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Jorge Ailton lança o seu 3º CD solo com “arembi” elegante

Jorge Ailton 4-400x

Por Fabian Chacur

O cantor, compositor e músico carioca Jorge Ailton iniciou a sua trajetória profissional há 19 anos, tocando na banda de Sandra de Sá. Desde então, além de acompanhar artistas do calibre de Mart’nália, Toni Garrido, Paula Toller e Lulu Santos (com quem toca há oito anos), ele também investe em uma carreira solo que acaba de gerar seu terceiro fruto, o álbum Arembi, lançado pela gravadora Lab 344.

O título do CD (também disponível nas plataformas digitais), uma transcrição fonética adaptada do original r&b (rhythm and blues) é uma forma criativa de explicitar o desejo de Ailton em termos musicais.

“O título do álbum parece um nome suburbano, aquela coisa colaborativa. O r&b, o soul, são na verdade sotaques, como o samba; ouvi isso a vida inteira, frequentei os bailes, os ambientes, curti as variações desse estilo musical, via o pessoal dançar, aí surgiu naturalmente a minha forma de mostrar essa sonoridade”, explica.

Arembi traz 11 músicas, sendo cinco só dele e outras seis escritas com parceiros como Lulu Santos, Ronaldo Bastos, Fernanda Abreu e Hyldon. “Esse disco é como se eu tivesse chegado em casa, enquanto nos discos anteriores (O Ano 1, de 2010, e Canções em Ritmo Jovem, de 2013) eu ainda estava no caminho. Agora eu me sinto mais à vontade”.

O baixista considera muito importante as experiências que teve integrando bandas de apoio de outros artistas. “Acho que o mais bacana do artista é manter a antena sempre ligada. Procuro pegar o que cada artista que acompanhei tem de bom, como a explosão da Sandra e da Mart’nália, a organização do Lulu… Peguei um pouquinho de como cada um deles lida com as suas carreiras e procurei aprender, além de trazer coisas para a minha própria”.

A ideia de Jorge Ailton é conciliar a carreira solo com o trabalho com outros artistas enquanto for possível. “Acho uma tendência normal no futuro ser só artista solo, mas continuo fazendo as duas coisas. O escritório do Lulu é muito bem organizado, e ele sempre dá muito espaço para quem toca com ele, sabe reconhecer talentos. O Davi Moraes, por exemplo, também concilia o trabalho solo com atuação em bandas de outros cantores”.

As onze faixas de Arembi investem em várias tendências da black music de forma envolvente. “Acho que o meu som tem uma sensualidade elegante que mistura sons eletrônicos e orgânicos; esse é um disco feito com amigos, todos os envolvidos tem uma vida pregressa comigo, como o Mondego (produtor do CD), que conheço há mais de 20 anos”.

Isso Que Não Tem Nome (clipe)- Jorge Ailton:

Coletânea é uma boa amostra da fase recente do Simply Red

simply red novelas e baladas-400xPor Fabian Chacur

Novelas & Baladas, CD lançado recentemente pelo selo brasileiro Lab344, pode parecer para o desavisado mais uma das várias compilações existentes no mercado com hits do Simply Red, um dos grupos de maior sucesso dos últimos 30 anos. Uma análise mais apurada, no entanto, mostra que a coletânea acaba sendo um bom resumo da fase mais recente da banda britânica. Bem legal mesmo.

Depois de muitos anos ligada às gravadoras Warner e Eastwest, a banda liderada com mão de ferro pelo genial cantor e compositor britânico Mick Hucknall entrou em nova fase a partir de 2003, quando inaugurou seu próprio selo, que desde então tem lançado os novos trabalhos do grupo com acordos de distribuição com gravadoras de diversos países.

Nesse período, o Simply Red lançou os discos de inéditas Stay (2003) e Home (2007) e também os álbuns com releituras de seus sucessos dos anos 1980 e 1990 e uma ou outra canção inédita Simplyfied (2005) e Songs Of Love (2010). E é essa a origem das 13 faixas desta coletânea, com gravações registradas entre 2003 e 2010.

Três são releituras bacanas dos hits For Your Babies, Holding Back The Years e Ev’ry Time We Say Goodbye. As outras equivalem a uma espécie de melhores momentos dessa fase mais recente do trabalho do Simply Red. A empolgante e sacudida Stay, por exemplo. A maravilhosa balada r&b So Not Over You. A certeira Home. A caliente e latina Perfect Love. E por aí vai. E vai muito bem.

É bom verificar que várias dessas músicas mais recentes do Simply Red podem ser comparadas sem susto aos clássicos gravados por eles nos anos 1980 e 1990. Todas as músicas aqui reunidas foram incluídas em trilhas de novelas televisivas como Amor À Vida, Celebridade, Belíssima, Roda de Fogo e Corpo e Alma, entre outras.

Novelas & Baladas pode servir como um bom complemento para quem já tem compilações com os hits da fase clássica do Simply Red, além de um aquecimento para aguardar os futuros shows da banda. Após aproximadamente cinco anos longe de cena, o grupo volta à ativa a partir de outubro para comemorar seus 30 anos de estrada.

Até o momento, só foram divulgadas as datas de shows na Europa, que irão rolar entre outubro e dezembro. No entanto, tudo leva a crer que a tour Big Love Tour 2015- The Return Of Simply Red irá atingir em 2016 outros mercados como Ásia, América do Norte, Central e (cruzemos os dedos) América do Sul, Brasil incluso.

Stay – Simply Red:

So Not Over You– Simply Red:

Home– Simply Red:

Sergio Pi investe em requinte e estreia com bom álbum pop

sergio pi capa 400x

Por Fabian Chacur

Sergio Pi possui extensa experiência atuando na indústria fonográfica. Há dez anos, resolveu aproveitar essa cancha em um negócio próprio, o selo Lab 344, que se tornou um dos mais importantes do Brasil, com direito a lançar títulos de artistas do naipe de Duran Duran, Suzanne Veja e Cyndi Lauper. Agora, é a vez de um novo nome: ele próprio.

Embora músico há muitos e muitos anos, Sergio Pi só agora resolveu lançar sua estreia como artista. Trata-se do CD Meu Pop É Black Power, que chega oficialmente às lojas em março pela Lab 344. Uma audição atenta das 12 faixas contidas nesse trabalho explicam tanta demora. Temos aqui um artista detalhista, talentoso e ambicioso ao extremo.

As referências sonoras exploradas por este cantor e compositor são definidas por ele como os trabalhos que Rita Lee e Roberto de Carvalho, Guilherme Arantes, Prince, Bee Gees e Gilberto Gil realizavam entre 1977 e 1983. Eu acrescentaria à essa mistura gente como Kool & The Gang, The Whispers, Com Funk Shun, Shalamar e da dupla Lincoln Olivetti e Robson Jorge.

Essa deliciosa era da música marcou uma mistura da seminal disco music com pop eletrônico, funk music, soul e, no caso do Brasil, MPB, gerando dessa forma uma sonoridade ao mesmo tempo pop e acessível, mas com requintes sonoros proporcionados por instrumentos vintage, novos teclados que surgiam e ótimos músicos. Ou seja, não era fácil de se fazer.

Para realizar seu sonho, Sergio contou com um elenco estrelado de músicos que inclui o consagrado guitarrista americano Paul Pesco (conhecido por seus trabalhos com Madonna e Annie Lennox, entre outros), o produtor japonês Hide Tanaka e também Dudu Viana, Hiroshi Mizutani, Bombom e Flavio Mendes. A mixagem foi feita por Jason Schweitzer (Eminem) e a masterização ficou por conta de Chris Gehringer (Jay-Z, Robin Thicke).

Lógico que time nenhum daria conta do recado se o repertório do álbum fosse ruim, e Sergio nos oferece um ótimo set list, com direito a músicas próprias bem bacanas e releituras personalizadas como Girassóis da Noite (Lobão) e Barriga da Mamãe (Rita Lee e Roberto de Carvalho). Aliás, triste ver a letra dessa última, lançada há mais de 30 anos, e senti-la mais atual do que nunca neste doloroso 2015.

Não faltam momentos bacanas em Meu Pop É Black Power. Desesperadamente, por exemplo, é um funk pop com influências dos Whispers de And The Beat Goes On. Pelo Mundo é a cara da Rita Lee anos 80, mesmo DNA presente na deliciosa Integrando Amor. Oito Minutos é uma espécie de mix de Tears Of a Clown (Smokey Robinson & The Miracles), Don’t Go Breaking My Heart (do Elton John), Amor Objeto (Rita, sucesso com Ney Matogrosso) e Steal Away (Robbie Dupree), sem soar cópia de nenhuma delas.

Meu Pop É Black Power é aquele tipo de trabalho que pode agradar tanto ao fã casual de música pop como àqueles apreciadores mais exigentes, que percebem os requintes de cada instrumento, vocalização ou arranjo. Feito por alguém nitidamente apaixonado por música e disposto a lançar algo à altura de seu sofisticado gosto musical. E que conseguiu seu intuito.

Desesperadamente– Sergio Pi (clipe):

Oito Minutos– Sergio Pi (lyric video):

Duran Duran volta aos bons tempos com novo CD

Por Fabian Chacur

Nada melhor do que ver uma ótima banda voltar a uma boa fase, após anos sem lançar nada de muito sensacional ou relevante.

Se na primeira década do novo século o Duran Duran se manteve fazendo shows bem bacanas, seus álbuns de inéditas não andaram entusiasmando muito.

Alias, na real: desde Duran Duran (também conhecido como Wedding Album, de 1993) o grupo britânico não lançava um álbum à altura de sua fase áurea nos anos 80. Foram cinco tentativas, todas irregulares.

O ponto mais baixo ocorreu em 2007, quando Simon Le Bon e sua turma se associaram ao badalado produtor Timbaland, que assinou várias faixas do equivocado Red Carpet Massacre.

O álbum, que marcou a nova saída de Andy Taylor da banda, tem Timbaland de mais e Duran Duran de menos, com predomínio de repertório sem inspiração e identidade.

Felizmente, uma nova parceria com produtor da moda, desta vez Mark Ronson (filho do lendário guitarrista Mick “Spiders From Mars” Ronson e produtor de Amy Winehouse) não gerou um desastre. Pelo contrário.

All You Need Is Now, que sai no Brasil pelo selo Lab 344, entra sem exagero no hall dos melhores álbuns dos caras, ao lado dos espetaculares Rio (1982), Notorious (1986) e Big Thing (1988).

O álbum consegue o difícil equilíbrio entre investir em novidades sonoras e ao mesmo tempo soar de forma coerente e personalizada.

All You Need Is Now tem forte eco do Duran Duran dos tempos de Planet Earth e Careless Memories, com direito a batidas dançantes, energia roqueira e melodias muito boas de se ouvir.

Le Bon está cantando melhor do que nunca, enquanto o baixista John Taylor mostra um dos melhores desempenhos de sua carreira, abusando de ótimas linhas de baixo sempre pulsantes.

Os teclados sóbrios e bacanas de Nick Rhodes e a bateria simples e eficiente de Roger Taylor se soman à garra e talento do novo guitarrista, Dom Brown, que veio com eles em sua mais recente visita ao Brasil.

Faixas como All You Need Is Now, Blame The Machines, Leave a Light On, The Man Who Stole a Leopard e Being Followed soam como se estivessem saído de algum greatest hits da banda, de tão boas.

Bom ver uma banda com 30 anos de estrada soando tão urgente e atual. Um disco que justifica seu título (tudo que você precisa é o agora) com rara felicidade.

Veja, ao vivo na TV, All You Need Is Now:

Superchunk vem aí e lança ótimo CD power pop

Por Fabian Chacur

O Superchunk ficou quase dez anos sem lançar um novo álbum, até que, em setembro de 2010, Majesty Shredding chegou às lojas.

O grupo está escalado para tocar na Virada Cultural Paulista, que será realizada em várias cidades do interior paulista nos dias 14 e 15 de maio.

Sorocaba será uma das cidades a ser visitada por eles.

O álbum acaba de sair no Brasil pelo selo Lab 344 e equivale a uma profissão de fé no velho e bom power pop, um dos gêneros mais legais e mais subestimados do rock and roll.

Para quem não sabe, power pop é aquele estilo com canções normalmente não ultrapassando 4 minutos de duração, com direito a refrãos pegajosos, riffs de guitarra certeiros, vocais caprichados e muita energia.

O gênero tem como patronos bandas como The Who (em sua fase inicial), Beatles, Badfinger, Big Star, Dwight Twilley Band, XTC e Weezer, só para citar alguns mais célebres.

O quarteto americano tem como integrantes Mac McCaughan (vocal e guitarra), Laura Ballance (baixo), James Wilbur (guitarra) e John Wurster (bateria).

Entre 1990 e 2001, lançaram por volta de oito álbuns e se firmaram no cenário independente do power pop.

Majesty Shredding é um daqueles álbuns para se ouvir da primeira à décima-primeira (e última) faixa com o mesmo prazer.

A coisa já começa a mil por hora, com as vibrantes Digging For Something (que tem um clipe simples, genial e muito divertido) e My Gap Feels Weird.

A pegada quase pop a la Beatles 1964 de Rosemarie, o pique punk pop de Crossed Wires, ecos psicodélicos em Fractures In Plaster

Poucos discos atuais podem oferecer tanto prazer como esse aqui.

Como diria o impagável Lobão, Majesty Shredding é repleto de “paudurescência”!

Veja o clipe de Digging For Something:

Veja e ouça Digging For Something acústica e ao vivo:

Karen Elson estreia com talento e auxílio de Jack White

Por Fabian Chacur

Confesso que frequentemente sinto arrepios quando descubro que irei ouvir músicas de “filhos ou parentes de”, ou de “namorados/namoradas de” etc.

Ou seja, basicamente artistas que trazem como primeiro apelo o fato de ter algum parentesco, seja de que forma for, com alguém famoso e talentoso.

Nem sempre dá certo, vide Yoko Ono (pobre John Lennon!), Ed Motta (pobre Tim Maia) e Sean Lennon (pobre John Lennon 2- A Missão).

Mas só baixo o cacete naquilo que ouço, pois prefiro sempre dar a qualquer um o benefício da dúvida, famoso, ligado a famoso ou desconhecido.

No caso da britânica Karen Elson, a desconfiança surgiu em duas frentes: ser a atual cara metade de Jack White, do White Stripes, Raconteurs e outros projetos bacanas, e ter sido modelo de griffes como Armani, Prada, Channel e Yves Saint-Laurent.

A moça, depois de alguns anos, resolveu mostrar seus dotes como cantora, guitarrista e compositora, com o aval de White.

Dessa forma, nasceu The Ghost Who Walks, que a Lab 344 acaba de lançar no Brasil. Após várias audições, só posso dizer uma coisa: valeu arriscar.

Karen tem uma voz doce e deliciosa, que sabe trafegar com desenvoltura entre climas lúgubres e melódicos, entre o rock quase hard e o vaudeville, o folk e o pop, o country e o lírico, o blues e o romântico e muito mais.

O álbum é um verdadeiro exercício de minimalismo e delicadeza, com arranjos de extremo bom gosto e nada de exageros, seja de vozes, instrumentos ou timbre.

A faixa que dá nome ao álbum abre a festa com categoria e ecos dos momentos mais reflexivos dos Doors.

A sequência vem de forma certeira, com maravilhas do naipe de The Truth Is In The Dirt, Stolen Roses, The Birds They Circle e 100 Years From Now.

Jack White se incumbe da produção e toca bateria (e só bateria) na maior parte das faixas, sabiamente dando espaço para a sua gata brilhar.

The Ghost Who Walks é um belo início de carreira para Karen Elson, que, se se mantiver nesse rumo, tem tudo para superar de longe essas referências iniciais e passar a ser, ela própria, uma futura referência para novas gerações.

Veja o clipe da música The Ghost Who Walks, de Karen Elson:

Boy George lança CD de dance music eletrônica

Por Fabian Chacur

Em seus 30 anos de carreira artística, Boy George investiu em duas vertentes bem distintas e nítidas em termos musicais.

Com o grupo que o tornou conhecido mundialmente, o Culture Club, e em alguns momentos da carreira solo, o cantor e compositor apostou em uma bela mistura de soul, pop, rock, country e reggae.

A outra parte da carreira solo e de projetos eventuais, o polêmico astro britânico dedicou à dance music de vertente eletrônica, e também à função de DJ.

Ele, que volta ao Brasil em fevereiro para alguns shows, explora a segunda faceta em seu mais recente álbum, Ordinary Alien, que acaba de sair no Brasil via gravadora Lab 344.

O subtítulo do álbum (The Kinky Roland Files) fala muito sobre ele, pois destaca o nome do coprodutor do álbum e coautor de várias faixas.

A aposta em batidas eletrônicas, dançantes e repetitivas é bastante adequada às pistas, embora não exija tanto da voz desse grande cantor, uma espécie de Smokey Robinson da sua geração.

Mesmo quem não curtir tanto o estilo, mas for fã do Culture Club, irá encontrar coisas bem bacanas no CD.

Yes We Can, por exemplo, que ele fez em homenagem ao presidente americano Barack Obama e que tivemos a oportunidade de ouvir em primeira mão nos shows do cantor no Brasil em 2008.

Amazing Grace também agrada em cheio, com ótima melodia e levada bem interessante.

O momento mais curioso fica por conta de uma versão totalmente heterodoxa e quase irreconhecível de um clássico do Fleetwood Mac.

Go Your Own Way, de Lindsey Buckingham e faixa do clássico álbum Rumours (1977), ganhou uma roupagem inusitada. É ouvir e tirar suas próprias conclusões.

Eu achei válida, embora nem sequer próxima da magnífica gravação original do grupo angloamericano.

A faixa mais roqueira do álbum é a virulenta Kill The A&R, na qual o autor de Karma Chameleon detona os diretores artísticos de gravadoras.

No encarte, Boy George aparece usando um boné com a palavra Forever (para sempre) estampada, e usando um colar com a imagem de Michael Jackson. Bela homenagem ao Rei do Pop.

Veja o clipe de Amazing Grace:

Banda americana Vampire Weekend aposta em sutilezas e ritmos africanos em seu CD Contra

Por Fabian Chacur

A banda independente americana Vampire Weekend é uma das atrações internacionais aguardadas para shows ao vivo no Brasil em 2011.

O quarteto americano formado por Ezra Koenig (vocal principal e guitarra), Rostam Batmanglij (teclados, guitarra, efeitos e vocais), Chris Baio (baixo) e  Chris Tomson (bateria) tocará em São Paulo no dia 1º de fevereiro, na Via Funchal.

Como forma de já criar o clima positivo para a presença dos rapazes por aqui, o selo brasileiro Lab 344 acaba de lançar em nosso país Contra, o segundo álbum do time que está na estrada há quatro anos.

Contra conseguiu a façanha de atingir o primeiro posto na parada americana no início deste ano, algo raro para um trabalho independente e que não aposta em fórmulas óbvias e comerciais.

A principal e mais evidente influência no som do grupo oriundo de Nova York é a fusão folk-rock-música africana feita por Paul Simon nos anos 80 em álbuns como Graceland (1986) e The Rhythm Of The Saints (1990).

O trabalho do grupo Talking Heads e da carreira solo de seu líder, David Byrne, a new wave, o ska e o reggae são outros elementos utilizados pela banda em sua musicalidade.

O timbre melódico e belo da voz de Ezra Koenig pode ser definido de forma simplista como um mix da de Paul Simon e Chris Martin (Coldplay).

As dez canções de Contra tem como características a leveza, as boas melodias, o trabalho rítmico inteligente e as letras irônicas e bem construídas.

Horchata, Holiday, Taxi Cab, Cousins e Giving Up The Gun são destaques de um disco que flui sem grandes dificuldades, esbanjando originalidade, bom gosto e um lugar próprio no atual cenário pop mundial.

Resta saber como eles fazem para segurar a onda ao vivo, já que no CD se valem do auxílio luxuoso de diversos músicos de estúdio, entre os quais o brasileiro Mauro Refosco, o mesmo que já fez shows com Thom Yorke, do Radiohead.

Mas esta resposta nós só teremos em fevereiro.

Veja o videoclipe de Giving Up The Gun:

Cyndi Lauper arrasa como cantora de blues

Por Fabian Chacur

Aos 57 anos, Cyndi Lauper ainda se mostra capaz de surpreender. A cantora americana nos apresenta em Memphis Blues, lançado no Brasil pela gravadora Lab 344 (cujo catálogo é surpreendente) o seu lado blueseira. Sim, trata-se de um álbum do mais puro blues de Chicago.

Miss Lauper encarna intérpretes das antigas, como a saudosa Ma Rainey (a quem ela dedica o CD), e solta a voz de forma vibrante, intensa e ardida, sem dó de suas cordas vocais. O prazer de ouvi-la nessa nova encarnação é indescritível.

Memphis Blues conta com participações especialíssimas de feras do blues como o gaitista Charlie Musselwhite (que tocou até com os Rolling Stones), o pianista Allen Toussaint (mestre do funk jazz de New Orleans),  Jonny Lang, Ann Peebles e ninguém menos do que B. B. King em pessoa.

O eterno embaixador mundial do blues faz dueto com Cyndi e ainda toca sua guitarra inconfundível em Early In The Morning, com o piano de Toussaint arrasando (ele está em mais duas outras faixas).

A ambientação sonora do álbum é a do blues mais sujo e direto, que veste com categoria standards como How Blue Can You Get?, Rollin’ And Tumblin‘, Crossroads, Shattered Dreams e Romance In The Dark.

O grande mérito de Memphis Blues é o fato de Cyndi Lauper não soar como uma cantora pop tentando cantar blues, e sim como uma verdadeira blues singer, que se quiser pode passar a vida inteira interpretando esse tipo de música com categoria que ninguém irá reclamar. Simples assim.

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