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The Doobie Brothers mostram vídeo de Takin’ It To The Streets

the doobie brothers 2021

Por Fabian Chacur

A turnê que celebrará os 50 anos de carreira de uma das melhores bandas da história do rock americano, The Doobie Brothers, já tem data para ser iniciada. Será no dia 22 de agosto, e terá por enquanto duas fases, uma nos EUA e Canadá até outubro e outra na Europa em 20222. A abertura das performances ficará a cargo da ótima The Dirty Dozen Brass Band. A novidade será a participação de Michael McDonald, que integrou a banda entre 1975 e 1982 e que não se apresentava com eles desde 1996. E eles estão se preparando a todo vapor para esses compromissos.

Mesmo durante a quarentena, a atual formação da banda, que tem como integrantes oficiais Tom Johnston (vocal e guitarra), Patrick Simmons (vocal e guitarra) e John McFee (vocal e guitarra), se manteve fazendo gravações por via remota. A mais recente acaba de ser disponibilizada, e inclui McDonald. Trata-se de uma releitura de Takin’ It To The Streets, faixa-título do álbum que marcou a estreia do cantor e tecladista da banda, em 1976. A releitura segue a estrutura original, mas com alguns improvisos bem bacanas.

Desde 2020, o grupo também divulgou outros vídeos registrando versões repaginadas de hits próprios como Listen To The Music (veja aqui) e também um cover de Let It Rain, composição de Eric Clapton, esta última com participação especial de Peter Frampton (veja aqui).

Takin’ It To The Streets (vídeo)- The Doobie Brothers:

David Crosby divulga faixas de For Free, que lançará em julho

david crosby for free cover

Por Fabian Chacur

O intervalo entre os lançamentos de If I Could Only Remember My Name (1971) e Oh Yes I Can (1989), respectivamente o 1º e o 2º álbum-solo de David Crosby é de longos 18 anos. De uns tempos para cá, no entanto, o cantor, compositor e músico americano engatou uma terceira no seu ritmo de gravações. No dia 23 de julho, ele lançará pela gravadora BMG For Free, que será o seu 5º álbum em apenas sete aninhos. E olha que ele completará 80 anos no dia 14 de agosto!

Com produção a cargo de seu filho, o tecladista James Raymond, o álbum traz algumas colaborações bacanas logo a partir de sua capa, um retrato do astro do rock pintado por ninguém menos do que Joan Baez. A faixa-título é um cover de composição lançada pela autora, Joni Mitchell, em 1970, e também registrada em 1973 por um dos grupos de Crosby, os Byrds. Aqui, a canção foi relida em dueto com a cantora e compositora Sara Jarosz (ouça aqui).

Para quem ouvir a deliciosa Rodriguez For a Night e sentir um forte clima do Steely Dan, banda que Crosby considera uma de suas favoritas, não é por acaso. A canção leva a assinatura de Donald Fagen, um dos líderes do icônico grupo americano. Outra participação bacana é de Michael McDonald (ex-The Doobie Brothers) no ótimo country-rock balançado River Rise (ouça aqui). Pela amostra até agora divulgada, o álbum promete.

Rodriguez For a Night– David Crosby:

Christopher Cross (1979), o álbum que marcou uma carreira

christopher cross cd 1979

Por Fabian Chacur

Christopher Cross completou 70 anos há alguns dias. Ele certamente celebrou a data com muita alegria, pois está conseguindo superar os duros efeitos da covid-19, que o levaram inclusive a ficar por algum tempo sem poder se locomover, com as pernas paralisadas. Como forma de homenagear esse grande cantor, compositor e músico americano, Mondo Pop mergulha na história de seu autointitulado álbum de estreia, trabalho que marcou sua trajetória e o eternizou na história do soft rock.

Nascido em San Antonio, Texas (EUA) em 3 de maio de 1951, Christopher Charles Geppert (seu nome de batismo) iniciou sua jornada na música como muitos outros, tocando em bandas covers e se apresentando em bares, festas e quetais. Com o tempo, foi desenvolvend em paralelo um trabalho autoral, e tinha como sonho conseguir um contrato com uma gravadora. Essa busca se intensificou a partir de 1975, inicialmente sem grande retorno.

Enquanto corria atrás de seu sonho, ele montou uma excelente banda de apoio, formada pelo amigo Rob Meurer (1950-2016) nos teclados, Andy Salmon no baixo e Tommy Taylor na bateria. Após muita batalha, ele enfim atraiu as atenções da Warner, com quem assinou em 1978. A coisa começou bem logo na escolha do produtor, o então ainda iniciante na função Michael Omartian, que no entanto já possuía um bom currículo como músico de estúdio.

Além de acrescentar seus préstimos profissionais tocando piano acústico e teclados no álbum, Omartian também foi importante na escolha de outros músicos e vocalistas de apoio que se mostrariam decisivos no sentido de dar ao trabalho uma embalagem absolutamente perfeita. Ele depois trabalharia com nomes do porte de Rod Stewart, Amy Grant, Donna Summer, Peter Cetera, Dolly Partonn e inúmeros outros.

As gravações ocorreram em meados de 1979. O lançamento do álbum, no entanto, foi adiado em alguns meses. A razão: os diretores da gravadora temiam que a sonoridade daquele disco, voltada para o soft rock-bittersweet rock, pudesse levá-lo a não receber a devida atenção por parte da mídia em função do crescimento do interesse em torno da new wave, encarada como a mais provável “bola da vez” naquele momento.

Assim, Christopher Cross (o LP), só chegou às lojas de discos no dia 20 de dezembro de 1979, começando a ser efetivamente trabalhado em termos promocionais a partir de janeiro de 1980. Ride Like The Wind, o primeiro single a ser extraído do álbum, atingiu o 2º lugar na parada da Billboard, provavelmente impulsionado pela presença nos vocais de Michael McDonald, então no auge da fama como integrante dos Doobie Brothers e celebrando o estouro de músicas como What a Fool Believes e Minute By Minute.

Logo a seguir, o single seguinte, a balada romântica Sailing deu a Cross o prazer de atingir o 1º posto no mercado americano. O álbum renderia ainda mais dois hits nesse formato em território americano: Never Be The Same (nº 15) e Say You’ll Be Mine (nº 20), e conquistou o 6º posto na parada de álbuns, contabilizando até hoje a marca de mais de 5 milhões de cópias vendidas nos EUA e pelo menos mais 3 milhões no resto do mundo.

No dia 25 de fevereiro de 1981, na 23ª edição do Grammy, o Oscar da música, Christopher Cross realizou uma façanha então inédita: faturou os quatro troféus considerados os mais importantes da premiação- Álbum do Ano, Single do Ano, Composição do Ano e Artista Revelação. De quebra, ainda levou Melhor Arranjo com Acompanhamento de Vocalistas. Três desses troféus foram partilhados com o produtor Michael Omartian (álbum, single e arranjo).

Vale lembrar que o feito de Cross só seria repetido por um outro artista na 62ª edição do Grammy, em 2020, quando a jovem cantora americana Billie Eilish, então com 19 anos, também saiu com esses quatro cobiçados troféus.

Como explicar tamanho sucesso? Podemos dizer que Christopher Cross foi um dos últimos artistas a estourar de forma efetiva antes da era da MTV e dos videoclipes. Gordinho e sem grande apelo físico, ele deve pura e simplesmente à qualidade da música que ofereceu ao público o seu estrelato. O disco, inclusive, nem traz a sua foto na capa, que é ilustrada pelo desenho de um flamingo, que virou uma espécie de logotipo dele

O álbum é tão bom que vale uma análise de cada uma de suas 9 faixas. Então, vamos a ela, lembrando que todas as composições são dele, sem parceiros.

Say You’ll Be Mine
O álbum começa com um rock com levada latina reforçada pela percussão afiada do grande músico de estúdio Lenny Castro. O espetacular, quase hard rock solo de guitarra é de Jay Graydon, conhecido por seus trabalhos com George Benson e David Foster. O show fica por conta dos vocais de apoio de Nicolette Larson (1952-1997), que interage de forma poderosa com Cross. Ela ficou conhecida graças ao single Lotta Love (1978), composição de Neil Young que ela levou ao 8º posto na parada da Billboard.

I Really Don’t Know Anymore
Esta deliciosa canção r&b foi seriamente cotada para se tornar o 2º single a ser extraído do LP, mas acabou sendo deixada de lado por uma razão empresarial: o manager de Michael McDonald não quis que mais uma faixa com a participação de seu artista fosse divulgada sem estar em um de seus próprios discos. Uma pena, pois ficou escondida no álbum e virou uma espécie de “hit que nunca se materializou”. Além da bela performance de McDonald, outro destaque fica por conta do solo do grande guitarrista de jazz Larry Carlton.

Spinning
Aqui, temos uma canção de tempero bossa com muita delicadeza e nítida influência de Burt Bacharach. Coincidência ou não, em 1981 Cross comporia com o lendário maestro, sua então esposa Carole Bayer Sager e Peter Allen (dos sucessos I Go To Rio e Paris At 21) o megahit Arthur’s Theme (Best That You Can Do), tema do filme Arthur O Milionário Sedutor (com Lisa Minelli e Dudley Moore) e que rendeu a Christopher mais um single nº1 nos EUA e, ainda melhor, um Oscar. Outro ponto alto desta gravação fica por conta dos vocais de Valerie Carter (1953-2017), de arrepiar. Ela gravou discos solo e também participou das bandas de James Taylor, Jackson Browne e Linda Ronstadt, ente outros trabalhos relevantes.

Never Be The Same
Pop rock romântico até a medula, esta gravação traz outro solo preciso de Jay Graydon e vocais de apoio por conta de Stormie Omartian (esposa do produtor do álbum), Myrna Matthews e Marty McCall. Vale lembrar que os teclados nesta e nas outras faixas se dividiram entre Michael Omartian (piano acústico e teclados) e Rob Meurer (sintetizadores e piano elétrico, incluindo efeitos de cordas). Outro destaque é o vibrafone, a cargo do músico inglês de jazz Victor Feldman (1934-1987), que gravou com Marvin Gaye, Olivia Newton-John e Miles Davis, entre muitos outros. Feldman também toca em outras faixas.

Poor Shirley
O lado 1 do vinil se encerra com uma canção introspectiva sobre o sofrimento de uma garota repleta de perdas e à espera de alguém que possa ajudá-la a superar suas dores. A influência aqui é dos Beach Boys em sua fase mais sofisticada a partir de Pet Sounds (1966), e não é de se estranhar que um dos integrantes dessa banda, Carl Wilson (1946-1998), tenha participado do 2º álbum de Cross, Another Page (1983). Curiosidade: os belos vocais de apoio foram todos gravados pelo próprio Christopher.

Ride Like The Wind
Este rockão com percussão latina (por conta de Lenny Castro) iniciou a divulgação deste álbum, e mostra o entrosamento perfeito das vozes de Cross e Michael McDonald, parceria que se repetiria em discos posteriores de Cross, mas sem esse mesmo impacto. O ótimo solo de guitarra ficou por conta do próprio artista, e é uma bela prova de seu talento como músico. A música foi dedicada a Lowell George (1945-1979), ex-The Mothers Of Invention e fundador da banda Little Feat. Em 1988, o grupo inglês de heavy metal Saxon a regravou com muita categoria.

The Light Is On
Um r&b com percussão latina e levada sensual que tem o luxo de trazer, nos vocais de apoio, Don Henley (dos Eagles) e J.D. Souther (artista solo e compositor de hits para inúmeros artistas, incluindo os Eagles). Larry Carlton também se incumbe do solo de guitarra aqui.

Sailing
O momento mais lírico do LP. Uma balada romântica, envolvente, inspirada na navegação como forma de buscar o prazer e a fuga dos problemas do dia a dia. O acompanhamento de guitarra, a cargo do próprio Cross, e as intervenções de piano acústico de Omartian e de sintetizadores de Meurer tornam a gravação simplesmente perfeita. O autor da canção também se incumbe sozinho dos backing vocals.

Ministrel Gigolo
Faixa mais longa do álbum, com 6 minutos de duração, Ministrel Gigolo apresenta uma letra bem-humorada sobre um cantor e compositor cujo grande objetivo é encantar, cativar e porque não, seduzir suas fãs. Em termos sonoros, traz similaridades com os momentos mais introspectivos de Elton John em seus anos iniciais, especialmente da faixa Madman Across The Water.
obs.: a edição japonesa em CD deste álbum traz uma faixa adicional, Mary Ann, que participou em 1980 do Yamaha World Music Festival, no Japão.

A carreira após esse estouro monumental

A fase positiva de Christopher Cross se manteve até 1984. Nesse período pós-lançamento de seu disco de estreia, ele ganhou um Oscar em março de 1982 com Arthur’s Theme (Best That You Can Do). Em 31 de janeiro de 1983, seu 2º álbum, Another Page, chegou às lojas. Se não vendeu tanto, ao menos atingiu uma posição respeitável na parada americana, o 11º lugar, e emplacou dois singles de sucesso, Think Of Laura (nº9), que foi utilizada na popular série de TV General Hospital e All Right (12º lugar), esta última bem tocada nas rádios brasileiras.

Every Turn Of The World (1985), o trabalho seguinte, foi um tremendo fiasco, não passando da posição de número 127 dos EUA, e marcou o fim dos anos de ouro do artista, que desde então lançou discos que passaram longe das paradas de sucesso, embora incluíssem algumas músicas legais, e se manteve fazendo shows pelos quatro cantos do mundo, Brasil incluso.

Ouça Christopher Cross (1979) em streaming:

James Ingram, craque do R&B, compositor fera e rei dos duetos

james ingram-400x

Por Fabian Chacur

A concorrência para o prêmio de Melhor Artista Novo na 24ª edição do Grammy cujos troféus foram entregues no início de 1982 era grande. A cantora escocesa Sheena Easton acabou levando a melhor, superando na disputa os grupos de pop-rock Adam And The Antes e The Go-Go’s e os cantores de r&b Luther Vandross (1951-2005) e James Ingram. Este último teve como consolo a vitória na categoria Melhor Performance Masculina de R&B com a musica One Hundred Years. E se deu melhor do que ela, em termos profissionais. Ingram nos deixou nesta terça (29) aos 66 anos, vítima de câncer cerebral. Seu legado é dos mais respeitáveis.

James Ingram nasceu em Akron, Ohio (EUA) em 16 de fevereiro de 1952. Seu envolvimento com a música se deu desde a infância. Nos anos 1970, enquanto participava de grupos com pequena repercussão, teve sua primeira prova de fogo ao integrar uma banda de apoio de Ray Charles. As coisas engrenaram para ele ao ser convidado pelo célebre produtor Quincy Jones para participar do álbum The Dude (1981). E ele se mostrou pé-quente, pois as duas músicas nas quais assumiu o vocal principal, Just Once e One Hundred Ways, foram os maiores hits, ambas atingindo o top 20 nos EUA na parada de singles.

Além de músico e cantor, Ingram logo se tornou conhecido como compositor. Uma de suas canções mais famosas é P.Y.T. (Pretty Young Thing), que faz parte do mitológico álbum Thriller, de Michael Jackson. O sucesso foi tão grande que deu a abertura que ele precisava para iniciar sua carreira solo. Isso ocorreu em 1983 com o lançamento de seu excelente primeiro álbum individual, It’s Your Night, com produção do padrinho Quincy Jones e direito a grandes músicos.

A faixa de destaque do CD foi Ya Mo Be There, dueto com Michael McDonald, que atingiu o nª 19 entre os singles e rendeu a Ingram o seu segundo troféu Grammy, na categoria Melhor Performance R&B Com Duo Ou Grupo Com Vocais.

E já que o assunto é duetos, James Ingram atingiu pela primeira vez o primeiro lugar na parada americana de singles com sua parceria com a cantora Patti Austin em 1983 com a música Baby Come To Me, que foi usada na trilha da série televisiva de sucesso General Hospital. O cara estava tão badalado que acabou participando do elenco estelar do single We Are The World, ao lado de astros como Ray Charles, Bob Dylan, Bruce Springsteen, Ray Charles e tantos outros. Em 1987, outra dobradinha bacana, a balada Somewhere Out There, com a cantora Linda Ronstadt. E seu único nª 1 realmente solo foi conquistado em 1990 com a bela balada romântica I Don’t Have The Heart.

O artista concorreu ao Oscar de melhor canção em duas ocasiões: The Day I Fall In Love, dueto com Dolly Parton incluído na trilha de Beethoven’s 2nd em 1994 e no ano seguinte com Look What Love Was Done, do filme Junior. Mais alguns duetos: What About Me (1984- com Kenny Rogers e Kim Carnes), The Brightest Star (1991- com Melissa Manchester), When You Love Someone (1995- com Anita Baker) e Our Time Has Come (1997- com Carnie Wilson).

Quando Quincy Jones lançou seu álbum mais badalado, Black On The Block (1989), James Ingram estava lá, e justo na canção de maior sucesso, The Secret Garden, ao lado de Barry White, El Debarge e Al B.Sure! De quebra, ele ainda marcou presença em uma faixa dos, pasmem!, Scorpions! Sim, a banda alemã de heavy metal. Mais precisamente na faixa What U Give U Get Back, incluída no álbum Eye II Eye (1999). Dá para encara esse currículo, Sheena Easton?

Ya Mo Be There (remix version)- James Ingram e Michael McDonald:

DVD conta a história dos Doobie Brothers

Por Fabian Chacur

Se há um grupo que amo e que acompanho desde o seu início, ele atende pelo nome The Doobie Brothers. Conheci essa fantástica banda americana logo em seu primeiro compacto simples, Nobody (de 1971), adquirido por meu saudoso irmão Victor. Curiosamente, essa música só fez sucesso aqui no Brasil, passando batido nos EUA e arredores.

Com seu segundo álbum (Toulose Street-1972), impulsionado pelo certeiro single Listen To The Music, os Doobies invadiram as paradas de sucesso de todo o mundo, protagonizando uma história de sucesso contada no excelente documentário Let The Music Play- The Story Of The Doobie Brothers, que a distribuidora ST2 acaba de lançar por aqui. E que história!

Tudo começou quando Tom Johnston (vocal e guitarra) e Patrick Simmons (vocal e guitarra) se conheceram em um barzinho de má reputação chamado Chateau Liberté, na região de Santa Cruz/San Jose (California). Ali surgia o núcleo básico do grupo, que com o decorrer dos anos passou por várias formações. Seu som fundiu rock básico, folk, country e soul de forma única.

O documentário traz entrevistas recentes com os músicos que integraram/integram a banda, o manager Bruce Cohn (o único da história deles, algo raro no show business), críticos e DJs, além de contar com registros feitos nos shows e bastidores da banda nesses 40 anos de estrada.

O início difícil, o sucesso, a importância de cada álbum e as diversas fases vividas por eles são detalhadas de forma consistente e leve. A surpreendente saída de cena de Johnston em 1975 e a entrada em cena ainda mais inesperada do então desconhecido Michael McDonald, que os impulsionou a um rumo totalmente diferente e de grande sucesso comercial, são explicadas.

A separação do grupo em 1982 e a forma como shows beneficentes anuais com seus ex-integrantes acabou sendo a semente que gerou o retorno em 1987 também estão no filme, assim como a carreira da banda após esse retorno, capitaneado por Johnston e Simmons (o único que nunca saiu dos Doobies durante sua existência).

Se a história do grupo é bem legal, a música que eles fizeram nesses anos todos é ainda melhor, com direito a maravilhas como as canções já citadas e também Long Train Runnin’, Rockin’ Down The Highway, China Grove, Black Water, It Keeps You Runnin’, Takin’ It To The Streets, What a Fool Believes, The Doctor e tantas outras.

Nos extras, temos nove músicas gravadas ao vivo nos anos 70, 80 e 90 e apresentadas na íntegra, servindo como uma boa introdução à fantástica obra dessa banda que merece muito mais reconhecimento do que tem aqui no Brasil.

O que dizer de um grupo que chegou a ter três vocalistas/guitarristas e dois bateristas ao mesmo tempo, por exemplo? E por aí vai. Esse DVD certamente ajudará muita gente a descobrir essa fantástica banda de rock. Mergulhe de cabeça sem susto!

Veja um trailer de Let The Music Play- The Story Of The Doobie Brothers:

DVD traz o último show dos Doobie Brothers com Michael McDonald como seu líder em 82

Por Fabian Chacur

Já comentei recentemente em Mondo Pop o CD Live At The Greek Theatre 1982, que registra a última apresentação ao vivo dos Doobie Brothers em sua fase com Michael McDonald como líder.

Agora, chega às lojas o DVD com o registro do mesmo show, e aproveito para acrescentar algumas observações adicionais que só consegui ao ver o show na sua íntegra.

O material é o mesmo do CD, ou seja, não inclui faixas a mais do que na versão em áudio, como ocorre em alguns DVDs.

As entrevistas com alguns dos integrantes da banda incluídas na seção de extras são bem interessantes.

A de McDonald, que se tornou o líder do grupo a partir de 1976, quando entrou no lugar de Tom Johnston, é polida e profissional, demonstrando que o cara queria mesmo era sair fora e faturar como astro solo, embora aproveitasse para fazer uma média com os fãs da banda.

O baixista Willie Weeks, que a partir do final de 1980 substituiu Tiran Porter em shows, não escondia o seu desejo de se mandar dali o quanto antes, já que na prática não passava de um músico de apoio.

Sua história com Eric Clapton, de quem integrou a banda durante anos, é muito mais significativa, e lhe gerou laços muito mais fortes.

Por alguma razão, Patrick Simmons, que naquele momento era o único integrante da formação original da banda ainda no time, não deu entrevista, mas Tom Johnston está lá, e fica claro nas entrelinhas de seu depoimento que para ele o grupo na verdade não fazia mais sentido sem ele.

Fácil entender a razão de, seis anos após esse “último show”, ele e Simmons terem reativado os Doobies, desta vez com o mesmo espírito da fase áurea de 1970/1975.

Como o grupo quis dar uma geral no repertório de toda a sua carreira, os Doobies 1982 tocaram canções de Tom Johnston, e os substitutos do vocalista original, basicamente Cornelius Bumpus, Simmons, McDonald e Keith Knudsen perderam de goleada para o ex-colega.

Na maior cara de pau, Michael McDonald e Patrick Simmons incluíram uma faixa cada de suas então já iniciadas carreiras-solo, respectivamente I Keep Forgettin’ e Out On The Streets, aproveitando a multidão presente ao Greek Theatre para vender seu peixe individual. Coisa feia!

Tom Johnston participa do fim do show com brilhantismo em China Grove, cantando e tocando guitarra e mostrando quem era o cara, naquela banda.

Detalhe: a guitarra dele teve problemas e ele teve de trocá-la logo no início da canção, e fez isso sem parar de cantar, com a coisa toda rolando, sem pedir para parar. Fera mesmo!

Na faixa final, um replay do horroroso arranjo soul/funk de Listen To The Music que iniciou o espetáculo, 12 músicos, entre integrantes e ex-integrantes da banda sobem ao palco e proporcionam um momento de rara emoção e energia.

Nos bônus, temos cinco faixas dos Doobies da fase pós-Tom Johnston, todas bem legais, entre as quais a sensacional Real Love. Elas não foram incluídas na versão exibida pela TV americana na época.

Que fique claro: acho Michael McDonald um excelente cantor, compositor e músico. O problema é que sua entrada descaracterizou completamente os Doobie Brothers, que entre 1977 e 1982 viraram, na prática, a The Michael McDonald Brothers Band.

Não sou louco de meter o pau em músicas maravilhosas como What a Fool Believes, Takin’ It To The Streets, Real Love e Minute By Minute, todas incluídas no CD e no DVD.

Apesar dos pesares, é o tipo do DVD indispensável para os fanáticos pelos Doobies (como eu), e também por qualquer fã de classic rock decente.

Veja China Grove, com os Doobie Brothers, do DVD resenhado:

CD flagra Doobie Brothers ao vivo em 1982

Por Fabian Chacur

A rigor, existiram duas banda intituladas The Doobie Brothers. Uma ficou em cena entre 1970 e 1975, voltando à ativa em 1988 e se mantendo entre nós até hoje de forma brilhante.

O segundo grupo com esse mesmo nome existiu entre 1976 e 1982, também com um trabalho bastante bacana, mas com outra identidade musical e outro líder.

O curioso é que essas duas faces da banda americana existiram graças à mudança de um integrante chave: Tom Johnston, cantor, compositor e guitarrista, esteve fora entre 1976 e 1982, substituído pelo cantor, compositor e tecladista Michael McDonald.

O álbum Live At The Greek Theatre 1982, que está sendo lançado agora, traz o registro do último show realizado pelos Doobies em sua fase McDonald, gravado e exibido na época no canal a cabo Showtime.

Tendo como palco o lendário Greek Theatre na cidade de Berkeley, na California, este trabalho serve como bom argumento do porque vários fãs dos Doobies (eu incluso entre eles) preferem a banda com Johnston como seu líder inconteste.

Irregular, o álbum começa mal com uma péssima releitura funkeada de Listen To The Music, seguindo com performances fracas e sem energia de rocks marcantes como Sweet Maxine, Rockin’ Down The Highway e a melosa You Belong To Me, parceria de McDonald com Carly Simon.

Take Me In Your Arms (Rock Me), canção do repertório da Motown Records que voltou às paradas em 1975 na voz de Johnston, é interpretada aqui de forma medíocre por McDonald. Aliás, as vocalizações, marca registrada dos Doobies, soam insossas até este momento do show.

A coisa só começa a melhorar no álbum a partir da faixa 7, quando o grande hits Black Water, escrita e interpretada pelo cantor, compositor e guitarrista Patrick Simmons, o talentoso número 2 do time, entra em cena.

A partir daí, a banda mostra mais swing em temas escritos por McDonald, como as fantásticas What a Fool Believes, Takin’ It To The Streets e Minute By Minute, e o maravilhoso tema instrumental Slat Key Soquel Rag, outra de Simmons.

Em China Grove e Listen To The Music, Tom Johnston entra em cena para uma participação especial, e dá à primeira o gás que ela merece, embora na segunda, com aquele mesmo arranjo vexaminoso que abriu o show, não tenha tido como salvar a pátria.

O álbum traz como bônus quatro faixas (sendo três ótimas) dos McDonald’s Days, entre elas Dependin’ On You e Real Love, momentos inspirados do songbook do tecladista.

Se não é excelente, Live At The Greek Theatre 1982 merece figurar na coleção dos fãs dos Doobie Brothers.

O grande problema, para mim, do grupo em sua fase 1976-1982, é parecer na verdade uma mera banda de apoio para Michael McDonald, deixando para trás seu pedigree rocker.

Veja What a Fool Believes, com os Doobie Brothers:

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