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Doutor Jupter volta com o CD gravado ao vivo diferenciado

foto de MARIANA LIMA_ Doutor Jupter _ Oficial_ Folk Background_ 2015-400x

Por Fabian Chacur

Em 2011, o grupo Doutor Jupter lançou o seu primeiro álbum de estúdio. O CD, autointitulado (leia mais sobre ele aqui) conseguiu boa repercussão, e agora é sucedido por Na Varanda, lançado com o apoio do ProacSP (programa de incentivo cultural do Estado de São Paulo), gravado ao vivo e fora dos parâmetros habituais para esse tipo de trabalho.

Para começo de conversa, Na Varada traz apenas faixas inéditas. Como o nome já entrega, o CD foi gravado ao vivo em uma varada situada próxima ao local onde os integrantes da banda moram, na cidade de Mairiporã (SP), que fica próxima a São Paulo, embora com um ambiente rural muito distante dessa loucura de asfalto e cimento da capital.

Ricardo Massonetto (vocal, violão, banjo, bandolim, gaita e kazzo), coautor de todas as músicas em parceria com sua esposa, Mariana, explica a opção inusitada: “desde o início tínhamos decidido que este seria um disco acústico. Aí, apresentávamos as novas músicas para nossos amigos e fãs na varanda da nossa casa, e vimos que gravar desse jeito seria uma forma de mostrar a verdade do nosso som”.

Por razões técnicas, eles optaram por realizar a gravação na varanda de uma casa próxima à deles, em Mairiporã mesmo. Foram dois dias de gravações, perante uma plateia entre 25 a 30 pessoas por dia composta por amigos, parentes e fãs. “O legal é que usamos uns 50% do material de cada dia e sem emendas, cortes, nada, o que saiu é aquilo, nem afinador de estúdio usamos”, garante Massonetto.

Oriunda de Ribeirão Preto (SP) e radicada em Mairiporã há dez anos, a banda conta com Ricardo, o irmão Dudu Massonetto (baixo e vocais), Rodrigo Meszaros (banjo, violão, slide, trompete e vocais) e Mateus Briccio (bateria). O novo CD contou com as participações especiais dos também ribeirão-pretanos de Andrei Furlan (vocais), João Naccarato (violino e bandolim) e Ulysses Neto (acordeon).

Ricardo se assume como uma espécie de “bicho do mato”, assim como sua banda, pois costumam se manter em seu reduto campestre, saindo pouco de lá. A sonoridade de folk-country-MPB-rock vem dessa tendência rural, com as letras refletindo essa experiência. “A faixa Saco de Dormir, por exemplo, fala sobre esse nosso jeito de ser, bem autorretrato mesmo”.

Outro momento importante do CD é O Melhor do Mundo, na qual eles falam sobre sua visão de vida. “Vivíamos um momento muito feliz quando compusemos essa música, tivemos a notícia de que o CD tinha sido aprovado para a lei de incentivo cultural. Ela fala de encontrar a felicidade nas coisas boas do cotidiano”.

As músicas do álbum contam com vídeos feitos especialmente para divulga-las, sem projeto de lançamento em um DVD. O grupo fará seis shows fechados na região de Mairiporã, incluindo cidades como Franco da Rocha, Caieiras e Francisco Morato, cuja carência de eventos culturais é muito grande. A ideia é divulgar o CD com calma durante 2016. “Nunca tivemos facilitadores ou caminhos já capinados, tivemos de construir um alicerce por conta própria, mas está valendo a pena”.

Ouça o CD Na Varanda do Doutor Jupter na íntegra em streaming:

O Melhor do Mundo (clipe)- Doutor Jupter:

Caberá (clipe)- Doutor Jupter:

Rod Stewart lança novo CD e mostra boas canções inéditas

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Por Fabian Chacur

Com o sucesso de seu projeto de covers de standards do jazz iniciado em 2002 com o CD It Had To Be You-The Great American Songbook, Rod Stewart ficou durante anos mergulhando em releituras, nesse universo e também no da soul music, do rock clássico e até das canções natalinas. Em 2013, voltou ao mundo das inéditas com Time (2013), com boa repercussão. E aqui está ele com outro pacote de novas canções autorais, o ótimo Another Country, lançado no Brasil via Universal Music.

Novamente, Rod The Mod contou com a coprodução do tecladista Kevin Savigar, que trabalha com ele (entre idas e vindas) desde 1978 em gravação de discos e shows. Das 12 músicas, só duas não levam a sua assinatura, sendo as outras habitualmente parcerias deles com o parceiro ou com outros músicos do time. O resultado é um trabalho que pode ser rotulado como “Rod Stewart per se”.

Simples. Ao ver a ótima repercussão que grupos como Mumford And Sons e The Lumineers (entre outros) estão obtendo com uma sonoridade com alguma influência do trabalho que o próprio Rod fazia na fase inicial de sua carreira solo, nos anos 1970, ele provavelmente viu que nada seria mais natural do que ele própria retomar esse tipo de canção folk-pop-rock. Bingo!

Another Country é um trabalho que não flerta com tendências atuais, algo que o autor de Maggie May fez diversas vezes em sua carreira, mas que desta vez preferiu deixar de lado. Aqui, o alicerce da coisa toda é uma profissão de fé no folk, no rock básico e nas baladas que fizeram sua fama, tipo a própria Maggie May, Sailing, The First Cut Is The Deepest e por aí vai. E vai muito bem, por sinal.

O lado folk mais saltitante se apresenta firme em Love Is, We Can Win (de inspiração futebolística), a faixa-título e Hold The Line. O blues rock dá o tom às ótimas Please e The Drinking Song, enquanto Can We Stay Home Tonight? faz as vezes de balada com predominância do piano ao fundo, clima desenvolvido em outros termos em A Friend For Life.

Pai recente, Rod homenageou o seu garotinho com a doce Batman Superman Spiderman, uma graça. O grande momento fica por conta do contagiante pop-rock Walking In The Sunshine, que seria um grande hit se as rádios tocassem músicas novas de medalhões. E Love And Be Loved é uma deliciosa incursão do cantor britânico pelo reggae.

O grande mérito de Another Country é ser um álbum nitidamente despretensioso, no qual as músicas fluem de forma simples e descomplicada, uma após a outra. Lógico que não supera clássicos como Every Picture Tells a Story, mas é ótimo de se ouvir, e mostra esse veterano que completou 70 anos em janeiro ainda dando muito caldo.

Love Is– Rod Stewart (clipe):

Way Back Home– Rod Stewart (clipe):

Ouça trechos de todas as faixas de Another Country:

Tuia Lencioni lança clipe e faz uma prévia do novo trabalho

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Por Fabian Chacur

Tuia Lencioni, um dos nomes mais interessantes do atual cenário do folk brasileiro (ou rock rural, se preferirem assim), tem boas novidades. Ele acaba de lançar um novo clipe, que divulga o primeiro single do que será o seu novo álbum, previsto para chegar ao mercado em 2016 e intitulado Reverso Folk. A faixa inédita é A Cor do Dia.

A canção tem uma levada envolvente, com predominância do violão e arranjo pop, com letra romântica até a medula. O clipe é delicioso e despretensioso, mostrando o músico em um lugar rural desses paradisíacos em vários momentos, do dia ao pôr do sol, da noite à madrugada, sempre muito bem acompanhado. A música já toca em algumas rádios, entre elas a Nova Brasil.

Com mais de 20 anos de carreira, o cantor e compositor que está usando o nome artístico Tuia integrou a banda Dotô Jeka, com a qual lançou um álbum em 1996. Seu mais recente trabalho solo é o excelente Jardim Invisível (2013, leia entrevista de Mondo Pop sobre ele aqui). Ele está sempre na estrada, tocando sozinho ou com parceiros bacanas, como Guarabira e Lancaster, só para citar dois deles.

Veja o clipe de A Cor do Dia– Tuia:

Neil Young chega aos 70 anos muito relevante e necessário

Neil Young performing on stage at the Rainbow Theatre in London in 1973

Por Fabian Chacur

Neil Young comemora 70 anos de idade nesta quinta-feira (12). O roqueiro canadense não poderia chegar melhor em termos artísticos à sua sétima década de vida. Atuante, na ativa, produtivo, esse astro que frequenta o cenário rock and roller desde os anos 1960 merece ser reverenciado como um daqueles caras que realmente fizeram a diferença nesse seminal gênero musical.

O autor de clássicos como Heart Of Gold, Rockin’ In The Free World e Harvest Moon integrou duas bandas clássicas, a Buffalo Springfield e a Crosby, Stills, Nash & Young, com as quais fez trabalhos bem bacanas. Mas o lance dele sempre foi mesmo a carreira solo, mesmo que acompanhado em várias ocasiões pela banda Crazy Horse. Um errante. Ou, como ele mesmo se autodenominou, The Loner (o solitário).

O espectro musical desse cantor, compositor e músico é dos mais amplos, abrangendo hard rock, heavy metal, country rock, folk rock, country, folk, soul music e até jazz, sem deixarmos de lado seus momentos mais experimentalistas, nos quais concebe coquetéis sonoros digeridos por poucos. Mas não é um “maldito”.

Muito pelo contrário. Em quase 50 anos de carreira, Mr. Young várias vezes encarou os primeiros lugares das paradas de sucesso. Principalmente quando seu lado mais suave aflorou, em maravilhas como Harvest (1972), Comes a Time (1978) e Harvest Moon (1992).

As guitarras ardidas, com direito em alguns momentos a solos tortuosos e imprevisíveis, deram a carta em discos como Everybody Knows This Is Nowhere (1970), Tonight’s The Night (1975) e Ragged Glory (1990), por exemplo. E tem também alguns discos-síntese, nos quais vários de seus lados surgem em um único trabalho, cujo principal exemplo é o incrível Freedom (1989).

Young nunca teve medo de se arriscar, largando fases de muito sucesso comercial por trabalhos totalmente fora dos padrões com os quais perdeu popularidade. Mas sua busca pela satisfação artística sempre prevaleceu. Isso gerou vários discos bons, outros nem tanto e alguns ruins. E ele nunca pecou pela omissão, pois sua discografia é enorme.

Nunca teve medo de lutar a favor das causas em que acredita, gravando trabalhos polêmicos como Living With War (2006), no qual teve o peito de encarar o reacionário e intimidador governo de George W. Bush, ou o atual The Monsanto Years (2015), denunciando uma grande corporação. Esteja errado ou certo, sempre mete as caras.

Mergulhar na extensa obra de Neil Young é ter a chance de se deliciar com música de alta qualidade. Com sua voz ora ardida, ora mais suave, mas sempre fora dos parâmetros habituais da chamada “música comercial”, esse cara conquistou fãs nos quatro cantos do mundo. Só tocou no Brasil uma vez, em 2001 no Rock in Rio, e deixou saudade. Parabéns, fera! Ouçam agora alguns de seus hits encantadores/energizantes.

Cinnamon Girl – Neil Young (1969-CD Everybody Knows This Is Nowhere):

Old Man– Neil Young (1972- CD Harvest):

Walk On– Neil Young (1974- CD On The Beach):

Welfare Mothers – Neil Young (1979- CD Rust Never Sleeps):

Lotta Love– Neil Young (1978- CD Comes a Time):

Rockin’ In The Free World (acoustic)- Neil Young (1989- CD Freedom):

Someday– Neil Young (1989- CD Freedom):

Sylvia Patricia esbanja classe em belo DVD comemorativo

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Por Fabian Chacur

Sylvia Patricia surgiu no cenário musical brasileiro em 1989 graças ao lançamento de seu álbum de estreia, que chegou com o aval de nomes do porte de Cazuza e Caetano Veloso (que depois até gravaria com ela em 1992, no CD Curvas & Retas). Vinte e cinco anos depois, a cantora, compositora e musicista baiana se aprimorou ainda mais, como prova o excelente DVD/CD Sylvia, comemorativo dessa trajetória e lançado por seu selo Speciarias Musicais em parceria com o Canal Brasil. Especiaria musical de fato.

O som de Sylvia Patricia é um hibrido com tempero próprio contendo rock, pop, MPB, música latina e folk, só para citar algumas influências contidas na mistura. A cereja no bolo é sua voz, suave, envolvente e sempre bem colocada. Sua “baianidade” é muito sutil, sendo ela muito mais uma cidadã do mundo em termos musicais do que qualquer outra coisa. De quebra, sabe se acompanhar de bons músicos.

Nesses anos todos, gravou pouco (seis álbuns, sendo um ao vivo), mas sempre bem. No currículo, também temos um DVD, Sessão Extra, lançado em 2009 em parceria com o pianista Fernando Marinho e no qual sai do seu repertório habitual. Ou seja, este Sylvia é de direito seu primeiro DVD solo, e é repleto de pontos positivos.

Logo de cara, o repertório dá uma geral em sua trajetória com 13 faixas, sendo uma delas a inédita (e ótima) Quisera. A seleção traz desde clássicos do primeiro álbum como Marca de Amor Não Sai e Cenas de Violência e Tensão como canções um pouco mais recentes, do naipe de Lady Pank e Amor É…(Amor é Foda).

O time que a acompanha é de primeira linha, formado por Cesinha (bateria, bandolim e bateria eletrônica), Marcus Nabuco (guitarra, guitarra semiacústica, violões de aço, nylon e 12 cordas e sax), Fernando Nunes (baixo, programações, vocais e direção musical) e André Valle (guitarra, violão de aço e nylon), além da própria Sylvia nos violões de aço e nylon, ukulelê e guitarra. Um time entrosado e com fome de bola.

Temos algumas participações bacanas. A percussionista e cantora Lan Lan, que tocou com Cassia Eller, está em Cenas de Violência e Tensão (voz e pandeiro) e De Vuelta (bongô). Marcio Lomiranda (piano Rhodes e clarinete) e Paulo Rafael (violão aço) estão em Quero Outra Vez, Beto Saroldi briha no sax soprano solo em Outro Inverno, e Zelia Duncan se encaixa feito luva no vocal em dueto na faixa Meus Olhos.

A gravação do trabalho foi feita ao vivo em um estúdio carioca em clima descontraído no qual Sylvia mostra que sua voz se mantém cativante, assim como seu swing e suavidade. Entre as músicas, temos em vídeo breves comentários dela sobre a carreira, com algumas cenas de sua carreira enxertadas aqui e ali. Só faltou ao DVD um making of mais elaborado. De resto, um trabalho digno dessa comemoração.

Amor é… (videoclipe)- Sylvia Patricia:

Sua Mãe, Uma TV e um Gato (ao vivo)- Sylvia Patricia:

Quero Outra Vez (clipe)- Sylvia Patricia:

Cenas de Violência e Tensão (clipe original)- Sylvia Patricia:

Crendice– Sylvia Patricia e Fernando Marinho (DVD Sessão Extra):

Nando Reis lançará em breve álbum ao vivo de voz e violão

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Por Fabian Chacur

Nando Reis lançará em breve um novo álbum. Nando Reis- Voz e Violão- No Recreio Volume 1 chegará ao mercado nos formatos CD e digital pela gravadora Deck em parceria com o selo do artista, o Relicário, e também deverá ser lançado em vinil pela Polydisc no início de 2016. O trabalho será o sucessor de Sei, lançado há três anos com gravações de estúdio.

O repertório de No Recreio conta com 14 faixas, com direito a hits e lados B, todas com a assinatura do ex-baixista e cantor dos Titãs. Entre outras, temos Diariamente, Relicário e All Star. A gravação ocorreu no último mês de abril no Citibank Hall (SP), e traz Nando no melhor estilo voz e violão, sem ser acompanhado pela sua banda Os Infernais.

O novo trabalho de Nando Reis foi produzido por ele próprio, com produção executiva a cargo de Fernando Furtado e Diogo Damascena. A mixagem ficou nas mãos do experiente produtor americano Jack Endino (Nirvana, Titãs), sendo a masterização realizada pelo também americano Chris Hanzsek. São releituras mais cruas e diretas.

O Segundo Sol (voz e violão)- Nando Reis:

All Star (voz e violão)- Nando Reis:

Relicário (voz e violão)- Nando Reis:

Adele quebra recordes com o seu novo single, a bela Hello

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Por Fabian Chacur

A espera foi de mais de três anos, mas parece ter valido a pena. A cantora e compositora britânica Adele, grande sensação desta década com seus CDs 19 e 21, lançou o primeiro single de seu álbum de retorno, intitulado 25 e previsto para chegar às lojas no próximo dia 20. Hello, a nova canção e uma bela balada, quebrou um recorde nos EUA.

Em apenas uma semana de lançamento, Hello atingiu a incrível marca de 1.11 milhão de cópias digitais comercializadas na terra de Barack Obama. Foi a primeira vez que um single ultrapassou um milhão de cópias vendidas logo em sua semana inicial, dados da Billboard americana. A melhor marca anterior havia sido do rapper Flo Rida, que com Right Round chegou a 636 mil cópias em 2009. O clipe teve mais de 200 milhões de views no Youtube.

Em entrevista concedida à edição americana da revista Rolling Stone, a cantora justificou a demora no lançamento do novo CD pelo fato de, há um ano e meio, o produtor do álbum, o consagrado Rick Rubin (Red Hot Chili Peppers, Johnny Cash etc), ter ouvido o produto finalizado na época e ter achado que ainda havia muito a ser feito ali.

A intérprete dos hits Rolling In The Deep, Someone Like You e Set Fire To The Rain também revelou a decepção que teve ao trabalhar com o cantor, compositor e músico britânico Damon Albarn, líder da banda Blur, que ela encarava como um de seus ídolos. Após semanas de labuta, a cantora diz que não conseguiram finalizar uma única música, e que ela se lembrou da frase “nunca tente conhecer seus ídolos”.

Outra razão pela qual Adele deu uma sumida de cena se refere ao nascimento de seu primeiro filho, Angelo, hoje com três anos de idade e fruto do seu relacionamento com Simon Konecki, de 41 anos de idade e profissional do mercado financeiro. Outro fato que agitou os fãs foi a acusação de que Hello seria plágio de uma música de Tom Waits, mas isso é papo para outro dia…

Hello (clipe)- Adele: 221.634.635

Monique Kessous grava dueto com o cantor Ney Matogrosso

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Por Fabian Chacur

Em fase de preparação de seu terceiro CD, cujo título poderá ser Dentro de Mim Cabe o Mundo e sairá em breve, a cantora e compositora carioca Monique Kessous dá uma mostra de seu novo repertório. E não é uma mostra qualquer. A canção Meu Papo é Reto é um dueto com ninguém menos do que Ney Matogrosso, em parceria que se mostrou bem produtiva.

Meu Papo é Reto é uma parceria de Monique com Chico Cesar, e sua letra relata a paquera entre dois homens. “Acho interessante poder brincar com os personagens nas músicas. E ser intérprete traz uma liberdade muito grande. Estou num momento de querer ousar mais no meu trabalho, e mais do que tudo, quero falar sobre o meu tempo, sobre as possibilidades de relações entre pessoas e sobre o medo de amar que se reverte em envolvimento efêmeros, sem vínculos”.

A canção teve arranjo inicial feito pela cantora e seu irmão, o guitarrista Denny Kessous. O consagrado Berna Ceppas é o produtor do seu terceiro álbum, sucessor dos elogiados Com Essa Cor (2010) e Monique Kessous (2010). Ela já teve músicas em trilhas de novelas globais como Cordel Encantado (Coração, em 2011), Sangue Bom (Calma Aí, em 2013) e Geração Brasil (Volte Pra Mim, de 2014).

Meu Papo é Reto– Monique Kessous e Ney Matogrosso:

Antonio Adolfo une produção a enorme qualidade artística

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Por Fabian Chacur

Antonio Adolfo é um dos grandes nomes da história da música brasileira. Tecladista, arranjador, produtor, compositor, o cara mostra categoria em todas essas searas. Está na ativa há mais de 50 anos, e mantém o frescor dos tempos de iniciante, aliando a esse vigor as vantagens desses anos todos de experiência musical. E continua extremamente produtivo aos 68 anos de idade.

A prova fica por conta do número constante de lançamentos no formato CD que ele vem nos proporcionando nos últimos anos. Em 2013, lançou o incrível Finas Misturas (leia a resenha de Mondo Pop aqui). Em 2014, foi a vez do álbum de piano solo O Piano de Antonio Adolfo (saiba mais sobre esse álbum aqui), outra maravilha sonora.

As mais recentes criações do mestre mantém o mesmo pique e qualidade. Rio, Choro, Jazz…, cujo subtítulo é A Tribute To Legendary Brazilian Pianist & Composer Ernesto Nazareth é uma bela homenagem a um dos pioneiros do chorinho, que para muitos é considerado uma espécie de jazz brasileiro. Adolfo vai fundo nessa fusão, e nos proporciona belas releituras de composições de Nazareth, em resultado muito bacana.

São 9 obras do mitológico Ernesto Nazareth, entre elas Brejeiro, Odeon (provavelmente a mais conhecida de todas), Feitiço, Coração Que Sente e Não Caio Noutra, além de uma faixa, a que dá nome ao CD, de autoria de Antonio Adolfo. Acompanhado por um quinteto afiadíssimo, ele renova essas músicas, sem no entanto deixar de lado a essência de cada uma delas. Uma homenagem e tanto.

O mais recente trabalho do músico nascido no Rio de Janeiro em 10 de fevereiro de 1947 intitula-se Tema, e inclui novas versões para composições lançadas originalmente por ele em diversos momentos de sua carreira, parcerias com Tibério Gaspar, Claudio Spiewak, Xico Chaves e também algumas individuais. Ele procurou incorporar novos elementos a cada uma das dez faixas, fazendo-se valer de seu bom gosto e da experiência conquistadas nesses anos todos.

O bacana é que, embora seja o álbum de um pianista, Antonio Adolfo oferece generosos espaços para que seus seis colegas de banda também brilhem. Aliás, a verdade é que os sete músicos envolvidos em Tema atuam juntos em prol da qualidade e concisão musical, sem se jogar em exibicionismos tolos que alguns músicos menos maduros costumam fazer. Aqui, a música é quem dá as cartas, dando ao ouvinte grandes momentos para curtir e viajar.

A sonoridade é ampla, com direito a ritmos nordestinos, bossa nova, samba, funk, jazz e o que mais vier. Alegria For All, São Paulo Express, Trem da Serra e Variations On a Tema Triste são destaques de um trabalho delicioso, que transcende os limites do rótulo “música instrumental” rumo a uma musicalidade intensa que fala mais do que mil palavras. Como diriam os gringos, Antonio Adolfo está no auge do seu jogo (“on the top of their game”). Que venham os próximos CDs, shows etc.

Teletema– Antonio Adolfo:

Feito em Casa- Antonio Adolfo (CD na íntegra em streaming):

Odeon– Antonio Adolfo:

Sá Marina (ao vivo)- Antonio Adolfo:

Documentário mostra rumos tortos do genial Kurt Cobain

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Por Fabian Chacur

Triste alguém com tanto talento, dinheiro e milhões de fãs como Kurt Cobain poder acabar de forma tão triste, aos 27 anos, tirando a própria vida. Pior: pai de uma linda menininha que estava com menos do que dois anos quando a tragédia ocorreu. Como entender uma coisa dessas? O documentário Cobain: Montage Of Heck, de Brett Morgen, tenta nos dar algumas pistas.

O filme se vale de vasto material cedido pela família do artista, incluindo os pais, irmã e a viúva, a roqueira Courtney Love. Temos também algumas animações muito bacanas representando bem momentos da vida do líder do Nirvana em várias fases de sua vida, trechos de entrevistas, shows, clipes, ensaios e também alguns depoimentos de músicos e produtores que atuaram com ele.

Ver aquele moleque loirinho com algo em torno de dois anos dizendo “sou Kurt Cobain” chega a ser desconcertante, pois fica difícil imaginar que aquele lá é o mesmo sujeito que no futuro iria nos proporcionar Smells Like Teen Spirit, In Bloom, Serve The Servant e All Apologies, só para citar alguns clássicos nirvânicos mais óbvios. Sim, seria ele mesmo.

É sempre fácil achar culpados nesse tipo de situação, e Montage Of Heck nos proporciona vários. Pelas entrevistas de Don e Jenny Cobain, fica claro que os dois não tiveram garra suficiente para encarar o filho problemático, e foram jogando a bomba no colo um do outro, até que o problema, digo, Kurt, cresceu totalmente perturbado.

O moleque dava a entender que desejava uma família que lhe desse apoio, mas também não se mostrava alguém muito fácil. Nessas, passou de família para família, pois os pais se separaram. A madrasta o expulsou de casa, e pela forma que ela conta a história, com o marido calado ao lado, dá para notar um certo arrependimento do cidadão.

A mãe também queria ter sua própria vida. Assim, Cobain caiu no mundo. Temos o depoimento de uma namorada com a qual ele morou, do provavelmente melhor e mais fiel amigo e baixista do Nirvana Krist Novoselic, da irmã Kim Cobain e outros. Curiosamente, nenhuma declaração de Dave Grohl, hoje megastar por conta própria e na época baterista do Nirvana. Seria legal ter ouvido a opinião dele.

Quando Courtney Love entra em cena, o que já era uma bagunça virou a festa de todas as frutas possíveis. Baderna total. Os dois viciados em drogas que, de quebra, resolveram ter uma filha, Frances, que nasceu em 18 de agosto de 1992. As declarações atuais de Love são bem francas, mas o que realmente assusta são os filmes caseiros feitos na época.

Neles, o relacionamento de Courtney e Kurt beira a maluquice completa, com direito a papos desconectados da realidade, inseguranças postas em cena o tempo todo e, a partir da entrada em cena da filha, o medo de ver a pobre da criança pagando o pato pela maluquice dos pais. São cenas dignas de um filme do tipo O Iluminado. Só que reais…

No entanto, nada disso viria a tona se Kurt Cobain não fosse um cantor, compositor e músico genial. Com os álbuns Bleach (1989), Nevermind (1991) e In Utero (1993), proporcionou aos fãs uma mistura incrível de punk rock, rock clássico e pop repleto de energia, criatividade e letras fortes. O casal Love-Cobain foi comparado como uma mistura de John Lennon-Yoko Ono e Syd Vicious-Nancy Spungen. E era por aí.

Kurt Cobain queria que o Nirvana fosse reconhecido mundialmente, mas não estava preparado para tanto sucesso. Quando essa repercussão toda se tornou realidade, ele não segurou a onda. Como trechos de entrevistas e de shows, incluindo o feito pelo Nirvana no Hollywood Rock em janeiro de 1993 no Rio de Janeiro, deixam bem claro. Ele precisava de proteção, especialmente de si mesmo. Seria possível?

Cobain: Montage Of Heck, com seus 132 minutos de duração, ao lado do recém-lançado Amy (leia a resenha aqui ), sobre a vida de Amy Winehouse (outra morta aos 27 anos), são dois bons retratos de artistas geniais que não conseguiram encarar a barra que é ser famoso e badalado. É o que diz aquela frase: “cuidado com o que você deseja”…

Cobain: Montage Of Heck (documentário-preview):

Kurt Cobain Montage Of Heck:

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