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O pop de ontem, hoje, e amanhã...

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Cantora Naiá mostra seu pop eletrônico no Teatro Itália-SP

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Por Fabian Chacur

O pop eletrônico é uma das correntes musicais mais seguidas na música atual. A jovem cantora e compositora paulistana Naiá tenta se firmar nessa cena, e mostra bastante potencial para conseguir atingir esse cobiçado objetivo. Ela se apresenta em São Paulo nesta segunda (28) às 21h no Teatro Itália (avenida Ipiranga, nº 344- República- fone 0xx11-3120-6945, com ingressos a R$ 10,00.

A música faz parte desde sempre do cotidiano de Naiá. Ela começou a estudar canto erudito aos 16 anos. Posteriormente, morou na Inglaterra, onde aproveitou para aperfeiçoar seus estudos de canto, piano e sax. De quebra, ainda se formou em artes cênicas e também em economia. Ela busca se valer da técnica e da postura erudita para abordar o canto popular como um diferencial.

No show, ela será acompanhada por Raphael Coelho (percussão), China (percussão), André Cortada (guitarra e piano) e Edu Freitas (baixo). No repertório, composições próprias e de autores como Caetano Veloso, Marina Lima e Cazuza. Desde último, teremos Ideologia, que a cantora releu de forma eletrônica e bem original e cuja divulgação está sendo feita por um clipe envolvente, com cenas urbanas e teatrais.

Ideologia (clipe)- Naiá:

Cazuza 60 é na verdade 100, mil, mais do que dois mil e um

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Por Fabian Chacur

Nesta quarta-feira (4), Cazuza comemoraria 60 anos de idade. Infelizmente, o roqueiro carioca se foi naquele triste sete de julho de 1990, com apenas 32 anos bem vividos, e deixou um vazio não só no rock, como na música e cultura brasileira como um todo.

Tive a honra de entrevistá-lo duas vezes, e de ver um dos shows mais emblemáticos de sua brilhante e breve carreira solo. Vou relembrar alguns momentos desses três contatos de forma aleatória, sem querer ser detalhista demais. O que me vier à mente.

Em 1987, vivi o início de minha carreira jornalística em tempo integral, após dois anos de frilas conciliados com um emprego, digamos, convencional. E em abril daquele ano, participei da entrevista coletiva que Cazuza concedeu em São Paulo para divulgar Só Se For a Dois, seu segundo trabalho solo.

A coletiva ocorreu no bairro do Paraíso, onde ficava na época a sede paulistana da gravadora Polygram, hoje Universal Music. Era a estreia dele pelo selo, após ter lançado o LP que inclui Exagerado em 1985 na Som Livre, meses depois de sair do Barão Vermelho.

Gravei a entrevista no meu heroico gravador grandão, grande parceiro. Tenho essa fita até hoje, e um dia (quando a encontrar, obviamente; mas ela está comigo, tenho certeza) a transcreverei na íntegra para os leitores de Mondo Pop. Por enquanto, ofereço recordações superficiais. Ele foi extremamente simpático com todos.

Ele respondeu todas as nossas perguntas, sem frescuras, e após o final, tirou fotos e deu autógrafos a todos que os solicitaram, eu incluso. Também tirei fotos com ele. Uma saiu meio ruim por causa do flash, e infelizmente é a única que me sobrou, pois a outra foi roubada por uma sobrinha. Que ódio! E tenho fotos da entrevista coletiva, essas bem legais. Preciso escaneá-las, também.

Naquele mesmo dia de 1987, tive a oportunidade de conhecer um de meus ídolos na área do jornalismo musical, o inimitável Ezequiel Neves, com quem também tirei foto, junto com o amigo Humberto Finatti.

Na época, trabalhava na editora Imprima, coordenando as revistas de textos de lá, que se notabilizou pelas revistinhas com cifras para violão e guitarra. Um tempo bom, de aprendizado e que me proporcionou a chance de conhecer muita gente boa.

Em 1988, quando começava no Diário Popular (hoje Diário de S. Paulo), pude rever Cazuza quando ele veio a São Paulo divulgar, com show no extinto (e então badaladíssimo) Aeroanta, no largo da Batata, em Pinheiros, o seu então novo álbum, o incrível Ideologia.

Lembro que tomei um susto (que disfarcei) ao vê-lo bem mais magro do que no encontro anterior. Mas a energia, a simpatia e as ideias bacanas continuavam ali, firmes. O fato de ele portar o vírus HIV ainda não havia se tornado público. Pena que vacilei e não vi aquele show.

Para minha sorte, no final de 1988 Cazuza voltou a São Paulo, desta vez para tocar no antigo Palace (hoje CitiBank Hall) e fazer o show que acabaria gerando, ao ser gravado no Rio, o emblemático álbum ao vivo O Tempo Não Para- Cazuza Ao Vivo. Um show inesquecível.

No início, apesar da energia do roqueiro e de sua banda, a plateia reagiu de forma um pouco fria. Isso, mesmo com o início arrepiante, com o cover de Vida Louca Vida, de Lobão, que no entanto a interpretação apaixonada do autor de Exagerado tornou sua para sempre.

Mesmo irritado, ele tocou o barco. Aos poucos, o público foi entrando no espírito anárquico do artista e se soltou, dançando, pulando, cantando junto e transformando o emepebístico Palace em uma arena rocker.

Aí, Cazuza se soltou, agradecendo o apoio, dizendo que queria fazer shows para pessoas bem loucas e descontraídas, sem frescuras, e proporcionando aos presente um show de maravilhoso rock and roll.

Exagerado, Faz Parte do Meu Show, a então inédita O Tempo Não Para (que Simone regravou de forma canhestra), Brasil (idem com Gal Costa) e Codinome Beija-Flor, só para citar alguns dos clássicos tocados por ele, fizeram a minha noite e a dos milhares de fãs presentes inesquecível.

No Diário Popular, no extinto caderno cultural intitulado Revista, coisa inédita para a publicação: duas críticas. Uma de minha autoria elogiando o show e a atitude de Cazuza em pedir a participação de todos.

Outra do editor (e meu mestre) Osvaldo Faustino criticando o cantor pelo fato de ele ter intimado os presentes a participar. Belo exercício de democracia. E as duas opiniões faziam total sentido, eram pontos de vista que se completavam muito bem, modéstia à parte.

E então, meses de sofrimento de vê-lo doente, da campanha idiota da revista Veja contra ele, o lançamento do inconsistente e duplo Burguesia em 1989 (na verdade uma desculpa para alguém muito doente ter motivação para conseguir se manter vivo, sem sombra de dúvidas) e, em 1990, a morte precoce aos 32 anos.

Duas curiosidades, uma engraçada, outra mórbida. A primeira: no lançamento de Burguesia, a Polygram realizou uma festa na qual todos recebiam o LP. Seis deles vieram com cupons, incluindo o meu. Dois desses seis foram sorteados e ganharam viagens para os Estados Unidos. Eu perdi. Foi o mais perto que fiquei, até hoje, de ir ao exterior…

A outra é quase macabra. No início de 1989, a morte do roqueiro do bem parecia iminente. Então, meu editor na época, Danilo Angrimani Sobrinho, pediu-me uma matéria sobra a carreira de Cazuza, para ficar na gaveta e ser publicada rapidamente no caso da morte do artista. Fiz a contragosto, rezando para que nunca fosse publicada.

Se a morte acabou sendo inevitável, ao menos demorou um ano e meio para que aquela matéria “mortuária” chegasse às páginas do jornal. Mas uma ironia: na época, a redação ainda era na base das máquinas de escrever, laudas de papel, edição na raça etc. E a matéria havia sido feita quando ainda não se sabia como seria Burguesia.

Nem o seu título, que durante meses foi divulgado como A Volta do Barão. Eu estava de folga, e quem publicou a matéria não se preocupou em revisar isso. Ou seja, o leitor do finado Dipo “ganhou” um álbum inexistente de Cazuza…

Cazuza foi um roqueiro perfeito. Voz cheia de energia que superava defeitos técnicos do tipo língua presa, letras maravilhosas e melodias sempre trazidas por parceiros inspirados. Quantas coisas boas a mais ele não teria feito, se não tivesse saído de cena em 1990… Ele só viveu 32 anos, que, no entanto, equivaleram a 60, 100, mais do que 2001… Saudades, exagerado, você faz muita falta!

Ritual– Cazuza:

Converse faz um belo vídeo e homenageia o genial Cazuza

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Por Fabian Chacur

Cazuza (1958-1990), um dos grandes ícones da história do rock brasileiro, será homenageado na nova campanha da Converse no Brasil. Como parte da ação Made By You, o vídeo tem como título Passos da Vida, e incentiva as pessoas a não desistirem de seus sonhos e lutarem por eles. No final, temos a música O Tempo Não Para, um dos grandes clássicos do rocker carioca.

Entre vários jovens usando o célebre modelo Chuck Taylor All Star, provavelmente a marca mais popular e conhecida de tênis do mundo, uma mensagem positiva incentiva as pessoas a seguir adiante. No fim, aparecem imagens de Cazuza, e a frase: “Cazuza viveu como o último dia. Até o último dia”, ao som de O Tempo Não Para. Ficou de arrepiar.

O bacana é que o ex-vocalista do Barão Vermelho e dono de uma obra como artista solo impecável foi ele também um fã do velho e bom All Star, tanto que um dos itens conservados no acervo da fundação que cuida do acervo de Cazuza é um tênis desse modelo de cano alto da cor branca. Ou seja, homenagem do produto certo para o cara certo.

Converse Made By Cazuza- homenagem da Converse ao roqueiro:

Jornal da Tarde e a camisa 10 do Zeca Jagger

Por Fabian Chacur

Quando eu era moleque, uma das minhas fontes de informação em termos musical era a coluna que Ezequiel Neves escrevia para o Jornal da Tarde. Seu estilo irreverente e suas opiniões apaixonadas, mas sempre bem fundamentadas, faziam a minha cabeça. Nem sempre eu concordava com elas, mas adorava lê-las. Alimento para a alma!

A partir da minha entrada no meio do jornalismo musical, um de meus sonhos era, como eu definia, “vestir a camisa 10 do Zeca Jagger (um dos apelidos do saudoso Ezequiel)”, ou seja, ser um dia crítico musical do Jornal da Tarde. Infelizmente, esse é mais um dos milhares de sonhos que não conseguirei concretizar.

Ainda não foi confirmado oficialmente, mas já é dado como fato concreto a extinção do Jornal da Tarde, prevista para ocorrer no dia 2 de novembro. Será uma morte melancólica, pois há quase 20 anos essa publicação se arrasta, vendendo cada vez menos e repercutindo praticamente nada no acirrado mercado da mídia.

Quando surgiu, em 1966, o Jornal da Tarde pintou como uma grande novidade, pois investiu em aproveitamento criativo de imagens, textos mais leves e bem-humorados e influenciando gerações de jornalistas em todos os cantos do país. Sua capa após a doída derrota do Brasil contra a Itália em 1982 ganhou prêmios e virou um marco no jornalismo tupiniquim.

Entre os jornalistas que estiveram lá, destaco o saudoso Dirceu Soares, com quem tive a honra de trabalhar nos anos 90 no também extinto Diário Popular, e obviamente o Zeca Jagger. Ele saiu fora do jornalismo musical ao virar produtor do Barão Vermelho lá pelos idos de 1982.

Tive a honra de conhecer pessoalmente o Zeca em 1987, quando ele estava trabalhando com Cazuza. Grande figura, de um carisma impressionante e de uma simpatia contagiante. Ele nos deixou em 2010, ironicamente no mesmo dia em que completávamos 20 anos sem o autor de Faz Parte do Meu Show. Cazuza, Zeca Jagger e agora o Jornal da Tarde. São estrelas que faziam parte do meu show, e cujas perdas me fazem sentir uma solidão milenar…

Ouça Faz Parte do Meu Show, com Cazuza:

Gonzaguinha e a trilha da novela Vale Tudo

Por Fabian Chacur

Um dos grandes momentos da teledramaturgia brasileira foi a novela Vale Tudo.

Exibida originalmente de maio de 1988 a janeiro de 1989, refletiu o clima político da época, com direito a descrédito, institucionalização da corrupçao e o início de uma nova era democrática no país.

A reprise desse clássico na TV a cabo têm obtido grande audiência e levado a uma reapreciação do contexto no qual aquela atração foi parida.

A trilha sonora nacional da atração global incluiu 14 músicas, sendo que Brasil, de Cazuza e na interpretação de Gal Costa, serviu como abertura de cada novo capítulo.

O ex-cantor do Barão Vermelho comparece ele próprio com a sua belíssima bossa nova Faz Parte do Meu Show, enquanto sua ex-banda consegue grande sucesso com a agressiva e sacudida Pense e Dance.

O momento mais expressivo nessa trilha tão marcante, no entanto, foi mesmo a brilhante É, último grande sucesso nacional da carreira de Gonzaguinha.

Claro retrato de como as pessoas mais conscientes se sentiam na época, É tem a famosa frase “a gente não tem cara de babaca”, entre outras certeiras e sem papas na língua, estilo habitual do cantor e compositor carioca.

Na época (1988), tive a honra de entrevistar Gonzaguinha pela segunda vez, e um dos principais temas da conversa foi exatamente a utilização dessa música em Vale Tudo.

Ele comemorou o fato de É ser utilizada com frequência, e em alguns momentos, serem criados verdadeiros videoclipes para ela com cenas da atração global.

Vale Tudo Nacional foi lançada em CD em 2001 e atualmente está fora de catálogo, embora possa ser encontrada em algumas lojas por quem tiver um pouco de paciência.

  1. Brasil – Gal Costa
  2. Tá Combinado – Maria Bethânia
  3. Terra Dourada – João Bosco
  4. Pense e Dance – Barão Vermelho
  5. Pontos Cardeais – Ivan Lins
  6. A Sombra da Partida – Ritchie
  7. Todo Sentimento – Verônica Sabino
  8. É – Gonzaguinha
  9. Penso Nisso Amanhã – Nico Rezende
  10. Isto Aqui O Que É – Caetano Veloso
  11. Faz Parte do Meu Show – Cazuza
  12. Bésame – Jane Duboc
  13. Um Mundo Só Pra Nós (Eye In The Sky) – Gás
  14. Sem Destino – Léo Gandelman

Veja Gonzaguinha cantando É ao vivo na TV Cultura:

Zeca Jagger morto? Só se for para vocês…

Por Fabian Chacur

A vida prega suas peças eternamente. Diariamente. A cada minuto, segundo, culionésimo de segundo. Dá para encarar Ezequiel Neves, um dos meus ídolos na imprensa musical, morrer exatamente vinte anos após a partida de Cazuza, que ele ajudou a lançar? É muito pra cabeça!

Zeca tinha 74 anos e nos deixa privados de seu imenso talento em um triste 7 de julho de 2010. Se hoje eu me meto a escrever sobre música, é por ter lido durante anos e anos suas excelentes colunas para o Jornal da Tarde aqui de Sampa City. Suas críticas eram sempre deliciosas, e eu as devorava avidamente.

Nem sempre concordava com suas opiniões, embora risse frequentemente com algumas delas. Barry White, por exemplo, de cuja obra eu gosto bastante, ele definia como o “paquidérmico maestro americano”.

Rock progressivo certa vez ele definiu como “head music para cabeça de espantalho”. E por aí vai. Mas quando esse jornalista carioca era fã do artista enfocado, jogava a tal isenção para o alto e mandava ver nos elogios, sempre bem articulados e pertinentes. Escrevia com paixão, ótimo texto e conhecimento de causa.

Ao saber que David Bowie havia estreado no cinema com o filme The Man Who Fell The Earth (1976), ele soltou a pérola:  “não vi, mas já gostei”. Novidades dos Rollings Stones, então, ele sempre adorava.

Quando saiu o disco Black And Blue (1976), se não me engano, ele soltou o clássico “eles me fizeram gostar de uma coisa que odeio, que é o reggae”.

E ele foi um dos raros na imprensa musical que via grande talento em artistas dos quais adoro, como Daryl Hall & John Oates e o grupo Culture Club, do cantor Boy George, que frequentemente eram desprezados por outros críticos preconceituosos em relação ao pop.

Mais: ele descobriu o Barão Vermelho e Cazuza. Li logo que saiu aquela célebre coluna que ele escreveu na revista Som Três falando sobre a então ainda desconhecida banda, com uma paixão que deixou a todos os seus leitores com os ouvidos coçando. E ele estava certo.

Foi o Barão e Cazuza que fizeram Zeca Jagger largar mão do jornalismo musical para virar produtor e eventual compositor. Felizmente o cara se deu bem. Das composições que levam o seu nome, Exagerado, escrita com Cazuza e Leoni, é o marco fundamental. Um clássico que seus amados Mick Jagger e Keith Richards teriam orgulho de assinar.

Querem mais uma? A maravilhosa Codinome Beija-Flor. Zeca continuou trabalhando com os dois após a separação Cazuza/Barão Vermelho.

Quando Cazuza lançou Só Se For a Dois, a Polygram realizou, em abril de 1987, uma coletiva de imprensa com Cazuza. No mesmo dia, tive a honra de conhecer o cantor e também Ezequiel Neves. Duas figuras fantásticas, com as quais tirei foto e tudo.

Na época, tinha com meu amigo Valdimir D’Angelo uma revista independente, a Som & Imagem, e planejávamos entrevistar o crítico e produtor. Infelizmente para mim, não rolou. Mas do papo com Zeca Rotten, nunca mais esquecerei. Vá com Deus, mestre, e mande um abração pro Caju!

Cazuza, a falta que esse exagerado faz

Por Fabian Chacur

Nesta semana, mais precisamente na quarta-feira (7), completaremos 20 longos anos sem Cazuza. O roqueiro se foi naquele triste sete de julho de 1990 e deixou um vazio não só no rock, como na música brasileira como um todo.

Tive a honra de entrevistá-lo duas vezes, e de ver um de seus shows na carreira solo. Vou relembrar alguns momentos desses três contatos de forma aleatória, sem querer ser detalhista demais. O que me vier à mente.

Em 1987, vivi o início de minha carreira jornalística em tempo integral, após dois anos de frilas conciliados com um emprego, digamos, convencional. E naquele ano, participei da entrevista coletiva que Cazuza concedeu em São Paulo para divulgar  Só Se For a Dois, seu segundo trabalho solo.

A coletiva ocorreu no bairro do Paraíso, onde ficava na época a sede paulistana da gravadora Polygram, hoje Universal Music. Era a estreia dele pelo selo, após lançar o álbum que inclui Exagerado em 1985 na Som Livre.

Gravei a entrevista. Tenho essa fita até hoje, e um dia a transcreverei na íntegra para os leitores de Mondo Pop. Por enquanto, ofereço recordações superficiais. Ele foi extremamente simpático com todos.

Ele respondeu todas as nossas perguntas, sem frescuras, e após o final, tirou fotos e deu autógrafos a todos que os solicitaram, eu incluso. Também tirei fotos com ele. Uma saiu meio ruim por causa do flash, e infelizmente é a única que me sobrou, pois a outra foi roubada por uma sobrinha mala. Que ódio! E tenho fotos da coletiva, essas bem legais. Preciso escaneá-las, também.

Naquele mesmo dia de 1987, tive a oportunidade de conhecer um de meus ídolos na área do jornalismo musical, o inimitável Ezequiel Neves, com quem também tirei foto, junto com o amigo Humberto Finatti.

Na época, trabalhava na editora Imprima, coordenando as revistas de textos de lá, que se notabilizou pelas revistinhas com cifras para violão e guitarra. Um tempo bom, de aprendizado e de ter a chance de conhecer muita gente.

Em 1988, quando começava no Diário Popular (hoje Diário de S. Paulo), pude rever Cazuza quando ele veio divulgar, com show no extinto (e então badaladíssimo) Aeroanta, no largo da Batata, em Pinheiros.

Lembro que tomei um susto (que disfarcei) ao vê-lo bem mais magro do que no encontro anterior. Mas a energia, a simpatia e as ideias bacanas continuavam ali, firmes. O fato de ele portar o vírus HIV ainda não havia se tornado público. Pena que vacilei e não vi aquele show.

Para minha sorte, no final de 1988 Cazuza voltou a São Paulo, desta vez para tocar no antigo Palace (hoje CitiBank Hall) e divulgar seu fantástico O Tempo Não Para- Cazuza Ao Vivo. Um show inesquecível.

No início, apesar da energia do roqueiro e de sua banda, a plateia reagiu de forma um pouco fria. Isso, mesmo com o início arrepiante, com o cover de Vida Louca Vida, de Lobão, que no entanto a interpretação apaixonada do autor de Exagerado tornou sua para sempre.

Mesmo irritado, ele tocou o barco. Aos poucos, o público foi entrando no espírito anárquico do artista e se soltou, dançando, pulando, cantando junto e transformando o emepebístico Palace em uma arena rock and roll.

Aí, Cazuza se soltou, agradecendo o apoio, dizendo que queria fazer shows para pessoas bem loucas e descontraídas, sem frescuras, e proporcionando aos presente um show de maravilhoso rock and roll.

Exagerado, Faz Parte do Meu Show, a então recém-lançada O Tempo Não Para (que Simone regravou de forma canhestra), Brasil (idem com Gal Bosta, digo, Costa) e Codinome Beija-Flor, só para citar alguns dos clássicos tocados por ele, fizeram a minha noite e a dos milhares de fãs presentes inesquecível.

No Diário Popular, no extinto caderno cultural intitulado Revista, coisa inédita para a publicação: duas críticas. Uma de minha autoria elogiando o show e a atitude de Cazuza em pedir a participação de todos.

Outra do editor (e meu mestre) Osvaldo Faustino criticando o cantor pelo fato de ele ter intimado os presentes a participar. Belo exercício de democracia.

E então, meses de sofrimento de vê-lo doente, da campanha idiota da revista Veja contra ele, o lançamento do inconsistente e duplo Burguesia em 1989 (na verdade uma desculpa para alguém muito doente conseguir se manter vivo, sem sombra de dúvidas) e, em 1990, a morte precoce aos 32 anos.

Duas curiosidades, uma engraçada, outra mórbida. A primeira: no lançamento de Burguesia, a Polygram realizou uma festa na qual todos recebiam o LP de vinil duplo. Seis deles vieram com cupons, incluindo o meu. Dois desses seis foram sorteados e ganharam viagens para os Estados Unidos. Eu perdi. Foi o mais perto que fiquei, até hoje, de ir até o exterior…

A outra é quase macabra. No início de 1989, a morte do roqueiro do bem parecia iminente. Então, meu editor na época, Danilo Angrimani Sobrinho, pediu-me uma matéria sobra a carreira de Cazuza, para ficar na gaveta e ser publicada rapidamente no caso da morte do artista. Fiz a contragosto, rezando para que nunca fosse publicada.

Se a morte acabou sendo inevitável, ao menos demorou um ano e meio para que aquela matéria “mortuária” chegasse às páginas do jornal. Mas uma ironia: na época, a redação ainda era na base das laudas, edição na raça etc. E a matéria havia sido feita quando ainda não se sabia como seria Burguesia.

Nem o seu título, que durante meses foi divulgado como A Volta do Barão. Quem publicou a matéria não se preocupou em revisar isso, e foi como saiu. Ou seja, o leitor do finado Dipo “ganhou” um álbum inexistente de Cazuza…

Cazuza foi um roqueiro perfeito. Voz cheia de energia que superava defeitos técnicos do tipo língua presa, letras maravilhosas e melodias sempre trazidas por parceiros inspirados. O que ele não teria feito nesses 20 anos, se ainda estivesse entre nós… Paciência, não era para ser. Descanse em paz, exagerado!

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