Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Category: Grandes nomes esquecidos (page 2 of 13)

Patrick Adams e Paulo Diniz, duas grandes perdas na música

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Por Fabian Chacur

Dois grandes músicos nos deixaram nesta quarta-feira (22). Um foi o cantor, compositor e músico pernambucano Paulo Diniz, aos 82 anos. O outro, o produtor, compositor, músico e engenheiro de som norte-americano Patrick Adams, aos 72 anos. Ambos tinham em comum o grande talento e o fato de terem vivido seus períodos de maior sucesso comercial e artístico durante a década de 1970, cada um em sua respectiva área de atuação.

Nascido em 17 de março de 1950, Patrick Adams começou a carreira fazendo arranjos musicais para artistas como Astrud Gilberto. Sister Sledge e outros, além de ter sido manager do grupo Black Ivory. Em meados dos anos 1970, mergulhou no universo da produção e composição. Um de seus primeiros êxitos foi com o projeto de estúdio Universal Robot Band, que estourou em 1977, em pleno auge da disco music.

Este grupo de estúdio fez grande sucesso no Brasil com a música Dance and Shake Your Tambourine (1977- ouça aqui), incluída na trilha da novela global Loco-Motivas (1977). Essa música, assim como o outro ótimo hit deste projeto, Freak With Me (ouça aqui), eram de autoria de Adams, além de contarem com seus arranjos. Esse trabalho atraiu a atenção de Marvin Schlachter, da gravadora Prelude Records.

Schlachter perguntou a Patrick Adams quanto tempo ele levaria para gravar um álbum disco e perguntou o preço, que foi aceito logo de cara. Em apenas três semanas, Adams deu conta do recado, incluindo compor as músicas, fazer os arranjos, arregimentar os músicos e cantores (incluindo a diva Jocelyn Brown) e se incumbir da engenharia de som. Surgia o Musique.

O álbum Keep On Jumpin’ (1978) pode ser considerado um dos grandes clássicos da era disco. Sua fantástica faixa-título é outro hit de Adams no Brasil, pois integrou com destaque a trilha sonora da novela global Pecado Rasgado (1978). Nos EUA e exterior, o principal sucesso foi outra gravação certeira, In The Bush (ouça aqui), que logo virou um clássico das pistas.

Summer Love (ouça aqui) e Summer Love Theme (instrumental- ouça aqui), no mesmo alto nível, completam o álbum. Sim, apenas quatro músicas, mas todas em versões longas, muito criativas e extremamente adequadas às pistas de dança. Tudo nelas é perfeito: as levadas rítmicas, os timbres dos instrumentos, os vocais, os arranjos… Christine Wiltshire, uma das cantoras do álbum, teve uma filha com Adams.

Com a queda da popularidade da disco music, causada principalmente por pressões homofóbicas e racistas, Patrick Adams não deixou a peteca ir ao chão, e trabalhou com artistas de rap como Eric B & Rakim, KSR-One, Mas e Salt-N-Pepa. Suas músicas também foram sampleadas por outros artistas, entre os quais o consagrado Kanye West.

Quero Voltar Pra Bahia e outros hits

Paulo Diniz nasceu em 24 de janeiro de 1940. Em meados dos anos 1960, mudou-se para o Rio de Janeiro para tentar se inserir no meio musical. Com uma inspirada mistura de soul, ritmos brasileiros e pop, ele estourou nacionalmente em 1970 com Quero Voltar Pra Bahia, uma bela, velada e contagiante homenagem a Caetano Veloso, então exilado na Inglaterra.

Não demorou a emplacar outros sucessos marcantes nas paradas de sucesso da época, entre elas O Meu Amor Chorou (de Luiz Marçal Neto- ouça aqui), Um Chope Pra Distrair (ouça aqui) e Pingos de Amor (ouça aqui), esta última regravada em 2000 com muito sucesso pelo Kid Abelha. As três últimas são composições dele feitas em parceria com Odibar (1950-2010), seu parceiro mais constante nesses seus anos de ouro.

Outra marca de sua obra foi musicar poemas de nomes ilustres como Carlos Drummond de Andrade (José), Gregório de Matos (Definição de Amor), Manuel Bandeira (Vou Me Embora Pra Passárgada) e Augusto dos Anjos (Versos Íntimos). Ele também releu clássicos alheios como Felicidade (Lupicinio Rodrigues) e Asa Branca (Luiz Gonzaga-Humberto Teixeira).

Embora sem o mesmo sucesso em termos comerciais, Diniz se manteve na ativa até o início dos anos 2000, quando parou de fazer shows devido às complicações causadas pela esquistossomose, mas se mantinha compondo e apoiava projetos que envolviam suas composições.

Keep On Jumpin’– Musique:

Kate Bush faz sucesso com uma música com 37 anos de idade

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Por Fabian Chacur

É incrível o poder que a inclusão de uma música em um filme ou série pode ter para a divulgação de um artista. Um belo exemplo está em ação neste exato momento. Lançada há 37 anos, a canção Running Up That Hill, de Kate Bush, foi incluída com destaque na 4ª temporada da série Stranger Things, da Netflix, ambientada nos anos 1980. Pois essa faixa voltou com força total às paradas de sucesso de todo o mundo, e também nas plataformas digitais de música. Um fenômeno impressionante.

Running Up That Hill saiu originalmente em 1985, atingindo no formato single a 3ª posição na Inglaterra, e a de nº 30 nos EUA. O álbum do qual ela faz parte, Hounds Of Love, liderou a parada do Reino Unido e chegou ao 30º posto na terra de Bob Dylan. O clipe, no qual a cantora, compositora e musicista britânica mostra seus conhecimentos de balé, tornou-se rapidamente um clássico, e agora quebra recordes de visualizações no youtube e em outras plataformas de vídeo e áudio.

Hoje com 63 anos de idade e felizmente na ativa, Kate Bush enviou através de sua gravadora o seguinte depoimento, sobre a volta de sua clássica canção às paradas de sucesso:

“Quando os primeiros episódios começaram a sair, meus amigos me perguntavam se tínhamos visto Stranger Things, então fomos atrás da série e amamos. Nós assistimos todas as temporadas desde então, como uma família. Quando eles nos contataram para usar Running Up That Hill, dá para dizer que foi tomado um super cuidado em como ela seria usada, em qual contexto da história, e eu adorei o fato de que a canção fosse um amuleto positivo para a personagem Max. Estou muito impressionada com as últimos episódios. São um trabalho épico – extremamente bem feito, com personagens incríveis e efeitos sonoros fantásticos. É muito comovente que a canção tenha sido tão carinhosamente recebida, especialmente sendo impulsionada pelos fãs desse tipo de série. Estou muito feliz que os Duffer Brothers estejam recebendo um retorno tão positivo por sua última criação. Eles merecem.”.

Que isso incentive as pessoas a mergulhar na discografia de Kate Bush, iniciada em 1978 com o megahit Wuthering Heights e repleta de canções maravilhosas, que mesclam rock, música erudita, pop, experimentalismo e lirismo, sempre com letras maravilhosas e a voz simplesmente cativante dessa artista única, influência perene para todas as outras cantoras e compositoras que vieram posteriormente nesta mesma seara musical.

Running Up That Hill (clipe)- Kate Bush:

James Seals, 80 anos, da dupla de soft rock Seals & Crofts

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Por Fabian Chacur

Das inúmeras músicas de que gosto, Summer Breeze ocupa um lugar muito especial, pois me traz belas recordações de meus tempos de criança. Essa gravação estourou há exatos 50 anos com a dupla Seals & Crofts (leia mais sobre eles aqui). Pois nesta segunda-feira (6), foi anunciada a morte, aos 80 anos de idade, de James Seals, um dos integrantes do duo. Ele estava afastado do show business desde 2017, após ter sofrido um derrame.

A notícia foi tornada pública, através de uma rede social, pelo cantor, compositor e músico Brady Seals, ex-integrante da bem-sucedida banda country Little Texas, artista-solo de boa repercussão e primo de James.

James Seals nasceu em 17 de outubro de 1941, e começou a se tornar conhecido no cenário musical no finalzinho dos anos 1950, quando entrou no grupo The Champs, logo após esta banda americana estourar com Tequila. Foi ali que ele começou a sua amizade e parceria musical com Dash Crofts, que iria gerar, em 1970, a dupla Seals & Crofts.

O duo lançou dois álbuns independentes e um pela Warner sem grande repercussão, embora ficasse clara a qualidade de sua música, uma mistura de country, folk e rock que posteriormente ganharias os rótulos soft rock e bittersweet rock. A coisa pegou no breu pra eles em 1972 quando Summer Breeze, faixa-título de seu 4º álbum, tornou-se um grande sucesso, atingindo o top 10 nos EUA e estourando no mundo todo.

Com vocalizações impecáveis (com Jim no vocal líder) e composições encantadoras, Seals & Crofts emplacaram hits marcantes até o final dos anos 1970. Entre outras, Diamond Girl (ouça aqui), We May Never Pass This Way Again (ouça aqui), Get Closer (ouça aqui) e até mesmo a influenciada pela disco music You’re The Love (ouça aqui).

Com o fim do contrato com a Warner, no comecinho dos anos 1980, a dupla resolveu se desfazer, voltando em dois curtos períodos apenas, em 1991 e 2004. James chegou a fazer shows com o seu irmão Dan Seals, integrante de outra dupla de sucesso daqueles anos 1970, England Dan & John Ford Coley, que estourou com canções maravilhosas como I’d Really Love To See You Tonight (ouça aqui) e Love Is The Answer (ouça aqui). Dan se foi em 2009.

Summer Breeze– Seals & Crofts:

Tempo Feliz é livro que conta a história de uma bela aventura

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Por Fabian Chacur

Uma forma interessante de estudar a história da música brasileira é se deter na trajetória das gravadoras, especialmente as independentes ou de pequeno e médio porte. É através delas que muita coisa importante aconteceu. Um bom exemplo é a Forma, criada por Roberto Quartin e Wadi Gebara em 1964 e que se manteve assim até 1967, quando foi vendida para a CBD (cujo acervo hoje pertence à Universal Music). Eis a missão assumida pelo jornalista Renato Vieira, que mergulhou fundo nela e nos proporcionou o excelente livro Tempo Feliz- A História da Gravadora Forma (Kuarup Música).

Além das tradicionais entrevistas com boa parte dos principais envolvidos com o enredo do tema que resolveu abordar, Vieira teve uma ideia bastante interessante. Como o acervo de lançamentos da Forma em seu período independente comporta um número pequeno de títulos (pouco mais de 20), ele nos traz uma análise de cada um deles, com direito a fichas técnicas, textos das contra-capas e também uma análise inteligente dos discos, incluindo desempenho comercial e repercussão na imprensa.

Além disso, ele nos situa de forma basante precisa naquele período da história do Brasil, quando o golpe militar havia acabado de ocorrer e as perseguições à área cultural foram aos poucos aumentando, além do clima favorável à bossa nova no exterior, graças ao mitológico show no Carnegie Hall em 1962 e principalmente ao estouro do álbum Getz-Gilberto (1964), que vendeu muito e rendeu 4 troféus Grammy ao músico americano Stan Getz e seus talentosos parceiros brazucas.

É dentro dessa dualidade medo/esperança que a Forma surge. Ela é fruto do idealismo quase irresponsável do jovem Roberto Quartin, que se une a um profissional do meio musical, o alemão Peter Keller, para criar um selo musical que teria seus discos prensados e distribuídos pela CBD. Keller saiu da sociedade antes mesmo do lançamento do 1º álbum, e o também jovem músico amador e arquiteto Wadi Gebara acabou sendo o seu parceiro de fato nessa ousada empreitada.

Quartin tinha como objetivo lançar discos de artistas extremamente talentosos e que admirava muito, mesmo sem saber se poderiam lhe dar um retorno comercial que viabilizasse o negócio. Cada álbum teria apresentação luxuosa, com direito a capas duplas, textos assinados por nomes importantes da cultura brasileira e fichas técnicas completas. E assim foi feito, mesmo sob o olhar assustado de Gebara em vários momentos, ele mais próximo do lado financeiro dessa operação.

Em termos musicais, deu muito certo. Entre outros, lançou o mitológico Os Afro-Sambas, firmando a célebre parceria de Baden Powell e Vinícius de Moraes, os primeiros discos do seminal Quarteto em Cy, o icônico Coisas, do maestro Moacir Santos e discos importantes e marcantes dos então ainda novatos Eumir Deodato e Victor Assis Brasil, só para citar alguns.

O duro é que, por circunstâncias as mais diversas, esses discos foram acumulando prejuízos, e em 1966 o próprio Quartin resolveu se mandar, deixando a encrenca nas mãos de Gebara. A Forma só se manteve no mesmo espírito independente até 1967, quando foi vendida para a CBD e tornou-se apenas um selo como outro qualquer até 1971, quando enfim saiu de cena. Mas sua história ficou marcada.

Com um texto fluente e consistente, Renato Vieira nos conta essa história com muita riqueza de detalhes e bastidores, e que mostra um pouco do idealismo em prol da criação de espaços nobres para lançamentos de artistas que praticassem a boa música brasileira que gerou empreitadas como esta Forma e também a mais conhecida delas, a Elenco de Aloysio de Oliveira, outra que acabou sendo incorporada ao acerco da gloriosa CBD.

Roberto Quartin ainda faria algumas produções eventuais, após deixar a Forma, e nos deixou em 2004, aos 62 anos de idade. Wadi Gebara saiu de vez da cena musical sem um tostão, e voltou a se dedicar à arquitetura, sendo uma das fontes deste livro e quem sugeriu o belo título. Ele infelizmente nos deixou antes de vê-lo publicado, em 2019, aos 81 anos.

Ao desabafar um dia com o amigo Roberto Menescal sobre o fato de ter perdido todo o dinheiro que tinha com o projeto da Forma, Gebara ouviu de um dos grandes craques da bossa nova uma frase lapidar, e com um trocadilho matador: “Wadi, foi a melhor forma de você perder dinheiro”.

Os Afro-Sambas- Baden e Vinícius (ouça em streaming):

Alan White e Andy Fletcher, duas grandes perdas no rock

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Por Fabian Chacur

O mundo do rock perdeu dois nomes importantes nesta quinta-feira (26), de gerações e eras distintas, mas ambos britânicos. O baterista Alan White (foto), do grupo de rock progressivo Yes, nos deixou aos 72 anos, ele que havia anunciado sua saída da turnê que a banda faria em breve. O tecladista Andy Fletcher, por sua vez, era integrante do Depeche Mode, uma das mais expressivas formações do chamado synth pop ou tecnopop que estourou nos anos 1980 e 1990, e se foi aos 60 anos.

Nascido em 14 de junho de 1959, Alan White ganhou os holofotes da mídia ao tocar com John Lennon em 1969 no Toronto Rock and Roll Festival, cuja gravação rendeu o álbum Live Peace in Toronto 1969 (1969), no qual brilhou ao lado de Eric Clapton e Klaus Woorman. Naquele mesmo ano, participou com destaque do single Instant Karma!, de Lennon, e ainda participaria de várias faixas do icônico álbum Imagine (1971).

Ele também gravaria com George Harrison (no álbum All Things Must Pass, de 1970), Joe Cocker e outros artistas até ser convidado, em 1972, para substituir Bill Bruford (que deixou a banda rumo ao King Crimson) no Yes. A partir de então, tornou-se um dos destaques daquela formação de rock progressivo, gravando álbuns e participando de turnês mundiais. Sempre foi considerado um dos melhores músicos do rock no seu instrumento, e sofria com problemas de saúde nos últimos anos.

Por sua vez, Andy Fletcher, nascido em 8 de julho de 1961, criou o Depeche Mode junto com Martin Gore, Vince Clarke e Dave Gahan em 1980. Após o lançamento do 1º álbum, Speak And Spell (1981), Clarke (que depois criou o Yazoo e o Erasure) saiu e foi substituído por Alan Wilder. No decorrer daquela década, a banda se tornou uma das mais populares do synth pop, e se manteria no topo pelo menos até metade dos anos 1990.

Na hierarquia do Depeche Mode, Fletcher sempre ficou em um plano inferior em termos artísticos, e era tido como mais importante em dois setores fundamentais para o bom andamento da banda: a parte empresarial/comercial e a função de uma espécie de “algodão entre cristais”, mantendo unidos o vocalista Dave Gahan e o tecladista e principal compositor Martin Gore (Wilder, tido como ótimo músico, saiu em 1995).

Instant Karma! (clipe)- John Lennon & Plastic Ono Band:

Private Eyes (1981/RCA), o auge de Daryl Hall & John Oates

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Por Fabian Chacur

Daryl Hall e John Oates se conheceram quase que por acaso, em 1967. Eles participavam de um concurso de bandas em sua cidade natal, Filadélfia (EUA), e, ao fugirem de um quebra-pau generalizado entre gangues presentes, foram parar em um elevador. Do agradável papo informal entre eles, surgiria uma sólida amizade que os levou a criar a dupla, anos depois. Em 1972, saiu o seu primeiro álbum, Whole Oats.

Sempre ativos e inquietos, eles mergulharam a partir dali em uma trajetória recheada de altos e baixos, sem medo de experimentar e também de pagar em termos comerciais por tal ousadia. Em 1977, emplacaram seu primeiro single no 1º lugar da parada americana, Rich Girl, e passaram a tocar em grandes espaços, com sua mistura de rock, soul, pop e folk. Trabalharam com vários produtores, entre os quais os seminais Arif Mardin e Todd Rundgren.

Após gravarem com o então iniciante David Foster os álbuns Along The Red Edge (1978) e X-Static (1980), eles foram aconselhados pelo produtor (depois consagrado por seus trabalhos com Earth, Wind & Fire, Céline Dion e Michael Bublé, entre outros) a encarar o desafio da autoprodução. E os caras resolveram tentar, para ver no que dava.

Para não darem um pulo no escuro, convidaram o britânico Neil Kernon, que tinha no currículo gravações como engenheiro de som e mixador para artistas como David Bowie, Elton John, Supertramp, Marc Bolan, Neil Sedaka, The Mahavishnu Orchestra e Yes, para ser o seu braço direito na realização do álbum Voices (1980). E deu super certo!

Voices atingiu o 17º lugar na parada americana, seu melhor resultado com um álbum até aquele momento, e de quebra lhes proporcionou o seu segundo single no nº 1 nos EUA, Kiss On My List. Essa faixa chegou ao topo da parada ianque em junho de 1981, exatamente quando Hall & Oates estavam em meio às gravações do sucessor de Voices.

Com Kernon promovido à condição de coprodutor, eles também centraram esforços no sentido de contar com músicos que integravam a sua banda de apoio nas gravações, entre os quais o guitarrista G.E. Smith e o saxofonista Charlie De Chant, atitude que lhes ajudou a criar um som realmente de banda, muito mais coeso e com assinatura própria.

O estouro de Kiss On My List durante as gravações gerou consequências. Deve ter ficado claro para o duo que eles precisariam ter outra música nesta mesma direção no novo trabalho. E, desta forma, surgiu Private Eyes, que não existia quando o repertório inicial foi selecionado. E aí, vale destacar duas importantes auxiliares no trabalho da dupla.

Sara Allen, namorada durante mais de 20 anos de Daryl Hall e a musa inspiradora do maravilhoso hit Sara Smile (de 1975), não demorou a se tornar uma parceira constante nas composições da dupla, ajudando nas letras. E, junto com ela, trouxe a irmã, a também compositora Janna (1957-1993), que passou a colaborar em termos musicais. E foi exatamente ela quem trouxe o material que gerou essa nova canção.

Segundo depoimento de Hall no livreto da caixa Do What You Want Be What You Are (2009), tal música foi praticamente feita por completo por Janna, sendo que ele, Sara e Warren Pash deram os retoques finais. E que golaço! Private Eyes não só ficou com a mesma vibração e linha musical de Kiss On My List (e sem soar como mera cópia) como foi ainda melhor.

Essa música virou a faixa-título do álbum, que naquela altura do campeonato estava cotado para levar o nome de outra faixa bacana, Head Above Water. Mais: no formato single, deu à dupla a sua 3ª canção nº 1 nos EUA, liderando os charts de lá durante duas semanas no mês de novembro de 1981, divulgada por um clipe simples e divertido no qual a dupla e seus músicos usam sobretudos típicos de detetives particulares (veja o clipe aqui).

Curiosamente, o outro grande hit deste álbum, I Can’t Go For That (No Can Do), também surgiu de forma inesperada. Após uma longa sessão de gravações, com os músicos já devidamente dispensados, Daryl ficou brincando com uma nova bateria eletrônica que havia adquirido há pouco, a Roland CompuRhythm. Ao curtir uma determinada levada rítmica, começou a fazer uns riffs com um teclado. E gostou do que ouviu.

Ele teve duas reações imediatas. Uma foi pedir para Neil Kernon se preparar para gravar o que ele estava fazendo, e outra foi chamar correndo John Oates, que já estava colocando a guitarra no estojo, para lhe dar uma força. E foi dessa forma que saiu a gravação dessa música, que depois ganhou um marcante e icônico solo de sax de Charlie De Chant.

Com sua batida hipnótica e sonoridade minimalista e inovadora, I Can’t Go For That (No Can Do) (veja o clipe aqui) se tornou o 4º single nº1 da dupla, atingindo essa posição em 30 de janeiro de 1982. Curiosamente, essa música conseguiu tirar do topo dos charts americanos Physical, o mega-hit de Olivia Newton-John, que se manteve por 10 semanas consecutivas nessa posição, cujo posto por sua vez tomou justamente de Private Eyes!

Private Eyes, gerou mais dois hit singles. O pop rock no melhor estilo new wave Did It in a Minute atingiu a posição de nº9 nos charts americanos em maio de 1982, enquanto o delicioso rock balançado Your Imagination, com outra participação matadora de Charlie De Chant no sax, chegou ao 33º lugar em agosto daquele mesmo ano. Mas o álbum também tem coisas ótimas entre as músicas restantes.

Em todo álbum da dupla, John Oates sempre ficava com uma ou duas músicas nas quais era o vocalista principal. Neste aqui, tivemos duas bem legais. Mano a Mano, com uma letra que prega o companheirismo e a solidariedade entre as pessoas, é um rock com levada meio latina que não faria feio em um disco de Carlos Santana. Já Friday Let Me Down segue a linha new wave, com pique bem rapidinho e dançante.

Uma das grandes e assumidas influências de Daryl Hall foram os Temptations. Tanto que o primeiro grupo dele se chamava The Temptones, e inclusive chegaram a abrir shows para eles. Como forma de homenageá-los, ele escreveu Looking For a Good Sign, encantadora canção no melhor estilo Motown dos anos 1960, e que no encarte do álbum é dedicada aos cinco integrantes da formação clássica daquele grupo.

Head Above Water perdeu a honra de ser a faixa-título do álbum e nem single virou, mas é um rockão energético dos melhores. Uma curiosidade: quando se imaginava a capa do álbum com essa música como título, surgiu a sugestão de se escrever Head Above H20. E o LP seguinte de Daryl Hall & John Oates foi intitulado…. H20 (1982)!

Com batida midtempo e belas intervenções de guitarra de G.E. Smith, Unguarded Minute foi o lado B do compacto I Can’t Go For That (No Can Do), e soa como uma espécie de hit que não foi, de tão boa. Tell Me What You Want também segue a levada new wave, enquanto Some Man encerra o álbum com uma sonoridade pop mais experimental e das mais interessantes.

Este álbum atingiu o maior posto de um LP/CD na carreira da banda nos EUA, o 5º lugar, conquistando o 8º posto no Reino Unido. Private Eyes é a prova cabal de como é possível fazer um trabalho ao mesmo tempo criativo, com assinatura própria e também capaz de vender milhões de discos. Eis a magia no trabalho de Hall & Oates, que sempre trabalharam duro e conseguiram realizar os seus objetivos.

Ficha técnica do álbum Private Eyes:

Lançado em 1º de setembro de 1981 pela RCA.

Produzido por Daryl Hall & John Oates, coprodução de Neil Kernon

Músicos participantes:

Daryl Hall (vocal, teclados, sintetizadores, guitarra, mandar, mandola, mandocella, timbales e cumpurythm; John Oates (vocal, guitarra, mandar, teclados); G.E. Smith (guitarra solo e solos de vandaloo); Jerry Marotta (bateria); John Siegler (baixo); Charlie De Chant (sax); Larry Fast (sintetizadores, programações eletrônicas); Mickey Curry (bateria nas faixas 1,2,4 e 6); Chuck Burgi (bateria na faixa 10); Jeff Southworth (solo de guitarra na faixa 9); Ray Gomez (solo de guitarra na faixa 3); Jimmy Maelen (percussão); John Jarrett (vocais de apoio na faixa 4).

Faixas:

1- Private Eyes (Sara Allen- Janna Allen- Daryl Hall- Warren Pash)

2- Looking For a Good Sign (Daryl Hall)

3- I Can’t Go For That (No Can Do) (Daryl Hall- John Oates- Sara Allen)

4- Mano a Mano (John Oates)

5- Did It In a Minute (Daryl Hall- Janna Allen- Sara Allen)

6- Head Above Water (Daryl Hall- John Oates- Sara Allen)

7- Tell Me What You Want (Daryl Hall- Sara Allen)

8- Friday Let Me Down (Daryl Hall- John Oates- Sara Allen)

9- Unguarded Minute (Daryl Hall- John Oates- Sara Allen)

10- Your Imagination (Daryl Hall)

11- Some Man (Daryl Hall)

Private Eyes- ouça em streaming o álbum completo:

Dominguinhos é homenageado com série de shows em Sampa

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Por Fabian Chacur

Entre os grandes discípulos do icônico Luiz Gonzaga, Dominguinhos (1941-2013) foi sem sombra de dúvidas o maior. Apadrinhado artisticamente pelo genial Lua, este cantor, compositor e sanfoneiro pernambucano nos deixou um belo legado artístico. Que será devidamente celebrado de 12 de maio a 16 de junho, na programação intitulada Toda Quinta, criada pelo Projeto Memória Brasileira. O elenco traz músicos de diversas gerações, e todos tocarão músicas do rico repertório desse saudoso mestre.

A abertura ficará a cargo de Mariana Aydar, cantora e compositora que teve forte ligação com Dominguinhos, incluindo a realização de um documentário sobre o artista. Anastácia, que foi esposa e parceira musical dele, terá a missão de encerrar a programação, interpretando iluminadas canções que compôs com o artista pernambucano, incluindo Eu Só Quero um Xodó e Tenho Sede. E a ótima cantora Liv Moraes é filha do homenageado.

Embora fortemente ligado às raízes da cultura brasileira, Dominguinhos sempre teve a mente aberta, e incorporou elementos de jazz e outros estilos musicais ao seu jeito de tocar, tornando-se dessa forma um músico respeitado internacionalmente, tanto na carreira individual como acompanhando artistas do calibre de Gal Costa e Gilberto Gil, só para citar dois deles. E era uma simpatia de pessoa, sempre alegrando a todos com suas histórias de uma trajetória vivida com muita intensidade e amor.

A programação de Toda Quinta(shows sempre às 20h):

Mariana Aydar – dia 12 de maio.
Liv Moraes e Cosme Vieira – dia 19 de maio.
Mestrinho e Lulinha Alencar – dia 26 de maio.
Tiganá Santana e Luisa Maita – dia 2 de junho
Elba Ramalho e Toninho Ferragutti – dia 9 de junho.
Anastácia – dia 16 de junho.

Sanfona Sentida (ao vivo)- Dominguinhos, Mariana Aydar e Duani:

Ruy Maurity, 72 anos, um craque da música popular brasileira

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Por Fabian Chacur

Em 1976, quando tinha apenas 15 anos, comprei um compacto simples de um certo Ruy Maurity, com Nem Ouro Nem Prata de um lado (ouça aqui) e Bebemorando do outro (ouça aqui). Era o começo da minha admiração por esse talentosíssimo cantor, compositor e músico fluminense que infelizmente nos deixou aos 72 anos de idade na madrugada desta sexta-feira (1º), após duas semanas na UTI e vítima de duas paradas cardíacas. Um artista do primeiro escalão da nossa música.

Irmão de outro monstro sagrado da nossa música, o cantor, compositor, músico e maestro Antonio Adolfo, Ruy Maurity nasceu na cidade fluminense de Paraíba do Sul em 12 de dezembro de 1949. Sua primeira aparição mais destacada no meio musical foi em 1970 ao vencer o Festival Universitário do Rio de Janeiro com a música Dia Cinco, escrita por ele com José Jorge, seu parceiro fiel na maior parte das canções que escreveu. Neste mesmo ano, saiu o seu primeiro LP, Este é Ruy Maurity, o início de uma belíssima trajetória.

Em 1971, estourou nacionalmente com Serafim e seus Filhos, belíssima canção com raízes rurais e uma espécie de precursora do chamado rock rural brasileiro. Tocou muito nas rádios, e posteriormente mereceu regravações de sucesso nas vozes de Sérgio Reis, Zezé di Camargo & Luciano e diversos outros intérpretes, especialmente na área sertaneja.

Várias canções de Ruy entraram em trilhas sonoras de novelas globais, entre elas Menina do Mato (ouça aqui), que marcou presença em O Casarão (1976) na interpretação de Márcio Lott (ouça aqui) e A Xepa, tema de abertura de Dona Xepa (1977- ouça aqui).

Em 1976, escreveu e gravou Marcas do Que Seu Foi (ouça aqui), que seria apenas a trilha de uma campanha publicitária de ano novo. No entanto, a música, belíssima, marcou tanto que foi lançada tanto com o autor como com o grupo The Fevers, e é frequentemente relembrada nesses períodos anos. Você conhece: “este ano, quero paz no meu coração…”.

Nos ótimos trabalhos que lançaria até o início da década de 1980, podemos destacar, entre outras possíveis, canções deliciosas como Bananeira Mangará (ouça aqui), Batismo dos Bichos (ouça aqui -versão de José Jorge para God Gave Name To All The Animals, canção de Bob Dylan lançada por ele em 1979 no LP Slow Train Coming) e A Natureza (ouça aqui).

O estilo musical de Ruy Maurity foi uma felicíssima mistura de vários elementos da cultura musical brasileira, e pode-se ver nele pioneirismo em pelo menos duas delas, o rock rural e, acredite, a axé music. Pois ouça Nem Ouro Nem Prata e perceba nela nítidos elementos percussivos e rítmicos que seriam explorados pelos músicos baianos dos anos 1980, tipo Luis Caldas e Jerônimo…

A partir da década de 1980, Maurity deu uma sumida de cena, com aparições bastante eventuais. Curiosamente, tive a honra de ser seu amigo na rede social Facebook, onde ele sempre se manifestava de forma simpática quando abordado pelos inúmeros fãs. Pensei seriamente em tentar entrevistá-lo, como recentemente fiz com seu irmão Antonio Adolfo, mas vacilei feio. Infelizmente, agora não rola mais. Mas ficam as lembranças deixadas por suas belas canções, sempre inspiradas. Ele se foi, mas nos deixou marcas positivas que estarão presentes em todos os nossos sonhos.

Serafim e Seus Filhos– Ruy Maurity:

The Waterboys divulgam single psicodélico Here We Go Again

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Por Fabian Chacur

Uma das bandas mais marcantes do rock alternativo dos anos 1980, The Waterboys andam em uma fase bem produtiva. Após lançar o elogiado álbum Good Luck Seeker (2020), o time liderado pelo cantor, compositor e músico britânico Mike Scott anuncia para o dia 6 de maio um novo álbum, All Souls Hills, que sairá pelo selo Cooking Vinyl. Para atiçar o ouvido dos fãs, acaba de sair o delicioso e hipnótico single Here We Go Again, divulgado por um clipe psicodélico no qual Scott lembra vagamente o saudoso Paul Kantner, do Jefferson Airplane.

Em texto enviado à imprensa, Mike Scott fala sobre seu novo single: “É a ideia de que estamos vivendo um Dia da Marmota comunal. Estamos todos olhando para as manchetes, mas ninguém parece aprender as lições. Como cultura, continuamos cometendo os mesmos erros. É um olhar irônico sobre os humanos não serem tão inteligentes. E, ainda assim, eu me divirto sendo um.”

Com uma sonoridade que mistura rock, folk, country e psicodelia com muita habilidade, e ecos dos trabalhos de John Lennon, Bob Dylan e outros desse mesmo gabarito, The Waterboys marcaram o rock oitentista com álbuns do naipe de This Is The Sea (1985) e Fisherman’s Blues (1988). Entre suas músicas mais icônicas, vale lembrar de The Whole Of The Moon (ouça aqui), Medicine Bow (ouça aqui) e Fisherman’s Blues (ouça aqui)

Here We Go Again(clipe)- The Waterboys:

Julio Reny, um segredo gaúcho que você pode descobrir agora

julio reni capa CD 400x

Por Fabian Chacur

Julio Reny. Sabe de quem se trata? Não se sinta o último dos mortais se a resposta for não. Embora esteja na estrada há mais de 40 anos, este cantor, compositor e músico gaúcho nunca teve seu trabalho muito divulgado fora das fronteiras do seu estado natal, sempre em lançamentos independentes ou por selos de pequeno porte. O curioso é que suas canções tem aquele evidente potencial de agradar às massas, o que fica evidente em seu novo lançamento, A Estrada Corre Para Sempre, disponível nas plataformas digitais e em caprichada edição em CD pelo selo independente Produto Oficial (compre por aqui).

Vários fatores podem explicar o porque o trabalho de Reny é uma espécie de segredo bem guardado do pop-rock gaudério. Falta de habilidade para lidar com gravadoras e empresários, falta de sorte em momentos decisivos, especialmente na década de 1980, quando vários colegas e amigos conseguiram projeção nacional (Engenheiros do Hawaii, Replicantes, Defalla, Garotos da Rua) e instabilidade pessoal são alguns deles. Mas a qualidade de seu trabalho merecia um reconhecimento muito, mas muito maior.

Para quem quiser conhecer a quase inacreditável história desse artista, recomendo com entusiasmo Histórias de Amor & Morte, espetacular bio escrito pelo jornalista Cristiano Bastos, o mesmo autor (ao lado de Pedro Brandt) de Júpiter Maça A Efervescente Vida e Obra (leia a resenha aqui) que relata essa trajetória de forma crua e sem meias-palavras. Foi o merecido vencedor do prestigiado Prêmio Açorianos de Literatura de 2015 (compre esse livro com o próprio autor pelo whatsapp (51)982986277 ).

A Estrada Corre Para Sempre é uma coletânea que traz 14 faixas lançadas originalmente por Julio Reny entre 2006 e 2010. Temos quatro de Diários da Chuva (2006), seis de A Primavera do Gato Amarelo (2008) e outras quatro de Bola 8 (2010), os mais recentes trabalhos solo de inéditas do artista gaúcho. Como esses CDs passaram batido no resto do país, é como se essas canções estivessem tendo uma segunda chance para serem devidamente apreciadas. E tomara que consigam, pois são ótimas.

Uma definição possível para o trabalho de Reny como compositor seria “jovem guarda com pimenta”. A influência do Roberto Carlos da fase 1964-1972 é bem grande, mas digerida com um viés mais rocker, sem no entanto perder aquele tempero bom de se ouvir das canções pop radiofônicas. Da área popular, Odair José e Paulo Sérgio são outras possíveis referências. O romantismo rasgado e intenso de Serge Gainsbourg é outro elemento possível nessa mistura.

O resultado são canções muito boas de se ouvir, que teriam tomado de assalto as programações das rádios populares da década de 1970, por exemplo, se já existissem naquela época. Essas ótimas composições são conduzidas por um cantor simplesmente ótimo, que sabe como poucos interpretar esse repertório tão apaixonado sem cair em exageros ou em um clima de caricatura. O cara esbanja inspiração, paixão e estilo, em melodias deliciosas.

Escritas em sua maioria no fim de sua fase quarentona, as 14 músicas desta compilação denotam um autor maduro, craque no seu ofício e inspiradíssimo. Chove no Sul, por exemplo, é um folk-rock envolvente com um quê de Everybody’s Talkin’, hit na voz do cantor Nilsson. Rainha das Ruas cativa com sua mistura de reggae e pop que evoca momentos bacanas do Culture Club de Boy George.

Humberto Gessinger, que Reny conheceu nos tempos em que o líder dos Engenheiros do Hawaii era um ilustre desconhecido que ensaiava na garagem da sua casa, toca viola caipira na deliciosa Noite em São Sepé e se incumbe de gaita e de vocais no refrão da emocionante balada Tenha Fé. Vale lembrar que Reny participou da faixa Guardas da Fronteira, do álbum A Revolta dos Dândis (1987), um dos clássicos do grupo de Gessinger.

Linda Menina e O Dólar e a Rosa (esta em dueto com Alexandra Scotti) são sacudidos rocks básicos stonianos. Invisível e É Impossível são jovem guarda pura, com esta última (cuja letra é inspirada na separação de Julio de uma de suas ex-mulheres) com uma guitarra 12 cordas que parece extraída de um disco dos Beatles ou de Renato e Seus Blue Caps. Ficou o Filme é uma balada folk daquelas de cortar os pulsos. E por aí vai. E vai bem!

Embora enfoque um período bem específico de uma obra extensa, A Estrada Corre Para Sempre serve como um bom cartão de apresentações de um artista que tinha tudo para ser muito popular, mas cujos atalhos obscuros da vida o tornaram aquilo que se convencionou chamar de “cult”. Ainda dá tempo de se reverter tal processo. Quem sabe a trilha de um filme, de novela ou algo assim? Mas você pode descobrir Julio Reny agora mesmo. Faça isso!

Chove no Sul– Julio Reny:

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