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Kiko Zambianchi faz shows virtuais e anuncia lançamento de selo

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Por Fabian Chacur

Kiko Zambianchi, um dos artistas mais talentosos da geração do pop-rock brasileiro dos anos 1980, fará seis apresentações gratuitas de seu mais recente show, intitulado Bem Bacana Demais, na plataforma virtual Sympla. As performances serão exibidas de 16 a 18 e de 23 a 25 deste mês, sempre de sexta a domingo e com início às 21h. Ele também acaba de anunciar a criação de um selo e editora musical, que lançará em breve trabalhos da banda de rock O Surto e do rapper Nego Jam.

Além de Kiko no vocal e guitarra, teremos uma banda de apoio composta por Marcello Schievano (guitarra), Glecio Nascimento (baixo), Eduardo Escalier (bateria) e Henrique Cepulveda (teclados). O repertório trará hits de sua carreira como Rolam as Pedras, Primeiros Erros e Eu Te Amo Você e composições mais recentes, entre as quais a que dá título ao show e também Luas e Luas, Livres Pelo Amor e Mina de Respostas.

Oriundo de Ribeirão Preto (SP), Kiko lançou nos anos 1980 quatro ótimos álbuns pela gravadora EMI-Odeon: Choque (1985), Quadro Vivo (1986), Kiko Zambianchi (1987) e Era das Flores (1989), nos quais mostrava uma inteligente fusão de rock melódico, r&b a la Prince e pós-punk com tempero de The Cure e outras bandas dessa praia. Fez sucesso, mas menos do que merecia.

Nas décadas seguintes, esteve mais distante dos holofotes da mídia. Nos anos 1990, lançou apenas um álbum, o extremamente interessante KZ (1997-Continental-Warner), no qual mergulhou em sonoridades eletrônicas com muita competência. Outro CD só apareceria em 2002, Disco Novo (pela Abril Music), no qual retornava ao pop-rock e cuja divulgação foi prejudicada pelo fim abrupto da gravadora. Ele lançou em 2013 o álbum Ao Vivo Acústico e músicas para a trilha do filme Charlotte SP (2016)

Bem Bacana Demais (ao vivo)- Kiko Zambianchi:

Kika Seixas fala sobre sua vida ao lado do saudoso Maluco Beleza

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Por Fabian Chacur

Entre as três esposas e várias companheiras que Raul Seixas teve em seus 44 agitados anos de vida, Kika Seixas certamente ocupa o posto mais alto. Não só pelos cinco anos em que se manteve junto com ele, mas também pelo fato de, após a morte dele em 1989, ter sido decisiva no intuito de gerir a obra do Maluco Beleza. Como forma de registrar essa experiência ao lado de um dos grandes nomes da história do nosso rock, ela, em parceria com um grande amigo de Raul, o engenheiro e escritor Toninho Buda, acaba de lançar Coisas do Coração- Minha História Com Raul Seixas, disponibilizado pela editora UBOOK nos formatos livro impresso, ebook e áudio book, este último contando com narração da própria Kika e da filha, Vivian, e também dos atores Sônia Dias e Nelito Reis.

Kika conheceu o autor de Ouro de Tolo em 1979, quando trabalhava na gravadora Warner-WEA. De uma simples carona que ela proporcionou ao roqueiro, sairia um relacionamento intenso, com altos e baixos e que resultou também em uma filha, Vivian, nascida em 28 de maio de 1981. Não só afetivo, mas também profissional, pois ela assinou 15 canções bem legais em parceria com Raul, entre as quais Só Pra Variar, Nuit e Coisas do Coração.

Com um texto delicioso e fluente, o livro narra momentos íntimos entre os dois e os bastidores de produção e gravação dos discos Abre-te Sésamo (1980), Raul Seixas (1983), Raul Seixas Ao Vivo Único e Exclusivo (1984) e Metrô Linha 743 (1984). O legal é a forma como Kika e Buda nos oferecem as informações, que ganham muita credibilidade exatamente por esse método.

Além da reprodução de inúmeras matérias publicadas naquele período por diversos jornais e revistas, Kika vai além de se valer apenas de suas memórias. Como era uma espécie de arquivista compulsivo em relação à tudo que se relacionava a si próprio, Raul guardava todas as cartas que recebia e enviava. Dessa forma, em vários momentos os fatos apresentados são mostrados com esses registros, no calor da hora e repletos de emoção.

A paixão entre eles, os problemas do roqueiro com drogas, incluindo um bizarro vício de cheirar litros e litros de éter, sua insegurança em termos profissionais e pessoais, a forma como negligenciava sua saúde, as passagens por hospitais e clínicas, temos aqui um verdadeiro mergulho na vida de Raul nesses anos tão difíceis e ao mesmo tempo tão produtivos de sua trajetória artística e pessoal.

Entre outras revelações, ficamos sabendo como a irresponsabilidade de Raul o levou a perder uma gravação de clipe para o Fantástico em 1980, o que gerou uma forte reação negativa da emissora e também do meio artístico. Como eles conversavam muito, Kika também soube de fatos anteriores, como o da mentira acerca de um mitológico encontro entre ele e John Lennon em Nova York que, na verdade, nunca ocorreu.

O perfil do genial artista baiano apresentado aqui é de um ser humano contraditório, capaz de ser carinhoso, generoso e humano e também inconsequente, inseguro e seu pior inimigo. Kika não doura a pílula nem dele, nem de si própria, esbanjando honestidade e paixão ao nos apresentar o Raul Seixas que só ela conheceu.

Uma personagem importante que o livro nos revela é Maria Eugênia Seixas, a mãe de Raul, uma pessoa incrível pela paciência, abnegação e carinho com que tratou o filho mesmo nos momentos mais difíceis, nos quais ele criava os mais incríveis obstáculos entre seus entes queridos, mas que ela superava para cuidar dele. Várias cartas dela endereçadas a Kika falando sobre fatos ocorridos com Raul foram reproduzidas no livro. E foi Dona Maria Eugênia quem designou Kika como a responsável por cuidar da maior parte do acervo do artista, em parceria com o grande Sylvio Passos, que em 1981 criou o Raul Rock Club, o maior e melhor fã-clube do nosso genial roqueiro.

Além dos cinco anos específicos em que viveu com o músico, Kika também nos conta as coisas que fez antes de conhecê-lo, dos cinco anos finais da vida dele, nos quais seus contatos foram menores, mas ainda frequentes, e de tudo o que fez posteriormente para ajudar a manter a obra de Raul Seixas sendo divulgada após a morte dele, incluindo o projeto O Baú do Raul, que envolveu shows, lançamentos de CDs, DVDs e livros, exposições etc.

A versão física do livro é sensacional, com edição impecável que nos proporciona letras bem legíveis, capítulos bem delineados, uma generosa seção de fotos e muitas informações sobre personagens em torno de Raul- parentes, amigos, músicos, colaboradores etc. Sim, muitos livros já foram lançados sobre esse verdadeiro mito da nossa cultura, mas este aqui é certamente um dos mais relevantes e essenciais para quem deseja conhecer melhor o Maluco Beleza.

Coisas do Coração– Raul Seixas:

Guto Goffi reinicia temporada de shows com o Bando do Bem no RJ

CREDITO FOTO FREDERICO MENDES

Por Fabian Chacur

No dia 12 de março deste ano, Guto Goffi fez o primeiro do que seria uma série de shows ao lado de sua banda alternativa, o Bando do Bem. No entanto, a pandemia do novo coronavírus acabou adiando a realização das outras apresentações. Agora, sete meses depois, o baterista do Barão Vermelho retomará a temporada a partir desta sexta (6) às 20h30 no Rio de Janeiro no Espaço Rogério Cardoso da Casa de Cultura Laura Alvim (avenida Vieira Souto, nº 176- Ipanema- RJ- fone 0xx21-2332-2016), com ingressos a R$ 20,00 (meia) e R$ 40,00 (inteira).

Este primeiro show também será transmitido no formato live em uma parceria com a FUNARJ, entidade ligada à Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro. Além deste, estão previstas novas apresentações no mesmo local e hora nos próximos dias 13, 20 e 27. O local terá 1/3 de sua ocupação habitual e seguirá rigorosamente todos os protocolos de higiene e convivência exigidos pelas autoridades sanitárias no momento atual.

O mote é o lançamento de C.A.O.S. (sigla que significa Confusões Artísticas e Obras Sonoras), terceiro trabalho solo de Guto, já disponível nas plataformas digitais. O álbum traz dez faixas autorais, trazendo parcerias com os atuais colegas de Barão Vermelho (Maurício Barros, Rodrigo Suricato e Fernando Magalhães) e também com Cláudio Bedran (do grupo Blues Etílicos) e Cláudio Gurgel. Na Hora de Rezar, Cérebros e Cabeças e A Travessia são destaques.

Cérebros e Cabeças– Guto Goffi:

Bruno Gouveia e Carlos Coelho em uma live com papo e música

BRUNO GOUVEIA E CARLOS COELHO - BIQUINI CAVADAO

Por Fabian Chacur

Trinta e cinco anos de estrada no conturbado e disputado cenário musical brasileiro não é para qualquer um, ainda mais se estivermos falando de uma trajetória consistente e com boa repercussão perante o público. Este é o caso do Biquini Cavadão, que desde sua estreia em 1985 se mantém firme e forte, resistindo às intempéries. Como forma de celebrar essa longevidade, dois de seus integrantes farão uma live streaming neste sábado (19) às 16h30, que poderá ser conferida em seu canal oficial no Youtube.

Bruno Gouveia (vocal) e Carlos Coelho (guitarra, violão e vocal) se apresentarão no alto de uma cobertura situada na região da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, cujo cenário é dos mais belos e marcantes daquela cidade. Durante a live, os dois amigos aproveitarão para contar algumas histórias bacanas da carreira do Biquini Cavadão, além de recordarem alguns de seus maiores sucessos nesses anos todos.

Além disso, eles também irão falar sobre alguns dos grupos que mais os influenciaram em sua obra autoral, entre os quais Beatles, Queen, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e também Roberto Carlos, aproveitando para interpretar alguns dos sucessos desses artistas.

Múmias (clipe)- Biquini Cavadão:

Ira! lança o 3º single de seu novo álbum de inéditas, que sai logo

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Por Fabian Chacur

Após disponibilizar as faixas O Amor Também Faz Errar (ouça aqui ) e Mulheres à Frente da Tropa (ouça aqui), o Ira! nos oferece a terceira amostra do que será o seu primeiro álbum de inéditas desde Invisível DJ (2007). Trata-se de Chuto Pedras e Assovio, parceria de Edgard Scandurra com a cantora Bárbara Eugênia. O álbum é intitulado Ira (assim mesmo, sem o ponto de exclamação), e sairá em breve. Novamente, o grupo se mostra bastante afiado, com mais uma faixa à altura de seu legado de quase 40 anos de estrada como uma das bandas mais bem-sucedidas dentre as surgidas na década de 1980 na então efervescente cena roqueira de São Paulo.

A canção foi composta por Scandurra e Bárbara em 2010, quando o guitarrista, cantor e compositor do Ira! estava produzindo um disco da cantora, no Rio de Janeiro. A gravação traz ele, o vocalista Nasi e seus atuais parceiros de banda, Johnny Boy (baixo) e Evaristo Pádua (bateria), e possui uma levada de rock balada com direito a um assovio daqueles que gruda imediatamente nos ouvidos.

“A letra foi inspirada na sagrada rotina que a estrada impõe aos músicos, longe de suas casas e sozinhos em quartos de hotéis em distantes cidades onde encontram nessa solidão espaço para reflexões, amor, trabalho, paz e alegria. Ao mesmo tempo, convida seu amor a esquecer os problemas e acompanhá-lo sem pretensões ou planos. Apenas que vivam intensamente o momento presente”, diz Edgard em comentário enviado à imprensa.

Chuto Pedras e Assovio– Ira!:

Barão Vermelho mostra álbum Viva e seus hits em show no RJ

barao vermelho 2019-CREDITO FOTO - MARCOS HERMES 2-400x

Por Fabian Chacur

Se muita gente já jogou a toalha para o trabalho em 2019 e está curtindo suas férias, o Barão Vermelho dá uma de Muricy Ramalho, o ex-treinador de futebol e criador da célebre frase “aqui é trabalho”. A banda carioca irá suar a camisa mais uma vez este ano neste sábado (28) no Rio de Janeiro a partir das 22h no mítico Circo Voador (rua dos Arcos, s-nº- Lapa- fone 0xx21-2533-0354), com ingressos de R$ 60,00 a R$ 120,00.

O agora quarteto dá mostras de que merece ser considerado uma espécie de Jason Vorhees do rock tupiniquim. Afinal de contas, eles encaram a terceira mudança de vocalista, e não demonstram sinais de enfraquecimento. Rodrigo Suricato, que também toca guitarra, entrou no time e se encaixou feito uma luva, mostrando-se um frontman de primeira ao lado de Guto Goffi (bateria), Maurício Barros (teclados) e Fernando Magalhães (guitarra).

O mote deste show é o repertório de Viva, mais recente álbum da banda, disponível nas plataformas digitais e a estreia em gravações de estúdio do novo line up dos rapazes. Além do single matador lançado no final de 2018, a encapetada A Solidão Te Engole Vivo, o trabalho traz outras composições bacanas do time, entre as quais Eu Nunca Estou Só, Um Dia Igual ao Outro e Por Onde Eu For.

Lógico que, além das novidades, o show também trará uma seleção dos grandes sucessos desses mais de 30 anos de trajetória da banda que já teve Cazuza e Roberto Frejat em suas fileiras, petardos do porte de Maior Abandonado, Bete Balanço, Por Você e tantos outros.

Leia mais sobre o Barão Vermelho em Mondo Pop aqui.

Para Onde Eu For – Barão Vermelho:

Biquini Cavadão e Péricles gravam um single em parceria

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Por Fabian Chacur

Em 2019, entre outras atividades, o Biquini Cavadão inaugurou um novo projeto. Trata-se de Vou Te Levar Comigo, cuja intenção é lançar singles nos quais o grupo carioca juntará forças com artistas de outros segmentos musicais. O início foi com Quanto Tempo Demora Um Mês, com a dupla sertaneja Matheus & Kauan (ouça aqui). A segunda colaboração traz como atração o cantor Péricles, ex-integrante do grupo Exaltasamba.

“O rock do Biquini nunca se prendeu a fronteiras do nosso próprio estilo. Por isso, nossas parcerias sempre foram inusitadas, abrindo as portas para que novos fãs conheçam nosso trabalho”, explica o guitarrista e produtor Coelho, que ao lado de Bruno (vocal), Miguel (teclados) e Álvaro Birita (bateria) integra a banda.

Desta vez, eles optaram por unir outro grande hit do quarteto, Janaína, com uma composição icônica de Chico Buarque, Cotidiano. “Considero Construção (1971) um dos melhores discos que já ouvi. E os versos de Chico Buarque casam muito bem com a Janaina que acorda todo dia às 4:30 e que, nesta versão, tira o marido da cama às seis horas para ele trabalhar”, finaliza Bruno.

Janaína/Cotidiano (clipe)- Biquini Cavadão e Péricles:

Coke Luxe e seu rockabilly vintage faz show em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Eduardo Moreira, o Eddy Teddy (1950-1997) foi um dos caras mais legais que tive a honra de conhecer no meio musical. Ele organizava no início dos anos 1980 incríveis reuniões em sua casa juntando colecionadores de discos e músicos conhecidos, mistura de feira de discos e palco para jam sessions inesquecíveis. Ele também era cantor e guitarrista, e liderou uma banda que deixou marca na cena rocker brasileira, a Coke Luxe.

Se Eddy infelizmente não está mais conosco, deixou um bom fruto, seu filho Luiz Teddy, que desde 2017 resgatou o Coke Luxe com alta categoria. A banda toca neste domingo (18) em festa que começa a partir das 13h no Nos Trilhos (rua Visconde de Parnaíba, nº 1.253- Mooca- fone 0xx11-99203-2803), com ingressos de R$ 10,00 a R$ 30,00.

O Coke Luxe foi criado em 1981 por Eddy Teddy, que também integrou bandas como Rockterapia, Satisfaction, British Beat e Spectral Zoo. Inspirados no revival do rockabilly dos anos 1950 promovido na época por bandas como os Stray Cats, o time também contava com os experientes Billy Breque (guitarra, também do grupo Pholhas), Little Piga (contrabaixo) e Jipp Willis (bateria). Em pouco tempo, conquistaram um fã-clube fiel, especialmente em São Paulo.

O quarteto lançou dois discos, o compacto É Rockabilly (1983) e o LP Rockabilly Bop (1984), ambos pela Baratos Afins, que em 2001 reuniu o conteúdo desses dois trabalhos, acrescido de faixas bônus, em único CD (ouça aqui).

Com o carisma de seu cantor e o entrosamento de seus músicos, eles fizeram inúmeros shows e participações em programas de TV. Em 1984, por exemplo, foram a banda principal de um show que também contou com os então iniciantes Legião Urbana e Zero, no Centro Cultural São Paulo.

O Coke Luxe se manteve na ativa até o fim dos anos 1980. Com as mortes de Eddy em 1997 e de Litte Piga em 2004, parecia ter saído de vez de cena. No entanto, Luiz Teddy, integrante dos grupos The Krents (que lançou um CD pela mesma Baratos Afins) e Run Devil Run resolveu resgatar a banda do pai com Billy Breque e Jipp Willis e trazendo para a vaga de Litte Piga o ótimo Big Marcel, ex-integrante dos grupos Alex Valenzi & The Hideaway Cats e Grilos Barulhentos.

O retorno em 2017 ocorreu apenas como forma de marcar os 20 anos da precoce partida de Eddy Teddy, mas a repercussão foi tão boa que desde então volta e meia temos Coke Luxe em cena, com apresentações recentes em lugares como o Sesc Belenzinho e no aniversário de São Caetano do Sul (SP). No repertório, petardos do porte de Roque o Azarado, Buzum, I.N.P. Rock, 20º Andar e Ouvir Rock ‘N’ Roll. Para curtir e dançar a mil por hora!

Buzum (ao vivo)- Coke Luxe:

André Midani, do Dia D na França ao maravilhoso mundo da música

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Por Fabian Chacur

A vida é mesmo imprevisível. Pode um cara oriundo da longínqua Síria e criado na França ter sido decisivo para a história da música popular brasileira durante inúmeras décadas? Uma trajetória improvável, porém plenamente real. Esse cara, André Midani, teve uma bela missão, e a cumpriu de forma plena e apaixonada. Mas toda história, infelizmente, tem um fim, e ele nos deixou nesta quinta-feira (13) aos 86 anos de idade, vítima de um câncer que o atormentava há alguns meses, segundo informou seu filho, Phillipe.

Nascido na Síria em 25 de setembro de 1932 (mesma data e mês que eu, que honra!), André veio para o Brasil em 1955, e por aqui, firmou-se na indústria fonográfica, ramo no qual ele havia começado a atuar na França. Sempre com os ouvidos abertos e dono de uma sensibilidade musical enorme, além de ousadia ilimitada, atuou em gravadoras como a EMI-Odeon, Phillips e Warner. Foi decisivo no desenvolvimento das carreiras de gente como João Gilberto, Jorge Ben Jor, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Titãs, Lulu Santos e dezenas, senão centenas de outros nomes importantes para a nossa música.

Mesmo com todo esse currículo e todas as suas realizações, Midani sempre se mostrou simpático, acessível e disposto a aprender novas lições. Sua vida incrível foi contada de forma deliciosa no livro Música, Ídolos e Poder- Do Vinil Ao Download (leia a resenha aqui) e na ótima série televisiva André Midani- Do Vinil Ao Download, de 2015 (leia mais aqui).

Não por acaso, executivos do calibre dele começaram a ter menos espaço nas grandes gravadoras transnacionais sediadas no Brasil a partir do final dos anos 1980, quando essas empresas aos poucos entraram em uma decadência cujos frutos podres colhemos atualmente. Para Midani, a música enquanto arte vinha sempre em primeiro lugar. Bom seu legado ter sido devidamente cultuado enquanto ele ainda estava entre nós. Sua passagem se dá em um momento difícil do Brasil, mas que ele fique como exemplo para uma futura volta por cima, em todos os setores, especialmente o da cultura.

Veja entrevista com os diretores da série de TV sobre André Midani:

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