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The Beatles in India: filme vai ser lançado ainda este ano

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Por Fabian Chacur

Em fevereiro de 1968, os Beatles viajaram para Rishikesh, na Índia, com o intuito de estudar meditação transcendental com o guru local Maharishi Mahesh Yogi, que eles haviam conhecido em uma viagem do indiano pela Inglaterra no ano anterior. Essa curiosa passagem da trajetória da banda britânica é o tema do documentário The Beatles in India, que segundo informações da revista britânica Uncut, deve ser lançada mundialmente por volta de outubro.

Paul Saltzman é um fotógrafo e cineasta canadense que tinha 23 anos quando teve a oportunidade de conhecer os Beatles na Índia, por absoluta coincidência. Convidado a conviver com eles naquela experiência, fez fotos e filmagens que registaram aquele momento de redescoberta do quarteto britânico. Seu documentário dá uma geral na viagem, e mostra os registros e também as músicas que, compostas lá, acabariam integrando o célebre Álbum Branco (cujo título de fato é simplesmente The Beatles), lançado naquele mesmo 1968.

Com mais de 300 filmes no currículo, entre documentários e dramas, Paul Saltzman tem em seu currículo o badalado Prom Night In Mississipi (2008), e também integra projetos humanitários. Uma exposição permanente de suas fotos dos Beatles na Índia tem como local um espaço no John Lennon Airport, em Liverpool, Inglaterra. Ele lançou dois livros com reproduções de suas célebres fotos, The Beatles in Rishikesh (2000) e The Beatles in India (2006), este último em edição limitada.

Dear Prudence (c/cenas do grupo na Índia)- The Beatles:

Multishow só mostra metade do show de Paul McCartney

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Por Fabian Chacur (foto: Marcos Hermes-divulgação)

Paul McCartney fez o primeiro dos dois shows programados para São Paulo na noite desta terça-feira (25). Em torno de 45 mil pessoas estiveram presentes na Allianz Parque, a nova arena da Sociedade Esportiva Palmeiras, em noite chuvosa mas repleta de calor humano. O canal a cabo Multishow transmitiu parte do espetáculo, e não exatamente ao vivo, como se imaginava.

A transmissão teve início por volta das 21h20, portanto 25 minutos antes do início do espetáculo, que teve 45 minutos de atraso por causa das chuvas que tornavam difícil o acesso do público ao local. Durante mais de uma hora, a emissora apresentou clipes e entrevistas antigas do ex-Beatle como forma de preencher o tempo e segurar o expectador.

A razão pela qual a performance do Macca não foi transmitida ao vivo ocorreu devido a uma exigência da sua produção, segundo os apresentadores do Multishow. As músicas eram apresentadas com um “delay” (atraso) de pelo menos meia hora. Além disso, houve uma espécie de “resumo” do espetáculo. Das 39 músicas tocadas, apenas 21 delas, por volta da metade, foram ao ar.

A qualidade técnica da transmissão ao menos foi boa, e permitiu a quem não teve a oportunidade de ver o show in loco ter uma boa ideia do que rolou por lá. Solto e bem-humorado como de praxe, McCartney interagiu com a plateia, lendo textos em português referentes a algumas músicas e saudando “Sampa” o tempo todo.

Ele se divertiu quando o público, em determinados momentos entre uma música e outra, começou a cantar “she loves you, yeah yeah yeah”, e contou com o apoio entusiástico de todos em vários momentos, sendo que um dos mais entusiásticos ocorreu durante Ob-la Di Ob-la Da. O encerramento da transmissão ocorreu durante a música Live And Let Die, de forma abrupta e antes mesmo do fim desse clássico. Uma pena. Mas valeu assim mesmo.

Saiba quais músicas do show de Paul McCartney foram transmitidas pelo Multishow:

Eight Days a Week

Save Us

All My Loving

Let Me Roll It

My Valentine

The Long And Winding Road

Maybe I’m Amazed

And I Love Her

Blackbird

Here Today

New

Lady Madonna

All Together Now

Everybody Out There

Eleanor Ribgy

Something

Ob-la di Ob-la da

Band On The Run

Back In The USSR

Let It Be

Live And Let Die

Saiba o set list completo do show de Paul McCartney no dia 25.11.2014:

– Eight Days a Week

– Save Us

– All My Loving

– Listen To What The Man Said

– Let Me Roll It

– Paperback Writer

– My Valentine

– 1985

– The Long and Winding Road

– Maybe I´m Amazed

– I´ve Just Seen a Face

– We Can Work It Out

– Another Day

– And I Love Her

– Blackbird

– Here Today

– New

– Queenie Eye

– Lady Madonna

– All Together Now

– Lovely Rita

– Everybody Out There

– Eleanor Rigby

– Being For The Benefit Of Mr Kite

– Something

– Ob-la di Ob-la da

– Band on The Run

– Back in The USSR

– Let it Be

– Live and Let Die

– Hey Jude

Primeiro bis

– Day Tripper

– Hi Hi Hi

– I Saw Her Standing There

Segundo bis

– Yesterday

– Helter Skelter

– Golden Slumbers

– Carry That Weight

– The End

Começam preparativos para o show de Paul McCartney-SP

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Por Fabian Chacur

Estamos nos aproximando dos históricos shows que Paul McCartney realizará na Allianz Parque, a nova Arena da Sociedade Esportiva Palmeiras, previstos para os dias 25 e 26 de novembro. E os detalhes referentes aos preparativos para essas performances começam a ser divulgados à imprensa brasileira pela Midiorama Entertainment Media, que está por trás dos espetáculos.

De cara, impressiona e muito o fato de que 42 carretas serão utilizadas para transportar o material necessário para a montagem do show. Se levarmos em conta apenas a estrutura metálica, o peso gira em torno de 150 toneladas. Teremos aproximadamente 280 profissionais brasileiros trabalhando na montagem e na produção, sendo que na semana do show, mais 40 técnicos estrangeiros da equipe do ex-Beatle reforçaram o time para os ajustes finais.

Serão necessários em torno de 10 dias para que a montagem da parafernália referente ao show seja concretizada. O palco tem 70 metros de largura, sendo que seu ponto mais alto chega a 26 metros de altura. Em um momento específico do show, Macca e dois de seus músicos serão elevados a uma altura de 8 metros, podendo ser visualizados de qualquer parte da arena.

Serão montadas 150 caixas de som, com uma potência em torno de 200 mil watts, além de dois telões de alta definição em cada um dos lados do palco. O fim do show terá como atração oito canhões que jogarão no palco e na plateia uma infinidade de confetes, dando um clima provavelmente semelhante ao do fim do ano nas empresas paulistanas.

No quesito “exigências pessoais”, o autor de Yesterday solicitou para os camarins 6 vasos de plantas altas e com bastante folhagem, e outras seis mais baixas. Também teremos 80 gérberas de cores sortidas, distribuídas em 8 arranjos com 10 flores cada. De quebra, 240 toalhas precisarão estar por lá. São esperadas aproximadamente 48 mil pessoas em cada um dos shows, sendo que os ingressos para o primeiro deles se esgotaram em questão de horas.

Em termos de repertório, Paul McCartney e sua banda devem apresentar em torno de 39 músicas por noite, com ênfase em clássicos dos Beatles, dos Wings e da carreira solo deste grande gênio da música. Sua turnê americana tem sido aberta invariavelmente com uma de duas músicas: Eight Days a Week ou Magical Mystery Tour.

Como novidades, músicas de seu mais recente (e ótimo) álbum New, entre as quais Queenie Eye, Everybody Out There e Save Us, a também recente Valentine e uma releitura de Being For The Benefit Of Mr. Kite, dos Beatles, que curiosamente foi interpretada por John Lennon no álbum Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band (1967). E no bis, temos o revezamento entre Birthday, dos Beatles, e Hi Hi Hi, dos Wings.

O show tem sido encerrado sempre, após um segundo bis, com o maravilhoso medley do álbum Abbey Road (1969). Além dos shows em São Paulo, Paul McCartney se apresentará no Brasil no dia 10 de novembro no estádio Kleber Andrade, em Vitória (ES), no dia 12 de novembro na HSBC Arena no Rio e no dia 23 de novembro no estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Queenie Eye– Paul McCartney:

George Harrison aos 70: doce, filosófico, genial

Por Fabian Chacur

No dia 24 de fevereiro de 1943, nasceu em Liverpool, Inglaterra, um dos mais importantes nomes da história do rock e da música em geral. Se estivesse vivo, George Harrison teria completado 70 anos. Infelizmente, ele nos deixou em 2001, com apenas 58 primaveras. Quanta coisa boa ele ainda teria nos proporcionado!

Mas não vale a pena lamentar. Afinal de contas, o cantor, compositor e guitarrista britânico nos deixou um legado que irá durar muito mais do que o mais forte corpo humano suportaria. Sua herança musical traz belas canções, letras profundas, acordes caprichados, solos de guitarra elaborados, voz doce…

Se sua participação na maior banda de todos os tempos, os Beatles, já bastaria para lhe garantir a eternidade, a belíssima carreira solo que construiu depois do fim dos Fab Four também teria lhe valido essa difícil vitória, tamanha a qualidade do que compôs e gravou sem John Lennon, Paul McCartney e Ringo Starr. Genial só ou bem acompanhado.

Como homenagem às sete décadas decorridas desde seu nascimento, selecionei sete canções de sua carreira solo, fugindo das mais óbvias e apostando em profundidade, memória afetiva, pura beleza e intensidade. Ouçam cada uma delas e reflitam se dá para dizer que George Harrison está morto. Que nada! Sua música é imortal!

Don’t Let Me Wait Too Long -(Living In The Material World -1973)

A capacidade de George em criar melodias pop envolventes era incrível, e esta canção é uma boa prova disso. Ritmo delicioso, melodia marcante e uma letra de simplicidade elaborada que me conquistaram ainda moleque, com 12 aninhos.

Any Road (Brainwashed -2002)

O álbum lançado de forma póstuma em 2002 (excelente, por sinal) traz essa canção fantástica, com letra incrível e uma das frases mais profundas que já ouvi na vida: “se você não sabe para onde vai, qualquer estrada pode te levar até lá.

That’s The Way It Goes (Gone Troppo-1982):

Mesmo em trabalhos não tão inspirados como Gone Troppo George sempre nos reservava ao menos umas duas canções realmente estelares. Essa balada aqui, com direito a sua inigualável slide guitar, é bom exemplo desse dom do “beatle quieto”.

Crackerbox Palace (Thirty Three & 1/3 – 1976):

No álbum mais funky/soul da carreira de Harrison, esta música particularmente me emociona, e nem sei explicar bem o porque, além de sua óbvia beleza. Acho que tem a ver com a associação que faço dela com a saudade da infância e dos sonhos de criança, e da crença de que Deus está dentro de todos nós.

Beware Of Darkness (All Things Must Pass – 1970):

Em um álbum repleto de clássicos como esse, escolhi esta canção de tom sombrio, que nos adverte a ter cuidado com as coisas ruins que nos cercam e que podem, se vacilarmos, acabar com tudo o que sonhamos e tentamos preservar de bom. Uma advertência melódica e inspirada, só para variar.

Blow Away (George Harrison– 1978):

Até me arrepia lembrar da primeira vez que eu ouvi essa maravilha tocar no rádio, lá pelos idos de 1978, quando tinha 17 anos. Balada pop certeira, com letra positiva e um daqueles arranjos que só mesmo o autor de Something sabia nos oferecer. Fico arrepiado ao ouvi-la até hoje, e ficarei sempre, pelo visto.

Blood From a Clone (Somewhere In England-1981):

Reza a lenda que a gravadora Warner queria que George fizesse uma canção que tivesse sonoridade próxima do que a new wave e/ou a disco music ofereciam, naquela época. Harrison nos proporcionou esse petardo, com guitarras nervosas, ritmo sofisticado e ágil e forte apelo pop dançante. Nunca desafie um craque da canção…

CD exibe alma musical de George Harrison

Por Fabian Chacur

O maravilhoso documentário George Harrison: Living In The Material World foi recentemente exibido por aqui (e comentado por Mondo Pop), e já está disponível em luxuoso pacote importado incluindo DVD duplo, Blu-ray, livro e CD.

Felizmente, o CD é o primeiro desses ítens já disponível individualmente em nossas lojas e a um preço acessível. Trata-se de Early Takes Volume 1. Em formato digipack, o álbum traz 10 faixas, com pouco mais de 30 minutos de duração, e é bem diferente da maior parte desse tipo de compilação.

Para começo de conversa, todas as gravações tem excelente qualidade de áudio, e seguem uma sequência que torna a audição tão deliciosa como a de um álbum normal, o que nem sempre ocorre em reuniões de outtakes e sobras de estúdio do gênero.

A voz do ex-beatle está particularmente bela, podendo ser apreciada em todos os seus nuances e suavidades. O mesmo pode ser dito do acompanhamento instrumental, que em alguns casos se resume a um violão tocado com maestria pelo astro.

Belíssimo trabalho de Giles Martin (filho do lendário George Martin, produtor dos Beatles), a quem coube a tarefa de ajudar na seleção das gravações e dar a elas o arremate sonoro final.

Temos aqui seis músicas que entrariam em suas versões finais no álbum All Things Must Pass(1970; uma é de Living In The Material World(1973), outra, de Thirty Three & 1/3 (1976), e dois covers entram pela primeira vez em um álbum do autor de Something.

O único ponto realmente negativo em Early Takes Volume 1 é o fato de não termos nenhuma informação acerca de quando as gravações foram feitas, e quem toca nelas, com apenas dois textos curtos assinados por Giles Martins e o Dr. Warren Zanes na capa interna.

Quanto à duração, convenhamos: melhor 30 minutos excelentes do que duas horas de material mal editado e com qualidade discutível de áudio. E que venham os próximos volumes!

Vamos a uma análise individual de cada uma delas:

1My Sweet Lord (demo) – A melodia e os versos estão praticamente terminados, mas a levada rítmica segue um encaminhamento mais funkeado do que a da versão final, mais básica e contagiante. É a faixa que soa mais inacabada, entre todas. De All Things Must Pass .

2Run Of The Mill (demo)- George se acompanha ao violão, e a música soa pronta, precisando apenas dos penduricalhos proporcionados pelos arranjos da versão conhecida. Soa até melhor do que a versão lançada originalmente. De All Things Must Pass.

3I’d Have You Any Time (early take)- Versão muito próxima da original, com direito a slide guitar, violão, bateria e uma interpretação vocal belíssima. Acho que muita gente a achará ainda melhor do que a gravação lançada oficialmente. Estupenda parceria de George e Bob Dylan. De All Things Must Pass.

4Mama You’ve Been On My Mind (demo) – A canção que Bob Dylan deixou de fora de Another Side Of Bob Dylan (1964) foi gravada por Joan Baez, Johnny Cash e Rod Stewart, entre outros. George a interpreta no melhor estilo voz e violão, arrancando arrepios do ouvinte tanto nos vocais como no instrumento. Ele nunca havia a lançado antes em um de seus álbuns.

5Let It Be Me (demo) – Essa canção de Gilbert Becaud fez sucesso em inglês com os Everly Brothers em 1960 e é simplesmente belíssima. George a interpretou com rara inspiração, em versão que conta com slide guitar e poderia perfeitamente ter sido lançada de forma oficial. É a outra inédita em discos do ex-beatle contida aqui.

6Woman Don’t You Cry For Me (early take) – Lançada em versão funkeada e faixa de abertura de Thirty Three & 1/3, essa música aparece aqui de forma completamente diferente, só voz e violão e em arranjo folk/blues simplesmente arrasador. Prova de que uma mesma música pode ganhar roupagens totalmente distintas e continuar ótima. Na verdade, essa música começou a ser composta em 1968 e poderia ter entrado em All Things Must Pass, conforme o próprio George revelou anos depois. De Thirty Three & 1/3.

7Awaiting On You All (early take) – Gravação com banda e ênfase em guitarras levemente distorcidas, sem os metais da versão definitiva e gravada de forma descompromissada. No entanto, temos aqui os dois versos polêmicos que ficaram de fora da versão final, incluindo o célebre “O Papa tem 51% das ações da General Motors”. De All Things Must Pass.

8 Behind That Locked Door (demo) – Embora despida de vocais de apoio e outros penduricalhos (mas já com a slide guitar), esta versão demo de Behind That Locked Door soa tão boa como a lançada em 1970. A voz de George está mais cristalina do que nunca, capaz de emocionar até o mais cético com sua doçura. De All Things Must Pass.

9All Things Must Pass (demo) – Embora sem o arranjo definitivo que incluia slide guitar, esta versão da faixa título do álbum lançado por George Harrison em 1970 já traz o andamento e a letra que conheceríamos na versão definitiva, além da levada rítmica de bateria. Despida, ressalta a belíssima letra. De All Things Must Pass.

10The Light That Has Lighted The World (demo) – A delicada balada lançada originalmente em 1973 aparece aqui em um tom abaixo do da gravação original, o que a faz soar mais intimista, sem perder nada da maravilhosa melodia da versão que todos conhecemos. Um belo encerramento para este CD. De Living In The Material World.

Ouça a nova versão de Awaiting On You All, com George Harrison:

Uma homenagem ao setentão Paul McCartney

Por Fabian Chacur

Em 1967, um certo Paul McCartney cantava no álbum Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band suas previsões de como seria quando ele chegasse aos 64 anos. Na época, o cantor, compositor e músico era um jovem de 25 anos. Pois nesta segunda-feira (18), Macca poderá nos afirmar que já sabe há seis anos como é ter 64. Afinal, ele completará sete décadas de vida!

Do maior ídolo a gente nunca se esquece, e posso dizer que amo a música desse sujeito desde que eu tinha meus sete anos de idade e repetia com prazer aquele “hello, hello” que ouvia vindo da rádio, que depois viria a saber se tratar de Hello, Goodbye, de minha banda favorita, os Beatles. Ou de quando ouvia à exaustão, nessa mesma idade, o compacto comprado pelo meu saudoso irmão Victor, com Hey Jude do lado 1.

A carreira solo dele e o surgimento dos Wings eu pude presenciar de primeira mão, durante minha infância e adolescência naqueles marcantes anos 1970.

E todo o resto, até este longínquo 2012, quando várias das pessoas que compartilharam comigo aqueles anos iniciais já não estão por perto em termos físicos, mas morarão para sempre no meu coração enquanto eu viver.

Falar o que de Sir Paul McCartney? O artista perfeito, sem qualquer sombra de dúvidas. Excepcional cantor, músico de mão cheia, compositor inspirado, ser humano especial, performer capaz de cativar todos os tipos de público em seus shows. Dizer que ele tem centenas de músicas maravilhosas em seu currículo não é exagero, é fato.

Como homenagem a ele, posto abaixo dez vídeos de músicas que não são tão famosas como Hey Jude, My Love, Live And Let Die e Jet, mas que considero tão boas quanto, e que provam o como esse cara produziu coisas boas todos esses anos. Parabéns, Tio Macca, e continue na estrada e nos estúdios, proporcionando a seus fãs maravilhas como as abaixo.

Uncle Albert/Admiral Halsey (1971)

É o maior sucesso dessa listinha de dez maravilhas do cancioneiro McCartneyano. Balada deliciosasmente pop que vai aos poucos cativando o ouvinte e, no fim, ganha um daqueles refrãos contagiantes que marcam o nosso ídolo.

Dear Boy (1971)

Assim como Uncle Albert/Admiral Halsey, integra o álbum Ram, o primeiro que tive a oportunidade de ouvir de cabo a rabo de Paul McCartney, adquirido pelo meu brother. Canção delicada, mas com direito a algumas vigorosas intervenções de guitarra, tem um jeitão de música dos Beatles. Linda!

Not Such a Bad Boy (1984)

O filme Mande Lembranças Para Broad Street (Give My Regards To Broad Street) pode não ser lá essas coisas, mas a trilha é excelente, misturando releituras de músicas dos Beatles e da carreira solo de Paul a algumas inéditas. Esse delicioso rock é uma das inéditas, e não merece ficar esquecida em meio a um dos raros fracassos comerciais do Tio Macca.

Press (1986)

Sou um dos raros fãs do álbum Press To Play, que mostra Paul flertando com a sonoridade eletrônica dos anos 1980. A balançada Press é o que mais se aproximou de hit daquele disco, e além de deliciosamente pop, vale por este excelente clipe, que filma uma visita surpresa do ex-beatle ao metrô, com direito a hilariantes flagras dele com os seus fãs.

From a Lover To a Friend (2001):

Driving Rain é um bom discos solo de Paul McCartney que foi prejudicado em sua repercussão por fatores externos, no caso o ataque às Torres Gêmeas naquele lamentável 11 de setembro de 2001. From a Lover To a Friend é uma daquelas baladas tocantes que esse gênio do rock sabe fazer como poucos. Ele estava inspiradíssimo como baixista nesse álbum, como sua performance nesta faixa exemplifica de forma clara.

We Got Married (1989):

Essa mistura de reggae e flamenco simplesmente deliciosa é um dos destaques de Flowers In The Dirt, álbum que trouxe Paul McCartney de volta às paradas de sucesso e principalmente às turnês após 10 anos. Sinto arrepios de prazer ao lembrar do desempenho dele com sua banda no Maracanã, em 1990, nos primeiros shows que fez no Brasil.

The Pound Is Sinking (1982):

O excelente álbum Tug Of War é um dos melhores trabalhos da carreira do Macca, e inclui este excelente rock, com letra irônica e pitadas de psicodelismo em suas guitarras distorcidas. Uma dessas pérolas perdidas na fantástica discografia de Sir James Paul McCartney.

Old Siam Sir (1979):

Back To The Egg é uma espécie de Álbum Branco da carreira solo de Paul McCartney devido à diversidade das canções incluídas nele. Um bom exemplo é esse rockão beirando o heavy metal, a Helter Skelter de sua era pós-beatles. Uma pedrada!

Arrow Through Me (1979):

Também de Back To The Egg, Arrow Through Me é o momento soul music do álbum, com direito a melodia delicada, levada funkeada e um arranjo de metais simplesmente sensacional. Richie Havens fez uma bela regravação desta música, e a soul singer Erikah Badu se valeu de um sampler da mesma em seu hit Gone Baby Don’t Be Long.

Check My Machine (1982):

Este lado B do single Waterfalls acabou virando um grande hit nos bailes black brasileiros, a ponto de ter sido lançado no formato single de 12 polegadas (o tamanho de um LP de vinil) por aqui para atender esse público. Divertida e dançante, foi regravada recentemente no Brasil pelo excelente grupo Sandália de Prata.

Sally G (1974):

Paul McCartney relegou muitas músicas legais ao humilde papel de lado B dos antigos compactos simples de vinil. Esta deliciosa canção country foi gravada em Nashville e saiu como B side do rockão Junior’s Farm. Acredite se quiser, mas conheci uma dupla sertaneja nos anos 80 que quase fez uma versão dessa música…

Tomorrow (1971):

Esta power ballad é um dos destaques do primeiro álbum dos Wings, Wild Life, e tocou bem nas rádios brasileiras na época. Curiosamente, nunca foi lançada em compacto simples. Pensando que era essa música, pedi para o meu irmão comprar um compacto que saiu na mesma época, com Give Ireland Back To The Irish. Acabei me dando bem, pois se trata de um rockão, mas só fui ter Tomorrow em disco em 1980, ao comprar minha cópia de Wild Life

Paul McCartney lança CD de standards morno

Por Fabian Chacur

Desde os tempos dos Beatles, sempre ficou clara a influência dos standards da música americana na formação de Paul McCartney enquanto compositor. Músicas como Honey Pie, Here, There and Everywhere e Maxwell Silver Hammer eram provas concretas disso.

Esse lado jazzy de sua musicalidade continuou aparecendo nas décadas posteriores, como mostram canções como You Gave Me The Answer e Baby’s Request. Desta vez, no entanto, o genial cantor, compositor e músico britânico resolveu dedicar um álbum inteiro ao estilo.

Kisses On The Bottom, mais recente álbum de Paul McCartney, traz 14 faixas, sendo duas composições inéditas de sua autoria e 12 resgatadas de sua memória afetiva, assinadas por autores como Irving Berlin, Harold Arlen, Johnny Mercer e Frank Loesser.

Umas são mais conhecidas do grande público, como The Glory Of Love e Bye Bye Blackbird, enquanto outras se encaixam no perfil “lado B”, como The Inch Worm e It’s Only a Paper Moon.

Pela primeira vez na carreira, McCartney não toca nenhum instrumento musical em um de seus trabalhos, dedicando-se apenas aos vocais. A acompanhá-lo, a banda de Diana Krall (liderada pela própria ao piano) e convidados como John e Buck Pizzarelli, Eric Clapton e Stevie Wonder.


O resultado é um álbum basicamente morno, no qual os arranjos instrumentais são conservadores e nada acrescentam de novo às músicas, enquanto a voz de Paul soa por demais monótona para o gênero. Dá para curtir em uma ou duas músicas, mas não em um álbum inteiro.

Seu colega Rod Stewart se saiu muito melhor nessa praia, e fica difícil imaginar um segundo volume deste Kisses On The Bottom, ao contrário da série de álbuns que Rod The Mod dedicou aos standards na década passada, e que de certa forma salvou sua carreira em termos comerciais.

No caso de Paul, esta incursão pode ser avaliada como válida, mas também como um caminho a não ser mais seguido. Não por coincidência, o melhor momento do CD é a inédita My Valentine, com belíssimo clima soturno e excelente desempenho de Eric Clapton na guitarra/violão.

De resto, é aquele típico álbum que você ouve umas dez vezes, não consegue gostar e guarda em sua coleção, para de lá nunca mais sair. Não por ser ruim, mas por ser decepcionantemente mediano, algo não muito comum na excelente discografia de Paul McCartney.

Ouça My Valentine, com Paul McCartney:

Dez anos sem George Harrison, o beatle quieto

Por Fabian Chacur

Fiquei sabendo da morte de George Harrison (1943-2001) através de meu grande amigo Raul Bianchi, outro beatlemaníaco alucinado como eu. Foi uma tristeza do tamanho do mundo. Como perder um familiar, um irmão.

Ele tinha apenas 58 anos, e estava mais ativo do que nunca.

Dos quatro integrantes dos Beatles, George sempre foi o mais tranquilo, o mais quieto, o mais discreto. Em termos musicais, seus solos sempre concisos e irresistíveis influenciaram incontáveis músicos ao redor do planeta, incluindo um certo Lulu Santos.

Ótimo compositor, ele também tinha a seu favor uma voz doce e de timbre inconfundível, mais do que perfeitas para suas letras que falavam de amor, de fé, das mazelas do “mundo material”.

Nos Beatles, teve um papel fundamental, não só como músico como também com algumas músicas marcantes, entre as quais Something, Here Comes The Sun e While My Guitar Gently Weeps.

Na carreira solo, proporcionou aos fãs maravilhas como Give Me Love (Give Me Peace On Earth), Bangladesh, My Sweet Lord, Learning How To Love You, Love Comes To Everyone… Ficaria durante dias citando grandes momentos de sua carreira individual.

Além disso, ainda arrumou tempo para organizar o primeiro festival de rock beneficente de todos os tempos, o Concerto Para Bangladesh, e integrou um supergrupo inesquecível, os Traveling Wylburys, ao lado de Bob Dylan, Roy Orbison, Tom Petty e Jeff Lynne.

Melhor do que escrever mais linhas aqui, é oferecer a vocês cinco dessas músicas maravilhosas, entre as inúmeras que gravou após o fim dos Beatles. Prova de que sua musicalidade permanecerá para sempre! E é como diz seu hit póstumo (lançado em 2002): “se você não sabe para onde está indo, qualquer estrada te levará para lá!”

Blow Away (1978) – George Harrison:

I Got My Mind Set On You (1988) – George Harrison:

Love Comes To Everyone (1978) – George Harrison:

Living In The Material World (1973)- George Harrison:

Any Road (2002) – George Harrison:

Coletânea serve como iniciação a John Lennon

Por Fabian Chacur

Coletâneas costumam ser execradas pelos críticos pelo fato de, em alguns casos, tentarem resumir aquilo que não tem como ser resumido.

Quem sabe isso tenha a ver com uma postura arrogante que boa parte dessa tal “crítica especializada” adora ter.

Quem é que disse que a missão de uma humilde compilação é resumir de forma perfeita uma carreira?

Ou quem afirmou ser um cidadão obrigado a ter tudo da obra de um artista, pois mais importante que esse nome possa ser?

E tem o ponto nevrálgico desse papo: uma coletânea frequentemente pode ter a função de ser a porta de entrada para uma obra. E, costumeiramente, mais abrangente do que um disco de carreira, por exemplo.

Esses pensamentos surgem ao analisar Power To The People – The Hits, álbum lançado pela EMI em parceria com a Som Livre e  junto com as edições remasterizadas das obras lançadas por John Lennon em sua carreira solo (que eu analisarei em breve por aqui).

Para pessoas como eu, que tem tudo o que o genial cantor, compositor e músico britânico lançou sem os Beatles, essa nova compilação é o chamado mais do mesmo.

No entanto, saibam vocês que meu primeiro álbum de Mrs. Lennon foi o Shaved Fish, primeira compilação da obra solo do autor de Imagine e lançado em 1976.

Tão entusiasmado fiquei com esse então LP que, aos poucos, fui comprando tudo o que o filho de Liverpool colocou nas lojas.

Então, Power To The People – The Hits pode perfeitamente cumprir a mesma função para a garotada de hoje em dia.

Ou então, para quem não tem muita grana e quer apenas algumas canções marcantes do repertório do Sr. Ono.

O repertório inclui 15 músicas irrepreensíveis, indo desde as pioneiras Cold Turkey e Instant Karma! (We All Shine On), lançadas em 1969, ou seja, antes do final dos Beatles, até Woman, (Just Like) Starting Over e Watching The Wheels, do último álbum que lançou em vida, Double Fantasy (1980).

É muita coisa boa, com direito às viscerais Mother e Gimme Some Truth, a visionária Imagine, a intensa Mind Games, a psicodélica #9 Dream e a romântica Jealous Guy.

A capa e a embalagem digipack são excelentes e belas, embora o encarte não traga as letras das canções, algo condenável em um produto que representa a obra de um artista que tinha nas palavras um de seus grandes aliados.

A edição especial traz um DVD com os clipes das canções que a torna ideal para se presentear alguém que ainda não conheça a música de Lennon, ou que deseje um resumo bacana, ou ainda….tanto faz!

Boa música é sempre benvinda, seja de que forma venha. Ponto. O resto é elocubração infrutífera e onanismo intelectual…

John Lennon 70 – os inúmeros prós

Por Fabian Chacur

John Lennon foi um dos artistas mais importantes da história do rock. Em seus breves 40 anos de vida, teve tempo de construir uma obra colossal, de importância artística e comercial incomensuráveis.

Nos Beatles, o cantor, compositor e guitarrista nascido em 9 de outubro de 1940 na portuária Liverpool se encaixava feito luva com Paul McCartney.

Ambos tinham características próximas, que souberam desenvolver. Eles aprenderam muito um com o outro, e se completavam de forma absurda.

Nem Paul era tão romântico, nem John era tão rebelde, e isso fica claro em alguns momentos doces dos Beatles assinados por ele, como Girl, Julia, If I Fell e Strawberry Fields Forever, só para dar alguns exemplos.

Juntos, John, Paul, George e Ringo construíram o mais valioso acervo da história da música pop.

Lógico que seria difícil superar isso sozinho, e John Lennon não conseguiu em sua carreira solo ir além do que fez com os Beatles.

Mas o que ele nos ofereceu em sua trajetória individual já seria capaz de eternizá-lo, mesmo que os Fab Four nunca tivessem existido.

John Lennon – Plastic Ono Band (1970), por exemplo, é um dos discos mais viscerais e minimalistas de todos os tempos, com direito a pérolas como Mother, I Found Out, Look At MeWell Well Well e God.

Logo em seguida, veio Imagine (1971), cuja faixa título é provavelmente o mais belo e singelo hino pacifista de todos os tempos. Mas o disco tem muito mais.

Vide a deliciosamente romântica e delicada Oh My Love, a visceral e de letra política Gimme Some Truth e a virulenta venenosa How Do You Sleep (cheia de rancor contra Paul McCartney).

Em 1972, o panfletário Some Time In New York City mostra um Lennon não tão inspirado e dando espaços demais para a pseudoartista Yoko Ono, mas mesmo assim, traz ao menos duas maravilhas, o rockão New York City e a balada visceral Woman Is The Nigger Of The World.

A faixa título, um dos momentos mais profundos, iluminados e conquistadores da obra do ex-beatle, é o destaque do álbum Mind Games.

Walls And Bridges, de 1974, é na minha opinião o grande álbum pop da carreira de John Lennon, incluindo clássicos do naipe de Nº 9 Dream, música cuja elaboração beira clássicos dos Beatles como I Am The Walrus e Strawberry Fields Forever, além de ter um refrão arrepiante.

O disco traz também Whatever Gets Yout Thru The Night, sacolejante dueto dele com Elton John, a sombria Scared, a funkeada What You Got e muito mais.

Rock And Roll (1975) é uma simpática demonstração de amor de Lennon ao rock and roll dos anos 50 e início dos 60, com releituras bacanas de clássicos como Slippin’ And Slidin’ e Stand By Me.

Double Fantasy (1980), último álbum lançado em vida por John Lennon, equivale a uma despedida digna, com pelo menos três músicas que se equiparam a seus melhores momentos: a nostálgica e contagiante (Just Like) Startin’ Over, a reflexiva Watching The Wheels e a maravilhsa homenagem ao filho Sean Beautiful Boy.

Se não tivesse nos deixado há 30 anos, Lennon certamente teria feito como Paul McCartney, que nas últimas três décadas nos proporcionou inúmeras músicas novas maravilhosas, aumentando ainda mais seu acervo de clássicos.

Não era para ser. Mesmo assim, o legado de Mr. Lennon tem valor incalculável, e irá inspirar a todos nós até o final dos tempos.

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