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Autobiografia mostra a louca vida do genial Nile Rodgers

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Por Fabian Chacur

Após ler as quase 300 páginas de Le Freak, autobiografia de Nile Rodgers, que saiu no exterior em 2011 e só agora chega ao mercado brasileiro em versão em português, a impressão que fica é de que esse genial guitarrista, compositor e produtor americano é protagonista de um verdadeiro milagre.

Afinal de contas, como um garoto, fruto de um relacionamento entre uma mãe totalmente destrambelhada e viciada com um pai ainda mais drogado e ausente, que cresceu entre as ruas, lares de avós, tias e eventualmente da mãe biológica e que esteve sempre cercado de viciados, traficantes, ladrões, assassinos e quetais conseguiu não só sobreviver como se tornar um dos grandes nomes da história da música pop? Como? Só por milagre de Deus mesmo…

A autobiografia do coautor de Le Freak, Good Times, Everybody Dance e tantos outros clássicos da música pop possui um tom bem franco e bem-humorado, no qual em nenhum momento ele procura julgar as pessoas que o criaram da pior forma possível. Felizmente, ele soube achar um caminho próprio, a música, e se deu bem nele.

A vida pessoal e seus dramas tem prioridade no livro. Lógico que temos relatos do trabalho de Nile com o grupo que o tornou famoso, o Chic, sua incrível parceria com o genial baixista e compositor Bernard Edwards, os discos que produziu para Diana Ross, Madonna e David Bowie e participações em shows e outros eventos. Mas o lado escuro prevalece.

Noitadas de bebidas, drogas e mulheres, as amizades nem sempre muito saudáveis, a proximidade da morte, as eventuais internações, está tudo lá. Para quem gostaria de ler mais sobre o Nile Rodgers músico e produtor, recomendo outro livro que serve como complemento indispensável para Le Freak, o ótimo Everybody Dance- Chic And The Politics Of Disco (2004- Helter Skelter Publishing), de Daryl Easlea, que conta com a colaboração de Rodgers e mergulha fundo nessa área da atuação do músico. Pena que não tenha ainda uma edição em português.

Mesmo assim, Le Freak é obrigatório para quem quer descobrir um pouco mais sobre o cara por trás dessa guitarra irresistível e influente, e suas incríveis composições e produções. Pena que o enredo se encerre no momento em que Rodgers descobre ser portador de um tipo agressivo de câncer, em 2011, deixando um ponto de interrogação no ar.

Para felicidade geral de todos os seus milhões de fãs, ele está vencendo essa batalha, e conseguiu nesses quatro anos voltar às paradas de sucesso com suas participações nos hits Move Yourself To Dance e Get Lucky, do Daft Punk, e gravar um novo álbum do Chic, no qual aproveita gravações inéditas de arquivo e novos takes. Ele também continua fazendo shows. Que possa ir bem além dos 63 anos que viveu até agora!

E fica uma frase do astro, que mostra bem sua perspicácia: “Não é bom viver no passado, mas é um bom lugar para se visitar, e se você for lá, eu estarei lá”. O mote do novo álbum do Chic é tempo, e Rodgers tem vivido cada dia como se fosse ser o seu último, porque um dia, será o último mesmo, como ele diz em seu livro. Repito: que demore bastante!

I’ll Be There – Chic:

I’ll Be There– pequeno making of do CD:

My Forbidden Lover– Chic:

Everybody Dance– Chic:

The Land Of The Good Groove– Nile Rodgers:

Yum Yum– Nile Rodgers:

Kathy Sledge, Jody Watley e DJs estarão em Disco Fever

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Por Fabian Chacur

Os fãs de disco music tem um bom programa para o dia 13 de junho (sábado) em São Paulo. Trata-se do evento Disco Fever, que terá como atrações os DJs Vadão e André Souza e duas importantes divas daqueles anos áureos da música dançante: as cantoras americanas Kathy Sledge (ex-integrante do grupo Sister Sledge) e Jody Watley (que vem com nova formação da Shalamar).

A festa começa às 22h e terá como palco o Espaço das Américas (rua Tagipuru, 795- Barra Funda- fone 0xx11-2027-0777), com ingressos custando de R$180,00 a R$ 380,00 (mais informações no site www.espacodasamericas.com.br). A discotecagem dos experientes Vadão e André Souza ocorrerá antes e após os shows, com direito aos grandes clássicos da dance music.

Kathy Sledge nasceu em 6 de janeiro de 1959 e foi a vocalista líder do quarteto Sister Sledge entre 1971 e 1989, ao lado das irmãs Debra, Joni e Kim. O grupo estourou em 1978/79 ao ser produzido por Nile Rodgers e Bernard Edwards, do grupo Chic, quando gravaram os álbuns We Are Family e Love Somebody Today, emplacando hits como We Are Family, He’s The Greatest Dancer e Lost In Music, entre outros.

Após sair do grupo, Kathy mantém uma carreira solo de sucesso mediano, mas continua com aquele vozeirão que a tornou famosa. Há pouco, gravou ao lado do grupo Aristofreeks a sensacional Keep It Movin’, que a trouxe de volta aos charts. Em seus shows, ela nunca deixa de cantar os hits dos bons tempos, especialmente o hino We Are Family.

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Por coincidência, Jody Watley nasceu no mesmo ano e mês de Kathy, só que no dia 30. Ela começou a carreira como dançarina do programa televisivo de black music Soul Train, até que foi convidada a participar de um novo grupo vocal, o Shalamar, ao lado do também dançarino Jeffrey Daniels. O trio ganharia sua formação clássica em 1979 com a entrada do cantor Howard Hewett, estourando logo de cara com o hit The Second Time Around.

O trio em sua escalação seminal se manteve na ativa de 1979 a 1983, período durante o qual emplacou sucessos como The Second Time Around, Make That Move, Full Of Fire, A Time To Remember e This Is For The Lover In You. Sua mistura de disco, soul e funk, com direito a vocalizações matadoras e coreografias dançantes bacanas marcou época.

Após sair do Shalamar, Jody Watley conseguiu sucesso como artista solo a partir de 1987, com hits como Don’t You Want Me e Looking For a New Love. Atualmente, após ganhar na Justiça os direitos sobre o nome Shalamar, montou uma nova formação do trio, tendo a seu lado os novatos Nat Allen Smith e Rosero McCoy, que virão com ela ao Brasil.

Vale o registro: Howard Hewett e Jeffrey Daniels também estão fazendo shows pelo mundo afora usando o nome Shalamar, tendo como substituta de Jody a cantora Carolyn Griffey. Uma pena Watley, Daniels e Hewett não se entenderem e não voltarem com a formação clássica do grupo, que certamente atrairia com tudo a atenção da mídia.

Keep It Movin’– AristoFreeks ft. Kathy Sledge :

We Are Family– Nile Rodgers, Flea & Kathy Sledge Grammy Week Jam:

We Are Family (original version)- Sister Sledge:

Make That Move, Friends, Sweeter As The Days Go By– Shalamar live (c/Jeffrey Daniel e Howard Hewett):

Make That Move (original studio version 1980)- Shalamar:

Don’t You Want Me– Jody Watley:

Rod Hanna/A Taste Of Honey fazem show impecável em SP

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Por Fabian Chacur
fotos: Tania Voss- Universo da Fama

O grupo paulista Rod Hanna completa 20 anos de carreira consolidado como um dos grandes nomes no cenário musical brasileiro. Seus espetáculos resgatando grandes hits e eventualmente investindo em material próprio cativaram um público que cresce a cada dia. O mais recente show, Rod Hanna On Broadway, é simplesmente irresistível, e se tornou ainda melhor com a participação do grupo americano A Taste Of Honey, como vimos no Teatro Bradesco (SP) neste sábado (25).

Liderado por Rod (vocal, teclados e violão) e Nora Hanna (vocais), o Rod Hanna traz em suas fileiras uma equipe digna de musicais, com direito a músicos, vocalistas e dançarinos que transformam a performance de cada música em um espetáculo particular. Sempre com uma batida disco que ninguém no Brasil faz com tanta convicção e categoria.

O repertório de Rod Hanna On Broadway reúne clássicos dos melhores e mais bem-sucedidos musicais das últimas décadas, com direito I Will Survive, I Say a Little Prayer, Mamma Mia, Fame, Summer Nights, Night Fever e You Should Be Dancing. O desempenho do time é impressionante, e cativa de forma incondicional.

A parceria com o A Taste Of Honey deu super certo. O grupo, que estourou em 1978 com o megahit Boogie Oogie Oogie e depois emplacou outras músicas matadoras do tipo Rescue Me, Do It Good e Sukiaki, conta hoje com uma integrante de sua formação original, a vocalista e baixista Janice-Marie Johnson. Carismática e simpática, ganhou o público.

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Janice trouxe consigo dos EUA dois músicos também repletos de realizações. Nos teclados e metais, Felton Pilate II, integrante da banda funk Con Funk Shun (dos hits nos anos 1970 e 1980 Got To Be Enough, Too Tight, Ffun e Chase Me) e David Cochrane na guitarra e metais, ele que entre 1976 e 1982 foi músico de apoio da banda The Commodores e compôs músicas com Lionel Richie na carreira solo do astro.

Com os dois novos parceiros e o apoio do Rod Hanna, Janice ganhou a plateia interpretando Boogie Oogie Oogie (duas vezes, a segunda no bis que encerrou o show), Rescue Me e Sukiyaki (essa com direito a visual japonês), Ladies Night (hit do Kool & The Gang em 1979) e I Love The Nightlife (hit com Alicia Bridges em 1979). O entrosamento entre os Rod Hannas e o trio americano impressionou, eles que já haviam se apresentado juntos no Brasil em 2014.

Vale também destacar a fantástica Disco Evolution, um pot-pourry que conta a história da disco music desde seus anos iniciais, na década de 1970, até seus desdobramentos que ocorreram nas décadas seguintes, indo de Boogie Wonderland até Get Lucky. O espetáculo acabou com Dancin’ Days e Boogie Oogie Oogie num clima de quero mais. A gravação de um DVD seria sensacional!

Boogie Oogie Oogie (ao vivo em 2011)- A Taste Of Honey:

Hod Hanna On Broadway– trechos do show:

Morre Henry Stone, o mentor da KC & The Sunshine Band

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Por Fabian Chacur

Os fãs da disco music e da música em geral estão de luto. No último dia 7 de agosto, morreu aos 93 anos de idade em um hospital em Miami, nos EUA, o produtor e empresário Henry Stone. A informação foi publicada nos jornais da cidade americana e reproduzida pelo site da revista americana Billboard. O currículo dele é dos mais significativos e merece ser relembrado (na foto, ele, à esquerda, com George McCrae em 1974).

Na década de 1940, Henry Stone resolveu entrar no meio musical, e montou no sul do estado da Flórida (EUA) uma distribuidora de discos e também um estúdio de gravações. Foi nesse estúdio, em 1948, que ele gravou pela primeira vez um jovem iniciante no meio musical, ninguém menos do que Ray Charles. Em 1954, Otis Williams And The Charms atingiram o primeiro lugar na parada de rhythm and blues com Heart Of Stone, single lançado por Stone.

James Brown ainda era um iniciante quando gravou no estúdio do produtor a música Please Please Please, que em 1956 se tornou um dos primeiros hits da carreira do gênio da black music com o seu grupo The Famous Flames. Antes da fama, Stone tocava trumpete em uma banda que mesclava músicos brancos e negros, e seu sonho era tornar grupos desse tipo grandes sucessos comerciais.

Depois de muitos anos de batalha, Henry criou em Miami em 1972 em parceria com Steve Alamo a gravadora TK Records. O selo ganhou força a partir do momento em que o empresário contratou dois músicos novatos, Harry Wayne KC Casey e Richard Finch. Eles inicialmente compuseram e produziram o primeiro hit do selo, Rock Your Baby, estouro com George McCrae em 1974.

Logo a seguir, a dupla começou a fazer sucesso com sua própria banda, a KC & The Sunshine Band, uma das formações mais importantes do que se convencionou chamar de disco music. Os caras emplacaram um hit após o outro, entre os quais Boogie Shoes, Shake Shake Shake (Shake Your Booty), That’s The Way ( I Like It) e Do You Wanna Go Party, entre outros.

Também com produção, composições e apoio instrumental da KC & The Sunshine Band, o cantor Jimmy “Bo” Horne tornou-se um forte destaque do elenco da gravadora de Miami, emplacando hits certeiros nos bailes de todo o mundo como Dance Across The Floor, Gimme Some, You Get Me Hot, Spank e Going Home For Love.

Além dos nomes já citados, a TK Records lançou artistas como Gwen McCrae (Rockin’ Chair), o cantor, compositor, produtor e músico Peter Brown (Dance With Me, Do Ya Wanna Get Funky With Me), o grupo Foxy (Get Off, Hot Number) e a cantora Anita Ward (o petardo Ring My Bell). O som feito pela gravadora ganhou o apelido de Miami Sound e marcou época nos anos 70, com sua mistura de rock, soul, rhythm and blues, música eletrônica e música latina.

Stone também registrou na T.K. trabalhos de artistas já consagrados anteriormente, como James Brown, Betty Wright e Ronnie Spector. Devido a má administração, no entanto, o selo acabou indo à falência em 1981. O empresário continuou na ativa, mas nunca mais obteve o sucesso anterior. No entanto, já havia marcado o seu nome na história do som pop, apostando no ritmo dançante e na integração entre negros e brancos no mundo da música.

Do You Wanna Go Party (album version)- KC & The Sunshine Band:

Rock Your Baby– George McCrae:

Dance With Me– Peter Brown:

Coletânea é aperitivo da The Chic Organization

Por Fabian Chacur

Um dos grandes fatos ocorridos em 2013 foi seguramente a volta de Nile Rodgers às paradas de sucesso, tocando uma excepcional guitarra rítmica nos hits Move Yourself To Dance e Get Lucky do duo Daft Punk. Lógico que esse fato gerou um novo interesse em torno de sua obra dos anos 70 e 80, e a coletânea Nile Rodgers Presents The Chic Organization Up All Night, lançada pela Warner no Brasil, chega para suprir essa lacuna, o que faz até certo ponto.

Up All Night reúne 25 faixas distribuídas em dois CDs. O repertório traz nove faixas do Chic, grupo liderado por Nile Rodgers (guitarra) e Bernard Edwards (baixo), e outras produzidas por eles para outros artistas, como o grupo Sister Sledge, Carly Simon, Debbie Harry, Sheila & B.Devotion e Diana Ross, entre outros, nas quais eles também se incumbiram da parte instrumental e vocal. Serviço completo e feito com rara categoria.

O critério seguido na seleção das faixas privilegia as mais dançantes, incluindo sempre ou as versões completas ou os remixes, deixando de lado as edições com menor duração feitas especialmente para os singles que tocavam nas rádios e eram lançadas na época no formato compacto simples de vinil. Ou seja, o colecionador irá encontrar aqui as raras versões longas que só tocavam nas discotecas e eram comercializadas apenas em hoje raríssimos singles de vinil no formato de LPs.

O repertório é muito bom, trazendo os maiores sucessos do Chic (como Le Freak, Good Times e Everybody Dance), do quarteto vocal Sister Sledge (We Are Family e Lost In Music, por exemplo) e também maravilhas como o delicado reggae eletrônico Why, com Carly Simon, a sacudida Spacer, com Sheila & B. Devotion, e as endiabradas I’m Coming Out e Upside Down, com Diana Ross.

Dois momentos menos bem-sucedidos da obra de Rodgers/Edwards também estão aqui, as faixas I Love My Lady, com Johnny Mathis (gravada em 1981 e mantida nos arquivos da gravadora durante décadas) e Your Love Is Good (com Sheila & B. Devotion), prova de que até mesmo gênios dão suas vaciladas. Não são faixas desprezíveis, mas estão bem abaixo do alto nível geral deles nessa fase áurea nos anos 70 e 80.

Outro detalhe importante a ser apontado é que só a faceta mais dançante da Chic Organization aparece aqui, deixando de lado momentos instrumentais maravilhosos como São Paulo, Savoir Faire e Funny Bone, sensuais como A Warm Summer Night e românticos até a medula do naipe de Will You Cry (When You Hear This Song) e At Last I Am Free. São faixas realmente essenciais de um grupo genial que você precisa conhecer.

Além de Nile e Bernard, que eram os compositores e arranjadores, o grupo abrigou em suas fileiras nos anos 70 e 80 gente talentosa do gabarito de Luther Vandross, Alfa Anderson, Norma Jean Wright (que tem duas gravações solo bacanas, High Society e Saturday, incluídas em Up All Night), Tony Thompson e Fonzi Thornton, colaboradores que tornaram o som do Chic uma rara e divina experiência musical.

Up All Night é uma compilação indicada para o colecionador, que enfim terá aquelas gravações extended tão difíceis de serem encontradas, além de ser uma boa iniciação ao novato em termos de Chic Organization. Mas não se iluda: mesmo com 25 faixas, temos aqui apenas a ponta de um iceberg repleto de momentos memoráveis. O som da Chic Organization vicia, e isso pode ocorrer logo após você ouvir essa coletânea dupla, que ainda traz um belo texto em seu simples, porém simpático encarte.

Ouça Why, com Carly Simon, versão incluída em Up All Night:

Ouça Spacer, com Sheila & B. Devotion, versão incluída em Up All Night:

Caixa de DVDs mergulha na Disco Music

Por Fabian Chacur

A Disco Music é um dos estilos musicais mais marcantes da história da música pop. Amada por muitos e odiada por muitos, também, surgiu e viveu seu auge em termos de popularidade nos anos 70, permanecendo até hoje como garantia de trilha sonora animada em festas e influenciando novos trabalhos musicais.

Como forma de dar uma geral nos anos de ouro da disco, chegou às lojas a caixa The Best Of Disco Music, que traz três DVDs com videoclipes e um contendo um documentário sobre o mais popular estilo jamais surgido no amplo universo da dance music de todos os tempos.

Os três DVDs de clipes nos trazem 58 registros feitos nos anos 70 (alguns, nos anos 80) de nomes importantes da disco, como Donna Summer, Village People, Gloria Gaynor, Silver Convention, Penny McLean, Tina Charles e LaBelle, junto a outros perdidos na lata de lixo da história, como Aneka, Peter Kent e Cherry Laine.

Grande parte desse material foi extraído de apresentações em programas de TV da época, nos quais os artistas habitualmente apenas dublavam suas gravações. Mesmo assim, é legal ver esses astros da época, as roupas, as coreografias, o público presente (alguns visivelmente contrariados) e as músicas, em versões originais.

A qualidade de áudio e vídeo, se não é perfeita, pode ser considerada bastante satisfatória, com a trinca de DVDs podendo servir como uma espécie de trilha sonora para uma festa temática, mesmo sem incluir nomes chave dessa era como Chic, Kool & The Gang, Bee Gees, Voyage e Patrick Juvet, só para citar alguns.

Mas o grande destaque dessa coleção fica por conta do DVD que inclui um documentário com mais de uma hora de duração sobre a Disco Music. Com ótima narração a cargo de Gloria Gaynor, o filme dá uma bela geral na história do movimento, indo desde as raízes do mesmo até sua decadência, no início dos anos 80.

Além da utilização de ótimo material de arquivo, temos entrevistados de alto gabarito, como Tom Moulton, Nile Rodgers (do Chic), Giorgio Moroder, Telma Houston, Randy Jones (do Village People), George Clinton (Funkadelic/Parliament) e Mike Chapman. Até Peter Frampton, que admite odiar a disco music, dá suas opiniões (furadas, por sinal).

Trata-se de um dos melhores documentários que já vi sobre o tema, altamente indicado tanto para novatos como para conhecedores de disco music, pois é repleto de informações pertinentes. Para a caixa merecer nota máxima, só faltou mesmo um encarte colorido com mais fotos e informações. Mesmo assim, recomendo com entusiasmo.

Veja compilação de clipes de Disco Music (não estão na caixa):

Quem nos deixou na música em 2012

Por Fabian Chacur

Lá pelos idos de junho deste ano, comentei com um colega jornalista sobre o impressionante número de nomes importantes do meio musical que nos deixaram até ali, em 2012. Ele me deu a burocrática e entediante resposta “todo ano morre gente”. Infelizmente, não como neste triste 2012.

Ao fazer um balanço das perdas que tivemos durante esses 12 meses, chego à conclusão de que poucos anos tiveram ou terão uma lista tão extensa de perdas significativas nos quesitos cantores, cantoras, músicos, compositores e demais envolvidos com o maravilhoso mundo da música, que tanta energia positiva nos oferece.

Como forma de apresentar provas dessa minha avaliação, relacionei os links de matérias publicadas por Mondo Pop durante 2012 noticiando essas perdas. Vocês verão, são mais de 30 nomes. E faltam outros que, por vacilada minha ou coisa do gênero, acabaram sem registros aqui. Mea culpa, mea maxima culpa. As homenagens são para eles, também.

Coloquei também links com notas sobre os fechamentos da casa de shows Citibank Hall (o antigo Palace) e o Jornal da Tarde pelo fato de ambos terem importante ligação com a música, um por ter abrigado inúmeros shows históricos e o outro por ser um órgão de imprensa que sempre deu grandes e importantes espaços à cultura.

Não escolhi por acaso ilustrar esse post com a foto da cantora Donna Summer, uma dessas lamentáveis perdas (ocorrida no dia 17 de maio). Se estivesse viva, a eterna Rainha da Disco Music completaria 64 anos nesta segunda-feira (31/12).

Eles nos deixaram, mas suas obras permanecem por aí, para aplacar nossa saudade e também para serem descobertas pelas novas gerações. Todos inesquecíveis! Que em 2013 a gente possa falar mais de vida do que de morte por aqui. E desejo a todos um Ano Novo maravilhoso, com direito a muita saúde, paz, alegria, realizações e muita música de qualidade!

http://www.mondopop.net/2012/01/morre-etta-james-genial-cantora-de-soul-music/

http://www.mondopop.net/2012/01/citibank-hall-antigo-palace-fechara-em-marco/

http://www.mondopop.net/2012/01/morre-coautor-de-sunshine-on-my-shoulders-sucesso-de-john-denver-nos-anos-197080/

http://www.mondopop.net/2012/02/morre-don-cornelius-do-programa-soul-train/

http://www.mondopop.net/2012/02/wando-se-vai-nesse-triste-8-de-fevereiro/

http://www.mondopop.net/2012/02/morre-a-diva-popsoul-whitney-houston/

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http://www.mondopop.net/2012/02/saiba-qual-o-melhor-cd-de-whitney-houston/

http://www.mondopop.net/2012/02/morre-davy-jones-do-grupo-the-monkees/

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http://www.mondopop.net/2012/03/morre-jimmy-ellis-a-voz-de-disco-inferno/

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Unforgettable, com Nat King Cole e Natalie Cole:

Morre Donna Summer, a rainha da disco music

Por Fabian Chacur

Morreu nesta quinta-feira (17) na Flórida, EUA, a cantora Donna Summer. A estrela americana tinha 63 anos de idade e lutava contra um câncer, batalha essa que procurou manter longe da mídia.

Nascida no dia 31 de dezembro de 1948, LaDonna Gaines começou a tomar gosto pela música ao participar de corais gospel em igrejas. Ao integrar o elenco de uma das encenações da peça teatral Hair, conheceu a Alemanha, onde os horizontes para a sua carreira se ampliaram bastante.

Em 1973, na cidade alemã de Munique, conheceu os produtores e compositores Giorgio Moroder e Pete Bellotte, com os quais passou a trabalhar. Já com o nome artístico Donna Summer, ela estourou mundialmente com Love To Love You Baby, na qual se valia de gemidos sensuais, tendo como trilha uma base eletrônica que se tornaria extremamente influente.

A partir dalí, Donna começou a se tornar uma das mais importantes intérpretes da então emergente disco music, além de ganhar espaço para mostrar seu talento. Com uma voz potente e versátil, além de muito carisma em shows, ela incorporou influências de rock, soul, funk, pop e até jazz à sua sonoridade, o que a ajudou a se tornar ainda mais popular.

Com a produção e as canções dos geniais Moroder e Bellotte, ela emplacou até o fim dos anos 70 hits inesquecíveis como I Love You, Bad Girls, Hot Stuff, MacArthur Park (releitura de um hit dos anos 60), On The Radio e No More Tears (Enough Is Enough, esta um dueto com Barbra Streisand), entre muitos outros. Muitos mesmo!

A popularidade de Donna Summer nessa fase era tão grande que a moça conseguiu a façanha, nunca igualada, de emplacar três álbuns duplos consecutivos no primeiro lugar da parada da Billboard. São eles os excelentes Live And More (1978), Bad Girls (1979) e On The Radio-Greatest Hits Vols 1 e 2 (1979).

Nos anos 80, a parceria entre ela e a dupla Moroder/Bellotte acabou, mas a cantora conseguiu permanecer nas paradas de sucesso, emplacando hits como State Of Independene, Unconditional Love, Breakaway e She Works Hard For The Money entre outros.

Nos anos 90 e na primeira década deste século, manteve-se ativa e participando de projetos próprios e alheios, como um CD/DVD gravado ao vivo em 1999 em parceria com o canal musical VH1 no qual dava uma geral em seus maiores hits.

Donna Summer fez shows no Brasil em 1989, 1994 e 2009, sendo que nesta última vez divulgava seu então recém-lançado álbum Crayons.

Ela atualmente tentava finalizar um novo disco, mas aparentemente deixou o trabalho inacabado, o que só saberemos de fato nos próximos meses.

Ouça Hot Stuff, com Donna Summer:

Ouça Bad Girls, com Donna Summer:

Ouça I Feel Love, com Donna Summer:

Morre Jimmy Ellis, a voz de Disco Inferno

Por Fabian Chacur

Morreu nesta quinta-feira (8) nos EUA aos 74 anos o cantor Jimmy Ellis. Ele ficou famoso como vocalista dos Trammps, grupo que estourou mundialmente com a música Disco Inferno, um dos destaques da trilha sonora do filme Os Embalos de Sábado à Noite (Saturday Night Fever, 1977).

Ellis se aposentou na metada da década passada, após deixar o grupo. Não foi ainda divulgada a causa de sua morte. Ele nasceu em 1937.

Os Trammps surgiram no início da década de 70, integrado por músicos experientes da cidade de Filadélfia, uma das mais importantes da black music americana e um dos berços da disco music.

A voz potente e influenciada por James Brown de Ellis tinha como parceiros de banda Ron Baker (baixo e vocal -1947-1990), Norman Harris (guitarra – 1947-1987), Earl Young (vocais e bateria), os irmãos Harold e Stanley Wade (vocais), Robert Upchurch (vocais) e Ron Kersey (teclados – 1945-2005).

Enquanto consolidavam a carreira de sua própria banda, eles participaram de diversas gravações na seminal gravadora Philadelphia International, dos compositores e produtores Kenny Gamble e Leon Huff, lar de astros como Billy Paul, The O’Jays, Harold Mevin & The Blue Notes e tantos outros.

O primeiro sucesso do grupo ocorreu em 1972 com Zing Went The Strings Of My Heart, releitura de canção gravada originalmente por Judy Garland em 1943. No Brasil, essa música ficou conhecida com o “pseudônimo” O Som da Maça e integrou a trilha da novela Pecado Capital (1976), curiosamente quatro anos após seu lançamento nos EUA.

A carreira dos Trammps ganhou força a partir de sua entrada na Atlantic Records. O primeiro lançamento por essa gravadora foi o álbum Where The Happy People Go (1976), um dos melhores trabalhos da história da disco music e incluindo hits como That’s Where The Happy People Go, Soul Searchin’ Time e Disco Party, entre outras.

Disco Inferno, o segundo álbum do grupo na Atlantic, saiu no final de 1976 e conseguiu boa repercussão inicial. O estouro, no entanto, ocorreu quando a faixa título entrou na trilha de Os Embalos de Sábado à Noite, sendo utilizada em uma das cenas mais empolgantes do filme.

Além de ajudar a tornar a trilha de Saturday Night Fever uma das mais populares de todos os tempos, Disco Inferno atingiu o 11º posto na parada de singles americana em 1978.

Embora tenha lançado músicas legais como The Night The Lights Went Out e Soul Bones, o sucesso dos Trammps a rigor acabou no fim dos anos 70, quando saíram da Atlantic Records.

Ellis ficou durante muitos anos afastado dos Trammps, mas entre 2003 e 2006 fez shows com a atual formação da banda, que mantém apenas os irmãos Stanley e Harold Wade e Robert Upchurch dos bons tempos. Por sua vez, Earl Young mantém uma versão alternativa do grupo.

Incluída em 2005 no Dance Music Hall Of Fame, Disco Inferno possui uma das batidas mais influentes de todos os tempos, e foi usada na releitura feita por Lulu Santos e Marcelo Memê Mansur de O Descobridor dos Sete Mares, de Tim Maia, nos anos 90.

Para quem por ventura achar que os Trammps são só Disco Inferno, recomendo a audição urgente da coletânea This Is Where The Happy People Go-The Best Of The Trammps (1994), que inclui 18 faixas ótimas que mostram o como o seu trabalho entre 1972 e 1979 tinha grande consistência, e como a voz de Jimmy Ellis era marcante e swingada.

Morre a sensacional cantora disco Andrea True

Por Fabian Chacur

Se há algo que me irrita é ler notícia mal redigida e com informações mal pesquisadas. Tudo bem, eu também faço as minhas cagadas, como bom ser humano falível que sou, mas tenho o direito de me indignar com erros alheios que ficam aí para a eternidade.

Então, ao invés de ficar aqui criticando os outros, vou procurar informar vocês melhor. Para a tristeza dos fãs da disco music, entre os quais me incluo, foi anunciada hoje a morte da cantora e compositora americana Andrea True, que gravou alguns clássicos desse estilo.

Andrea Maria Truden tinha 68 anos, e morreu no início de novembro, embora a morte só tenha sido anunciada agora. Não se sabe a causa mortis, sendo que ela faleceu em um hospital na cidade de Nova York.

Antes de mergulhar no mundo musical, Andrea True teve atuação como atriz em filmes pornôs, entre os quais Deep Throat Part II (Garganta Profunda, série que notabilizou a atriz Linda Lovelace) e Lady On The Couch. Mas não demorou a sair fora, não tendo ficado famosa nesse metiê.

Em 1975, em uma passagem conturbada pela Jamaica, ela gravou por lá uma fita demo com o que seria More, More, More. Ao voltar aos EUA, conheceu o produtor e músico Gregg Diamond.

Essa parceria renderia em 1976 a gravação definitiva de More, More, More, um dos grandes clássicos da disco music, com sua batida hipnótica e a participação de um núcleo de músicos que fariam a fama de Gregg como um dos grandes produtores da era disco. E, é lógico, destacando a voz sexy, energética e de timbre facilmente reconhecível de Andrea.

Além da música que lhe abriu as portas do mercado musical, Andrea True gravou outras faixas marcantes do disco sound, como Party Line, Call Me, What’s Your Name What’s Your Name e a efervescente N.Y. You Got Me Dancing. Todas fizeram sucesso no Brasil especialmente esta última, que entrou até em trilha de novela.

Andrea True também gravou com o maestro, produtor e músico Michael Zager, que lançou Whitney Houston e trabalhou com Cissy Houston (mãe de Whitney) e a Michael Zager Band, do megahit Let’s All Chant.

Com Zager, Andrea gravou What’s Your Name, What’s Your Number, outro hit disco bem bacana.

No fim dos anos 70, Andrea True veio ao Brasil, onde se apresentou em discotecas e deu entrevistas à imprensa brasileira, conseguindo arrancar elogios de um repórter por sua fala articulada.

Com o fim da era disco, a moça sumiu de cena, mas seu lugar na história desse gênero se manteve.

Curiosidade: a capa de um de seus discos pode ter sido a inspiração para um dos trabalhos de maior sucesso de Rita Lee, o álbum que inclui Lança-Perfume. Seria plágio? O disco de Rita saiu alguns anos depois… Vejam e tirem suas próprias conclusões.

More, More, More, com Andrea True Connection:

N.Y. You Got Me Dancing, com Andrea True Connection:

What’s Your Name, What’s Your Number, com Andrea True Connection:

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