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Tag: música popular

Charles Aznavour, estilista da canção, nos deixa aos 94 anos

charles aznavour-400x

Por Fabian Chacur

Ouvi uma música de Charles Aznavour pela primeira vez aos 11 anos de idade, quando meu irmão Victor comprou um compacto simples com a belíssima canção L’amour C’est Comme Un Jour como presente para a nossa mãe, Victoria. Nos anos 1990, tive a honra de participar de uma entrevista coletiva com ele. E, agora, lamento profundamente a sua morte, aos 94 anos, ocorrida na madrugada desta segunda (1ª) em sua casa, situada no sul da França.

Aznavour se mantinha ativo, e nos visitou pela última vez em março de 2017. Tive a honra de redigir o press release que ajudou a divulgar seus shows no Brasil na época, e tomo a liberdade de republicar abaixo esse texto, que dá uma geral na trajetória desse incrivelmente simpático cantor, compositor e ator francês, um verdadeiro estilista da canção que nos proporcionou muito prazer auditivo.

Na entrevista coletiva, entre outras, tive a oportunidade de perguntar a ele como foi contracenar com os personagens do Muppet Show, nos anos 1970, divertido programa estrelado por bonecos carismáticos como a Miss Pigg e o Caco (Kermit). “Era esquisito contracenar com bonecos, mas foi muito divertido gravar esse programa”, relembrou-se.

Aí vai o texto do meu release, em homenagem a ele:

Se há um artista que conseguiu atravessar gerações com suas canções inesquecíveis, ele atende pelo nome de Charles Aznavour. Aos 92 anos, ele permanece mais ativo do que nunca, fazendo shows pelo mundo todo. Ele volta ao Brasil em março de 2017, com apresentações em São Paulo e no Rio de Janeiro. Imperdível.

Na verdade, este memorável cantor, compositor e ator francês anunciou em 2006 sua “Farewell Tour”, ou seja, uma turnê de despedida. O sucesso dessa turnê foi tamanho que o artista resolveu permanecer na estrada, ele que já se apresentou em mais de 90 países pelo mundo afora e continua saudável e vivaz.

São mais de 100 milhões de discos vendidos, mais de 1.200 músicas gravadas, quase 300 álbuns lançados, participação em mais de 80 filmes e o respeito por parte de público e crítica, algo muito difícil de se obter de forma simultânea.

Charles Aznavour nasceu em Paris em 22 de maio de 1924, filho de um cantor e uma atriz oriundos da Armênia. Sua carreira no cenário musical se iniciou na década de 1940, como intérprete e compositor. Aí, um encontro marcou sua vida para sempre.

Após ver uma apresentação do cantor em uma emissora de rádio, no final dos anos 1940, ninguém menos do que Edith Piaf, a grande diva da canção francesa, o levou para abrir seus shows em uma turnê pela França e EUA. O cantor, inclusive, morou durante um período com ela, que gravou algumas de suas composições, assim como outros importantes cantores franceses.

O sucesso também como intérprete ganhou força a partir da década de 1960. Sua capacidade de entreter as plateias nos shows o ajudou nesse sentido, além do talento para escrever canções em francês, inglês, italiano, espanhol e alemão.

Com o tempo, seus hits se espalharam pelo mundo afora, entre os quais maravilhas do porte de She, The Old Fashioned Way, La Bohème, Yesterday When I Was Young, Que C’Est Triste Venise e L’Amour C’est Comme Un Jour, só para citar algumas.

Nos últimos 40 anos, o artista se apresentou pelo mundo afora, sempre com casa cheia, e teve suas músicas gravadas por nomes como Elton John, Sting, Bob Dylan, Placido Domingo, Céline Dion, Julio Iglesias, Liza Minnelli, Ray Charles e Elvis Costello.

Não é de se estranhar que, em 1988 ele tenha sido eleito o entertainer do século XX pela CNN e Time. Nada mais justo, para um artista que supera as barreiras culturais e linguísticas, além de sempre estar engajado em causas humanitárias e culturais.

L’amour C’est Comme Un Jour– Charles Aznavour:

Ruy Castro, esqueça do rock, para o bem de todo o mundo!

2015 Coachella Valley Music And Arts Festival - Weekend 2 - Day 1

Por Fabian Chacur

Sou leitor assíduo do jornalista e escritor Ruy Castro. Adoro seu texto classudo e fluente e suas informações sempre bacanas sobre bossa nova, música brasileira em geral e jazz. Então, é com muita tristeza que serei obrigado a lhe dedicar umas linhas não muito alegres, tendo como motivação a crônica Música e Tiroteio, publicada na edição desta quarta-feira (27) da Folha de S.Paulo. Na verdade, foi uma espécie de gota d’água.

Quem acompanha a coluna do autor de tantos livros essenciais sabe que, quando ele se mete a opinar sobre rock, a coisa fica feia. Sai de lado o profissional criterioso, pesquisador, bom de texto, e entra em cena o fanfarrão, que obviamente odeia esse gênero musical e faz o possível para deprecia-lo, mesmo que tenha de se valer de argumentos inconsistentes e rasos e de gracinhas bobocas que não cabem em alguém de seu porte profissional. Um horror.

Na verdade, ele já publicou asneiras sobre Beatles, Bob Dylan e muitos outros, e sempre me irrito muito pela falta de argumentos consistentes. Mas agora, o cara se excedeu. Então, vamos lá, começando por dois erros factuais crassos: a banda AC/DC é obviamente australiana, e não canadense, como está na edição impressa. Já corrigiram na online. Outro erro permanece na online: o grupo americano de rock chama-se Eagles Of Death Metal, não Eagles Of The Death Metal. Começou mal a coisa, e só vai piorar daqui pra frente, acreditem.

Em seu texto, Castro comenta sobre a aposentadoria de Brian Johnson, vocalista do AC/DC. E vem com aquele conceito arcaico de que rock não passa de barulho. Meu Deus do céu, em pleno século XXI, ainda existe quem defenda essa bandeira furada? Socorro! Em seguida, ele cita a idade do cantor, 68 anos, que ele acha alta demais para roqueiros. E diz que ele deveria se dedicar a “matar palavras cruzadas ou colecionar selos”. De quebra, ainda manda isso: “O rock é- ou era- uma música jovem e rebelde, e não fica bem ter como um de seus expoentes um hippie velho e de boina”.

Dá para encarar o preconceito contido nessa frase de Castro? Acho que ele certamente não viu ao menos alguns segundos dos shows atuais dos setentões Paul McCartney, Mick Jagger e Keith Richards, entre outros “velhinhos” que continuam mandando ver. E vale lembrar que, há muito, mas há muito tempo mesmo, o rock é considerado música para jovens, sim, mas para jovens de alma, não necessariamente de idade cronológica, que, convenhamos, nesses casos não vale muita coisa.

Para o colunista da Folha, “hoje, o rock é a música mais velha do mundo”. Ah, é? E como o senhor explica a incrível afluência de uma garotada composta por adolescentes e jovens adultos nos shows de artistas veteranos de rock, misturando-se com pais e até avôs para curtir esse estilo musical? Seria anomalia isso? Ou apenas a constatação de que música boa não tem idade, seja ela rock and roll, bossa nova ou seja lá o que for? Acorde, Castro!

E a coisa vai piorando. A seguir, ele diz que Brian Johnson não é o único a ficar surdo, e cita como afetados pela enfermidade Neil Young, Ozzy Osbourne, Eric Clapton, Brian Wilson (dos Beach Boys, pelo menos o nome desse grupo ele acertou…), Pete Townshend (do The Who) e George Martin. E aí, manda a asneira mor, digo, essa frase: “Exceto por Martin, morto há pouco, você não ouviu falar muito deles ultimamente. Devem estar em casa, afinando os aparelhos de ouvido”.

Como? Seu Castro (seria parente de Fidel e Raul Castro?), só se o senhor estiver, também, ficando surdo, pois todos os nomes citados por Vossa Excelência estão ativos, lançando discos, fazendo shows e plenamente relevantes, mesmo com décadas e décadas de carreira. Ou seja, só não ouviu falar muito deles ultimamente quem não se informou nos grandes meios de comunicação impressa, televisiva, radiofônica e virtual.

Aí, ele finaliza citando o triste incidente do atentado na casa de shows Bataclan, em Paris, durante um show do grupo Eagles Of Death Metal. Aí, novamente vem o preconceito (esse, sim, vetusto e empoeirado) de que rock não passaria de barulho, na frase lamentável: “pelo áudio, não é possível distinguir entre a música e o tiroteio. Parece uma coisa só”.

Sr. Castro, nada contra sua aversão ao rock. É um direito, em um mundo democrático em termos de gostos. Mas justificar sua opinião de forma tão tosca não cabe em um profissional tão gabaritado. Especialmente pelo fato de que nem mesmo a maior parte dos artistas que você tanto admira, da bossa nova, bolero, jazz etc, concorda contigo, todos respeitando e admirando Beatles, Rolling Stones, AC/DC etc. Cada um na sua praia musical. Até Sinatra gravou Beatles!

Então, fica a dica: por favor, Señor Castro, continue se dedicando com o talento habitual aos seus estilos preferidos, e nos poupe de suas tolices anti-rock, que soam como a daqueles que, lá pelos idos de 1963-1964, consideravam o rock um modismo passageiro, que não deixaria traços. No entanto….E já dizia Neil Young, citado de passagem pelo senhor: hey, hey, my, my, rock and roll will never die. Não adianta torcer contra. Música boa é para sempre. Grande abraço, sou seu fã!

For Those About To Rock We Salute You– AC/DC:

Hells Bells– AC/DC:

You Shook Me All Night Long– AC/DC:

Morre Claude Nobs, do Festival de Montreux

Por Fabian Chacur

Claude Nobs, criador do Festival de Jazz de Montreux, morreu nesta quinta-feira (10), vítima das contusões sofridas após uma queda enquanto praticava cross-country na Suiça. Ele chegou vivo ao hospital, mas logo entrou em coma e não resistiu aos traumas. Ele tinha 76 anos de idade.

O Festival de Jazz de Montreux teve sua primeira edição realizada em junho de 1967 na pequena cidade suíça de Montreux, e surgiu após Nobs ter visitado o escritório da gravadora Atlantic em Nova York. Os jazzistas Keith Jarrett e Jack DeJohnette estavam no elenco dessa bem-sucedida estreia. Em pouco tempo, o evento se tornou um dos mais concorridos do mundo, e abriu seu leque musical.

Do jazz inicial, abrangeu nas edições seguintes também soul music, rock, música latina, africana, funk e até mesmo o rap. Na segunda metade dos anos 70, foi criada até uma noite especialmente para a música brasileira, na qual artistas como Gilberto Gil, Elis Regina, Ney Matogrosso, A Cor do Som, Pepeu Gomes e inúmeros outros brilharam.

Carlos Santana foi um dos nomes que mais apareceram por lá. Entre outros, também podemos destacar Phil Collins, Chic, Herb Alpert, Curtis Mayfield, Buddy Guy, Lou Reed, Suzanne Vega, The Moody Blues, James Brown, George Clinton, George Benson, Simply Red, Earth Wind & Fire, Emerson Lake & Palmer, Ella Fitzgerald e um longo etc.

O selo brasileiro ST2 lançou (e continua lançando) por aqui inúmeros DVDs e CDs com registros dos shows mais importantes realizados nesse festival, o equivalente a uma das mais abrangentes e importantes coleções de registros musicais de todos os tempos, em lançamentos originais da Eagle Vision sempre com alta qualidade de áudio e vídeo.

Uma curiosidade: o suiço Claude Nobs se incumbia de apresentar todos os shows, e de quebra eventualmente ainda dava animadas canjas em alguns dos espetáculos, tocando gaita. Era uma figura simpática e totalmente apaixonada pela música, sem se preocupar com rótulos ou limitações. Vai fazer muita falta…

Veja o show de Phil Collins em Montreux em 2004:

Quem nos deixou na música em 2012

Por Fabian Chacur

Lá pelos idos de junho deste ano, comentei com um colega jornalista sobre o impressionante número de nomes importantes do meio musical que nos deixaram até ali, em 2012. Ele me deu a burocrática e entediante resposta “todo ano morre gente”. Infelizmente, não como neste triste 2012.

Ao fazer um balanço das perdas que tivemos durante esses 12 meses, chego à conclusão de que poucos anos tiveram ou terão uma lista tão extensa de perdas significativas nos quesitos cantores, cantoras, músicos, compositores e demais envolvidos com o maravilhoso mundo da música, que tanta energia positiva nos oferece.

Como forma de apresentar provas dessa minha avaliação, relacionei os links de matérias publicadas por Mondo Pop durante 2012 noticiando essas perdas. Vocês verão, são mais de 30 nomes. E faltam outros que, por vacilada minha ou coisa do gênero, acabaram sem registros aqui. Mea culpa, mea maxima culpa. As homenagens são para eles, também.

Coloquei também links com notas sobre os fechamentos da casa de shows Citibank Hall (o antigo Palace) e o Jornal da Tarde pelo fato de ambos terem importante ligação com a música, um por ter abrigado inúmeros shows históricos e o outro por ser um órgão de imprensa que sempre deu grandes e importantes espaços à cultura.

Não escolhi por acaso ilustrar esse post com a foto da cantora Donna Summer, uma dessas lamentáveis perdas (ocorrida no dia 17 de maio). Se estivesse viva, a eterna Rainha da Disco Music completaria 64 anos nesta segunda-feira (31/12).

Eles nos deixaram, mas suas obras permanecem por aí, para aplacar nossa saudade e também para serem descobertas pelas novas gerações. Todos inesquecíveis! Que em 2013 a gente possa falar mais de vida do que de morte por aqui. E desejo a todos um Ano Novo maravilhoso, com direito a muita saúde, paz, alegria, realizações e muita música de qualidade!

http://www.mondopop.net/2012/01/morre-etta-james-genial-cantora-de-soul-music/

http://www.mondopop.net/2012/01/citibank-hall-antigo-palace-fechara-em-marco/

http://www.mondopop.net/2012/01/morre-coautor-de-sunshine-on-my-shoulders-sucesso-de-john-denver-nos-anos-197080/

http://www.mondopop.net/2012/02/morre-don-cornelius-do-programa-soul-train/

http://www.mondopop.net/2012/02/wando-se-vai-nesse-triste-8-de-fevereiro/

http://www.mondopop.net/2012/02/morre-a-diva-popsoul-whitney-houston/

http://www.mondopop.net/2012/02/whitney-houston-cantou-no-brasil-em-1994/

http://www.mondopop.net/2012/02/saiba-qual-o-melhor-cd-de-whitney-houston/

http://www.mondopop.net/2012/02/morre-davy-jones-do-grupo-the-monkees/

http://www.mondopop.net/2012/03/whitney-houston-tem-3-cds-entre-os-10-mais/

http://www.mondopop.net/2012/03/morre-jimmy-ellis-a-voz-de-disco-inferno/

http://www.mondopop.net/2012/03/morre-michael-hossack-dos-doobie-brothers/

http://www.mondopop.net/2012/04/morre-dick-clark-do-american-bandstand/

http://www.mondopop.net/2012/04/morre-greg-ham-saxofonista-do-men-at-work/

http://www.mondopop.net/2012/04/adeus-levon-helm-ex-the-band-va-em-paz/

http://www.mondopop.net/2012/05/adam-yauch-dos-beastie-boys-morre-nos-eua/

http://www.mondopop.net/2012/05/morre-fotografo-de-tapestry-de-carole-king/

http://www.mondopop.net/2012/05/morre-chuck-brown-mestre-da-funk-music/

http://www.mondopop.net/2012/05/morre-donna-summer-a-rainha-da-disco-music/

http://www.mondopop.net/2012/05/robin-gibb-nos-deixa-aos-62-anos/

http://www.mondopop.net/2012/06/morre-bob-welch-ex-fleetwood-mac/

http://www.mondopop.net/2012/07/morre-ivone-kassu-assessora-de-imprensa-no1/

http://www.mondopop.net/2012/07/morre-jose-roberto-bertrami-do-azymuth/

http://www.mondopop.net/2012/07/morre-jon-lord-ex-deep-purple/

http://www.mondopop.net/2012/07/morre-bob-babbit-um-dos-funk-brothers/

http://www.mondopop.net/2012/07/morre-o-otimo-cantor-marcos-roberto/

http://www.mondopop.net/2012/07/morre-larry-hoppen-do-grupo-orleans/

http://www.mondopop.net/2012/08/morre-magro-waghabi-do-grupo-mpb-4/

http://www.mondopop.net/2012/08/chorinhos-em-desfile-agora-no-ceu-altamiro/
http://www.mondopop.net/2012/08/morre-scott-mckenzie-do-hit-san-francisco/

http://www.mondopop.net/2012/09/morre-o-genial-letrista-pop-hal-david/

http://www.mondopop.net/2012/09/morre-roberto-silva-um-estilista-do-samba/

http://www.mondopop.net/2012/09/the-killers-homenageiam-andy-williams/

http://www.mondopop.net/2012/09/eu-e-a-gracinha-da-saudosa-hebe-camargo/

http://www.mondopop.net/2012/10/jornal-da-tarde-e-a-camisa-10-do-zeca-jagger/

http://www.mondopop.net/2012/12/morre-o-genial-jazzista-dave-brubeck/

http://www.mondopop.net/2012/12/ravi-shankar-foi-o-guru-de-george-harrison/

http://www.mondopop.net/2012/12/morre-lee-dorman-do-grupo-iron-butterfly/

Unforgettable, com Nat King Cole e Natalie Cole:

Conheça os CDs mais vendidos no Brasil

Por Fabian Chacur

Novidades na parada de sucessos brasileira. Com seus novos lançamentos, Marisa Monte (O Que Você Quer Saber de Verdade) e Coldplay (Mylo Xyloto) entraram com força total entre os 10 mais.

Não é de se estranhar, pois esses dois nomes possuem uma carreira já extensa, com direito a fã-clube fiel que sempre adquire rapidinho seus novos lançamentos, o que se reflete nos charts.

Nenhum deles, no entanto, conseguiu tirar o número 1 do Padre Marcelo Rossi e seu CD Ágape Musical. Miss Monte está em segundo lugar, enquanto o grupo britânico ocupa o quinto posto.

A terceira novidade no top 10, na verdade um retorno, é a coletânea 80 Sucessos dos Anos 80, da gravadora Radar Records, que voltou aos dez mais na oitava posição, e é daquele tipo de disco que volta e meia fica entre os mais vendidos por trazer material conhecido do grande público.

A parada Top 10 Brasil é feita pela Associação Brasileira dos Produtores de Discos em parceria com a empresa de pesquisa Nielsen. A desta semana saiu de pesquisa feita entre os dias 31 de outubro e 6 de novembro.

Veja quais são os 10 cds mais vendidos no Brasil atualmente:

01     PADRE MARCELO ROSSI     ÁGAPE MUSICAL     SONY MUSIC
02     MARISA MONTE O QUE VOCÊ QUER SABER DE VERDADE     EMI MUSIC
03     PAULA FERNANDES     AO VIVO     UNIVERSAL MUSIC
04     REBELDES     REBELDES 2011     EMI MUSIC
05     COLDPLAY     MYLO XYLOTO     EMI MUSIC
06     ADELE     21     SONY MUSIC
07     SEU JORGE     MÚSICAS PARA CHURRASCO VOL. 1  UNIVERSAL MUSIC
08     VARIOS     80 SUCESSOS DOS ANOS 80     RADAR RECORDS
09     SHAKIRA     SALE EL SOL     SONY MUSIC
10     ZECA PAGODINHO AO VIVO COM AMIGOS  UNIVERSAL MUSIC

EMI Music é desmembrada e vendida

Por Fabian Chacur

Depois de quatro meses de intensas negociações, enfim a EMI Music foi vendida pelo seu mais recente proprietário, o CitiGroup, que teve de se desvencilhar da empresa após quatro anos. A notícia foi veiculada na edição eletrônica desta sexta(11) do The New York Times.

Como forma de escapar de um prejuízo que poderia se tornar ainda maior, o CitiGroup preferiu comercializar a célebre gravadora de origem britânica por um total de 4.1 bilhão de dólares, sendo que há quatro anos o grupo empresarial a havia adquirido por 5.5 bilhões de dólares.

A venda ocorreu da seguinte forma: a Universal Music, do grupo empresarial francês Vivendi, pagou 1.9 bilhão de dólares pela gravadora e seu acervo, que inclui obras dos Beatles, Pink Floyd, Norah Jones, Coldplay e inúmeros outros artistas.

A editora musical, por sua vez, rendeu 2.2 bilhões de dólares ao CitiGroup e ficou nas mãos de um grupo empresarial que tem como líder a japonesa Sony Music.

Desta forma, uma antiga previsão que eu havia feito enfim se concretizou no meio musical. Eu explico.

Inspirado pelas grandes incorporações e fusões do mercado de alimentos e afins nos anos 90, previ que, em um futuro breve, cada área de atividade industrial/comercial teria apenas três grandes empresas na ponta do processo, com todas as outras, de porte infinitamente menor, disputando o resto do mercado. Não deu outra.

Com essa negociação concretizada, agora temos apenas três grandes conglomerados mandando no mundo da música: a Universal Music, a Sony Music e a Warner Music. Esta última, hoje em mãos de empresários russos, tentou adquirir a EMI, mas não teve sucesso.

Cabe a essas imensas transnacionais lutarem para viabilizar a permanência do negócio da música gravada em patamares mais próximos dos seus tempos áureos, o que parece cada vez mais improvável.

A indústria musical sofreu um forte golpe nos últimos 12 anos devido aos downloads ilegais de músicas, que ajudaram a derrubar um mercado que parecia sólido e imune a pancadas.

A Universal Music, por exemplo, hoje abriga marcas que já foram autônomas e vencedoras, como EMI, Motown, Island, A&M e Polygram, só para citar algumas.

No caso da Sony Music, temos por lá a outrora poderosa alemã BMG, que por sinal já havia englobado, nos anos 80, a icônica RCA Victor.

Já a Warner traz em seu catálogo obras de selos como Atlantic, Elektra, Continental e diversos outros.

Ouça EMI, com os Sex Pistols:

Não gostar de um gênero musical é preconceito?

Por Fabian Chacur

Lendo matéria publicada na nova encarnação do jornal paulistano Shopping News, que fez seu nome nos anos 70 e 80 quando era distribuído gratuitamente aos domingos, fiquei com uma questão importante na cabeça.

A análise em questão falava sobre o atual momento positivo da música sertaneja, com diversos artistas estourados nas paradas de sucesso. Em determinado ponto,  era citado um possível preconceito que impediu durante anos esse estilo musical de ter destaque nos grandes centros urbanos.

Aí, fica a pergunta que me levou a escrever esse post: será que o fato de a gente gostar ou não de um determinado estilo musical implica necessariamente em preconceito?

Não seria esse argumento usado por alguns de forma excessiva e até leviana por aí? Afinal de contas, ninguém chamará alguém que afirme não gostar de rock de preconceituoso. Ou de quem não curte MPB. Ou ainda aqueles que não se liguem em jazz ou música erudita.

No caso da música de cunho popular, sempre fica essa razão no ar. Não seria uma espécie de “complexo de vira-lata” por parte de quem sempre toca nesse ponto para justificar o porque alguém com formação intelectual mais elaborada não curte estilos como sertanejo, axé ou música romântica?

Dou o meu exemplo pessoal. Não tenho o menor preconceito contra a música sertaneja. Minha mãe nasceu na gloriosa Buri (SP) e tenho inúmeros parentes no interior deste e de outros estados.

Respeito muito esse estilo musical, e existem artista nele que considero excelentes, como Chitãozinho & Xororó, por exemplo. Mas sabem quantos discos desse estilo eu comprei para mim? Nenhum. E provavelmente nunca comprarei. Por preconceito? Não! A razão é simples: não me agrada, não me cativa, não me envolve e não me identifico com ele. Simples assim.

Essa coisa de sempre colocar o preconceito com explicação para certas coisas é um princípio meio perigoso. Lógico que tem gente que possui essa característica de rotular as coisas antes de conhecê-las, ou que associa uma opinião imediatamente com a posição social ou cultural de quem a emite.

Mas não dá para generalizar. Pois se fosse dessa forma, todos teríamos de obrigatoriamente gostar dos gêneros musicais populares, sob pena de sermos considerados discriminatórios, preconceituosos, metidos a besta. E não é por aí. Viva a liberdade de escolha, sempre!

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