Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Category: Grandes nomes esquecidos (page 2 of 4)

Demetrius, um dos grandes pioneiros do rock no Brasil

demetrius o ritmo da chuva-400x

Por Fabian Chacur

Demetrio Zahra Neto tinha apenas 18 anos quando, ao cantar sucessos de Elvis Presley em uma festa de aniversário, chamou a atenção do radialista Miguel Vaccaro Netto, que então iniciava um selo especializado no então emergente rock and roll, o Young. O convite para gravar um compacto simples de vinil veio, e o garotão boa pinta topou. Em 1960, Hold Me So Tight iniciava a trajetória do artista carioca radicado em São Paulo desde os seis meses de idade. Demétrius, o nome artístico adotado por ele, infelizmente nos deixou nesta segunda (11), deixando muita saudade e uma trajetória marcante para o pop-rock brasileiro.

Nascido em 28 de março de 1942, Demétrius marcou presença como um dos primeiros grandes ídolos do rock brasileiro. A repercussão de Hold Me So Tight gerou outro convite, desta vez para assinar com a gravadora Continental. A estreia veio em 1961 com a versão em português Corinna Corinna de hit do cantor Ray Peterson. A boa repercussão abriu alas para que ele lançasse o seu primeiro LP, Demetrius Canta…Com Amor e Mocidade (1962). E os sucessos se sucederam: Rock do Saci, Voltou a Carta, Hey! Baby, A Bruxa etc.

O maior estouro musical de sua carreira veio em 1964, quando O Ritmo da Chuva, versão feita por ele próprio para o sucesso Rhythm Of The Rain, do grupo The Cascades, literalmente invadiu as paradas de sucesso de todo o país, um rock-balada extraordinário, sem exagero. Em 1976, incluída na trilha sonora da novela global Estúpido Cupido (curiosamente situada no ano de 1961…), voltou com força total às programações de rádios e TVs, além de ajudar na venda do LP da Som Livre com as músicas daqueles anos incríveis.

Demétrius ficou amigo de um novo talento que começava a fazer furor na cena musical brasileira, um certo Roberto Carlos Braga, que gravou uma canção de sua autoria e também deu para Demétrius uma composição sensacional, Não Presto Mas Te Amo, um dos grandes hits de 1967. Versátil, o intérprete de voz de veludo também investiu em canções românticas: Esta Tarde Vi Chover, Que Me Importa e Muito Nova Para Mim, que o mantiveram nas paradas de sucessos.

Além de gravar seus próprios discos, Demétrius teve várias de suas canções e versões gravadas por grandes nomes da nossa música. Além do Rei, também se valeram de obras do carioca radicado em São Paulo Jerry Adriani, Vanusa, Antonio Marcos, Ronnie Von, Wanderley Cardoso, Nalva Aguiar, Altemar Dutra e Ary Sanches. Nos anos 1970, ainda visitou as paradas de sucesso com os hits Nas Voltas do Mundo (1972), Encontro (1976) e O Menino e o Pilão (1978).

Entre 1981 e 2000, razões particulares o levaram a sair de cena do mundo artístico. O jejum acabou com o lançamento do CD Demétrius, pela gravadora Zan-Brasidisc, no qual ele mesclou releituras de seus grandes hits com algumas novidades. A partir daí, voltou a frequentar programas de TV de amigos como Miguel Vaccaro Netto e a fazer alguns shows. No meio artístico, uma das principais características ressaltadas por seus colegas era a simpatia, a gentileza e a classe. Ele nos deixa às vésperas de completar 77 anos, ironicamente em um dia de muita, mas muita chuva mesmo em São Paulo. Triste demais…

obs.: agradeço à sempre gentil colega Giseli Martins Turco por ter me informado dessa triste perda e pela foto de capa de um dos discos do maravilhoso Demétrius que ilustra essa matéria, dedicada ao grande Valdimir D’Angelo, meu mestre, que sempre alardeou aos quatro cantos ser esse cara bacana e talentoso o seu maior ídolo. Escolheu a dedo, e escolheu bem!

O Ritmo da Chuva– Demétrius:

Tavito, de Rua Ramalhete e muito, mas muito mais, agora é saudade

tavito 1980-400x

Por Fabian Chacur

Há artistas que ficam tão marcados por uma determinada canção de sucesso que há quem pense ser o cidadão em questão o chamado “one hit wonder”, ou seja, maravilha de um sucesso só. Felizmente, Tavito não se encaixa nessa definição. Muitos o conhecem graças ao grande hit Rua Ramalhete, de 1979, mas este grande cantor, compositor, músico, produtor e arranjador mineiro nos proporcionou muito mais durante seus aproximadamente 50 anos de trajetória musical. Ele infelizmente nos deixou nesta terça (26), deixando um legado musical no qual a qualidade e a sensibilidade sempre foram marcas indeléveis.

Luis Otávio de Melo Carvalho nasceu em Belo Horizonte (MG) no dia 26 de janeiro de 1948. Ele começou a se tornar conhecido no cenário musical brasileiro ao integrar o mitológico grupo Som Imaginário, ao lado de feras do calibre de Fredera (guitarra), Robertinho Silva (bateria), Luis Alves (baixo), Zé Rodrix (teclados e vocais), Naná Vasconcelos (percussão) e Wagner Tiso (teclados). Gravou três discos seminais e importantes com eles e participou de projetos com Milton Nascimento na década de 1970.

Tavito era um craque no quesito arranjos vocais, e seu nome aparece nos créditos dos discos de grandes nomes da música brasileira, entre eles o seminal Nos Dias de Hoje (1978), de Ivan Lins. O arranjo feito por ele para Cantoria, canção incluída nesse trabalho (ouça aqui), serve como bom exemplo da maestria com a qual ele atuava nessa área. Coisa de gênio.

Em 1979, ele deu início à carreira-solo com o álbum Tavito, um clássico da música brasileira com acento folk-rock-pop que inclui, além de Rua Ramalhete, maravilhas do porte de Começo, Meio e Fim, Cowboy e a sua leitura para Casa do Campo, maravilha eternizada por Elis Regina e que ele escreveu com Zé Rodrix. Um disco sublime, que foi seguido por outros também bem bacanas, mas que não tiveram a mesma repercussão. Aí, ainda nos anos 1980, ele resolveu se dedicar aos jingles e a produzir e compor para trabalhos alheios.

Nos anos 2000, Tavito voltou com força à cena com shows, eventuais lançamentos e participações em festivais da canção. Sempre acessível e simpático, ele fez sua última gravação lançada até o momento no álbum Nós do Rock Rural, gravado ao vivo em fevereiro de 2018 no Sesc Vila Mariana ao lado de Tuia Lencioni, Guarabyra, Ricardo Vignini e Zé Geraldo. Por sinal, ele iria participar do show de lançamento deste CD, no último dia 17, no Sesc Pinheiros, mas sua saúde o impediu. Adeus, beatlemaníaco adorável!

Tavito (1979)- ouça o álbum completo em streaming:

Paulo Cavalcanti, o jornalista que sabia tudo sobre o rock and roll

paulo cavalcanti-400x

Por Fabian Chacur

A foto que ilustra este post, gentilmente cedida por André Luiz Fiori Teixeira, sintetiza de forma perfeita um certo Paulo Alderaban Cavalcanti. Com dois CDs de uma das suas bandas favoritas, os eternos The Beach Boys, dentro de uma loja de discos, e certamente perto de amigos queridos. Neste cenário, você certamente poderia ver este jornalista, pesquisador e crítico musical em seu habitat favorito. Ele nos deixou nesta terça (26) com apenas 56 anos, mas seu trabalho ficará na memória de quem teve a honra de conviver com ele em algum momento (ou em vários) de sua extensa trajetória profissional.

Conheci o Paulo por volta de 1984 na casa de um amigo comum, o lendário Ayrton Mugnaini Jr., quando Mug morava na alameda Santos, próximo da avenida Brigadeiro Luis Antonio. Na época, ele sempre andava com dois outros amigos, Marcelo Orozco e o Jeferson (acho que era Pereira o seu sobrenome). Eles chegaram a assinar matérias como trio, incluindo uma, excelente, sobre os Monkees. Quando me tornei coordenador de redação da editora Imprima, que lançava revistas como Rock Stars, Zorra etc, em 1987, ele era um dos meus colaboradores, e a partir dali a nossa amizade começou a se consolidar.

Uma das grandes matérias feitas pelo Paulo naquele período foi uma sobre os filmes de Elvis Presley, um texto primoroso, bem-humorado e repleto de reflexões e informações que só um cara muito do ramo teria como fazer. Eu brincava com ele que deveríamos, nós dois e o Marcelo, montar um trio com o nome Harum Scarum, e nos especializarmos em tocar apenas temas obscuros das películas estreladas pelo Rei do Rock. Lógico que a ideia ficou só no papel.

Não demorou para que Cavalcanti partisse para os seus próprios voos. Filho de um jornalista que trabalhou durante anos no Notícias Populares, foi muito natural quando ele seguiu os passos do pai naquela mitológica publicação, onde ficou até meados dos anos 1990. Com o tempo, ampliou os horizontes, como colaborador das revistas Bizz-Showbizz e Shopping Music, nas quais esbanjou seu alto conhecimento musical. Suas praias prediletas eram o rock dos anos 1950 e 1960, mas na verdade o cara tinha um gosto musical abrangente, e mergulhava fundo na pesquisa de tudo, dos musicais clássicos até o punk rock.

Nos anos 2000, Paulo foi convidado a trabalhar na ediçáo nacional da Rolling Stone, onde reinou por anos e anos. Generoso, abriu espaços na publicação para vários amigos, entre eles este que voz tecla. Como disse, ele era capaz de escrever sobre qualquer tema na área musical, sempre se preparando para cada desafio e com um texto eficiente e bom de se ler.

Nossa amizade se manteve por todos esses anos. Não vou ser hipócrita e dizer que nossa relação sempre foi um mar de rosas. Paulo era um cara tímido, eventualmente fechado, eu também tenho um milhão de defeitos, e em alguns momentos a gente andou se estranhando por aí. Mas também vale registrar que sempre conseguimos nos entender e seguir adiante. Tanto que em várias ocasiões nos reunimos para pensar em projetos que nos unissem, como o de fazer rough guides em português de grandes nomes da música, por exemplo.

Tínhamos muitas afinidades, especialmente essa obsessão por conhecer os detalhes dos trabalhos e das carreiras dos nossos artistas favoritos. Acho que uma expressão que ele usou para definir um amigo comum nosso, o genial Hamilton Rosa Jr, poderia definir ele próprio: scholar (estudioso). O cara manjava, e muito. E seus amigos mais próximos sabem como era divertido curtir suas tiradas inteligentes e sarcásticas, suas imitações, e seus comentários a sério.

Paulo fará muita, mas muita falta mesmo para todos os envolvidos no meio musical. Em resumo, um fã que virou profundo conhecedor do tema. Ou um cara que virou profundo conhecedor do tema exatamente por ser fã. Sem você por aqui, vai quebrar, meu caro, vai quebrar (essa, só ele entenderia…)

So Close Yet So Far– Elvis Presley:

Peter Tork, dos Monkees, o gente boa que tocava baixo, banjo etc

Peter Tork 2-400x

Por Fabian Chacur

Em 1966, Stephen Stills era um músico folk buscando um rumo para a sua carreira. No sufoco em termos financeiros, encarou uma audição para o papel de integrante de um grupo fictício de rock para uma série de TV. A produção gostou dele, mas cismou com seus dentes, e o vetou. De forma quase cruel, perguntaram a Stills se ele não conhecia alguém com suas mesmas características físicas, mas com dentes melhores. Generoso, o futuro integrante do Buffalo Springfield e Crosby, Stills. Nash & Young lembrou-se imediatamente de um amigo que fez no circuito folk de bares. Um certo Peter Tork, que infelizmente nos deixou nesta quinta-feira (21) aos 77 anos, possivelmente vitimado por um raro tipo de câncer.

Tork no início pensou em ignorar a indicação de Stills, mas como também não estava exatamente nadando em dinheiro, resolveu tentar a sorte. Bingo! Foi aprovado, ao lado de Michael Nesmith, Micky Dolenz e Davy Jones, para ser um dos Monkees. O seriado estreou no final de 1966 e logo se transformou em um fenômeno de audiência. De quebra, as músicas cantadas por eles na atração geraram discos que venderam milhões de cópias e invadiram as paradas de sucesso do planeta. Só que o responsável pela produção musical, Don Kirshner, não queria saber de contribuições dos quatro que não fossem os vocais.

Foi exatamente Peter Tork, que começou a tocar piano aos 9 anos e logo investiu em vários outros instrumentos, a quebrar a regra, tocando na faixa Papa Gene’s Blues (de autoria de Mike Nesmith), do 1º LP. Com a saída de Kirshner (considerado no meio musical “o homem dos ouvidos de ouro”), após o lançamento do segundo álbum do grupo, os rapazes passaram a compor e tocar, também. E nesse quesito o nosso herói se mostrou fera, incumbindo-se de baixo, banjo, violão, guitarra, teclados, harpsichord e o que mais pintasse em suas mãos.

Na banda, Tork encarnava o papel do boa praça desencanado. Detonados pela crítica musical, que os rotulava de forma venenosa como os “Prefab Four”, eles no entanto tinham como fãs até os próprios Beatles, cuja fase 1964-1965, especialmente da era Help!, eram sua óbvia inspiração visual e musical.

Eles até trocaram figurinhas com os colegas em Londres, e Peter tocou banjo para a trilha do filme Wonderwall, lançado em 1968 e escrita e gravada por George Harrison. Sua contribuição musical aparece na tela, mas não no álbum, lançado pela Apple Records naquele mesmo ano.

No final de 1968, cansado pelo grande volume de trabalho e pela pressão gerada pelo sucesso, Tork resolveu sair dos Monkees, mesmo sendo obrigado a pagar uma multa pela quebra do seu contrato. A partir daí, teria início uma fase bem difícil e obscura em sua carreira. Ele tentava montar um novo grupo, mas a coisa não fluía. Em 1972, veio o fundo do poço, com uma prisão por posse de maconha que o manteve atrás das grades em torno de três meses.

Para dar a volta por cima, trabalhou como professor de várias matérias, como música, francês, estudos sociais e até basquete, e participou de shows dos ex-colegas de grupo. Em 1980, chegou a iniciar um projeto solo com o apoio da gravadora Sire Records (que lançou Ramones, Talking Heads e outros), mas não deu certo. Seu melhor momento nessa fase foi participar do programa do então iniciante David Letterman, no qual o velho charme se mostrou firme e forte.

Graças à reexibição da série The Monkees na MTV americana, o grupo voltou a ser badalado, o que gerou um retorno do qual participaram Tork, Micky Dolenz e Davy Jones. Além de shows, o projeto gerou a gravação de três músicas inéditas para serem incluídas na coletânea Then & Now…The Best Of The Monkees (1986) e um álbum de inéditas, Pool It! (1987). A partir daí, Peter Tork voltou a ser um músico em tempo integral.

Com os Monkees, lançaria os álbuns Justus (1996, o primeiro a reunir os quatro desde 1968, e também o primeiro com eles tocando todos os instrumentos musicais), Good Times! (2016, que os trouxe de volta ao Top 20 americano após décadas, saiba mais aqui) e o natalino Christmas Party (2018, saiba mais aqui).

Paralelamente ao trabalho com os Monkees (que abandonou novamente entre 2001 e 2011), Tork lançou em 1994 seu primeiro e único álbum solo, o elogiado Stranger Things Have Happened. A seguir, ele montou uma dupla com um músico folk que participou desse CD, o cantor, compositor e ator James Lee Stanley (que atuou na série de TV Star Trek: Deep Space Nine). Juntos, fizeram shows e gravaram os CDs Two Man Band (1996), Once Again (2001) e Live Backstage At The Coffee Gallery (2006).

No mesmo período, integrou a Shoe Suede Blues, banda blueseira que gravou os álbuns Saved By The Blues (2003), Cambria Hotel (2007), Step By Step (2013) e Relax Your Mind (2018). Ele trabalhou bastante, mesmo lutando a partir de 2009 contra um câncer que em determinado momento ele pensou ter superado. Peter Tork é o segundo membro dos Monkees a nos deixar, tendo sido o britânico Davy Jones o primeiro, em 2012.

Obs.: informação do meu mestre Ayrton Mugnaini Jr. aponta que Peter Tork foi o único integrante dos Monkees a se apresentar em show no Brasil, o que ocorreu em fevereiro de 2003 no Bourbon Street e no Venâncio’s Bar, ambos em São Paulo (SP). Ele infelizmente não teve como ir. E eu só soube agora…

Veja Peter Tork e James Lee Stanley ao vivo em um programa de TV em 2006:

Linda Ronstadt brilha em álbum ao vivo inédito gravado em 1980

linda ronstadt live in hollywood capa-400x

Por Fabian Chacur

Com mais de 35 álbuns lançados em seus 50 anos de carreira discográfica, Linda Ronstadt nunca havia nos ofertado um disco gravado ao vivo. Pois essa lacuna acaba de ser preenchida de forma brilhante com Live In Hollywood, que a Warner Music lançou nos formatos CD e vinil no exterior, e também nas plataformas digitais de todo o mundo. Eis um registro sensacional de uma cantora considerada uma das grandes da história do country rock, e não só dele, por sinal.

Infelizmente, esta icônica artista se afastou do cenário musical em 2011. Em agosto de 2013, revelou a razão: é portadora do mal de Parkinson, que a impede de desempenhar o dom que a tornou capaz de emplacar três álbuns no topo da parada americana, de ganhar 13 troféus Grammy, vender mais de 30 milhões de discos em todo o mundo, entrar no Rock And Roll Hall Of Fame e ser considerada a pioneira entre as roqueiras solo a lotar grandes arenas, na década de 1970.

Live In Hollywood foi gravado ao vivo em um show registrado para exibição no canal a cabo HBO em 24 de abril de 1980 no Television Center Studios, em Hollywood. Aos 33 anos (completaria 34 no dia 15 de julho daquele mesmo ano), a moça vivia o auge em termos de popularidade, estando no início da turnê que divulgou o álbum Mad Love, lançado dois meses antes e que atingiu o terceiro lugar na parada ianque graças a hits como I Can’t Let Go e How Do I Make To You, que por sinal fazem parte do set list do show que gerou este trabalho ao vivo.

O elenco de músicos que a acompanha no show é uma verdadeira seleção de craques da cena de Los Angeles, mais precisamente do bittersweet rock e do country rock. O saudoso Kenny Edwards (guitarra), que esteve a seu lado no efêmero (porém influente) grupo The Stone Poneys em 1967-1968 e depois se tornou seu braço direito, Danny Kortchmar (guitarra), Dan Dugmore (pedal steel), Russell Kunkel (bateria), Bob Glaub (baixo), Bill Payne (do grupo Little Feat, teclados), Wendy Waldman (vocais de apoio) e Peter Asher (seu produtor, percussão e vocais de apoio). Um timaço, nomes que você encontra em discos das feras dessa praia, tipo James Taylor, Jackson Browne e tantos outros.

Além das músicas do álbum mais recente, ela também nos mostra hits bacanas do seu repertório, entre os quais uma explosiva releitura de You’re No Good com direito a belas performances dos músicos, incluindo um solo de guitarra espetacular de Kenny Edwards. Outras canções matadoras são Just One Look, Back In The U.S.A. e Desperado. Aliás, vale recordar que esta última foi composta e gravada originalmente por uma banda que em 1971, por alguns meses, foi sua banda de apoio, e deixou a função para se aventurar no voraz mundo do rock. Seu nome: The Eagles, ninguém menos do que eles.

Coincidência ou não, Live In Hollywood sai no ano em que a carreira-solo de Linda Ronstadt completa 50 anos, ela que anteriormente havia gravado três álbuns com os Stone Poneys. Em 1969, a cantora lançou Hand Sown…Home Grown, e se criou no cenário do clube Troubadour (West Hollywood, California), que revelou ela, os Eagles, Jackson Browne, James Taylor, Carole King (como cantora) e até mesmo o britânico Elton John (que iniciou sua conquista do mercado americano com um show lá em 1970).

Com forte veia roqueira, Linda no entanto não se limitou a esse estilo musical em sua carreira. Quando criança e adolescente, ouviu literalmente de tudo na casa dos pais, e a partir da década de 1980, deu vasão a essa veia eclética gravando standards do jazz, música mexicana, gospel, ópera e até new age. Entre esses trabalho, destacam-se os gravados com direção do célebre arranjador e maestro Nelson Riddle (que trabalhou com Frank Sinatra) e o grupo Trio, que integrou ao lado das amigas Dolly Parton e Emmylou Harris. Vale recordar que ela foi uma das primeiras a gravar músicas de Elvis Costello.

Eis as músicas de Live In Hollywood:

1. I Can’t Let Go
2. It’s So Easy
3. “Willin’
4. Just One Look
5. Blue Bayou
6. Faithless Love
7. Hurt So Bad
8. Poor Poor Pitiful Me
9. You’re No Good
10. How Do I Make You
11. Back In The U.S.A.
12. Desperado”

You’re No Good (ao vivo)– do álbum Live In Hollywood:

Daryl Hall & John Oates: sucesso comercial e qualidade artística

daryl hall and john oates-400x

Por Fabian Chacur

Parece mentira, mas 46 anos após lançarem seu primeiro álbum, Whole Oats (1972), e posteriormente conquistarem as paradas de sucesso de todo o planeta, enfim Daryl Hall & John Oates virão ao Brasil pela primeira vez. Antes tarde do que nunca, já dizia aquela célebre frase. Até o momento, apenas uma apresentação está confirmada, e será em São Paulo, no dia 11 de junho (terça-feira) às 21h30 no Espaço das Américas (rua Tagipuru, nª 795- Barra Funda- fone 0xx11-3829-4899), com ingressos de R$ 115,00 a R$ 420,00. Uma dupla que merecia muito mais reconhecimento por parte da crítica especializada.

Sim, eles não são mais moleques- Daryl tem 72 anos, enquanto John ostenta 70. No entanto, permanecem na ativa, fazendo turnês e trabalhando bastante. Sua original mistura de soul, rock e pop soa mais cativante e original do que nunca, fórmula própria que lhes rendeu mais de 40 milhões de cópias vendidas e o título de dupla mais bem-sucedida em termos comerciais da história da música pop, superando até mesmo Simon & Garfunkel, Tears For Fears e The Everly Brothers, só para citar outros concorrentes de peso.

Já escrevi bastante em Mondo Pop sobre esses caras, por gostar muito do trabalho da dupla e também achar uma tremenda injustiça a forma como seu trabalho é ignorado pelos “çábios” da crítica especializada nacional e internacional. O que eles fazem é algo extremamente difícil de se fazer, que é música com alma, qualidade artística e forte apelo comercial, tudo junto e misturado. I Can’t Go For That (No Can Do), Out Of Touch, Kiss On My List, Private Eyes, One on One, é muita música boa junta. Garantia de shows efervescentes!

Para quem desejar ler mais sobre o trabalho deles, com direito a muitos detalhes, resenhas, links para canções etc, é só entrar aqui e se divertir.

Veja o clipe de I Can’t Go For That (No Can Do):

James Ingram, craque do R&B, compositor fera e rei dos duetos

james ingram-400x

Por Fabian Chacur

A concorrência para o prêmio de Melhor Artista Novo na 24ª edição do Grammy cujos troféus foram entregues no início de 1982 era grande. A cantora escocesa Sheena Easton acabou levando a melhor, superando na disputa os grupos de pop-rock Adam And The Antes e The Go-Go’s e os cantores de r&b Luther Vandross (1951-2005) e James Ingram. Este último teve como consolo a vitória na categoria Melhor Performance Masculina de R&B com a musica One Hundred Years. E se deu melhor do que ela, em termos profissionais. Ingram nos deixou nesta terça (29) aos 66 anos, vítima de câncer cerebral. Seu legado é dos mais respeitáveis.

James Ingram nasceu em Akron, Ohio (EUA) em 16 de fevereiro de 1952. Seu envolvimento com a música se deu desde a infância. Nos anos 1970, enquanto participava de grupos com pequena repercussão, teve sua primeira prova de fogo ao integrar uma banda de apoio de Ray Charles. As coisas engrenaram para ele ao ser convidado pelo célebre produtor Quincy Jones para participar do álbum The Dude (1981). E ele se mostrou pé-quente, pois as duas músicas nas quais assumiu o vocal principal, Just Once e One Hundred Ways, foram os maiores hits, ambas atingindo o top 20 nos EUA na parada de singles.

Além de músico e cantor, Ingram logo se tornou conhecido como compositor. Uma de suas canções mais famosas é P.Y.T. (Pretty Young Thing), que faz parte do mitológico álbum Thriller, de Michael Jackson. O sucesso foi tão grande que deu a abertura que ele precisava para iniciar sua carreira solo. Isso ocorreu em 1983 com o lançamento de seu excelente primeiro álbum individual, It’s Your Night, com produção do padrinho Quincy Jones e direito a grandes músicos.

A faixa de destaque do CD foi Ya Mo Be There, dueto com Michael McDonald, que atingiu o nª 19 entre os singles e rendeu a Ingram o seu segundo troféu Grammy, na categoria Melhor Performance R&B Com Duo Ou Grupo Com Vocais.

E já que o assunto é duetos, James Ingram atingiu pela primeira vez o primeiro lugar na parada americana de singles com sua parceria com a cantora Patti Austin em 1983 com a música Baby Come To Me, que foi usada na trilha da série televisiva de sucesso General Hospital. O cara estava tão badalado que acabou participando do elenco estelar do single We Are The World, ao lado de astros como Ray Charles, Bob Dylan, Bruce Springsteen, Ray Charles e tantos outros. Em 1987, outra dobradinha bacana, a balada Somewhere Out There, com a cantora Linda Ronstadt. E seu único nª 1 realmente solo foi conquistado em 1990 com a bela balada romântica I Don’t Have The Heart.

O artista concorreu ao Oscar de melhor canção em duas ocasiões: The Day I Fall In Love, dueto com Dolly Parton incluído na trilha de Beethoven’s 2nd em 1994 e no ano seguinte com Look What Love Was Done, do filme Junior. Mais alguns duetos: What About Me (1984- com Kenny Rogers e Kim Carnes), The Brightest Star (1991- com Melissa Manchester), When You Love Someone (1995- com Anita Baker) e Our Time Has Come (1997- com Carnie Wilson).

Quando Quincy Jones lançou seu álbum mais badalado, Black On The Block (1989), James Ingram estava lá, e justo na canção de maior sucesso, The Secret Garden, ao lado de Barry White, El Debarge e Al B.Sure! De quebra, ele ainda marcou presença em uma faixa dos, pasmem!, Scorpions! Sim, a banda alemã de heavy metal. Mais precisamente na faixa What U Give U Get Back, incluída no álbum Eye II Eye (1999). Dá para encara esse currículo, Sheena Easton?

Ya Mo Be There (remix version)- James Ingram e Michael McDonald:

Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper: 60 anos de saudade

buddy holly ritchie valens the big bopper-400x

Por Fabian Chacur

Neste domingo (3), um trágico acidente de avião completará 60 anos. Naquele doloroso 3 de fevereiro de 1959, perderam precocemente suas vidas três astros ascendentes do rock and roll, Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper. Uma data tão trágica que foi rotulada como “O Dia Em Que a Música Morreu” em um trecho da música American Pie, do cantor e compositor americano Don McLean e grande hit em 1972. E esses três artistas nos deixaram uma bela e eterna herança musical.

Em 1959, o rock and roll vivia a sua primeira era de sucesso. Como forma de divulgar seus trabalhos, os artistas do gênero eram unidos em verdadeiras caravanas que saíam pelos EUA. Os shows equivaliam a uma coletânea dos grandes sucessos radiofônicos de então, com os músicos geralmente interpretando apenas algumas músicas cada um. E era exatamente o que o nosso trio fazia, em uma série de shows iniciada em 23 de janeiro daquele ano e intitulada The Winter Dance Tour. Estavam programadas 24 datas em pleno inverno de lá, com a última apresentação agendada para o dia 15 de fevereiro.

O transporte dos músicos era feito através de ônibus, e as condições de tempo adversas provocaram cancelamento de shows e também exigiram muito da saúde de seus integrantes. Após a 11ª apresentação, realizada na cidade de Salt Lake, no estado de Iowa, Buddy Holly demonstrava fortes sinais de gripe. Como era o músico de maior sucesso da trupe, resolveu fazer uma extravagância, como forma de chegar mais cedo à próxima cidade da programação e poder descansar um pouco mais: alugar um pequeno avião para levar ele e dois de seus músicos, livrando-os de mais uma viagem com o desconfortável ônibus.

O voo foi contratado na noite do dia 2 de fevereiro, e um piloto, Roger Peterson, foi arregimentado às pressas. Estavam escalados para a viagem no avião de quatro lugares (contando o piloto) Holly, o guitarrista Tommy Allsup (1931-2017) e o baixista Waylon Jennings (1937-2002). No entanto, quando soube da iniciativa do colega de turnê, o cantor, DJ e músico The Big Bopper negociou com Jennings a sua vaga, e foi bem-sucedido. O mesmo ocorreu com Ritchie Valens em relação a Allsup. Que trocas…

O avião saiu no início da madrugada do dia 3 de fevereiro de 1959, mas uma inesperada tempestade de neve os surpreendeu. Infelizmente, a aeronave caiu quatro minutos após levantar voo. Demoraram horas até que todos se dessem conta do ocorrido. Os colegas de turnê, ao chegarem à cidade de Moorhead, no estado de Minnesota, surpreenderam-se ao não encontrar os amigos. E, posteriormente, o acidente e suas vítimas virou notícia em termos mundiais. Uma das primeiras tragédias envolvendo o rock and roll, o acidente comoveu o mundo e marcou a história da música.

Se hoje artistas são esquecidos poucos meses após suas mortes, porque estamos lembrando de Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper seis décadas após suas partidas? A resposta é óbvia: independente do choque devido a mortes em idades tão precoces, o legado musical que esses três artistas nos deixaram são grandes demais para serem esquecidos ou igorados. Vamos dar uma pequena mergulhada na trajetória deles, e justificar essa importância toda.

Buddy Holly: genial, criativo e muito influente

Em toda a lista dos artistas mais importantes e influentes da história do rock, Buddy Holly merece um lugar cativo. E não é por acaso. Este cantor, compositor e guitarrista nascido em 7 de setembro de 1936 em Lubbock, Texas, equivale a uma espécie de elo perdido entre o rock and roll inicial de Chuck Berry, Little Richard e Jerry Lee Lewis e o som dos Beatles. Ele soube como poucos mesclar elementos da música country e do hillbilly com o rhythm and blues, investindo em elementos melódicos mais intensos e flertes com o jazz, música erudita e os standards da música americana.

Pode-se dizer que o formato clássico das bandas de rock and roll, o célebre duas-guitarras-baixo-e-bateria, teve em Holly um de seus criadores. Ele partiu do rockabilly e do rhythm and blues para criar canções ora agitadas, ora puramente românticas, sempre ressaltando seu som cristalino de guitarra, sua belíssima voz e um carisma nerd no qual os óculos de aro preto eram uma assinatura própria que inspiraria artistas como Elvis Costello, só para citar um deles.

E ele fez tudo isso em um curtíssimo espaço de tempo. Holly começou a tocar aos 13 anos, e se embrenhou em estúdios de gravação entre 1954 e 1959. Sempre inquieto, buscava evoluir a cada nova experiência, e teve a ajuda em um período clássico de sua trajetória do produtor e parceiro em algumas canções Norman Petty, que em seu estúdio situado em Clóvis, Novo México, expandia sonoridades e ressaltava os sons das guitarras, vocais e percussão.

O songbook de Buddy Holly é simplesmente matador, incluindo entre outras maravilhas as fulminantes That’l Be The Day, Oh Boy, Not Fade Away, Everyday, We’ll All Right, True Love Ways, Peggy Sue, Think It Over, Rave On, Maybe Baby e Heartbeat, só para citar algumas. O cara também sabia reler composições alheias com maestria, entre as quais It Doesn’t Matter Anymore, Brown Eyed Handsome Man e Raining In My Heart. E isso tudo em apenas 22 anos de vida.

Ritchie Valens, o pioneiro do rock latino

Lógico que o tamanho de Buddy Holly em termos artístico se sobrepõe a boa parte de seus colegas de profissão, e isso não é diferente em relação aos parceiros da Winter Dance Party. O que, obviamente, não significa que esses caras não sejam muito importantes. Ritchie Valens, nascido em 13 de maio de 1941, pode ser considerado um dos pioneiros, se não for O pioneiro, da mistura da música latina com o rock and roll. Uma mistura que nos traria Triny Lopez, Carlos Santana e tantos outros.

O ainda adolescente emplacou hits como Come On, Let’s Go e Donna, esta última uma belíssima badalada em homenagem à sua namorada. Mas seu maior mérito foi aproveitar um tema da música folclórica mexicana, La Bamba, e tê-lo adaptado para o universo do rock and roll. Ele precisou superar restrições até de sua gravadora para registrá-la, mas provou estar certo, no fim das contas.

O arranjo roqueiro de La Bamba acabou fazendo ainda mais sucesso posteriormente nas gravações de artistas de origem latina como Trini Lopes e o grupo Los Lobos, este último relendo os hits de Ritchie em 1987 para a trilha sonora do filme de incrível sucesso sobre sua trajetória, o cativante La Bamba. Que adolescente do barulho esse aí!

The Big Bopper, o DJ que virou cantor de sucesso

Jiles Perry Richardson, nascido em 24 de outubro de 1930, foi provavelmente o primeiro DJ de rádio a também fazer sucesso como cantor e compositor. Carismático, ele conseguiu quebrar um recorde de permanência consecutiva no ar, durante incríveis cinco dias, duas horas e oito minutos. Em 1958, chegou ao sexto lugar na parada americana com a divertida Chantilly Lace, que tinha como bordão o inconfundível “hello, babe!!!”, sua marca registrada.

Difícil não se lembrar do inesquecível Kid Vinil, tal qual o Big Bopper um DJ de rádio que também estourou nas paradas de sucesso como cantor do grupo Magazine. JP Richard teria outro grande hit, mas como compositor. Trata-se da música Running Bear, que na voz de Johnny Preston chegou ao primeiro lugar na parada de singles americana em janeiro de 1960. Infelizmente, The Big Bopper (que participou da gravação) já havia partido quando isso ocorreu.

Pequenas curiosidades envolvendo esses três ícones do rock

***** O grupo americano Weezer fez sucesso nos anos 1990 com uma canção em homenagem ao autor de Peggy Sue intitulada Buddy Holly. Seu vocalista Rivers Cuomo, não por acaso tem visual nerd e usa os indefectíveis óculos de aro preto sempre ligados ao saudoso astro do rock dos anos 1950.

***** Jay P. Richard Jr. nasceu no dia 28 de abril de 1959, ou seja, menos de três meses após a morte do pai, The Big Booper. Se não teve a bênção de conhece-lo, ao menos ajudou a manter sua obra reconhecida ao se apresentar em shows e convenções temáticas sobre o rock and roll dos anos 1950. Jr. infelizmente nos deixou em agosto de 2013, aos 54 anos de idade.

***** Logo após a morte de Buddy Holly, foi lançado um primeiro single póstumo, com a musica It Doesn’t Matter Anymore. A ironia involuntária do título (cuja tradução aproximada é “não importa mais”) levou o seu autor, Paul Anka, então começando a se tornar uma lenda da música pop, a doar os direitos autorais da canção à viúva de Holly.

***** A interpretação do ator Lou Diamond Phillips para o papel de Ritchie Valens em La Bamba (1987) foi tão icônica que eclipsou tudo o que ele fez posteriormente. Difícil alguém não se referir a ele como “o ator de La Bamba“.

***** Se no rock The Big Bopper pode ser considerado pioneiro nessa de ser DJ e cantor de sucesso, no mundo do blues existe alguém muito mais famoso que também fez essa transição. Trata-se de ninguém menos do que o genial B.B. King, que inclusive ganhou o apelido nos tempos em que trabalhava em rádio.

****** Paul McCartney era tão fã de Buddy Holly que acabou unindo o útil ao agradável nos anos 1970, adquirindo os direitos autorais da maior parte das músicas do autor de Peggy Sue. Ele participou de eventos em homenagens ao artista e também gravou com remanescentes dos Crickets, o grupo que acompanhou o artista. Os Beatles gravaram um dos grandes hits de Buddy Holly, Words Of Love, em releitura que reproduz quase nota a nota a versão original.

***** Os Rolling Stones também eram fãs de Buddy Holly, e regravaram nos anos 1960 Not Fade Away com bastante sucesso. Eles chegaram a abrir shows deles no Brasil com essa música, nos anos 1990.

Veja uma reportam da revista Mojo sobre “o dia em que a música morreu” aqui

We’ll All Right– Buddy Holly:

Dean Ford, do grupo Marmalade, nos deixou um belo legado sonoro

Dean_Ford_-_recent-400x

Por Fabian Chacur

Dean Ford, cujo nome de batismo era Thomas McAleese, nos deixou no dia 31 de dezembro, aos 72 anos de idade. Embora com um pouco de atraso, Mondo Pop irá fazer justiça ao trabalho deste ótimo cantor, compositor e músico escocês, que entre 1966 a 1974 foi vocalista e compositor do Marmalade, uma banda que alguns só lembram pelo megahit Reflections Of My Life (ouça aqui). O “textão” a seguir provará que ele fez muito mais do que “apenas” essa belíssima balada roqueira lançada em 1969 e que teve mais de dois milhões de cópias vendidas em todo o mundo, no formato single.

Thomas McAleese nasceu na Escócia em 5 de setembro de 1946. Seu nome artístico une os de dois ídolos do músico, o ator e cantor Dean Martin e o cantor Tennessee Ernie Ford (do hit Sixteen Tones, aquele que em português virou 16 Toneladas, com Noriel Vilela). Seu envolvimento com a música começou quando ainda era criança. Em 1963, foi convidado a entrar em uma nova banda, que com sua presença passou a também ser conhecida como Dean Ford And The Gaylords. Integravam o time, além dele próprio no vocal e gaita, o guitarrista e tecladista Willian Junior Campbell (que virou seu parceiro de composições), Patrick Fairley (guitarra), Graham Knight (baixo) e Raymond Duffy (bateria).

O grupo aos poucos se tornou o mais famoso do rock escocês, ao ponto de animá-los a se mudar para Londres em meados de 1965. Duffy preferiu não ir, e o baterista Alan Whitehead entrou em seu lugar. O quinteto, agora rebatizado The Marmalade, foi cavando seu espaço aos poucos, tocando em lugares como o célebre Marquee e abrindo apresentações de Pink Floyd, Traffic, The Who etc.

Em 1967, lançaram o single I See The Rain (ouça aqui), composição de Campbell e McAleese que foi considerada a melhor daquele ano por ninguém menos do que Jimi Hendrix, e regravadas anos depois por Suzanna Hoffs (do grupo Bangles) e Matthew Sweet. Mas o sucesso comercial teimava em não aparecer.

Pressionados pela gravadora CBS, eles deixaram momentaneamente de lado as composições próprias e gravaram Lovin’ Things (de Artie Schroeck and Jet Loring), que atingiu o sexto posto na parada britânica em 1968. Mas a coisa engrenou mesmo para eles quando resolveram reler Ob-la Di Ob-la Da (ouça aqui) em versão muito parecida com a dos autores, os Beatles. Bingo! Com esse single, atingiram o primeiro lugar na parada britânica, e pouco depois o seu contrato com a CBS acabou.

Com a moral alta, eles receberam um convite irrecusável para assinar com o Deram, o selo progressivo da gravadora Decca. Além de ganhar um belo adiantamento, tiveram total liberdade artística. A aposta da nova gravadora se mostrou acertada logo no primeiro lançamento, o antológico single Reflections Of My Life (de Campbell e McAleese), que saiu no finalzinho de 1969 e logo invadiu as paradas britânicas e de inúmeros outros países, inclusive os EUA, onde chegou ao décimo lugar. Essa música recebeu, em 1998, um prêmio da BMI americana por ter tido mais de um milhão de execuções em rádios americanas.

No início de 1970, sai Reflections Of Marmalade (denominado Reflections Of My Life nos EUA), um álbum no qual a mistura de rock, pop, folk e country da banda se mostrava simplesmente envolvente, com direito a Reflections Of My Life e outras maravilhas, entre as quais Carolina In My Mind (de James Taylor e em arranjo parecido com o do álbum de estreia do astro americano- ouça aqui ) e a psicodélica Kadeidoscope (de Campbell e McAleese) ouça aqui).

No embalo do sucesso do álbum, eles lançaram em 1970 outro single matador, a canção folk-country Rainbow (de Campbell-McAleese, ouça aqui), seguido em 1971 por outra maravilha de Ford e seu parceiro, a delicada balada My Little One (ouça aqui). Aí, Willian Junior Campbell, cansado das turnês, resolveu sair da banda para estudar música. Ele depois teria uma breve carreira-solo e a seguir se tornaria compositor para trilhas de cinema, TV e teatro.

Para substituir Campbell, entrou em cena o cantor e guitarrista Hugh Nicholson, que entrou com moral no time, a ponto de se tornar o principal compositor da banda. Ele é o autor de Back On The Road (de volta à estrada, ouça aqui), um título que refletia a atitude da banda de seguir em frente. Por sinal, eles vieram ao Brasil (onde emplacaram vários hits) naquele mesmo 1971, para defender essa canção no Festival Internacional da Canção, sem conseguir a vitória.

Vale o registro, baseado em post publicado pelo blog de Maria Weber, o ótimo Festivais da Canção (acesse aqui), que traz a reprodução de matéria de uma revista da época que relata as estrepolias do quinteto em nossas plagas, com direito a quebrar copos, passear mascarados para assustar os hóspedes do Hotel da Glória e tentar jogar uma cantora na piscina. Uau!

A partir de 1972, o Marmalade viu sua popularidade cair bastante. Dean Ford ainda comporia algumas músicas com um novo parceiro, Mike Japp, como Our House Is Rocking e Come Back So, mas nenhuma delas emplacou. Curiosidade: Japp, posteriormente, seria parceiro de Gene Simmons e Paul Stanley, do Kiss, e também de Bryan Adams. E em 1975, Ford resolveu dar adeus à banda que o revelou, lançando no mesmo ano o LP solo Dean Ford, produzido pelo então ainda iniciante na função Alan Parsons. Em 1978, ele participaria de um álbum do Alan Parsons Project, Pyramid.

Com a pouca repercussão da carreira-solo, Ford mudou-se em 1979 para Los Angeles, e mergulhou de cabeça no alcoolismo, sumindo de cena por vários anos. Apenas em 1986 ele conseguiu se livrar do vício, graças ao apoio do grupo Alcoólicos Anônimos. Em 2014, com produção a cargo do músico Joe Tansin, conhecido por sua breve participação no grupo Badfinger (apenas no álbum Airwaves, de 1979), ele fez uma interessante releitura de Reflections Of My Life, com direito a clipe e tudo (veja e ouça aqui).

Curiosamente, os últimos anos de vida de Dean Ford foram provavelmente alguns dos mais produtivos. Ele lançou dois álbuns, Feel My Heartbeat (2017) e My Scottish Heart, este último poucas semanas antes de sua morte, que teria ocorrido por complicações ligadas ao mal de Parkinson.

Uma curiosidade: o Marmalade seguiu em frente após a saída de Dean Ford, em 1975, e foi apenas em 2010 que perdeu seu último integrante da formação clássica, o baixista Graham Knight. Eles tocam em eventos nostálgicos, e equivalem a uma banda cover de luxo. Saiba qual é a sua escalação atual, e desde quando seus integrantes estão por ali. Alguns, por sinal, integram o Marmalade por muito mais tempo do que os integrantes originais sequer imaginavam se manter. Mas, vale o registro, sem criar um único hit:

Sandy Newman – vocal principal, guitarra solo, teclados (de 1975 até hoje)
Alan Holmes – vocais, guitarra,e violão, teclados (de 1980 até hoje)
Jan Robinson – vocais, baixo (de 2015 até hoje)
Chris North – bateria, percussão (de 2015 até hoje)
John James Newman – vocais, violão (de 2011 até hoje)

Rainbow (clipe)- Marmalade:

Karla Bonoff, uma artista que você precisa conhecer agora

karla bonff 2016-400x

Por Fabian Chacur

Em 1977, uma jovem cantora, compositora e musicista americana chamada Karla Bonoff lançava o seu autointitulado álbum de estreia pela gravadora Columbia. Quatro décadas após, esse álbum continua não só soando maravilhosamente belo, como prossegue aguardando um maior reconhecimento por parte de crítica e, especialmente, de público. Então, como forma de celebrar esses 40 anos, vamos mergulhar de cabeça na carreira desta incrível artista.

A forma como descobri Karla foi típica de quem trabalha como crítico musical e é curioso. Lá pelos idos de 1999, entrevistei um trio country brasileiro dos mais competentes, o West Rocky. No disco de estreia deles, Me Faz Bem (1998), o destaque era a deliciosa Quando o Amor se Vai, versão em português de Tell Me Why, música escrita exatamente por miss Bonoff, que até então eu não tinha nem ideia de quem era.

Algumas semanas depois da entrevista, estava em uma loja de CDs situada no Shopping Eldorado, em São Paulo, e dei de cara com o CD All My Life- The Best Of Karla Bonoff. Como sou curioso, ávido comprador de discos e estava com dinheiro, comprei esse álbum cuja capa trazia aquela bela moça de olhar tímido e cabelos escuros.

Logo ao ouvir a primeira faixa dessa excepcional coletânea, quase caí de costas. Lay Down Beside Me é sem medo de errar uma balada rock avassaladora. Com letra que toca no tema da solidão de forma emotiva, traz uma melodia encantadora, em tom menor, um clima introspectivo e uma interpretação de arrepiar de Karla, com direito a certeiras intervenções de guitarra. Tipo da música perfeita, um clássico óbvio que também abre o álbum de estreia de Karla.

Nesse seu primeiro LP solo, Karla Bonoff contou com a participação de músicos do primeiríssimo escalão do chamado bittersweet rock, ou soft rock, aquele estilo musical surgido no finalzinho dos anos 1960 que somava elementos de rock, country e folk com letras emotivas, introspectivas e confessionais e que teve em James Taylor, Carole King, Crosby, Stills & Nash e Cat Stevens alguns de seus nomes seminais.

Karla Bonoff (o álbum) apresenta ao mundo uma cantora de bela voz, uma instrumentista extremamente competente e uma compositora iluminada. Além da já citada Lay Down Beside Me, o álbum nos traz pérolas sonoras como a envolvente balada country em andamento de valsa Home, o rockão I Can’t Hold On, a balançada Isn’t It Always Love e a tocante Lose Again, só para citar algumas.

Era um álbum que permitia ao ouvinte mais atento notar que sua autora não estava estreando com tanta competência do nada. Fica claro, ao ouvi-lo, que tínhamos ali o fruto de anos anteriores de trabalho, mesmo sendo Karla ainda bastante jovem. E é exatamente este antes, e também o depois da carreira dela que vamos contar daqui pra frente. Com direito à entrada em cena de muitos nomes conhecidos da música, trilhas de filme etc. Vamos lá!

Dupla com a irmã, um grupo, Linda Ronstadt…

Nascida em 27 de dezembro de 1951, Karla Bonoff iniciou de fato sua carreira musical ao formar uma dupla com a irmã, Lisa, intitulada The Daughters Of Chester P.(as filhas de Chester P.), uma homenagem ao pai. Elas tiveram a oportunidade de gravar uma demo para a Elektra Records no final dos anos 1960 com a produção de Bruce Botnick, que trabalhou com os Doors, mas a gravadora não as contratou, e Lisa preferiu seguir carreira como professora.

Karla seguiu adiante, e virou presença constante no Troubador, mitológico barzinho de Los Angeles nos quais nomes como James Taylor, Jackson Browne, Elton John e os músicos que depois formariam os Eagles eram figuras constantes. Por lá, a moça fez amizade com o músico Kenny Edwards, integrante da Stone Poneys, banda da qual também fazia parte a cantora Linda Ronstadt. Com o fim desse grupo, eles começaram uma parceria musical que duraria mais de 40 anos.

Com o acréscimo de Andrew Gold e Wendy Waldman, Karla e Edwards criaram a Bryndle. Essa banda gravou um álbum para a A&M Records no início dos anos 1970, mas novamente nossa heroína não deu sorte, pois o disco nunca foi lançado, o que levou os integrantes do grupo a partirem para seus próprios projetos. Eles, no entanto, nunca se distanciariam, sempre participando uns dos discos/shows dos outros, deixando no ar a possibilidade de um dia voltarem.

Kenny Edwards foi convidado a integrar a banda de apoio da ex-colega de Stone Poneys, Linda Ronstadt, que se tornou uma estrela da cena country rock. Um dia, Karla teve a chance de mostrar canções para Ronstadt, e um ano depois disso, mais precisamente em 1976, nada menos do que três músicas da compositora entraram no álbum Hasten Down the Wind: Someone To Lay Down Beside Me, Lose Again e If He’s Never Near, com direito a participação de Karla fazendo backing vocals.

A qualidade das músicas rendeu o contrato com a Columbia. Após o primeiro álbum, que teve repercussão mediana, apesar de sua alta qualidade, ela lançou em 1979 Restless Hearts, outro LP belíssimo com direito a baladas doloridas como Restless Nights, rocks como Baby Don’t Go e dois momentos bacanas para o currículo: When You Walk In The Room, grande sucesso em 1963 de e com Jackie De Shannon (que de quebra participou dessa releitura), e The Water Is Wide, hit do Kingston Trio com participação nos vocais e violão de James Taylor.

Como a repercussão do álbum anterior foi respeitável (nº 31 nos EUA), tivemos em 1982 o terceiro trabalho dela, Wild Heart Of The Young, que traz como destaques a maravilhosa balada que lhe dá o nome e Personally, obscura canção de r&b regravada por ela que acabou se tornando, ironicamente, o maior sucesso de sua carreira solo, atingindo o posto de nº 19 na parada de singles da Billboard.

O quarto álbum de Karla, New World, chegou às lojas em 1988 e tem em seu repertório as encantadoras Tell Me Why, All My Life e Goodbye My Friend. Seria o último trabalho solo de estúdio dela até o momento (2017), que depois lançaria apenas o excelente CD duplo ao vivo Live (2007). Antes, tivemos a coletânea All My Life- The Best Of Karla Bonoff (1999), melhor iniciação para a sua obra.

Compositora regravada por grandes nomes da música

Expressiva representante da ala singer-songwritter (cantautori, em italiano) do universo pop, ou seja, aqueles artistas que gravam com mais frequência as suas próprias canções, Karla Bonoff no entanto também é bastante conhecida por ter seu repertório relido por grandes nomes da música. Linda Ronstadt abriu essa porteira em 1976, como já dissemos anteriormente. E não foi só isso.

Em 1989, no seu álbum Cry Like a Rainstorm, Howl Like the Wind, Linda voltou a recorrer ao songbook da amiga, e gravou de uma só vez All My Life, Trouble Again e Goodbye My Friend. Além de o álbum ter vendido muito, All My Life, que teve a participação do cantor Aaron Neville, rendeu a Linda Ronstadt um troféu Grammy.

Bonnie Raitt, aclamada cantora, compositora e guitarrista americana, fez belíssima gravação de Home no álbum Sweet Forgiveness (1977). Em 1979, foi a vez de a cantora country Lynn Anderson (famosa pelo megahit Rose Garden, que fez sucesso no Brasil na versão Mar de Rosas, com os Fevers) recorrer a uma canção da Karlinha, a sacudida Isn’t It Always Love, do seu álbum Outlaw Is Just a State Of Mind.

E tem também Tell Me Why. Em 1993, a estrela country Wynonna Judd, ex-integrante do duo The Judds e irmã da atriz Ashley Judd, resolveu regravar essa canção, só que seus músicos não conseguiam reproduzir o arranjo da gravação original. Aí, surgiu a ideia de convidar a própria Karla, que tocou o violão e fez backing vocals nessa releitura, um grande hit country naquele ano, integrante do álbum Tell Me Why, de Judd.

Uma curiosidade: foi exatamente essa regravação de Wynonna que levou o grupo brasileiro West Rocky a fazer a sua versão. Eles nem tinham ideia de quem era Karla Bonoff, e, no entanto, por tabela foram os responsáveis por eu ter descoberto essa artista maravilhosa. Vale registrar que, em 2006 e 2013, a dupla sertaneja Guto & Nando também releu Quando o Amor Se Vai (Tell Me Why), respectivamente em um CD de estúdio e em um DVD ao vivo.

A segunda chance do Bryndle enfim chegou

A história do Bryndle aparentemente seria a de uma espécie de grupo que foi sem nunca ter sido, em razão do melancólico fim de seu contrato com a gravadora A&M. Isso, embora seus integrantes sempre tenham se mantido próximos um dos outros. Kenny Edwards, por exemplo, foi o produtor de vários dos discos de Karla, enquanto Andrew Gold e Wendy Waldman participaram deles.

No entanto, o tempo acabou dando uma nova chance aos amigos, que se reuniram novamente com o objetivo de reativar a banda no inicio dos anos 1990. Desta vez, o projeto se mostrou plenamente vitorioso, pois rendeu dois álbuns, Brindle (1995) e House Of Silence (2002), além de inúmeros shows e aparições em programas de TV.

Infelizmente, tudo acabou com as mortes de Kenny Edwards em 2010 e Andrew Gold em 2011. Desde então, Karla continuou na estrada fazendo shows solo, dando uma geral em seu repertório de hits. Alguns deles são em parceria com Livingston Taylor, irmão de James Taylor.

Duetos e participações em trilhas de filmes

Acho que a história de Karla Bonoff tinha acabado por aqui? Doce ilusão! Chegou a hora de dar uma geral nos duetos e participações em trilhas de filmes. E tem muita coisa boa. Em 1983, por exemplo, ela participou do segundo CD de Christopher Cross, Another Page, fazendo um dueto com ele em What Am I Supposed To Believe.

Em 1996, ela gravou junto com a consagrada banda country Dirt Band a música You Believed In Me, que entrou no álbum feito em homenagem aos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. J.D. Souther, seu contemporâneo dos tempos de Troubadour e grande nome do soft rock dos anos 1970, gravou em dueto com ela Step By Step, incluída em 1986 na trilha do filme About Last Night.

E já que entramos no tópico trilhas sonoras, temos outro dueto bacana feito com o astro country Vince Gill, When Will I Be Loved, incluída na trilha do filme 8 Seconds, que por sinal também traz outra canção interpretada por Karla, Standing Right Next To Me.

A gravação feita especialmente para filmes que provavelmente mais lhe rendeu deve ter sido a da canção Somebody’s Eyes, integrante da trilha de Footloose, álbum que permaneceu 10 semanas no topo da parada americana e vendeu milhões de cópias mundo afora, impulsionado pela faixa-título, interpretada por Kenny Loggins.

Para os fãs de músicos, vai aí uma pequena relação dos craques da música que participaram dos álbuns de estúdio de Karla Bonoff: Waddy Watchel, Leland Sklar, Dan Dugmore, Russel Kunkel, Rick Marotta, Danny Kortchmar, Don Henley, Victor Feldman, Bill Payne, Timothy B. Schmidt, Garth Hudson, Peter Frampton e Glenn Frey.

Bem, se você chegou até aqui, não deixe de ouvir o trabalho de Karla Bonoff, que está disponível nas melhores plataformas digitais disponíveis na rede, e em selecionadíssimas lojas de CDs e LPs. Duvido que quem tiver um ouvido apurado e curtir música pop de qualidade não acabe se apaixonando pela obra desta brilhante artista. Comece como eu, por essa música que eu postei abaixo. Boa viagem sonora:

Someone To Lay Down Beside Me– Karla Bonoff:

Older posts Newer posts

© 2019 Mondo Pop

Theme by Anders NorenUp ↑