tanto assim para se recuperar, e Asher conseguiu para ele um contrato com a gravadora Warner, que o colocou em estúdio em dezembro de 1969 com o intuito de gravar um novo álbum. Nascia, então, Sweet Baby James.

O disco certo na hora certa

1970 foi um ano de muitas mudanças no cenário musical. De um lado, os Beatles e Simon & Garfunkel chocavam o mundo ao anunciaram suas separações. Jimi Hendrix e James Joplin nos deixaram de forma trágica, ambos com apenas 27 anos de idade. Do outro, novos nomes apareciam com propostas diferenciadas e muitas vezes opostas, como o som pesadíssimo do Black Sabbath, o progressivo de Yes, Genesis, King Crimson e Pink Floyd e um certo David Bowie, intrigando a todos com sua versatilidade.

Em meio a tudo isso, também tínhamos alguns cantores e cantoras que, influenciados por folk, country e rock, propunham uma sonoridade mais introspectiva, centrada nos violões e nas vocalizações, quase um contraponto à psicodelia e ao que viria a se transformar no hard-heavy rock. E coube justamente a James Taylor ser aquele artista a abrir as portas para que os outros seguidores dessa vertente tivessem espaços na mídia e nas gravadoras.

Desta vez, Peter Asher soube dirigir de forma mais eficaz a produção, centrando esforços para que os pontos de maior destaque fossem as canções, devidamente conduzidas pela agora impecável voz de Taylor e por seu violão robusto e até simples, mas de uma assinatura forte e cativante.

Para acompanhá-lo, além de Kortchmar e Carole, um time de músicos talentosos, tarimbados e capazes de seguir as diretrizes daquela sonoridade, entre os quais o baterista Russell Kunkel, que tocaria com Taylor durante muitos anos. Randy Meisner, que em 1971 integraria a formação original dos Eagles, marca presença tocando baixo nas faixas Country Road e Blossom. Outros nomes bacanas são John London (baixo) e Red Rhodes (steel guitar).

Com o repertório bem ensaiado, as gravações não demoraram muito, tendo sido realizadas entre os dias 8 e 17 de dezembro de 1969 no estúdio Sunset Sound, em Los Angeles.

Fire and Rain, um desabafo repleto de dor e emoção

Fire And Rain, a canção mais conhecida deste álbum, equivale a um retrato doído do momento difícil pelo qual James passava naquele 1968. Começa com a notícia tardia do suicídio de uma amiga de infância, Suzanne Schnerr. A morte ocorreu durante as gravações de James Taylor (o álbum), mas a notícia só foi revelada a ele após os trabalhos terem sido encerrados, o que o desagradou bastante.

“Just yesterday morning they let me know you were gone, Susan the plans they made put an end to you” (apenas na manhã de ontem eles me deixaram saber que você se foi, Susan, os planos que eles fizeram puseram um fim em você).

A seguir, ele deixa clara sua intenção, e também suas próprias aflições: “I walked out this morning and I wrote down this song, I just can’t remember who to send it to” (eu levantei essa manhã e escrevi esta canção, eu só não consigo me lembrar de para quem eu a irei enviar).

O relato fica ainda mais forte quando ele relembra simbolicamente que viu fogo e viu chuva, dias de sol que nunca passavam. Ou seja, muita dor. E completa: “I’ve Seen Lonely Times When I Could Not Find a Friend” (vi tempos solitários, quando não pude encontrar um amigo).

Outro trecho marcante é “Sweet dreams and flying machines in pieces on the ground” (sonhos suaves e flying machines em pedaços no chão), sendo que aí a citação ao fim precoce de seu grupo The Flying Machine é direta.

Acompanhados por uma melodia impecável e um acompanhamento instrumental na medida certa, Fire And Rain é até hoje uma das canções mais pedidas nos shows de James Taylor. Ele até brincou com isso na letra de uma canção que lançou em 1985, That’s Why I’m Here: “fortune and fame’s such a curious game, perfect strangers can call you by name, pay good money to hear Fire And Rain, again and again and again” (fortuna e fama é um jogo curioso, pessoas que você certamente não conhece podem te chamar pelo nome, pagar um bom dinheiro para ouvir Fire And Rain mais uma vez, e outra, e outra)

As outras canções de Sweet Baby James

As onze canções incluídas Sweet Baby James trazem como temas gerais a solidão, o sofrimento, a esperança, o amor, a estrada percorrida e os diversos caminhos da vida, como ilustra bem a já analisada Fire And Rain. Apenas uma não é de autoria de James Taylor. Trata-se de Oh! Susanna, composição de Stephen Foster lançada no longínquo 1847 e provavelmente a mais conhecida e popular canção folclórica americana de todos os tempos, aqui em uma releitura descontraída e personalizada.

A faixa que dá nome ao disco, constante nos set lists de Taylor desde então, é uma valsa country na qual ele se descreve como uma espécie de cowboy solitário, que sonha com garotas e copos e mais copos de cerveja e vive na estrada, nas montanhas e sem rumo. Bem um retrato dele naquela época, pois se revesava em casas de amigos, sem ter um lar fixo.

Lo And Behold é um blues a la James Taylor que questiona de forma bem-humorada os dogmas da religião. Singela, Sunny Skies divaga em torno de montanhas ensolaradas e alguma garota com esse nome-apelido.

Steamroller (também conhecida como Steamroller Blues) também frequenta os shows de Mr. Taylor até hoje, e é um blues mais ardido e também mais próximo dos parâmetros tradicionais deste gênero musical.

Outro momento mais conhecido do álbum, Country Road é um soft rock estradeiro, outra com Jesus no meio (ele é citado em várias das canções, por sinal, prova do aparente conflito do artista naquela fase de sua vida com as religiões). Blossom investe em delicadeza e louva uma garota, enquanto Anywhere Like Heaven também nos coloca de frente a divagações existenciais de um estradeiro.

Oh, Baby, Don’t You Loose Your Lip On Me é outro blues, bem curto e de teor bem sacana, por sinal.

A faixa que encerra o álbum, Suite For 20 G, tem uma origem bem divertida. Taylor estava na fase final do álbum, e ficou acordado com a gravadora que ele receberia 20 mil dólares (hoje equivalente a algo em torno de 140 mil dólares) logo que completasse o disco.

Como forma de acelerar o processo e por rapidamente a mão nessa grana toda, ele reuniu três canções inacabadas que tinha em mãos e fez essa suite, que no fim das contas ficou bem legal, com direito a citação de títulos de clássicos do rock and roll como Bonnie Moronie, Peggy Sue e Rockin’ Pneumonia And The Boogie Woogie Flu.

Um modelo para os próximos álbuns

Pode-se dizer sem susto que Sweet Baby James criou os parâmetros a partir dos quais os próximos álbuns de James Taylor seriam concebidos. Não só os dele, por sinal, mas os de muitos outros seguidores do bittersweet rock. Ele achou seu timbre de voz e o som ideal do seu violão neste álbum.

Em 16 de março de 1971, James Taylor concorreu na 13ª edição do Grammy nas categorias Record Of The Year (com Fire And Rain) e Album Of The Year (com Sweet Baby James), mas perdeu em ambas para Simon & Garfunkel com seu icônico Bridge Over Troubled Water (single e álbum).

No futuro, ele ganharia cinco desses troféus, venderia milhões de cópias de seus discos, tocaria para plateias lotadas nos quatro cantos de mundo, emocionaria as plateias de um certo festival realizado em janeiro de 1985 e muito mais, mas isso a gente conta em outra ocasião. Nada mal para alguém que ficou tão perto da morte ainda muito cedo, e que viu tanto fogo e tanta chuva. Um sobrevivente dos bons!

Ouça Sweet Baby James em streaming:

Ana de Oliveira e Sérgio Ferraz e seu belo trabalho instrumental

CARTA DE AMOR E OUTRAS HISTORIAS CD CAPA-400x

Por Fabian Chacur

Fazer música instrumental no Brasil nunca foi para fracos. Com poucos espaços para divulgação e não muito apoio na mídia, os profissionais dispostos a encarar essa vertente musical precisam de muita garra, dedicação e paciência para construir uma trajetória vitoriosa. Por isso, é de se aplaudir o duo Ana de Oliveira e Sérgio Ferraz pelo lançamento de seu primeiro álbum, Carta de Amor e Outras Histórias (independente, distribuído pela Tratore), disponível em CD e também nas plataformas digitais. Um trabalho de rara beleza e consistência artística.

A parceria entre o violonista Sérgio e a violinista Ana surgiu em 2018 durante a realização do MIMO Festival, em Olinda (PE).O curioso fica por conta dela ser paulistana, ele pernambucano e ambos serem radicados no Rio de Janeiro. Uma espécie de dica de como a brasilidade sem fronteiras marca a musicalidade de ambos. E se o duo é recente, o currículo prévio dele é bem expressivo.

Ana de Oliveira é mestre em música pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e graduou-se na classe de Rainer Kussmaulna na Escola Superior de Música em Freiburg, Alemanha, cidade onde viveu durante nove anos. Ela se apresentou como solista com diversas orquestras no Brasil e no exterior, e também atuou e atua em grupos de câmara, entre os quais o Trio Puelli, além de participar de diversos álbuns.

Por sua vez, Sérgio Ferraz é bacharel em música pela Universidade Federal de Pernambuco. Ele toca vários tipos de violão, guitarra e violino. Atuou em vários grupos e integrou aquele que, entre 2008 e 2014, acompanhou o consagrado escritor Ariano Suassuna em suas aulas-espetáculo. Gravou vários discos individuais e atuou com diversos grupos, além de ser compositor refinado.

É evidente que dois músicos tão talentosos e com trajetórias significativas não se uniriam para perder tempo, e o álbum Carta de Amor e Outras Histórias mostra isso logo de cara em sua capa, maravilhosa, de autoria de Romero Andrade Lima e com design gráfico de Guga Burckhardt. O belíssimo encarte, com belas imagens, ótimo texto de Ricardo Tacuchian e muita informação (em português e inglês), agrega muito valor ao CD físico.

O trabalho é totalmente acústico, com Ana se incumbindo do violino e Sérgio se desdobrando entre violões de oito e doze cordas. Em duas das oito faixas que integram este CD, temos a participação do consagrado percussionista Marcos Suzano. A maior parte das composições é de autoria de Sérgio, sendo FrevoKaratê, Eterna, Carta de Amor e Lôro de Egberto Gismonti (uma importante influência no trabalho do duo), e Cadenza de Ana.

O diálogo musical desenvolvido pelo duo no álbum é dos mais fluentes, desrespeitando com muita inspiração e irreverência criativa os limites da música popular e erudita, conseguindo nesse processo uma sonoridade que evoca a riqueza musical de um país cuja cultura é de uma riqueza aparentemente inesgotável, apesar dos muitos pesares.

Centrada na música nordestina mas incorporando diversos outros elementos em sua mistura, a sonoridade desenvolvida por Ana de Oliveira e Sérgio Ferraz neste encantador Carta de Amor e Outras Histórias é a prova de que valeu todo o sacrifício que eles devem ter tido para viabilizar um trabalho tão consistente e ao mesmo tempo tão distante do mainstream. Uma obra de arte!

Ouça Carta de Amor e Outras Histórias em streaming:

Green Day tem o ator Gaten Matarazzo em seu novo clipe

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Por Fabian Chacur

O Green Day está a mil por hora. O trio americano já havia lançado dois videoclipes como forma de antecipar o lançamento de seu novo álbum (leia mais aqui). Agora, com Mother Of All Motherfuckers já devidamente disponível, eles nos oferecem um novo clipe, desta vez para divulgar a faixa Meet Me On The Roof, outro petardo deste trabalho.

O clipe tem como trama um adolescente gordinho e feioso que tenta uma estratégia para ficar bem na fita com a garota pela qual está apaixonado. O papel é vivido pelo ator americano Gaten Matarazzo, conhecido por atuar na série Stranger Things e ser portador de displasia cleidocraniana. Lógico que ele se dá bem, no fim das contas, com direito ao Green Day tocando no teto da escola.

Meet Me On The Roof (videoclipe)- Green Day:

Marcos Valle mostra Cinzento em show durante festa na Audio (SP)

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Por Fabian Chacur

Com mais de 50 anos de uma carreira repleta de grandes momentos, Marcos Valle não parece disposto a reduzir suas atividades. Pelo contrário. Ele acaba de lançar um novo álbum, Cinzento, que a Deck disponibilizou nas plataformas digitais e também em LP de vinil e CD. Como forma de mostrar esse novo trabalho, o genial cantor, compositor e músico carioca se apresenta nesta sexta (14) no evento MangoLab Deu Boogie, que será realizado a partir das 20h em São Paulo na Audio (avenida Francisco Matarazzo, nº 694- Barra Funda- fone 0xx11-3675-1991), com ingressos a R$ 35,00 (meia) e R$ 70,00 (inteira).

Com uma sonoridade swingada e criativa, o autor de Samba de Verão e tantos outros clássicos da nossa música mostra em Cinzento que sua chama está longe, mas muito longe mesmo de se apagar. Ele tocará músicas deste álbum, entre as quais Reciclo, Redescobrir e Pelo Sim Pelo Não, e também abrirá espaços para essas canções que todos sempre querem ouvir, como Estrelar, Os Grilos e Mustang Cor de Sangue, só para citar algumas.

O time que acompanhará Marcos Valle (vocal, Fender Rhodes e outros teclados) terá em sua escalação Jessé Sadoc (trompete, flugelhorn, teclados e percussão), Patrícia Alvi (vocais), Bernardo Bosisio (guitarra), Dudu Viana (teclados), Alberto Continentino (baixo) e Renato “Massa” Calmon (bateria).

MangoLab Deu Boogie é uma espécie de festa capitaneada pelo MangoLab, um verdadeiro laboratório cultural carioca. Além de Marcos Valle (que iniciou sua parceria com eles no Rio em outubro de 2019), também marcarão presença no evento MangoDJs, Cremosa Vinil, Fatnotronic, Gui Scott (da Gop Tun) e Giu Viscardi (da Heavy Love), dispostos a tornar a sua noite envolvente.

Ouça Cinzento, de Marcos Valle, em streaming:

John Cale será a atração principal do Nublu Festival em São Paulo

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Por Fabian Chacur

O Nublu Festival celebrará a sua 10ª edição com um belo nome como atração principal. Trata-se de ninguém menos do que John Cale, um dos fundadores da mitológica banda Velvet Underground e com extensa e importante carreira-solo. O evento ocorrerá de 12 a 14 de março no Sesc Pompeia em São Paulo e no Sesc de São José dos Campos (SP).

Também estão na programaçáo Femi Kuti, Yaslin Bey (antes usava o nome Mos Def), Juçara Marçal, Negra Li e o Otis Trio 7. Os ingressos começarão a ser vendidos a partir dos dias 3 (online) e 4 de março (nas unidades do Sesc).

Nascido no Reino Unido no dia 9 de março de 1942, John Cale se mudou para Nova York em 1963, e no ano seguinte conheceu Lou Reed, com quem criou o Velvet Underground. A banda propunha uma inovadora mistura de rock básico com elementos experimentais, e Cale contribuiu nas composições e tocando baixo, viola e piano. Seus conhecimentos de música erudita e de vanguarda ajudaram no tempero inovador.

Após participar com destaque dos álbuns The Velvet Underground & Nico (1967, também conhecido como o “Disco da Banana”) e White Light/White Heat (1968), ele foi excluído do grupo, devido a desentendimentos com Lou Reed. Em 1969, iniciou a carreira como produtor, e que início! Ele assina a produção de The Stooges, álbum de estreia da banda que revelou Iggy Pop para o mundo.

Em 1970, daria o pontapé inicial em sua carreira individual com o excelente Vintage Violence, no qual investe em um rock mais convencional, porém muito inspirado. A partir daí, mostraria versatilidade e criatividade em diversos trabalhos que, se não obtiveram sucesso comercial, mereceram muitos elogios por parte da crítica especializada e influenciaram diversos outros artistas.

Em 1990, voltou a trabalhar com Lou Reed, lançando em parceria com o astro do rock o álbum Songs For Drella, homenagem ao artista plástico Andy Warhol, que teve importância fundamental na divulgação do trabalho do Velvet Underground. Aliás, nos anos 1990 a banda voltou à ativa com a realização de alguns shows e o lançamento do álbum ao vivo Live MCMXCIII (1993).

Cale também trabalhou com Brian Eno e produziu discos para artistas como a ex-colega de Velvet Underground, Nico, a cantora canadense Jennifer Warnes e o grupo americano The Modern Lovers, além de ter feito diversas trilhas para filmes. Seu álbum mais recente, M:Fans, saiu em 2016. Ele foi condecorado como Oficial da Ordem do Governo Britânico (OBE) em 2010.

Ouça Vintage Violence, de John Cale, em streaming:

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