Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Tag: keith richards (page 2 of 2)

Rolling Stones e Muddy Waters juntos

Por Fabian Chacur

No dia 22 de novembro de 1981, Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood e Ian Stewart aproveitaram uma brecha na turnê que os Rolling Stones realizavam pelos EUA para visitar o clube do genial guitarrista de blues Buddy Guy, o The Checkerboard Lounge.

Naquela noite, o lendário bluesman Muddy Waters faria um de seus últimos shows. No fim das contas, tivemos um momento inesquecível na história do rock: uma jam session unindo um nome seminal do blues, um de seus grandes sucessores e os líderes da banda que se batizou inspirada em música de Waters.

Para felicidade geral de todos nós, fãs do melhor do rock e do blues, esse show agora está disponível em dobradinha DVD/CD, com o título Checkerboard Lounge/Live Chicago 1981, lançado no Brasil pela ST2.

O registro tem ótima qualidade de áudio e vídeo, uma surpresa se levarmos em conta o fato de ter sido utilizando no máximo umas três câmeras em um espaço no qual cabiam no máximo umas 80 pessoas. O áudio teve remixagem a cargo do consagrado Bob Clearmountain.

O filme nos mostra o início do show, com a banda de Waters sozinha, seguido pela entrada do astro do blues, a chegada ao bar dos três integrantes oficiais dos Rolling Stones e do membro honorário Ian Stewart e da ida deles ao palco, no meio da apresentação. Buddy Guy, o dono do pedaço, também entrou em cena, para delírio geral.

Standards eternos do blues e do rock como Baby Please Don’t Go, Hoochie Coochie Man, Long Distance Call, Mannish Boy e Got My Mojo Working são interpretados com garra, descontração e inspiração pelos músicos, em rara oportunidade de se ver Jagger e Richards longe das enormes arenas dos quatro cantos do mundo.

Esta dobradinha CD/DVD faz parte de uma série de lançamentos que marcam as comemorações dos 50 anos de existência dos Stones, que até agora só nos proporcionou ítens preciosos. E existe a promessa de novos produtos com o mesmo gabarito para os próximos meses. Haja dinheiro para tanta coisa boa!

Veja Baby Please Don’t Go, do DVD Checkerboard Lounge:

Veja Mannish Boy, do DVD Checkerboard Lounge:

Chuck Berry será homenageado em outubro

Por Fabian Chacur

Chuck Berry, um dos pioneiros do rock and roll, receberá uma nova e merecida homenagem em outubro. O evento, organizado pelo Rock And Roll Hall Of Fame, irá durar de 22 a 27 daquele mês, sendo encerrado com um show tributo do qual participarão grandes nomes do rock que serão divulgados futuramente.

O cantor, compositor e guitarrista americano, que completará 86 anos no dia 18 de outubro, continua mais na ativa do que nunca, para felicidade de seus inúmeros fãs e discípulos mundo afora. A cidade de Cleveland será o local do evento.

A homenagem fará parte da American Master Series, evento criado pelo Rock And Roll Hall Of Fame que já prestou reverências a nomes do porte de Aretha Franklin, Janis Joplin e Woody Guthrie. Berry entrou para o Hall em 1986.

Em entrevista ao site americano da revista Billboard, o presidente da entidade, Terry Stewart, afirmou que “Chuck Berry criou a linguagem do rock and roll”.

Com mais de 60 anos de estrada, Chuck Berry é o autor e intérprete de clássicos do naipe de Rock And Roll Music, Roll Over Beethoven, Johnny B Goode, Carol, Sweet Little Sixteen e dezenas de outros, nos quais criou um estilo bem-humorado de letras, riffs inconfundíveis de guitarra e melodias bacanas e contagiantes.

Entre seus incontáveis discípulos e seguidores está Keith Richards, que em 1986 capitaneou a banda que acompanhou Chuck Berry no documentário Hail Hail Rock ‘N’ Roll.

Ouça Carol, com Chuck Berry, Keith Richards e banda:

Keith Richards e Jack White gravam juntos

Por Fabian Chacur

Keith Richards e Jack White gravaram algumas músicas em parceria. Como e quando essas faixas serão lançadas irá depender de um entendimento entre os dois roqueiros. Quem revelou isso foi o guitarrista dos Stones, em entrevista à edição americana da revista Rolling Stone.

O mitológico músico britânico afirma que adorou trabalhar com o ex-integrante dos White Stripes, e que vai depender do amigo a decisão relativa ao lançamento dessas canções, se em um disco em dupla ou algo do gênero.

Ao ser questionado sobre se havia a possibilidade de Jack White ser o produtor do próximo álbum dos Rolling Stones, o coautor de Jumpin’ Jack Flash afirmou que é uma possibilidade, e que as portas estão abertas para que ela se concretize.

Em julho, Richards deve se reunir com Mick Jagger, Ronnie Wood e Charlie Watts para planejar os próximos passos da Maior Banda de Rock And Roll do Mundo.

A gravação de um novo álbum nos próximos meses é um dos projetos a serem confirmados (ou não) nessa reunião, além de uma turnê em 2013 comemorando os 50 anos de existência do grupo e de sua possível participação no festival britânico de Glastonbury.

Jack White participou com destaque do documentário Shine a Light (2008), dirigido por Martin Scorsese. A faixa que reuniu ele e os Stones, Loving Cup, é um dos momentos mais fortes do filme e também do álbum duplo com a trilha sonora. A parceria entre eles tem uma química realmente possante e merece ser ampliada.

Por sua vez, Jack White, em entrevista à imprensa britânica, descartou uma reunião dos White Stripes, deixando no ar a possibilidade de a célebre banda americana nunca mais voltar à cena.

Loving Cup, com os Rolling Stones e Jack White:

Reedição de Some Girls, dos Stones, é sublime

Por Fabian Chacur

Quando o álbum Some Girls chegou às lojas, em 1978, muitos céticos acreditavam que o melhor da carreira dos Rolling Stones já havia passado. De certa forma, não dá para condená-los.

Desde o lançamento do mitológico Exile On Main St. (1972), Jagger & Richards lançaram trabalhos repletos de altos e baixos, embora esses “altos” fossem sempre ótimos, como It’s Only Rock N’ Roll, Hot Stuff, Angie e Heartbreaker, só para citar algumas faixas matadoras do período.

De quebra, o guitarrista Mick Taylor, um dos grandes estilistas do rock, caiu fora, sendo substituído pelo raçudo, mas não tão sutil, Ron Wood. Havia até quem dissesse que a banda não tinha como abrigar dois Keith Richards, pois o estilo desses guitarristas é bem semelhante.

De quebra, vivíamos a era da disco music e do punk rock, e é óbvio que o grupo britânico começava a ser considerado um dinossauro fora de época e decadente pelos cínicos de plantão, sempre prontos a atirar sem dó nem piedade nas vacas sagradas.

Estariam as pedras rolando rumo ao abismo, diriam alguns? Felizmente isso não ocorreu, e nada melhor do que ouvir a reedição luxuosa de Some Girls que a Universal Music acaba de lançar no Brasil.

Trata-se de um álbum “nervoso”, repleto de garra, pique e canções inspiradas, além de uma releitura espetacular de Just My Imagination (Running Away With Me), dos Temptations, que de doce e sensual balada virou uma pauleira vigorosa e intensa.

Gravado na França e notadamente inspirada na então decadente Nova York, o álbum tem letras debochadas, guitarras nervosas, rocks energéticos, baladas certeiras e até, pasmem, disco music. Uma dose revigorante de rock na veia para detonar os detratores.

O momento discoteque fica por conta de Miss You, um dos maiores sucessos da carreira da banda e na qual fica claro que legítimos roqueiros podiam viajar pelas pistas de dança sem entregar a alma ao diabo do comercialismo barato.

Os rockões When The Whip Comes Down, Shattered e Lies, a sublime e ardida balada Beast Of Burden, a avacalhada e politicamente incorretíssima Some Girls, a balada country Faraway Eyes.. Meu Deus, que disco de rock!

A nova edição deste clássico traz embalagem digipack belíssima, encarte luxuoso com informações e ficha técnica e um CD bônus com 12 faixas inéditas gravadas na época, algumas com overdubs feitas recentemente.

Some Girls acabou se tornando uma espécie de espinha dorsal que ajudou a moldar os discos que Jagger & Richards lançariam juntos nas décadas seguintes, e continua soando urgente, sacudido, vibrante e cheio de boas ideias bem resolvidas, como todo álbum clássico de rock deve ser.

Ouça Beast Of Burden, do álbum Some Girls:

Flashpoint registra momento decisivo dos Stones

flashpointpor Fabian Chacur

As turnês Steel Wheels (1989) e Urban Jungle (1990), a primeira pelos Estados Unidos, a segunda pela Europa, marcaram a carreira dos Rolling Stones de forma positiva. Podem ser consideradas marcos positivos.

Não é difícil entender o porque. A banda voltava aos palcos depois de oito anos durante os quais lançou dois discos de estúdio irregulares e esteve a beira da separação definitiva.

Quando lançaram o ótimo CD Steel Wheels e voltaram às boas (leia-se a dupla Mick Jagger e Keith Richards), nada melhor do que as pedras voltarem a rolar nas estradas da vida. E foi o que eles fizeram.

Lançado originalmente em 1991, Flashpoint é o registro para a posteridade desse momento importante da seminal banda britânica. A gravadora Universal recoloca esse título de novo nas lojas.

São 17 faixas, sendo 15 ao vivo e duas de estúdio, que encerram o CD.

Highwire é um rock básico típico da banda que passa na média, e o funk sensual Sex Drive vai na linha de Slave e Miss You, mesmo sem ser tão boa como as citadas. Mas também não é de se jogar fora.

De resto, é um clássico atrás do outro, com direito a momentos importantes de Steel Wheels, entre eles as ótimas Sad Sad Sad e Rock And a Hard Place.

Do começo com Start Me Up ao final do show com Satisfaction, temos Ruby Tuesday, Miss You, You Can’t Always Get What You Want, Brown Sugar, Sympathy For The Devil e Paint It Black, só para citar alguns hits.

Surpresas ficam por conta do resgate de Factory Girl (do clássico CD Beggars Banquet, de 1968) e o blues clássico de Willie Dixon Little Red Rooster, este com participação especial de Eric Clapton em performance arrasadora.

A banda aparece já na configuração que se tornou padrão até hoje, ou seja, recheada de músicos de apoio. Entre outros, feras como Chuck Leavell (teclados) e Bobby Keys (sax).

Vale lembrar que o baixista Bill Wyman se despediu da banda um ano depois do lançamento deste CD.

Flashpoint não é o melhor álbum ao vivo dos Rolling Stones, mas é muito bom, e serve como bom retrato polaroid desse período marcante da carreira das Pedras Rolantes.

Agora, que a versão em vinil, que eu tenho em casa, é muito mais bonita, especialmente o encarte, lá isso é…..

Newer posts

© 2020 Mondo Pop

Theme by Anders NorenUp ↑